{"id":95124,"date":"2015-09-30T09:05:15","date_gmt":"2015-09-30T12:05:15","guid":{"rendered":"http:\/\/franciscanos.org.br\/?p=95124"},"modified":"2020-02-14T12:18:21","modified_gmt":"2020-02-14T15:18:21","slug":"em-cronica-de-1995-frei-alberto-becoiser-narra-a-situacao-da-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/em-cronica-de-1995-frei-alberto-becoiser-narra-a-situacao-da-missao.html","title":{"rendered":"Frei Alberto fala dos 25 anos da Miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/angola_profiss\u00e3o.jpg\" alt=\"angola_profiss\u00e3o\" width=\"468\" height=\"206\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Alberto Beckh\u00e4user, OFM<\/strong><\/p>\n<p>Estamos celebrando os 25 anos da Miss\u00e3o em Angola que me \u00e9 muito cara. Por ocasi\u00e3o desta comemora\u00e7\u00e3o, gostaria de dar meu depoimento. Primeiramente lembrar novamente a Cr\u00f4nica que apresentei por ocasi\u00e3o de minha estadia por dois meses na Miss\u00e3o de Angola em 1995 como Secret\u00e1rio Provincial da Evangeliza\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria da Prov\u00edncia <em>\u201cDois meses na Miss\u00e3o de Angola\u201d <\/em>em <em>Vida Franciscana, <\/em>Ano LIII, Dezembro de 1996, n. 70, p. 61-83 (<em>vide abaixo<\/em>).<\/p>\n<p>Eu estava como Assessor de Liturgia na CNBB em Bras\u00edlia. Por l\u00e1 passou o Bispo de Guin\u00e9 Bissau \u00e0 procura de padres para o pa\u00eds. Em Guin\u00e9 Bissau se encontrava nosso confrade Frei Juvenal Sans\u00e3o e depois, Frei Sim\u00e3o Laginski. Percebi que o pa\u00eds estava bem servido de padres, inclusive, de franciscanos da It\u00e1lia. Meses depois passou por Bras\u00edlia outro bispo africano, desta vez, de Angola, Dom Zacarias Kamwenho de Sumbe, agora Arcebispo em\u00e9rito de Lubango, tamb\u00e9m em busca de mission\u00e1rios para Angola. Conversando com ele, sugeri que se dirigisse ao Ministro Provincial da Prov\u00edncia da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo, pois a Prov\u00edncia estava num processo de definir uma Miss\u00e3o na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Realmente, Dom Zacarias foi a S\u00e3o Paulo conversar com o Ministro Provincial Frei Est\u00eav\u00e3o Ottenbreit e a Miss\u00e3o de Angola aconteceu para minha grande alegria, depois de s\u00e9rio processo de discernimento.<\/p>\n<p>Foi este fato que me levou a inflamar-me pela Miss\u00e3o de Angola e ter tido a gra\u00e7a de participar dela como Secret\u00e1rio provincial da Evangeliza\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria e participar dela ao menos por dois meses como mission\u00e1rio, realizando o ideal de minha voca\u00e7\u00e3o como mission\u00e1rio franciscano.<\/p>\n<p>Alegro-me hoje na comemora\u00e7\u00e3o do Jubileu da Prata da Miss\u00e3o e fa\u00e7o votos que ela continue a iluminar e a incentivar a dimens\u00e3o mission\u00e1ria de nossa Prov\u00edncia. Que Deus seja louvado!<br \/>\n<em>Na foto acima, Frei Jo\u00e3o Canjenjenga celebra a profiss\u00e3o solene como \u00a0terceiro frade angolano\u00a0em 25 anos da Miss\u00e3o.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>CR\u00d4NICA DE 1995: DOIS MESES NA MISS\u00c3O EM ANGOLA<\/strong><\/p>\n<p>Dentro do Projeto da Prov\u00edncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Miss\u00e3o em Angola, al\u00e9m dos confrades mission\u00e1rios permanentes, s\u00e3o enviados tamb\u00e9m mission\u00e1rios de apoio, que v\u00e3o por alguns meses com o objetivo de ministrar algum curso espec\u00edfico como j\u00e1 o fez Frei Ari do Amaral Praxedes. Como Secret\u00e1rio Provincial da Evangeliza\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria manifestei o desejo de ir a Angola, a fim de ministrar alguns cursos de Liturgia, pregar eventualmente algum retiro e assim conhecer melhor a realidade da vida dos confrades. Apresento aqui uma cr\u00f4nica do que vi e experimentei nesses dois meses em que estive em nossa Miss\u00e3o em Angola.<\/p>\n<p><strong>Em nome de todos os Franciscanos<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Dia 19 de setembro de 1995 era a data marcada para partirmos para Angola: Rio-Luanda pela TAAG (Transportes A\u00e9reos Angolanos): Frei Valdir Nunes, Frei Genildo Provin e eu. Dia 18 de manh\u00e3 ainda estive em Juiz de Fora na VIII Semana Teol\u00f3gica do ITASA (Instituto Teol\u00f3gico Arquidiocesano de Santo Ant\u00f4nio) para uma palestra sobre Santo Ant\u00f4nio no contexto do Culto dos Santos na Religiosidade Popular. Voltando a Petr\u00f3polis depois do meio-dia, contra a noite, Frei Jo\u00e3o Antunes levou-me ao Convento de Santo Ant\u00f4nio do Rio, para o Rito do Envio que se daria na Missa das 08h00 de ter\u00e7a-feira. Descemos a Serra com o cora\u00e7\u00e3o pulsando mais forte, pelo ritmo que Frei Rafa imprimia ao carro, j\u00e1 sabendo que o avi\u00e3o atrasara 24 horas e que, portanto, partir\u00edamos apenas na tarde de quarta-feira, dia 20.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/01.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-95155\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/01.jpg\" alt=\"01\" width=\"500\" height=\"367\" \/><\/a>A Missa do envio mission\u00e1rio, presidida pelo Ministro Provincial Frei Caetano Ferrari, teve a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios Ministros Provinciais do Comit\u00ea de Prepara\u00e7\u00e3o da Assembleia da UCLAF que se realizaria em Bras\u00edlia, em abril de 1996. Frei Caetano acentuou na homilia que os mission\u00e1rios estavam sendo enviados n\u00e3o s\u00f3 pela Prov\u00edncia da Imaculada, mas pelos Franciscanos de todo o Brasil, representados pelo Presidente da CFMB e por todos os Franciscanos da Am\u00e9rica Latina, que est\u00e3o despertando para o chamado mission\u00e1rio de darem da pr\u00f3pria pobreza. Convidou os mission\u00e1rios a darem um testemunho p\u00fablico sobre a inspira\u00e7\u00e3o que os levava a ultrapassar fronteiras e estar entre os enviados. De minha parte, lembrei que o chamado mission\u00e1rio fazia parte do primeiro momento de minha voca\u00e7\u00e3o franciscana, quando nas Miss\u00f5es populares l\u00e1 na Freguesia da Sanga do Coqueiro Baixo, Capela de Santa Teresinha, Par\u00f3quia de Forquilhinha, Frei Jo\u00e3o Bosco Erdrich me convidou aos 12 anos a ir com ele para ser mission\u00e1rio franciscano, sem que jamais antes me tivesse passado pela cabe\u00e7a a ideia de uma voca\u00e7\u00e3o religiosa ou sacerdotal. Chegava, pois, a hora de realizar esse sonho por tanto tempo acalentado, ainda que n\u00e3o na forma original das Miss\u00f5es populares. Frei Valdir e Frei Genildo tamb\u00e9m deram seu firme depoimento que arrancou palmas de alegria e de apoio. Recebemos a cruz mission\u00e1ria, que outrora como garoto contemplava com admira\u00e7\u00e3o sobre o peito dos mission\u00e1rios. Compreendi que \u00e9 ela a ponte a construir atrav\u00e9s da nossa presen\u00e7a mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>Dia 20 \u00e0 tarde, Frei Caetano e o Guardi\u00e3o do Convento Santo Ant\u00f4nio Frei Jos\u00e9 Pereira nos levaram com grande solicitude ao Aeroporto. Na sa\u00edda do t\u00fanel, no Largo da Carioca, um bom velhinho solid\u00e1rio: o mission\u00e1rio Daniel Kromer, despedindo-se dos mission\u00e1rios e aben\u00e7oando-os com l\u00e1grimas nos olhos. Como sempre, excesso de peso. Mas tudo era para os mission\u00e1rios. O voo sobre o Atl\u00e2ntico at\u00e9 Luanda transcorreu muito bem. \u00c9 verdade que Frei Valdir e Frei Genildo, perto de fumantes e outros mui falantes animados pelo \u00e1lcool, pouco repousaram. Ao amanhecer do dia 21 est\u00e1vamos em Luanda, onde nos aguardavam Frei Sim\u00e3o Laginski e Frei D\u00edlson Ad\u00e3o Geremia. Ajudaram-nos a passar sem nenhuma dificuldade pelo controle da alf\u00e2ndega e nos levaram ao Convento dos Capuchinhos, cujo Guardi\u00e3o, Frei Conrado, nos acolheu com a maior simpatia.<\/p>\n<p>Aproveitamos a manh\u00e3 para visitar o Mosteiro das Clarissas, em constru\u00e7\u00e3o na periferia de Luanda, sob a coordena\u00e7\u00e3o de Frei D\u00edlson. Em seguida, fomos ver tamb\u00e9m um terreno reservado para nossa futura Casa de Forma\u00e7\u00e3o a uns 5 km de dist\u00e2ncia do futuro Mosteiro. Logo ap\u00f3s o almo\u00e7o no Convento dos Capuchinhos, rumamos com o carro repleto de v\u00edveres destinados \u00e0s Clarissas de Kibala, para Sumbe, sede da Prov\u00edncia e da Diocese. Chegamos ao cair da tarde. Fomos bondosamente acolhidos pelo Sr. Bispo Dom Zacarias, j\u00e1 transferido para a Arquidiocese de Lubango, mais ao Sul, como Arcebispo Coadjutor. A diocese de Sumbe ainda est\u00e1 sem novo Bispo. Numa das pousadas, os mosquitos n\u00e3o deram tr\u00e9guas aos confrades depois de uma noite mal dormida no avi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ponte da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Dia 22 retomamos o caminho rumo a Kibala. Frei D\u00edlson no volante, Frei Sim\u00e3o Laginski \u00e0s voltas com sua coluna ainda em recupera\u00e7\u00e3o, Frei Valdir, Frei Genildo e eu. O grande desafio para se chegar a Kibala \u00e9 a ponte sobre o rio Niha, afluente do rio Kuanza, semidestru\u00edda pela guerra. Por ela n\u00e3o passa carro. O jeito \u00e9 ir at\u00e9 Gabela e a\u00ed depender do favor dos padres, que acompanham at\u00e9 a ponte e levam o carro de volta. Descarrega-se a bagagem, faz-se o transporte nas costas ou na cabe\u00e7a, descendo um pranch\u00e3o da pr\u00f3pria ponte e subindo outro de metal para atingir o trecho da ponte ainda de p\u00e9. Do outro lado, se houve possibilidade de avisar em Kibala, est\u00e1 \u00e0 espera um carro, caso contr\u00e1rio, vai-se a p\u00e9 ou de carona, chamada boleia, buscar o carro. No nosso caso, os frades nos haviam esperado o dia anterior como tinha sido combinado, mas tiveram que desistir da espera. Assim, Frei Valdir e Frei D\u00edlson, valentes carregadores, dispuseram-se a ir de moto que lev\u00e1vamos de Sumbe para a Miss\u00e3o, a Kibala, distante 30 km.