{"id":240043,"date":"2022-10-06T09:40:55","date_gmt":"2022-10-06T12:40:55","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=240043"},"modified":"2023-01-09T11:10:53","modified_gmt":"2023-01-09T14:10:53","slug":"dom-leonardo-a-nossa-sociedade-esta-armada-demais-tambem-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/dom-leonardo-a-nossa-sociedade-esta-armada-demais-tambem-na-amazonia.html","title":{"rendered":"Dom Leonardo: &#8220;A nossa sociedade est\u00e1 armada demais, tamb\u00e9m na Amaz\u00f4nia&#8221;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_240044\" style=\"width: 1290px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-240044\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-240044 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_06.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_06.jpg 1280w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_06-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_06-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_06-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_06-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><p id=\"caption-attachment-240044\" class=\"wp-caption-text\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0magem: Reprodu\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o no YouTube<\/em><\/p><\/div>\n<p>No primeiro dia da Semana Franciscana, que est\u00e1 sendo promovida pela Editora Vozes, pela Prov\u00edncia franciscana da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o e pela Confer\u00eancia da Fam\u00edlia Franciscana do Brasil, de forma <em>on-line<\/em>, o encontro foi com o &#8220;Cardeal da Amaz\u00f4nia&#8221;, Dom Leonardo Ulrich Steiner, nomeado pelo Papa Francisco no \u00faltimo dia 29 de maio. O frade franciscano desta Prov\u00edncia \u00e9 o primeiro cardeal da Amaz\u00f4nia brasileira. Ao falar sobre S\u00e3o Francisco de Assis, lembrou que foi confiado aos franciscanos e franciscanas a tarefa da Paz e do Bem, tamb\u00e9m na Amaz\u00f4nia. Para ele, hoje se propagandeia a necessidade de armas para a conviv\u00eancia de seguran\u00e7a. &#8221; A nossa sociedade est\u00e1 armada demais. A arma \u00e9 a mostra\u00e7\u00e3o do poder que n\u00e3o tem poder. Quem propaga armas, semeia viol\u00eancia, desarmonia. E n\u00f3s, e com Francisco de Assis, queremos apenas propagar a Paz e o Bem&#8221;, prop\u00f4s.<\/p>\n<p>O Ministro Provincial da Prov\u00edncia da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, Frei Paulo Roberto, fez a apresenta\u00e7\u00e3o da Semana Franciscana, na sua terceira edi\u00e7\u00e3o, e lembrou as festividades franciscanas neste in\u00edcio de outubro. Ele agradeceu aos promotores deste evento e citou que at\u00e9 sexta-feira, alguns temas ser\u00e3o abordados sempre no canal YouTube da Vozes e da Prov\u00edncia, como o tema de Dom Leonardo: &#8220;As provoca\u00e7\u00f5es da Amaz\u00f4nia na espiritualidade franciscana&#8221;, \u00a0o de hoje: &#8220;Viver no esp\u00edrito de Francisco de Assis&#8221; e o de sexta: &#8220;A verdadeira alegria&#8221;. A condu\u00e7\u00e3o da <em>live<\/em> ficou a cargo de Nat\u00e1lia Fran\u00e7a e os coment\u00e1rios de Dorismeire Almeida de Vasconcelos, leiga consagrada da Ordem Franciscana Secular.