{"id":240784,"date":"2022-11-07T07:10:54","date_gmt":"2022-11-07T10:10:54","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=240784"},"modified":"2022-11-07T07:10:54","modified_gmt":"2022-11-07T10:10:54","slug":"papa-tres-guerras-mundiais-em-um-seculo-sejam-pacifistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/papa-tres-guerras-mundiais-em-um-seculo-sejam-pacifistas.html","title":{"rendered":"Papa: &#8220;tr\u00eas guerras mundiais em um s\u00e9culo, sejam pacifistas&#8221;!"},"content":{"rendered":"<div>\n<div id=\"attachment_240785\" style=\"width: 1510px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-240785\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-240785 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/voo_07.jpeg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"844\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/voo_07.jpeg 1500w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/voo_07-450x253.jpeg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/voo_07-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/voo_07-768x432.jpeg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/voo_07-150x84.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><p id=\"caption-attachment-240785\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<em> \u00a0Imagem: Vatican Media<\/em><\/p><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article__subTitle\">No voo de retorno do Bahrein, Francisco falou sobre a Ucr\u00e2nia e os muitos conflitos do mundo. Ele falou de sua amizade com o Gr\u00e3o Imame de Al-Azhar, da import\u00e2ncia de dar direitos e igualdade \u00e0s mulheres, dos migrantes nos navios, dos abusos de crian\u00e7as. E aos cat\u00f3licos alem\u00e3es disse: &#8220;A Alemanha j\u00e1 tem uma grande Igreja evang\u00e9lica, eu n\u00e3o gostaria de ter outra&#8221;<\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p>Eis a transcri\u00e7\u00e3o de trabalho da conversa do Papa Francisco com jornalistas no voo de retorno do Bahrein.<\/p>\n<p><b>1) Fatema Alnajem (Bahrain News Agency)<\/b><\/p>\n<p><b>Gostaria de lhe dizer algo antes de lhe fazer minha pergunta. O senhor tem um lugar muito especial no meu cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 porque visitou meu pa\u00eds, mas porque quando o senhor foi eleito Papa, era o dia do meu anivers\u00e1rio. Tenho uma pergunta: como o senhor avalia os resultados de sua hist\u00f3rica visita ao Reino do Bahrein e como avalia os esfor\u00e7os que o Bahrein est\u00e1 fazendo para consolidar e promover a conviv\u00eancia, em todos os \u00e2mbitos da sociedade, de todas as religi\u00f5es, sexos e ra\u00e7as?<\/b><\/p>\n<p>Foi uma viagem de encontro porque o objetivo era precisamente encontrar-se em di\u00e1logo inter-religioso com o Isl\u00e3 e em di\u00e1logo ecum\u00eanico com Bartolomeu. As ideias do Gr\u00e3o Imame de Al-Azhar estavam precisamente nessa dire\u00e7\u00e3o de buscar a unidade, a unidade dentro do Isl\u00e3 respeitando as\u00a0<i>nouances,<\/i>\u00a0as diferen\u00e7as, mas com unidade, unidade com os crist\u00e3os e com outras religi\u00f5es, e para entrar em di\u00e1logo inter-religioso ou di\u00e1logo ecum\u00eanico \u00e9 necess\u00e1rio ter sua pr\u00f3pria identidade. N\u00e3o se pode partir de uma identidade difusa. Eu sou isl\u00e2mico, sou crist\u00e3o, mas tenho esta identidade e, portanto, posso falar com identidade. Quando n\u00e3o se tem uma identidade pr\u00f3pria, um pouco no ar, \u00e9 um pouco dif\u00edcil o di\u00e1logo porque n\u00e3o h\u00e1 um ir e um voltar e \u00e9 por isso que \u00e9 importante e estes dois que vieram, tanto o Gr\u00e3o Imame de Al-Azhar como o Patriarca Bartolomeu, t\u00eam uma grande identidade. E isso \u00e9 bom.<\/p>\n<p>Do ponto de vista isl\u00e2mico, escutei atentamente os tr\u00eas discursos do Gr\u00e3o Imame e fiquei impressionado com a forma como ele insistiu tanto no di\u00e1logo intra-isl\u00e2mico, entre voc\u00eas, n\u00e3o para cancelar as diferen\u00e7as, mas para se entenderem e trabalhar juntos, n\u00e3o ser um contra o outro. N\u00f3s crist\u00e3os temos uma hist\u00f3ria um pouco feia de diferen\u00e7as que nos levou a guerras religiosas: cat\u00f3licos contra os ortodoxos ou contra os luteranos. Agora, gra\u00e7as a Deus depois do Conselho, h\u00e1 uma aproxima\u00e7\u00e3o e podemos dialogar e trabalhar juntos e isto \u00e9 importante, um testemunho de fazer o bem aos outros. Depois os especialistas, os te\u00f3logos, discutir\u00e3o coisas teol\u00f3gicas, mas devemos caminhar juntos como crentes, como amigos, como irm\u00e3os, fazendo o bem. Eu tamb\u00e9m fiquei impressionado com as coisas que foram ditas no Conselho de Anci\u00e3os, sobre a cria\u00e7\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o, e esta \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o comum a todos, isl\u00e2micos, crist\u00e3os, a todos.