{"id":6139,"date":"2011-11-18T18:08:01","date_gmt":"2011-11-18T18:08:01","guid":{"rendered":"http:\/\/new.franciscanos.org.br\/?p=6139"},"modified":"2020-05-15T11:07:53","modified_gmt":"2020-05-15T14:07:53","slug":"entrevista-dom-hilario-moser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/entrevista-dom-hilario-moser.html","title":{"rendered":"Entrevista: Dom Hil\u00e1rio Moser"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" title=\"1229_181111\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/1229_181111.jpg\" alt=\"\" width=\"876\" height=\"400\" \/><\/em><\/p>\n<table width=\"250\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u00a0<em><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" title=\"1230_181111\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/1230_181111.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"406\" \/><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<div align=\"left\"><strong>Dom Hil\u00e1rio Moser<\/strong><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#fffbea\">Catarinense de Rio dos Cedros, Dom Hil\u00e1rio Moser nasceu em 2\/12\/1931. Neste ano completa 52 anos de sacerd\u00f3cio e 22 como bispo. Doutor em Teologia Dogm\u00e1tica pela Pontif\u00edcia Universidade Salesiana de Roma, lecionou por muitos anos no Instituto Teol\u00f3gico Pio XI, em S\u00e3o Paulo. Foi inspetor da Inspetoria Salesiana de S\u00e3o Paulo antes de ser nomeado bispo. Como bispo, foi membro da Comiss\u00e3o Episcopal de Doutrina da CNBB. Tem v\u00e1rios livros publicados, entre os quais &#8220;Caminhando com Maria&#8221; e &#8220;O sacramento do Matrim\u00f4nio: guia pr\u00e1tico em perguntas e respostas&#8221;. Atualmente, Dom Hil\u00e1rio Moser mora na comunidade salesiana de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, que \u00e9 respons\u00e1vel pela Par\u00f3quia Sagrada Fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>20 de novembro de 1988<\/strong><br \/>\nBispo auxiliar da arquidiocese de Olinda e Recife<\/p>\n<p><strong>27 de maio de 1992<br \/>\n<\/strong>Bispo da diocese de Tubar\u00e3o<\/p>\n<p><strong>15 de junho de 2004<\/strong><br \/>\nBispo em\u00e9rito da diocese de Tubar\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>A Catedral Diocesana Nossa Senhora da Piedade, em Tubar\u00e3o (SC), vai testemunhar no pr\u00f3ximo dia 1\u00ba de maio, \u00e0s 16 horas, um momento hist\u00f3rico, quando estar\u00e3o frente a frente o bispo e o coroinha: o bispo \u00e9 Dom Hil\u00e1rio Moser, da Congrega\u00e7\u00e3o dos Salesianos de Dom Bosco, e o coroinha \u00e9 Alvaci Mendes da Luz. Velhos amigos, eles se encontram depois de muitos anos no altar da catedral para a ordena\u00e7\u00e3o presbiteral do agora frade franciscano Frei Alvaci.<\/em><\/p>\n<p><em>Antes deste momento, fomos conhecer um pouco da hist\u00f3ria do bispo ordenante.<\/em><\/p>\n<p><strong>Por Moacir Beggo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Muitos internautas n\u00e3o sabem o que \u00e9 ser bispo em\u00e9rito. O Sr. pode falar sobre isso? <\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio Moser \u2013<\/strong> Em primeiro lugar, penso que ser bispo em\u00e9rito n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o muito agrad\u00e1vel. Entreguei a diocese dois anos antes de completar a idade can\u00f4nica, por motivos de sa\u00fade. A passagem desta fase para a emeritude, se \u00e9 que existe esta palavra, foi para mim muito dif\u00edcil. N\u00e3o por apego ao cargo. Se fosse pelo cargo, eu teria ficado no meu posto at\u00e9 os 75 anos. Veja bem: da noite para o dia, voc\u00ea entrega todas as responsabilidades e sua vida fica vazia de trabalhos espec\u00edficos. Por tr\u00e1s desse acontecimento, \u00e9 como se estivesse escrito: \u201cAgora vire-se&#8230;. V\u00e1 para onde quiser; fa\u00e7a o que quiser\u201d. De repente, voc\u00ea \u00e9 um homem sem trabalho. E habituado a tantos trabalhos ao longo da vida, a tantas responsabilidades,\u00a0 nesse momento, voc\u00ea fica no ar, perdido. A\u00ed aparecem as perguntas: \u201cE agora, o que vou fazer? Para onde vou? Fico na diocese, saio da diocese, volto para a Congrega\u00e7\u00e3o, vou trabalhar numa par\u00f3quia, fico num escrit\u00f3rio?