{"id":242093,"date":"2006-12-12T17:52:51","date_gmt":"2006-12-12T19:52:51","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=242093"},"modified":"2023-02-03T18:15:29","modified_gmt":"2023-02-03T21:15:29","slug":"entrevista-frei-samuel-uma-decada-de-missao-em-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/entrevista-frei-samuel-uma-decada-de-missao-em-angola.html","title":{"rendered":"Entrevista: Frei Samuel, uma d\u00e9cada de miss\u00e3o em Angola"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-242095 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/samuel_2006.jpeg\" alt=\"\" width=\"582\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/samuel_2006.jpeg 582w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/samuel_2006-450x219.jpeg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/samuel_2006-150x73.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 582px) 100vw, 582px\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Por Moacir Beggo<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>S\u00e3o Pauo (SP) &#8211;<\/strong> <em>Depois de sobreviver \u00e0 guerra civil angolana e encontrar uma linha de forma\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da realidade dos jovens angolanos que se apresentavam \u00e0 Miss\u00e3o de Angola pedindo ingresso na Ordem dos Frades Menores, o carioca Frei Samuel\u00a0 Ferreira de Lima, de 39 anos, est\u00e1 de volta ao Brasil e pronto para assumir um novo desafio em sua vida: ser guardi\u00e3o da Fraternidade S\u00e3o Jos\u00e9 e Semin\u00e1rio Frei Galv\u00e3o, a casa de forma\u00e7\u00e3o da Prov\u00edncia da Imaculada, onde se faz a experi\u00eancia de um ano de Postulantado.<\/em><\/p>\n<p><em>Segundo Frei Samuel, trata-se de um desafio para ele porque quando foi ordenado, em 27 de janeiro de 1996, no mesmo ano foi enviado como mission\u00e1rio para Angola. Toda a sua experi\u00eancia de vida religiosa e sacerdotal se formou no contexto da Igreja africana, especialmente na Fraternidade de Malange, onde era o mestre dos aspirantes. Essa experi\u00eancia, contudo, foi t\u00e3o profunda e enriquecedora para ele que, agora, mesmo tendo de conhecer \u201cuma nova realidade\u201d,\u00a0 est\u00e1 preparado, pois conseguiu se \u201cdiplomar\u201d num curso que nenhuma universidade possui: o da vida. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Nesta entrevista, Frei Samuel avalia uma d\u00e9cada como mission\u00e1rio, fala da situa\u00e7\u00e3o de Angola no p\u00f3s-guerra, do trabalho na forma\u00e7\u00e3o dos jovens angolanos e da Miss\u00e3o dos Franciscanos neste pa\u00eds-irm\u00e3o.<\/p>\n<p><\/em><strong>Site Franciscanos &#8211; Como foi chegar em meio \u00e0 guerra na Miss\u00e3o de Angola?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Samuel <\/strong>\u2013Em janeiro de 1996, fui ordenado sacerdote e, em junho, foi transferido para a Miss\u00e3o de Angola, onde cheguei no dia 28. Fui para l\u00e1 com a imagem da nossa Prov\u00edncia: fraternidades grandes e conviv\u00eancia com muitas pessoas. Mas ao chegar\u00a0 num pa\u00eds saindo da guerra &#8211; em 96 houve um momento de paz &#8211; fui morar na hospedaria das irm\u00e3s clarissas. Isso, no in\u00edcio, foi dif\u00edcil porque fui pensando que ir\u00edamos morar numa casa nossa. De repente, era h\u00f3spede e dependente. O trabalho, quando a gente chegou na capital, era em fun\u00e7\u00e3o das duas fraternidades que estavam no Interior do pa\u00eds: Malange e Kibala. A gente corria atr\u00e1s de documentos, alimentos, enfim, das necessidades b\u00e1sicas que t\u00ednhamos. \u00c9ramos a base de apoio \u2013 eu e o Frei D\u00edlson (Fr. D\u00edlson Ad\u00e3o Geremia). Depois, aos poucos, fomos nos envolvendo com a comunidade: celebrava, visitava os doentes e me chamaram para dar aulas no semin\u00e1rio diocesano. E