<\/p>\n<p>No meio do caminho encontram-se com Frei Jos\u00e9 Zanchet que j\u00e1 tinha estado na ponte para apanhar Irm\u00e3s Clarissas que vieram de Luanda, via Sumbe. Elas haviam noticiado a nossa chegada. A estrada junto \u00e0 ponte mais parece um formigueiro humano. Pobre gente carregando produtos com seus carrinhos de madeira de duas rodas, chamados trotonetes ou troles; mulheres com sacos ou balaios na cabe\u00e7a sob o sol causticante, tendo que deixar parte dos produtos extorquidos nos diversos controles. Quanto sofrimento pela sobreviv\u00eancia! Tudo isso me fez pensar na ponte da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria: como restabelecer a ponte para se conseguir a paz, como fazer a ponte pela presen\u00e7a mission\u00e1ria, sendo Jesus Cristo a ponte? N\u00f3s ficamos cuidando dos produtos que lev\u00e1vamos. Como foram gostosos os p\u00e3es secos que t\u00ednhamos conosco, as bananas e a \u00e1gua pura, mesmo aquecida pelo calor do sol! Finalmente, pelas 14h00 chegou Frei Jos\u00e9 Zanchet. Tudo novamente embarcado, chegamos a Kibala. Na chegada, fomos apresentados \u00e0s Irm\u00e3s Clarissas que nos receberam com carinho e entusiasmo.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/021.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-95156\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/021.jpg\" alt=\"02\" width=\"500\" height=\"339\" \/><\/a>Projeto mission\u00e1rio e realidade concreta<\/strong><\/p>\n<p>Acolhidos por Frei Pedro Caron e Frei Hermenegildo Pereira \u2013 Frei Pl\u00ednio estava acamado com hepatite \u2013 e refeitos, celebramos a Eucaristia, \u00e0s 17h00, com a presen\u00e7a de alguns fi\u00e9is, que nos tinham esperado no dia anterior. Os novos mission\u00e1rios foram apresentados \u00e0 Comunidade eclesial da Miss\u00e3o. \u00c0 noite, mesmo cansados, abrimos o Encontro Regional, \u00e0 luz da instala\u00e7\u00e3o el\u00e9trica de energia solar, trazida e instalada na Casa dos Frades e no Mosteiro por Frei Jos\u00e9 Zanchet. Foi uma avalia\u00e7\u00e3o de nossa Miss\u00e3o em Angola. Faltou apenas Frei Odorico Decker, que ficou sozinho em Malange. Frei Pl\u00ednio apareceu rapidamente durante a ceia, mas logo recolheu-se, tentando a recupera\u00e7\u00e3o para, na segunda-feira, iniciar o seu retorno para o Brasil.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da reuni\u00e3o informal, ouvimos o depoimento dos mission\u00e1rios sobre seu testemunho heroico nesses anos de confinamento por causa da guerra. Uma coisa \u00e9 certa: aguentaram firmes e solid\u00e1rios com o povo sofrido. Se n\u00e3o chegaram ao mart\u00edrio de fato, confessores eles o s\u00e3o. Nas reflex\u00f5es debateu-se uma quest\u00e3o de fundo: a Miss\u00e3o da Imaculada em Angola e a tens\u00e3o entre o Projeto mission\u00e1rio da Prov\u00edncia em rela\u00e7\u00e3o a Angola e a realidade eclesial encontrada com as exig\u00eancias pr\u00f3prias das Igrejas particulares, onde nos encontramos. O Projeto mission\u00e1rio da Prov\u00edncia, \u00e0 luz do \u201cProjeto-\u00c1frica\u201d da Ordem e do \u00faltimo Cap\u00edtulo Geral, insiste na Evangeliza\u00e7\u00e3o pelo testemunho fraterno, na presen\u00e7a franciscana <em>entre<\/em>, ou seja, viver como irm\u00e3os menores com todos, caminhar com o povo local, juntos como irm\u00e3os. E, assim, evangelizar-se e evangelizar. Tudo isso em parceria com a Ordem II, a OFS e, enquanto poss\u00edvel, com irm\u00e3s franciscanas, numa integra\u00e7\u00e3o da Fam\u00edlia Franciscana. Em consequ\u00eancia, estabelecer a Ordem nestas partes do mundo, acolhendo e favorecendo a forma\u00e7\u00e3o dos eventuais candidatos.<\/p>\n<p>O que foi que os confrades encontraram? O que lhes \u00e9 proposto e quase exigido pelas Igrejas particulares? Foram-lhes confiadas duas grandes Miss\u00f5es Cat\u00f3licas. O que significa uma Miss\u00e3o Cat\u00f3lica em Angola e, de modo geral, na \u00c1frica e em outras terras mission\u00e1rias consideradas como tais pela Igreja universal? Em Kibala, Miss\u00e3o Cat\u00f3lica de Nossa Senhora das Dores e em Katepa (Malange), Miss\u00e3o Cat\u00f3lica dos Santos M\u00e1rtires de Uganda. Trata-se de todo um conjunto de elementos: casa ampla, com p\u00e1tio e adjac\u00eancias destinadas a acolher containers (aqui, contendores), Servi\u00e7o da Caritas Internacional, ve\u00edculos etc. Costuma ser sede paroquial, sem ser Par\u00f3quia propriamente dita, mas <em>quasi parochia<\/em>. Desse centro, os padres, e religiosas tamb\u00e9m, costumam atender, numa enorme extens\u00e3o territorial, um pouco conforme as nossas Capelas no Sul.<\/p>\n<p>A Miss\u00e3o Cat\u00f3lica de Kibala tem 139 aldeias agrupadas em 19 Centros eclesiais maiores com Catequese organizada. Devido \u00e0 guerra que j\u00e1 se estende por 34 anos em Angola, praticamente n\u00e3o se conseguiu fazer nada neste sentido at\u00e9 agora. Pede-se, portanto, dos nossos confrades tamb\u00e9m uma a\u00e7\u00e3o pastoral mission\u00e1ria franciscana inculturada. Imposs\u00edvel, se a Fraternidade for composta apenas de dois frades. Assim, n\u00e3o se pode ficar doente e o paludismo gra\u00e7a. A Miss\u00e3o Cat\u00f3lica dos Santos M\u00e1rtires de Uganda de Katepa tem 132 Comunidades Eclesiais com cerca de 250 aldeias, com tr\u00eas Centros (tr\u00eas munic\u00edpios); Katepa, onde est\u00e3o as Irm\u00e3s Franciscanas Mission\u00e1rias de Maria; Cangandala, a 28 km de Katepa, aonde pensam voltar as Irm\u00e3s Franciscanas de S\u00e3o Jos\u00e9, e Mussolo, a cerca de 170 km de Catepa (Malange), onde estiveram e para onde poder\u00e3o retornar as Irm\u00e3s de Jesus Crucificado, que no momento se encontram em Malange.<\/p>\n<p>Em cada uma destas duas Miss\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rios ao menos dois frades sacerdotes e um irm\u00e3o leigo. O ideal seria quatro, ao menos em Katepa, tendo em vista o Mosteiro das Clarissas. Claro que o frade irm\u00e3o leigo dever\u00e1 participar da a\u00e7\u00e3o evangelizadora, inclusive na pastoral. Parece-me que s\u00f3 assim enfrentaremos a tens\u00e3o existente entre o Projeto mission\u00e1rio da Prov\u00edncia e a realidade concreta a n\u00f3s fornecida. Isso, sem exportar ou importar esquemas mission\u00e1rios e pastorais tradicionais ou modernos da Europa ou do Brasil, como o provimento de alimentos, roupas, esquemas mentais e m\u00e9todos, rem\u00e9dios. Apenas o absolutamente necess\u00e1rio, para que o testemunho de fraternidade minor\u00edtica garanta a primazia: estar como irm\u00e3os pobres entre os pobres.<\/p>\n<p>Dia 23 de setembro, s\u00e1bado, depois de um repouso um pouco mais prolongado, Frei Jos\u00e9 Zanchet preocupou-se em mostrar a Miss\u00e3o aos confrades visitantes. A capta\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, a energia, a luz. Admir\u00e1vel o dinamismo e o zelo deste nosso confrade j\u00e1 sexagen\u00e1rio. Preocupa-se com o bem-estar das Irm\u00e3s Clarissas e com os confrades. Realmente \u00e1gua e luz constituem dois elementos fundamentais para a vida de qualquer Comunidade, al\u00e9m de possu\u00edrem todo um significado simb\u00f3lico no \u00e2mbito da f\u00e9. Por suas qualidades e seu zelo pela \u00e1gua e pela energia el\u00e9trica para for\u00e7a e luz, Frei Jos\u00e9 deveria chamar-se Frei Aquil\u00facio. Desculpe a brincadeira, Frei Jos\u00e9: Seu zelo mission\u00e1rio \u00e9 admir\u00e1vel em todo sentido.<\/p>\n<p>Ainda na parte da manh\u00e3, combinei o trabalho a realizar com as Irm\u00e3s Clarissas at\u00e9 a festa de S\u00e3o Francisco sobre a Sagrada Liturgia. Ficaram muito felizes com este atendimento, visto que Frei Ari Praxedes, no ano passado, n\u00e3o tinha conseguido chegar a Kibala para o curso de Espiritualidade franciscano-clariana.<\/p>\n<p>De tarde, concelebramos Missa na capela da cidade, hoje praticamente depenada. Digo, na cidade, pois Kibala, embora pequena, \u00e9 de grande import\u00e2ncia estrat\u00e9gica por se tratar de um entroncamento para todas as dire\u00e7\u00f5es da parte sul de Angola. Era uma cidade de coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa de grande futuro. Cidade tamb\u00e9m em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Sede da Miss\u00e3o, que fica 3 km distantes dela. Isso porque os mission\u00e1rios da recente e nova Evangeliza\u00e7\u00e3o de Angola, encetada, sobretudo, pelos Padres Espiritanos, a partir da primeira metade do s\u00e9culo passado, estabeleciam a Sede da Miss\u00e3o um tanto afastada do centro da cidade habitada pelos portugueses. Queriam assim atingir prioritariamente as popula\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones. J\u00e1 era uma forma de incultura\u00e7\u00e3o. Nesta celebra\u00e7\u00e3o, com frequ\u00eancia n\u00e3o muito numerosa por causa da inseguran\u00e7a ainda reinante, apenas n\u00f3s \u00e9ramos brancos. Houve nova apresenta\u00e7\u00e3o dos mission\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/031.