\u00a0 Agora, no mesmo avi\u00e3o, eles v\u00e3o do Bahrein ao Cairo, o Secret\u00e1rio de Estado do Vaticano e o Gr\u00e3o Imame de Al-Azhar, juntos como irm\u00e3os. Isto \u00e9 algo bastante comovente. Isto \u00e9 uma coisa boa. Tamb\u00e9m a presen\u00e7a do Patriarca Bartolomeu &#8211; ele \u00e9 uma autoridade no campo ecum\u00eanico \u2013 foi muito boa. Vimos isso na fun\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica que fizemos e nas palavras que ele tamb\u00e9m disse anteriormente. Em resumo: foi uma viagem de encontro.<\/p>\n<p>Para mim, a novidade de conhecer uma cultura aberta a todos. Em seu pa\u00eds, h\u00e1 espa\u00e7o para todos. Tamb\u00e9m vi, o rei me disse: aqui todos fazem o que querem, se uma mulher quer trabalhar, que trabalhe. Abertura total, assim ele me disse. Voc\u00ea sabe, &#8220;voc\u00ea trabalha&#8221;.\u00a0 E tamb\u00e9m a parte religiosa, a abertura. Fiquei impressionado com a quantidade de crist\u00e3os, filipinos, indianos de Kerala que est\u00e3o aqui e vivem no pa\u00eds e trabalham no pa\u00eds.<\/p>\n<p><b>Fatema Alnajem<\/b><\/p>\n<p><b>Eles amam muito o senhor.<\/b><\/p>\n<p>Esta \u00e9 a ideia, encontrei uma novidade e isto me ajuda a entender e interagir mais com as pessoas. A palavra-chave \u00e9 di\u00e1logo, di\u00e1logo, e para dialogar \u00e9 preciso partir da pr\u00f3pria identidade, ter identidade.<\/p>\n<p><b>Fatema Alnajem<\/b><\/p>\n<p><b>Obrigado, Santidade. Rezarei a Al\u00e1, o Todo-Poderoso, para aben\u00e7oar o senhor com boa sa\u00fade, felicidade e uma longa vida.<\/b><\/p>\n<p>Santo Padre: Sim, reze por mim, n\u00e3o contra (risos).<\/p>\n<p><b>2) Imad Atrach<\/b><\/p>\n<p><b>Santo Padre, desde a assinatura do &#8220;Documento sobre a Fraternidade humana&#8221;, tr\u00eas anos atr\u00e1s, at\u00e9 a visita a Bagd\u00e1 e tamb\u00e9m recentemente ao Cazaquist\u00e3o: este caminho est\u00e1 dando frutos tang\u00edveis em sua opini\u00e3o? Podemos esperar que culmine em um encontro no Vaticano? Ent\u00e3o gostaria de agradecer ao senhor por mencionar o L\u00edbano hoje, porque como liban\u00eas posso lhe dizer que precisamos realmente de uma viagem urgente da sua parte, tamb\u00e9m e sobretudo porque agora nem sequer temos um presidente, ent\u00e3o pe\u00e7o que v\u00e1 para abra\u00e7ar o povo diretamente.<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Obrigado. Tenho pensado muito nestes dias &#8211; e conversamos sobre isso com o Gr\u00e3o Imame &#8211; sobre como surgiu a ideia do Documento de Abu Dhabi, aquele Documento que fizemos juntos, o primeiro. Ele tinha vindo ao Vaticano para uma visita de cortesia: ap\u00f3s nosso encontro protocolar, estava quase na hora do almo\u00e7o e ele estava partindo, e enquanto eu o acompanhava para despedir-me dele, perguntei-lhe: &#8220;Mas, aonde vai para almo\u00e7ar? N\u00e3o sei o que ele me disse. &#8220;Mas venha, vamos almo\u00e7ar juntos&#8221;. Foi algo que veio de dentro. Depois, sentados \u00e0 mesa, ele, seu secret\u00e1rio, dois conselheiros, eu, meu secret\u00e1rio, meu conselheiro, pegamos o p\u00e3o, o partimos e o demos um ao outro. Um gesto de amizade, oferecendo o p\u00e3o. Foi um almo\u00e7o muito agrad\u00e1vel, muito fraternal. E no final, n\u00e3o sei quem teve a ideia, dissemos um para o outro: mas por que n\u00e3o escrevemos sobre este encontro? Assim nasceu o Documento de Abu Dhabi. Os dois secret\u00e1rios come\u00e7aram a trabalhar, com um rascunho indo e um rascunho voltando, um rascunho indo e um rascunho voltando, e no final aproveitamos do encontro de Abu Dhabi para public\u00e1-lo. Foi uma coisa de Deus, n\u00e3o se pode entender de outra forma, porque nenhum de n\u00f3s tinha isto em mente. Surgiu durante um almo\u00e7o amig\u00e1vel, e isso \u00e9 uma coisa importante. Depois continuei pensando, e o Documento de Abu Dhabi foi a base da &#8220;Fratelli tutti&#8221;; o que escrevi sobre amizade humana na &#8220;Fratelli tutti&#8221; \u00e9 baseado no Documento de Abu Dhabi. Acredito que n\u00e3o se pode pensar em tal caminho sem pensar em uma b\u00ean\u00e7\u00e3o especial do Senhor neste caminho. Quero dizer isto por justi\u00e7a, penso que \u00e9 justo que voc\u00eas saibam como o Senhor inspirou este caminho. Eu nem sabia nem mesmo qual era o nome do Gr\u00e3o Imame, depois nos tornamos amigos e fizemos algo como dois amigos, e agora conversamos toda vez que nos encontramos. O Documento \u00e9 atual, e estamos trabalhando para torn\u00e1-lo conhecido.