{"id":6655,"date":"2011-11-23T16:41:10","date_gmt":"2011-11-23T16:41:10","guid":{"rendered":"http:\/\/new.franciscanos.org.br\/?p=6655"},"modified":"2021-08-11T10:04:47","modified_gmt":"2021-08-11T13:04:47","slug":"conferencia-dos-ministros-gerais-da-1%c2%aa-ordem-e-tor-carta-por-ocasiao-do-8%c2%ba-centenario-da-fundacao-da-ordem-de-santa-clara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/quemsomos\/conferencia-dos-ministros-gerais-da-1%c2%aa-ordem-e-tor-carta-por-ocasiao-do-8%c2%ba-centenario-da-fundacao-da-ordem-de-santa-clara\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia dos Ministros Gerais da 1\u00aa Ordem e TOR: Carta por ocasi\u00e3o do 8\u00ba Centen\u00e1rio da Funda\u00e7\u00e3o da Ordem de Santa Clara"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/253_080911-230x300.jpg\" alt=\"\" width=\"353\" height=\"460\" \/>No pr\u00f3ximo Domingo de Ramos, 17 de abril de 2011, ter\u00e1 in\u00edcio o VIII Centen\u00e1rio da Consagra\u00e7\u00e3o de Santa Clara na Porci\u00fancula e, de certo modo, o 8\u00ba Centen\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o da Segunda Ordem Franciscana, a das Irm\u00e3s Pobres de Santa Clara. Para celebrar este momento, os Ministros Gerais da Primeira Ordem e da TOR escreveram uma carta, que est\u00e1 na \u00edntegra abaixo, e tamb\u00e9m para lembrar a celebra\u00e7\u00e3o da 15\u00aa Jornada Mundial da Vida Consagrada e como prepara\u00e7\u00e3o para o jubileu das Clarissas.<\/p>\n<p><strong>CONFER\u00caNCIA DOS MINISTROS GERAIS<\/strong><br \/>\n<strong>DA 1\u00aa ORDEM E DA TOR<\/strong><\/p>\n<p><strong>CARTA POR OCASI\u00c3O DO OITAVO CENTEN\u00c1RIO DA FUNDA\u00c7\u00c3O DA ORDEM DAS IRM\u00c3S POBRES DE SANTA CLARA<\/strong><\/p>\n<p>O Senhor conceda a paz a todas v\u00f3s, Irm\u00e3s Pobres de Santa Clara.<\/p>\n<p>\u00c9 ainda forte o eco da celebra\u00e7\u00e3o da funda\u00e7\u00e3o da 1\u00aa Ordem Franciscana e agora estamos todos voltados para o ano 2012, para dar gra\u00e7as ao Senhor pelos 800 anos da consagra\u00e7\u00e3o de Clara na Porci\u00fancula. O acontecimento n\u00e3o \u00e9 uma comemora\u00e7\u00e3o de um passado glorioso, mas um evento em que se faz mem\u00f3ria, com o intuito de \u201cobter tamb\u00e9m da hist\u00f3ria ulterior um impulso para renovar a vontade de servir \u00e0 Igreja.\u201d(1)<\/p>\n<p>Chamadas pelo Esp\u00edrito a seguir o Cristo pobre, crucificado e ressuscitado, vivendo o santo Evangelho em obedi\u00eancia, sem nada de pr\u00f3prio e em castidade, v\u00f3s sois guardi\u00e3s do carisma clariano, mulheres consagradas que interagem com o mundo, contemplando os sinais que o Esp\u00edrito semeia e difunde na hist\u00f3ria. Na escuta de Deus, v\u00f3s falais ainda hoje ao cora\u00e7\u00e3o dos homens e das mulheres do nosso tempo com a linguagem do amor, cujas palavras se fundam na raiz da exist\u00eancia habitada por Deus.<\/p>\n<p><strong>MANTENHAM FIRME O PONTO DE PARTIDA<\/strong><br \/>\nFazer mem\u00f3ria da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ocasi\u00e3o de rever as motiva\u00e7\u00f5es do sim pessoal a Deus. Relendo a sua hist\u00f3ria vocacional, retornais ao encontro com o Senhor que aconteceu atrav\u00e9s da Palavra, de uma pessoa, de um acontecimento, de uma experi\u00eancia. Ap\u00f3s as dificuldades iniciais, v\u00f3s decidis seguir Jesus Cristo, deixando-se determinar por Ele e por seu Evangelho. A experi\u00eancia de Francisco e de Clara as atraiu e, hoje, o sim deles a Cristo se prolonga no tempo atrav\u00e9s de v\u00f3s.