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-95157 size-full\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/031.jpg\" alt=\"03\" width=\"500\" height=\"341\" \/><\/a>Um encontro para planejar o futuro<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 noite reservamos o tempo para uma reuni\u00e3o ou encontro formal do Regional de Angola, com o objetivo de planejar o andamento da nossa presen\u00e7a mission\u00e1ria. Coordenei a reuni\u00e3o. Montamos primeiro a pauta dos principais assuntos a serem tratados. Inicialmente relatei o COMLA 5 (V Congresso Mission\u00e1rio Latino-americano) celebrado em julho deste ano em Belo Horizonte, muito em conson\u00e2ncia com o Projeto Mission\u00e1rio da Ordem. Continuando os assuntos, sentiu-se o desejo de maior empenho da Prov\u00edncia pela Miss\u00e3o. Tentei mostrar como se est\u00e1 trabalhando na Prov\u00edncia o despertar da dimens\u00e3o mission\u00e1ria, o despertar de novos candidatos e sua forma\u00e7\u00e3o, bem como a a\u00e7\u00e3o decisiva do Ministro Provincial e de Frei Est\u00eav\u00e3o como Delegado do Ministro Provincial. Alguns mission\u00e1rios achavam que o Ministro Provincial deveria ser mais incisivo no convite a confrades para engrossar as fileiras mission\u00e1rias em Angola. Certamente, neste ponto, dever\u00e1 haver mais comunica\u00e7\u00e3o entre os confrades da Prov\u00edncia. O assunto principal, no entanto, era o tema da forma\u00e7\u00e3o dos novos candidatos, com seus reflexos sobre as Fraternidades.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, se constituiu a coordena\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o: Frei D\u00edlson Ad\u00e3o Geremia foi indicado para Respons\u00e1vel legal de toda a Miss\u00e3o. Ele foi eleito tamb\u00e9m Coordenador do Regional. Os dois Guardi\u00e3es Frei Sim\u00e3o Laginski, de Kibala, e Frei Genildo Provin, respectivamente, Vice Coordenador e Secret\u00e1rio. Assim se constituiria uma esp\u00e9cie de Conselho da Miss\u00e3o. Frei Genildo foi logo empossado na fun\u00e7\u00e3o de Secret\u00e1rio. Seu relat\u00f3rio enviado ao Provincialado cont\u00e9m as resolu\u00e7\u00f5es e propostas da Reuni\u00e3o. Passamos, ent\u00e3o, \u00e0 quest\u00e3o das Casas de Forma\u00e7\u00e3o, da Pastoral vocacional e da constitui\u00e7\u00e3o das Casas.<\/p>\n<p>Existem candidatos. Nestes \u00faltimos tempos de calamidade perdeu-se um pouco o contato com os poss\u00edveis candidatos. Ser\u00e1 preciso organizar em cada Casa o servi\u00e7o vocacional com um respons\u00e1vel que o coordene. Prop\u00f5e-se o acompanhamento dos candidatos sem o B\u00e1sico nas Casas. O correspondente ao 2\u00ba Grau aqui poder\u00e1 ser feito em Malange. Num segundo momento deste 2\u00ba Grau, chamado Proped\u00eautico, poder\u00e1 ser feito o Postulantado. Candidatos com o 2\u00ba Grau feito poder\u00e3o tamb\u00e9m fazer o Postulantado, com Programa pr\u00f3prio. Tudo isso em Malanje. Discutiu-se, ent\u00e3o, sobre as depend\u00eancias da Casa e o conv\u00edvio entre frades e candidatos. Viu-se que para tanto servi\u00e7o, com todo o trabalho da Miss\u00e3o em Malange, s\u00e3o necess\u00e1rios ao menos quatro frades. N\u00e3o seria o caso de professos tempor\u00e1rios da Prov\u00edncia, ap\u00f3s a Filosofia, fazerem um est\u00e1gio mission\u00e1rio junto ao Postulantado em Malanje e depois voltar \u00e0 Prov\u00edncia, a fim de continuarem seus estudos e forma\u00e7\u00e3o, seja de Teologia, seja em outra \u00e1rea? Ou por que n\u00e3o fazer os estudos de Teologia em Luanda quando l\u00e1 funcionar o Instituto de Teologia, como se prev\u00ea? A miss\u00e3o tem seus riscos e desafios a enfrentar.<\/p>\n<p>A abertura da Forma\u00e7\u00e3o inicial traz consigo v\u00e1rias consequ\u00eancias. Todas as casas e cada frade se tornam formadores. Vai despertar a necessidade de as Fraternidades se voltarem para a forma\u00e7\u00e3o continuada ou permanente. O Projeto de vida franciscana e mission\u00e1ria ter\u00e1 que ser trabalhado. Queremos formar frades angolanos, ajudando a formar uma Fraternidade Provincial Franciscana de frades no jeito africano de ser. O objetivo primeiro \u00e9 formar frades menores no jeito angolano de ser. J\u00e1 sonhamos com todos os passos da forma\u00e7\u00e3o: Postulantado em Malange, Noviciado em Kibala e Estudos de Filosofia e Teologia em Luanda, com as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a forma\u00e7\u00e3o dos frades candidatos a cl\u00e9rigos e leigos, acentuando sempre a forma\u00e7\u00e3o do frade menor.<\/p>\n<p>Com a abertura do Postulantado em 1996 e o estabelecimento da pequena Casa em Luanda tamb\u00e9m em 1996, ser\u00e3o necess\u00e1rios de imediato ao menos mais quatro mission\u00e1rios. Um para Malange, um para Kibala, refor\u00e7ando o servi\u00e7o na Miss\u00e3o e a assist\u00eancia \u00e0s Clarissas, formando uma Fraternidade de ao menos tr\u00eas, e dois em Luanda para formar a Fraternidade de ao menos tr\u00eas tamb\u00e9m, onde dar\u00e3o assist\u00eancia \u00e0s Irm\u00e3s Clarissas e animar\u00e3o o Centro de Espiritualidade Franciscana que a\u00ed se deseja fazer nascer, al\u00e9m de todo o servi\u00e7o de apoio \u00e0s Casas de Katepa (Malange) e Kibala. Desde logo devemos pensar num Mestre de novi\u00e7os, que poderia exercer tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o de Assistente das Irm\u00e3s Clarissas em Kibala.<\/p>\n<p>Os confrades mission\u00e1rios s\u00e3o un\u00e2nimes em afirmar que por ora devemos refor\u00e7ar e consolidar as Fraternidades existentes, isto \u00e9, as tr\u00eas: Katepa (Malanje), Kibala e Luanda, garantindo em cada uma delas ao menos tr\u00eas frades. Claro, Katepa deveria contar com quatro. O momento \u00e9 de consolidar nossa presen\u00e7a em Angola, depois desses anos t\u00e3o cheios de prova\u00e7\u00f5es. No momento n\u00e3o \u00e9 hora de expans\u00e3o, apesar da insist\u00eancia dos Srs. Bispos no sentido de assumirmos outras \u201cMiss\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Acreditamos que a reuni\u00e3o, onde reinou muita franqueza e grande zelo fraterno e apost\u00f3lico, foi de grande proveito. O di\u00e1logo franco mostrou a necessidade de reuni\u00f5es peri\u00f3dicas desse g\u00eanero, para que se possa, com a gra\u00e7a de Deus, conciliar o Projeto mission\u00e1rio da Prov\u00edncia e da Ordem com a realidade concreta que nos \u00e9 oferecida.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/041.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-95159\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/041.jpg\" alt=\"04\" width=\"500\" height=\"320\" \/><\/a>E come\u00e7amos a trabalhar<\/strong><\/p>\n<p>Domingo, dia 24, concelebramos na Capela improvisada da Miss\u00e3o. A \u201cigreja\u201d cheia de gente das aldeias vizinhas. Participa\u00e7\u00e3o vibrante com mais uma apresenta\u00e7\u00e3o dos mission\u00e1rios. Quem dera ter tido comigo um gravador para registrar os belos cantos t\u00edpicos dos angolanos com seus ritmos, melodias e instrumentos, cantados, sobretudo, na prociss\u00e3o do Evangelho e na das oferendas. Ao meio-dia tivemos um almo\u00e7o de confraterniza\u00e7\u00e3o com as Irm\u00e3s Clarissas. Card\u00e1pio: um cabrito e cervejinha Sagres, importada de Portugal, doada \u00e0 Miss\u00e3o. Foi bonito. \u00e0 noite, antes de recreio fraterno, aproveitou-se ainda um tempo para amarrar alguns pontos das reuni\u00f5es de trabalho das noites anteriores e decidir alguns pontos pendentes como a vinda das Irm\u00e3s da Sagrada Fam\u00edlia a Kibala.<\/p>\n<p>Dia 25 de manh\u00e3 partiam de volta para o Brasil Frei Pedro Caron e, em f\u00e9rias e tratamento, e Frei Pl\u00ednio Gande. Torc\u00edamos todos para que Frei Pl\u00ednio tivesse boa viagem at\u00e9 Luanda e da\u00ed para o Brasil. Frei Sim\u00e3o Laginski, Frei Valdir Nunes e Frei Genildo Provin iam com Frei D\u00edlson por Luanda a Malange. Frei Hermenegildo Pereira iria a Sumbe cuidar da prorroga\u00e7\u00e3o do visto. Passadas algumas horas, Frei D\u00edlson e Frei Valdir estavam de volta, pois o carro que deveria apanhar os frades do outro lado da ponte, n\u00e3o estava. Outra ponte improvisadamente reparada quebrara pelo peso de um caminh\u00e3o e a chuva impedia uma passagem a vau por um desvio. Vinham, pois, buscar a motoneta, para irem at\u00e9 Cond\u00e9, entre Gabela e a ponte, onde o carro fora retido. Soubemos depois que quando os dois chegaram \u00e0 ponte, o padre de Gabela j\u00e1 havia chegado. Rumaram, ent\u00e3o, por Sumbe, onde deixariam Frei Hermenegildo, para Luanda. E eu dei in\u00edcio ao curso de Liturgia \u00e0s Irm\u00e3s Clarissas.<\/p>\n<p>Dia 26, soubemos que Frei Hermenegildo n\u00e3o resolvera os problemas da comunica\u00e7\u00e3o em Sumbe e viajou para Luanda. Frei Jos\u00e9 Zanchet e eu continuamos nossa vida cotidiana em Kibala.