ali tamb\u00e9m houve a integra\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia franciscana, atrav\u00e9s das Irm\u00e3s Catequistas, Mission\u00e1rias de Maria, Franciscanas de S\u00e3o Jos\u00e9. Mas n\u00e3o foi uma adapta\u00e7\u00e3o f\u00e1cil. Afinal, voc\u00ea sai de uma realidade de paz, de tranq\u00fcilidade familiar, onde as comunidades te acolhem e chega num pa\u00eds como estrangeiro, numa realidade conflitiva, de medo, de suspeita e de intransig\u00eancia. O comunismo era muito forte neste tempo. Para voc\u00ea fazer uma viagem, tinha passar por muitos controles. A gente nunca sabia se chegaria ou se voltaria. Ent\u00e3o, criava-se dentro de voc\u00ea uma inseguran\u00e7a muito grande. E essa inseguran\u00e7a nos levou \u00e0 experi\u00eancia com Deus, porque \u00e9 Deus que vai te dar for\u00e7as, dar garantias e dar possibilidades de enfrentar todas as coisas. N\u00e3o s\u00e3o os lugares, as pessoas que v\u00e3o te dar sustenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 Deus. Tem que ser por Deus! Isso nos fez crescer na experi\u00eancia do Crucificado, no sofrimento. A gente via as pessoas que comiam uma vez por dia, que lutavam todo dia e estavam sempre alegres. Querendo ou n\u00e3o, a gente vai bebendo dessa fonte aos poucos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-242094 alignright\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/samuel_2006_1.jpeg\" alt=\"\" width=\"256\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/samuel_2006_1.jpeg 256w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/samuel_2006_1-150x246.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 256px) 100vw, 256px\" \/><strong>Site Franciscanos &#8211; Quando foi a transfer\u00eancia para Malange?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Samuel <\/strong>\u2013Depois de um ano, fui transferido como formador do Aspirantado. E foi outro baque. Ser formador no Brasil j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil. Ser formador em outra realidade, em outra cultura, \u00e9 muito mais ainda. Nos seis primeiros meses de trabalho, fiquei com estafa. N\u00e3o conseguia levantar da cama de t\u00e3o desgastado que estava, porque n\u00e3o conseguia compreender o modo de lidar com eles. Muitas vezes, propunha as coisas e eles faziam tudo ao contr\u00e1rio. Isso causava um desgaste muito grande. L\u00e1 \u00e9 assim: voc\u00ea programa o dia, mas as coisas v\u00e3o para al\u00e9m daquilo. \u00c9 um que chega para voc\u00ea levar ao hospital, outro que tem outra situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma coisa que quebrou e que voc\u00ea precisa ajudar. Tudo acontece independente daquilo que voc\u00ea planejou. Em 98, estourou novamente a guerra. A gente ficou cercado em meio \u00e0quela tens\u00e3o, pois queriam raptar os formandos. Veja bem: as fam\u00edlias confiaram o filho deles \u00e0 gente, dando aquela responsabilidade de salvaguardar a vida e a integridade deles. Por isso, enfrentava a pol\u00edcia e discutia com a tropa. Depois, em Malange, n\u00e3o havia bens de consumo e uma vez por m\u00eas tinha de viajar \u00e0 capital para compr\u00e1-los. Ent\u00e3o, era mais um desgaste. Vai e n\u00e3o-vai; \u00a0chega e n\u00e3o-chega. No caminho, pediam mil documentos. Ent\u00e3o, s\u00f3 ag\u00fcentava as press\u00f5es trabalhando a interioridade. Lembro-me de Frei Hil\u00e1rio que foi mission\u00e1rio e dizia: \u201cMeu filho, na vida, tudo \u00e9 por amor de Deus\u201d. Ent\u00e3o, a gente vai entendendo que tem de colocar Deus em tudo, para voc\u00ea dar sentido \u00e0 todas as dificuldades, sen\u00e3o a gente sucumbe. Come\u00e7a a entrar em p\u00e2nico, depress\u00e3o e desespero. Para voc\u00ea levar as coisas na esportiva, com serenidade, voc\u00ea precisa trabalhar muito a espiritualidade. Tem mesmo que