<\/p>\n<p>Conscientes de que v\u00e1rias vicissitudes favoreceram ou condicionaram a pureza da vossa \u201cForma de vida\u201d, e que diversas sedimenta\u00e7\u00f5es seculares transformaram por vezes a intui\u00e7\u00e3o original, estamos convencidos de que o anivers\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o da vossa Ordem n\u00e3o pode limitar-se a uma simples recorda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que queremos celebrar juntos: a recorda\u00e7\u00e3o de uma regra ou a mem\u00f3ria da hist\u00f3ria de Deus que caminha convosco, perpetuada no tempo e que ainda hoje suscita em v\u00f3s a paix\u00e3o para \u201cobservar o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obedi\u00eancia, sem nada de pr\u00f3prio e em castidade\u201d? (2) Como trazer novamente \u00e0 luz, na sua totalidade, a Forma de vida que torna vis\u00edvel e cred\u00edvel a todos que \u201cpara n\u00f3s o Filho de Deus se fez caminho que nos mostrou e ensinou com a palavra e com o exemplo o nosso beat\u00edssimo padre Francisco, o seu verdadeiro e apaixonado imitador\u201d.(3)<\/p>\n<p>Como v\u00f3s podeis ainda hoje ser, na igreja e para toda a fam\u00edlia franciscana, mem\u00f3ria viva daquilo que todos n\u00f3s, como batizados, somos chamados a viver? Sabemos que v\u00f3s dedicais as melhores energias afim de serem fi\u00e9is \u00e0quilo que escolheram e prometeram e, justamente por isso, percebemos a urg\u00eancia de reler junto convosco, neste momento hist\u00f3rico, as coordenadas da vossa vida de Irm\u00e3s Pobres colocadas por Deus na Igreja, na Fam\u00edlia Franciscana e no mundo.<\/p>\n<p><strong>&gt; PARA VIVER O EVANGELHO\u2026<\/strong><br \/>\nEm uma sociedade bombardeada por imagens, onde o indiv\u00edduo \u00e9 impulsionado a buscar uma cont\u00ednua representa\u00e7\u00e3o de si, v\u00f3s sois chamadas pelo Esp\u00edrito a serem um simples sinal da presen\u00e7a de Deus. Sabemos que n\u00e3o \u00e9 sempre f\u00e1cil, sobretudo quando isso exige uma continua convers\u00e3o evang\u00e9lica da mente, do cora\u00e7\u00e3o, do comportamento, das estruturas de personalidade, para serem significativas e para n\u00e3o ca\u00edrem na f\u00e1cil competi\u00e7\u00e3o mundana, sem negociar o essencial da vossa vida.<\/p>\n<p>Enquanto a mensagem comunicada pelo testemunho de voc\u00eas \u00e9 expressa atrav\u00e9s das estruturas, dos sinais e s\u00edmbolos, a Regra escrita por Clara pede hoje \u00e0s suas filhas uma vida evang\u00e9lica vivida na pobreza sine glossa. Sabemos que nas fraternidades o Esp\u00edrito de Deus impulsiona a buscar, a discernir evangelicamente, para manter alerta a aten\u00e7\u00e3o e avaliar as estruturas que n\u00e3o permitem o reflexo imediato da presen\u00e7a de Deus. V\u00f3s sois, pois, chamadas a reler os sinais e s\u00edmbolos a fim de que sejam compreens\u00edveis, neste tempo em que tudo \u00e9 question\u00e1vel. Tamb\u00e9m o sagrado, que n\u00e3o remete para a alteridade de Deus, corre o risco de cair na l\u00f3gica do consumo.<\/p>\n<p>Aos consagrados e consagradas se pede de manifestar o absoluto de Deus. V\u00f3s, de um modo particular, sois chamadas a viver uma vida fundada sobre os sinais e os s\u00edmbolos que n\u00e3o remetem ao vazio de um est\u00e9ril doutrinamento, ritualismo ou ativismo, mas que saibam conjugar hoje as ra\u00edzes do passado e a profecia do futuro: estruturas, sinais e s\u00edmbolos que simplesmente fazem ver Deus.