<br \/>\nDia 28, Frei Jos\u00e9 Zanchet foi visitar uma Comunidade e soubemos que no dia seguinte Frei Hermenegildo devia chegar de Luanda. Frei Jos\u00e9 foi at\u00e9 a ponte para apanh\u00e1-lo, mas voltou sem ele. S\u00e1bado \u00e0 noite, finalmente, ele chegou. Foram tr\u00eas dias de perip\u00e9cias. Um dia at\u00e9 Sumbe; dia seguinte, de boleia (carona) com um candongueiro, caminhoneiro que transporta produtos para a candonga (mercado paralelo, tipo nosso camel\u00f4, mas muito mais amplo, sistema de trocas do povo, pois s\u00f3 este funciona), at\u00e9 Gabela, com promessa de que, no dia seguinte, um padre o levaria at\u00e9 a ponte. Mas o padre estava muito ocupado com a prepara\u00e7\u00e3o de prim\u00edcias na cidade, encontrando dificuldades de levar o Frei. Ent\u00e3o Frei Hermenegildo preferiu pegar mais uma boleia com novo candongueiro que, no entanto, o levou somente at\u00e9 Cond\u00e9. Faltavam ainda 17 km at\u00e9 a ponte. O jeito foi fazer o trecho a p\u00e9. Por sorte, depois da ponte conseguiu nova carona que o trouxe at\u00e9 a Miss\u00e3o. Chegou cansado, sedento, os p\u00e9s mo\u00eddos e fortemente gripado, tossindo a mais n\u00e3o poder.<\/p>\n<p>Domingo, 1\u00ba de outubro, de manh\u00e3, estive com as Clarissas e, de tarde, sa\u00ed a passeio om Frei Jos\u00e9 Zanchet para conhecer um pouco do terreno da Miss\u00e3o. Dia 2 de outubro, \u00faltimo dia de trabalho com as Irm\u00e3s Clarissas: a compreens\u00e3o crist\u00e3 dos Salmos na Liturgia das Horas. O curso todo consistiu nestes tr\u00eas temas: a compreens\u00e3o geral da Liturgia \u00e0 luz dos tr\u00eas elementos principais de uma celebra\u00e7\u00e3o; a P\u00e1scoa, o s\u00edmbolo e o mist\u00e9rio, ou seja, o fato valorizado, a express\u00e3o significativa e a intercomunh\u00e3o solid\u00e1ria; a Eucaristia e a Liturgia das Horas.<\/p>\n<p>No fim, as irm\u00e3s Professas manifestaram suas preocupa\u00e7\u00f5es sobre o futuro delas em Angola e Kibala. Isso tanto sob o aspecto material como espiritual. Certamente \u00e9 urgente o encaminhamento da constru\u00e7\u00e3o de um mosteiro por mais simples e pobre que seja, visto que at\u00e9 agora elas moraram sempre em Casas provis\u00f3rias. N\u00e3o menos importante seria uma assist\u00eancia qualificada por parte dos frades. Importa ajud\u00e1-las para que se tornem aut\u00f4nomas em sua forma\u00e7\u00e3o, mas a assist\u00eancia da Ordem I ser\u00e1 sempre importante na reciprocidade e complementaridade do carisma.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/052.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-95160\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/052.jpg\" alt=\"05\" width=\"500\" height=\"345\" \/><\/a>Profiss\u00e3o solene das primeiras Irm\u00e3s Angolanas em Kibala<\/strong><\/p>\n<p>Dia 3 de outubro, o dia da grande prepara\u00e7\u00e3o da Festa de S\u00e3o Francisco com a profiss\u00e3o solene das duas primeiras irm\u00e3s angolanas no Mosteiro de Nossa Senhora de \u00c1frica: Ir. Clara da Eucaristia e Ir. Regina de Jesus. \u00c0 tarde chegou a Sumbe o Sr. Bispo Dom Zacarias Kamuenho. Frei Hermenegildo e eu ficamos na saudade da celebra\u00e7\u00e3o do Tr\u00e2nsito de S\u00e3o Francisco, enquanto Frei Jos\u00e9 Zanchet buscava o pessoal na ponte para a Solenidade da Profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Dia 4 de outubro: Solenidade de Nosso Pai S\u00e3o Francisco. Cedo, celebramos Laudes com o Sr. Bispo e duas irm\u00e3s da Congrega\u00e7\u00e3o da Sagrada Fam\u00edlia, que v\u00e3o se instalar em Kibala. Com dois fasc\u00edculos do Suplemento Franciscano enriquecemos o Louvor matinal. Frei Hermenegildo, no entusiasmo da festa, estava curado da gripe.<\/p>\n<p>\u00c0s 09h30, Missa concelebrada de S\u00e3o Francisco com solene Profiss\u00e3o perp\u00e9tua das duas primeiras irm\u00e3s angolanas do Mosteiro de Nossa Senhora, M\u00e3e de \u00c1frica, Ir. Clara e Ir. Regina. A Missa e a Profiss\u00e3o realizaram-se no p\u00e1tio interno do Mosteiro, junto a umas belas rochas, debaixo de grande \u00e1rvore, com cantos t\u00edpicos angolanos em kimbundo. Um dos momentos mais emocionantes foi o canto da Ladainha de Todos os Santos com a prostra\u00e7\u00e3o das professandas. Experimentamos no rito o mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o: as professandas prostraram-se sobre esteiras estendidas diante do altar. A Madre Abadessa cobriu as professandas com um len\u00e7ol branco e p\u00e9talas de rosas. Ap\u00f3s a Ladainha, elas como que renasceram das cinzas pela consagra\u00e7\u00e3o ao Senhor. Neste rito de consagra\u00e7\u00e3o refaziam-se as pontes. Eram 10 concelebrantes, al\u00e9m de religiosos, religiosas, representantes da UNITA que domina a cidade e das For\u00e7as de Paz da ONU e bom n\u00famero de fi\u00e9is. Francisco e Clara traziam um pouco de Paz e de Bem para todos. A Celebra\u00e7\u00e3o durou umas duas horas e meia. O almo\u00e7o, a cabrito, foi no mosteiro, numa bela confraterniza\u00e7\u00e3o entre as Irm\u00e3s Clarissas, parentes das professandas, o Sr. Bispo, sacerdotes, frades e freiras. Uma festa de S\u00e3o Francisco diferente em terras angolanas!<\/p>\n<p>Ao entardecer, Frei Hermenegildo e eu rezamos as II V\u00e9speras de S\u00e3o Francisco e voltamos para o jantar nas Ir. Clarissas.<\/p>\n<p>Dia 5 de outubro voltamos para Sumbe. Frei Jos\u00e9 Zanchet, em duas viagens, levou-nos at\u00e9 a ponte, onde nos esperavam o carro de Dom Zacarias e outro de Luanda, que tinham estacionado em Gabela. Iniciava novamente a aventura de atravessar a ponte. Cenas de cortar o cora\u00e7\u00e3o! Quanto sofrimento para atravessar esta ponte com v\u00edveres, mantimentos e outros produtos de troca, trazidos a p\u00e9, empurrados nos troles ou carregados na cabe\u00e7a pelas mulheres de uma dist\u00e2ncia de 80, 100 e mais km. Em cinco dias a ponte poderia ser reparada, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhum interesse que isso aconte\u00e7a. S\u00f3 interessam as vantagens dos grandes. Para n\u00e3o se escorregar na passagem era necess\u00e1rio tirar at\u00e9 as meias. Foi o que fez, inclusive, o Sr. Bispo, em sua batina branca.<\/p>\n<p>Esta ponte \u00e9 bem o s\u00edmbolo da nossa miss\u00e3o em Angola. Quantas pontes a serem constru\u00eddas, para que se estabele\u00e7a a \u00fanica e verdadeira ponte, o Sumo Pont\u00edfice Jesus Cristo, entre Deus e aquele povo. A ponte da fraternidade que ensina, na necessidade, a segurar a lanterna, para que o confrade mexa a sopa, que ensina a p\u00f4r a mesa enquanto o confrade esquenta a comida. A ponte da incultura\u00e7\u00e3o: entrar no ritmo do povo, bem diferente do nosso, largar os pr\u00f3prios planos de pastoral para aprender do agir do povo. A ponte da pobreza: uma pobreza sentida na alimenta\u00e7\u00e3o, na sa\u00fade, no vestu\u00e1rio, nos m\u00f3veis, nos utens\u00edlios, nos h\u00e1bitos, na impot\u00eancia na aplica\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios conhecimentos. Transportados nas costas os produtos para os dois carros que nos esperavam, rumamos para Gabela. O outro carro foi direto para Luanda.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/062.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-95161\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/062.jpg\" alt=\"06\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/a>Retiro em Sumbe<\/strong><\/p>\n<p>Em Gabela tive a grata surpresa de conhecer o Pe. Farias, portugu\u00eas, pertencente \u00e0 Sociedade Mission\u00e1ria Portuguesa, chamada tamb\u00e9m Boa Nova, que j\u00e1 passou por Te\u00f3filo Otoni, f\u00e3 dos meus livros sobre Liturgia, que muito desejava conhecer-me. Ap\u00f3s o almo\u00e7o, sempre no carro do Sr. Bispo, continuamos viagem para Sumbe. Est\u00e1vamos no caro, o Sr. Bispo, o motorista, eu, duas irm\u00e3s da Sagrada Fam\u00edlia e uma senhora de Luanda, amiga e benfeitora de uma das irm\u00e3s clarissas que havia professado. N\u00e3o demorou e l\u00e1 se foi um pneu. Descemos. Cad\u00ea macaco, cad\u00ea chave? Gra\u00e7as a Deus, fomos amavelmente socorridos por um chofer de caminh\u00e3o, lotado de jovens que fizeram uma festa por poderem socorrer um Bispo na estrada. Tudo pareia em ordem, quando se verificou que o estepe tamb\u00e9m estava quase vazio. Por sorte, o homem do caminh\u00e3o andava prevenido e o calibrou. Sem maiores percal\u00e7os, chegamos, \u00e0 tardinha, a Sumbe.<\/p>\n<p>Convidado por Dom Zacarias para pregar um retiro franciscano para as irm\u00e3s de sua funda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o lhe podia negar. Pensava iniciar no mesmo dia 5 \u00e0 noite, mas o ritmo em Angola \u00e9 outro. O Sr. Bispo achou que talvez se pudesse iniciar no dia 8, domingo. Assim, o Senhor me concedeu a gra\u00e7a de tr\u00eas dias de vida erem\u00edtica num quartinho de um pr\u00e9dio praticamente abandonado. Consegui defender-me dos mosquitos. T\u00ednhamos algumas horas de energia fornecida por geradores. \u00c1gua encanada n\u00e3o existia nesta capital de Prov\u00edncia (Estado); conseguimos tamb\u00e9m uns barris de \u00e1gua para banho e descarga sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Domingo, dia 8, celebrei \u00e0s 10h00 na catedral e \u00e0 tarde abri o retiro para a Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Franciscanas da Visita\u00e7\u00e3o de Maria do qual participaram tamb\u00e9m quatro irm\u00e3s da Sagrada Fam\u00edlia que tamb\u00e9m professam a Regra da TOR. O retiro realizou-se na Casa de Noviciado da nova Congrega\u00e7\u00e3o, onde j\u00e1 moraram as Irm\u00e3s Clarissas de Kibala. Como seria importante uma assist\u00eancia por parte dos frades, ajudando-as a adquirirem o rosto africano e angolano de Francisco e de Clara e, aprendendo do entusiasmo delas, um rosto inculturado para os nossos futuros frades angolanos, sobretudo agora que Dom Zacarias, o Bispo Fundador, \u00e9 transferido para Lubango.