{"id":244903,"date":"2023-09-29T10:42:27","date_gmt":"2023-09-29T13:42:27","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=244903"},"modified":"2023-10-02T08:31:00","modified_gmt":"2023-10-02T11:31:00","slug":"marco-bartoli-explica-se-e-possivel-um-texto-escrito-ha-800-anos-ser-valido-ainda-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/marco-bartoli-explica-se-e-possivel-um-texto-escrito-ha-800-anos-ser-valido-ainda-hoje.html","title":{"rendered":"Marco Bartoli explica &#8220;se \u00e9 poss\u00edvel um texto escrito h\u00e1 800 anos ser v\u00e1lido ainda hoje&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-244904\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/bartoli_29.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/bartoli_29.jpg 1280w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/bartoli_29-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/bartoli_29-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/bartoli_29-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/bartoli_29-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>Um dos maiores especialistas na vida e obra de S\u00e3o Francisco e Santa Clara de Assis, o historiador Marco Bartoli foi o convidado do quarto dia (28\/9) da Semana Franciscana, evento on-line, sempre \u00e0s 20 horas. Ele foi convidado para falar do tema: &#8220;Celebrar os 800 anos da Regra: o que ela nos diz hoje?&#8221;, ele que esteve recentemente no Brasil para uma s\u00e9rie de eventos da Fam\u00edlia Franciscana e da Editora Vozes,<\/p>\n<p>Frei Gilberto da Silva, professor do Instituto Teol\u00f3gico Franciscano (ITF), foi o mediador do encontro e falou da alegria de rever seu professor Marco Bartoli. &#8220;Ele\u00a0 ensina com amor, com sabedoria. \u00c9 refer\u00eancia nos estudos da vida e santidade de Santa Clara&#8221;, disse Frei Gilberto. Segundo ele, Marco Bartoli \u00e9 professor de Hist\u00f3ria Medieval na Livre Universidade de Maria Sant\u00edssima Assunta (Lumsa), em Roma, e de hist\u00f3ria do franciscanismo na Pontif\u00edcia Universidade Antonianum, al\u00e9m de citar algumas de suas sobras impressas. Ele \u00e9 membro do conselho diretivo da Sociedade Internacional de Estudos Franciscanos de Assis e do Comit\u00ea para a Edi\u00e7\u00e3o Nacional das Fontes Franciscanas.<\/p>\n<p>Frei Sandro Roberto da Costa, reitor do ITF, lembrou que esta Semana \u00e9 promovida pela Editora Vozes, Instituto Teol\u00f3gico Franciscano (ITF), Prov\u00edncia Franciscana da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, Confer\u00eancia da Fam\u00edlia Franciscana do Brasil (CFFB), a Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (ESTEF) e Universidade S\u00e3o Francisco (USF).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>A seguir, a \u00edntegra da palestra:\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>A pergunta que me foi dada para mim nesta noite \u00e9 &#8216;Celebrar os 800 anos da Regra: o que ela nos diz hoje?&#8217;. A refer\u00eancia, com certeza, \u00e9 o dia 29 de novembro 1223 quando a Regra dos Frades Menores foi aprovada pelo Papa. Mas a pergunta nesse sentido \u00e9 esta: &#8220;\u00c9 poss\u00edvel que um texto escrito h\u00e1 800 anos seja v\u00e1lido ainda hoje?&#8221;<\/p>\n<p>A pergunta que fazemos est\u00e1 atr\u00e1s de todas as perguntas:\u00a0 &#8220;Esta Regra reflete e comunica o esp\u00edrito &#8211; e aqui entendemos como esp\u00edrito a finalidade, o prop\u00f3sito, a inten\u00e7\u00e3o \u00edntima de Francisco?