<\/p>\n<p>Como podeis ser testemunhas da sua presen\u00e7a atrav\u00e9s da Forma de vida que um dia o Esp\u00edrito confiou a Clara e que continua a confiar a voc\u00eas neste tempo em que parecem faltar os par\u00e2metros mais elementares da exist\u00eancia?<\/p>\n<p>Enquanto o mundo gira vertiginosamente, v\u00f3s, na estabilidade, manifestais Deus sempre \u00e0 escuta dos homens e das mulheres do nosso tempo, para am\u00e1-los.<\/p>\n<p>Alimentando-se da Palavra de Deus, v\u00f3s a encarnais no cotidiano atrav\u00e9s da obedi\u00eancia na f\u00e9 (4). A f\u00e9 em Cristo n\u00e3o \u00e9 um acontecimento adquirido uma vez por todas, mas \u00e9 um dom do Esp\u00edrito. Essa f\u00e9 pede uma educa\u00e7\u00e3o permanente, e por esta raz\u00e3o \u00e9 celebrada, professada e vivida. Atrav\u00e9s do cuidado na liturgia, v\u00f3s testemunhais que Deus, o Pai que se faz pr\u00f3ximo de toda criatura, chama a humanidade a estar na hist\u00f3ria, na sua presen\u00e7a. V\u00f3s vos tornais, no cotidiano, presen\u00e7a vis\u00edvel da busca do rosto de Deus, como os peregrinos no mundo e os mendigos de sentido. Se a liturgia d\u00e1 forma a nossa f\u00e9, esta, por sua vez, para ser cred\u00edvel deve encontrar respaldo no cotidiano da vida em n\u00edvel pessoal e fraterno. N\u00e3o \u00e9 suficiente, de fato, pensar que basta crer, \u00e9 necess\u00e1rio que o Mist\u00e9rio celebrado assuma em cada um e cada uma o rosto de Cristo. Ainda hoje est\u00e1 presente a id\u00e9ia da separa\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e vida.<\/p>\n<p>V\u00f3s nos ajudais a rever as nossas celebra\u00e7\u00f5es: o cuidado com a Liturgia das Horas e com a Eucaristia, enquanto constantemente orientado ao louvor de Deus, deve permitir a quem participa experimentar, atrav\u00e9s da simplicidade clariana, a gra\u00e7a da presen\u00e7a do Senhor ressuscitado. Deixando-se transformar pelo Esp\u00edrito e moldar pelo Evangelho, sois mulheres consagradas que se entregam a Deus. Atrav\u00e9s do exemplo de Francisco e Clara, v\u00f3s, Irm\u00e3s Pobres, conservais, como a Virgem, Aquele que cont\u00e9m cada uma e todas as coisas (5). Testemunhais no sil\u00eancio a \u201ccontempla\u00e7\u00e3o do Cristo do Evangelho, amando-o intensamente, imitando as suas virtudes(6)\u201d.<\/p>\n<p>V\u00f3s nos narrais, assim, com a vossa vida aquilo que escutais; aquilo que vedes com vossos olhos, Aquele que contemplais e o que vossas m\u00e3os tocam do Verbo da Vida (7). Continuais a anunciar com a vossa exist\u00eancia, vivendo a dimens\u00e3o m\u00edstica, que Deus existe, que Deus \u00e9 amor.(8)<\/p>\n<p>Neste mundo que parece indiferente a Deus, sois chamadas a serem refer\u00eancia da presen\u00e7a do Mist\u00e9rio que tem o rosto do Pai. Somente buscando com paix\u00e3o o Cristo e seu Reino \u00e9 que podemos nos aproximar dos homens e das mulheres do nosso tempo com esperan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o, conscientes de fazer parte da mesma caminhada. V\u00f3s nos fazeis ver a beleza de sentir-nos sempre como pessoas a caminho, que a cada dia comprometem a vida com Deus na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia contemplativa de Clara nos interroga. Assim como ela convida In\u00eas a colocar-se por inteira na imagem de Jesus Cristo (cf.3In 12-13), ainda hoje pede a v\u00f3s a deixar-se transformar pela contempla\u00e7\u00e3o, a doar a vossa exist\u00eancia, na