{"id":242305,"date":"2023-02-28T12:59:09","date_gmt":"2023-02-28T15:59:09","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=242305"},"modified":"2023-02-28T13:00:00","modified_gmt":"2023-02-28T16:00:00","slug":"papa-devemos-ter-a-coragem-de-sonhar-com-uma-economia-diferente-a-servico-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/papa-devemos-ter-a-coragem-de-sonhar-com-uma-economia-diferente-a-servico-de-todos.html","title":{"rendered":"Papa: devemos ter a coragem de sonhar com uma economia diferente, a servi\u00e7o de todos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_242306\" style=\"width: 1075px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-242306\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-242306 \" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/papa_28.jpeg\" alt=\"\" width=\"1065\" height=\"599\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/papa_28.jpeg 750w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/papa_28-450x253.jpeg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/papa_28-150x84.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 1065px) 100vw, 1065px\" \/><p id=\"caption-attachment-242306\" class=\"wp-caption-text\"><em>Papa Francisco com Emmanuel Van Lierde durante audi\u00eancia \u00e0 reda\u00e7\u00e3o de Tertio em 2020 ( Vatican Media)<\/em><\/p><\/div>\n<p>A <em>&#8216;Tertio<\/em>&#8216; j\u00e1 havia tido o privil\u00e9gio de entrevistar longamente o Papa Francisco em 17 de novembro de 2016. O motivo daquela entrevista tinha sido, por um lado, o centen\u00e1rio da Primeira Guerra Mundial e, por outro, os ataques terroristas em Paris em novembro de 2015 e em Bruxelas em 22 de mar\u00e7o de 2016. Seis anos depois, pareceu apropriado pedir outra entrevista, desta vez por ocasi\u00e3o do d\u00e9cimo anivers\u00e1rio de seu pontificado, 13 de mar\u00e7o de 2023. O processo foi o mesmo de quase sete anos atr\u00e1s: foi dom Luc van Looy quem encaminhou o pedido ao Papa. O pedido foi aceito imediatamente. \u201cMesmo agora que ele \u00e9 Papa, ele n\u00e3o esquece seus velhos amigos\u201d, enfatizam algumas pessoas pr\u00f3ximas a ele.<\/p>\n<p>O bispo em\u00e9rito de Gand \u00e9 um daqueles amigos para os quais as portas se abrem infalivelmente em Roma. Mas al\u00e9m da amizade, a B\u00e9lgica est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do Papa argentino. Ele j\u00e1 o havia dito em 2016 e o repete agora. Quando foi superior provincial dos Jesu\u00edtas na Argentina, Jorge Mario Bergoglio tamb\u00e9m foi grande chanceler de sua universidade em C\u00f3rdoba. Um c\u00edrculo de amigos belgas, reunidos em torno do jesu\u00edta e professor Jean Sonet, promoveu o crescimento daquela universidade cat\u00f3lica. Para agradecer a esses benfeitores e manter rela\u00e7\u00f5es com eles, Bergoglio veio \u00e0 B\u00e9lgica v\u00e1rias vezes nos anos 70, onde tamb\u00e9m p\u00f4de fazer algumas visitas tur\u00edsticas. &#8220;Acima de tudo, eu gostei de Bruges. As obras de Hans Memling &#8211; impressionantes!&#8221;.<\/p>\n<p>A nova entrevista est\u00e1 marcada para segunda-feira, 19 de dezembro de 2022, dois dias ap\u00f3s o 86\u00ba anivers\u00e1rio do Papa Francisco e no dia seguinte \u00e0 vit\u00f3ria da Argentina na Copa do Mundo. Saudamos o Papa com votos de felicidades, quinze minutos antes do planejado, o que implica em quinze minutos extras de encontro, tanto que nossa conversa em espanhol durar\u00e1 um total de tr\u00eas quartos de hora em vez da meia hora como planejado. Explicamos que pretendemos publicar a entrevista simultaneamente nos seman\u00e1rios crist\u00e3os &#8216;Tertio&#8217; e &#8216;Dimanche&#8217;, mas tamb\u00e9m em um livro, cuja publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 iminente. O que preocupa o Papa: &#8220;E se algo me acontecer nesse meio tempo?