{"id":241440,"date":"2022-12-31T08:01:11","date_gmt":"2022-12-31T11:01:11","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=241440"},"modified":"2022-12-31T08:39:17","modified_gmt":"2022-12-31T11:39:17","slug":"morre-bento-xvi-humilde-trabalhador-na-vinha-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/morre-bento-xvi-humilde-trabalhador-na-vinha-do-senhor.html","title":{"rendered":"Morre Bento XVI, &#8220;humilde trabalhador na vinha do Senhor&#8221;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_241441\" style=\"width: 1510px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-241441\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-241441 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bento.jpeg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"844\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bento.jpeg 1500w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bento-450x253.jpeg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bento-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bento-768x432.jpeg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bento-150x84.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><p id=\"caption-attachment-241441\" class=\"wp-caption-text\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Imagem: Vatican Media<\/em><\/p><\/div>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>Papa em\u00e9rito morreu \u00e0s 9h34 deste s\u00e1bado, 31 de dezembro<\/strong><\/p>\n<p>Comunicado do diretor da Sala de Imprensa da Santa S\u00e9, Matteo Bruni:<\/p>\n<p>\u201cCom pesar informo que o Papa Em\u00e9rito Bento XVI faleceu hoje \u00e0s 9h34, no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano. Assim que poss\u00edvel, ser\u00e3o enviadas novas informa\u00e7\u00f5es\u201d<\/p>\n<p>Desde quarta-feira passada, quando o Papa Francisco afirmou que seu predecessor estava muito doente, fi\u00e9is do mundo inteiro se uniram em ora\u00e7\u00e3o pela sa\u00fade do Papa em\u00e9rito. Bento XVI tinha 95 anos e vivia no Mosteiro Mater Ecclesiae desde sua ren\u00fancia ao minist\u00e9rio petrino, em 2013.<\/p>\n<p>O corpo do Papa em\u00e9rito estar\u00e1 na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro para a sauda\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is a partir da segunda-feira, 2 de janeiro.<\/p>\n<hr \/>\n<h1 class=\"article__title\">&#8220;Deus \u00e9 amor&#8221;, a chave do pontificado<\/h1>\n<div class=\"title__separator\">\n<p>Desde 1417, a morte de um (ex) Papa n\u00e3o significava o fim de um pontificado. A morte de Bento XVI, nome de batismo Joseph Ratzinger, ocorreu hoje no Vaticano, quase dez anos ap\u00f3s sua ren\u00fancia, que ele anunciou de surpresa em 11 de fevereiro de 2013, com a leitura de uma breve declara\u00e7\u00e3o em latim diante dos cardeais estupefatos. Nunca em dois mil\u00eanios de hist\u00f3ria da Igreja um Papa deixou a C\u00e1tedra por sentir-se fisicamente inadequado para suportar o peso do pontificado. Ademais, em uma resposta dada ao jornalista Peter Seewald no livro-entrevista &#8220;Luz do Mundo&#8221; publicada tr\u00eas anos antes, ele havia de algum modo antecipado um: &#8220;Quando um Papa chega \u00e0 conclus\u00e3o clara de que n\u00e3o \u00e9 mais capaz f\u00edsica, mental e espiritualmente de realizar a tarefa que lhe foi confiada, ent\u00e3o ele tem o direito e em algumas circunst\u00e2ncias at\u00e9 o dever de renunciar&#8221;. Apesar do fato de que o ep\u00edlogo de seu reinado foi anterior ao fim de sua vida, constituindo um precedente hist\u00f3rico de enorme significado, n\u00e3o seria generoso lembrar Bento XVI apenas por isso.<\/p>\n<h3>&#8216;Teen ager&#8217; teol\u00f3gico no Conc\u00edlio<\/h3>\n<p>Nascido em 1927, filho de um gendarme, em uma fam\u00edlia simples e muito cat\u00f3lica na Baviera, Joseph Ratzinger foi um protagonista na Igreja do s\u00e9culo passado. Ordenado sacerdote junto com seu irm\u00e3o Georg em 1951, tornou-se doutor em teologia dois anos mais tarde e em 1957 recebeu a licen\u00e7a para ensinar como professor de teologia dogm\u00e1tica. Ele ensinou em Freising, Bonn, M\u00fcnster, T\u00fcbingen e, por fim, em Regensburg. Com ele falece o \u00faltimo dos Pont\u00edfices pessoalmente envolvidos nos trabalhos do Conc\u00edlio Vaticano II. Como um te\u00f3logo muito jovem e j\u00e1 estimado, Ratzinger havia acompanhado de perto a assembleia como um especialista do cardeal Frings de Col\u00f4nia, que estava pr\u00f3ximo \u00e0 ala reformista. Ele estava entre aqueles que criticaram fortemente os esquemas preparat\u00f3rios feitos pela C\u00faria Romana, mais tarde varridos pela decis\u00e3o dos bispos. Para o jovem te\u00f3logo Ratzinger, os textos &#8220;devem dar respostas \u00e0s perguntas mais urgentes e devem faz\u00ea-lo, na medida do poss\u00edvel, n\u00e3o julgando e condenando, mas usando uma l\u00edngua materna&#8221;. Ratzinger elogia a reforma lit\u00fargica que estava chegando e as raz\u00f5es de sua inevitabilidade providencial. Ele diz que, para redescobrir a verdadeira natureza da liturgia, era necess\u00e1rio &#8220;romper o muro do latim&#8221;.<\/p>\n<h3><b>Cust\u00f3dio da f\u00e9 com Wojtyla<\/b><\/h3>\n<p>Mas o futuro Bento XVI tamb\u00e9m testemunhou diretamente a crise p\u00f3s-conciliar, a contesta\u00e7\u00e3o nas universidades e nas faculdades teol\u00f3gicas. Ele testemunha o questionamento das verdades essenciais da f\u00e9 e da experimenta\u00e7\u00e3o selvagem em \u00e2mbito lit\u00fargico. J\u00e1 em 1966, um ano ap\u00f3s o final do Conc\u00edlio, ele disse ver o avan\u00e7o de um &#8220;cristianismo a pre\u00e7os rebaixados&#8221;.<\/p>\n<p>Paulo VI o nomeou arcebispo de Munique em 1977, aos 50 anos de idade e algumas semanas mais tarde o criou cardeal. Em novembro de 1981, Jo\u00e3o Paulo II confiou-lhe a condu\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9. Era o in\u00edcio de uma forte parceria entre o Papa polon\u00eas e o te\u00f3logo b\u00e1varo, destinada a desfazer-se somente com a morte de Wojtyla, que at\u00e9 o final recusou a ren\u00fancia de Ratzinger, n\u00e3o querendo se privar dela. Estes foram os anos em que o ex Santo Of\u00edcio colocou os pontos nos &#8220;is&#8221; em muitos assuntos: colocou freios na Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, que usa a an\u00e1lise marxista, e tomou uma posi\u00e7\u00e3o diante do surgimento de grandes problemas \u00e9ticos. A obra mais importante \u00e9 certamente o novo Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, um trabalho que durou seis anos e que viu a luz em 1992.<\/p>\n<h3><b>&#8220;Humilde trabalhador na vinha&#8221;<\/b><\/h3>\n<p>Ap\u00f3s a morte de Wojtyla, o conclave de 2005 chamou para suced\u00ea-lo em menos de 24 horas um homem j\u00e1 idoso &#8211; ele tinha 78 anos de idade &#8211; universalmente estimado e respeitado at\u00e9 mesmo por seus oponentes. Da sacada da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, Bento XVI se apresenta como &#8220;um humilde trabalhador na vinha do Senhor&#8221;. Alheio a qualquer protagonismo, ele diz que n\u00e3o tem &#8220;programa&#8221;, mas quer &#8220;ouvir, com toda a Igreja, a palavra e a vontade do Senhor&#8221;.<\/p>\n<h3><b>Auschwitz e Regensburg<\/b><\/h3>\n<p>Inicialmente t\u00edmido, ele n\u00e3o renunciou a viajar: seu pontificado tamb\u00e9m ser\u00e1 itinerante como o de seu antecessor. Um dos momentos mais comoventes foi a visita a Auschwitz em maio de 2006, com o Papa alem\u00e3o dizendo: &#8220;Em um lugar como este, as palavras falham, s\u00f3 um sil\u00eancio perplexo pode permanecer &#8211; um sil\u00eancio que \u00e9 um grito interior a Deus: Por que pudeste tolerar tudo isso?&#8221; 2006 \u00e9 tamb\u00e9m o ano do caso Regensburg, quando uma frase antiga sobre Maom\u00e9, que o Pont\u00edfice cita sem fazer sua na universidade onde foi professor, \u00e9 instrumentalizada e desencadeia protestos no mundo isl\u00e2mico. Desde ent\u00e3o, o Papa multiplicar\u00e1 seus sinais de aten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos mu\u00e7ulmanos. Bento XVI enfrenta viagens dif\u00edceis, se confronta com a seculariza\u00e7\u00e3o galopante das sociedades descristianizadas e a dissid\u00eancia dentro da Igreja. Ele celebra seu anivers\u00e1rio na Casa Branca junto com George Bush Jr. e alguns dias depois, em 20 de abril de 2008, reza no Ground Zero abra\u00e7ando os parentes das v\u00edtimas do 11 de setembro.