busca incessante de Deus, a fim de libertar-se de tudo o que ocupa o lugar de Deus e de amar at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p>Se o hoje de Deus pede aos crist\u00e3os de serem adultos na f\u00e9, com maior raz\u00e3o a v\u00f3s, mulheres consagradas, \u00e9 exigida uma f\u00e9 adulta, que saiba contar a experi\u00eancia in\u00e9dita do encontro com o Senhor, para responder com esperan\u00e7a, em qualquer lugar em que estiverem, \u00e0s inquieta\u00e7\u00f5es mais profundas dos homens e das mulheres do nosso tempo. Somente quem continuamente caminha sob o olhar de Deus pode colocar-se na escuta dos que buscam um sentido para a vida.<\/p>\n<p>Obrigado pela vossa busca incans\u00e1vel de Deus: a liberdade vivida nele \u00e9 um convite a mergulhar todos os dias no Mist\u00e9rio, a crer que Deus existe, porque o encontraram.<\/p>\n<p><strong>&gt; COMO POBRES\u2026<\/strong><br \/>\nNestes tempos em que alguns poucos no mundo navegam na abund\u00e2ncia e grande parte das pessoas n\u00e3o tem com o que comer; a v\u00f3s, Irm\u00e3s Pobres de S. Clara, Francisco continua a confiar sua \u00faltima vontade:<\/p>\n<p>\u201cEu, Frei Francisco pequenino, quero seguir a vida e a pobreza de nosso alt\u00edssimo Senhor Jesus Cristo e de sua M\u00e3e Sant\u00edssima e perseverar nela at\u00e9 o fim. E rogo-vos, senhoras minhas, e dou-vos o conselho para que vivais sempre nesta sant\u00edssima vida e pobreza. E estai muito atentas para, de maneira alguma, nunca vos afastardes dela por doutrina ou conselho de algu\u00e9m.(9)\u201d<\/p>\n<p>V\u00f3s, Irm\u00e3s Pobres de S. Clara, sois colocadas por Deus em uma realidade concreta para serem sinais de contradi\u00e7\u00e3o; n\u00e3o porque defendeis as estruturas, mas porque escolhestes, como pobres, viver a cada dia a radicalidade do Evangelho.<\/p>\n<p>Cada fraternidade se torna sinal alternativo nos lugares de opul\u00eancia e sinal de esperan\u00e7a entre aqueles que vivem na precariedade, atrav\u00e9s do testemunho da pr\u00f3pria entrega e da confian\u00e7a no Pai, revelado por Jesus Cristo. N\u00e3o uma pobreza ideol\u00f3gica ou intelectual, mas um estilo de vida que testemunha a confian\u00e7a total no Pai, que toma forma no cotidiano da exist\u00eancia. N\u00e3o faltam, de fato, no mundo algumas experi\u00eancias de fraternidades que escolhem \u201ctestemunhar uma vida extremamente s\u00f3bria, para serem solid\u00e1rias com os pobres e confiarem somente na Providencia, viver cada dia da Providencia, na confian\u00e7a de colocar-se nas m\u00e3os de Deus(10)\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o permitais que nada nem ningu\u00e9m as desviem do seu prop\u00f3sito. Verifiquem, antes, se a diversidade de pensamentos no interior da Ordem se fundamenta na busca conjunta de serem fi\u00e9is a Jesus Cristo e ao seu Evangelho, ou se a defesa de estilos de vida n\u00e3o remete mais ao Alt\u00edssimo. Deus continua a chamar alguns para serem profetas, n\u00e3o para auto-promover-se, mas para serem sinais do seu amor, da sua proximidade \u00e0 humanidade. \u201cO Senhor disse: Eu vi a mis\u00e9ria do meu povo no Egito e ouvi o seu clamor\u2026 conhe\u00e7o o seu sofrimento.