&#8221; diz ele, franzindo a sobrancelha. Ent\u00e3o ele acrescenta que uma publica\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma lhe permitiria dizer uma \u00faltima palavra &#8216;do t\u00famulo&#8217;, desde la tumba&#8217;. Esta brincadeira \u00e9 reveladora do senso de humor do Papa Francisco e denota a atmosfera de conv\u00edvio, sem protocolos ou formalismos, em que se realiza o encontro. Uma vez que os microfones foram testados para grava\u00e7\u00e3o, a entrevista pode come\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>Um fio condutor para compreender seu pontificado \u00e9 o Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965), embora o senhor seja o primeiro Papa a n\u00e3o ter participado pessoalmente. Por que a implementa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do Conc\u00edlio \u00e9 t\u00e3o importante para o senhor? O que est\u00e1 em jogo?<\/strong><\/p>\n<p>Os historiadores dizem que \u00e9 preciso um s\u00e9culo para que as decis\u00f5es de um Conc\u00edlio tenham pleno efeito e sejam implementadas. Ainda temos 40 anos pela frente&#8230;. Estou t\u00e3o preocupado com o Conc\u00edlio porque esse evento foi na verdade uma visita de Deus \u00e0 sua Igreja. O Conc\u00edlio foi uma daquelas coisas que Deus realiza na hist\u00f3ria atrav\u00e9s de pessoas santas. Talvez quando Jo\u00e3o XXIII o convocou, ningu\u00e9m percebeu o que iria acontecer. Diz-se que ele mesmo pensou que seria conclu\u00eddo em um m\u00eas, mas um cardeal reagiu dizendo: &#8220;Comece a comprar os m\u00f3veis e tudo mais, levar\u00e1 anos&#8221;. Jo\u00e3o XXIII levou isto em conta, ele era um homem aberto aos apelos do Senhor. \u00c9 assim que Deus fala a seu povo. E ali realmente nos falou. O Conc\u00edlio n\u00e3o implicava apenas uma renova\u00e7\u00e3o da Igreja. N\u00e3o era apenas uma quest\u00e3o de renova\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m um desafio para tornar a Igreja sempre mais viva. O Conc\u00edlio n\u00e3o se renova, ele rejuvenesce a Igreja. A Igreja \u00e9 uma m\u00e3e que sempre avan\u00e7a. O Conc\u00edlio abriu a porta para uma maior maturidade, mais em sintonia com os sinais dos tempos. A Lumen gentium, por exemplo, a constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica sobre a Igreja, \u00e9 um dos documentos mais tradicionais e ao mesmo tempo mais modernos, porque na estrutura da Igreja, o tradicional &#8211; se bem compreendido &#8211; \u00e9 sempre moderno. Isto porque a tradi\u00e7\u00e3o continua a se desenvolver e a crescer.<\/p>\n<p>Como afirmou o monge franc\u00eas Vincent de L\u00e9rins no s\u00e9culo V, os dogmas devem continuar a se desenvolver, mas segundo esta metodologia: &#8220;<em>Ut annis scilicet consolidetur, dilatetur tempore, sublimetur aetate<\/em>&#8221; (&#8220;Que sejam consolidados pelos anos, expandidos pelo tempo, exaltados pela idade&#8221;). Ou seja: a partir da raiz, continuamos sempre a crescer. O Conc\u00edlio deu esse passo adiante, sem cortar a raiz, porque n\u00e3o se pode fazer isso se se quer produzir frutos. O Conc\u00edlio \u00e9 a voz da Igreja para nosso tempo e neste momento &#8211; por um s\u00e9culo &#8211; o estamos colocando em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00c9 uma imagem estranha: a Igreja \u00e9 como uma m\u00e3e que n\u00e3o envelhece, mas fica cada vez mais jovem&#8230;<br \/>\nIncr\u00edvel mesmo, mas assim \u00e9 a Igreja. Ela rejuvenesce sem perder sua sabedoria secular.