<\/p>\n<p>&#8220;Ali\u00e1s, a verdadeira alegria que n\u00e3o pode faltar. N\u00f3s estamos vivendo tempos muito controversos e muito dif\u00edceis e o profetismo da alegria, certamente, ser\u00e1 exigido de n\u00f3s, franciscanos e franciscanas. N\u00f3s vivemos um per\u00edodo bonito de nossa tradi\u00e7\u00e3o, de nossa Igreja, desde que o Papa Francisco assumiu, no seu Pontificado, os ideais franciscanos. N\u00f3s, ent\u00e3o, nos envolvemos com a evangeliza\u00e7\u00e3o de uma maneira muito criativa. E \u00e9 bom que seja assim. Ent\u00e3o, que n\u00f3s possamos aproveitar este momento da gra\u00e7a que a Igreja est\u00e1 vivendo e que n\u00f3s, franciscanos e franciscanas, aproveitemos cada vez mais&#8221;, convidou Frei Paulo.<\/p>\n<p>rO Ministro Provincial lembrou do documento final do S\u00ednodo, &#8220;Querida Amaz\u00f4nia&#8221;, onde o Papa sonha com uma Amaz\u00f4nia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos \u00faltimos, &#8220;de modo que sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida. O Papa diz que sonha com uma Amaz\u00f4nia que preserve a riqueza cultural que a caracteriza, sonha com uma Amaz\u00f4nia que guarda zelosamente a beleza natural como uma comunidade crist\u00e3. O sonho pode ser uma experi\u00eancia on\u00edrica, mas \u00e9 um sonho carregado de utopia. E falar de utopia \u00e9 falar de Francisco de Assis&#8221;, disse o Ministro Provincial.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o Francisco \u00e9 sempre nossa inspira\u00e7\u00e3o. O Papa Francisco, a partir dessa inspira\u00e7\u00e3o, traduz e provoca a toda a Igreja e todos os povos, e sobremaneira a n\u00f3s, franciscanos e franciscanas. Os escritos, as suas falas, as suas inquieta\u00e7\u00f5es que partilha conosco, falam disso. A <em>Laudato Si&#8217;,<\/em> a <em>Evangeli Gaudium<\/em>, a <em>Alegria do Evangelho<\/em>, a <em>Fratelli tutti<\/em> e por que n\u00e3o dizer o \u00faltimo documento que fala que a raz\u00e3o da Igreja \u00e9 evangelizar? S\u00e3o Francisco de Assis diz que evangelizar \u00e9 a raz\u00e3o de ser do movimento franciscano. O Evangelho \u00e9 a Regra e a Vida dos Frades Menores. Ent\u00e3o, at\u00e9 mesmo esse documento do Papa sobre a organiza\u00e7\u00e3o da Igreja tem essa inspira\u00e7\u00e3o franciscana&#8221;, acrescentou Frei Paulo, agradecendo os organizadores do evento e a Dom Leonardo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-240045 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_02.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_02.jpg 1280w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_02-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_02-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_02-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/palestra_02-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p>Dom Leonardo come\u00e7ou sua fala colocando os fundamentos da espiritualidade franciscana e depois abordou alguns pontos, que considera importantes, para &#8220;a nossa regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia e que s\u00e3o conhecidos de todos n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<p><strong>&#8220;O AMOR N\u00c3O \u00c9 AMADO&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Para Dom Leonardo, Francisco de Assis \u00e9 o cantor do &#8220;amor que n\u00e3o \u00e9 amado&#8221;: &#8220;Ele, que mudou a sua vida diante do Crucificado, ele que deu outra dire\u00e7\u00e3o diante do leproso, ele que se encontrou diante do Crucificado e do leproso. A sua vida n\u00e3o foi a mesma depois de ter sido tocado pelo Crucificado e ter sido abra\u00e7ado pelo leproso, mas n\u00e3o foi o mesmo tamb\u00e9m depois de ter ouvido a Palavra de Deus. Foi o Crucificado, a Palavra, o leproso, o pobre que fez dele o que ele \u00e9 