<\/p>\n<h3><b>A enc\u00edclica sobre a alegria<\/b><\/h3>\n<p>Embora, como prefeito do ex Santo Of\u00edcio, ele foi frequentemente etiquetado como &#8220;panzerkardinal&#8221;, como Papa ele fala constantemente da &#8220;alegria de ser crist\u00e3o&#8221;, e dedica sua primeira enc\u00edclica ao amor de Deus, &#8220;Deus caritas est&#8221;. No come\u00e7o do ser crist\u00e3o &#8211; escreve ele &#8211; n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande ideia, mas o encontro com um evento, com uma Pessoa&#8221;. Ele tamb\u00e9m encontra tempo para escrever um livro sobre Jesus de Nazar\u00e9, uma obra \u00fanica que ser\u00e1 publicada em tr\u00eas tomos. Entre as decis\u00f5es a serem lembradas est\u00e3o o\u00a0<i>Motu proprio<\/i>\u00a0liberalizando o missal romano pr\u00e9-conciliar e o estabelecimento de um Ordinariato para permitir que as comunidades anglicanas retornem \u00e0 comunh\u00e3o com Roma. Em janeiro de 2009, o Papa decidiu revogar a excomunh\u00e3o dos quatro bispos ordenados ilicitamente por dom Marcel Lefebvre, entre eles tamb\u00e9m Richard Williamson, negacionista das c\u00e2maras de g\u00e1s. As pol\u00eamicas explodem no mundo judeu, o Papa pega caneta e papel e escreve para os bispos do mundo assumindo toda a responsabilidade.<\/p>\n<h3><b>A resposta aos esc\u00e2ndalos<\/b><\/h3>\n<p>Os \u00faltimos anos s\u00e3o marcados pelo retorno explosivo do esc\u00e2ndalo da pedofilia e pelo Vatileaks, o vazamento de documentos retirados da escrivaninha papal e publicados em um livro. Bento XVI \u00e9 determinado e duro em enfrentar o problema da &#8220;sujeira&#8221; dentro da Igreja. Ele introduz regras muito rigorosas de combate ao abuso contra menores, pede \u00e0 C\u00faria e aos bispos que mudem mentalidade. Ele chega a dizer que a mais grave persegui\u00e7\u00e3o para a Igreja n\u00e3o vem de seus inimigos externos, mas do pecado dentro dela. Outra reforma importante \u00e9 a financeira: \u00e9 o Papa Ratzinger quem introduz a regulamenta\u00e7\u00e3o contra a lavagem de dinheiro no Vaticano.<\/p>\n<h3><b>Igreja livre de dinheiro e poder<\/b><\/h3>\n<p>Diante dos esc\u00e2ndalos e do carreirismo eclesi\u00e1stico, o idoso Papa alem\u00e3o continua a fazer apelos \u00e0 convers\u00e3o, \u00e0 penit\u00eancia e \u00e0 humildade. Durante sua \u00faltima viagem \u00e0 Alemanha, em setembro de 2011, pediu que a Igreja fosse menos mundana: &#8220;Exemplos hist\u00f3ricos mostram que o testemunho mission\u00e1rio de uma Igreja &#8220;desmundanizada&#8221; emerge mais claramente. Livre de fardos e privil\u00e9gios materiais e pol\u00edticos, a Igreja pode dedicar-se melhor e de forma verdadeiramente crist\u00e3 ao mundo inteiro, pode estar verdadeiramente aberta ao mundo&#8230;&#8221;. <em>(ANDREA TORNIELLI &#8211; Vatican News)<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h1 class=\"article__title\">A ren\u00fancia: o primeiro Papa em\u00e9rito<\/h1>\n<div class=\"article__subTitle\"><em>\u201cQuando um papa chega \u00e0 clara consci\u00eancia de j\u00e1 n\u00e3o se encontrar em condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, mentais e espirituais de exercer o cargo que lhe foi confiado ent\u00e3o tem o direito \u2013 e, em algumas circunst\u00e2ncias, tamb\u00e9m o dever &#8211; de renunciar\u201d: s\u00e3o palavras de Bento XVI no livro-entrevista \u201cLuz do Mundo\u201d de 2010. Em 2013, eis que chega aquele momento, e a Igreja e o mundo se encontram com o primeiro Papa em\u00e9rito.<\/em><\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p>Mas o Papa Bento foi realmente o primeiro? Logo depois do fat\u00eddico an\u00fancio por parte de Bento XVI, em 11 de fevereiro de 2013, come\u00e7ou a desenfreada busca para verificar se na hist\u00f3ria j\u00e1 tinha acontecido alguma coisa do g\u00eanero. E logo foi encontrado o Papa da Idade M\u00e9dia Celestino V (Pietro Morrone, morto em 1296) que, pouco depois de cinco meses na C\u00e1tedra de Pedro, manifestou o desejo de voltar \u00e0 sua vida de eremita para depois ser preso pelo seu sucessor e morrer em condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis.<\/p>\n<p>De um ponto de vista hist\u00f3rico n\u00e3o \u00e9 claro se Celestino V seja verdadeiramente um \u201cprecursor\u201d de Bento XVI porque os estudiosos duvidam da \u201cespontaneidade\u201d do seu gesto. Al\u00e9m disso h\u00e1 papas e antipapas obrigados \u00e0 ren\u00fancia como por exemplo Greg\u00f3rio XII que renunciou a pedido do Conc\u00edlio de Const\u00e2ncia, para ajudar a acabar com o Grande Cisma do Ocidente. Mas em 2013 foi somente Celestino a ser citado como exemplo.<\/p>\n<p>Na \u201cDivina Com\u00e9dia\u201d, Dante Aleghieri manifestou pouca simpatia por Celestino V e colocou o papa vil no Inferno, \u201ccolui \/ che fece per viltade il gran rifiuto (<i>Inf<\/i>., III, 59-60)\u201d. Em alguns \u00e2mbitos eclesi\u00e1sticos a decis\u00e3o de Bento XVI recebeu uma considera\u00e7\u00e3o semelhante, e a express\u00e3o de que n\u00e3o se desce da cruz, come\u00e7ou a se espalhar em todo o mundo. Mas a grande maioria &#8211; cat\u00f3licos e n\u00e3o cat\u00f3licos \u2013 entenderam essa decis\u00e3o e a respeitaram, tamb\u00e9m pela vida de silencioso retiro \u00e0 que se dedicou. Foi deste modo que Bento XVI demonstrou a sua grandiosidade e por isso mesmo, apesar de todos os precursores, na realidade \u00e9 o primeiro.<\/p>\n<h3><b>O Direito can\u00f4nico<\/b><\/h3>\n<p>O Direito can\u00f4nico apresenta esta possibilidade. De fato, segundo o c\u00e2n. 332 \u00a7 2 \u201cSe acontecer que o Romano Pont\u00edfice renuncie ao cargo, para a validade requer-se que a ren\u00fancia seja feita livremente, e devidamente manifestada, mas n\u00e3o que seja aceite por algu\u00e9m\u201d. E no Consist\u00f3rio de 11 de fevereiro foram respeitadas as duas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Eis que o direito reflete a posi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica \u00fanica do Pont\u00edfice: no c\u00e2n. 331 afirma-se que o Papa tem \u201cpoder ordin\u00e1rio, supremo, pleno, imediato e Universal. Portanto para a Igreja ele \u00e9 o supremo legislador.<\/p>\n<p>Esta autoridade remonta ao Ap\u00f3stolo Pedro, ao qual Jesus Cristo dirige as mesmas palavras que s\u00e3o leg\u00edveis, em letras garrafais, no c\u00edrculo interno da c\u00fapula de S\u00e3o Pedro: \u201cPor isso, eu te digo: tu \u00e9s Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as for\u00e7as do Inferno n\u00e3o poder\u00e3o venc\u00ea-la\u201d (<i>Mt<\/i>\u00a016-18).<\/p>\n<p>Mas como vive um Papa em\u00e9rito e qual o seu papel na Igreja, se n\u00e3o consta no Direito Can\u00f4nico. \u00c9 um \u201cBispo de Roma em\u00e9rito\u201d, um \u201cPapa em\u00e9rito\u201d ou volta a ser um cardeal? Continua a usar o nome como Pont\u00edfice ou volta a ser Joseph Ratzinger? Continua a usar as vestes brancas? S\u00e3o as perguntas que foram levantadas depois de 11 de fevereiro de 2013. Em uma entrevista ao jornal alem\u00e3o FAZ &#8211; Frankfurter Allgemeine Zeitung \u2013 de dezembro de 2014, o Papa em\u00e9rito admitiu que num primeiro momento tinha pensado em escolher o nome \u201cpadre Bento\u201d, para criar um claro afastamento. Por\u00e9m, depois prevaleceu a escolha do nome \u201cPapa em\u00e9rito Bento\u201d; e continuou a usar vestes brancas.<\/p>\n<h3>Como amadureceu a decis\u00e3o<\/h3>\n<p>A ren\u00fancia n\u00e3o foi uma decis\u00e3o impulsiva. No decorrer de muitas entrevistas com pessoas de sua confian\u00e7a, p\u00f4de-se constatar, sucessivamente, que h\u00e1 muito tempo Papa Bento meditava sobre esta decis\u00e3o, que amadureceu com o tempo. J\u00e1 em 2010 no livro-entrevista ele falava da sua elei\u00e7\u00e3o ao Pontificado como de \u201cuma guilhotina\u201d. \u201cTinha certeza que este cargo n\u00e3o seria destinado a mim, mas que Deus, depois de tantos anos de fadiga, teria me concedido um pouco de paz e tranquilidade\u201d: palavras suas em 2010 (<i>Opera omnia<\/i>, 13.2, p. 864).