<\/p>\n<p><strong>A cont\u00ednua implementa\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio inclui o incentivo \u00e0 sinodalidade. O que isso realmente significa?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 um ponto que n\u00e3o podemos perder de vista. No final do Conc\u00edlio, Paulo VI ficou muito impressionado ao ver que a Igreja Ocidental quase tinha perdido sua dimens\u00e3o sinodal, enquanto as Igrejas Cat\u00f3licas Orientais tinham sido capazes de preserv\u00e1-la. Ele anunciou, portanto, a cria\u00e7\u00e3o da Secretaria do S\u00ednodo dos Bispos, a fim de promover novamente a sinodalidade na Igreja. Nos \u00faltimos sessenta anos, isto se desenvolveu mais e mais. Gradualmente, algumas coisas foram esclarecidas. Por exemplo, se apenas os bispos tinham o direito de voto. \u00c0s vezes n\u00e3o estava claro se as mulheres podiam votar&#8230; No \u00faltimo s\u00ednodo na Amaz\u00f4nia, em outubro de 2019, houve um amadurecimento a este respeito. Um fato particular ocorreu ent\u00e3o. Quando um S\u00ednodo termina, aqueles que participaram dele e todos os bispos do mundo s\u00e3o questionados sobre qual tema gostariam de ver na agenda do pr\u00f3ximo S\u00ednodo. O primeiro tema mencionado foi o do sacerd\u00f3cio e, em seguida, a sinodalidade. Evidentemente, era um tema compartilhado que todos os bispos sentiram que era hora de abordar. Por ocasi\u00e3o do cinquenten\u00e1rio deste \u00f3rg\u00e3o permanente do S\u00ednodo dos Bispos, alguns te\u00f3logos j\u00e1 haviam feito um balan\u00e7o do mesmo em um documento. N\u00f3s viemos de longe, agora estamos aqui e devemos seguir em frente. Isto \u00e9 o que fazemos atrav\u00e9s do processo sinodal atual, e os dois s\u00ednodos sobre a sinodalidade nos ajudar\u00e3o a esclarecer o significado e o m\u00e9todo de tomada de decis\u00f5es na Igreja.<\/p>\n<p>\u00c9 importante afirmar claramente que um s\u00ednodo n\u00e3o \u00e9 um parlamento. Um s\u00ednodo n\u00e3o \u00e9 uma pesquisa de opini\u00e3o \u00e0 esquerda e \u00e0 direita. N\u00e3o \u00e9. O principal protagonista de um s\u00ednodo \u00e9 o Esp\u00edrito Santo. Se o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o est\u00e1 presente, n\u00e3o pode haver s\u00ednodo.<\/p>\n<p><strong>Durante nossa entrevista anterior em 2016, o senhor evocou a terceira guerra mundial que estamos vivendo em peda\u00e7os Hoje a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o melhorou, na verdade piorou, com ainda mais guerras como a da Ucr\u00e2nia. Que papel pode desempenhar a diplomacia vaticana neste n\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p>O Vaticano tem levado este conflito a s\u00e9rio desde o primeiro dia. No dia seguinte ao in\u00edcio da invas\u00e3o, eu fui pessoalmente \u00e0 embaixada russa. Algo que nunca havia sido feito por um Papa e que um Papa normalmente n\u00e3o faz. Tamb\u00e9m expressei minha disposi\u00e7\u00e3o de ir a Moscou e fazer de modo que o conflito n\u00e3o continuasse. Desde seu in\u00edcio at\u00e9 hoje, o Vaticano sempre esteve no centro da a\u00e7\u00e3o. V\u00e1rios cardeais j\u00e1 viajaram \u00e0 Ucr\u00e2nia, o Cardeal Konrad Krajewski, foi l\u00e1 seis vezes para ajudar o povo ucraniano. Ao mesmo tempo, n\u00e3o paramos de falar com o povo russo para fazer algo.