hoje. E n\u00e3o deixou de trilhar os caminhos da simplicidade, da pobreza. \u00c9 que o Crucificado \u00e9 o pequeno pobre. O Crucificado \u00e9 o gratuito. \u00c9 o menor dos menores. O leproso, na \u00e9poca de Francisco, era o menor dos menores. O toque sagrado recebido na igrejinha de S\u00e3o Dami\u00e3o fez de S\u00e3o Francisco um homem menor, mas cheio de gratid\u00e3o. Viu que o amor era t\u00e3o extraordin\u00e1rio e admir\u00e1vel que se fez menor, dando vida a todos, a todas as criaturas. O encantamento levou a gemer e a lamentar nos bosques: &#8216;O amor n\u00e3o \u00e9 amado. O amor n\u00e3o \u00e9 amado&#8217;. \u00c9 que o amor n\u00e3o era correspondido&#8221;.<\/p>\n<p>Dom Leonardo diz que na prega\u00e7\u00e3o de Francisco havia um grande desejo de que as pessoas amassem a Deus assim como Deus nos ama: &#8220;O an\u00fancio que despertasse a todos a viverem correspondendo ao amor manifestado, revelado ao Crucificado. Um amor generoso, mas especialmente um amor gratuito. Como todos n\u00f3s sabemos, esse modo de viver da admira\u00e7\u00e3o est\u00e1 indicado na Regra que foi entregue aos irm\u00e3os que escolheram com ele esse modo da vida. O modo da vida dos menores. Desejou que os irm\u00e3os fossem chamados de menores. A Ordem dos Frades Menores. Menores como menor \u00e9 o Crucificado. A Regra \u00e9 recolhimento de um modo de vida. Ela expressa o esp\u00edrito que conduz e mant\u00eam os que vivem o Evangelho como menores, como pequenos. Nela, encontra-se a vida dos menores, a servi\u00e7o dos menores. A Regra \u00e9 inspira\u00e7\u00e3o porque \u00e9 recolhimento do modo de viver de Francisco de Assis. Vida como din\u00e2mica. O sentido de concretizar-se uma exist\u00eancia de uma pessoa e que se deixava impregnar pela for\u00e7a do Evangelho, ao modo de Jesus. Vida \u00e9 a concre\u00e7\u00e3o, a visibiliza\u00e7\u00e3o do Evangelho&#8221;.<\/p>\n<p><strong>GRATUIDADE\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Como lembrava antes Frei Paulo, a Regra e a Vida, acolhimento do viver ao modo do Crucificado, ao modo da gratuidade. Eu sempre fico t\u00e3o admirado com essa grandeza da espiritualidade franciscana: O modo da gratuidade. Sem cobran\u00e7as, sem nada esse modo da gratuidade. A gratuidade que quer dizer minoridade, servir. Minoridade que faz e deixa ser irm\u00e3os e irm\u00e3s, Minoridade que cria e faz a fraternidade&#8221;, disse D. Leonardo.<\/p>\n<p>O Cardeal explicou que a palavra fraternidade \u00e9 composta de <em>frater<\/em>, irm\u00e3o, e <em>idade<\/em>, que vem do s\u00e2nscrito e significa for\u00e7a e energia. &#8220;A for\u00e7a que faz ser irm\u00e3o e irm\u00e3, a for\u00e7a que deixa ser irm\u00e3o e irm\u00e3. A for\u00e7a do irm\u00e3o e da irm\u00e3. A for\u00e7a, o vigor, a energia de irm\u00e3os, o que faz sermos irm\u00e3os, a minoridade, a gratuidade. O Evangelho, a Regra e a vida possibilitam a fraternidade dos menores, n\u00e3o s\u00f3 dos menores como Ordem, como congrega\u00e7\u00e3o, mas a possibilidade de uma verdadeira fraternidade universal&#8221;, emendou.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos pensar um pouquinho mais a quest\u00e3o a gratuidade, t\u00e3o fundamental para aqueles e aquelas que seguem o mesmo modo de viver de Francisco de Assis. O pr\u00f3prio \u00fanico de Francisco talvez seja a gratuidade. Parece sem sentido essa afirma\u00e7\u00e3o quando vivemos no tempo da ambi\u00e7\u00e3o, da acumula\u00e7\u00e3o, das finan\u00e7as, quando vivemos no tempo da apropria\u00e7\u00e3o. Mas gratuidade n\u00e3o indica troca, n\u00e3o indica c\u00e1lculo, n\u00e3o indica saber, mas indica n\u00e3o saber o que faz a direita e a esquerda, o que faz em segredo.