&#8217;. A resposta a esta pergunta, com certeza, \u00e9 a Regra que chamamos Bulada, que reflete a inten\u00e7\u00e3o de Francisco. Mas para perceber melhor a inten\u00e7\u00e3o de Francisco, \u00e9 \u00fatil considerar as etapas geradoras do texto da Regra.<\/p>\n<p>Por isso, eu acho importante que voltemos l\u00e1 nos in\u00edcios da Regra, porque podemos pensar que toda a vida de Francisco foi a procura de uma Regra para viver com os seus frades.<\/p>\n<p>Lembramos brevemente, o primeiro passo dado, o prop\u00f3sito, aquele que em latim dizemos <em>Propositum<\/em>, apresentado a Inoc\u00eancio III em 1209.<\/p>\n<p>A segunda etapa, aquela que n\u00f3s chamamos de Regra n\u00e3o Bulada, que foi escrita ao longo dos anos a partir de 1209 at\u00e9 1221, mas n\u00e3o foi aprovada pelo Papa.<\/p>\n<p>O terceiro passo \u00e9 a Regra de 1223, que estamos celebrando neste ano. \u00c9 o pr\u00f3prio Francisco, no seu Testamento, que nos d\u00e1 consci\u00eancia dos in\u00edcios deste processo, quando escreve: &#8220;Depois que o Senhor me deu irm\u00e3os, ningu\u00e9m me mostrou o que deveria fazer, mas o Alt\u00edssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do Santo Evangelho. Eu fiz escrever com poucas palavras e de modo simples e o senhor Papa me confirmou&#8221;.<\/p>\n<p>O ponto de partida \u00e9 constitu\u00eddo pelas poucas palavras que Francisco escreveu e o Papa confirmou. Pelas fontes hagiogr\u00e1ficas, n\u00f3s sabemos bem que em 1209, quando eram apenas 12 frades, Francisco foi a Roma e teve um encontro com o Papa Inoc\u00eancio. Sabemos tamb\u00e9m que o Papa n\u00e3o deu uma confirma\u00e7\u00e3o escrita, ao prop\u00f3sito apresentado pelo Pobre de Assis,\u00a0 mas apenas uma aprova\u00e7\u00e3o, ou seja uma b\u00ean\u00e7\u00e3o em forma oral.<\/p>\n<p>Durante muito tempo acreditou-se que este prop\u00f3sito original se tinha perdido. Nos \u00faltimos anos, a pesquisa filol\u00f3gica que acompanhou as edi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas da Regra n\u00e3o Bulada, aquelas do Pe. Caetano Esser, e destacou com o texto da Regra n\u00e3o Bulada, \u00e9 um produto de longo prazo. \u00c9 um processo editorial que parte precisamente do prop\u00f3sito primitivo e chega at\u00e9 1221. Mas podemos ler o pr\u00f3logo e o primeiro cap\u00edtulo da Regra n\u00e3o Bulada para perceber bem que estas palavras s\u00e3o as mesmas palavras do <em>Propositum<\/em> primitivo.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00f3logo: <\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>1 Em nome do Pai, e do Filho, e do Esp\u00edrito Santo. Am\u00e9m.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>2 Esta \u00e9 a vida do Evangelho de Jesus Cristo, que Frei Francisco pediu ao Senhor Papa Inoc\u00eancio lhe concedesse e aprovasse; 3 e o Senhor Papa lha concedeu e aprovou para ele e seus Irm\u00e3os presentes e vindouros.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>4 Frei Francisco, e quem for superior desta Ordem, prometa obedi\u00eancia e filial, respeito ao Senhor Papa Inoc\u00eancio e seus sucessores. 5 E todos os outros Irm\u00e3os sejam obrigados a obedecer a Frei Francisco e a seus sucessores.