\u201d E assim por diante. Fiquei nove meses numa par\u00f3quia a uns 30 quil\u00f4metros de Tubar\u00e3o, em S\u00e3o Ludgero, mas ali tamb\u00e9m n\u00e3o pude colaborar como seria desej\u00e1vel por causa da sa\u00fade debilitada. N\u00e3o me senti bem e acabei voltando para a minha Congrega\u00e7\u00e3o. Embora seja natural de Santa Catarina, perten\u00e7o \u00e0 Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo. De acordo com o Provincial, fiquei dois anos na Editora Salesiana, na Mooca; em seguida, me transferi para a Casa Provincial; passados mais dois anos, o Provincial me perguntou se estava disposto a vir para S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: aqui estou desde agosto de 2009.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos \u2013 O que faz um bispo em\u00e9rito?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> O que o bispo em\u00e9rito sabe fazer quando a idade chega? De prefer\u00eancia, o que ele fez na juventude. Ora, na juventude, fui sempre professor de teologia dogm\u00e1tica no Instituto Teol\u00f3gico Pio XI, no Alto da Lapa (SP): ali lecionei Teologia por quase 20 anos. Na minha vida, tamb\u00e9m, quase sempre fui formador; at\u00e9 mesmo durante meus tr\u00eas anos e meio de bispo auxiliar de Olinda e Recife, durante dois deles, a pedido do arcebispo, fui reitor do semin\u00e1rio de Teologia. Sendo assim a vida, aqui em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, concretamente, divido o meu tempo entre o escrit\u00f3rio (escrevo, traduzo, mantenho um blog de evangeliza\u00e7\u00e3o), depois ajudo nas confiss\u00f5es, nas missas, em algumas palestras, em uma ou outra crisma c\u00e1 e l\u00e1, e assim por diante. Conclus\u00e3o: para mim, a passagem de bispo diocesano para bispo em\u00e9rito foi dif\u00edcil; demorei a encontrar um caminho que desse sentido concreto \u00e0 minha vida. Creio que isso n\u00e3o aconteceu s\u00f3 comigo; pergunte-se a outros\u00a0 bispos em\u00e9ritos&#8230;<\/p>\n<p><strong>Frei R\u00e9gis &#8211; Nossos bispos tamb\u00e9m dizem o mesmo. Dom Pasc\u00e1sio trabalhou num lepros\u00e1rio.<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Eu comparo o bispo em\u00e9rito a um pai de fam\u00edlia que se aposenta e perde o emprego. Frequentemente, o homem, mais que a mulher, depois de alguns anos, ele parte deste mundo, porque sua vida ficou muito vazia&#8230; O ser humano foi posto no mundo para trabalhar.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Por que o Sr. escolheu ser salesiano?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Para a honra da Ordem Franciscana, bem crian\u00e7a, eu queria ser franciscano.<\/p>\n<p><strong>Frei R\u00e9gis &#8211; O Sr. \u00e9 l\u00e1 de Rodeio (SC), onde existe o Noviciado desta Prov\u00edncia da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> A minha fam\u00edlia \u00e9 de Rodeio. Eu sou o \u00fanico que nasceu em Rio dos Cedros, que fica a 30 quil\u00f4metros dali. Quando, com meus pais, vinha a Rodeio visitar meus tios, via aqueles frades com o h\u00e1bito marrom. Muitas vezes vi o Frei Bruno (Linden) (n\u00e3o sei por que voc\u00eas n\u00e3o o canonizam&#8230;), caminhando ao sol, naquelas estradas cheias de pedras e p\u00f3, com aquela sand\u00e1lia franciscana. Por isso, queria ser franciscano. Mas eu era coroinha na minha par\u00f3quia salesiana e, devagarinho, fui entrando no caminho salesiano, onde Dom Bosco me pegou. Hoje, j\u00e1 faz mais de 60 anos que professei na Congrega\u00e7\u00e3o. Estou muito contente e espero ir at\u00e9 o fim com Dom Bosco. Mas sou muito amigo de S\u00e3o Francisco e de seus frades!<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Como foram os anos no episcopado?