<\/p>\n<p>No 2\u00ba dia do retiro fui acometido, creio eu, de uma intoxica\u00e7\u00e3o ou infec\u00e7\u00e3o intestinal com intensa diarreia e consequente desidrata\u00e7\u00e3o. J\u00e1 pensei que fosse o paludismo. Fizemos o teste e, gra\u00e7as a Deus, deu negativo. Comecei a ter mais cuidado com a \u00e1gua, o funge (esp\u00e9cie de pir\u00e3o d\u2019\u00e1gua) e congelados.<\/p>\n<p>Havia combinado com Dom Zacarias que s\u00e1bado, dia 14, algu\u00e9m me levaria a Luanda. Tendo lembrado isso \u00e0s irm\u00e3s no dia 12, 5\u00aa-feira, disseram-me que o carro iria 2\u00aa feira, dia 16. Insisti que deveria ser dia 14, s\u00e1bado, pois 2\u00aa feira prendia preparar tudo em Luanda, para, o mais tardar 3\u00aa feira, dia 17, ir a Malange. Atenderam atenciosamente o meu pedido. Viajei para Luanda, s\u00e1bado de manh\u00e3, de carona (boleia) com dois ju\u00edzes muito finos e cultos. Pude divertir-me com o anedot\u00e1rio dos grandes do Governo e da UNITA nos anos da Revolu\u00e7\u00e3o pela independ\u00eancia de Angola e da Guerra Civil que depois se instaurou e ainda n\u00e3o chegou ao fim. E j\u00e1 s\u00e3o 34 anos seguidos de guerra. Ao partir, o juiz motorista tirou uma Ave-Maria para que tiv\u00e9ssemos boa viagem. Dando meio-dia, o outro juiz puxou todo o <em>Angelus<\/em>, n\u00e3o o mutilado das tr\u00eas Ant\u00edfonas sem resposta que, n\u00e3o sei a t\u00edtulo de qu\u00ea, se est\u00e1 introduzindo na Prov\u00edncia. Era o mesmo juiz que na partida escondeu a arma debaixo do tapete sob os p\u00e9s. Sinal da inseguran\u00e7a por toda parte. Soube que a Evangeliza\u00e7\u00e3o de Angola tinha formado belo grupo de intelectuais cat\u00f3licos, agora em dificuldade de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Prisioneiro da burocracia<\/strong><\/p>\n<p>Em Luanda, no Convento Nossa Senhora de F\u00e1tima, dos Capuchinhos, encontrei ainda o Frei Pedro Caron e Frei Pl\u00ednio, em recupera\u00e7\u00e3o da hepatite no Carmelo, onde Ir. Dominique, o nosso Anjo da Guarda em Luanda, acolhe os religiosos e as religiosas mission\u00e1rios para recupera\u00e7\u00e3o de paludismo e de outros males. Dia 16, 2\u00aa feira, preparei-me para ir a Malange; Frei Pedro e Frei Pl\u00ednio, para voltarem ao Brasil, no voo do dia 17. Tiramos fotos para renova\u00e7\u00e3o da documenta\u00e7\u00e3o e dirigimo-nos para o PAM (Programa Alimentar Mundial) que fornece passagens para diversos lugares atrav\u00e9s da Caritas Internacional. Teria tido uma passagem para o mesmo dia, mas pouco experiente, achei j\u00e1 muito em cima da hora. Depois, Frei D\u00edlson, que se tinha afastado com o carro, atendendo a outro servi\u00e7o, alertou-me sobre a bobagem que tinha feito. O funcion\u00e1rio da PAM pediu-me que voltasse, ent\u00e3o, na ter\u00e7a-feira, para garantir o bilhete para quarta, pois ter\u00e7a n\u00e3o haveria voo para Malange.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/073.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-95162 size-full\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/073.jpg\" alt=\"07\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/a>Dia 17, sempre conduzido por Frei D\u00edlson, fomos novamente confirmar a passagem pela PAM para quarta-feira, dia 18 e, em seguida, levamos Frei Pedro Caron e Frei Pl\u00ednio para o aeroporto. No mais, acompanhamos a vida da Comunidade capuchinha. Dia 18, quarta, Frei D\u00edlson me deixa no aeroporto, onde eu pegaria o avi\u00e3o para Malange e ele continua com Frei Sim\u00e3o Laginski pela cidade, preparando sua ida a Kibala no dia seguinte. Partiriam cedinho e Frei D\u00edlson voltaria na sexta-feira. Meu avi\u00e3o deveria partir \u00e0s 14h00. Esperamos l\u00e1 no aeroporto. Chegou a hora e nada acontecia. Pelas 14h30 soubemos que o voo tinha sido cancelado. Sorte que consegui uma boleia de volta para o convento. Frei D\u00edlson ainda estava na cidade com Frei Sim\u00e3o. Frei Conrado, o sol\u00edcito Guardi\u00e3o do Convento, foi comigo \u00e0 Sede do PAM para ver se confirm\u00e1vamos a passagem para quinta-feira. Mas tudo j\u00e1 estava fechado. As reparti\u00e7\u00f5es em Luanda s\u00f3 funcionam na parte da manh\u00e3, conforme me informou Frei D\u00edlson.<\/p>\n<p>Ao entardecer voltaram Frei D\u00edlson com Frei Sim\u00e3o. Frei D\u00edlson me viu e no momento nem se lembrou de que me tinha deixado no aeroporto. Expliquei-lhe o que havia acontecido. Chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o mais valeria a pena ir a Malange sem ter renovado o visto que esgotava dia 21, s\u00e1bado, pois dificilmente seria prorrogado em Malange e n\u00e3o haveria tempo h\u00e1bil de se enviar o passaporte de volta a Luanda. Pronto! Era prisioneiro da burocracia! Assim, dia 19, quinta, entreguei o passaporte \u00e0 Ir. Dominique para que ela o encaminhasse ao DEFA para a prorroga\u00e7\u00e3o do visto por um m\u00eas, em regime de urg\u00eancia. Dia 20, sexta-feira \u00e0 tarde, Frei D\u00edlson est\u00e1 de volta de Kibala. Boas not\u00edcias de l\u00e1 e eu, treinando a paci\u00eancia, com dificuldades de chegar ao novo local de trabalho.<\/p>\n<p>Passa o s\u00e1bado sem novidades, a n\u00e3o ser uma dor de barriga persistente. Ser\u00e1 a \u00e1gua? Com dores de est\u00f4mago e diarreia, tamb\u00e9m se foram o gosto e a vontade para qualquer outra atividade. Nem a leitura para passar o tempo apetece. J\u00e1 uma semana de espera! Pensei em S\u00e3o Paulo. (Quem sou eu para com ele comparar-me?). Mas me lembrei de que ele em Corinto, n\u00e3o tendo resposta \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o evangelizadora, p\u00f4s-se a fabricar tendas. Domingo, dia 22 de outubro, Dia mundial das Miss\u00f5es. Frei Anast\u00e1cio, Vice Provincial dos Capuchinhos, sabendo que eu estava querendo \u201cfabricar tendas\u201d, deu-me a Missa das 10h30 na Par\u00f3quia. Esforcei-me por celebrar de modo adaptado \u00e0quela assembleia. Sob o aspecto do canto a Liturgia \u00e9 certamente bastante inculturada. Na Missa da Juventude \u00e0s 08h15 a enorme igreja estava repleta. Os cantos s\u00e3o menos barulhentos e movimentados do que costumam ser as nossas missas dos jovens. Os cantos t\u00eam ritmos pr\u00f3prios dos negros, sim, mas s\u00e3o mais calmos e contemplativos. Talvez menos show para a assembleia \u00e0 espera de aplausos. A meu ver, de modo geral deu-se pouca \u00eanfase ao Domingo das Miss\u00f5es. Tamb\u00e9m a Igreja missionada \u00e9 chamada a ser mission\u00e1ria. Acontece, frequentemente, que a Igreja local \u00e9 formada para a depend\u00eancia, para o assistencialismo, que mata as lideran\u00e7as locais. Lembrei-me da Campanha Mission\u00e1ria do m\u00eas de outubro na Prov\u00edncia, do Projeto mission\u00e1rio da Prov\u00edncia, do entusiasmo mission\u00e1rio que est\u00e1 despertando nas nossas Casas e Comunidades eclesiais. Por outro lado, a gente aqui de m\u00e3os amarradas, sem conseguir chegar ao local da miss\u00e3o. \u00c9 o Esp\u00edrito que age. A n\u00f3s compete antes ser ou realizar a fun\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s em ora\u00e7\u00e3o, enquanto Josu\u00e9 combate. Afinal, somos servos in\u00fateis.<\/p>\n<p>Dia 23, segunda-feira. Os comprimidos para o est\u00f4mago, umas frutas e \u00e1gua mineral, arranjados por Frei D\u00edlson, fizeram-me recuperar o \u00e2nimo, inclusive retomar a leitura e esta cr\u00f4nica. Um pormenor. Uma garrafa de \u00e1gua mineral, importada de Portugal custou mais do que um tanque de gas\u00f3leo (\u00f3leo Diesel), com que Frei D\u00edlson pode rodar por um m\u00eas pela cidade de Luanda. Ir\u00edamos viver mais uma esta\u00e7\u00e3o daquilo que j\u00e1 estava sendo um rito di\u00e1rio: passagem pelo Carmelo, para ver como andavam as tratativas da prorroga\u00e7\u00e3o do visto, cuidar do bilhete no PAM. \u00c0 tarde, nova rodada. Como segunda-feira nada funciona, j\u00e1 nos fomos conformando com ter\u00e7a. Enfim, \u00e9 a esperan\u00e7a que sustenta e alimenta a paci\u00eancia. Fomos ver a possibilidade de bilhete para viajar com a TAAG. Frei D\u00edlson foi informado que haveria voo na quinta, mas que n\u00e3o estavam emitindo bilhetes por falta de formul\u00e1rios. Assim, certamente o voo de quinta seria cancelado.