<\/p>\n<p><strong>Esta guerra \u00e9 terr\u00edvel, \u00e9 uma imensa atrocidade. H\u00e1 muitos mercen\u00e1rios que combatem l\u00e1. Alguns s\u00e3o muito cru\u00e9is, muito cru\u00e9is. H\u00e1 tortura; crian\u00e7as s\u00e3o torturadas. Muitas crian\u00e7as que est\u00e3o na It\u00e1lia com suas m\u00e3es, que s\u00e3o refugiadas, vieram me encontrar. Eu nunca vi uma crian\u00e7a ucraniana sorrir. Por que estas crian\u00e7as n\u00e3o sorriem? O que \u00e9 que elas viram? \u00c9 terr\u00edvel, realmente terr\u00edvel. Estas pessoas est\u00e3o sofrendo, sofrendo com a agress\u00e3o. Eu tamb\u00e9m estou em contato com v\u00e1rios ucranianos. O presidente Volodymyr Zelensky enviou v\u00e1rias delega\u00e7\u00f5es para falar comigo.<\/strong><\/p>\n<p>Daqui fazemos o que podemos para ajudar a popula\u00e7\u00e3o. Mas o sofrimento \u00e9 muito grande. Lembro-me do que meus pais costumavam me dizer: &#8220;A guerra \u00e9 uma loucura&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 outra defini\u00e7\u00e3o. N\u00f3s nos sentimos muito envolvidos nesta guerra porque ela est\u00e1 ocorrendo perto de n\u00f3s. Mas h\u00e1 anos existem guerras no mundo \u00e0s quais n\u00e3o prestamos aten\u00e7\u00e3o: em Mianmar, na S\u00edria &#8211; j\u00e1 13 anos de guerra &#8211; no I\u00eamen, onde as crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam educa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o t\u00eam p\u00e3o, onde passam fome&#8230;. Em outras palavras: o mundo est\u00e1, de fato, sempre em guerra. H\u00e1 uma coisa que deve ser denunciada: \u00e9 a grande ind\u00fastria de armas. \u00c9 o com\u00e9rcio de armas. Quando um pa\u00eds rico come\u00e7a a enfraquecer, diz-se que ele precisa de uma guerra para continuar e se tornar ainda mais forte. E as armas se preparam para isso. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m o com\u00e9rcio de armas. Eles se livram de todas as armas antigas que t\u00eam e procuram novas armas. \u00c9 terr\u00edvel. Diz-se &#8211; n\u00e3o sei se \u00e9 verdade &#8211; que a Guerra Civil espanhola serviu para testar armas para a Segunda Guerra Mundial. N\u00e3o sei se \u00e9 verdade, mas as armas s\u00e3o sempre testadas, n\u00e3o s\u00e3o? \u00c9 a ind\u00fastria da destrui\u00e7\u00e3o, a ind\u00fastria da guerra, de um mundo em guerra. Em cerca de um s\u00e9culo, vivemos tr\u00eas grandes guerras mundiais: a guerra de 14-18, a guerra de 39-45 e a guerra atual, que \u00e9 tamb\u00e9m uma guerra mundial, na qual os pa\u00edses ricos est\u00e3o renovando suas armas.<\/p>\n<p>Quando fui \u00e0 localidade italiana de Redipuglia para o centen\u00e1rio da Primeira Guerra Mundial, uma das minhas primeiras viagens como Papa em 2014, vi todas aquelas sepulturas l\u00e1. E eu chorei. Eu chorei. Minha av\u00f3 viveu aquela guerra e me contou coisas que ficaram dentro de mim. No dia 2 de novembro, eu sempre vou a um cemit\u00e9rio. Ent\u00e3o, h\u00e1 alguns anos, fui ao cemit\u00e9rio de Anzio, perto de Roma, para a comemora\u00e7\u00e3o de todos os fi\u00e9is, e vi as sepulturas e as idades dos jovens: 18, 19, 20 anos de idade&#8230;. Tamb\u00e9m l\u00e1 eu n\u00e3o consegui conter as l\u00e1grimas. Por que essa loucura para aqueles jovens? Quando alguns l\u00edderes do governo organizaram um ato de comemora\u00e7\u00e3o pelo anivers\u00e1rio dos desembarques na Normandia, pensei na crueldade daquele desembarque, porque os nazistas esperavam isso. Eles sabiam. De acordo com os n\u00fameros, 30.000 jovens morreram naquela praia. Eu penso numa m\u00e3e. O carteiro bate \u00e0 sua porta e tem uma carta para ela. Ela a abre e l\u00ea: &#8220;Senhora, temos a honra de inform\u00e1-la de que voc\u00ea tem um filho que \u00e9 um her\u00f3i&#8221;. Sua rea\u00e7\u00e3o \u00e9: &#8216;Eu tive um filho, eles o mataram&#8217;. Toda guerra \u00e9 um fracasso. Mas n\u00e3o se aprende, n\u00e3o se aprende. E agora que estamos vivendo outra de perto, \u00e9 de se esperar, se Deus quiser, que finalmente aprendamos uma li\u00e7\u00e3o com ela&#8230;. Isto come\u00e7ou com Caim e Abel, e continua ainda, ainda. Para mim \u00e9 muito doloroso, muito doloroso, e n\u00e3o posso estar de um lado ou do outro, a guerra \u00e9 um mal em si mesma.