<\/em><\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO I<\/strong><\/p>\n<p><strong>QUE OS IRM\u00c3OS VIVAM EM OBEDI\u00caNCIA SEM PROPRIEDADE E EM CASTIDADE<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>1 A Regra e a vida destes irm\u00e3os \u00e9 esta: viver em obedi\u00eancia, em castidade e sem propriedade; 2 e seguir a doutrina e as pegadas de Nosso Senhor Jesus Cristo, que diz: 3 &#8220;Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens d\u00e1-o aos pobres e ter\u00e1s um tesouro nos c\u00e9us, e vem e segue-me&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>4 E: &#8220;Quem quiser vir ap\u00f3s mim renuncie a si mesmo e tome a sua cruz e siga-me&#8221;. 5 E ainda: &#8220;Se algu\u00e9m quiser vir a mim e tiver mais amor ao pai e \u00e0 M\u00e3e, \u00e0 mulher, aos filhos, aos irm\u00e3os, \u00e0s irm\u00e3s e mesmo \u00e0 pr\u00f3pria vida, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo&#8221;. 6 E: \u201cTodo aquele que deixar pai ou M\u00e3e, irm\u00e3os ou irm\u00e3s, mulher ou filhos, casas e campos, por amor de mim receber\u00e1 o c\u00eantuplo e possuir\u00e1 a vida eterna&#8221; (Mt 19 21; 16,24; Lc 14,26; Mt 19,29).<\/em><\/p>\n<p><strong>Duas observa\u00e7\u00f5es: <\/strong><\/p>\n<p>Primeira, n\u00e3o h\u00e1 aqui o nome de Frades Menores, mas apenas Regra \u00e9 a vida dessses irm\u00e3os \u00e9 esta. O texto remonta a uma \u00e9poca em que o nome ainda n\u00e3o havia sido escolhido.<\/p>\n<p>Segunda observa\u00e7\u00e3o: As passagens citadas no primeiro Cap\u00edtulo correspondem \u00e0quelas que as fontes hagiogr\u00e1ficas citam tr\u00eas vezes no epis\u00f3dio da abertura do Evangelho. Ap\u00f3s a chegada dos primeiros frades \u00e9 prov\u00e1vel que essas cita\u00e7\u00f5es j\u00e1 estivessem na proposta apresentada ao Papa em 1209. Ent\u00e3o, a pergunta de hoje \u00e9 &#8220;como delinear, perceber, como entender bem, o esp\u00edrito, a inten\u00e7\u00e3o de Francisco?&#8221;<\/p>\n<p>A proposta que fa\u00e7o \u00e9 de reler o cap\u00edtulo 14 da Regra n\u00e3o Bulada, porque este Cap\u00edtulo, provavelmente, faz parte do primeiro <em>Propositum.<\/em> Estamos justamente nos in\u00edcios deste processo que acabou sendo a Regra.<\/p>\n<p>Este cap\u00edtulo n\u00e3o tem atra\u00eddo muita aten\u00e7\u00e3o acad\u00eamica nos \u00faltimos tempos. No entanto, escreveu David Flav: O cap\u00edtulo 14\u00ba pertencia ao texto original que levar\u00e1 a Regra n\u00e3o Bulada em sua formula\u00e7\u00e3o de 1221. O Cap\u00edtulo 14\u00ba representa a primeira forma que o movimento irrompeu no mundo trazendo sua feliz surpresa humana.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em><strong>CAP\u00cdTULO 14 &#8211; COMO OS IRM\u00c3OS DEVEM IR PELO MUNDO <\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>1 Quando os irm\u00e3os andarem pelo mundo, nada levem consigo para a viagem, &#8220;nem bolsa, nem alforje, nem p\u00e3o, nem dinheiro, nem bast\u00e3o&#8221; (Lc 9,3).<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>2 E &#8220;ao entrarem numa casa, digam primeiro: A paz esteja nesta casa.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>3 E, ficando nessa casa, comam e bebam do que aquela gente tiver&#8221; (Lc 10,5-7).<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>4 N\u00e3o resistam ao malvado (cf. Mt 5,39), mas antes, se algu\u00e9m lhes der numa face, apresentem-lhe tamb\u00e9m a outra; 5 e a quem lhes roubar o manto, n\u00e3o lhe neguem tamb\u00e9m a t\u00fanica. 6 D\u00eaem a quem lhes pedir. Se algu\u00e9m tirar o que \u00e9 deles, n\u00e3o o reclamem (cf. Lc 6,29-30).