{"id":235292,"date":"2021-11-24T05:46:10","date_gmt":"2021-11-24T08:46:10","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=235292"},"modified":"2021-11-25T11:50:19","modified_gmt":"2021-11-25T14:50:19","slug":"frei-carlos-susin-a-fraternidade-se-constroi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/frei-carlos-susin-a-fraternidade-se-constroi.html","title":{"rendered":"Frei Carlos Susin: a Fraternidade se constr\u00f3i"},"content":{"rendered":"<h3><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-235293 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/susin_2311_1.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"853\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/susin_2311_1.jpg 1280w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/susin_2311_1-450x300.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/susin_2311_1-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/susin_2311_1-768x512.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/susin_2311_1-150x100.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3>Continua\u00e7\u00e3o da prega\u00e7\u00e3o de Frei Luiz Carlos Susin \u00e0 tarde e \u00e0 noite (<em><a href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/frei-carlos-susin-tema-e-lema-do-capitulo-para-construir-novos-tempos.html#gsc.tab=0\">veja a primeira parte<\/a><\/em>):<\/h3>\n<p>A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos tem alguns antecedentes, outros manifestos muitas vezes inspirados nos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Num processo de laiciza\u00e7\u00e3o \u2013 porque Fraternidade ainda era muito pr\u00f3xima dos valores crist\u00e3os \u2013, o positivismo vai trocar Fraternidade por Humanidade. Isso aparece ainda na tens\u00e3o que h\u00e1 entre liberdade e fraternidade, seja no Brasil ou em v\u00e1rios outros lugares, \u00e0s vezes at\u00e9 mais marcados que aqui. Um exemplo \u00e9 a quest\u00e3o da resist\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina, alegando um princ\u00edpio de liberdade para n\u00e3o se vacinar. Claramente \u00e9 o conflito entre essa compreens\u00e3o de liberdade, e o princ\u00edpio de solidariedade com o outro.<\/p>\n<p>O artigo primeiro da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos come\u00e7a com liberdade e termina na fraternidade: \u201c<em>Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. S\u00e3o dotados de ra\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia e devem agir em rela\u00e7\u00e3o uns aos outros com esp\u00edrito de fraternidade<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Hoje h\u00e1 uma crise de fundamenta\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es. Quando diz\u00edamos que todos somos \u201cfilhos de Ad\u00e3o e Eva\u201d, por isso dev\u00edamos nos tratar bem, isso funcionava. Outra tentativa era dizer: \u201cSomos todos crist\u00e3os\u201d, disso advinha do preceito de n\u00e3o agredir fulano, porque ele tamb\u00e9m era crist\u00e3o. Em um tempo de cristandade, claro. Depois do evolucionismo, isso cada vez mais se torna n\u00e3o um crit\u00e9rio, Ad\u00e3o e Eva s\u00e3o compreendidos como uma narrativa de sentido, mas que n\u00e3o gera sentido para um chin\u00eas, por exemplo. H\u00e1 sempre o processo de sacralizar e dessacralizar. Nas guerras santas, dessacralizava-se o outro para poder matar: o mu\u00e7ulmano n\u00e3o era chamado de homem, mas de c\u00e3o pelos cruzados (e vice-versa). Sacralizar aquilo pelo que vale a pena morrer tamb\u00e9m: nosso hino nacional fala em morrer pela p\u00e1tria.<\/p>\n<p>O Papa Francisco, na <em>Fratelli Tutti<\/em>, quer superar at\u00e9 mesmo a individualidade da express\u00e3o de f\u00e9, em prol de uma <em>fraternidade universal<\/em>.<\/p>\n<p>No contexto b\u00edblico, vemos na hist\u00f3ria de Caim e Abel a trag\u00e9dia, ou o fracasso da fraternidade. E ali est\u00e1 a origem do pecado. A doutrina do Pecado Original tem um papel interessante no cristianismo. A formula\u00e7\u00e3o de Santo Agostinho o auxiliou a rebater a doutrina do manique\u00edsmo, desfazendo a proposta de duas for\u00e7as antag\u00f4nicas, Deus e o Mal, que lutam. O mal depende de mim, mas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00f3 de mim, h\u00e1 algo j\u00e1 no ser \u00a0humano, como que herdado.