<\/p>\n<p>No mesmo livro-entrevista ele disse tamb\u00e9m que considerava poss\u00edvel uma sua ren\u00fancia e na ocasi\u00e3o falou do direito e do dever da ren\u00fancia (p. 868). Alguns anos depois serviu-se deste direito \u2013 que talvez ele considerasse tamb\u00e9m um dever.<\/p>\n<p>Com este gesto, Papa Bento mudou o minist\u00e9rio. Mesmo se talvez a possibilidade sempre tenha existido e se os papas que o precederam, como Paulo VI, por exemplo, ou Jo\u00e3o Paulo II, talvez tenham pensado nisso, mas Bento XVI viu claramente que se tratava de um \u201cdireito e, em algumas circunst\u00e2ncias, tamb\u00e9m um dever\u201d, e agiu deste modo quando, segundo sua avalia\u00e7\u00e3o, tinha chegado o momento.<em> (<b>Pe. Bernd Hagenkord (in memoriam) \u2013 Cidade do Vaticano)<\/b><\/em><\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<h1 class=\"article__title\">Lombardi: Bento XVI, uma vida dedicada ao encontro do rosto de Jesus<\/h1>\n<div class=\"article__subTitle\"><em><strong>O ex-porta-voz de Bento XVI tra\u00e7a um perfil de Joseph Ratzinger e de sua extraordin\u00e1ria miss\u00e3o centrada na f\u00e9 em Cristo. Uma f\u00e9 sempre em di\u00e1logo com a raz\u00e3o e, portanto, com o mundo, em busca da verdade que n\u00e3o \u00e9 um conjunto de conceitos, mas \u00e9 o Amor que se fez carne.<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p>\u201cMuito em breve eu me encontrarei diante do \u00faltimo juiz da minha vida. Mesmo se olhar para tr\u00e1s \u00e0 minha longa vida eu possa ter tanto motivo de espanto e de medo, estou, por\u00e9m, com a alma feliz porque confio firmemente que o Senhor n\u00e3o \u00e9 apenas o juiz justo, mas ao mesmo tempo o amigo e o irm\u00e3o que j\u00e1 sofreu ele mesmo as minhas insufici\u00eancias e por esse motivo, enquanto juiz, \u00e9 ao mesmo tempo o meu advogado. Em vista da hora do ju\u00edzo a gra\u00e7a de ser crist\u00e3o se torna mais clara para mim. O ser crist\u00e3o me d\u00e1 conhecimento, al\u00e9m disso tamb\u00e9m me d\u00e1 a amizade com o juiz da minha vida e me permite atravessar com confian\u00e7a a porta escura da morte. A prop\u00f3sito, me retorna continuamente no meu pensamento aquilo que Jo\u00e3o conta no in\u00edcio do Apocalipse: ele v\u00ea o Filho do homem em toda a sua grandeza e cai como morto aos seus p\u00e9s. Mas Ele, colocando sobre ele a m\u00e3o direita, lhe diz: \u2018N\u00e3o temas! Sou eu&#8230;\u2019 (cfr Ap 1,12-17)\u201d. Assim escreveu Bento XVI na sua \u00faltima carta, datada de 6 de fevereiro, ao final de dias dolorosos \u201cde exame de consci\u00eancia e reflex\u00e3o\u201d sobre as cr\u00edticas que lhe foram feitas por uma hist\u00f3ria de abusos quando era arcebispo de M\u00f4naco, h\u00e1 mais de 40 anos.<\/p>\n<p>Enfim, o momento do encontro com o Senhor chegou. N\u00e3o se pode certamente dizer que foi inesperado e que o nosso grande anci\u00e3o tenha chegado desprevenido. Se o seu predecessor nos havia dado um testemunho precioso e inesquec\u00edvel de como viver na f\u00e9 uma doen\u00e7a progressiva dolorosa at\u00e9 a morte, Bento XVI nos deu um belo testemunho de como viver na f\u00e9 a fragilidade crescente da velhice por muitos anos at\u00e9 a morte. O fato de haver renunciado ao papado a tempo oportuno lhe deu a permiss\u00e3o \u2013 e a n\u00f3s com ele \u2013 de percorrer este caminho com grande serenidade.<\/p>\n<p>Ele teve o dom de completar o seu caminho conservando uma mente l\u00facida, aproximando-se com esperan\u00e7a, plenamente consciente, a essas \u201crealidades \u00faltimas\u201d sobre as quais teve como poucos a coragem de pensar e falar, gra\u00e7as \u00e0 f\u00e9 recebida e vivida. Seja como te\u00f3logo ou seja como Papa ele nos falou de maneira profunda, cr\u00edvel e convincente. As suas p\u00e1ginas e as suas palavras sobre escatologia, a sua enc\u00edclica sobre esperan\u00e7a permanecem como um presente para a Igreja sobre a qual a sua ora\u00e7\u00e3o silenciosa p\u00f4s o selo nos longos anos de retiro \u201csobre o monte\u201d.<\/p>\n<p>Dentre as muit\u00edssimas coisas que podem ser recordadas do seu pontificado, aquela que honestamente me pareceu e continua a se revelar como a mais extraordin\u00e1ria para mim foi que precisamente naqueles anos conseguiu escrever e completar a sua trilogia sobre Jesus. Como poderia um Papa, com as responsabilidades e as preocupa\u00e7\u00f5es da Igreja universal, que efetivamente carregava sobre os ombros, ser capaz de escrever uma obra como aquela? Certamente era o resultado de uma vida de reflex\u00e3o e de pesquisa. Mas indubitavelmente a paix\u00e3o interior, a motiva\u00e7\u00e3o, deveriam ser formid\u00e1veis. As suas p\u00e1ginas vinham da caneta de um estudioso, mas ao mesmo tempo de um crente que havia empenhado a sua vida na busca de um encontro com o rosto de Jesus e que via neste encontro ao mesmo tempo a realiza\u00e7\u00e3o da sua voca\u00e7\u00e3o e do seu servi\u00e7o aos outros.<\/p>\n<p>Neste sentido, por mais que eu entenda bem porque ele havia esclarecido que aquela obra n\u00e3o deveria ser considerada \u201cmagist\u00e9rio pontif\u00edcio\u201d, continuo a pensar que essa seja parte essencial do seu testemunho de servi\u00e7o como papa, isto \u00e9, como fiel que reconhece em Jesus o Filho de Deus, e em cuja f\u00e9 se pode continuar a apoiar tamb\u00e9m a nossa. Dessa forma n\u00e3o posso considerar casual o fato de que o tempo da decis\u00e3o da ren\u00fancia ao papado, no ver\u00e3o de 2012, coincida com aquele da conclus\u00e3o da trilogia sobre Jesus. Tempo de cumprimento de uma miss\u00e3o centrada sobre a f\u00e9 em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida de que o pontificado de Bento XVI foi caracterizado mais por seu magist\u00e9rio do que por a\u00e7\u00f5es de governo. \u201cEu sabia bem que a minha for\u00e7a \u2013 se eu tivesse uma \u2013 era aquela da apresenta\u00e7\u00e3o da f\u00e9 em modo adequado \u00e0 cultura do nosso tempo\u201d (&#8230;). Uma f\u00e9 sempre em di\u00e1logo com a raz\u00e3o, uma f\u00e9 sensata; uma raz\u00e3o aberta \u00e0 f\u00e9. Justamente Papa Ratzinger foi respeitado por quem vive atento aos movimentos do pensamento e do esp\u00edrito e procura ler os acontecimentos no seu sentido mais profundo e a longo prazo, sem firmar-se na superf\u00edcie dos eventos e das mudan\u00e7as. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que alguns de seus grandes discursos diante de p\u00fablicos n\u00e3o s\u00f3 eclesiais, mas de representantes de toda a sociedade, ficaram gravados na mem\u00f3ria de toda a sociedade, em Londres, em Berlim&#8230; N\u00e3o tinha medo do confronto com ideias e posi\u00e7\u00f5es diversas, olhava com lealdade e clarivid\u00eancia \u00e0s grandes interroga\u00e7\u00f5es, ao ofuscamento da presen\u00e7a de Deus diante do horizonte da humanidade contempor\u00e2nea, \u00e0s perguntas sobre o futuro da Igreja, em particular em seu pa\u00eds e na Europa. E procurava encarar os problemas com lealdade, sem evit\u00e1-los, por mais dram\u00e1ticos que fossem; mas a f\u00e9 e a intelig\u00eancia o permitiam encontrar sempre uma perspectiva de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Os valores intelectuais e cultural de Joseph Ratzinger s\u00e3o demasiadamente conhecidos sem que seja preciso repetir louvores. Quem soube compreend\u00ea-lo e valoriz\u00e1-lo para a Igreja universal foi Jo\u00e3o Paulo II. Por 24 anos dos 26 de pontificado do seu predecessor, Ratzinger foi o Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9. Duas personalidades diferentes, mas \u2013 se me permitem dizer \u2013 uma \u201ccombina\u00e7\u00e3o perfeita\u201d. O ilimitado pontificado de Papa Wojtyla n\u00e3o pode ser pensado adequadamente, do ponto de vista doutrinal, sem a presen\u00e7a do cardeal Ratzinger e a confian\u00e7a colocada sobre, na sua teologia eclesial, na dimens\u00e3o e no equil\u00edbrio do seu pensamento. Servir \u00e0 unidade da f\u00e9 da Igreja nos dec\u00eanios sucessivos ao Vaticano II fazendo fronte a tens\u00f5es e desafios da \u00e9poca no di\u00e1logo com o hebra\u00edsmo, no ecumenismo, no di\u00e1logo com as outras religi\u00f5es, no confronto com o marxismo, no contexto da seculariza\u00e7\u00e3o e da transforma\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o do homem e da sexualidade&#8230; conseguir propor uma s\u00edntese doutrinal ampla e harm\u00f4nica como aquela do Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, acolhida pela grande maioria da comunidade eclesial com inesperado consenso, chegando a conduzir essa comunidade a cruzar o limiar do terceiro mil\u00eanio sentindo-se portadora de uma mensagem de salva\u00e7\u00e3o pela humanidade&#8230;<\/p>\n<p>Na realidade, aquela long\u00edssima e extraordin\u00e1ria colabora\u00e7\u00e3o foi a prepara\u00e7\u00e3o para o pontificado de Bento XVI, visto pelos cardeais como o mais indicado continuador e sucessor da obra de Papa Wojtyla. De um ponto de vista integral o itiner\u00e1rio de Joseph Ratzinger n\u00e3o escapa \u2013 pelo contr\u00e1rio, impressiona \u2013 a continuidade do seu fio condutor e ao mesmo tempo a progressiva amplia\u00e7\u00e3o do horizonte do seu servi\u00e7o.