<\/em><\/p>\n<p>Algumas caracter\u00edsticas deste cap\u00edtulo imediatamente chamam a aten\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar, todas as palavras s\u00e3o tiradas de cita\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas, exceto duas primeiras palavras: quando os irm\u00e3os, quando os frades. Esta introdu\u00e7\u00e3o &#8211; quando os irm\u00e3os &#8211; \u00e9 em si muito significativa porque explica o significado de todo o resto. Quando os irm\u00e3os se encontrarem vivendo a condi\u00e7\u00e3o descrita nas Palavras do Evangelho, devem viver assim. Portanto, \u00e9 particularmente importante estudar quais s\u00e3o as passagens do Evangelho citadas e como elas foram estruturadas e articuladas entre si.<\/p>\n<p>A primeira cita\u00e7\u00e3o \u00e9 tirada do Evangelho de Marcos: &#8216;Ide pelo mundo&#8217;. Francisco encontra esse convite para levar a vida que n\u00e3o se limita a um espa\u00e7o confinado como um mosteiro, como uma casa paroquial, mas uma vida itinerante. \u00c9 uma das intui\u00e7\u00f5es fundamentais do Pobrezinho de Assis, da qual ele volta a falar no cap\u00edtulo seguinte da Regra n\u00e3o Bulada, quando fala &#8216;os frades que ir\u00e3o no mundo ou v\u00e3o ficar nos lugares&#8217;. Para Francisco, portanto, havia duas formas de conviv\u00eancia. Uma para quem vivia nos lugares e outra para quem dava volta no mundo. O problema que surgiu para o primeiro grupo de penitentes reunidos ao redor de Francisco decorreu do fato de que nenhuma Regra aprovada pela Igreja at\u00e9 l\u00e1 previa uma vida itinerante. Como deveriam viver penitentes ansiosos para levar o s\u00e9rio convite contido na \u00faltima p\u00e1gina do Evangelho de Marcos?<\/p>\n<p>A resposta contida no mesmo cap\u00edtulo da Regra \u00e9: quando os frades sa\u00edrem pelo mundo dever\u00e3o seguir as indica\u00e7\u00f5es dadas pelo pr\u00f3prio Jeus, quando enviou seus primeiros disc\u00edpulos pelo mundo.<\/p>\n<p>Com efeito, as passagens citadas imediatamente a seguir ser\u00e3o sobretudo do cap\u00edtulo 9 e 10 do Evangelho de Lucas. Ou seja, as palavras do envio dos doze e depois dos 72 disc\u00edpulos em miss\u00e3o. Aqui percebemos a d\u00favida que permanecer\u00e1 nas palavras do Testamento de Francisco: &#8220;Depois que o Senhor me deu irm\u00e3os, ningu\u00e9m me mostrava o que fazer, mas o Alt\u00edssimo me revelou que deveria viver segundo a forma do Santo Evangelho&#8221;.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo 14 da Regra N\u00e3o Bulada seria nesta hip\u00f3tese um testemunho completo do que significava para Francisco viver segundo a forma do Santo Evangelho. Antes de entrar na an\u00e1lise das passagens evang\u00e9licas citadas, \u00e9 preciso falar do texto evang\u00e9lico conhecido por Francisco.<\/p>\n<p>Como se sabe, ele n\u00e3o tinha \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o um c\u00f3dice contendo os quatro evangelhos na \u00edntegra. N\u00e3o tinha uma B\u00edblia como n\u00f3s temos hoje. N\u00e3o existia. Nos \u00faltimos anos da vida, ele obteve um c\u00f3dice hoje guardado no Protomonast\u00e9rio de Santa Clara, em Assis, no qual al\u00e9m do brevi\u00e1rio, livro para liturgia das horas, existe um Evangeli\u00e1rio, ou seja uma cole\u00e7\u00e3o de passagens evang\u00e9licas de acordo com seu uso lit\u00fargico.<\/p>\n<p>O seu 14\u00ba cap\u00edtulo pertenceu ao primeiro n\u00facleo da Regra, foi elaborado antes da aquisi\u00e7\u00e3o deste Brevi\u00e1rio. Mas n\u00f3s podemos perguntar: de qual c\u00f3digo b\u00edblico foram feitas as cita\u00e7\u00f5es do 14\u00ba cap\u00edtulo da Regra n\u00e3o Bulada?