\u00a0 Recompensa \u00e9 como sopesar, como acariciar. Fazer feito gratuitamente. Existe uma express\u00e3o muito usada por um grande m\u00edstico medieval, Angelus Silesius, que diz assim:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>A rosa \u00e9 sem porqu\u00ea.<\/em><br \/>\n<em>Floresce por florescer.<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o olha para si mesma.<\/em><br \/>\n<em>Nem pergunta se algu\u00e9m a v\u00ea<\/em><br \/>\n<em>A primavera \u00e9 agora.<\/em><br \/>\n<em>Agora \u00e9 a hora.<\/em><br \/>\n<em>florescer. Ser.<\/em><\/p>\n<p>Estar na graciosidade de viver que se desvia de tudo que \u00e9 troca, que \u00e9 compra, que \u00e9 venda, que \u00e9 cobran\u00e7a, tudo que \u00e9 pago. Veja como nosso estilo de vida, nosso modo de viver hoje t\u00e3o atual, mas atual ainda para n\u00f3s que vivemos na Amaz\u00f4nia, onde se deseja comprar, se deseja destruir, se deseja pagar, enriquecer \u00e0s custas dos povos origin\u00e1rios e do meio ambiente. Portanto, pura liberdade de viver e conviver. Os seres n\u00e3o s\u00e3o do uso, mas do conv\u00edvio. Todos os seres formam a fraternidade universal. Tudo est\u00e1 na for\u00e7a e suavidade de ser irm\u00e3o e irm\u00e3. \u00c9 que tudo respira na liberdade, na cordialidade, na gratuidade de Jesus Crucificado&#8221;, enfatizou.<\/p>\n<p><strong>FRATERNIDADE<\/strong><\/p>\n<p>Segundo D. Leonardo, da gratuidade passamos para a fraternidade. &#8220;A gratuidade nasce da fraternidade. Bondade solta, livre, um modo origin\u00e1rio e fontal de se relacionar com tudo e com todos, realizando uma igualdade que n\u00e3o \u00e9 puro nivelamento, uma uniformiza\u00e7\u00e3o de modo a integrar a din\u00e2mica de liberdade, a verdade, os relacionamentos com todas as diferen\u00e7as. A fraternidade suporta e d\u00e1 suporte a todas essas diferen\u00e7as. Acolhe as diferen\u00e7as. E vejam que na nossa realidade da Amaz\u00f4nia querem impor igualdade para todos sem respeitar as culturas&#8221;, lamentou.<\/p>\n<p>&#8220;O sentido fontal com amor matricial deixa brotar o verdadeiro sentido da fraternidade universal. Em grego, irm\u00e3o significa &#8220;<em>adelph\u00f3s&#8221;,<\/em> que prov\u00e9m do mesmo \u00fatero. Jesus Cristo, no seu seguimento, relaciona-se com todas pessoas, com todas as criaturas, com irm\u00e3os e irm\u00e3s, considerando todos provindo da mesma origem, do mesmo \u00fatero, do Pai do c\u00e9u, as entranhas da miseric\u00f3rdia de Deus. S\u00e3o Boaventura percebeu t\u00e3o bem isso quando fala no itiner\u00e1rio que se difunde, que vai se difundindo e se manifestando de modos diferentes&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>&#8220;A for\u00e7a hist\u00f3rica do cristianismo n\u00e3o vem do poder, mas vem da autoridade do n\u00e3o poder. Do n\u00e3o poder do amor. Para n\u00f3s, isso na Amaz\u00f4nia \u00e9 muito importante para estarmos juntos dos povos origin\u00e1rios, juntos dos pobres, das nossas periferias. Francisco \u00e9 a essa visibiliza\u00e7\u00e3o da autoridade do n\u00e3o poder. A verdade do ser crist\u00e3o, a cristidade do cristianismo depende sempre do modo, da identidade como se assume a autoridade do n\u00e3o poder. Isto \u00e9 a cruz, isto \u00e9 a gratuidade. No entanto, n\u00f3s crist\u00e3os, podemos sempre trair esta nossa origem, elegendo\u00a0 poder e a for\u00e7a em lugar da autoridade e do servi\u00e7o de quem cuida. Quem deseja ser mission\u00e1rio na Amaz\u00f4nia precisa ter o esp\u00edrito do n\u00e3o poder. Do esp\u00edrito do servi\u00e7o. Vivemos o tempo da for\u00e7a, viol\u00eancia, da agress\u00e3o, da morte, tamb\u00e9m na Amaz\u00f4nia, especialmente na Amaz\u00f4nia. As criaturas deixaram de ser irm\u00e3s, tornaram-se explora\u00e7\u00e3o, domina\u00e7\u00e3o, dinheiro. E por isso as rela\u00e7\u00f5es se tornaram desfraternas&#8221;, constata o arcebispo franciscano.