<\/p>\n<p>A voca\u00e7\u00e3o de Joseph Ratzinger \u00e9 desde o in\u00edcio uma voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, ao mesmo tempo voltada ao estudo teol\u00f3gico e ao servi\u00e7o lit\u00fargico e pastoral. Progride nas suas diversas etapas, do semin\u00e1rio \u00e0s primeiras experi\u00eancias pastorais e ao ensinamento universit\u00e1rio; depois o horizonte tem uma primeira grande amplia\u00e7\u00e3o para a experi\u00eancia da Igreja universal com a participa\u00e7\u00e3o no Conc\u00edlio e a parceria com os grandes te\u00f3logos da \u00e9poca; sucessivamente retorna \u00e0 atividade acad\u00eamica de aprofundamento teol\u00f3gico, mas sempre no centro do debate e da experi\u00eancia eclesial; em seguida se aprofunda no servi\u00e7o pastoral da grande arquidiocese de M\u00f4naco; passa definitivamente ao servi\u00e7o da Igreja universal com o chamado a Roma na condu\u00e7\u00e3o da Doutrina da F\u00e9; enfim, um novo chamado o conduz ao governo de toda a comunidade da Igreja, para conduzi-la com intelig\u00eancia sobre as vias do nosso tempo, preservando a unidade e a autenticidade da sua f\u00e9. O lema escolhido na ocasi\u00e3o da ordena\u00e7\u00e3o episcopal, \u201cCooperadores da verdade\u201d (3 Jo\u00e3o, 8), exprime muito bem todo o fio da vida e da voca\u00e7\u00e3o de Joseph Ratzinger, se se compreende que para ele a verdade n\u00e3o significa um conjunto de conceitos abstratos, mas em \u00faltima an\u00e1lise era encarnada na pessoa de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>O pontificado de Bento XVI \u00e9 e ser\u00e1 comumente lembrado tamb\u00e9m como um pontificado marcado por tempos de crise e dificuldade. \u00c9 verdade e n\u00e3o seria correto ignorar esse aspecto. Mas deve ser visto e avaliado n\u00e3o superficialmente. Quanto \u00e0s cr\u00edticas e oposi\u00e7\u00f5es internas ou externas, ele mesmo lembrou com um sorriso que v\u00e1rios outros papas tiveram que enfrentar momentos e situa\u00e7\u00f5es muito mais dram\u00e1ticas. Sem precisar voltar \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es dos primeiros s\u00e9culos, bastava pensar em Pio IX, ou em Bento XV quando condenou o \u201cmassacre in\u00fatil\u201d, ou nas situa\u00e7\u00f5es dos papas no curso das guerras mundiais. Portanto, ele n\u00e3o se considerava um m\u00e1rtir. Nenhum papa pode imaginar n\u00e3o encontrar cr\u00edticas, dificuldades e tens\u00f5es. Isso n\u00e3o quer dizer que, se necess\u00e1rio, n\u00e3o soubesse reagir \u00e0s cr\u00edticas com vivacidade e decis\u00e3o, como aconteceu com a inesquec\u00edvel Carta escrita aos bispos em 2009, depois do caso da remiss\u00e3o da excomunh\u00e3o aos lefebvrianos e do \u201ccaso Williamson\u201d; uma carta apaixonada da qual seu secret\u00e1rio me comentou que expressava &#8220;Ratzinger em seu estado puro&#8221;.<\/p>\n<p>Mas aquela que foi a cruz mais pesada do seu pontificado, cuja gravidade ele j\u00e1 havia come\u00e7ado a perceber durante o per\u00edodo transcorrido na Doutrina da F\u00e9 e que continua a manifestar-se como uma prova e um desafio para a Igreja no \u00e2mbito hist\u00f3rico, s\u00e3o os casos de abuso sexual. Isso tamb\u00e9m foi motivo de cr\u00edticas e ataques pessoais a ele at\u00e9 os \u00faltimos anos, portanto, tamb\u00e9m de profundo sofrimento. Tendo eu tamb\u00e9m estado muito envolvido nestes temas durante o seu pontificado, estou firmemente convencido que ele viu de forma sempre mais l\u00facida a gravidade dos problemas e teve grandes m\u00e9ritos em abord\u00e1-los com amplitude e profundidade de vis\u00e3o nas suas v\u00e1rias dimens\u00f5es: escuta das v\u00edtimas, rigor na busca da justi\u00e7a diante de crimes, cura das feridas, institui\u00e7\u00e3o de normas e procedimentos apropriados, forma\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do mal. Foi apenas o in\u00edcio de um longo caminho, mas nas dire\u00e7\u00f5es justas e com muita humildade. Bento nunca se preocupou com uma \u201cimagem\u201d sua ou da Igreja que n\u00e3o correspondesse \u00e0 verdade. E tamb\u00e9m nesse campo ele sempre se moveu na perspectiva de homem de f\u00e9. Al\u00e9m das medidas pastorais ou jur\u00eddicas, necess\u00e1rias para enfrentar o mal nas suas manifesta\u00e7\u00f5es, ele sentiu o terr\u00edvel e misterioso poder do mal e a necessidade de fazer apelo \u00e0 gra\u00e7a para n\u00e3o nos deixar esmagar pelo desespero e encontrar o caminho da cura, convers\u00e3o, penit\u00eancia, purifica\u00e7\u00e3o, de que o povo, a Igreja e a sociedade precisam.<\/p>\n<p>Quando me foi pedido para recordar de modo resumido, com um epis\u00f3dio, o evento do pontificado de Bento XVI, eu lembrei a Vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o durante a Jornada Mundial da Juventude de Madri em 2011, sobre a grande esplanada do aeroporto de Cuatro Vientos, na qual participava cerca de um milh\u00e3o de jovens. Era noite, a escurid\u00e3o ficava cada mais densa quando o Papa come\u00e7ava o seu discurso. A um certo ponto houve um verdadeiro furac\u00e3o de chuva e vento. Os sistemas de ilumina\u00e7\u00e3o e som param de funcionar e muitas das tendas na beira da esplanada desabaram. A situa\u00e7\u00e3o era realmente dram\u00e1tica. O papa foi convidado por seus colaboradores a se afastar e se proteger, mas ele n\u00e3o quis. Permaneceu paciente e corajosamente em sua cadeira, no palco aberto, protegido por um simples guarda-chuva balan\u00e7ando ao vento. Toda a imensa assembleia seguiu o seu exemplo, com confian\u00e7a e paci\u00eancia. Depois de um certo tempo a tempestade se aquietou, cessou a chuva e uma grande calmaria completamente inesperada se instalou. As estruturas voltaram a funcionar. O papa terminou o seu discurso e o maravilhoso ostens\u00f3rio da catedral de Toledo foi levado ao centro do palco para a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. O papa se ajoelhou em sil\u00eancio diante do Sant\u00edssimo Sacramento e atr\u00e1s dele, na escurid\u00e3o, a imensa assembleia se uniu em ora\u00e7\u00e3o na mais absoluta paz.<\/p>\n<p>Em certo sentido, esta pode permanecer a imagem n\u00e3o apenas do pontificado, mas tamb\u00e9m da vida de Joseph Ratzinger e da meta do seu caminho. Enquanto ele agora entra no sil\u00eancio definitivo diante do Senhor, tamb\u00e9m n\u00f3s continuamos a nos sentir atr\u00e1s dele e com ele.\u00a0<strong><em> (Pe Federico Lombardi SJ)<\/em><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h1 class=\"article__title\">Bento XVI: o Papa que uniu f\u00e9 e raz\u00e3o, esperan\u00e7a e caridade<\/h1>\n<div class=\"article__subTitle\"><em>Bento XVI, afirmou Papa Francisco, foi \u201cum grande Papa\u201d pelo \u201cseu amor \u00e0 Igreja e aos seres humanos\u201d. Um amor que inspirou o Pontificado no qual o Pastor moderado e firme, por 8 anos, segurou \u2013 com coragem e sabedoria \u2013 o tim\u00e3o do Barco de Pedro, mesmo navegando em \u00e1guas agitadas e com ventos contr\u00e1rios.<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"title__separator\">Na <i>reportagem especial<\/i>\u00a0de\u00a0<b>Alessandro Gisotti (Vatican News)<\/b>, voltamos a reviver alguns dos momentos do Pontificado de Bento XVI, o Papa que, por amor \u00e0 Igreja, renunciou ao Minist\u00e9rio Petrino.