<\/p>\n<p>Algum especialista levantou a hip\u00f3tese do uso de uma harmonia evang\u00e9lica. O que \u00e9 uma harmonia evang\u00e9lica? \u00c9 uma colagem de cita\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas que teria sido retomada pelo santo. Uma colagem j\u00e1 embalada para este fim. Esta hip\u00f3tese permanece interessante para todos os op\u00fasculos em geral, mas n\u00e3o parece se aplicar neste caso do 14\u00ba cap\u00edtulo da Regra n\u00e3o Bulada, pela simples raz\u00e3o que n\u00e3o encontrou nenhum, ao meu conhecimento, que harmoniza e continha as mesmas cita\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas propostas na mesma ordem do cap\u00edtulo da Regra do qual estamos falando.<\/p>\n<p>No estado atual do conhecimento permanece a hip\u00f3tese mais convincente de que o verdadeiro autor da colagem evang\u00e9lica foi o pr\u00f3prio Francisco.<\/p>\n<p>Neste sentido parece relevante o fato de todas as passagens citadas tamb\u00e9m se encontrarem no evangeli\u00e1rio, contida no brevi\u00e1rio, n\u00e3o tanto para provar uma depend\u00eancia direta, dif\u00edcil como j\u00e1 foi dito, por raz\u00f5es cronol\u00f3gicas, mas porque o evangeli\u00e1rio \u00e9 um testemunho privilegiado do uso lit\u00fargico do tempo de Francisco.<\/p>\n<p>Sabemos, portanto, que o santo pode ter ouvido que estas passagens evang\u00e9licas, v\u00e1rias vezes ao longo de sua vida e Tom\u00e1s de Celano no seu memorial, afirma que Francisco de vez em quando lia nos livros sagrados e gravava indelevelmente no cora\u00e7\u00e3o o que uma vez havia colocado na alma. Para ele, a mem\u00f3ria ocupava o lugar dos livros, porque o seu ouvido, mesmo uma vez, captava com certeza e meditava com aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, n\u00e3o podemos duvidar desta afirma\u00e7\u00e3o do bi\u00f3grafo que Francisco tinha uma mem\u00f3ria extraordin\u00e1ria. Ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que o pr\u00f3prio Francisco, tendo ouvido \u00a0e memorizado os trechos do Evangelho, em diversos momentos e na hora de responder a pergunta &#8216;como devem viver os frades quando v\u00e3o para o mundo&#8217;, por inspira\u00e7\u00e3o divina, ele tinha lembrado de cinco passagens evang\u00e9licas e as teria trabalhado para formar este cap\u00edtulo.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os conte\u00fados deste cap\u00edtulo? Em primeiro lugar, abordo o modo de vida quando saem pelo mundo A primeira coisa que os caracterizar\u00e1 \u00e9 a pobreza; o segundo \u00e9 a sauda\u00e7\u00e3o da paz; e o terceiro a supera\u00e7\u00e3o de todas as disposi\u00e7\u00f5es relativas ao jejum; e finalmente a n\u00e3o-viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Uma observa\u00e7\u00e3o que se pode fazer \u00e0quilo que n\u00e3o est\u00e1 dentro deste cap\u00edtulo? N\u00e3o est\u00e1 a prega\u00e7\u00e3o. Os frades ir\u00e3o pelo mundo n\u00e3o para pregar, mas simplesmente para viver o Evangelho. Esta observa\u00e7\u00e3o se encaixa no car\u00e1ter da fraternidade primitiva, composta em grande parte por leigos, penitentes. E o papa s\u00f3 havia permitido exortar a penit\u00eancia e n\u00e3o pregar o Evangelho. Para Francisco, o Evangelho deve ser vivido, por isso ele n\u00e3o acrescenta as suas pr\u00f3prias palavras. Para ele, trata-se de colocar em pr\u00e1tica as indica\u00e7\u00f5es dadas por Jesus aos seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 uma grande diferen\u00e7a das outras experi\u00eancias no mesmo per\u00edodo. De fato, S\u00e3o Domingos tamb\u00e9m tinha o desejo de ir para todo mundo, pois seu objetivo principal era de pregar o Evangelho a todos os povos. Francisco, ao contr\u00e1rio, convida seus frades, nestas poucas linhas, simplesmente a viver de acordo com a forma, isto \u00e9 o modelo.