<\/p>\n<p>Dia 24, ter\u00e7a-feira. De manh\u00e3, passamos na Ir. Dominique, na esperan\u00e7a de que o visto estivesse pronto. Esperamos at\u00e9 o meio-dia e nada de Ir. Dominique. Voltamos \u00e0 tarde, pelas 14h00, pensando que ela estaria de posse do passaporte. Nada. Mas prometeu que voltaria \u00e0 tarde ao DEFA, certa de que haveria de conseguir. Disse-lhe que estava me preparando para a pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o. Respondeu-me que ainda estava longe da 14\u00aa esta\u00e7\u00e3o. Mas j\u00e1 l\u00e1 se iam 11 dias de espera. Sa\u00edmos de l\u00e1 rumo ao PAM com o intuito de reservar passagem para o dia seguinte, mas encontramos a Reparti\u00e7\u00e3o fechada. \u00c0 tardinha Frei D\u00edlson passou no Carmelo mais uma vez para ver se Ir. Dominique conseguira a prorroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Continuamos aguardando, praticando a paci\u00eancia, animada pela esperan\u00e7a. Sorte que voltara o \u00e2nimo e o gosto pela leitura. Li um interessante livro de Jos\u00e9 Nunes, O.P., sobre a incultura\u00e7\u00e3o da Igreja na \u00c1frica e particularmente em Angola. Pela \u00edndole do povo, acentuada pela situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social, quem aqui vem tem que apreender muita coisa. O angolano \u00e9 senhor do tempo; n\u00f3s \u00e9 que somos seus escravos. N\u00f3s fazemos planos. Execut\u00e1-los \u00e9 express\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o e poder. Temos que nos despojar dos nossos planos, para ficarmos atentos aos planos de Deus. Experimentamos uma profunda impot\u00eancia, a partir de n\u00f3s mesmos, das nossas a\u00e7\u00f5es. A for\u00e7a de Deus quer manifestar-se na fraqueza. A salva\u00e7\u00e3o vem de Deus. Isso leva a purificar-nos, a confiar mais em Deus. Parece que Jesus Cristo e Francisco querem ensinar-nos \u00e0 for\u00e7a que o primeiro modo de evangelizar-se e de evangelizar do frade menor \u00e9 \u201cir entre\u201d, \u00e9 \u201cestar entre\u201d e n\u00e3o fazer isto ou aquilo; \u00e9 agir como o bom samaritano: aproximar-se, ter compaix\u00e3o, e s\u00f3 ent\u00e3o, fazer o que estiver ao nosso alcance.<\/p>\n<p>Frei D\u00edlson trouxe o passaporte com o visto prorrogado por mais um m\u00eas. No dia seguinte poder\u00edamos partir para a pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o: conseguir o bilhete para Malanje. Gra\u00e7as a Deus! Consegui um bilhete pelo PAM quinta-feira, \u00e0s 14h00. Agora era torcer para que o voo realmente se efetuasse.<\/p>\n<p>Dia 26 de outubro. Amanheceu um dia claro. Ainda n\u00e3o come\u00e7aram as chuvas. Ali\u00e1s, dizem que em Luanda chove pouco. De manh\u00e3, como de costume, concelebramos a Missas \u00e0s 06h30. Uma constata\u00e7\u00e3o interessante: ela \u00e9 bem frequentada e participada. Conta com a presen\u00e7a de irm\u00e3s de v\u00e1rias Congrega\u00e7\u00f5es, os frades, os coroinhas da Par\u00f3quia e fi\u00e9is em geral. S\u00f3 religiosas s\u00e3o em torno de 50. Rezam-se as Laudes integradas na Missa. Pode-se cair um pouco na rotina, mas \u00e9 certamente um valor que poderia ser cultivado em nossas Comunidades eclesiais. Da\u00ed o sentido da publica\u00e7\u00e3o da Liturgia das Horas em volume \u00fanico, apenas com Laudes, uma Hora Menor, V\u00e9speras e Completas, e a utilidade de uma edi\u00e7\u00e3o mais reduzida ainda com o Salt\u00e9rio apenas.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/081.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-95163\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/081.jpg\" alt=\"08\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/a>Tr\u00eas semanas em Malange<\/strong><\/p>\n<p>Desta vez, pelas 14h15, a avioneta, como s\u00e3o chamados aqui os pequenos avi\u00f5es, levantou voo para Malange com pessoal do PAM e da UNICEF. Um pouso em Endalatando com pista de terra batida. E pelas 15h30 chegamos a Malange. Felizmente, Frei Valdir estava me esperando no aeroporto. Passamos pelo Departamento de Pol\u00edcia, pois tamb\u00e9m nas Prov\u00edncias existe o controle de circula\u00e7\u00e3o de estrangeiros. Foi uma alegria o encontro com os confrades: Frei Odorico Decker, Frei Genildo Provin e Frei Valdir Nunes.<\/p>\n<p>O dia 27 serviu para tomar p\u00e9. Estive no Mosteiro das Irm\u00e3s Clarissas para combinar o curso de Liturgia a ser iniciado na segunda-feira, dia 30. De tarde, apresentamo-nos ao Sr. Bispo Dom Eug\u00eanio Salessu. Ele desejava um retiro para o clero, em princ\u00edpio, do dia 5 a 10 de novembro, algumas confer\u00eancias sobre Liturgia para os leigos e religiosas, que seriam nos dias 13 a 15 de novembro. Fazendo as contas, passaram-se 15 dias para passar de um campo de a\u00e7\u00e3o para outro. Portanto, haviam sobrado praticamente tr\u00eas semanas para Malange.<\/p>\n<p>S\u00e1bado, dia 28, ficou livre. Celebrei nas Clarissas. Domingo, dia 29, celebrei novamente nas Clarissas e Frei Odorico comigo almo\u00e7amos com o Sr. Bispo. A semana de 30 de outubro a 04 de novembro teve algumas novidades, fora o curso para as Clarissas. Frei Odorico ocupad\u00edssimo com a constru\u00e7\u00e3o de um forno para fazer p\u00e3o. Dia 31, Frei Genildo foi iniciado no paludismo e Frei Valdir partiu para Luanda, a fim de dali tomar o avi\u00e3o para o Qu\u00eania, onde participaria de uma reuni\u00e3o de Formadores da Vice Prov\u00edncia franciscana da \u00c1frica. Dia 04 de novembro, s\u00e1bado, Frei Genildo passou por uns momentos abafados em seu batismo palud\u00edstico. O Sr. Bispo comunicou-me que estava cancelado o retiro para o clero por falta de qu\u00f3rum. Eu daria, sim, uma s\u00e9rie de palestras sobre Liturgia para as religiosas e as lideran\u00e7as leigas, de segunda a sexta-feira, das 16 \u00e0s 17h30.<\/p>\n<p>Dia 5 de novembro, domingo, celebrei nas Clarissas. \u00c0s 15h00 encontrei-me com um Grupo da OFS em forma\u00e7\u00e3o. Interessava-me sentir o andamento do Grupo. Constatamos ser um grupo coeso e de grande boa vontade; mas lhe falta uma assist\u00eancia mais firme e bem consciente de sua fun\u00e7\u00e3o. De fato, o Grupo encontra-se no Per\u00edodo de Inicia\u00e7\u00e3o (antigo Postulantado), podendo em janeiro-fevereiro, por ocasi\u00e3o da visita do Ministro Provincial, ser admitido ao Tempo de Forma\u00e7\u00e3o (antigo Noviciado). Terminado o Tempo de Forma\u00e7\u00e3o com dura\u00e7\u00e3o de dois anos (ao menos um, conforme a Regra) poder\u00e3o ser admitidos \u00e0 Profiss\u00e3o e ent\u00e3o poder\u00e1 ser erigida canonicamente a Fraternidade. Ali\u00e1s, consta que \u201cem 1604 chegaram a Luanda os Frades da Ordem Terceira de S\u00e3o Francisco da Penit\u00eancia. O Governador deu-lhes o terreno, onde est\u00e1 hoje o Hospital Central. Constru\u00edram a\u00ed o Convento S\u00e3o Jos\u00e9 e organizaram a Confraria conhecida pelo nome de Ordem Terceira de S\u00e3o Francisco da Penit\u00eancia que ainda existe na igreja do Carmo\u201d (D. Eduardo Andr\u00e9 Muaca, <em>Hist\u00f3ria sobre a Evangeliza\u00e7\u00e3o de Angola 1491-1991<\/em>, Confer\u00eancia Episcopal de Angola e S. Tom\u00e9, 1990, p. 35). Ela transformou-se numa \u201cIrmandade\u201d, totalmente isolada da Ordem Franciscana Secular renovada.<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m uma Fraternidade aut\u00eantica, embora envelhecida, junto ao Convento de Nossa Senhora de F\u00e1tima, dos Capuchinhos, em Luanda. Est\u00e1 praticamente abandonada a si mesma. Certamente mereceria uma aten\u00e7\u00e3o por parte dos Irm\u00e3os Capuchinhos. J\u00e1 falei sobre isso com Frei Lu\u00eds Manuel Novais Leit\u00e3o, OFMCap., do Convento de Santo Ant\u00f4nio em Luanda, que est\u00e1 realizando um belo trabalho de implanta\u00e7\u00e3o da OFS em Angola, junto \u00e0s Fraternidades Capuchinhas. S\u00e3o cinco as Fraternidades em forma\u00e7\u00e3o, com possibilidade de serem eretas muito em breve. As Fraternidades OFS dever\u00e3o integrar a Fraternidade Nacional de Angola. Tamb\u00e9m os Conventuais Brasileiros que t\u00eam duas Casas em Angola pretendem cuidar que junto a eles surja a OFS.<\/p>\n<p>Fora disso, o domingo \u00e9 vazio para os frades. Ali\u00e1s, os dias de semana tamb\u00e9m. Isso pastoralmente. Outra coisa ser\u00e1 quando a situa\u00e7\u00e3o se normalizar. O territ\u00f3rio da Miss\u00e3o Cat\u00f3lica de Katepa hoje \u00e9 imenso. Compreende o que podemos chamar de tr\u00eas munic\u00edpios que formam tr\u00eas Centros: Katepa, na periferia de Malange, Cangandala, a 28 km de Katepa, e Mussolo, a cerca de 170 km de Katepa. Atualmente nem frades nem freiras est\u00e3o visitando as cerca de 130 Comunidades com aproximadamente 250 aldeias. Est\u00e3o se restringindo \u00e0s tr\u00eas aldeias que formam a Comunidade de Katepa. Imaginemos a atividade pastoral necess\u00e1ria para o atendimento de 130 Comunidades a partir dos tr\u00eas Centros! Quando as estradas se abrirem, quando tudo estiver desminado, pensa-se contar com as Irm\u00e3s Franciscanas de S\u00e3o Jos\u00e9 em Cangandala, com as Irm\u00e3s de Jesus Crucificado em Mussolo e com as Irm\u00e3s Franciscanas Mission\u00e1rias de Maria em Katepa. Estas \u00faltimas continuaram sempre firmes aqui, vizinhas dos Frades, onde, inclusive, t\u00eam atualmente o seu Postulantado. Mesmo com um bom trabalho entrosado com as Irm\u00e3s e os Catequistas, \u00e9 evidente que esta Fraternidade precisa de ao menos quatro frades, dois deles liberados para o trabalho da Miss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O dia a dia dos frades hoje<\/strong><\/p>\n<p>O que os frades est\u00e3o fazendo agora? Realmente n\u00e3o est\u00e3o fazendo, est\u00e3o sendo, est\u00e3o vivendo a fraternidade e de maneira muito bonita. S\u00e3o os pr\u00f3prios frades que cuidam da casa. Rezam em comum. Preparam as refei\u00e7\u00f5es. Muitas vezes num mutir\u00e3o de \u00faltima hora. Acontece que um p\u00f5e o sal e o outro repete. E todos aceitam numa boa. Inventam-se pratos como a polenta, o pir\u00e3o d\u2019\u00e1gua. O p\u00e3o, em geral, \u00e9 velho, pois \u00e9 guardado na <em>geleira <\/em>(congelador) comunit\u00e1ria da Miss\u00e3o dos Espiritanos, junto \u00e0 S\u00e9. Frei Odorico \u00e9 mestre em construir fornos. J\u00e1 fez uns quatro ou cinco. Mas os faz grandes para poder fazer p\u00e3o para um m\u00eas, a fim de conseguir mais tempo para o apostolado junto aos mi\u00fados (crian\u00e7as) e aos enfermos. Os confrades chegam a reclamar que o p\u00e3o est\u00e1 velho. Mam\u00e3o e bananas h\u00e1 bastante. Algum abacaxi. N\u00e3o se pode dizer o mesmo dos produtos b\u00e1sicos e da carne. Um peixe seco \u00e9 mais f\u00e1cil de ser adquirido. A ca\u00e7a e o gado, bem como porcos e galinhas foi tudo consumido nos 34 anos de guerra. N\u00e3o vi uma s\u00f3 cabe\u00e7a de gado. O amendoim (ginguba) e a mandioca s\u00e3o produtos abundantes. Ali\u00e1s, sendo os arredores de Malange muito minados, o povo est\u00e1 plantando em todos os cantos em torno e at\u00e9 dentro da cidade.