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Fui Provincial da Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo e, terminando meu tempo,\u00a0 escrevi ao Superior Geral, pedindo para trabalhar em Angola, porque durante o meu tempo de Provincial &#8211; seis anos &#8211; \u00e9 que os salesianos entraram em Angola. Todo ano eu ia l\u00e1 e me encantei com aquilo. Mas o Reitor-Mor leu a carta e disse: &#8220;Olhe, recebi a sua carta, mas para voc\u00ea tenho outra obedi\u00eancia. Venha para Roma para ser diretor de um Semin\u00e1rio Teol\u00f3gico Internacional de estudantes de Teologia da Congrega\u00e7\u00e3o que frequentam a nossa universidade\u201d. Em 1988, eu j\u00e1 estava no segundo ano de mandato, quando de repente fui nomeado bispo auxiliar de\u00a0 Olinda e Recife. Nunca tinha estado no Recife, nunca tinha visto Dom Jos\u00e9 Cardoso, o arcebispo;\u00a0 acabei indo para l\u00e1, junto com Dom Jo\u00e3o Evangelistas Martins Terra, jesu\u00edta, tamb\u00e9m nomeado para auxiliar do Recife.\u00a0 Fomos ordenados em S\u00e3o Paulo, juntos, e em dezembro de 88 fomos apresentados \u00e0 Igreja local de Olinda e Recife. L\u00e1 fiquei tr\u00eas anos e meio: Vig\u00e1rio geral, Reitor do Semin\u00e1rio, etc. Foi uma experi\u00eancia bastante pesada, at\u00e9 mesmo dolorosa. Em 1992, veio a nomea\u00e7\u00e3o para bispo diocesano de Tubar\u00e3o, onde fiquei 12 anos, de 92 a 2004. Os \u00faltimos tr\u00eas anos foram muito dif\u00edceis; uma s\u00e9rie de problemas delicados que prejudicaram bastante minha sa\u00fade. Pedi um bispo coadjutor, que me foi prometido. Esperei por dois anos, n\u00e3o veio; ent\u00e3o, achei melhor renunciar de vez. o N\u00fancio aceitou.<\/p>\n<p><strong><em><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" title=\"1231_181111\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/1231_181111.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"228\" \/><\/em>Site Franciscanos &#8211; Por que escolheu evangelizar pela internet. Como o sr. lida com as novas m\u00eddias?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Um momentinho. Lidar com as m\u00eddias eu n\u00e3o sei muito. Sei usar o computador para escrever textos, receber e mandar e-mails, pesquisar na internet e&#8230; p\u00e1ra a\u00ed a minha sabedoria. A id\u00e9ia de ter um blog pessoal \u00e9 antiga. Quando comecei a pensar: \u201cO que vou fazer quando for bispo em\u00e9rito?\u201d, j\u00e1 me martelava na cabe\u00e7a a vontade de criar um blog. Dado que sempre lecionei Teologia (nunca me considerei um te\u00f3logo com T mai\u00fasculo, mas um simples catequista, uma coisa assim&#8230;), pensei comigo: \u201cQue tal um blog para evangelizar?\u201d Demorei para tomar a decis\u00e3o, n\u00e3o sabendo bem como alimentar o blog, etc. Entretanto, no segundo semestre do ano passado, com a ajuda de um dos nossos seminaristas da Filosofia, em poucas horas estava montado o blog: a primeira postagem entrou em circula\u00e7\u00e3o no dia 5 de novembro. N\u00e3o se trata de um blog como a maioria dos que conhecemos.\u00a0 Eu quero evangelizar, incentivar a espiritualidade, a vida crist\u00e3. Ent\u00e3o, \u00e9 um blog de pensamento e vida. As postagens s\u00e3o meio longas e procuram seguir certa ordem, de tal modo que, mais ou menos, d\u00ea para formar uma esp\u00e9cie de manual de cunho crist\u00e3o. Estou para terminar esta parte com a pr\u00f3xima postagem. Em seguida espero publicar uma s\u00e9rie de postagens sobre discernimento vocacional, sobretudo para jovens. De vez em quando, publico alguma postagem sobre acontecimentos importantes, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desconhecer. No futuro, vamos ver o que Deus inspira&#8230;<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; O sr. tem o alcance do blog.<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Tenho. Um mapinha me mostra diariamente por onde andam os leitores: um ou outro na Europa, na \u00c1frica, nos Estados Unidos, mas sobretudo no Brasil e na Am\u00e9rica Lastina. Seguidores fixos s\u00e3o cerca de 50; tenho certeza de que aumentar\u00e3o. (Quer acessar meu blog? <a href=\"http:\/\/www.domhilario.blogspot.com\">www.domhilario.blogspot.com<\/a>). Pronto.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Entre os seus livros publicados est\u00e1 um que faz o questionamento: \u201cConc\u00edlio Vaticano II. Voc\u00ea conhece?\u201d Como nasceu e por que este livro?