<\/p>\n<p>S\u00e3o anota\u00e7\u00f5es de grande import\u00e2ncia aos quais Francisco permaneceu pessoalmente fiel ao longo de sua vida. A pobreza \u00e9 caracter\u00edstica dos sem-teto, dos sem abrigo, daqueles que viviam e vivem ainda hoje na rua.<\/p>\n<p>Na mesma Regra n\u00e3o Bulada, no cap\u00edtulo 9\u00ba, Francisco recomendou a si mesmo e a seus confrades: os frades devem alegrar-se quando virem nas ruas pobres, fracos, enfermos, leprosos. O motivo da alegria \u00e9 que Jesus tamb\u00e9m escolheu viver na rua como observou Greg\u00f3rio Magno, o papa Greg\u00f3rio I. Segundo o ditado evang\u00e9lico, os frades dever\u00e3o viver na rua, sem saco para dormir, dinheiro e p\u00e3o, ou seja sem qualquer garantia. No entanto, estes pobres, pobres homens, ter\u00e3o uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para levar aos outros, um desejo de paz. Em qualquer casa que entrarem digam primeiro: &#8220;Paz a esta casa&#8221;.<\/p>\n<p>No seu Testamento, Francisco atribuiu \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o divina a ideia de usar a sauda\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica de Paz na vida cotidiana na rua.<\/p>\n<p>Todas as fontes hagiogr\u00e1ficas confirmam que Francisco usou esta sauda\u00e7\u00e3o ao longo de toda a sua vida. Como se diz no An\u00f4nimo Perusino: &#8216;Quando entrarem dentro de uma cidade, de um castelo, ou numa casa, anunciem a paz&#8217;.<\/p>\n<p>As disposi\u00e7\u00f5es seguintes s\u00e3o tiradas do texto evang\u00e9lico, neste caso Lucas 10, mas s\u00e3o tamb\u00e9m fruto da experi\u00eancia direta dos primeiros companheiros. Para os que vivem \u00e0 beira do caminho e se alimentam com o trabalho de suas m\u00e3os, ou com as esmolas que recebem, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel seguir uma Regra r\u00edgida. No pr\u00f3prio cap\u00edtulo 3\u00ba, na disposi\u00e7\u00e3o relativa ao jejum, que surpreendentemente repete o que foi dito no 14\u00ba cap\u00edtulo. Da mesma forma, os frades todos jejuem da Festa de todos os Santos at\u00e9 o Natal e da Epifania at\u00e9 a P\u00e1scoa. Em outro ponto, exceto \u00e0s sextas-feiras, n\u00e3o s\u00e3o obrigados a jejuar de acordo com a Regra de vida e seguindo o Evangelho \u00e9 l\u00edcito comer todos os alimentos que lhe s\u00e3o apresentados. O convite para comer todos os alimentos que s\u00e3o lhe apresentados tem outro motivo. A vida na rua \u00e9 uma vida de relacionamentos, de depend\u00eancias uns dos outros. Uma vida de dar e de receber. Os frades devem ter medo de pedir e devem estar prontos para aceitar o que lhes \u00e9 oferecido.<\/p>\n<p>A quarta indica\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo 14\u00ba retoma o tema da paz (Lucas 10 e 6 e Mateus 5).