<\/p>\n<p>O pelagianismo propunha que pelas pr\u00f3prias for\u00e7as, o homem poderia resolver as coisas, mas n\u00e3o \u00e9 assim, e a condi\u00e7\u00e3o do pecado original ajuda a embasar. Ainda S\u00e3o Paulo sustenta na Carta aos Romanos a necessidade de Deus para supera\u00e7\u00e3o do pecado, embora seguindo a narrativa de Ad\u00e3o e Eva como in\u00edcio (Cf. Rm 5) e afirma com todas as letras que todos pecaram e precisam de Gra\u00e7a para reden\u00e7\u00e3o (Cf. Rm 3, 23-25). Para superar a teologia do bode expiat\u00f3rio e a pr\u00e1tica de colocar a culpa em algu\u00e9m, precisamos todos juntos assumir que pecamos e pedir perd\u00e3o. Cristo se apresenta n\u00e3o como bode expiat\u00f3rio, mas como cordeiro sem mancha que se deixa conduzir.<\/p>\n<p>O relato de Ad\u00e3o e Eva apresenta uma alegoria de como a humanidade s\u00f3 amadurece com a prova\u00e7\u00e3o. Era preciso abandonar o para\u00edso infantil para se tornar adulto e assumir o outro lado da vida: trabalho, sofrimento, morte. Ad\u00e3o alcan\u00e7a sua condi\u00e7\u00e3o e Eva \u00e9 ainda mediadora. Mas h\u00e1 a transgress\u00e3o. E aqui vem a pergunta: toda transgress\u00e3o \u00e9 pecado? Por exemplo um filho que aos 30 anos ainda pede permiss\u00e3o para a m\u00e3e para sair com amigos e beber uma cerveja. Nesse caso \u00e9 necess\u00e1rio que chegue o dia em que ele simplesmente v\u00e1. Em certo sentido, foi o fruto proibido que fez com que Ad\u00e3o e Eva se tornassem como n\u00f3s! Se tornassem de fato imagem e semelhan\u00e7a de Deus, por\u00e9m como deuses finitos. Mas isso precisa acontecer no companheirismo de Deus, e n\u00e3o contra Deus!<\/p>\n<p>Ocorre ent\u00e3o o salto para a consci\u00eancia&#8230; consci\u00eancia e liberdade s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es para pecar, sem isso n\u00e3o h\u00e1 culpa. O fruto proibido traz a possibilidade de pecar, que antes n\u00e3o existia, como no est\u00e1gio infantil em que a crian\u00e7a n\u00e3o tem consci\u00eancia de suas a\u00e7\u00f5es, e, portanto, n\u00e3o pode ter imputada culpa.<\/p>\n<p>Caim, nesse sentido, foi advertido por Deus quando fechou os olhos para a oferta de seu irm\u00e3o Abel e ressentiu-se da prefer\u00eancia do Senhor por Abel. Era como se ele perdesse o privil\u00e9gio de filho \u00fanico. Caim que na verdade \u00e9, de certo modo, primog\u00eanito da humanidade, j\u00e1 que Ad\u00e3o e Eva foram criados, mas n\u00e3o cresceram, j\u00e1 eram adultos. Caim representa a for\u00e7a de Deus, for\u00e7a do primog\u00eanito e Abel representa a fragilidade. No entanto, Abel se tornou uma prova\u00e7\u00e3o para Caim!<\/p>\n<p>Abel ser o preferido de Deus se torna a prova\u00e7\u00e3o da Fraternidade! E Caim n\u00e3o passa na prova! Esse seria, de fato, com consci\u00eancia e liberdade, o primeiro pecado. N\u00e3o porque ofendeu ao alto de modo vago e abstrato (fruto proibido), mas porque usou o poder de Deus (Caim era o mais forte) para pisar no que estava abaixo (mais fr\u00e1gil). Usar a for\u00e7a recebida de Deus para esmagar o outro! Isso sim \u00e9 pecado!<\/p>\n<p>O G\u00eanesis ent\u00e3o vai mostrar como a descend\u00eancia de Caim vai aumentando e multiplicando o fracasso (e o pecado) de Caim: ele \u00e9 tido como fundador das cidades mais sanguin\u00e1rias e violentas.<\/p>\n<p>Depois vemos que Abra\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 provado. No relato do sacrif\u00edcio de Isaac, seu filho, Abra\u00e3o recebe duas ordens: a primeira revestida de sacralidade, em tom cerimonial, de tomar seu filho \u00fanico, preparar o altar e oferecer em holocausto ao seu Senhor, e em troca ele receberia toda a Promessa. E a segunda ordem foi mais simples: \u201cn\u00e3o fa\u00e7as mal ao menino\u201d: sem sacralidade, sem cerim\u00f4nia. E Abra\u00e3o, de certo modo, transgride a primeira ordem (que n\u00e3o obedece) para seguir a segunda.