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> N\u00e3o \u00e9 bem um livro. \u00c9 um \u201cpequeno livro\u201d&#8230; Nasceu por ocasi\u00e3o dos 40 anos do Conc\u00edlio Vaticano II. N\u00e3o foi id\u00e9ia minha, mas de Dom Manuel Francisco, bispo de Chapec\u00f3, SC. Ele pediu se eu podia fazer uma s\u00edntese dos documentos do Conc\u00edlio Vaticano II, dado que o grosso volume do texto original s\u00e3o poucos os que t\u00eam acesso a ele. Dom Manuel colaborou com os dois primeiros documentos sintetizados. Parece que teve boa aceita\u00e7\u00e3o, particularmente para padres, seminaristas e leigos que nasceram na \u00faltima parte do s\u00e9culo passado. \u00c9 um trabalho simples, mas tem sua utilidade.<\/p>\n<p><strong>Frei R\u00e9gis &#8211; O Sr. viveu essa transi\u00e7\u00e3o. Poderia fazer uma avalia\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de como viu e viveu este momento?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Eu me ordenei em 1958, dia 15 de agosto, e j\u00e1 em setembro segui para a It\u00e1lia. Fui fazer a Faculdade de Teologia, que naquele tempo era em Turim e s\u00f3 depois passou para Roma.\u00a0 Ali fiz a minha licenciatura e tese em Teologia Dogm\u00e1tica; vim para o Brasil em janeiro de 1962. Foi quando o papa Jo\u00e3o XXIII convocou o Conc\u00edlio Vaticano II. Em 62, comecei a lecionar. Lecionei tr\u00eas anos para o 1\u00ba, em seguida passei a lecionar para as demais classes de Teologia (2\u00ba, 3\u00ba e 4\u00ba ano, juntos). Senti com clareza o golpe do Conc\u00edlio. N\u00e3o se dispunha de informa\u00e7\u00f5es muito detalhadas; os jornais traziam alguma not\u00edcia, nada, por\u00e9m, de concreto. O que mais criou dificuldades foi a mentalidade que, aos poucos, se difundiu de que tudo o que era anterior ao Conc\u00edlio perdera a validade. Todos ficamos meio perdidos e nos questionando se era mesmo assim. Maior seguran\u00e7a surgiu dentro de mim por ocasi\u00e3o da visita do papa Paulo VI a Bogot\u00e1; ap\u00f3s ouvir um seu discurso, pensei comigo: \u201cMas \u00e9 precisamente isto que eu creio e penso\u201d. Por outro lado, do ponto de vista do magist\u00e9rio da Teologia, tive a sorte de receber, por acaso, as apostilas das aulas de um te\u00f3logo salesiano de Li\u00e3o, P. Jos\u00e9 Aubry. Era um homem atualizado e estava em dia com o que o Conc\u00edlio, aos poucos, ia elaborando. Aquelas apostilas, de fundo nitidamente b\u00edblico, bem diferentes dos manuais de Teologia que estavam em uso, foram, digamos, minha \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d como professor. Deram-me muito trabalho, pois tinha que traduzi-las diariamente e mimeograf\u00e1-las pacientemente (n\u00e3o havia ainda o xerox). Para os alunos foi \u00f3timo; pudemos constatar como, dessa forma, consegu\u00edamos estar em sintonia com a Teologia do Conc\u00edlio; evidentemente, na medida em que isso era poss\u00edvel, mas j\u00e1 era um avan\u00e7o. Do ponto de vista da vida religiosa e comunit\u00e1ria, tivemos s\u00e9rias crises no Instituto Pio XI. Com calma, paci\u00eancia e boa dose de sofrimento, conseguimos continuar a navegar, enquanto outros institutos de Teologia e semin\u00e1rios fecharam as portas. Em 75, v\u00e1rios anos ap\u00f3s o Conc\u00edlio, as coisas se tornaram mais serenas. Aqui haveria muitos epis\u00f3dios a contar \u2013 alguns dolorosos at\u00e9 \u2013 mas \u00e9 prefer\u00edvel deixar que os mortos enterrem seus mortos.<\/p>\n<p><strong><em><img loading=\"lazy\" class=\"alignright\" title=\"1232_181111\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/1232_181111.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"168\" \/><\/em>Site Franciscanos &#8211; Sabemos que D. Luciano Mendes foi o bispo concelebrante na sua ordena\u00e7\u00e3o episcopal. O Sr. o conheceu?