<\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p>27 de abril de 2014. Um milh\u00e3o de olhares se dirige ao sagrado da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no Vaticano. Em maior n\u00famero s\u00e3o aqueles que assistem ao evento em cadeia internacional:\u00a0<b>Bento XVI, o Papa em\u00e9rito, abra\u00e7a Francisco, o Papa reinante<\/b>.<\/p>\n<p>O abra\u00e7o fraterno acontece sob as tape\u00e7arias dos dois Pont\u00edfices Santos, Jo\u00e3o XXIII e Jo\u00e3o Paulo II. O primeiro remete imediatamente ao Conc\u00edlio Vaticano II, onde o jovem e brilhante te\u00f3logo Joseph Ratzinger participou como conselheiro do Cardeal Frings. O segundo refere-se, naturalmente, \u00e0 especial amizade e \u00e0 fecunda colabora\u00e7\u00e3o entre o Papa polon\u00eas e o cardeal alem\u00e3o. Naquele momento, impens\u00e1vel at\u00e9 um ano antes, se encerra o sentido da vida e do minist\u00e9rio petrino de Papa Bento XVII.<\/p>\n<p><b>O dia memor\u00e1vel dos \u201cquatro Papas\u201d<\/b><\/p>\n<p>Dois Papas que celebram dois Papas santos: s\u00e3o as manchetes dos jornais em todo o mundo. Um evento quase inacredit\u00e1vel. Mas \u201cinacredit\u00e1vel\u201d j\u00e1 tinha sido o primeiro sentimento com o qual o mundo inteiro tinha escutado estas palavras, em 11 de fevereiro de 2013:<\/p>\n<p><em>\u201cConscientia mea iterum atque iterum coram Deo explorata ad cognitionem certam perveni vires meas\u00a0<b>ingravescente aetate non iam aptas esse ad munus Petrinum aeque administrandum<\/b>\u2026\u201d (11 de fevereiro de 2013)<\/em><\/p>\n<p><b>A Ren\u00fancia pelo amor \u00e0 Igreja<\/b><\/p>\n<p>Um conhecido te\u00f3logo italiano afirma \u2013 com sinceridade \u2013 que \u201cn\u00e3o estamos preparados para um Papa que se demite\u201d. Rea\u00e7\u00e3o que une crentes e n\u00e3o-crentes, e levanta um dil\u00favio de coment\u00e1rios e declara\u00e7\u00f5es quase como se se fosse obrigado a dizer alguma coisa para acalmar a inquieta\u00e7\u00e3o gerada por um evento imprevis\u00edvel. Ainda mais enunciado numa l\u00edngua, o latim, que na era do\u00a0<i>hi tech<\/i>\u00a0parece um eco que soa da pr\u00e9-hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Quando, por\u00e9m, se deposita o p\u00f3 erguido pelo terremoto \u2013 que teve seu epicentro na Sala do Consist\u00f3rio do Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico \u2013 a figura do Pastor \u00e9 que permanece em p\u00e9 e que, para o bem do seu rebanho, n\u00e3o tem medo de escolher uma estrada nunca antes percorrida:<\/p>\n<p>\u201cQueridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, como sabem, decidi\u2026 (aplausos)\u2026 Obrigado pela simpatia\u2026 (aplausos)\u2026 Decidi renunciar ao minist\u00e9rio que o Senhor me confiou em 19 de abril de 2005.\u00a0<b>Fiz isso em plena liberdade para o bem da Igreja, depois de ter rezado por muito tempo e de ter examinado diante de Deus a minha consci\u00eancia<\/b>, bem consciente da gravidade desse ato, mas tamb\u00e9m consciente de j\u00e1 n\u00e3o estar em condi\u00e7\u00f5es de prosseguir no minist\u00e9rio petrino com aquela for\u00e7a ele exige.\u201d (Audi\u00eancia Geral de 13 de fevereiro de 2013)<\/p>\n<p>S\u00e3o passadas 48 horas do clamoroso an\u00fancio quando Bento XVI pronuncia essas palavras e abre a porta do seu cora\u00e7\u00e3o aos fi\u00e9is, reunidos na Sala Paulo VI, de maneira que possam aproximar-se aos seus sentimentos. Ent\u00e3o se come\u00e7a a compreender que a Ren\u00fancia do Papa n\u00e3o \u00e9 nenhum \u201cabandono\u201d, mas, ao contr\u00e1rio, um ato supremo de amor a Cristo, inspirado pelo Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p><b>N\u00e3o deixo a Cruz, servirei \u00e0 Igreja em ora\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Depois de poucas horas da conclus\u00e3o do seu minist\u00e9rio, em 27 de fevereiro, na sua \u00faltima Audi\u00eancia Geral<b>, Bento XVI reitera che n\u00e3o est\u00e1 deixando a Cruz, \u201cmas \u00e0 servi\u00e7o da ora\u00e7\u00e3o\u201d permanece, \u201cpor assim dizer, no recinto de S\u00e3o Pedro\u201d<\/b>. Naquele mesmo dia, o Papa encontra os purpurados que se preparam ao Conclave. Entre eles, est\u00e1 inclusive o Cardeal Bergoglio. Para todos o Pont\u00edfice tem palavras de afeto e incentivo:<\/p>\n<p>\u201cQue o Senhor lhes mostre aquilo que \u00e9 da vontade dEle. E, entre os senhores, no Col\u00e9gio dos cardeais, est\u00e1 tamb\u00e9m o futuro Papa, ao qual prometo, j\u00e1 de hoje, a minha rever\u00eancia incondicional e obedi\u00eancia.\u201d (Encontro com os cardeais em 28 de fevereiro de 2013)<\/p>\n<p><b>Um humilde trabalhador na Vinha do Senhor<\/b><\/p>\n<p>A humildade de Bento XVI comove, mas n\u00e3o surpreende, porque \u00e9 bem essa a virtude que sempre o caracterizou, como o mundo j\u00e1 p\u00f4de apreciar das primeiras palavras pronunciadas depois da elei\u00e7\u00e3o como Sucessor de Pedro:<\/p>\n<p>\u201cQueridos irm\u00e3os e irm\u00e3s,\u00a0<b>depois do grande Papa Jo\u00e3o Paulo II&#8230; (aplausos)&#8230; os senhores cardeais me elegeram, um simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor<\/b>. Consola-me o fato de que o Senhor sabe trabalhar e agir tamb\u00e9m com instrumentos insuficientes. E, sobretudo, confio nas suas ora\u00e7\u00f5es. Na alegria do Senhor ressuscitado, confiantes do seu apoio permanente, vamos em frente. O Senhor nos ajudar\u00e1, e Maria, Sua Sant\u00edssima M\u00e3e, est\u00e1 do nosso lado.\u201d (19 de abril de 2005)<\/p>\n<p>Um trabalhador humilde a quem a coragem n\u00e3o falta.\u00a0<b>\u201cO pastor moderado e firme\u201d enfrenta com excepcional determina\u00e7\u00e3o alguns esc\u00e2ndalos que surgiram na Igreja, como a terr\u00edvel ferida dos abusos sexuais em menores<\/b>\u00a0por parte de membros do clero. Bento XVI \u00e9 o primeiro Pont\u00edfice que encontra as v\u00edtimas desse crime horr\u00edvel: e faz sem clamor, longe dos refletores, em Malta, nos Estados Unidos, na Austr\u00e1lia e no Reino Unido.<\/p>\n<p>Disp\u00f5e novas regras que assegurem uma \u201ctoler\u00e2ncia zero\u201d \u00e0queles que se mancham desse delito. E, no Ano Sacerdotal, h\u00e1 150 anos da morte de Curato d\u2019Ars, envoca uma nova transpar\u00eancia. As suas palavras t\u00eam a for\u00e7a de uma profecia:<\/p>\n<p>\u201cDevemos encontrar uma nova resolu\u00e7\u00e3o na f\u00e9 e no bem. Devemos ser capazes de penit\u00eancia. Devemos nos esfor\u00e7ar para tentar tudo o que for poss\u00edvel, na prepara\u00e7\u00e3o do sacerd\u00f3cio, para que uma coisa semelhante n\u00e3o aconte\u00e7a mais. Mas este tamb\u00e9m \u00e9 o lugar para agradecer de cora\u00e7\u00e3o todos aqueles que se comprometem em ajudar as v\u00edtimas e em dar, novamente a elas, a confian\u00e7a na Igreja, na capacidade de acreditar na sua mensagem.\u201d (20 de dezembro de 2010)<\/p>\n<p><b>Pastor moderado e firme, comprometido com a transpar\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>Bento XVI expressa a mesma determina\u00e7\u00e3o no processo de renova\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>Ior<\/i>\u00a0e da gest\u00e3o das atividades econ\u00f4micas no Vaticano. E isso, mesmo com os sofrimentos, inclusive pessoais, que dever\u00e1 suportar por causa do esc\u00e2ndalo \u201cVatileaks\u201d. Mais uma vez,\u00a0<b>atinge a brandura do Papa que perdoa o assistente de quarto que lhe tinha roubado documentos privados.<\/b>\u00a0Um gesto que lembra o perd\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II a Ali Agca.<\/p>\n<p>Mesmo empenhado em reagir \u00e0 crise e imprevistos, o Pontificado de Bento XVI ser\u00e1 pr\u00f3-ativo e inovativo em muitos aspectos, como demonstra tamb\u00e9m a institui\u00e7\u00e3o de um Ordinariado pessoal para os anglicanos que entram em plena comunh\u00e3o com a Igreja Cat\u00f3lica, depois da publica\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o \u201c<i>Anglicanorum Coetibus<\/i>\u201d.