<\/p>\n<p>Depois no L\u00edbano&#8230; O L\u00edbano \u00e9 uma dor para mim. Como o L\u00edbano n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds em si mesmo, um Papa disse-o antes de mim, o L\u00edbano n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds, \u00e9 uma mensagem. O L\u00edbano tem um significado muito grande para todos n\u00f3s. E o L\u00edbano est\u00e1 sofrendo neste momento. Rezo, e aproveito esta oportunidade para fazer um apelo aos pol\u00edticos libaneses: deixem os interesses pessoais de lado, olhem para o pa\u00eds e concordem entre si. Primeiro Deus, depois a p\u00e1tria, depois os interesses. Mas Deus e a p\u00e1tria. Neste momento n\u00e3o quero dizer &#8220;salvar o L\u00edbano&#8221; porque n\u00e3o somos salvadores, mas por favor, apoiem o L\u00edbano, ajudem para que o L\u00edbano pare esta descida, para que o L\u00edbano recupere sua grandeza. H\u00e1 meios, h\u00e1 a generosidade do L\u00edbano, quantos refugiados pol\u00edticos o L\u00edbano tem! T\u00e3o generoso e est\u00e1 sofrendo. Aproveito esta oportunidade para pedir uma ora\u00e7\u00e3o pelo L\u00edbano, a ora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma amizade. Voc\u00eas s\u00e3o jornalistas, olhem para o L\u00edbano e falem sobre isso para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o. Obrigado.<\/p>\n<p><b>3) Carol\u00a0 Glatz (CNS)<\/b><\/p>\n<p><b>Santidade, durante esta viagem ao Bahrein, o senhor falou dos direitos fundamentais, inclusive das mulheres, da sua dignidade, do direito a ter o seu espa\u00e7o na esfera social e p\u00fablica e encorajou os jovens a terem coragem, a fazerem barulho, a irem adiante por um mundo mais justo. Vista a situa\u00e7\u00e3o aqui perto, no Ir\u00e3, com as manifesta\u00e7\u00f5es desencadeadas por algumas mulheres e por muitas jovens que querem mais liberdade, o senhor apoia este empenho das mulheres e dos homens que pedem para terem direitos fundamentais, que se encontram tamb\u00e9m no documento sobre a Fraternidade Humana?<\/b><\/p>\n<p>Mas devemos dizer a verdade. A luta pelos direitos da mulher \u00e9 uma luta cont\u00ednua. Porque, em alguns lugares, a mulher consegue ter uma igualdade com os homens. Mas em outros lugares n\u00e3o consegue. N\u00e3o? Eu me lembro nos anos 50 no meu pa\u00eds, quando houve a luta pelos direitos civis das mulheres, para que as mulheres pudessem votar. Porque at\u00e9 os anos 50 mais ou menos s\u00f3 os homens podiam votar no meu pa\u00eds. E penso nesta mesma luta nos Estados Unidos, famosa, pelo voto feminino. Mas por que \u2013 me questiono \u2013 a mulher deve lutar assim para manter os seus direitos? H\u00e1 uma lenda \u2013 n\u00e3o sei se \u00e9 uma lenda \u2013 sobre a origem das joias da mulher \u2013 talvez uma lenda \u2013 que explica a crueldade de muitas situa\u00e7\u00f5es contra a mulher. Diz-se que a mulher carrega tantas joias porque em algum pa\u00eds \u2013 n\u00e3o lembro, talvez seja um fato hist\u00f3rico \u2013 havia o h\u00e1bito que quando o marido se cansava da mulher, lhe dizia \u201cvai embora!\u201d e ela n\u00e3o podia voltar para pegar nada. Tinha que ir embora com aquilo que tinha consigo. E por isso acumulavam ouro para pelo menos terem alguma coisa. Dizem que esta seja a origem das joias. N\u00e3o sei se \u00e9 verdade ou n\u00e3o, mas a imagem nos ajuda.<\/p>\n<p>Os direitos s\u00e3o fundamentais: mas por que hoje, hoje, no mundo n\u00e3o podemos parar com a trag\u00e9dia da infibula\u00e7\u00e3o nas meninas? Isto \u00e9 terr\u00edvel.\u00a0Hoje. Que exista esta pr\u00e1tica, que a humanidade n\u00e3o consiga eliminar isto que \u00e9 um crime, um ato criminoso!\u00a0 As mulheres, segundo dois coment\u00e1rios que ouvi, ou s\u00e3o material descart\u00e1vel &#8211; \u00e9 feio, n\u00e3o? &#8211; ou s\u00e3o \u201cesp\u00e9cie protegida\u201d. Mas a igualdade entre homens e mulheres ainda n\u00e3o existe universalmente, e existem esses epis\u00f3dios: que as mulheres s\u00e3o de segunda classe ou menos. Devemos continuar a lutar, porque as mulheres s\u00e3o um dom. Deus n\u00e3o criou o homem e depois lhe deu um cachorrinho para se divertir. N\u00e3o. Criou os dois, iguais, homem e mulher. E aquilo que Paulo escreveu em uma das suas cartas sobre a rela\u00e7\u00e3o homem-mulher, que hoje nos parece antiquado, naquele momento foi t\u00e3o revolucion\u00e1rio que escandalizou sobre a fidelidade homem e mulher. (Disse): o homem cuide da mulher como da pr\u00f3pria carne. Naquele momento, isto foi uma coisa revolucion\u00e1ria. Todos os direitos da mulher v\u00eam desta igualdade. E uma sociedade que n\u00e3o \u00e9 capaz de colocar a mulher no seu lugar n\u00e3o vai adiante. Temos a experi\u00eancia (disto). No livro que escrevi \u201cVoltemos a sonhar\u201d, na parte sobre a economia por exemplo: existem mulheres economistas neste momento no mundo que mudaram a vis\u00e3o econ\u00f4mica e s\u00e3o capazes de lev\u00e1-la avante. Porque t\u00eam um dom diferente. Sabem administrar as coisas de outro modo, que n\u00e3o \u00e9 inferior, \u00e9 complementar. Uma vez tive um col\u00f3quio com uma chefe de governo, uma grande chefe de governo, uma m\u00e3e com v\u00e1rios filhos que teve um sucesso muito grande em resolver uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil. E eu lhe disse: diga-me, senhora, como fez para resolver uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil?<\/p>\n<p>E ela come\u00e7ou a mover as m\u00e3os assim, em sil\u00eancio. Depois me disse: como fazemos (n\u00f3s) as m\u00e3es. A mulher, para resolver um problema, tem o pr\u00f3prio caminho, que n\u00e3o \u00e9 o do homem. E ambos os caminhos devem trabalhar juntos: a mulher igual ao homem trabalha pelo bem comum com aquela intui\u00e7\u00e3o que as mulheres t\u00eam. Vi que, no Vaticano, toda vez que uma mulher entra para fazer um trabalho no Vaticano, as coisas melhoram. Por exemplo, a vice-governadora do Vaticano \u00e9 uma mulher, a vice-governadora \u00e9 uma mulher e as coisas mudaram bem. No Conselho para a Economia, havia seis cardeais e seis leigos, todos homens. Mudei os leigos e coloquei um homem e cinco mulheres. E esta \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o porque as mulheres sabem encontrar o caminho certo, sabem ir adiante. E agora coloquei Marianna Mazzuccato, na Pontif\u00edcia Academia para a Vida. Ela \u00e9 uma grande economista dos Estados Unidos, (a coloquei) para dar um pouco de humanidade a isto. As mulheres trazem a sua contribui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o devem se tornar como os homens. N\u00e3o. S\u00e3o mulheres e n\u00f3s precisamos delas. E uma sociedade que cancela as mulheres da vida p\u00fablica \u00e9 uma sociedade que empobrece. Empobrece. Igualdade de direitos, sim. Mas tamb\u00e9m uma igualdade de oportunidades. Igualdade de (possibilidades) para ir avante, porque, do contr\u00e1rio, se empobrece. Creio que com isto disse aquilo que globalmente \u00e9 preciso fazer. Mas ainda falta caminhar, porque existe este machismo. Eu venho de um povo machista. Os argentinos somos machistas, sempre. E isso \u00e9 ruim, mas depois recorremos \u00e0s m\u00e3es que s\u00e3o aquelas que resolvem os problemas. Mas este machismo mata a humanidade. Obrigado por ter me dado a oportunidade de dizer isto, (algo) que levo muito no cora\u00e7\u00e3o. Lutemos n\u00e3o s\u00f3 pelos direitos, mas porque \u00e9 preciso ter mulheres na sociedade que nos ajudem a mudar.<\/p>\n<p><b>4) Antonio Pelayo (Vida Nueva)<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p><b>Santo Padre, a \u00fanica vez nesta viagem que o senhor improvisou foi para se referir \u00e0 \u201cmartirizada Ucr\u00e2nia\u201d e \u00e0s \u201cnegocia\u00e7\u00f5es de paz\u201d. Gostaria de perguntar ao senhor se pode nos dizer algo sobre como prosseguem as negocia\u00e7\u00f5es por parte do Vaticano e outra pergunta: o senhor falou ultimamente com Putin ou tem inten\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-lo proximamente?<\/b><\/p>\n<p>Bom, antes de tudo: o Vaticano est\u00e1 continuamente atento, a Secretaria de Estado trabalha e trabalha bem, trabalha bem. Sei que o secret\u00e1rio, Dom Gallagher, se move bem ali. Depois, um pouco de hist\u00f3ria. No dia sucessivo (ao in\u00edcio) da guerra \u2013 pensei que n\u00e3o se pudesse fazer algo inusual \u2013 fui \u00e0 embaixada russa para falar com o embaixador, que \u00e9 uma boa pessoa. Eu o conhe\u00e7o h\u00e1 seis anos, desde que chegou, um humanista. Lembro de um coment\u00e1rio que me fez naquela ocasi\u00e3o: \u201c<i>Nous sommes tomb\u00e9s dans la dictature de l\u2019argent<\/i>\u201d (N\u00f3s ca\u00edmos na ditadura do dinheiro), falando da civiliza\u00e7\u00e3o. Um humanista, um homem que luta pela igualdade. Eu lhe disse que estava disposto a ir a Moscou para falar com Putin, caso fosse necess\u00e1rio. Mas me respondeu muito educadamente Lavrov (o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, ndr) \u2013 obrigado \u2013 (mas) naquele momento n\u00e3o era necess\u00e1rio. Mas a partir daquele momento, nos interessamos muito. Falei duas vezes por telefone com o presidente Zelensky; depois com o embaixador algumas outras vezes. E se faz um trabalho de aproxima\u00e7\u00e3o, para buscar solu\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m a Santa S\u00e9 faz o que deve fazer em rela\u00e7\u00e3o aos prisioneiros, essas coisas&#8230; s\u00e3o coisas que sempre se fazem e a Santa S\u00e9 sempre