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Na \u00e9poca, ele era presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos. Pessoalmente, eu o conheci quando ele era provincial dos Jesu\u00edtas. Foi num retiro mensal, sendo eu diretor do Pio XI, e o chamamos para fazer uma palestra para a comunidade. Da\u00ed para frente, sempre tive um certo contato; em seguida, como bispo, mais ainda. Dom Luciano, em primeiro lugar, era um verdadeiro santo; tanto que est\u00e3o pensando em introduzir a causa da beatifica\u00e7\u00e3o.Tinha um cora\u00e7\u00e3o bon\u00edssimo. Era um homem de ora\u00e7\u00e3o. Deve ter sofrido muit\u00edssimo por causa do acidente de carro que o levou a submeter-se a uma d\u00fazia de cirurgias&#8230;Sofreu muito, fez muita penit\u00eancia, por isso. Dom Luciano era conhecido tamb\u00e9m pela acolhida que dava aos pobres. Muito inteligente, tinha grande capacidade de s\u00edntese. Na pr\u00e1tica, em 1992, ele salvou o documento de Santo Domingo (de cuja assembl\u00e9ia participei, at\u00e9 hoje n\u00e3o sei por qual raz\u00e3o). A assembl\u00e9ia parecia n\u00e3o encontrar um caminho de sa\u00edda ap\u00f3s v\u00e1rios dias de tentativas. A salva de palmas que Dom Luciano recebeu ap\u00f3s apresentar seu plano de documento mostrou como ele foi o homem da Provid\u00eancia naquele momento..<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Como o sr. conheceu Frei Alvaci?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio \u2013<\/strong> Conheci o Alvaci na sacristia da catedral de Tubar\u00e3o, vestido de coroinha. (Dom Hil\u00e1rio pergunta para Frei Alvaci: em 92 voc\u00ea j\u00e1 era coroinha? Ele responde: &#8220;Entrei no semin\u00e1rio em 96, creio que sim&#8221;). Se eu soubesse desenhar, faria o desenho dele naquela sacristia. Foi uma grande alegria t\u00ea-lo entre os coroinhas. Depois, foi para o Semin\u00e1rio, mas a voca\u00e7\u00e3o dele era mesmo franciscana. Nunca coloquei dificuldade &#8211; n\u00e3o \u00e9 Alvaci? &#8211; para ir por esse caminho. Depois, sempre o acompanhei, um pouco de longe, mas sempre o acompanhei. Uma vez visitei-o em Rondinha, PR; em Petr\u00f3polis, de longe, acompanhei toda a sua Teologia. Agora, finalmente, est\u00e1 chegando o Presbiterado: feliz ele, feliz eu!.<\/p>\n<p><strong>Frei Alvaci &#8211; Rodeio tamb\u00e9m&#8230;<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Ah sim, estive visitando o Alvaci no noviciado de Rodeio. E, asssim, o acompanhei ao longo de todos esses anos. Como ele sempre disse: &#8220;\u00c9 o senhor quem vai me ordenar&#8221;, aqui estou, gra\u00e7as a Deus, para conferir-lhe o Presbiterato.<\/p>\n<p><strong><em><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" title=\"1233_181111\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/1233_181111.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"214\" \/><\/em>Site Franciscanos &#8211; O sr. ficou feliz com o convite de Frei Alvaci?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio \u2013<\/strong> Muito! N\u00e3o tenho palavras para expressar a alegria de ordenar o Alvaci. Sempre considerei o Alvaci como \u201cum anjo que escorregou de alguma nuvem\u201d. Sempre o vi como um menino de ouro (acredito que ainda o \u00e9). \u00c9 um \u00f3timo religioso e vai fazer um grande bem na vida. Oxal\u00e1 seja o futuro bispo de Tubar\u00e3o!&#8230; (risos)<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Fala-se hoje em \u201ccrise\u201d vocacional na Igreja, sobretudo entre os religiosos. Como o Sr. avalia esta situa\u00e7\u00e3o? \u00c9 real?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Sem d\u00favida esta crise existe. A resposta para explicar esta crise n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o simples. Mas em boa parte, penso, ela se deve a essa ideia que entrou depois do Vaticano II de que tudo estava terminado, &#8220;agora \u00e9 tudo novo&#8221;, assim por diante. Em segundo lugar, um forte influxo da cultura atual. E de maneira particular, acho que falta o testemunho das comunidades religiosas. Eu estou convencido disso. Falar \u00e9 muito bom, rezar tamb\u00e9m \u00e9 important\u00edssimo, mas a vontade de ser religioso surge quando os jovens v\u00eaem os religiosos numa comunidade em que todos se querem bem, que se doam uns aos outros. Nosso Superior Geral fez uma afirma\u00e7\u00e3o que deve ser bem entendida. Ou seja, que nem deveria ser preciso haver uma pastoral vocacional repleta de estruturas, pois as voca\u00e7\u00f5es deveriam brotar das nossas comunidades, s\u00f3 de ver como elas vivem. Ent\u00e3o, tenho a impress\u00e3o de que a vida religiosa baixou um pouco de tom em termos de consagra\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia espiritual: esp\u00edrito religioso, votos, observ\u00e2ncias das regras&#8230; tudo mais ou menos, etc.