<\/p>\n<p><b>Nasce o \u201cP\u00e1tio dos Gentios\u201d, dialogar com os n\u00e3o-crentes<\/b><\/p>\n<p>O Papa leva adiante o confronto com os n\u00e3o-crentes e acelera a nova evangeliza\u00e7\u00e3o para combater \u201ca eclipse de Deus\u201d. Convicto, como o seu amado Santo Agostinho que a op\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 \u201caquela mais racional\u201d, Papa Bento lan\u00e7a a ideia de um \u201cP\u00e1tio dos Gentios\u201d (Cortile dei gentili), um espa\u00e7o privilegiado de di\u00e1logo com os \u201cdistantes\u201d:<\/p>\n<p>\u201cAo di\u00e1logo com as religi\u00f5es se deve acrescentar hoje, sobretudo, o di\u00e1logo com aqueles pelos quais a religi\u00e3o \u00e9 uma coisa estranha, aos quais Deus n\u00e3o \u00e9 conhecido e que, todavia, n\u00e3o gostariam de ficar simplesmente sem Deus, mas aproxim\u00e1-lo ao menos como Desconhecido.\u201d (21 de dezembro de 2009)<\/p>\n<p><b>Peregrino no mundo, do Ground Zero \u00e0 Mesquita Azul<\/b><\/p>\n<p>O humilde trabalhador da vinha planta sementes inclusive no terreno do di\u00e1logo inter-religioso. Visita as sinagogas de Roma, Col\u00f4nia e Nova Iorque,\u00a0<b>e convoca um novo Dia pela Paz em Assis, em outubro de 2011<\/b>, aberta n\u00e3o somente aos homens de f\u00e9, mas tamb\u00e9m aos n\u00e3o-crentes.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m com o mundo mu\u00e7ulmano, depois da incompreens\u00e3o desencadeada por uma cita\u00e7\u00e3o no discurso de Ratisbona, o di\u00e1logo se refor\u00e7a gra\u00e7as inclusive \u00e0 carta aberta de 38 \u201cs\u00e1bios mu\u00e7ulmanos\u201d que se transformam em 138 e, depois, em 216, para encontrar um terreno comum de encontro. O que sintetiza esse di\u00e1logo renovado \u00e9 a imagem de Bento XVI que, na Mesquita Azul, se recolhe em medita\u00e7\u00e3o ao lado do Imam de Istambul.<\/p>\n<p>\u201cPermanecendo alguns minutos em recolhimento naquele lugar de ora\u00e7\u00e3o, me dirigi ao \u00fanico Senhor do c\u00e9u e da terra, Pai misericordioso da inteira humanidade. Possam todos os crentes se reconhecer como suas criaturas e dar testemunho de verdadeira fraternidade!\u201d (Audi\u00eancia Geral de 6 de dezembro de 2006)<\/p>\n<p>O di\u00e1logo ecum\u00eanico merece um cap\u00edtulo especial.\u00a0<b>Papa Bento recolhe frutos importantes: encontra v\u00e1rias vezes o Patriarca de Constantinopla Bartolomeu I<\/b>\u00a0e abre uma nova fase de rela\u00e7\u00f5es com o Patriarcado Ortodoxo de Moscou. Altamente simb\u00f3lica foi a visita a Erfurt, no convento agostiniano de Martinho Lutero, e o encontro em Londres com Rowan Williams, da Comunidade Anglicana.<\/p>\n<p>Enfim, todas as 24 viagens internacionais de Bento XVI deixam um sinal: daquele comovente no L\u00edbano, onde encontra os jovens s\u00edrios refugiados, \u00e0quele hist\u00f3rico em Nova Iorque, onde reza no Ground Zero e fala \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas. De Camar\u00f5es ao Brasil, da Austr\u00e1lia a Cuba, o Papa visita nos seus 8 anos de Pontificado todos os 5 \u201ccontinentes geogr\u00e1ficos\u201d.<\/p>\n<p><b>Em Auschwitz, como filho da Alemanha<\/b><\/p>\n<p>Dif\u00edcil escolher um momento em tantos, mas claramente\u00a0<b>a visita de um Papa, \u201cfilho da Alemanha\u201d ao campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz-Birkenau, tem um valor extraordin\u00e1rio<\/b>:<\/p>\n<p>\u201cPapa Jo\u00e3o Paulo II veio aqui como filho do povo polon\u00eas. Eu estou aqui hoje como filho do povo alem\u00e3o e, justamente por isso, devo e posso dizer como ele: n\u00e3o podia n\u00e3o vir aqui. Tinha que vir. Era e \u00e9 um dever perante a verdade e ao direito de tantos que sofreram, um dever diante de Deus, de estar aqui como sucessor de Jo\u00e3o Paulo II e como filho do povo alem\u00e3o.\u201d (29 de maio de 2006)<\/p>\n<p><b>\u201cColaborador da Verdade\u201d, como diz o seu lema episcopal, Papa Bento \u00e9 tamb\u00e9m testemunha de Caridade<\/b>. Os crist\u00e3os perseguidos em tantos lugares do mundo encontram nele um baluarte seguro. \u00c9 o primeiro Pont\u00edfice a falar de \u201ccristianofobia\u201d e a denunciar as viola\u00e7\u00f5es da liberdade religiosa, como acontece no Paquist\u00e3o com a lei da blasf\u00eamia.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do\u00a0<i>Cor Unum<\/i>\u00a0est\u00e1 na linha de frente para ajudar as popula\u00e7\u00f5es atingidas pelas guerras e desastres naturais. Emocionantes as suas visitas aos pobres, aos idosos, aos doentes na It\u00e1lia e no exterior, em especial, aos pequenos pacientes do Hospital Bambino Ges\u00f9, de Roma, e ao Hospital Caritas Baby, de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>No Brasil, vai encontrar os jovens toxicodependentes da Fazenda da Esperan\u00e7a. Na Jord\u00e2nia, nos Estados Unidos e na Espanha visita os portadores de defici\u00eancia dos centros de assist\u00eancia. Gestos que enaltecem como, aos olhos de Deus, cada pessoa seja \u00fanica e preciosa.<\/p>\n<p><b>Um magist\u00e9rio global, das Enc\u00edclicas ao Twitter<\/b><\/p>\n<p>De outro lado, justamente<b>\u00a0ao amor crist\u00e3o dedica a sua primeira Enc\u00edclica\u00a0<i>Deus Caritas est<\/i>\u00a0(2006).\u00a0<\/b>Seguem, ent\u00e3o,<b>\u00a0<i>Spe Salvi<\/i>,\u00a0<\/b>sobre a esperan\u00e7a, e<b>\u00a0<i>Caritas in Veritate<\/i>\u00a0(2009<\/b>), sobre o desenvolvimento humano integral. Essa chegou a ser lida pelos operadores de Wall Street: em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica mundial que come\u00e7ou nos Estados Unidos, oferece a reflex\u00e3o original da Igreja para colocar a pessoa no centro das din\u00e2micas econ\u00f4micas:<b><\/b><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o devemos esquecer\u2026 como lembravo na Enc\u00edclica\u00a0<i>Caritas in veritate<\/i>, que tamb\u00e9m no campo da economia e das finan\u00e7as h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o, transpar\u00eancia e busca de bons resultados compat\u00edveis e que nunca devem ser dissociados.\u201d (10 de dezembro de 2011)<\/p>\n<p>Al\u00e9m das tr\u00eas Enc\u00edclicas, o Papa publica tamb\u00e9m 4 Exorta\u00e7\u00f5es Apost\u00f3licas p\u00f3s-sinodais e 19\u00a0<i>motu proprio<\/i>, entre eles, o\u00a0<i>Summorum Pontificum<\/i>, sobre a liturgia e a hist\u00f3rica carta dirigida aos cat\u00f3licos chineses, de 2007.<\/p>\n<p><b>Inovador \u00e9 o seu livro-entrevista \u201cLuz do mundo\u201d, em que oferece a sua vis\u00e3o a 360\u00b0 sobre os desafios da Igreja, e a trilogia sobre Jesus de Nazar\u00e9 \u2013 um best seller mundial<\/b>,<b>\u00a0<\/b>no qual Joseph Ratzinger oferece a sua pesquisa de crente sobre a figura hist\u00f3rica de Jesus.<\/p>\n<p>Mas o surpreendente \u00e9, sobretudo, a convic\u00e7\u00e3o com a qual o te\u00f3logo Bento se encaminha pelas estradas da comunica\u00e7\u00e3o, inexploradas por um Papa. Em ocasi\u00e3o da JMJ, envia um sms ao jovens do mundo inteiro, se conecta via sat\u00e9lite com os austronautas de uma esta\u00e7\u00e3o espacial e assina um editorial para o\u00a0<i>Financial Times<\/i>.<\/p>\n<p>Sobretuto\u00a0<b>encoraja a m\u00eddia cat\u00f3lica e vaticana a evangelizar o \u201ccontinente digital\u201d. E d\u00e1 o bom exemplo abrindo, em 2012, a conta no Twitter, @Pontifex<\/b>:<\/p>\n<p>\u201cHoje somos chamados a descobrir, tamb\u00e9m na cultura digital, s\u00edmbolos e met\u00e1foras significativas para as pessoas que possam ser de ajuda ao falar do Reino de Deus ao homem contempor\u00e2neo.\u201d (28 de fevereiro de 2011 \u2013 Discurso ao Pontif\u00edcio Conselho das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais)<\/p>\n<p><b>A Igreja se comprometa com as fam\u00edlias feridas, na esteira do Conc\u00edlio<\/b><\/p>\n<p>E, ao homem contempor\u00e2neo, Bento XVI n\u00e3o deixa de lembrar da sacralidade da vida, da beleza do matrim\u00f4nio natural entre um homem e uma mulher, da urg\u00eancia da liberdade educativa. Aqueles valores que n\u00e3o mudam com o tempo e, por isso, \u201cn\u00e3o s\u00e3o negoci\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p><b>A fam\u00edlia \u00e9 um dos temas que mais importa ao Papa que v\u00ea com particular aten\u00e7\u00e3o os casais feridos<\/b>, de quem viveu o drama de uma separa\u00e7\u00e3o. Significativas tamb\u00e9m, considerando o caminho sinodal sucessivo a pedido de Francisco, as palavras que Bento XVI pronuncia no Encontro Mundial das Fam\u00edlias em Mil\u00e3o, em 2012:<b><\/b><\/p>\n<p>\u201cParece-me uma grande tarefa de uma par\u00f3quia, de uma comunidade cat\u00f3lica, a de fazer realmente o poss\u00edvel para que eles se sintam amados, aceitados, que n\u00e3o est\u00e3o \u2018fora\u2019, mesmo se n\u00e3o podem receber a absolvi\u00e7\u00e3o e a Eucaristia; devem saber que, assim mesmo, vivem plenamente na Igreja.