<\/p>\n<p>Hoje se propagandeia a necessidade de armas para a conviv\u00eancia de seguran\u00e7a. A arma arma cada vez mais. N\u00e3o desarma. N\u00e3o ama. Li uma vez que Francisco de Assis, diante do desejo dos casais de viverem o seu modo da gratuidade e do Crucificado e da minoridade, ele apenas exigia uma coisa: que n\u00e3o carregassem armas. Andassem desarmados. A fraternidade \u00e9 a gratuidade da conviv\u00eancia, do equil\u00edbrio nas rela\u00e7\u00f5es. Francisco, com a gratuidade da fraternidade, transformou, maturou o seu tempo. N\u00f3s que seguimos os passos de Jesus ao modo da minoridade e da gratuidade, poder\u00edamos insistir no n\u00e3o porte de armas, mas em desarmar a sociedade. A nossa sociedade est\u00e1 armada demais, tamb\u00e9m na Amaz\u00f4nia. Desmilitarizar a nossa sociedade. A arma \u00e9 a mostra\u00e7\u00e3o do poder que n\u00e3o tem poder. Nos foi confiada a tarefa da Paz e do Bem, tamb\u00e9m na Amaz\u00f4nia. Quem propaga armas, semeia viol\u00eancia, desarmonia. E n\u00f3s, e com Francisco de Assis, queremos apenas propagar a Paz e o Bem&#8221;, prop\u00f4s.<\/p>\n<p><strong>LAUDATO SI&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>A partir da Enc\u00edclica <em>Laudato Si&#8217;<\/em>, Dom Leonardo passou a refletir sobre o significado de cuidar e cultivar, t\u00e3o &#8220;importante para n\u00f3s na Amaz\u00f4nia&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;E a <em>Laudato Si&#8217;<\/em> veio iluminar a quest\u00e3o ecol\u00f3gica, a quest\u00e3o do meio ambiente, a nossa conviv\u00eancia. Veio trazer luz \u00e0s nossas discuss\u00f5es, veio trazer luz \u00e0s nossas a\u00e7\u00f5es, veio mostrar o que significa a natureza, como conviver na casa comum. A casa comum, &#8216;Louvado sejas, meu Senhor, por nossa Irm\u00e3 M\u00e3e Terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com cores, com flores coloridas e verduras&#8217;. A casa comum pode se comparar com uma irm\u00e3 com quem partilhamos a exist\u00eancia, ora como uma boa m\u00e3e, que nos acolhe nos seus bra\u00e7os, como nos diz o Papa Francisco logo no in\u00edcio da enc\u00edclica&#8221;, disse D. Leonardo.<\/p>\n<p>Segundo ele, com o tempo foi se consolidando o planeta como uma casa, o lugar da nossa humanidade, mas o lugar de todas as criaturas, por isso casa comum. &#8220;Uma realidade, uma totalidade, um mundo interdependente, la\u00e7os de irmandade entre todos os seres criados e o homem gerado. Esse modo, esta rela\u00e7\u00e3o, vem explicitado na casa comum, no acolher e aceitar o mundo inteiro como dom de Deus. N\u00e3o como destrui\u00e7\u00e3o, como apropria\u00e7\u00e3o. A interdepend\u00eancia, a casa comum, nos obriga a pensar num mundo \u00fanico, num projeto comum, na globalidade das propostas e n\u00e3o de interesses de grupos e pa\u00edses. \u00c9 nesse sentido que entra a Amaz\u00f4nia, o lugar da casa comum. Tantos seres, tantas criaturas, tantos povos, tantas culturas. Por que destruir a casa que pertence a todos?&#8221;, questionou.