fazer a experi\u00eancia franciscana do Crucificado, da Paix\u00e3o, da Perfeita Alegria, porque voc\u00ea planeja as coisas e elas n\u00e3o saem como voc\u00ea quer. Eu era uma pessoa muito agitada, mas pouco a pouco fui aprendendo a ser paciente. N\u00e3o adianta ser nervoso, n\u00e3o adianta querer tudo r\u00e1pido, porque a vida n\u00e3o \u00e9 assim. Ou voc\u00ea se dobra ou voc\u00ea quebra. \u00c9 como numa tempestade: uma vara de bambu se inclina totalmente e permanece inteira, mas uma \u00e1rvore r\u00edgida se parte. Ent\u00e3o, a gente vai aprendendo a ser male\u00e1vel e a entend\u00ea-los.\u00a0 Eles t\u00eam muita dificuldade de confiar devido ao processo de coloniza\u00e7\u00e3o, onde o estrangeiro s\u00f3 veio para domin\u00e1-los. Eu sempre dizia para eles. Por mais que a gente esteja junto, sei que voc\u00eas t\u00eam dificuldade de confiar. Porque somos diferentes, estrangeiros, com outra mentalidade, outro jeito e outros par\u00e2metros. Temos que ser mais compreensivos com eles do que eles conosco, porque tivemos mais possibilidades. Aos poucos, fui aprendendo que a gente tem de dialogar muito, principalmente para entender e faz\u00ea-los se envolverem com o nosso trabalho. A conquista \u00e9 pouco a pouco e de uma maneira familiar. Na cultura deles, o mais velho \u00e9 o pai, \u00e9 o irm\u00e3o. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem que criar essa rela\u00e7\u00e3o, onde realmente \u00e9 o pai que se preocupa e est\u00e1 sempre junto. A forma\u00e7\u00e3o \u00e9 personalizada. Eu procurava visitar as fam\u00edlias e conhecer suas realidades. Por que se tem muita inveja e ego\u00edsmo? Por causa dos conflitos tribais, por causa da realidade que viveram e vivem. Veja s\u00f3, numa fam\u00edlia onde predomina a poligamia, se o marido tem cinco ou seis mulheres, querendo ou n\u00e3o vai haver competi\u00e7\u00e3o para conquistar o marido. Se essas mulheres t\u00eam cada uma, tr\u00eas ou quatro filhos, vai haver competi\u00e7\u00e3o entre eles para atrair a aten\u00e7\u00e3o do pai. Ent\u00e3o, vai se gerando uma cultura da inveja, da disputa, da rivalidade, que n\u00e3o \u00e9 um desejo deles, mas est\u00e1 dentro de um contexto. Por exemplo, l\u00e1 n\u00e3o se pode fazer um elogio em p\u00fablico. Aqui, no Brasil, quando se faz um elogio \u00e9 um incentivo para outros: \u201colha, ele est\u00e1 melhorando naquilo, ent\u00e3o vamos copiar o que ele tem de melhor\u201d. L\u00e1 n\u00e3o, se eu elogiar um formando, os outros v\u00e3o fazer de tudo para destru\u00ed-lo. Aconteceu v\u00e1rias vezes de o melhor se tornar o pior para suportar a press\u00e3o que outros faziam.<\/p>\n<p><b>Site Franciscanos &#8211; Ou seja, voc\u00ea teve de se despojar de tudo para come\u00e7ar do zero na forma\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 Exatamente. E ir gradativamente percebendo, conhecendo e entendendo. As pessoas querem muito da gente. S\u00f3 querem, querem, querem&#8230; Voc\u00ea tem de aprender a gratuidade de fazer e Deus que vai colher. Muitas vezes voc\u00ea aposta na pessoa, incentiva-a. \u00c9 exatamente aquela que depois vai ser ingrata, que vai dar o contr\u00e1rio daquilo que voc\u00ea deu. Ent\u00e3o, a gente tem de se despojado. Se eu for esperando sucesso, se for esperando resultados, vou me frustrar. Ent\u00e3o, \u00e0 medida que a gente vai se despojando, sendo gratuito, voc\u00ea faz bem-feito, com gosto. Deus \u00e9 que vai colher os frutos. O importante \u00e9 saber que fez o melhor que podia e deu o m\u00e1ximo. Depois a gente percebe que muitos compreenderam isso. Eu vi isso agora na minha despedida da Miss\u00e3o. De certa forma, vieram agradecer pelo empenho da gente. Ent\u00e3o, tudo isso \u00e9 a gra\u00e7a de Deus, porque \u00e9 Ele que possibilita fazer tudo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 Foi um grande aprendizado?