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Por outro lado, sabe-se que as Novas Comunidades de Vida est\u00e3o substituindo o lugar antes ocupado pelos religiosos e pelos movimentos de Igreja. Para estes, parece que a crise n\u00e3o chegou. Como o Sr. avalia?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Concordo com isso. N\u00e3o concordo com outra quest\u00e3o que algu\u00e9m levantou ao afirmar que as Ordens e Congrega\u00e7\u00f5es est\u00e3o com os dias contados. O Esp\u00edrito Santo est\u00e1 sempre agindo na Igreja e as Ordens antigas e Congrega\u00e7\u00f5es sempre se justificam (desde que procurem viver de forma aut\u00eantica), apesar de passarem por esta dificuldade. Agora, est\u00e3o surgindo, como cogumelos, Novas Comunidades. \u00c9 preciso esperar o tempo para ver a peneirada que o Esp\u00edrito Santo vai fazer. Porque n\u00e3o \u00e9 tudo que estamos vendo que vai permanecer. E depois tamb\u00e9m essas novas comunidades ter\u00e3o as suas crises, porque uma Ordem, uma Congrega\u00e7\u00e3o, depois que morreu o fundador e passados mais ou menos cem anos de exist\u00eancia, facilmente entra em crise; porque tem que se adaptar aos tempos novos, mantendo a continuidade, assim por diante. Na hist\u00f3ria da Igreja, os frades sabem muito bem disso, toda vez que surgiu um movimento ou grupo espiritualista que n\u00e3o quis aceitar as diretrizes dos pastores da Igreja,\u00a0 acabou beirando a heresia ou o cisma. N\u00e3o foi por nada que o Filho se encarnou e entregou toda a sua miss\u00e3o e seus poderes \u00e0 Igreja feita de santos e pecadores. S\u00e3o Francisco sabia disso muito bem.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Comenta-se entre os religiosos que esta crise vocacional n\u00e3o atingiu os Salesianos, ao menos com a mesma intensidade de outras congrega\u00e7\u00f5es e ordens. \u00c9 um fato que o Sr. confirma e h\u00e1 alguma explica\u00e7\u00e3o neste sentido?\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Como todos, n\u00f3s tamb\u00e9m tivemos nossas crises. Falo em termos de Congrega\u00e7\u00e3o. Depois do Conc\u00edlio, a nossa Congrega\u00e7\u00e3o, aos poucos, perdeu um bom n\u00famero, cerca de 5 mil membros. Chegamos a ser 22 mil e hoje somos 17 mil. De certa forma, foi uma purifica\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o, embora tenham sa\u00eddo pessoas das quais n\u00e3o se esperava essa atitude. N\u00e3o estivemos t\u00e3o isentos, portanto.\u00a0 Nesse momento, no Aspirantado, em Piracicaba, temos em torno de 15-20 candidatos (entre aspirantado propriamente dito e proped\u00eautico). Em Lorena, no Pr\u00e9-noviciado, temos tamb\u00e9m entre 15-20; no Noviciado, 6; na Filosofia, 8 e na Teologia, parece-me que 9. Ordenamos, em m\u00e9dia, 2 ou 3 padres por ano, nem sempre, por\u00e9m. Depois, temos o problema dos Irm\u00e3os. \u00c9 uma voca\u00e7\u00e3o religiosa como qualquer outra, mas \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de promover, creio que em boa parte por raz\u00f5es de ordem cultural: no Brasil, ir para o semin\u00e1rio significa ser padre&#8230; Apesar disso temos diversos Irm\u00e3os jovens e tamb\u00e9m candidatos.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Em se tratando de liturgia, como o Sr. v\u00ea as missas que se tornaram \u201cverdadeiros shows\u201d na TV?