as fez, sempre. \u00a0E (depois) a prega\u00e7\u00e3o pela paz. A mim impressiona \u2013 por isso uso a palavra \u201cmartirizada\u201d para a Ucr\u00e2nia \u2013 a crueldade &#8211; que n\u00e3o \u00e9 do povo russo, talvez&#8230; porque o povo russo \u00e9 um povo grande -, \u00e9 dos mercen\u00e1rios, dos soldados que v\u00e3o fazer a guerra como fazem uma aventura, os mercen\u00e1rios&#8230; Eu prefiro pensar assim, porque tenho uma estima muito elevada do povo russo, do humanismo russo. Basta pensar em Dostojevskij que at\u00e9 hoje nos inspira, inspira os crist\u00e3os a pensar o cristianismo. Tenho um grande afeto pelo povo russo e tamb\u00e9m tenho um grande afeto pelo povo ucraniano. Quando eu tinha 11 anos, havia um padre que celebrava em ucraniano e todas essas can\u00e7\u00f5es ucranianas eu as conhe\u00e7o na l\u00edngua deles, porque eu as aprendi quando crian\u00e7a, por isso tenho um afeto muito grande pela liturgia ucraniana. Estou em meio a dois povos aos quais quero bem. Mas n\u00e3o s\u00f3 eu, a Santa S\u00e9 fez muitos encontros reservados, muitas coisas com \u00eaxito positivo. Porque n\u00e3o podemos negar que uma guerra no in\u00edcio talvez nos fa\u00e7a corajosos, mas depois cansa e faz mal e se v\u00ea o mal que uma guerra faz. Isso da parte mais humana, mais pr\u00f3xima. Depois gostaria de me lamentar, aproveitando esta pergunta: em um s\u00e9culo, tr\u00eas guerras mundiais! A de 1914-1918, a de 1939-1945, e esta!\u00a0Esta \u00e9 uma guerra mundial, porque \u00e9 verdade que quando os imp\u00e9rios, seja de um lado, seja do outro, se enfraquecem, precisam fazer uma guerra para se sentirem fortes e tamb\u00e9m para vender armas! Porque hoje creio que a maior calamidade que existe no mundo \u00e9\u00a0a ind\u00fastria das armas. Por favor! Disseram-me, n\u00e3o sei se \u00e9 verdade ou n\u00e3o, que se por um ano n\u00e3o se produzissem armas se poderia acabar com a fome no mundo. A ind\u00fastria das armas \u00e9 terr\u00edvel. Alguns anos atr\u00e1s, tr\u00eas ou quatro, chegou de um pa\u00eds um navio repleto de armas a G\u00eanova, e deveria passar as armas para um navio maior para lev\u00e1-lo ao I\u00eamen. Os oper\u00e1rios de G\u00eanova se recusaram\u2026 Foi um gesto. O I\u00eamen: mais de dez anos de guerra. As crian\u00e7as do I\u00eamen n\u00e3o t\u00eam o que comer. Os Rohingya, transferindo-se de um lado a outro porque foram expulsos, sempre em guerra. Em Mianmar, \u00e9 terr\u00edvel o que est\u00e1 acontecendo\u2026 Agora, espero que hoje na Eti\u00f3pia algo pare, com um tratado\u2026 Mas estamos em guerra em todos os lugares e n\u00f3s n\u00e3o entendemos isso. Agora, nos toca de perto, na Europa, a guerra russo-ucraniana. Mas est\u00e1 em todos os lugares, h\u00e1 anos. Na S\u00edria, 12-13 anos de guerra, e ningu\u00e9m sabe se h\u00e1 prisioneiros e o que acontece ali dentro. Depois, o L\u00edbano, falamos desta trag\u00e9dia&#8230; Eu n\u00e3o sei se j\u00e1 disse isso a voc\u00eas: quando fui a Redipuglia, em 2014, vi isso \u2013 e meu av\u00f4 lutou no Piave e me contou o que acontecia ali &#8211; e aqueles t\u00famulos de jovens&#8230; chorei, chorei, n\u00e3o tenho vergonha de dizer. Depois num 2 de novembro, que sempre vou ao cemit\u00e9rio, fui perto de Anzio e vi o t\u00famulo daqueles jovens americanos, (mortos) no desembarque de Anzio. (Tinham) 19-20-22-23 anos e chorei, realmente, me veio do cora\u00e7\u00e3o\u2026 E pensei nas m\u00e3es quando batem \u00e0 sua porta: \u201cUma carta para a senhora\u201d. Abre o envelope: \u201cSenhora, tenho a honra de lhe dizer que tem um filho her\u00f3i da p\u00e1tria&#8230; As trag\u00e9dias da guerra. N\u00e3o quero falar mal de ningu\u00e9m, mas me tocou o cora\u00e7\u00e3o: quando se recordou o desembarque na \u00a0Normandia, havia os chefes de muitos governos para celebrar. \u00c9 verdade, foi o in\u00edcio da queda do nazismo, \u00e9 verdade. Mas quantos jovens ficam na praia da Normandia? Dizem 30 mil \u2026 Quem pensa naqueles jovens? A guerra semeia tudo isto. Por isso, voc\u00eas que s\u00e3o jornalistas, por favor, sejam pacifistas, falem contra as guerras, lutem contra a guerra. Eu lhes pe\u00e7o como um irm\u00e3o. Obrigado.<\/p>\n<p><b>5) Hugues Lefevre (I. Media)<\/b><\/p>\n<p><b>Santo Padre, esta manh\u00e3 em seu discurso ao clero do Bahrein, o senhor falou sobre a import\u00e2ncia da alegria crist\u00e3, mas nos \u00faltimos dias muitos fi\u00e9is franceses perderam essa alegria quando descobriram pela imprensa que a Igreja tinha mantido em segredo a condena\u00e7\u00e3o, em 2021, de um bispo, agora aposentado, que tinha cometido abuso sexual nos anos 90 quando era sacerdote. Quando esta hist\u00f3ria saiu na imprensa, cinco novas v\u00edtimas apareceram. Hoje, muitos cat\u00f3licos desejam saber se a cultura do sigilo da justi\u00e7a can\u00f4nica deve mudar e se tornar transparente (e eu) gostaria de saber se o senhor acha que as san\u00e7\u00f5es can\u00f4nicas devem ser tornadas p\u00fablicas, obrigado.