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 Sim. Al\u00e9m disso, numa situa\u00e7\u00e3o de guerra, voc\u00ea encontra muitas pessoas de outras na\u00e7\u00f5es: europeus, indianos, americanos, russos, mu\u00e7ulmanos. \u00c9 um universo t\u00e3o grande que mostra o quanto o ser humano \u00e9 bonito pela sua diversidade, pela sua complexidade, pelos valores das diversas culturas. Dou gra\u00e7as a Deus por ter feito esta experi\u00eancia universal. Por exemplo, tive um aluno mu\u00e7ulmano que mostrava o Isl\u00e3 fora da mentalidade que conhecemos atrav\u00e9s da m\u00eddia. A Jihad, a guerra santa, segundo ele, \u00e9 a luta interior com voc\u00ea mesmo e significa a busca pela perfei\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea conhece o outro e n\u00e3o cria preconceitos. Essa partilha com as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, com pessoas de outras religi\u00f5es e outras culturas foi algo muito rico para mim. Percebi que muita gente est\u00e1 trabalhando pelo bem e pela vida. Mesmo os militares, muitas vezes, nos ajudaram muito, principalmente em dar garantias para viajarmos em seguran\u00e7a. Ent\u00e3o, o lado da f\u00e9, da solidariedade, das comunidades e das ongs \u00e9 muito forte. O povo \u00e9 muito solid\u00e1rio. Quando as irm\u00e3s ganhavam um saco de arroz, elas dividiam. Se a gente conseguia alguma coisa, tamb\u00e9m dividia.\u00a0 Quando a gente colhia, na nossa lavra, levava um pouco para cada fraternidade. Existe essa partilha de forma muito natural. As irm\u00e3s fazem um bolo e repartem. Ou convidam para comer em suas casas. Eu me lembro que quando a gente fazia uma coisa em casa, meu pai sempre levava um pouco para o vizinho. L\u00e1 tem muito disso. A t\u00e2mbula que o povo d\u00e1, divide-se um tanto para cada comunidade. Se a gente fica doente, as irm\u00e3s v\u00eam cuidar ou leva para a casa delas para fazer repouso. Tem uma l\u00e2mpada para consertar, a gente vai l\u00e1. Existe uma coopera\u00e7\u00e3o muito grande. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a produtividade, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 fazer as coisas dentro do que est\u00e1 determinado, mas ter liberdade. Faz aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio naquele momento. As vezes voc\u00ea est\u00e1 planejando uma coisa e sai outra totalmente diferente. E esse \u00e9 o aprendizado. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 Ser mission\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 ser presen\u00e7a, n\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Sanuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> &#8211;\u00a0 Sim. Fazer aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio no momento. \u00c0s vezes \u00e9 levar um doente, buscar um corpo, \u00e0s vezes \u00e9 fazer uma visita. Ent\u00e3o, s\u00e3o outros par\u00e2metros totalmente diferentes de nosso pa\u00eds ou de outros pa\u00edses. O tempo para eles \u00e9 uma eternidade. Diferente para n\u00f3s, que tudo tem de ser no hor\u00e1rio. Se a pessoa pede \u201cfrei senta aqui um pouco, quero conversar com o frei\u201d, pode saber que ele vai contar toda a hist\u00f3ria desde o in\u00edcio at\u00e9 chegar ao ponto que ele quer. Voc\u00ea tem de ter a paci\u00eancia de escutar. Demore uma hora ou duas. O nosso jeito de ser, assim gentil, acolhedor, simples, encanta muito a eles. O clero \u00e9 muito hier\u00e1rquico em Angola. As pessoas dizem \u201co padre\u201d, numa atitude distanciada. J\u00e1 o nosso modo de ser, nossa espiritualidade, \u00e9 muito mais jovial, muito simples, mais pr\u00f3xima. Eles nos chamam de frei fulano, sicrano\u00a0 e t\u00eam a liberdade de entrar em casa. Mesmo os formandos, que sentam \u00e0 mesma mesa para comer, porque em outras congrega\u00e7\u00f5es comem todos separados. \u00c0s vezes fazia enquetes perguntando a eles o que mais eles admiravam na nossa vida. Eles falavam: a simplicidade e a igualdade, porque podiam sentar na mesma mesa e falar de forma natural com o f rei, sem ter medo. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 Quanto tempo ficou no trabalho com a forma\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel \u2013<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Foram nove anos. No come\u00e7o, durante a guerra, vivi aquele clima de tens\u00e3o, debaixo de ataques. Vivia naquela incerteza: o que vai ser amanh\u00e3? Depois, com a morte do Savimbi (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Jonas Savimbi, criador da Unita<\/span><\/i><b>)<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, teve in\u00edcio um processo de pacifica\u00e7\u00e3o e havia o desejo de que tudo mudasse muito depressa. Mas n\u00e3o era t\u00e3o f\u00e1cil assim, pois foram trinta anos de guerra. N\u00e3o se podia andar nas estradas, pois estavam muito minadas. Ainda havia muita dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o, de alimenta\u00e7\u00e3o. A expectativa era maior do que a realidade concreta. S\u00f3 de dois anos para c\u00e1 que as coisas come\u00e7aram a dar uma guinada. O governo Angola sempre queria uma Confer\u00eancia Internacional de ajuda financeira para reconstruir o pa\u00eds, mas todo mundo sabe que Angola \u00e9 rica em diamantes, petr\u00f3leo e tem muita corrup\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia interesse devido a isso e logo depois estourou a guerra na Afeganist\u00e3o, em seguida, veio a do Iraque, e Angola deixou de ser o foco. Pouco a pouco, o governo foi se convencendo disso e come\u00e7ou a procurar outras parcerias. O presidente Lula esteve l\u00e1 duas vezes e a parceria com o Brasil aumentou muito, tanto que muitos produtos brasileiros s\u00e3o vendidos em Angola. A China \u00e9 a grande parceira: muito dinheiro a um pre\u00e7o bem baixo. Os indianos tamb\u00e9m est\u00e3o em Angola.\u00a0 Hoje, todo o pa\u00eds \u00e9 um grande canteiro em obras. O problema \u00e9 que n\u00e3o se v\u00ea grande resultados devido \u00e0 lentid\u00e3o. Falta planejamento e coordena\u00e7\u00e3o. Mas a gente v\u00ea que o povo tem mais possibilidades, h\u00e1 mais chances de empregos, o povo come\u00e7a a construir casas definitivas, come\u00e7am a aumentar as lavras, comprar bens de consumo \u2013 panela, colch\u00e3o, eletr\u00f4nicos, mesas, cadeiras \u2013\u00a0 e a vida est\u00e1 ganhando uma estabilidade e seguran\u00e7a maiores. Planta-se mais, cria-se animais. Diminuiu-se mais a burocracia e os postos de controle se limitam a dois ou tr\u00eas. Muitas coisas est\u00e3o mais f\u00e1ceis, inclusive para n\u00f3s, mission\u00e1rios. Para sair do pa\u00eds, antes, voc\u00ea tinha de pedir visto de sa\u00edda. Agora, n\u00e3o precisa mais. O processo de cadastramento eleitoral foi iniciado, tudo de forma muito profissional, com computa\u00e7\u00e3o. O documento fica pronto na hora. Muitos pa\u00edses t\u00eam ajudado &#8211; Brasil, Estados Unidos, China, Comunidade Europ\u00e9ia &#8211; no sentido de democratizar. Mas falta muito investimento na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o. Angola importa quase tudo. N\u00e3o existe ind\u00fastrias l\u00e1. Os chineses est\u00e3o fazendo muita coisa, mas a maioria dos trabalhadores \u00e9 da China. A m\u00e3o-de-obra vem de fora. Um brasileiro que conheci l\u00e1, que at\u00e9 \u00e9 da minha cidade, Duque de Caxias (RJ),\u00a0 me dizia, que, por n\u00e3o envolver os angolanos nestas obras, n\u00e3o se cria v\u00ednculos, levando a muita depreda\u00e7\u00e3o. Todos os canteiros de obras t\u00eam de ser muito cercados e guardados a sete chaves, para n\u00e3o roubarem os materiais. Muitas