\u201d (3 de junho de 2012)<\/p>\n<p><b>Uma igreja que Bento XVI serviu por toda a sua vida, desde jovem e brilhante te\u00f3logo at\u00e9 como Sucessor de Pedro, tendo sempre como \u201cb\u00fassola\u201d o Conc\u00edlio Vaticano II<\/b>\u00a0que \u2013 e s\u00e3o palavras suas \u2013 \u201cpermite \u00e0 Igreja de proceder em mar aberto\u201d. (AG\/AC)<\/p>\n<hr \/>\n<h1 class=\"article__title\">Simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor &#8211; Bento XVI, o grande<\/h1>\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"padding-left: 40px;\"><em>&#8220;A not\u00edcia divulgada nesta manh\u00e3o do \u00faltimo dia do ano de 2022 \u00e9 para n\u00f3s uma oportunidade de um grande exame de consci\u00eancia no ano que termina e de nos colocarmos dispon\u00edveis para o novo ano que se inicia, agora com o olhar retrospectivo de um grande homem de Deus que partiu e que serviu \u00e0 Igreja como \u201csimples e humilde trabalhador na vinha do Senhor&#8221;, \u00e9 o convite de Dom Orani Tempesta<\/em><\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p>Ao apresentar-se ao mundo como novo Pont\u00edfice, assim se dirigiu ao povo o Papa Bento XVI: \u201cDepois do grande Papa Jo\u00e3o Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor\u201d. O Papa em\u00e9rito Bento XVI, o grande, despediu-se hoje, \u00faltimo dia do ano de 2022, de nosso tempo e voltou para a casa do Pai. Acompanhamos com as ora\u00e7\u00f5es para que esteja junto de Deus na gl\u00f3ria e agradecemos a Deus pela sua miss\u00e3o entre n\u00f3s. Permanecer\u00e1 seu exemplo, seus escritos, seu legado.<\/p>\n<p>Na homilia na bas\u00edlica de S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, em 7 de maio de 2005, o grande Papa Bento deu sinais claros de que estava a servi\u00e7o da Palavra de Deus que \u00e9 \u00fanica, mas chega at\u00e9 n\u00f3s por dois canais: a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradi\u00e7\u00e3o (cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica n. 74-100). Em outras palavras, o Papa \u00e9 o guardi\u00e3o primeiro e zeloso do patrim\u00f4nio da f\u00e9 e n\u00e3o o seu dono. Afirma ele, ent\u00e3o, com palavras marcantes: \u201cO poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores \u00e9, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao servi\u00e7o da obedi\u00eancia \u00e0 f\u00e9. O Papa n\u00e3o \u00e9 um soberano absoluto, cujo pensar e querer s\u00e3o leis. Ao contr\u00e1rio: o minist\u00e9rio do Papa \u00e9 garantia da obedi\u00eancia a Cristo e \u00e0 Sua Palavra. Ele n\u00e3o deve proclamar as pr\u00f3prias ideias, mas vincular-se constantemente a si e \u00e0 Igreja \u00e0 obedi\u00eancia \u00e0 Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adapta\u00e7\u00e3o e de adultera\u00e7\u00e3o, como diante de qualquer oportunismo. [&#8230;] O Papa tem a consci\u00eancia de que est\u00e1, nas suas grandes decis\u00f5es, ligado \u00e0 grande comunidade da f\u00e9 de todos os tempos, \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es vinculantes que cresceram ao longo do caminho peregrinante da Igreja. Assim, o seu poder n\u00e3o \u00e9 superior, mas est\u00e1 a servi\u00e7o da Palavra de Deus, e sobre ele recai a responsabilidade de fazer com que esta Palavra continue a estar presente na sua grandeza e a ressoar na sua pureza, de modo que n\u00e3o seja fragmentada pelas cont\u00ednuas mudan\u00e7as das modas\u201d.<\/p>\n<p>Estamos pr\u00f3ximos de mais um Curso para os Bispos aqui no Rio de Janeiro, e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o recordar que o primeiro conferencista foi exatamente o ent\u00e3o Cardeal Ratzinger, depois o Papa Bento XVI. Marcou o in\u00edcio de nosso Curso, que, sem d\u00favida, neste ano ter\u00e1 uma bela homenagem a ele.<\/p>\n<p>Notemos que, antes, na Missa para o in\u00edcio do minist\u00e9rio petrino, Bento XVI j\u00e1 dizia: \u201cO meu verdadeiro programa de governo \u00e9 n\u00e3o fazer a minha vontade, n\u00e3o perseguir ideias minhas, pondo-me, contudo, \u00e0 escuta, com a Igreja inteira, da palavra e da vontade do Senhor e deixar-me guiar por Ele, de forma que seja Ele mesmo quem guia a Igreja nesta hora da nossa hist\u00f3ria. [&#8230;] \u2018Apascenta as minhas ovelhas\u2019, diz Cristo a Pedro, e a mim, neste momento. Apascentar significa amar, e amar quer dizer tamb\u00e9m estar prontos para sofrer. Amar significa: dar \u00e0s ovelhas o verdadeiro bem, o alimento da verdade de Deus, da palavra de Deus, o alimento da sua presen\u00e7a, que ele nos oferece no Sant\u00edssimo Sacramento. Queridos amigos, neste momento eu posso dizer apenas: rezai por mim, para que eu aprenda cada vez mais a amar o Senhor. Rezai por mim, para que eu aprenda a amar cada vez mais o seu rebanho v\u00f3s, a Santa Igreja, cada um de v\u00f3s singularmente e todos v\u00f3s juntos. Rezai por mim, para que eu n\u00e3o fuja, por receio, diante dos lobos. Rezai uns pelos outros, para que o Senhor nos guie e n\u00f3s aprendamos a guiar-nos uns aos outros\u201d.<\/p>\n<p>A escolha do nome definia a sua admira\u00e7\u00e3o ao Papa Bento XV (1914-1922) e o seu amor a S\u00e3o Bento de Nursia, patriarca dos monges do Ocidente, assim como demonstrava os rumos do seu pontificado. Deixemos que o pr\u00f3prio Bento XVI nos fale: \u201cNeste primeiro encontro, gostaria antes de tudo de falar sobre o nome que escolhi ao tornar-me Bispo de Roma e Pastor universal da Igreja. Quis chamar-me Bento XVI para me relacionar idealmente com o venerado Pont\u00edfice Bento XV, que guiou a Igreja num per\u00edodo atormentado devido ao primeiro conflito mundial. Ele foi um profeta corajoso e aut\u00eantico de paz e comprometeu-se com coragem infatig\u00e1vel primeiro para evitar o drama da guerra e depois para limitar as consequ\u00eancias nefastas. Nas suas pegadas, desejo colocar o meu minist\u00e9rio a servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o e da harmonia entre os homens e os povos, profundamente convencido de que o grande bem da paz \u00e9 antes de tudo dom de Deus, dom fr\u00e1gil e precioso que deve ser invocado, tutelado e constru\u00eddo dia ap\u00f3s dia com o contributo de todos\u201d (Audi\u00eancia Geral, 27\/04\/2005).<\/p>\n<p>E prossegue: \u201cAl\u00e9m disso, o nome Bento recorda tamb\u00e9m a extraordin\u00e1ria figura do grande \u2018Patriarca do monaquismo ocidental\u2019, S\u00e3o Bento de N\u00farsia, co-padroeiro da Europa juntamente com os santos Cirilo e Met\u00f3dio e as mulheres santas, Br\u00edgida da Su\u00e9cia, Catarina de Sena e Edith Stein. A expans\u00e3o progressiva da Ordem beneditina por ele fundada exerceu uma influ\u00eancia enorme na difus\u00e3o do cristianismo em todo o Continente. Por isso, S\u00e3o Bento \u00e9 muito venerado tamb\u00e9m na Alemanha e, em particular, na Baviera, a minha terra de origem; constitui um ponto de refer\u00eancia fundamental para a unidade da Europa e uma forte chamada \u00e0s irrenunci\u00e1veis ra\u00edzes crist\u00e3s da sua cultura e da sua civiliza\u00e7\u00e3o. Deste Pai do Monaquismo ocidental conhecemos a recomenda\u00e7\u00e3o deixada aos monges na sua Regra: \u2018Nada anteponham absolutamente a Cristo\u2019 (Regra 72, 11; cf. 4, 21). No in\u00edcio do meu servi\u00e7o como Sucessor de Pedro pe\u00e7o a S\u00e3o Bento que nos ajude a manter firme a centralidade de Cristo na nossa exist\u00eancia. Que ele esteja sempre no primeiro lugar nos nossos pensamentos e em cada uma das nossas atividades!\u201d (idem).