<\/p>\n<p>Na B\u00e9lgica, tamb\u00e9m estamos muito preocupados com a guerra e a viol\u00eancia na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<p>Lembro-me que quando o Rei Baldu\u00edno estava l\u00e1 para proclamar a independ\u00eancia, sua espada foi-lhe retirada, n\u00e3o foi? Foi uma a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. Sim, a viol\u00eancia em Goma, no nordeste do Congo, onde h\u00e1 a guerrilha ruandesa. Guerras semelhantes s\u00e3o travadas h\u00e1 anos, mas n\u00f3s as ignoramos. Vemos a Ucr\u00e2nia porque ela est\u00e1 pr\u00f3xima. A guerra \u00e9 loucura, \u00e9 suic\u00eddio, \u00e9 autodestrui\u00e7\u00e3o. Paz, por favor, paz!<\/p>\n<p>Em nossos pa\u00edses &#8211; com um clero em diminui\u00e7\u00e3o e menos fi\u00e9is &#8211; a lideran\u00e7a da Igreja tende a se concentrar na liturgia e no an\u00fancio. A Igreja n\u00e3o deveria antes mostrar seu rosto social e prof\u00e9tico se quiser ser relevante hoje em dia?<\/p>\n<p>Estas miss\u00f5es n\u00e3o podem ser contrapostas. Elas n\u00e3o s\u00e3o contradit\u00f3rias. A ora\u00e7\u00e3o, a adora\u00e7\u00e3o e o culto n\u00e3o \u00e9 retirar-se para a sacristia. N\u00e3o \u00e9 correto. Uma Igreja que n\u00e3o celebra a Eucaristia n\u00e3o \u00e9 uma Igreja. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o o \u00e9 uma Igreja que se esconde na sacristia. Ficar na sacristia n\u00e3o \u00e9 um culto correto. A celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia tem consequ\u00eancias. H\u00e1 o partir do p\u00e3o. Isto implica uma obriga\u00e7\u00e3o social, a obriga\u00e7\u00e3o de cuidar dos outros. Ora\u00e7\u00e3o e compromisso andam de m\u00e3os dadas. A adora\u00e7\u00e3o a Deus e o servi\u00e7o aos irm\u00e3os andam de m\u00e3os dadas, porque em cada irm\u00e3o e irm\u00e3 vemos Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Estejamos atentos. O compromisso social da Igreja \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o, uma consequ\u00eancia do culto. Portanto, este compromisso n\u00e3o deve ser confundido com a\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica que mesmo um n\u00e3o crente pode realizar. A a\u00e7\u00e3o social da Igreja deriva de seu ser, porque nela reconhece Jesus. Ela \u00e9 t\u00e3o forte que \u00e9 at\u00e9 a medida pela qual, como nos diz Jesus, seremos julgados. Segundo Mateus 25, ouviremos esta medida de nossa caridade durante o Ju\u00edzo Final: &#8220;Eis que tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive na pris\u00e3o e me visitastes; adoeci e me curastes&#8230;&#8221;. Todas estas s\u00e3o a\u00e7\u00f5es sociais, mas n\u00e3o s\u00e3o realizadas por obriga\u00e7\u00e3o ou dever social, mas porque Jesus est\u00e1 presente nelas. Entretanto, jamais reconhecerei a\u00ed Jesus se n\u00e3o o reconhecer tamb\u00e9m na adora\u00e7\u00e3o e no culto. As duas coisas andam juntas. Elas devem estar unidas. Uma Igreja puramente cultual n\u00e3o \u00e9 uma Igreja, nem o \u00e9 uma Igreja puramente &#8220;social&#8221;, por assim dizer&#8230;.