escolas s\u00e3o reformadas, mas depois de um ano parecem que ficaram 10 anos sem reformas. Hoje, o caminho \u00e9 investir muito na forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, principalmente de quadros. Os portugueses deixaram esta lacuna porque s\u00f3 se podia estudar at\u00e9 a quarta s\u00e9rie. Hoje, Angola n\u00e3o tem engenheiros, eletricistas, encanadores, mec\u00e2nicos, m\u00e9dicos. A maioria dos m\u00e9dicos \u00e9 da R\u00fassia, Vietn\u00e3, Cor\u00e9ia e Cuba. Em Malange s\u00f3 havia quatro m\u00e9dicos angolanos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 \u00c9 um investimento para recuperar trinta anos de guerra?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel &#8211; <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Hoje vejo que o mais dif\u00edcil da miss\u00e3o n\u00e3o foi viver durante a guerra, principalmente com a car\u00eancia de material. Isso se supria. O mais dif\u00edcil \u00e9 agora o p\u00f3s-guerra. As pessoas perderam valores, s\u00e3o mais ego\u00edstas, desconfiadas, h\u00e1 viol\u00eancia, desconfian\u00e7a. Um exemplo, na semana retrasada, o carro em que eu estava engui\u00e7ou e para me ajudar a empurr\u00e1-lo, um rapaz me cobrou mil quanzas, equivalente a 25 d\u00f3lares. No Brasil, isso se faz gratuitamente. L\u00e1, tudo \u00e9 em troca do dinheiro. A guerra descaracterizou, nos grandes centros, esse lado solid\u00e1rio, acolhedor, que felizmente se mant\u00e9m nas aldeias. Na capital, \u00e9 uma selva: quem pode mais chora menos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 Mas n\u00e3o tem viol\u00eancia urbana?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 Tem. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a influenciar muito. Esse filme \u201cCidade de Deus\u201d passou l\u00e1 e os jovens come\u00e7aram a criar gangues para fazer assaltos, para matar. O governo proibiu o seriado \u201cMalha\u00e7\u00e3o\u201d na TV estatal porque estava gerando uma influ\u00eancia negativa. Os filhos desafiavam os pais e batiam neles quando lhes chamavam a aten\u00e7\u00e3o. Como o pa\u00eds ficou muito tempo fechado, sem informa\u00e7\u00f5es, com a abertura, esses jovens come\u00e7aram a copiar tudo o que viam sem o menor senso cr\u00edtico e em detrimento dos valores que tinham. O grande problema \u00e9 esse: o jovem se sente frustrado, n\u00e3o tem acesso \u00e0s escolas, n\u00e3o tem emprego. Eu admiro os rapazes que ficam nas ruas vendendo o dia todo naquele sol quente, fugindo da Pol\u00edcia de um lado a outro para conseguir sobreviver. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 Angola acolheu a todos os que fugiam da guerra sem ter estruturas?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 A capital, do jeito que est\u00e1, n\u00e3o tem conserto (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">segundo dados estat\u00edsticos h\u00e1 4 milh\u00f5es de pessoas desalojadas pelo conflito<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">). \u00c9 uma grande favela, sem a menor estrutura b\u00e1sica de saneamento. Para voc\u00ea ter uma id\u00e9ia, as empresas de lixo trabalham dia e noite e n\u00e3o conseguem tirar o lixo. As pessoas jogam o lixo pelas janelas. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso investir pesado na forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. O peso cultural \u00e9 muito forte e os pr\u00f3prios catequistas nos mostram que h\u00e1 muito por fazer em termos de evangeliza\u00e7\u00e3o. Por exemplo, um catequista que enterra o pr\u00f3prio filho, vivo, porque foi dito que ele \u00e9 feiticeiro. E ele acredita nisso. Para ele, ir a outra aldeia e arrumar uma mulher \u00e9 natural, n\u00e3o \u00e9 adult\u00e9rio porque o \u201chomem n\u00e3o pode viver sem mulher\u201d. Ent\u00e3o, voc\u00ea v\u00ea que o Evangelho n\u00e3o penetrou fundo nas pessoas. Os pr\u00f3prios bispos dizem que a evangeliza\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 superficial. O trabalho \u00e9 muito mais exigente agora para se criar um esp\u00edrito novo de fraternidade e coopera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 Como \u00e9 o trabalho das lavras que os frades ajudam?