<\/p>\n<p>No seu pontificado, Bento publicou, al\u00e9m de quatro exorta\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas \u2013 \u201cEcclesia in Medio Oriente\u201d, \u201cAfricae m\u00fanus\u201d, \u201cVerbum Domini\u201d e \u201cSacramentum Caritatis\u201d \u2013, al\u00e9m das cartas apost\u00f3licas, constitui\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas e tr\u00eas enc\u00edclicas: \u201cDeus caritas est\u201d, \u201cSpe salvi\u201d e \u201cCaritas in veritate\u201d. Na primeira, recorda que \u201c\u2018Deus \u00e9 amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele\u2019 (1 Jo 4, 16). Estas palavras da I Carta de Jo\u00e3o exprimem, com singular clareza, o centro da f\u00e9 crist\u00e3: a imagem crist\u00e3 de Deus e tamb\u00e9m a consequente imagem do homem e do seu caminho. Al\u00e9m disso, no mesmo vers\u00edculo, Jo\u00e3o oferece-nos, por assim dizer, uma f\u00f3rmula sint\u00e9tica da exist\u00eancia crist\u00e3: \u2018N\u00f3s conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem\u2019 [&#8230;]. Num mundo em que ao nome de Deus se associa \u00e0s vezes a vingan\u00e7a ou mesmo o dever do \u00f3dio e da viol\u00eancia, esta \u00e9 uma mensagem de grande atualidade e de significado muito concreto\u201d (n. 1).<\/p>\n<p>Na segunda lembra, a partir de Rm 8,24, que \u00e9 na esperan\u00e7a que fomos salvos. \u201cA \u2018reden\u00e7\u00e3o\u2019, a salva\u00e7\u00e3o, segundo a f\u00e9 crist\u00e3, n\u00e3o \u00e9 um simples dado de fato. A reden\u00e7\u00e3o \u00e9-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperan\u00e7a, uma esperan\u00e7a fidedigna, gra\u00e7as \u00e0 qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for t\u00e3o grande que justifique a canseira do caminho\u201d (n. 1). J\u00e1 na terceira e \u00faltima enc\u00edclica do seu pontificado, Bento XVI se volta para a Doutrina Social da Igreja com a Caritas in veritate. A\u00ed o Papa constata, de modo muito oportuno, que \u201ca caridade \u00e9 amor recebido e dado; \u00e9 \u2018gra\u00e7a\u2019 (ch\u00e1ris). A sua nascente \u00e9 o amor fontal do Pai pelo Filho no Esp\u00edrito Santo. \u00c9 amor que, pelo Filho, desce sobre n\u00f3s. \u00c9 amor criador, pelo qual existimos; amor redentor, pelo qual somos recriados. Amor revelado e vivido por Cristo (cf. Jo 13,1), \u00e9 \u2018derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo\u2019 (Rm 5,5). Destinat\u00e1rios do amor de Deus, os homens s\u00e3o constitu\u00eddos sujeitos de caridade, chamados a fazerem-se eles mesmos instrumentos da gra\u00e7a, para difundir a caridade de Deus e tecer redes de caridade\u201d (n. 4).<\/p>\n<p>E continua: \u201cA esta din\u00e2mica de caridade recebida e dada, prop\u00f5e-se dar resposta a doutrina social da Igreja. Tal doutrina \u00e9 \u2018caritas in veritate in re sociali\u2019, ou seja, proclama\u00e7\u00e3o da verdade do amor de Cristo na sociedade; \u00e9 servi\u00e7o da caridade, mas na verdade. Esta preserva e exprime a for\u00e7a libertadora da caridade nas vicissitudes sempre novas da hist\u00f3ria. \u00c9 ao mesmo tempo verdade da f\u00e9 e da raz\u00e3o, na distin\u00e7\u00e3o e, conjuntamente, sinergia destes dois \u00e2mbitos cognitivos. O desenvolvimento, o bem-estar social, uma solu\u00e7\u00e3o adequada dos graves problemas socioecon\u00f4micos que afligem a humanidade precisam desta verdade. Mais ainda, necessitam que tal verdade seja amada e testemunhada. Sem verdade, sem confian\u00e7a e amor pelo que \u00e9 verdadeiro, n\u00e3o h\u00e1 consci\u00eancia e responsabilidade social, e a atividade social acaba \u00e0 merc\u00ea de interesses privados e l\u00f3gicas de poder, com efeitos desagregadores na sociedade, sobretudo numa sociedade em vias de globaliza\u00e7\u00e3o que atravessa momentos dif\u00edceis como os atuais\u201d (n. 5).<\/p>\n<p>Por fim, quando, em 11\/02\/2013, Bento XVI renunciou ao m\u00fanus petrino, surgiram muitas especula\u00e7\u00f5es e era o ano da JMJ no Rio de Janeiro, sede que ele mesmo escolheu para esse grande evento. Sobre a ren\u00fancia reporto um texto de nosso irm\u00e3o aqui do Regional Leste 1, D. Rifan: \u201cUm grande desapego do alto cargo e influente posi\u00e7\u00e3o, declarando-se apenas um humilde servidor, uma profunda humildade, n\u00e3o se julgando necess\u00e1rio e reconhecendo a pr\u00f3pria fraqueza e incapacidade, de corpo e de esp\u00edrito, para exercer adequadamente o minist\u00e9rio petrino, e ao pedir perd\u00e3o \u2013 \u2018pe\u00e7o perd\u00e3o por todos os meus defeitos\u2019. (Por tr\u00e1s da ren\u00fancia, 19\/02\/2013, online).<\/p>\n<p>Bento XVI, depois da ren\u00fancia, agiu sempre na discri\u00e7\u00e3o e na obedi\u00eancia ao \u00fanico leg\u00edtimo sucessor de Pedro, o Papa Francisco. Afirmou Bento: \u201cO Papa \u00e9 um s\u00f3, Francisco\u201d (Vatican.news, 27\/06\/2019, online). Da parte do Papa Francisco nunca faltou, nas visitas e nas palavras, carinho e respeito para com o Papa em\u00e9rito e sua \u00faltima miss\u00e3o de ser, a partir do mosteiro Mater Ecclesiae, uma voz orante que ajuda a sustentar a Igreja. Disse o Santo Padre, em sua Audi\u00eancia do dia 28 de dezembro \u00faltimo, sob calorosos aplausos dos peregrinos: \u201cUma ora\u00e7\u00e3o especial pelo Papa em\u00e9rito Bento 16, que no sil\u00eancio est\u00e1 sustentando a Igreja. Recordemos, ele est\u00e1 muito doente, pedindo ao Senhor que o console e o sustente neste testemunho de amor \u00e0 Igreja at\u00e9 o fim\u201d. E logo depois foi visitar Bento XVI onde, segundo dizem, ministrou-lhe a un\u00e7\u00e3o dos enfermos.<\/p>\n<p>Pessoalmente tenho que agradecer, sem m\u00e9rito nenhum de minha parte, ao Papa Bento XVI a minha nomea\u00e7\u00e3o para Arcebispo Metropolitano de Bel\u00e9m do Par\u00e1 em 13 de outubro de 2004 a e a minha nomea\u00e7\u00e3o para Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro a 27 de fevereiro de 2009.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia deixar de tributar meu sincero agradecimento pela sua escolha pessoal para que, ap\u00f3s a jornada em Madrid, de que a Jornada Mundial da Juventude \u2013 JMJ \u2013 2013 \u2013 fosse celebrada no Rio de Janeiro. Ele n\u00e3o pode estar conosco, mas o Papa Francisco colheu a alegria, o entusiasmo e o calor humano dos milhares e milhares de jovens que encheram a Praia de Copacabana para escutar o Sucessor de Pedro. Eu, como monge cisterciense, sempre tive uma sintonia espiritual com o precioso tesouro espiritual que foi o Magist\u00e9rio e o Pontificado do Papa Bento XVI, um magno e sumo pastor, em especial pelo seu nome, j\u00e1 que os cistercienses seguem a Regra de S\u00e3o Bento.<\/p>\n<p>A not\u00edcia divulgada nesta manh\u00e3o do \u00faltimo dia do ano de 2022 \u00e9 para n\u00f3s uma oportunidade de um grande exame de consci\u00eancia no ano que termina e de nos colocarmos dispon\u00edveis para o novo ano que se inicia, agora com o olhar retrospectivo de um grande homem de Deus que partiu e que serviu \u00e0 Igreja como \u201csimples e humilde trabalhador na vinha do Senhor. Ao me deslocar para Roma nestes dias para suas ex\u00e9quias recordo com carinho dos v\u00e1rios encontros pessoais que tivemos com ele e, em especial, seu grande amor \u00e0 Igreja e \u00e0 Cristo que marcou sua vida e miss\u00e3o. Para mim s\u00e3o profundas as palavras do minist\u00e9rio do Papa Bento XVI: \u201cCooperatores veritatis!\u201d. Sempre busquemos ser, com Cristo, cooperadores da Verdade do Evangelho! Agora no c\u00e9u, suplicamos, que o Papa Bento XVI junto de Deus interceda por todos n\u00f3s que o amamos e continuamos reverenciando a sua obra, o seu pontificado, e o seu sorriso discreto e am\u00e1vel, uma das maiores obras teol\u00f3gicas e pastorais de todos os tempos. Descanse em paz! Deus lhe pague pelo seu testemunho de construtor de pontes, sem jamais renunciar a verdade da f\u00e9 cat\u00f3lica e apost\u00f3lica.<\/p>\n<p><b>Orani Jo\u00e3o, Cardeal Tempesta, O. Cist,\u00a0<\/b><b>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, RJ<\/b><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr \/>\n<p><em>Fonte: Vatican News<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igreja Cat\u00f3lica em luto<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":241441,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1428],"tags":[340],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Morre Bento XVI, &quot;humilde trabalhador na vinha do Senhor&quot; - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/morre-bento-xvi-humilde-trabalhador-na-vinha-do-senhor.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Morre Bento XVI, &quot;humilde trabalhador na vinha do Senhor&quot; - 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