<\/p>\n<p>Cuidar dos jovens e dos idosos \u00e9 algo que lhe \u00e9 muito caro, pois correm o risco de n\u00e3o contar realmente numa cultura do descarte&#8230;<\/p>\n<p>Coisas muito bonitas acontecem no di\u00e1logo entre as diferentes gera\u00e7\u00f5es. O profeta Joel escreveu uma frase magn\u00edfica a este respeito: &#8220;vossos filhos e vossas filhas se tornar\u00e3o profetas; vossos anci\u00e3os ter\u00e3o sonhos, vossos jovens ter\u00e3o vis\u00f5es&#8221; (3,1). E depois os jovens e os idosos se encontrar\u00e3o. O anci\u00e3o n\u00e3o deve ser mantido em um armaz\u00e9m ou museu, mas deve poder continuar dando \u00e0 sociedade o que tem dentro. O idoso tem uma miss\u00e3o. Devemos cuidar do idoso como uma joia. Mesmo que ele n\u00e3o esteja mais em boa sa\u00fade ou se n\u00e3o estiver mais plenamente consciente, devemos cuidar dele como uma joia, porque essa pessoa, esse homem ou mulher, nos deu vida. Portanto, devemos cuidar dele ou dela.<\/p>\n<p>E os jovens n\u00e3o est\u00e3o aqui para serem mimados e para n\u00e3o serem incomodados. Temos que ajud\u00e1-los a crescer em sabedoria. O encontro entre jovens e anci\u00e3os \u00e9, portanto, prof\u00e9tico. J\u00e1 vivenciei isto muitas vezes com os jovens. Por exemplo, lembro-me de uma atividade em que propusemos a alguns jovens tocar o viol\u00e3o em uma casa de repouso. &#8220;Puxa vida, puxa vida, que chato!&#8221;. &#8220;Vamos, mesmo assim&#8221;. E depois eles n\u00e3o queriam mais ir embora, come\u00e7aram a cantar e o di\u00e1logo com os idosos come\u00e7ou. Aqueles jovens descobriram algo nos idosos. Os idosos sabem como falar, sabem onde est\u00e1 o problema. Um deles me contou que havia passado por um per\u00edodo muito complicado em sua vida e que havia tomado caminhos dif\u00edceis, incluindo o v\u00edcio em drogas; muito ruim, muito ruim. A fam\u00edlia n\u00e3o se deu conta disso. Ele sabia como esconder isso. Sua av\u00f3, por\u00e9m, reparou nele e lhe disse suavemente: &#8220;Vou esperar por ti. Quando quiseres, eu estou aqui. Eu te ajudo, eu te amo&#8221;. Sua av\u00f3 lhe deu alguma esperan\u00e7a para que, quando ele voltasse, n\u00e3o se sentisse como um fracassado. Os av\u00f3s s\u00e3o a mem\u00f3ria que nos transmite o conhecimento. E colocar os jovens em contato com seus av\u00f3s \u00e9 semear a vida, \u00e9 semear o futuro. \u00c9 preciso valoriz\u00e1-los. Eles n\u00e3o s\u00e3o materiais para serem jogados fora, assim como n\u00e3o o s\u00e3o os jovens. &#8220;Deix\u00e1-los fazer o que eles querem&#8221;: isto equivale a abandon\u00e1-los \u00e0 pr\u00f3pria sorte, excluindo-os de nossas vidas por comodidade. Cuidem de ambos, dos jovens e dos idosos, e fa\u00e7am com que eles se encontrem. Esse verso de Joel \u00e9 muito bonito. Quero mostrar-lhes algo, s\u00f3 por um momento&#8230; (o Papa chamou um auxiliar e lhe pediu para ir procurar uma foto tirada durante sua visita \u00e0 Rom\u00eania, em 1\u00ba de junho de 2019, ndr).<\/p>\n<p>Quando entrei na pra\u00e7a principal de Ia\u015fi, para encontrar fam\u00edlias e jovens, estava lotada de gente. Vi uma mulher idosa me mostrando um beb\u00ea de aproximadamente dois meses, sorrindo, como se dissesse: &#8220;Esta \u00e9 minha esperan\u00e7a&#8221;, &#8220;olhe, agora eu posso sonhar&#8221;. Fiquei emocionado. Naquele momento, fiquei t\u00e3o emocionado que n\u00e3o pude dizer a ela: &#8220;Venha comigo, senhora, para que possamos mostr\u00e1-lo a todos&#8221;. Mas no final do meu discurso, contei essa hist\u00f3ria e disse que os av\u00f3s sonham quando veem seus netos progredir e que os netos ganham coragem quando podem apoiar-se na raiz de seus av\u00f3s. Espontaneamente, eu disse: &#8220;Pena que n\u00e3o tenha sido tirada sua foto&#8221;. Mas o fot\u00f3grafo respondeu que havia visto meu entusiasmo e que havia tirado a foto. Aqui est\u00e1 a foto com a hist\u00f3ria no verso. Ela diz muito para mim. Um anci\u00e3o com uma crian\u00e7a, dizendo: &#8220;Esta \u00e9 a minha for\u00e7a&#8221;. &#8220;Este \u00e9 o meu futuro&#8221;. E a crian\u00e7a pode dizer: &#8220;Esta \u00e9 a minha for\u00e7a&#8221;. Esta foto \u00e9 um s\u00edmbolo do v\u00ednculo entre av\u00f3s e netos. \u00c9 importante que as crian\u00e7as tenham contato com seus av\u00f3s, muito importante.