Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

2000, Ano de Graça do Senhor

20/09/2000

Frei Hipólito Martendal

O número anterior de nosso jornalzinho trouxe meu artigo com o título Natal 2000. Na verdade consegui expor apenas os fundamentos bíblicos da tradição católica de celebrar Anos Jubilares, ou Anos Santos. Vimos como para os judeus o Ano Jubilar tinha uma função importante na manutenção da Justiça Social. Limitava a formação de latifúndios e não deixava crescer as classes dos sem-terra e sem-teto. A razão era que Javé mostrava-se generoso para com seu povo e o judeu tinha de ser generoso com seus irmãos. Isto é lindo e muito inspirador.

A Igreja católica herdou esta tradição judaica e chama seus anos jubilares (50 em 50; 100 em 100; 500 em 500; 1000 em 1000) Anos Santos ou Anos de Graça do Senhor.

Aqui já começam os desvios da intenção original. A palavra Graça lembra “de graça”, Gratuidade. Isso puxa a idéia de generosidade, bondade e amor. Na mente, contudo, de uma pessoa mais interesseira, mais utilitarista, a palavra Graça disperta logo a idéia de ganho, presente, ajuda, vantagem, solução de problemas. É realmente lamentável que algo tão belo e tão grande venha tornar-se uma questão tão pequena e, diria, quase mesquinha.

Aborrece, mas temos que reconhecer, mesmo nós, os homens da Igreja ou “os homens de Deus”, conforme pensa o povo, cometemos um erro pedagógico sério quando acentuamos muito e só o Ano de Graça do Senhor, como se Deus tivesse épocas e datas especiais para especiais para distribuir graças e favores ao povo. Então corremos a Deus nestas ocasiões para ganhar alguma coisa: mais saúde, empregos, “bens de família”, indulgências e maior garantia da salvação eterna. Sim, senhores. Indulgências e salvação! Ouso dizer que até nisto pode estar o problema, pois até indulgências e salvação podem ser procurados por um espírito interesseiro e até egoísta, pouco afeito à gratuidade e ao Amor desinteressado de Deus.

Na verdade vejo três objetivos importantes a serem procurados neste Ano de Graça.

O primeiro é suscitar em todos os cristãos uma profunda gratidão por Deus ter-se encarnado há 2000 anos e ter-se feito nosso companheiro de caminhada já nesta vida. Deus é infinitamente perfeito e nada poderia receber em troca deste gesto. É por isso que eu dizia que nós conseguimos procurar até a salvação de um modo egoísta.

O segundo é exatamente termos de aprender com Deus. Aprendemos que Deus é Graça em Estado Puro, é Gratuidade 100% e, à semelhança dele , precisamos descobrir a maravilha de podermos ser graça e gratuidade para os outros.

O terceiro é, de graça, levar aos demais seres humanos esta nossa descoberta, ou seja, levar este Deus-Amor aos irmãos, ou levar Cristo aos irmãos, ou levar irmãos a Cristo. Tudo é a mesma coisa. No Evangelho de João, cap. 1, 35-42 , lemos que André, quando ouviu seu Mestre, João Batista, afirmar que Jesus era o Cordeiro de Deus, seguiu Jesus, passou quase o dia todo com Ele. Aí correu a seu irmão Simão a levar a novidade: “Encontramos o Messias”. E levou seu irmão a Jesus. Meus caros leitores, eis aí o programa básico para o ano de 2000 e para toda a sua vida.

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