<\/b><\/p>\n<p>Obrigado a voc\u00ea pela pergunta. Eu gostaria de come\u00e7ar (com) um pouco de hist\u00f3ria sobre isso. O problema do abuso sempre existiu, n\u00e3o apenas na Igreja, mas em todos os lugares. Voc\u00eas sabem que de 42 a 46% dos abusos sexuais ocorrem na fam\u00edlia ou no bairro. Isto \u00e9 muito grave, mas o h\u00e1bito sempre foi o de encobrir. Na fam\u00edlia ainda hoje tudo \u00e9 encoberto, e at\u00e9 no bairro tudo \u00e9 encoberto ou pelo menos a maioria dos casos. Um h\u00e1bito feio que na Igreja come\u00e7ou a mudar quando houve o esc\u00e2ndalo de Boston nos tempos do cardeal Law que, por causa do esc\u00e2ndalo, renunciou. Foi a primeira vez que (um caso de abuso) saiu como um esc\u00e2ndalo. Desde ent\u00e3o, a Igreja tomou consci\u00eancia disso e come\u00e7ou a trabalhar, enquanto na sociedade e em outras institui\u00e7\u00f5es normalmente se encobre. Quando houve o encontro dos presidentes das confer\u00eancias episcopais (sobre este tema) pedi ao Unicef, a ONU as estat\u00edsticas deste (fen\u00f4meno), os dados percentuais: nas fam\u00edlias, bairros, nas escolas, no esporte&#8230; e um estudo preciso foi feito incluindo tamb\u00e9m a Igreja. \u00a0Alguns dizem que somos uma pequena minoria, mas (eu digo) se fosse um \u00fanico caso ainda seria tr\u00e1gico, porque voc\u00ea sacerdote tem a voca\u00e7\u00e3o de fazer as pessoas crescer e ao se comportar dessa maneira voc\u00ea as destr\u00f3i. Para um sacerdote, o abuso \u00e9 como ir contra a pr\u00f3pria natureza sacerdotal e contra a pr\u00f3pria natureza social. Por isso, \u00e9 uma coisa tr\u00e1gica e n\u00e3o devemos parar, n\u00e3o devemos parar.<\/p>\n<p>Neste despertar-se, fazer investiga\u00e7\u00f5es e acusa\u00e7\u00f5es, nem sempre (e em todos os lugares) foi tudo igual, algumas coisas foram escondidas. Antes do esc\u00e2ndalo de Boston as pessoas eram deslocadas (os sacerdotes eram transferidos), agora tudo \u00e9 claro e estamos avan\u00e7ando neste ponto. Por isso, n\u00e3o devemos nos surpreender que casos como este surjam. Agora me lembrei de outro caso, de outro bispo. Existem sabe? E (agora) n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil dizer &#8220;n\u00e3o\u00a0sab\u00edamos&#8221; ou &#8220;era a cultura da \u00e9poca e continua sendo a cultura social a de esconder&#8221;. Digo-lhe isto: a Igreja est\u00e1 determinada sobre isso, e quero agradecer publicamente aqui o hero\u00edsmo do cardeal O&#8217;Malley, um bom frade capuchinho, que sentiu a necessidade de institucionalizar isso com a Comiss\u00e3o para a Prote\u00e7\u00e3o dos Menores que ele est\u00e1 realizando e isso faz bem a todos n\u00f3s e nos d\u00e1 coragem.<\/p>\n<p>Estamos trabalhando com tudo o que podemos, mas saiba que existem pessoas dentro da Igreja que ainda n\u00e3o veem claramente, n\u00e3o compartilham. \u00c9 um processo o que estamos fazendo e o estamos realizando com coragem e nem todos t\u00eam coragem; \u00e0s vezes h\u00e1 a tenta\u00e7\u00e3o de fazer acordo, tamb\u00e9m somos todos escravos de nossos pecados, mas a vontade da Igreja \u00e9 de esclarecer tudo.\u00a0 Por exemplo, nos \u00faltimos meses recebi duas queixas sobre casos de abuso que tinham sido encobertos e n\u00e3o julgados bem pela Igreja: pedi imediatamente um novo estudo (os dois casos) e agora um novo julgamento est\u00e1 sendo feito; h\u00e1 tamb\u00e9m isto ent\u00e3o, a revis\u00e3o de julgamentos antigos, n\u00e3o bem feitos (n\u00e3o ocorridos de maneira adequada). Fazemos o que podemos, somos todos pecadores, sabe? E a primeira coisa que temos que sentir \u00e9 vergonha, a vergonha profunda disso. Eu acredito que a vergonha seja uma gra\u00e7a. Podemos lutar contra todos os males do mundo, mas sem a vergonha&#8230; (\u00e9 in\u00fatil). Por isso, me surpreendeu que Santo In\u00e1cio nos Exerc\u00edcios Espirituais, quando faz voc\u00ea pedir perd\u00e3o por todos os pecados que cometeu, ele faz voc\u00ea chegar at\u00e9 a vergonha, e se voc\u00ea n\u00e3o tem a gra\u00e7a da vergonha, n\u00e3o pode ir adiante. Um dos insultos que temos na minha terra \u00e9 &#8220;voc\u00ea ser um sem-vergonha&#8221; e acredito que a Igreja n\u00e3o pode ser &#8220;uma sem-vergonha&#8221;. Ela deve se envergonhar das coisas ruins, assim como (dizer) agradecer a Deus pelas coisas boas que faz. Isto eu posso lhe dizer: (n\u00f3s) temos toda a boa vontade de ir em frente, tamb\u00e9m gra\u00e7as \u00e0 sua ajuda.