(11)\u201d<\/p>\n<p>V\u00f3s nos falais, a partir de um estilo de vida pobre, s\u00f3brio e humilde, da vossa f\u00e9 na Provid\u00eancia de Deus: \u2013 \u201cA pobreza \u00e9 o sinal de perten\u00e7a a Ele, \u00e9 uma garantia de credibilidade de que o Reino j\u00e1 se faz presente em meio a n\u00f3s. Um sinal sempre mais convincente aos nossos dias, quando se trata de uma pobreza vivida em fraternidade, com um estilo de vida simples e essencial, express\u00e3o de comunh\u00e3o e de abandono \u00e0 vontade de Deus(12) \u201c<\/p>\n<p>V\u00f3s nos ajudais a degustar a alegria da liberdade porque, contemplando, voc\u00eas v\u00eaem Deus em cada aspecto da vida. Demonstrais-nos que n\u00e3o seguem as modas de hoje, que n\u00e3o est\u00e3o em concorr\u00eancia com o mundanismo, onde as apar\u00eancias, a auto-exacerba\u00e7\u00e3o, individualismo, a auto-refer\u00eancia pretendem desvanecer a obra-prima de Deus. V\u00f3s nos contais a sua hist\u00f3ria com Deus que se nutre do sil\u00eancio, da escuta, da profundidade espiritual.<\/p>\n<p>Vivendo na estabilidade, v\u00f3s nos indicais o que \u00e9 verdadeiramente essencial, belo, aut\u00eantico. Sabemos que Deus \u00e9 a verdadeira riqueza do cora\u00e7\u00e3o humano (13) e que a pobreza nos faz livres da escravid\u00e3o das coisas e das necessidades artificiais para as quais a sociedade de consumo nos empurra: v\u00f3s nos ajudais a redescobrir que Cristo \u00e9 o \u00fanico tesouro pelo qual vale a pena viver verdadeiramente.(14). Para Clara e para Francisco, a \u201csant\u00edssima pobreza\u201d n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma virtude, nem somente uma ren\u00fancia \u00e0s coisas, mas \u00e9 sobretudo um nome e um rosto: o rosto de Jesus Cristo Pobre e Crucificado (cfr. 2 LAg 19). Para os dois, a contempla\u00e7\u00e3o de Cristo pobre n\u00e3o se reduz a uma bela teoria m\u00edstica do distanciamento do mundo, mas se encarna em uma pobreza real, concreta, essencial.(15) Vejamos o testemunho deles: todos os dois amaram a pobreza para seguir Cristo com dedica\u00e7\u00e3o e liberdade total e continuam a ser, tamb\u00e9m para n\u00f3s, um convite a cultivar a pobreza interior para crescer na fidelidade a Deus, unindo tamb\u00e9m um estilo de vida s\u00f3brio e um desapego dos bens materiais.(16)<\/p>\n<p>Chamadas a seguir, na forma, o Cristo pobre, a abra\u00e7ar pois a liberdade, deveis encontrar, se necess\u00e1rio, novas formas para exprimi-la (17) com esp\u00edrito prof\u00e9tico, atrav\u00e9s de \u00abum testemunho mais claro de pobreza pessoal e coletiva [&#8230;] (18) \u00bb, assim como fizeram Francisco e Clara. A incultura\u00e7\u00e3o de algumas fraternidades que partilham com os pobres sua vida \u00e9 algo que \u00e0s vezes impressiona. Quando partilhais com os que nada possuem, quando escolheis viver do estritamente necess\u00e1rio, quando n\u00e3o acumulais, quando vos confiais \u00e0 fraternidade, v\u00f3s fazeis crer na escolha da pobreza, porque viveis a sua f\u00e9 em Deus Pai que cuida da humanidade.<\/p>\n<p><strong>&gt; EM SANTA UNIDADE<\/strong><br \/>\nO mundo atual, imerso na aldeia global, arrisca de se tornar um palco c\u00eanico, onde todos e, ao mesmo tempo, ningu\u00e9m se move. A multid\u00e3o, de fato, arrisca permanecer embriagada na rede do anonimato: indiv\u00edduos que perdem o sentido de perten\u00e7a \u00e0 fam\u00edlia, ao grupo, \u00e0 hist\u00f3ria, e parecem avan\u00e7ar sem ter um nome pr\u00f3prio e sem reconhecer que existe um tu.<\/p>\n<p>V\u00f3s, ainda que em um mosteiro, viveis neste mundo, onde se multiplicam os \u201cn\u00e3o-lugares\u201d e onde tudo concorre para estruturar a vida fora do tempo e sem sentido. As pessoas com freq\u00fc\u00eancia giram sem consci\u00eancia da pr\u00f3pria identidade, pobres na comunica\u00e7\u00e3o com os outros com quem estabelecem relacionamentos que se nutrem freq\u00fcentemente da superficialidade.