<\/p>\n<p>&#8220;A casa comum une a fam\u00edlia humana e, por isso, todos deveriam buscar o desenvolvimento sustent\u00e1vel integral. Os homens e as mulheres s\u00e3o provocados a colaborar com essa casa comum. Somos todos chamados, nos diz o Papa Francisco, a tornar instrumentos de Deus Pai para que o nosso Planeta seja o que sonhou ao cri\u00e1-lo e corresponda ao projeto de paz, beleza e plenitude. Isso \u00e9 t\u00e3o bonito descrito na &#8216;Querida Amaz\u00f4nia&#8217;. Os rios daqui sempre se movimentam e o povo anda no mesmo ritmo das \u00e1guas&#8221;, celebra o palestrante.<\/p>\n<p><strong>DESASTRE AMBIENTAL<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A ecologia estuda a rela\u00e7\u00e3o entre os organismos vivos e o meio ambiente, onde se desenvolvem. Cada vez mais, a Igreja da Amaz\u00f4nia chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de uma harmonia entre o meio ambiente e a nossa sociedade, especialmente nas grandes cidades. A polui\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande, o pl\u00e1stico vai todo para os rios. Existe um saneamento b\u00e1sico precar\u00edssimo. N\u00f3s temos na cidade de Manaus uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 2 milh\u00f5es de pessoas e apenas 18% de saneamento b\u00e1sico. Tudo vai para os rios. N\u00f3s estamos poluindo os rios com nossos dejetos e eles j\u00e1 est\u00e3o polu\u00eddos pelo merc\u00fario, um verdadeiro desastre&#8221;, critica.<\/p>\n<p>Segundo o franciscano, n\u00e3o existem crises separadas, uma ambiental e outra social: &#8220;Mas uma \u00fanica e complexa socioambiental. E n\u00f3s estamos cada vez mais percebendo essa crise socioambiental na nossa regi\u00e3o. Mas gra\u00e7as a Deus, tantas comunidades est\u00e3o se despertando, especialmente as comunidades ribeirinhas. Nossos povos ind\u00edgenas, t\u00e3o voltados para o meio ambiente, porque eles consideram a casa n\u00e3o o lugar onde se dorme, mas o lugar onde se habita, onde se est\u00e1. E nesse sentido \u00e9 importante vermos Francisco como homem das rela\u00e7\u00f5es novas e livres. O fio condutor dessa enc\u00edclica poderia ser expressa assim: novas rela\u00e7\u00f5es. Francisco construiu novas rela\u00e7\u00f5es. N\u00f3s estamos necessitados de novas rela\u00e7\u00f5es.\u00a0 Veja o Brasil, quanta agress\u00e3o, quanta viol\u00eancia, at\u00e9 mortes por diferen\u00e7as. Elas est\u00e3o fragmentando a sociedade, mas tamb\u00e9m fragmentando a natureza, destruindo a casa comum. Francisco soube cultivar rela\u00e7\u00f5es preciosas com seus irm\u00e3os, com a sociedade, mas com toda a obra criada. A sua rela\u00e7\u00e3o ultrapassava de longe uma mera varia\u00e7\u00e3o intelectual, um c\u00e1lculo econ\u00f4mico, porque qualquer criatura era uma irm\u00e3 unida a ele por la\u00e7os de carinho&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A percep\u00e7\u00e3o est\u00e1 numa antropologia que determina a compreens\u00e3o do homem com a natureza. E esse modo est\u00e1 crescendo na sociedade brasileira. Quem vem, vem para explorar. N\u00e3o vem para cuidar&#8221;, denuncia.<\/p>\n<p>&#8220;Por isso, diz o Papa Francisco, chegou a hora de prestar aten\u00e7\u00e3o nos limites que ela imp\u00f5e. A verdade \u00e9 que, como o Papa Francisco diz na Enc\u00edclica Papal, &#8216;uma apresenta\u00e7\u00e3o inadequada da antropologia crist\u00e3 acabou por promover uma concep\u00e7\u00e3o errada da rela\u00e7\u00e3o do ser humano com o mundo. Muitas vezes foi transmitido um sonho prometeico de dom\u00ednio sobre o mundo, que provocou a impress\u00e3o de que o cuidado da natureza fosse atividade de fracos. Mas a interpreta\u00e7\u00e3o correta do conceito de ser humano como senhor do universo \u00e9 entend\u00ea-lo no sentido de cuidador respons\u00e1vel&#8217;\u201d, situou.