<\/p>\n<p>As surpresas s\u00e3o frequentes. Rompe-se o cabo de liga\u00e7\u00e3o do motor para puxar \u00e1gua do po\u00e7o escavado por Frei Jos\u00e9 Zanchet para as caixas. O t\u00e9cnico n\u00e3o existe. Sorte que Frei Genildo entende de mec\u00e2nica. Ele arranja outro fio de a\u00e7o e com a ajuda minha (imaginem) instala outro cabo de arranque. Que alegria, quando feita a montagem, o motor arranca. De noite falta a energia que funciona das 18 \u00e0s 21h30, a partir de um gerador que serve \u00e0s irm\u00e3s e aos frades. De repente apaga a luz. Vai-se ver: faltou o gas\u00f3leo (\u00f3leo Diesel), porque no dia anterior permanecera ligado mais tempo. Al\u00e9m desse tempo, entram em a\u00e7\u00e3o a vela, a l\u00e2mpada ou o lampi\u00e3o. Depois das refei\u00e7\u00f5es todos cuidam da lou\u00e7a.<\/p>\n<p>Durante o dia, os frades ocupam-se com trabalhos manuais: limpeza, constru\u00e7\u00e3o de galinheiro, pequenas lavouras (lavras) de aipim e batata doce, plantio de \u00e1rvores frut\u00edferas, verduras e legumes. Ocorre tamb\u00e9m o atendimento a este ou \u00e0quele. As Irm\u00e3s Clarissas pedem algum servi\u00e7o. Vai-se \u00e0 cidade, que dista quase tr\u00eas km de Katepa para cuidar do correio que j\u00e1 est\u00e1 funcionando melhor, providenciar passagens, arranjar material de constru\u00e7\u00e3o, cuidar de projetos, de encaminhamentos de passagens para Luanda, tentando conseguir boleia (carona), munidos de uma paci\u00eancia de J\u00f3. Passa-se nas pra\u00e7as de com\u00e9rcio paralelo, chamadas candongas. Aqui em Malange existem ao menos tr\u00eas, sempre repletas. A\u00ed se troca de tudo. S\u00e3o a garantia de sobreviv\u00eancia do povo. Oxal\u00e1 se estabele\u00e7a a paz em Angola. O povo est\u00e1 sofrendo demais. Aos poucos, parece que as condi\u00e7\u00f5es de reconcilia\u00e7\u00e3o nacional entre o Governo e a UNITA est\u00e3o se firmando. H\u00e1 esperan\u00e7a de que em breve se abram as estradas, se restabele\u00e7am as pontes, se desminem as estradas, as tropas da UNITA sejam acantonadas, para que aos poucos se forme um ex\u00e9rcito \u00fanico regular. Tudo isso faz parte do Protocolo de Paz firmado em Lusaka. O problema \u00e9 saber se as partes est\u00e3o realmente interessadas na reconcilia\u00e7\u00e3o e na paz.<\/p>\n<p>Dia 6 de novembro. De manh\u00e3 cedo, iniciou-se o dia com a celebra\u00e7\u00e3o matinal com o povo. As pessoas foram chegando pelas 06h00, trazendo o material e os instrumentos para a lavra. Rezaram o ter\u00e7o e \u00e0s 06h30 iniciamos a Missa, com as Laudes integradas. Frades, Irm\u00e3s e povo em geral. A salmodia costuma ser at\u00e9 polif\u00f4nica. \u00c9 muito bonito e devoto. Depois da Missa, encontrei-me com um senhor da Comunidade e, falando sobre o paludismo que Frei Genildo tinha pego, fiz-lhe a seguinte observa\u00e7\u00e3o: \u201cPois \u00e9, Frei Genildo pegou o paludismo e est\u00e1 sofrendo bastante. Nem participou da celebra\u00e7\u00e3o matinal. N\u00f3s pegamos f\u00e1cil a doen\u00e7a, ao passo que voc\u00eas parecem estar imunizados!\u201d O senhor pediu licen\u00e7a para segurar minha m\u00e3o direita, esfregou-a levemente e disse: \u201cPois \u00e9, pobrezinhos de voc\u00eas, s\u00e3o t\u00e3o branquinhos, t\u00e3o fraquinhos!\u201d A carapu\u00e7a desceu fundo pesco\u00e7o abaixo.<\/p>\n<p>Dediquei a manh\u00e3 \u00e0 Fraternidade das Irm\u00e3s Franciscanas Mission\u00e1rias de Maria e, \u00e0 tarde, iniciei o Curso de Liturgia para mission\u00e1rias e leigos da cidade no Col\u00e9gio das Irm\u00e3s de S\u00e3o Jos\u00e9 de Cluny, companheiras dos Padres Espiritanos na Evangeliza\u00e7\u00e3o de Angola. O sal\u00e3o esteve repleto. Assim foi de segunda a sexta.<\/p>\n<p>Ter\u00e7a, quarta e sexta-feira de manh\u00e3 continuei com o curso de Liturgia para as Clarissas.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira, dia 7, voltou Frei Valdir Nunes sem ter ido ao Qu\u00eania. Por prud\u00eancia, devido \u00e0 prorroga\u00e7\u00e3o da perman\u00eancia em Angola, preferiu n\u00e3o arriscar a sa\u00edda do pa\u00eds no momento. Quinta, dia 9, as duas Fraternidades, a dos frades e a das Irm\u00e3s Franciscanas Mission\u00e1rias de Maria, fizemos o retiro mensal numa Col\u00f4nia de meninos \u00f3rf\u00e3os, perto de Luanda, chamada \u201cCasa do Gaiato\u201d. Meditamos sobre nossa vida eucar\u00edstica celebrada e vivida. S\u00e1bado, dia 11, passei-o com as Religiosas da cidade. Refletimos sobre a Liturgia das Horas como caminho de santidade, como espelho do mist\u00e9rio pascal de Cristo e da Igreja a ser contemplado e vivido v\u00e1rias vezes ao dia. Houve boa participa\u00e7\u00e3o e grande interesse.<\/p>\n<p><strong>Rito de despedida<\/strong><\/p>\n<p>Dia 12 de novembro, domingo. Iniciei a \u00faltima semana em Malange. O domingo foi marcado pela comemora\u00e7\u00e3o dos 20 anos de independ\u00eancia de Angola (dia 11) e a despedida solene de Frei Odorico Decker, transferido para Kibala. A Missa com o povo expressou esses dois aspectos: Missa de reconcilia\u00e7\u00e3o e de paz. Transpareceu a dimens\u00e3o mission\u00e1ria da Comunidade eclesial que com o envio de Frei Odorico se tornava participante dessa a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. Ao final da Missa, realizaram-se os ritos de despedida, bem ao gosto do povo. Houve oferta de presentes com dan\u00e7a e Frei Odorico tocou para as numerosas crian\u00e7as que o rodearam diante do altar com grande carinho e pesar pela partida do amigo. Frei Odorico realmente se fizera amigo das crian\u00e7as e dos enfermos no bairro da Katepa. Ao meio-dia prolongou-se a festa de despedida com almo\u00e7o fraterno no Convento das Irm\u00e3s Franciscanas Mission\u00e1rias de Maria. \u00c0s 15h00, houve mais um encontro, agora, ordin\u00e1rio, com a OFS em forma\u00e7\u00e3o. Deixamos orienta\u00e7\u00f5es para o seu bom encaminhamento e foi eleito um Conselho Provis\u00f3rio.<\/p>\n<p>Dia 13, S\u00e3o Diogo de Alcal\u00e1, Frei Odorico conseguiu partir de avioneta para Luanda. Esta semana estava planejada da seguinte forma: segunda e ter\u00e7a de manh\u00e3 terminaria o curso de Liturgia com as Irm\u00e3s Clarissas, ficando as tardes livres. Quarta-feira de manh\u00e3 abriria o retiro mensal das Irm\u00e3s Clarissas. Minha inten\u00e7\u00e3o era ir a Luanda quinta-feira, dia 16, ali\u00e1s, por sugest\u00e3o do Sr. Bispo na minha chegada. Mas o mesmo Sr. Bispo segurou-me, pois quis que passasse um dia com o clero na quinta-feira, na Casa do \u201cGaiato\u201d. Pela experi\u00eancia do passado n\u00e3o muito distante, fiquei preocupado com a viagem a Luanda, pois o avi\u00e3o para o Brasil estava previsto para ter\u00e7a-feira, dia 21. O Sr. Bispo tranquilizou-me. Disse-me que tamb\u00e9m teria que viajar na segunda a Luanda. Assim fez-me compreender que em Angola hoje se vive o extraordin\u00e1rio como ordin\u00e1rio. Vamos rezar e confiar na sorte.<\/p>\n<p>Dia 14, ter\u00e7a-feira, encaminhamos o pedido de boleia com a PAM para Luanda na sexta-feira, dia 17. O dia transcorreu como planejado, na paz e na fraternidade. Dia 15 de novembro, quarta. Na parte da manh\u00e3, abri o retiro mensal para as Irm\u00e3s Clarissas. Antes da abertura elas fizeram quest\u00e3o de realizar o rito de despedida, com dan\u00e7as e recorda\u00e7\u00f5es. Transcrevo aqui a poesia que elas cantaram na entrega das lembran\u00e7as.<\/p>\n<p><strong><em>AMAR \u00c9 ENTREGAR-SE<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Amar \u00e9 entregar-se<br \/>\nEsquecendo-se de si,<br \/>\nFazendo o que ao outro<br \/>\nPossa fazer feliz,<br \/>\nFazendo o que ao outro<br \/>\nPossa fazer feliz<br \/>\nRefr\u00e3o:<br \/>\nQue lindo \u00e9 viver, para amar,<br \/>\nQue belo \u00e9 ter, para dar,<br \/>\nDar alegria, felicidade, (bis)<br \/>\nDar-se a si mesmo,<br \/>\nIsso \u00e9 amar.<\/p>\n<p>Frei Alberto, muito obrigado<br \/>\nPela sua dedica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDesde agora e para sempre, (bis)<br \/>\nNosso espelho ser\u00e3o os salmos.<\/p>\n<p>Tr\u00eas semanas de liturgia<br \/>\nForam de grande proveito,<br \/>\nPois ficamos feitas mist\u00e9rios,<br \/>\nDescobrindo a nossa p\u00e1scoa,<br \/>\nCom a express\u00e3o significativa<br \/>\nN\u00f3s faremos fraternidade.