<\/p>\n<p>Aqui, Francisco parece querer enfatizar que a paz evang\u00e9lica n\u00e3o \u00e9 apenas uma sauda\u00e7\u00e3o, um desejo, uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, a ser invocada sobre a vida dos outros. Isso tamb\u00e9m \u00e9 certo, porque a paz \u00e9 um dom de Deus. Mas \u00e9 tamb\u00e9m uma atitude pessoal diante do mal. O convite evang\u00e9lico n\u00e3o \u00e9 para se opor aos \u00edmpios. A raz\u00e3o desta atitude \u00e9 que s\u00f3 renunciando \u00e0 vingan\u00e7a, ao ressentimento, ao desejo de vingan\u00e7a, mesmo quando este parece leg\u00edtimo, pode ser quebrada a espiral de viol\u00eancia que gera conflitos cada vez maiores. Francisco fez desta escolha o selo da sua vida.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica de Francisco \u00e9 a op\u00e7\u00e3o de um cristianismo desarmado, que n\u00e3o responde ao mal com o mal, porque sabe que a mansid\u00e3o tem uma for\u00e7a. A for\u00e7a de desarmar at\u00e9 os \u00edmpios. Esta escolha foi totalmente contra a mar\u00e9 e num mundo em que o uso da for\u00e7a contra os inimigos da f\u00e9 parecia ser totalmente leg\u00edtimo.<\/p>\n<p>Muitos s\u00e9culos depois, o n\u00e3o-crist\u00e3o como Mahatma Gandhi compreender\u00e1 o valor dessa escolha desarmada, que depois dele tomar\u00e1 o nome de n\u00e3o-viol\u00eancia. \u00c9 claro que Francisco n\u00e3o pode ser chamado de n\u00e3o-violento no sentido moderno do termo, no entanto ele havia compreendido profundamente aquela mansid\u00e3o evang\u00e9lica que \u00e9 a premissa da n\u00e3o-viol\u00eancia moderna.<\/p>\n<p>A esse respeito n\u00e3o posso deixar de mencionar o Pe. Andrea Santoro, morto na Turquia anos atr\u00e1s, ao qual citando S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo disse: &#8220;Cristo alimenta cordeiros, n\u00e3o lobos. Se n\u00f3s tornamos cordeiros, venceremos, se tornamos lobos, perderemos&#8221;. Francisco n\u00e3o quer indicar o caminho da passividade, da ren\u00fancia, mas o caminho da vit\u00f3ria do bem sobre o mal. Se n\u00f3s tornamos cordeiros, venceremos.<\/p>\n<p>Esta compreens\u00e3o do Evangelho nos ajuda. O cristianismo desarmado \u00e9 mais forte que as armas dos violentos. Assim deviam viver aqueles penitentes com base na exorta\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica por todo o mundo.<\/p>\n<p>Como mendigos pelo caminho, deviam se aproximar dos outros sem medo, dando e recebendo, desejando a paz para todos. E caso encontrassem obst\u00e1culos, n\u00e3o deveriam se colocar contra ningu\u00e9m, mas ensinar com sua mansid\u00e3o o caminho da paz.<\/p>\n<p>Se esse Evangelho orientava Francisco oito s\u00e9culos atr\u00e1s, ainda hoje tem algo para dizer a n\u00f3s. Em primeiro lugar, o Evangelho n\u00e3o \u00e9 uma mensagem dif\u00edcil para perceber. Pelo contr\u00e1rio, o convite para sair \u00e0s ruas para anunciar a paz parece responder \u00e0 sede de paz dos homens e mulheres do nosso tempo. Mas para proclamar a paz \u00e9 preciso viver a paz. Para que esse an\u00fancio seja acolhido, \u00e9 necess\u00e1rio que quem o fa\u00e7a seja cred\u00edvel, ou seja, que a sua vida corresponda \u00e0s palavras do Evangelho.<\/p>\n<p>Surge aqui outra pergunta: Ainda estamos em tempo de nos tornarmos homens e mulheres evang\u00e9licos? J\u00e1 n\u00e3o estamos velhos demais, cansados demais para voltar \u00e0 estrada, conscientes demais do nosso car\u00e1ter para acreditar que ainda podemos mudar? N\u00e3o h\u00e1 \u00e9poca da vida mais indicada para viver o Evangelho. Voc\u00ea pode experiment\u00e1-lo como uma crian\u00e7a, como um jovem, como um adulto, at\u00e9 mesmo um idoso, porque Francisco acreditava, e n\u00f3s tamb\u00e9m podemos acreditar tamb\u00e9m, que quem vive o