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 A gente prepara as terras para as fam\u00edlias, divide as vivandas \u2013 cinco para cada um \u2013 e todos trabalham comunitariamente. Um tanto do que se colhe tem que ser para o banco de sementes para outro ano. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para eles esse trabalho em cooperativa. H\u00e1 muita desconfian\u00e7a entre eles por n\u00e3o terem uma vis\u00e3o de conjunto. Os frades t\u00eam um trator e dividia-se o custo para o seu uso: as entidades de fora financiavam um tanto e eles entravam com outro tanto. Agora, com o final da situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, as entidades est\u00e3o diminuindo as ajudas, ent\u00e3o eles t\u00eam que dividir entre eles esse custo. S\u00f3 que \u00e9 um pre\u00e7o muito mais abaixo dos tratores do governo, que cobram 170 d\u00f3lares por hectare e n\u00f3s cobramos 100.<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos &#8211; Depois de dez anos na Miss\u00e3o, como voc\u00ea se sente ao assumir uma nova atividade, j\u00e1 que ser\u00e1 guardi\u00e3o do Postulantado de Guar\u00e1?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 A gente fica dividido. Primeiro, porque voc\u00ea sabe das lutas, dos sofrimentos, ang\u00fastias, do que ficou em Angola. Ao mesmo tempo, \u00e9 um desafio novo\u00a0 voltar pra c\u00e1. Eu n\u00e3o trabalhei ainda como presb\u00edtero no Brasil e vou ter de reaprender tudo e conhecer a realidade da forma\u00e7\u00e3o da Prov\u00edncia.\u00a0 Quando fui para Angola, o povo dizia que eu era um \u201cmi\u00fado\u201d \u2013 eles diziam quando voc\u00ea \u00e9 pequeno \u2013 e agora saio enriquecido e amadurecido: na pr\u00f3pria f\u00e9, no mist\u00e9rio, na vis\u00e3o como franciscano, no aprendizado de ser humilde. A chave para abrir todas as portas tem de ser a humildade. Se voc\u00ea n\u00e3o se dobrar diante das coisas, voc\u00ea n\u00e3o vai conseguir. E vai entendendo por que S\u00e3o Francisco era humilde. Nada vai ser t\u00e3o dif\u00edcil a partir de agora diante da experi\u00eancia que vivi em Angola, mesmo que a gente sempre tenha medo do desconhecido. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 Como voc\u00ea disse,\u00a0 Deus sabe como prover.<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 A gente sabe que n\u00e3o depende de n\u00f3s. Voc\u00ea pode at\u00e9 fazer muita coisa, ter muitos recursos. E pode n\u00e3o dar nada certo. Me lembro que no tempo da guerra a gente se protegia num bunker. Mas isso s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 seguran\u00e7a. Se voc\u00ea n\u00e3o tem Deus que o protege,\u00a0 n\u00e3o adianta voc\u00ea estar num bunker. Voc\u00ea come\u00e7a a confiar mais em Deus e a se colocar nas m\u00e3os Dele..<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 \u00c9 uma volta ao Semin\u00e1rio de Guaratinguet\u00e1?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 Depois de vinte anos, eu volto para l\u00e1. Eu fiz o Postulantado no Sevoa \u2013 Semin\u00e1rio de Voca\u00e7\u00f5es Adultas &#8211; em 86. Vai ser uma experi\u00eancia nova.<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 H\u00e1 um plano de fazer um livro?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 N\u00e3o (risos). L\u00e1 em Angola,\u00a0 esse tempo todo fui cronista da casa. Se fosse para escrever um livro, material n\u00e3o ia faltar, pois existem quatro livros tombo escritos. L\u00e1, cada dia, tem uma coisa nova. \u00c9 como se fosse um cap\u00edtulo de novela.