<\/p>\n<p>Para o Cardeal da Amaz\u00f4nia, o consumo e a explora\u00e7\u00e3o conduzem \u00e0 depreda\u00e7\u00e3o, ao desarranjo ao desequil\u00edbrio do meio ambiente, mas tamb\u00e9m o descarte dos povos: &#8220;Existe diversos estudos, todos n\u00f3s que acompanhamos a quest\u00e3o do meio ambiente sabemos, dizendo que se Amaz\u00f4nia continuar a ser destru\u00edda como est\u00e1 ser\u00e1 um grande lago de \u00e1gua doce. Ser\u00e1 um deserto. \u00c9 terr\u00edvel pensar isso. A beleza dos nossos rios, as nossas plantas, os nossos animais v\u00e3o desaparecer, os nossos cantos, os nossos povos, e povos que nem t\u00eam contatos conosco. N\u00e3o porque n\u00e3o querem, mas porque t\u00eam medo de serem contaminados com o nosso modo dominador e destruidor&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;E n\u00f3s vemos como os desertos est\u00e3o crescendo com a explora\u00e7\u00e3o da madeira, da pesca predat\u00f3ria na nossa regi\u00e3o. N\u00f3s acompanhamos o assassinato do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista brit\u00e2nico Dom Phillips [assassinados numa emboscada na regi\u00e3o do Vale do Javari, em Atalaia do Norte, localizado no Estado do Amazonas, no dia 5 de junho. Ambos investigavam atividades ilegais e predat\u00f3rias na regi\u00e3o do Vale do Javari e empenharam suas vidas na defesa dos povos ind\u00edgenas]. Justamente eles eram verdadeiros guardi\u00e3es contra a pesca predat\u00f3ria, mas foram mortos. E nem sempre as mortes que acontecem s\u00e3o publicadas. N\u00f3s temos muitas mortes na nossa regi\u00e3o&#8221;, denunciou.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, lembra Dom Leonardo, uma convers\u00e3o ecol\u00f3gica, que pede atitudes para um cuidado generoso e cheio de ternura em S\u00e3o Francisco de Assis. &#8220;Leonardo Boff, no livro &#8216;Ternura e Vigor&#8217; indica justamente esse movimento do cuidado generoso e terno, gratuito. Em primeiro lugar, quando queremos uma convers\u00e3o ecol\u00f3gica, precisamos partir da gratid\u00e3o e da gratuidade. Ou seja, um reconhecimento do mundo como um dom recebido de Deus, que consequentemente provoca disposi\u00e7\u00f5es de ren\u00fancia, gestos generosos, mesmo que ningu\u00e9m veja e agrade\u00e7a. Mas n\u00f3s, no cuidado, vamos ajudando nossa casa amaz\u00f4nica&#8221;, exortou.<\/p>\n<p><strong>VEJA <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-60z2eERQQg\">NA \u00cdNTEGRA A PALESTRA DE DOM LEONARDO<\/a><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Comunica\u00e7\u00e3o da Prov\u00edncia da Imaculada<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semana Franciscana 2022<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":240044,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[1907],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Dom Leonardo: &quot;A nossa sociedade est\u00e1 armada demais, tamb\u00e9m na Amaz\u00f4nia&quot; - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/dom-leonardo-a-nossa-sociedade-esta-armada-demais-tambem-na-amazonia.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Dom Leonardo: &quot;A nossa sociedade est\u00e1 armada demais, tamb\u00e9m na Amaz\u00f4nia&quot; - 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