<\/p>\n<p><b>6) V\u00e2nia De Luca (Rai-Tg3)<\/b><\/p>\n<p><b>Vossa Santidade, o senhor falou sobre os migrantes nestes dias. Quatro navios na costa da Sic\u00edlia, com centenas de mulheres, homens, crian\u00e7as, em dificuldade, mas nem todos podem desembarcar. O senhor teme que na It\u00e1lia tenha voltado uma pol\u00edtica de &#8220;portos fechados&#8221; da direita e como avalia a posi\u00e7\u00e3o sobre isso de alguns pa\u00edses do norte da Europa? Eu queria perguntar tamb\u00e9m em geral: que impress\u00e3o, que opini\u00e3o o senhor tem sobre o novo governo italiano, que pela primeira vez \u00e9 liderado por uma mulher?<\/b><\/p>\n<p>\u2026 Eh \u00e9 um desafio, \u00e9 um desafio. Sobre os migrantes, o princ\u00edpio: os migrantes devem ser acolhidos, acompanhados, promovidos e integrados. Se n\u00e3o forem feitos estes quatro passos, o trabalho com os migrantes n\u00e3o ser\u00e1 bom. Acolhidos, acompanhados, promovidos e integrados, chegar ao ponto de integra\u00e7\u00e3o. A segunda coisa que digo: todos os governos da Uni\u00e3o Europeia devem entrar de acordo sobre quantos migrantes podem receber. Pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 quatro pa\u00edses que recebem migrantes: Chipre, Gr\u00e9cia, It\u00e1lia e Espanha que s\u00e3o os mais pr\u00f3ximos do Mediterr\u00e2neo, mas internamente existem alguns, como a Pol\u00f4nia, Belarus&#8230; mas (falando) dos grandes migrantes do mar: a vida deve ser salva. Hoje, voc\u00ea sabe que o Mediterr\u00e2neo \u00e9 um cemit\u00e9rio? Talvez o maior cemit\u00e9rio do mundo. Acho que a \u00faltima vez eu lhes disse que li um livro em espanhol chamado\u00a0<i>Hermanito,<\/i>\u00a0\u00e9 pequeno e se l\u00ea rapidamente, acho que certamente foi traduzido para o franc\u00eas e tamb\u00e9m para o italiano. Pode ser lido rapidamente em duas horas.<\/p>\n<p>\u00c9 a hist\u00f3ria de um menino da \u00c1frica, n\u00e3o sei se da Tanz\u00e2nia ou de outro lugar, que, seguindo os passos do irm\u00e3o, chegou \u00e0 Espanha: sofreu cinco escravid\u00e3o antes de embarcar! Muita gente, conta ele, \u00e9 levada \u00e0 noite para esses barcos &#8211; n\u00e3o para os grandes navios que t\u00eam outra fun\u00e7\u00e3o &#8211; e se n\u00e3o quiserem embarcar:\u00a0<i>pum, pum!<\/i>\u00a0E s\u00e3o deixados na praia. O que essas pessoas fazem \u00e9 realmente uma ditadura da escravid\u00e3o &#8211; e depois h\u00e1 o risco de morrer no mar. Se voc\u00ea tiver tempo, leia isso, que \u00e9 importante. A pol\u00edtica migrat\u00f3ria deve ser acordada entre todos os pa\u00edses, n\u00e3o se pode fazer uma pol\u00edtica sem consentimento, e a Uni\u00e3o Europeia deve assumir uma pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o e ajuda, n\u00e3o pode deixar Chipre, Gr\u00e9cia, It\u00e1lia e Espanha com a responsabilidade de todos os migrantes que chegam \u00e0s praias. A pol\u00edtica dos governos at\u00e9 agora tem sido salvar vidas, isso \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>At\u00e9 certo ponto isso foi feito e acredito que esse governo (italiano) tenha a mesma pol\u00edtica. N\u00e3o conhe\u00e7o os detalhes, mas acho que n\u00e3o queira ir embora, acredito que j\u00e1 fez desembarcar as crian\u00e7as, as m\u00e3es, os doentes, pelo que ouvi, pelo menos a inten\u00e7\u00e3o tinha. A It\u00e1lia pensamos aqui&#8230; este governo n\u00e3o pode fazer nada sem o acordo com a Europa, a responsabilidade \u00e9 europeia, e ent\u00e3o eu gostaria de mencionar outra responsabilidade europeia sobre a \u00c1frica. Acredito que tenha dito isso uma das grandes mulheres estadistas que tivemos e temos, Merkel. Ela disse que o problema dos migrantes deve ser resolvido na \u00c1frica, mas se pensarmos na \u00c1frica com o lema: a<i>\u00a0\u00c1frica deve ser explorada,\u00a0<\/i>\u00e9 l\u00f3gico que os migrantes, as pessoas fogem daquele resultado. Devemos, a Europa deve tentar fazer planos de desenvolvimento para a \u00c1frica.<\/p>\n<p>Pensar que alguns pa\u00edses da \u00c1frica n\u00e3o s\u00e3o donos de seu pr\u00f3prio subsolo, que ainda depende das pot\u00eancias coloniais! \u00c9 hipocrisia resolver o problema dos migrantes na Europa. Devemos resolv\u00ea-los tamb\u00e9m na casa deles. A explora\u00e7\u00e3o das pessoas na \u00c1frica \u00e9 terr\u00edvel para essa concep\u00e7\u00e3o. No dia 1\u00ba de janeiro tive um encontro com estudantes universit\u00e1rios da \u00c1frica. O encontro foi o mesmo que eu tive com a Universidade Loyola dos Estados Unidos. Aqueles estudantes t\u00eam uma capacidade, uma intelig\u00eancia, criticidade, vontade de seguir em frente, mas \u00e0s vezes n\u00e3o podem por causa da for\u00e7a colonialista que a