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Na missa, o padre deve se esconder atr\u00e1s de Cristo. Deve mostrar Cristo, n\u00e3o a si mesmo como \u201cshowman\u201d. Sei que \u00e0s vezes \u00e9 necess\u00e1rio que haja missas multitudin\u00e1rias, mas certas missas me parecem demasiadamente shows, mais do que celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. O modo de falar, de cantar, de celebrar, gesticular&#8230; h\u00e1 tanta apar\u00eancia de vaidade no ar&#8230; N\u00e3o sei&#8230; Eu procuro espelhar-me no Santo Padre, que reza missa com devo\u00e7\u00e3o e recolhimento. Acho que \u00e9 isso que o povo quer ver no padre. Agora, reconhe\u00e7o que as missas precisam ser animadas, fazer o povo participar mais&#8230; Julgo, por\u00e9m, que \u00e9 fundamental fazer com que o povo compreenda, de certa maneira, \u201csinta\u201d a presen\u00e7a de Jesus Cristo que reza conosco. Depois de certas missas em que se ouviu uma m\u00fasica barulhenta, se cantou, gesticulou, bateu palmas n\u00e3o sei quantas vezes, pergunto: houve tempo para interiorizar alguma coisa, interiorizar a palavra? Em todo caso, quero crer que o Esp\u00edrito Santo se sirva at\u00e9 mesmo disso para tocar alguns cora\u00e7\u00f5es. Quem sabe eu seja muito pessimista&#8230;<\/p>\n<p><strong><em><img loading=\"lazy\" class=\"alignright\" title=\"1234_181111\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/1234_181111.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"356\" \/><\/em>Frei R\u00e9gis &#8211; H\u00e1 uma poetisa mineira, Ad\u00e9lia Prado, ligada \u00e0 Ordem Franciscana porque o irm\u00e3o dela era frade e ela \u00e9 da Ordem Franciscana Secular, numa palestra em Aparecida disse que em algumas situa\u00e7\u00f5es depois que sai da missa, ela tem que procurar um lugar para rezar.<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> \u00c9&#8230; J\u00e1 tive que viver experi\u00eancias em que se fez de tudo na missa, menos \u201crezar\u201d&#8230; Quando a celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica se corrompe, abre-se a porta para outros abusos em outros setores importantes da vida da Igreja: observa\u00e7\u00e3o do outrora Cardeal Ratzinger. A crise, \u00e0s vezes, come\u00e7a na liturgia. O padre que se permite fazer isso ou fazer aquilo \u00e0 vontade, depois vai se permitir outras liberdades tamb\u00e9m na moral, na doutrina, na obedi\u00eancia&#8230; Penso que o que anda faltando \u00e9 forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica aut\u00eantica e aprofundamento na espiritualidade. Sem isso, ser\u00e1 dif\u00edcil entender bem o que significa celebrar a Eucaristia.<\/p>\n<p><strong>Frei R\u00e9gis &#8211; \u00c9 o que diz o atual Papa: reduziram a f\u00e9 a uma conveni\u00eancia. Pegam apenas aquilo que interessa.<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Outro dia li um artigo que dizia assim: na liturgia, em vez de centralizar a aten\u00e7\u00e3o na presen\u00e7a de Jesus, que age, que fala, e se d\u00e1 como alimento, \u00e0s vezes, concentra-se sociologicamente a aten\u00e7\u00e3o na comunidade. Sem d\u00favida, o centro deve ser Jesus e a comunidade alimentar-se de sua Palavra e de seu Corpo e Sangue, n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Qual o significado deste momento: a ordena\u00e7\u00e3o presbiteral, t\u00e3o importante para um religioso?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Muito grande e muito bonita. O religioso \u00e9 uma pessoa que se consagrou e se entregou; que se consagrou a Deus e que foi consagrado por Deus. E agora, no momento em que ele recebe o presbiterato, existe um outro tipo de consagra\u00e7\u00e3o. Pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os do bispo e da na ora\u00e7\u00e3o consacrat\u00f3ria, o Esp\u00edrito Santo transforma o cora\u00e7\u00e3o desse religioso consagrado no cora\u00e7\u00e3o do Bom Pastor. Como religioso, j\u00e1 era servo; como presb\u00edtero, adquire essa dimens\u00e3o de servidor segundo o modelo do Bom Pastor, que \u00e9 Jesus. Neste mundo, em termos de consagra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderia haver coisa maior. A vida religiosa \u00e9 o desabrochar do batismo; o sacerd\u00f3cio, o presbiterato \u00e9 um minist\u00e9rio, um servi\u00e7o que o pr\u00f3prio Jesus confia a determinada pessoa para que ela possa servir, anunciar a palavra, santificar, congregar na unidade. Isso \u00e9 o fundamental.