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 O que voc\u00ea diria aos novos mission\u00e1rios que est\u00e3o partindo para a Miss\u00e3o e para aqueles que querem ir?<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> &#8211;\u00a0 Que tenham vontade de servir, porque l\u00e1 tem de estar disposto a fazer qualquer coisa. Conforme a necessidade. \u201cAh, mas n\u00e3o sei fazer isso!\u201d. A gente aprende. Eu aprendi mec\u00e2nica, aprendi a dirigir caminh\u00e3o, trator etc. Ent\u00e3o, quando a gente vai nessa disposi\u00e7\u00e3o, para servir e por amor de Deus, as coisas que pareciam ser dif\u00edceis, como S\u00e3o Francisco dizia, \u201cse tornam doce\u201d. A primeira prioridade \u00e9 isso: ir na disposi\u00e7\u00e3o de servir. Depois, a\u00a0 gente percebe que precisa muito trabalhar a quest\u00e3o da fraternidade. A vida exterior \u00e9 t\u00e3o desafiadora, que o nosso reduto, a nossa fonte de sustenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a fraternidade. Se a gente n\u00e3o conseguir trabalhar a dimens\u00e3o fraterna, a gente n\u00e3o consegue ficar. \u00c9 preciso se ajudar mutuamente, escutar o outro, perceber os sonhos, as dificuldades de cada um. Se a gente consegue conviver, amar, criar gosto pelo outro, forma-se uma fam\u00edlia melhor, que d\u00e1 base para esta vida. Essa experi\u00eancia de fraternidade eu gostei muito de fazer em Angola.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Site Franciscanos \u2013 Todos os formandos de Angola s\u00e3o suas \u201ccrias\u201d. Em que est\u00e1gio est\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>Frei Samuel<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 Os mais adiantados agora s\u00e3o tr\u00eas. Eles est\u00e3o terminando a Filosofia esse ano e v\u00e3o fazer Teologia. S\u00e3o eles: Frei Jo\u00e3o Serrote, Frei Afonso Kachekele, Frei Ant\u00f4nio Baza. Os tr\u00eas come\u00e7aram o Aspirantado comigo, ainda no tempo da guerra. T\u00eam quatro que v\u00e3o para o Postulantado e vamos ter 11 aspirantes. Este ano n\u00e3o tem nenhum no Noviciado. Os dois que estavam para ir desistiram. Esse \u00e9 um problema. A gente percebe, agora no p\u00f3s-guerra, que se abriram muitas outras possibilidades \u2013 h\u00e1 mais universidades e emprego -,\u00a0 ent\u00e3o aquele encanto e desafio da vida religiosa diminuiu. As voca\u00e7\u00f5es diminu\u00edram. O nosso definidor na \u00c1frica, que \u00e9 um mo\u00e7ambicano, disse que \u00e9 pr\u00f3prio do tempo. Vai haver uma queda das voca\u00e7\u00f5es agora, mas daqui a cinco anos isso se estabilizar\u00e1 e voltar\u00e1 a crescer. Mas o bonito ver que quem desistiu, tem a gente como uma fam\u00edlia e mant\u00e9m um v\u00ednculo. Teve dois que foram at\u00e9 o aeroporto quando souberam que eu estava voltando. Foram para l\u00e1 para agradecer e se despedir. Eu falava para eles: mais importante \u00e9 voc\u00eas lutarem pelo desenvolvimento humano. Angola est\u00e1 precisando muito disso. Que voc\u00eas apostem no curso que est\u00e3o fazendo, seja o que for, nesse lado humano das pessoas, para que possa haver transforma\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista &#8211; Frei Samuel Ferreira de Lima<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":242095,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[758],"tags":[2100],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Entrevista: Frei Samuel, uma d\u00e9cada de miss\u00e3o em Angola - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/entrevista-frei-samuel-uma-decada-de-missao-em-angola.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Entrevista: Frei Samuel, uma d\u00e9cada de miss\u00e3o em Angola - 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