Europa exerce em seus governos. Se quisermos resolver definitivamente o problema dos migrantes, devemos resolv\u00ea-lo na \u00c1frica. Os migrantes que v\u00eam de outras partes s\u00e3o menores, s\u00e3o menos, mas temos a \u00c1frica, ajudemos a \u00c1frica. O novo governo come\u00e7a agora. Eu estou aqui: desejo-lhe o melhor. Eu desejo sempre o melhor a um governo porque o governo \u00e9 para todos e desejo o melhor para que possa fazer progredir a It\u00e1lia, e a todos os outros que s\u00e3o contr\u00e1rios ao partido vencedor, que colaborem com criticidade, com a ajuda, mas um governo de colabora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o um governo onde movem o seu rosto, fazem voc\u00ea cair se n\u00e3o gostam de uma coisa ou outra. Por favor, eu em rela\u00e7\u00e3o a isso chamo \u00e0 responsabilidade. Diga-me, \u00e9 justo que desde o in\u00edcio do s\u00e9culo at\u00e9 agora a It\u00e1lia tenha tido 20 governos? Vamos acabar com essas brincadeiras!<\/p>\n<p><b>7) Ludwig Ring-Eifel (Centrum informationis Catholicum),<\/b><\/p>\n<p><b>Tamb\u00e9m quero dizer algo pessoal antes de tudo, porque me sinto muito emocionado, porque depois de uma pausa de 8 anos estou de volta ao voo papal. Estou muito grato por estar aqui novamente&#8230;.<\/b><\/p>\n<p>Seja bem-vindo,<\/p>\n<p><b>Ludwig<\/b><\/p>\n<p><b>Muito obrigado. N\u00f3s do grupo alem\u00e3o somos poucos, apenas tr\u00eas neste voo, pensamos: como podemos fazer uma conex\u00e3o entre o que vimos no Bahrein e a situa\u00e7\u00e3o na Alemanha. Porque no Bahrein vimos uma Igreja pequena, um pequeno rebanho, uma Igreja pobre, com muitas restri\u00e7\u00f5es e assim por diante, mas uma Igreja animada, cheia de esperan\u00e7a, que cresce. Na Alemanha, por outro lado, temos uma grande Igreja, com grandes tradi\u00e7\u00f5es; rica, com teologia, dinheiro e tudo mais, mas perdendo trezentos mil fi\u00e9is a cada ano, que v\u00e3o embora, que est\u00e3o em profunda crise. H\u00e1 algo a aprender com este pequeno rebanho que vimos no Bahrein para a grande Alemanha?<\/b><\/p>\n<p>A Alemanha tem uma velha hist\u00f3ria religiosa. Citando Hoelderlin, direi: &#8220;muitas coisas viveram, muitas&#8221;. Sua hist\u00f3ria religiosa \u00e9 grande e complicada, de lutas. Eu digo aos cat\u00f3licos alem\u00e3es: a Alemanha tem uma grande e bela Igreja Evang\u00e9lica; eu n\u00e3o gostaria de outra, que n\u00e3o ser\u00e1 (nunca) t\u00e3o boa quanto essa; mas a quero cat\u00f3lica, \u00e0 cat\u00f3lica, em fraternidade com a Evang\u00e9lico. \u00c0s vezes perdemos o sentido religioso do povo, do Santo Povo fiel de Deus, e ca\u00edmos em discuss\u00f5es de \u00e9tica, discuss\u00f5es de conjuntura, discuss\u00f5es que s\u00e3o consequ\u00eancias teol\u00f3gicas, mas n\u00e3o s\u00e3o o n\u00facleo da teologia. O que pensa o Santo Povo fiel de Deus? Como o povo santo de Deus se sente? Ir at\u00e9 ele e procurar saber como se sente, aquela religiosidade simples, que voc\u00ea encontra nos av\u00f3s. N\u00e3o estou dizendo para voltar atr\u00e1s, n\u00e3o; mas \u00e0 fonte de inspira\u00e7\u00e3o nas ra\u00edzes.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s temos uma hist\u00f3ria de ra\u00edzes de f\u00e9; at\u00e9 mesmo os povos a t\u00eam: reencontr\u00e1-la! Vem-me em mente a frase de Hoelderlin para nossa idade: &#8220;o homem velho deveria cumprir o que prometeu quando crian\u00e7a&#8221; N\u00f3s, em nossa inf\u00e2ncia&#8230; prometemos muitas coisas, muitas coisas. Agora entramos em discuss\u00f5es \u00e9ticas, em discuss\u00f5es conjunturalistas, mas a raiz da religi\u00e3o \u00e9 a bofetada no rosto que o Evangelho nos d\u00e1, o encontro com Jesus Cristo vivo: e dali as consequ\u00eancias, todas elas; dali a coragem apost\u00f3lica, dali ir para \u00e0s periferias, tamb\u00e9m as periferias morais do povo para ajudar; mas do encontro com Jesus Cristo. Se n\u00e3o houver o encontro com Jesus Cristo, haver\u00e1 uma \u00e9tica disfar\u00e7ada de cristianismo. Isto \u00e9 o que eu queria dizer, mas do fundo do cora\u00e7\u00e3o. Obrigado.<\/p>\n<p>(Transcri\u00e7\u00e3o feita pelo Dicast\u00e9rio para a Comunica\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":240785,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1428],"tags":[55],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Papa: &quot;tr\u00eas guerras mundiais em um s\u00e9culo, sejam pacifistas&quot;! - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/papa-tres-guerras-mundiais-em-um-seculo-sejam-pacifistas.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Papa: &quot;tr\u00eas guerras mundiais em um s\u00e9culo, sejam pacifistas&quot;! 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