<\/p>\n<p><strong>Qual sua mensagem tem para todos os agentes da sa\u00fade que d\u00e3o o melhor de si em circunst\u00e2ncias muitas vezes dif\u00edceis?<\/strong><\/p>\n<p>Eles desempenham uma fun\u00e7\u00e3o importante, um trabalho muito digno, muito digno. E tamb\u00e9m necess\u00e1rio. Se este trabalho \u00e9 vivido como uma voca\u00e7\u00e3o, com ternura, ele \u00e9 muito digno. \u00c9 muito triste que algumas casas de repouso adotem uma linha excessivamente comercial, o que resulta na perda da ternura. Quando eu era bispo em Buenos Aires, gostava de ir e celebrar a Eucaristia em casas de repouso. Eu me assegurava ter sempre ter bastante tempo dispon\u00edvel, assim eu falava com todos e s\u00f3 depois eu celebrava a Missa. Lembro-me de uma vez &#8211; alguns v\u00e3o ficar zangados por eu estar contando esta hist\u00f3ria, mas conto assim mesmo &#8211; quando chegou a hora da Comunh\u00e3o e um deles disse: &#8220;Se algu\u00e9m quiser comungar, levante a m\u00e3o&#8221;, e eu deveria passar na frente deles para que n\u00e3o tivessem que se deslocar. Naturalmente, todos levantaram a m\u00e3o. Havia uma senhora a quem eu dei a comunh\u00e3o que pegou minha m\u00e3o e disse: &#8220;Obrigado, padre, obrigado, eu sou judia&#8221;. Eu respondi: &#8220;Bem, este que eu lhe dei tamb\u00e9m Ele era judeu, n\u00e3o era?&#8221; (risos). A pessoa idosa procura companhia, proximidade e contato, o que transcende a f\u00e9 religiosa. Aos bispos eu digo: &#8220;Visitem as casas de repouso, visitem os idosos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O modelo de mercado neoliberal atingiu seus limites. Como &#8220;a economia Francisco&#8221; oferece uma alternativa?<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a doutrina social da Igreja &#8211; do Papa Le\u00e3o XIII at\u00e9 hoje &#8211; pode inspirar. Este ensinamento analisa as quest\u00f5es econ\u00f4micas a partir do Evangelho. Com o jornalista Austen Ivereigh, escrevi um livro que lhes presentearei: Let us dream (Voltemos a sonhar). De fato, devemos ter a coragem de sonhar, de sonhar inclusive economias que n\u00e3o sejam puramente liberais&#8230; \u00c9 preciso ser prudente com a economia: se ela se concentra demasiadamente somente nas finan\u00e7as, em meras cifras que n\u00e3o t\u00eam entidades reais por tr\u00e1s delas, ent\u00e3o a economia se pulveriza e pode levar a uma s\u00e9ria trai\u00e7\u00e3o. H\u00e1 pessoas extraordin\u00e1rias repensando a economia neste momento, entre elas algumas mulheres. As mulheres s\u00e3o g\u00eanios da criatividade. Eu as menciono nesse livro. A economia deve ser uma economia social. \u00c0 express\u00e3o &#8220;economia de mercado&#8221;, Jo\u00e3o Paulo II acrescentou &#8220;social&#8221;, uma economia social de mercado. \u00c9 preciso ter sempre em mente o social.<\/p>\n<p>Neste momento a crise econ\u00f4mica \u00e9, sem d\u00favida, grave, a crise \u00e9 terr\u00edvel. A maioria das pessoas no mundo &#8211; a maioria &#8211; n\u00e3o tem o suficiente para comer, n\u00e3o tem o suficiente para viver. A riqueza est\u00e1 nas m\u00e3os de poucas pessoas que dirigem grandes empresas, que por vezes s\u00e3o propensas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o. Na Argentina tivemos uma bela experi\u00eancia que nos chegou da B\u00e9lgica, das Flandres. [Alguns empres\u00e1rios] se estabeleceram na Argentina com a doutrina social da Igreja como ponto