<\/p>\n<p>V\u00f3s, na estabilidade, refletis na historia a presen\u00e7a de Deus que d\u00e1 sentido ao viver cotidiano. Sois um sinal importante na Igreja, na Fam\u00edlia Franciscana e no mundo, porque neste tempo em que cada um reivindica os pr\u00f3prios direitos, ou vive em fun\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio, v\u00f3s continuais a narrar, atrav\u00e9s de suas rela\u00e7\u00f5es fraternais, que \u00e9 ainda poss\u00edvel apostar no amor.<\/p>\n<p>Em um mundo que quer reduzir o individuo a um ser consumista, imerso nas leis do grande mercado, apostais no relacionamento aut\u00eantico, que se nutre do sil\u00eancio, da escuta, da espera, do perd\u00e3o, da gratuidade, do dom, da entrega na f\u00e9, do respeito pela diversidade de pap\u00e9is, de rela\u00e7\u00f5es que tem por objetivo fazer com que a pessoa cres\u00e7a na liberdade, segundo a estatura de Cristo. Hoje, de fato, enquanto a mentalidade corrente \u00e9 de andar na dire\u00e7\u00e3o do nivelamento dos pap\u00e9is, demonstrais como ser \u201cesposa, m\u00e3e e irm\u00e3 (19)\u201d nas suas fraternidades, conjugando firmeza e do\u00e7ura, autoridade e empatia, responsabilidade e liberdade, autonomia e confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Acolhendo cada irm\u00e3 como \u00fanica e insubstitu\u00edvel, revelais ao mundo a obra-prima de Deus, que faz parte da obra da cria\u00e7\u00e3o que v\u00f3s salvaguardais. Amais a cada pessoa na sua integralidade, no n\u00edvel biol\u00f3gico, psicol\u00f3gico e espiritual, iluminada pelo Esp\u00edrito, e que n\u00e3o pode ser reduzida a uma \u00fanica dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos exemplos sempre mais presentes de intoler\u00e2ncia, de desrespeito, de suspeita, de opress\u00e3o, respondeis caminhando umas com as outras, e juntas como fraternidade, no cora\u00e7\u00e3o dos homens e das mulheres do nosso tempo, em di\u00e1logo com todos aqueles que batem a sua porta. V\u00f3s nos ajudais a tornar-nos pessoas de escuta, a incentivar rela\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas, profundamente humanas; que buscam a acolhida de cada outra pessoa. \u00c9 significativo para n\u00f3s ver que nas coisas simples buscais sempre mais a felicidades dos outros, desejam \u201cser\u201d para o outro.(20)<\/p>\n<p>Chegando na contempla\u00e7\u00e3o a um novo modo de ser mulher consagrada, aprendeis na escola do Esp\u00edrito a conjugar a constante aten\u00e7\u00e3o a Deus e \u00e0s irm\u00e3s. Percebemos em v\u00f3s um cont\u00ednuo caminho para libertar-se de toda forma de ego\u00edsmo. N\u00e3o vos preocupais em estar, a todo custo, no centro do universo: viveis segundo a economia do dom, segundo a espiritualidade da comunh\u00e3o, sem quantificar o amor e sem pretender nenhuma coisa dos outros. O que vos caracteriza \u00e9 a alegria doada na gratuidade aprendida da experi\u00eancia do amor de Cristo.<\/p>\n<p>Precisamos obter dos vossos \u201claborat\u00f3rios\u201d de cultura, que se fundamenta no Evangelho, um m\u00e9todo que nos ajude a conjugar os valores \u00e9ticos com os valores sociais, para poder viver radicalmente segundo o Deus de Abra\u00e3o, de Isaac, de Jac\u00f3\u2026 de Jesus Cristo e sermos portadores do Evangelho atrav\u00e9s de uma cultura de justi\u00e7a e de paz.