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a abertura do retiro, passei pelo Pa\u00e7o Episcopal para ver se estava confirmado o retiro do clero. A tarde dediquei-a a assuntos pessoais. Dia 16 de novembro, quinta, dia de retiro para o clero. Pelas 09h00 fomos \u00e0 \u201cCasa do Gaiato\u201d. Houve boa participa\u00e7\u00e3o do clero. \u00c9ramos 9 ao todo. O Clero diocesano \u00e9 composto de 6 ou 7 padres, sendo um portugu\u00eas. Meditamos sobre a Liturgia das Horas na vida do presb\u00edtero, na linha do artigo que escrevei para a REB: <em>A Liturgia das Horas, caminho de santidade<\/em>. O retiro foi encerrado com a Missa \u00e0s 16h30, presidida pelo Sr. Bispo. Na volta, passamos pelo PAM, onde obtive a boa not\u00edcia de estar na lista do voo do dia seguinte, \u00e0s 10:00h para Luanda.<\/p>\n<p>Dia 17 de novembro, Santa Isabel da Hungria. Ap\u00f3s a missa matinal passamos pelo Bispado, despedindo-nos do Sr. Bispo e fomos ao aeroporto. O voo da avioneta do PAM, programado para as 10:00h foi pontual. Chegamos a Luanda pelas 11:30h. Estando Frei D\u00edlson para Kibala, algu\u00e9m dos capuchinhos foi-nos apanhar no aeroporto, onde t\u00ednhamos aguardado mais de uma hora, eu, Ir. Francisca, das Irm\u00e3s Mission\u00e1rias de Santa Teresinha, Congrega\u00e7\u00e3o brasileira do Par\u00e1, e uma aspirante da Congrega\u00e7\u00e3o das Franciscanas Mission\u00e1rias de Maria. Assim que chegamos, soube que o avi\u00e3o de Luanda para o Brasil agora estaria indo \u00e0s quartas-feiras. Fiquei preocupado com a Reuni\u00e3o do Conselho Mission\u00e1rio Provincial, marcada para quarta, dia 22, em S\u00e3o Paulo. Esperei Frei D\u00edlson para informa\u00e7\u00e3o mais segura; enviamos um fax ao nosso Provincialado, pedindo que os Conselheiros prolongassem a reuni\u00e3o at\u00e9 o dia 23 ao meio-dia. Tratar\u00edamos da Missa em Angola no dia 23 de manh\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Tudo incerto: somos servos in\u00fateis<\/strong><\/p>\n<p>Dia 18, s\u00e1bado. A quest\u00e3o foi apenas deixar passar o tempo. Dia 19, domingo. O Vice-Provincial dos Capuchinhos, que tamb\u00e9m \u00e9 p\u00e1roco da F\u00e1tima, deu-me a Missa no Mar\u00e7al, um Hospital perto do Convento, \u00e0s 08h30. Sa\u00ed pelas 08h00 rumo ao Hospital, junto \u00e0 Av. Brasil. Indo na dire\u00e7\u00e3o do hospital, passei por uma rua, onde se situa a Sede do Partido do Governo de Angola, o MPLA. Sem me aperceber passei pela rua com alguns sinais de tr\u00e2nsito proibido. O guarda me deu ordens de parar. Atendi. E a ordem de pris\u00e3o veio imediata: Est\u00e1 preso! Mas, Sr. guarda&#8230;, tentei explicar o que estava acontecendo&#8230; O Sr. entrou na zona de morte. Mas me desculpe, Sr. guarda, n\u00e3o percebi. Vi algu\u00e9m passar por aqui sem problemas e me dispus a passar tamb\u00e9m. N\u00e3o, o Sr. est\u00e1 preso, entre aqui! Mas, Sr. guarda, o Sr. me desculpe. Eu vou voltar atr\u00e1s&#8230; Passo pela outra rua. Sou padre e vou celebrar a Missa aqui perto, onde j\u00e1 est\u00e3o esperando por mim. N\u00e3o! O Sr. invadiu territ\u00f3rio proibido! Mas, Sr. guarda, posso falar com seu chefe? Por favor, me atenda, eu sou brasileiro!&#8230; Enfim, a gente n\u00e3o conhece todas as normas&#8230; N\u00e3o! O Sr. entrou em espa\u00e7o proibido, espa\u00e7o de morte. O Sr. n\u00e3o aprendeu na escola as normas de tr\u00e2nsito? Pensei comigo: 25 anos de escola e n\u00e3o aprendi nada. Arrisquei ainda: A gente n\u00e3o poderia falar com o seu chefe? Nisto, por acaso, apareceu algu\u00e9m no port\u00e3o. Parece que era um superior ao guarda. Perguntou o que se passava. Novamente, com toda a humildade, pedi desculpas por estar passando naquele lugar proibido e expliquei a situa\u00e7\u00e3o: que era padre do Convento dos Capuchinhos e que ia celebra a Missa a\u00ed perto. Felizmente, encontrei clem\u00eancia. Permitiu-me logo que fosse adiante. Agradeci e continuei o caminho.<\/p>\n<p>Neste epis\u00f3dio senti a gravidade da situa\u00e7\u00e3o que se vive em Angola. Tudo incerto. Amea\u00e7as por toda parte. Situa\u00e7\u00e3o ainda de guerra. Os grandes querendo a gasosa, sin\u00f4nimo de propina. Uma situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a total. Estas arbitrariedades acontecem por toda parte. Quantas vezes Frei D\u00edlson \u00e9 barrado nas ruas pelos guardas \u00e0 procura de propina. Em mim o guarda certamente viu um gringo com d\u00f3lares. O pior \u00e9 que n\u00e3o tinha um tost\u00e3o no bolso.<\/p>\n<p>Dias 20 e 21 foram dias de espera em Luanda: Frei Hermenegildo Pereira, Frei Jos\u00e9 Zanchet e eu. Se soub\u00e9ssemos do adiamento do voo para o Brasil, bem poder\u00edamos ter permanecido mais alguns dias em Malange. Mas tudo bem. Ao menos j\u00e1 est\u00e1vamos em Luanda. Dia 21 voltamos a visitar o Mosteiro das Clarissas em constru\u00e7\u00e3o e o poss\u00edvel terreno para o nosso Convento em Luanda.<\/p>\n<p>Dia 22 de novembro. Nosso voo estava marcado para as 12h30. Pelas 09h30 partimos para o aeroporto a fim de fazer o check-in. Uma verdadeira tortura coletiva. Nunca vi tantos postos de controle. Uma burocracia infernal. O mais engra\u00e7ado \u00e9 com as malas. Voc\u00ea despacha as malas e, finalmente, depois de passar por quatro ou cinco controles, onde cada um deles tenta reter o que sobrou de dinheiro, seja em cuanzas seja em d\u00f3lares e isso descaradamente, voc\u00ea \u00e9 alertado, quando o \u00e9, de que suas malas est\u00e3o no p\u00e1tio do aeroporto para reconhecimento. Voc\u00ea, ent\u00e3o, tem que verificar se as suas malas est\u00e3o realmente a\u00ed na pilha da bagagem que deve ir para o avi\u00e3o, e cuidar que ela seja carregada na carreta. Da\u00ed voc\u00ea embarca no maximbombo \u2013 \u00f4nibus \u2013que o leva at\u00e9 o avi\u00e3o sem que voc\u00ea possa saber se realmente a bagagem tamb\u00e9m subiu. Depois de toda aquela ang\u00fastia, \u00e9 claro que os passageiros est\u00e3o tensos. Mas nada se pode fazer. Est\u00e1vamos finalmente no avi\u00e3o para o retorno ao Brasil.<\/p>\n<p>Depois de agrad\u00e1vel travessia do Atl\u00e2ntico, chegamos praticamente no hor\u00e1rio, ao Rio de Janeiro, ainda com sol. L\u00e1 compareceu o Guardi\u00e3o do Convento de Santo Ant\u00f4nio, Frei Jos\u00e9 Pereira. Frei Hermenegildo ficou no Rio de Janeiro. Frei Jos\u00e9 Zanchet e eu tomamos o primeiro avi\u00e3o para S\u00e3o Paulo, aonde chegamos pelas 20h30. Frei Sal\u00e9sio Hillesheim, que nos esperava no aeroporto, levou-nos diretamente a um restaurante, onde se encontravam os confrades do Provincialado, j\u00e1 iniciando um agrad\u00e1vel juntar. Cotamos sobre a Miss\u00e3o em Angola.<br \/>\nN\u00e3o sei se por causa do longo jejum ou se ainda por influ\u00eancia da \u00e1gua tomada em Luanda nos \u00faltimos dias, esse jantar me trouxe s\u00e9rio problema intestinal. Custou mais de uma semana para ser superado. Desidrata\u00e7\u00e3o e, creio, infec\u00e7\u00e3o intestinal. A reuni\u00e3o do Conselho Mission\u00e1rio Provincial realizou-se normalmente sem minha presen\u00e7a no dia 22 de novembro. Melhor assim. Contudo n\u00e3o perdi a viagem a S\u00e3o Paulo: pude relatar a experi\u00eancia da viagem a Angola ao Ministro Provincial. No dia 23, realizou-se no Provincialado o Encontro da Pastoral dos Santu\u00e1rios na Prov\u00edncia, ao qual fora convidado para dar uma assessoria.<\/p>\n<p>Finalizando, poderia dizer que a ida a Angola foi de grande proveito. Em primeiro lugar, pude experimentar <em>in loco<\/em> a realidade da vida cotidiana dos nossos confrades mission\u00e1rios. Segundo, aprendi muita coisa em mat\u00e9ria de vida fraterna, de pobreza e de testemunho, colocando o ser frade menor acima de planos e efici\u00eancia de programas elaborados. Isso ajudar\u00e1 a melhor exercer a fun\u00e7\u00e3o de Secret\u00e1rio da Evangeliza\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria da Prov\u00edncia. Terceiro, percebi como a miss\u00e3o em Angola constitui um grande desafio para quem vai e para toda a Prov\u00edncia. Pairam sobre a miss\u00e3o enormes amea\u00e7as \u00e0 vida. Aquelas amea\u00e7as que est\u00e3o sintetizadas na Ladainha de Todos os Santos: Da peste, fome e guerra livrai-nos, Senhor. Sim, as amea\u00e7as \u00e0 vida que partem da guerra, as amea\u00e7as que partem da falta de alimento, da fome, e as amea\u00e7as que partem das doen\u00e7as, sobretudo, das diversas formas de mal\u00e1ria, chamadas paludismo. Colocaria um quarto desafio: o desafio da incultura\u00e7\u00e3o, que exige o despojamento de muitas coisas, atitudes, m\u00e9todos. S\u00f3 assim formaremos aquela ponte de Cristo para aquele povo a ser evangelizado, na medida em que n\u00f3s nos evangelizarmos.<\/p>\n<p><em>Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1995<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miss\u00e3o de Angola<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":220622,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Frei Alberto fala dos 25 anos da Miss\u00e3o - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/em-cronica-de-1995-frei-alberto-becoiser-narra-a-situacao-da-missao.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Frei Alberto fala dos 25 anos da Miss\u00e3o - 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