de refer\u00eancia. Na Flandria &#8211; esse era o nome da empresa t\u00eaxtil que eles possu\u00edam &#8211; os pr\u00f3prios trabalhadores participavam dos dividendos. Foi um enorme passo para frente que voc\u00eas, belgas, deram. Na Argentina, seria uma boa ideia reexaminar o que aconteceu l\u00e1. Estou falando das d\u00e9cadas de 1940 e 1950. \u00c9 poss\u00edvel, portanto, e em harmonia. Jules Steverlinck era o respons\u00e1vel pela Flandria, certo? A cerca de 70 km de Buenos Aires. Portanto, tal economia social \u00e9 poss\u00edvel e eu tive um exemplo dela gra\u00e7as a voc\u00eas, belgas. Sim. A economia deve ser sempre social, a servi\u00e7o do social.<\/p>\n<p>Junto com tr\u00eas jornalistas holandeses tomei a iniciativa de escrever para o senhor uma carta aberta por ocasi\u00e3o da canoniza\u00e7\u00e3o, em 15 de maio de 2022, do carmelita holand\u00eas Titus Brandsma, pedindo que proclamasse Titus Brandsma, ele pr\u00f3prio muito comprometido com o jornalismo, o santo padroeiro dos jornalistas. O nosso pedido tem alguma chance de ser levado em considera\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Sim, estou de acordo. Concordo plenamente com esta proposta. H\u00e1 outro santo que pode ser proposto para isso, que tamb\u00e9m morreu em um campo de concentra\u00e7\u00e3o. Em todo caso, pretendo contatar o Dicast\u00e9rio das Causas dos Santos para ver o que pode ser feito. Seria, de qualquer forma, um prazer para mim. E gostaria tamb\u00e9m de aproveitar esta oportunidade para agradecer, atrav\u00e9s de voc\u00eas, a todos os jornalistas por seu trabalho. \u00c9 uma profiss\u00e3o nobre: transmitir a verdade. Mas, ao mesmo tempo, pe\u00e7o-lhes que tenham cuidado com os quatro pecados dos jornalistas. Sabe quais s\u00e3o eles?<\/p>\n<p>N\u00e3o. O senhor os mencionou em nossa entrevista anterior, mas eu n\u00e3o saberia elenc\u00e1-los agora.<\/p>\n<p>A desinforma\u00e7\u00e3o &#8211; relatando apenas uma parte e n\u00e3o o todo \u2013 a cal\u00fania, a difama\u00e7\u00e3o &#8211; que n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa &#8211; e coprofilia, que \u00e9 a busca de coisas &#8220;sujas&#8221; que causam esc\u00e2ndalo e atraem a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>E a prop\u00f3sito destes v\u00edcios, quais s\u00e3o as virtudes de um bom jornalista?<\/strong><\/p>\n<p>As qualidades de um jornalista s\u00e3o ouvir, traduzir e transmitir, porque sempre tem que traduzir, certo? Mas antes de tudo ouvir&#8230; H\u00e1 jornalistas que s\u00e3o brilhantes porque dizem claramente: &#8220;Eu escutei, ele disse isto, embora eu pense o contr\u00e1rio&#8221;. Assim se faz bem, mas n\u00e3o se deve dizer: &#8220;Ele disse isto&#8221;, mesmo que n\u00e3o seja o que foi dito. Ou\u00e7am, relatem a mensagem e depois critiquem. Os jornalistas fazem um trabalho formid\u00e1vel.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Fonte: Vatican News (texto de Emmanuel Van Lierde)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Audi\u00eancia do Papa Francisco<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":242306,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1428],"tags":[55],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Papa: devemos ter a coragem de sonhar com uma economia diferente, a servi\u00e7o de todos - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/papa-devemos-ter-a-coragem-de-sonhar-com-uma-economia-diferente-a-servico-de-todos.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Papa: devemos ter a coragem de sonhar com uma economia diferente, a servi\u00e7o de todos - 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