<\/p>\n<p>Significativo \u00e9 o cuidado que demonstrais para com a forma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o permitis que essa seja somente uma simples instru\u00e7\u00e3o, mas objetivais um \u201csaber ser\u201d. V\u00f3s penetrais com intelig\u00eancia emotiva naquilo que aprendeis e que retendes como significativo para a sua exist\u00eancia e para a exist\u00eancia dos outros. Testemunhais no cotidiano, atrav\u00e9s da matura\u00e7\u00e3o humana que surge da convers\u00e3o cont\u00ednua, que \u00e9 poss\u00edvel seguir Jesus como irm\u00e3 pobre.<\/p>\n<p>V\u00f3s representais para muitos um Oasis de paz, onde os homens e as mulheres podem se interrogar sobre o mist\u00e9rio que envolve e atravessa a vida. Sois chamadas a fazer acreditar que o desejo de Deus reside no mais \u00edntimo de cada criatura e que Deus procura constantemente o homem e a mulher, para estabelecer com cada um deles, na liberdade, um relacionamento fundado no amor.<br \/>\nSabemos o quanto v\u00f3s vos encarregais das preocupa\u00e7\u00f5es do mundo e como continuais a interceder junto a Deus. Vendo-vos, nos recordamos que \u00e9 necess\u00e1rio sonhar juntos para tornar vis\u00edvel um mundo evang\u00e9lico.<\/p>\n<p>Estamos convencidos de que o testemunho da \u201csanta unidade\u201d pede hoje uma reflex\u00e3o sobre o relacionamento entre a Primeira e a Segunda Ordem. N\u00e3o podemos ignorar que \u00ab um s\u00f3 e mesmo Esp\u00edrito tinha tirado deste mundo tanto os frades como aquelas senhoras pobrezinhas (21) \u00bb<\/p>\n<p>Que validade tem esta verdade em nossa vida? Estamos convencidos de que a santa \u00ab [&#8230;] unidade nos permite assumir, na diversidade das voca\u00e7\u00f5es, uma profunda plenitude das dimens\u00f5es da Igreja, que o Concilio define perfeitamente fervorosa na a\u00e7\u00e3o e dedicada \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o [&#8230;] Se n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel que o ramo feminino seja submetido ao masculino, mesmo assim a total separa\u00e7\u00e3o n\u00e3o representa uma solu\u00e7\u00e3o aceit\u00e1vel; pelo contr\u00e1rio, isso seria um dano tanto para os frades quanto para as irm\u00e3s. As nossas Ordens podem, ao inv\u00e9s disso, oferecer \u00e0 Igreja e ao mundo o testemunho de uma s\u00e3 e necess\u00e1ria complementaridade, vivida entre os dois ramos com uma atitude de grande e m\u00fatuo respeito, mas ao mesmo tempo, de comunh\u00e3o e de rec\u00edproca ajuda, que seja imagem da Igreja\u2013comunh\u00e3o (22)\u00bb.<\/p>\n<p>Talvez tenha chegado o momento de consolidar um relacionamento que saiba conjugar autonomia e reciprocidade. Estamos conscientes de que n\u00e3o \u00e9 na substitui\u00e7\u00e3o, nem na tutela que se vive o carisma da santa unidade, mas num comportamento de escuta rec\u00edproca, no respeito m\u00fatuo, na atitude contemplativa, para tornar vis\u00edveis as riquezas comuns e a diversidade que manifestam a beleza da pr\u00f3pria especificidade e tamb\u00e9m cred\u00edvel o testemunho vivido em Deus, sem confus\u00e3o nem depend\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>&gt; O SENHOR VOS BENDIGA E VOS PROTEJA<\/strong><br \/>\nQueremos sonhar convosco, para que Clara possa ver realizada a Regra na sua totalidade entre as suas filhas. Se a atualidade de Francisco e Clara est\u00e3o sob o olhar de todos, \u00e9 porque ainda hoje Deus continua a se comprometer conosco, e particularmente convosco, afim de que a inspira\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria que o Esp\u00edrito confiou um dia aos nossos fundadores possa tomar forma hoje. Quem sabe qual incid\u00eancia poderia ter ainda neste tempo o testemunho das Irm\u00e3s Pobres de Santa Clara sobre a Igreja e sobre o mundo!