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211;\u00a0 Vemos nos seus livros o predom\u00ednio dos temas relacionados \u00e0 catequese. Como est\u00e1 a catequese na Igreja? <\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio \u2013<\/strong> Dizer: na Igreja, eu n\u00e3o saberia bem, mas no nosso Brasil, eu n\u00e3o vejo com um olhar muito otimista. Vejo falta de solidez, uma catequese muito dilu\u00edda, de conte\u00fado fraco. Aumenta cada vez mais a ignor\u00e2ncia religiosa. Verdade que a sociedade, por outros meios, influencia tamb\u00e9m. Isso faz com que essa ignor\u00e2ncia religiosa abra a porta para grupos religiosos de todo tipo, para uma religi\u00e3o barata &#8211; barata que depois custa caro em dinheiro&#8230; Eu acho que a catequese, tanto das crian\u00e7as como dos adultos, deveria ser uma coisa mais s\u00f3lida, consistente. Acrescento que nas par\u00f3quias est\u00e1 havendo uma multiplicidade um pouco exagerada de pastorais. Julgo que se deveria dar prioridade \u00e0s crian\u00e7as, aos jovens, \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 catequese e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes leigos: seria fundamental investir nesse leque de iniciativas, do contr\u00e1rio dispersam-se muito as for\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Quantos livros o Sr. tem publicado?<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> N\u00e3o chame de livros, s\u00e3o op\u00fasculos. Eu publiquei no passado um, que estou refazendo agora para uma nova edi\u00e7\u00e3o: &#8220;Caminhando com Maria&#8221;, de espiritualidade mariana. Depois vieram outros: sobre o Vaticano II; os Sacramentos, em perguntas e respostas; os Mandamentos, tamb\u00e9m em perguntas e respostas; o Matrim\u00f4nio, com uma introdu\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e depois a parte jur\u00eddica, para ajudar os p\u00e1rocos a elaborar o processo matrimonial. E alguma coisa mais. Coisa pouca e pequena. J\u00e1 disse que n\u00e3o sou te\u00f3logo com T mai\u00fasculo.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos &#8211; Por \u00faltimo, gostar\u00edamos que deixasse uma mensagem vocacional.<\/strong><br \/>\n<strong>Dom Hil\u00e1rio &#8211;<\/strong> Sobre voca\u00e7\u00e3o, resumiria quase tudo naquelas palavras de Paulo VI, ao dizer que, no campo vocacional \u00e9 fundamental rezar, convidar e acompanhar. Em termos de pastoral vocacional, Jesus fez tudo isso. Rezou, convidou os ap\u00f3stolos e os acompanhou na forma\u00e7\u00e3o; e mandou rezar pelas voca\u00e7\u00f5es. Eu acrescentaria ainda: um discernimento muito apurado. Todos esses esc\u00e2ndalos de que se fala no momento, muitos deles s\u00e3o certamente fruto de um discernimento falho e de uma forma\u00e7\u00e3o que deixou a desejar. Finalmente, dou import\u00e2ncia fundamental, quando se trata de religiosos, ao testemunho da comunidade religiosa. \u00c9 muito importante tamb\u00e9m, de modo geral (h\u00e1 bel\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es), que as voca\u00e7\u00f5es brotem da conviv\u00eancia em uma comunidade crist\u00e3. O Esp\u00edrito Santo pode servir-se tamb\u00e9m de outras iniciativas, claro. Julgo, por\u00e9m, que \u00e9 fundamental a pessoa estar inserida na sua comunidade, em algum trabalho pastoral, catequese, trabalho social, seja l\u00e1 o que for. Assim, o jovem \u00e9 conhecido, \u00e9 acompanhado, e d\u00e1 mais seguran\u00e7a \u00e0queles que devem form\u00e1-lo. Penso que esses pontos que mencionei s\u00e3o realmente importantes. Valem para os religiosos e tamb\u00e9m para o clero diocesano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":223784,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[758],"tags":[29,877],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Entrevista: Dom Hil\u00e1rio Moser - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/entrevista-dom-hilario-moser.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Entrevista: Dom Hil\u00e1rio Moser - Not\u00edcias - Franciscanos\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Entrevista\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/entrevista-dom-hilario-moser.html\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Not\u00edcias - 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