Evangelho muda o mundo. Na pr\u00f3pria experi\u00eancia de Francisco podemos ver claramente ou precisamente nos \u00faltimos anos &#8211; aqueles anos em que sua vida j\u00e1 foi marcada pela doen\u00e7a, pela cegueira, pela fraqueza &#8211; que ele viveu as coisas mais importantes: aprova\u00e7\u00e3o da Regra, o Natal de Greccio, a experi\u00eancia de La Verna, a reda\u00e7\u00e3o do C\u00e2ntico das Criaturas, a morte rodeada de frades. Para quem d\u00e1 a vida como o Evangelho, tamb\u00e9m a fraqueza pode ser um dom do qual se manifesta a for\u00e7a do amor de Deus.<\/p>\n<p>Uma \u00faltima observa\u00e7\u00e3o. O Evangelho diz que o Senhor enviou dois a dois \u00e0 sua frente. Como se sabe, Francisco tamb\u00e9m retomou essa disposi\u00e7\u00e3o como testemunha a &#8220;Vida Primeira&#8221; de Tom\u00e1s de Celano. Francisco convocou todos os irm\u00e3os, dividiu dois a dois pelas quatro partes do mundo, e disse: &#8220;Ide, car\u00edssimos, dois a dois, por todas as partes do mundo anunciando aos homens a paz e a penit\u00eancia para remiss\u00e3o dos pecados. Sede pacientes na tribula\u00e7\u00e3o, confiando que o Senhor vai cumprir o que prop\u00f4s e prometeu. Aos que vos fizerem perguntas, respondei com humildade; aos que vos perseguirem e caluniarem, agradecei porque atrav\u00e9s disso est\u00e1 para todos n\u00f3s sendo preparado o Reino eterno&#8221;. Pelas ruas do mundo, os frades s\u00e3o chamados a ir dois a dois. A fraternidade n\u00e3o \u00e9 um estilo de vida, mas \u00e9 um conte\u00fado do testemunho crist\u00e3o. Num mundo dilacerado, amedrontado, os frades ter\u00e3o que dar testemunho de paz e de fraternidade. Ou melhor, semear paz e fraternidade em todos lugares como testemunhos de sua vida.<\/p>\n<hr \/>\n<p>No final, <strong>um depoimento \u00a0de Frei Gilberto da Silva<\/strong> coroando este momento: &#8220;O professor Marco Bartoli acentua cinco passagens evang\u00e9licas que v\u00e3o permeando a vida e a experi\u00eancia de Francisco de Assis. Essas cinco passagens d\u00e3o a tonalidade do que vem a ser a experi\u00eancia tamb\u00e9m para os frades, as irm\u00e3s Clarissas, os irm\u00e3os da Ordem Franciscana Secular e os simpatizantes de S\u00e3o Francisco. Ent\u00e3o, a Regra, sobretudo este cap\u00edtulo que ele abordou hoje, traz a disposi\u00e7\u00e3o do despojamento, da pobreza. Ent\u00e3o, as passagens v\u00e3o sendo costuradas, colocadas de um modo muito carinhoso porque s\u00e3o experi\u00eancias vividas por S\u00e3o Francisco. E a pobreza vai abra\u00e7ar todo o carisma franciscano. A pobreza e paz. Francisco vai ter que romper com o jejum, para deixar o frade livre. Que os franciscanos devem ir para o mundo para viver o Evangelho&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semana Franciscana 2023<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":244904,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[758,1],"tags":[1907],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Marco Bartoli explica &quot;se \u00e9 poss\u00edvel um texto escrito h\u00e1 800 anos ser v\u00e1lido ainda hoje&quot; - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/marco-bartoli-explica-se-e-possivel-um-texto-escrito-ha-800-anos-ser-valido-ainda-hoje.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Marco Bartoli explica &quot;se \u00e9 poss\u00edvel um texto escrito h\u00e1 800 anos ser v\u00e1lido ainda hoje&quot; - 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