\u2026<\/p>\n<p>Com Francisco queremos renovar convosco o nosso compromisso: \u00ab Visto que por divina inspira\u00e7\u00e3o vos fizestes filhas e servas do alt\u00edssimo e sumo Rei, o Pai celeste, e desposastes o Esp\u00edrito Santo, escolhendo viver segundo a perfei\u00e7\u00e3o do santo Evangelho, quero e prometo, por mim e por meus irm\u00e3os, ter sempre por v\u00f3s diligente cuidado e especial solicitude, como tenho por eles.23\u00bb. E juntamente com Clara, pedimos a v\u00f3s de serem \u201csempre sol\u00edcitas a observar tudo quanto prometeram ao Senhor. (24)\u201d<\/p>\n<p>Para o louvor de Cristo.<\/p>\n<p><strong>Fr. Jos\u00e9 Rodr\u00edguez Carballo,OFM<\/strong><br \/>\nMinistro Geral<br \/>\n<strong>Fr. Mauro J\u00f6hri, OFMcap<\/strong><br \/>\nMinistro Geral<br \/>\n<strong>Fr. Marco Tasca, OFMconv<\/strong><br \/>\nMinistro Geral<br \/>\n<strong>Fr. Michael Higgins, TOR<\/strong><br \/>\nMinistro Geral<\/p>\n<p><strong>Roma, 02 de fevereiro de 2011<\/strong><\/p>\n<p>1 Bento XVI na 23\u00aa Assembl\u00e9ia Geral da Fiuc, 19 de novembro de 2009.<br \/>\n2 RSC I, 2.<br \/>\n3 TestC 5<br \/>\n4 Cf. O Servi\u00e7o da autoridade e a obedi\u00eancia 7<br \/>\n5 Cf. 3In 26.<br \/>\n6 Bento XVI, Audi\u00eancia Geral, 27 janeiro 2010.<br \/>\n7 Cf. Jo 1,1.<br \/>\n8 1Jo 4,8.<br \/>\n9 UV<br \/>\n10 Bento XVI, Audi\u00eancia Geral, 13 janeiro 2010.<br \/>\n11 Cf. Ex 3,7.<br \/>\n12 Frei Giacomo Bini, ofm Ministro geral, Observat\u00f3rio Romano, 1 fevereiro de 2003, pag. 6.<br \/>\n13 Cf. Vita consecrata 90.<br \/>\n14 Cf. Partir de Cristo 22.<br \/>\n15 Cf. Chiara d\u2019Assisi e di oggi, fr. Jos\u00e9 Carballo, op. cit., p. 15- 16.<br \/>\n16 Cf. Bento XVI, Audi\u00eancia Geral, 27 Janeiro 2010.<br \/>\n17 Cf. Perfectae caritatis 13.<br \/>\n18 Instrumentum Laboris IX Sinodo V. C. 1994 , 53.<br \/>\n19 1In 12.<br \/>\n20 Cf. Deus Caritas est 7.<br \/>\n21 2Cel 204.<br \/>\n22 Reciprocidade e complementariedade entre Frades Menores e Irm\u00e3s Clarissas, Relat\u00f3rio do<br \/>\nministro geral Fr. Hermann Schal\u00fcck ao l Congresso Internacional dos Assistentes das Federa\u00e7\u00f5es<br \/>\ndas Irm\u00e3s Franciscanas Contemplativas (3 setembro 1996).<br \/>\n23 RSC VI, 3-4.<br \/>\n24 BnC 16.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documentos da Ordem<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":161066,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.0 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Confer\u00eancia dos Ministros Gerais da 1\u00aa Ordem e TOR: Carta por ocasi\u00e3o do 8\u00ba Centen\u00e1rio da Funda\u00e7\u00e3o da Ordem de Santa Clara - Quem Somos - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/quemsomos\/conferencia-dos-ministros-gerais-da-1\u00aa-ordem-e-tor-carta-por-ocasiao-do-8\u00ba-centenario-da-fundacao-da-ordem-de-santa-clara\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Confer\u00eancia dos Ministros Gerais da 1\u00aa Ordem e TOR: Carta por ocasi\u00e3o do 8\u00ba Centen\u00e1rio da Funda\u00e7\u00e3o da Ordem de Santa Clara - 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