<\/p>\n<p>Vemos ainda Esa\u00fa e Jac\u00f3 \u2013 g\u00eameos que saem do ventre materno j\u00e1 brigando. Ap\u00f3s a hist\u00f3ria dos subterf\u00fagios para obter a b\u00ean\u00e7\u00e3o e os direitos da primogenitura, Jac\u00f3 v\u00ea seu irm\u00e3o que marcha contra ele com seu ex\u00e9rcito bem armado, e percebe que n\u00e3o tem o que fazer. Vai ent\u00e3o, sozinho e desarmado em dire\u00e7\u00e3o ao ex\u00e9rcito de seu irm\u00e3o, e ao chegar perto, se abra\u00e7am chorando. O choro \u00e9 necess\u00e1rio e importante na constru\u00e7\u00e3o da fraternidade. Depois Jac\u00f3 tamb\u00e9m ter\u00e1 seu preferido: Jos\u00e9 e Benjamim que foram gerados na velhice. Isso desagrada seus irm\u00e3os, Jos\u00e9 se torna a prova\u00e7\u00e3o para seus irm\u00e3os, que arrumam um modo de se livrarem dele. Ent\u00e3o eles fazem o que Caim fez. S\u00f3 n\u00e3o o matam porque Rubem, o primog\u00eanito (aquele que est\u00e1 \u201cno lugar do pai\u201d) interfere. Mas ele \u00e9 vendido como escravo. Quando Jos\u00e9 se reencontra com os irm\u00e3os, ele precisa chorar. O choro \u00e9 necess\u00e1rio instrumento de supera\u00e7\u00e3o. No processo de perd\u00e3o, Jos\u00e9 diz aos irm\u00e3os que n\u00e3o foram eles que o fizeram parar no Egito, mas sim fora o pr\u00f3prio Deus! Ele mesmo perdoa e d\u00e1 sentido \u00e0 narrativa. \u00c9 necess\u00e1ria mesmo a <strong><em>did\u00e1tica do Perd\u00e3o<\/em><\/strong>!<\/p>\n<p>Assim como n\u00e3o h\u00e1 Eucaristia sem Ato Penitencial, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer-se pecador e pedir perd\u00e3o. Hannah Arendt apresenta uma defini\u00e7\u00e3o de perd\u00e3o muito v\u00e1lida, quando confrontada com a pergunta de como seria poss\u00edvel para os que o sofreram, perdoar os causadores do holocausto. Como n\u00e3o buscar vingan\u00e7a ou repara\u00e7\u00e3o? O pr\u00f3prio sistema judici\u00e1rio \u00e9 pautado em garantir alguma esp\u00e9cie de vingan\u00e7a ou compensa\u00e7\u00e3o, para que n\u00e3o fuja do controle, mas o sistema \u00e9 esse, de vingan\u00e7a no fundo. Por isso, Hannah Arendt apresenta o perd\u00e3o n\u00e3o como um sentimento, mas como uma promessa: a promessa de que no futuro n\u00e3o se vai cobrar o erro do passado!<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo Emanuel Levinas chama a aten\u00e7\u00e3o para a banaliza\u00e7\u00e3o do perd\u00e3o quando acontece sem uma pedagogia. Ele criticava o perd\u00e3o crist\u00e3o por ser abrangente e f\u00e1cil demais. Dizia que era poss\u00edvel perdoar os alem\u00e3es pelo holocausto, mas imposs\u00edvel perdoar Heidegger, pois Heidegger era um g\u00eanio.<\/p>\n<p>A Fraternidade, portanto, n\u00e3o \u00e9 algo dado, garantido ou natural. \u00c9 algo que se cria, que se constr\u00f3i. \u00c9 a viv\u00eancia da Fraternidade Escatol\u00f3gica que se concretiza sim, mas pelas nossas a\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A UNIVERSALIDADE DA FRATERNIDADE<\/strong><\/p>\n<p>Alguns franciscan\u00f3logos reconhecem no s\u00e9culo XIX um momento em que S\u00e3o Francisco foi, de certo modo, \u201csequestrado\u201d pelo romantismo para fazer frente ao racionalismo do Iluminismo. Essa ideia de um S\u00e3o Francisco dos passarinhos e n\u00e3o muito atuante. Voltaire vai inclusive criticar a apresenta\u00e7\u00e3o de um S\u00e3o Francisco de bra\u00e7os abertos, cantando e que depois vai pedir esmola. Ele diz que seria melhor ir trabalhar ent\u00e3o. Claramente n\u00e3o conhece a espiritualidade de S\u00e3o Francisco, nem suas escolhas, critica justamente essa imagem da romantiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E\u00e7a de Queir\u00f3s tem um conto muito interessante sobre o julgamento de Jun\u00edpero: estaria Frei Jun\u00edpero \u00e0s portas do c\u00e9u para seu julgamento, e Deus elencaria suas virtudes, seus atos de miseric\u00f3rdia e vida de ora\u00e7\u00e3o. Quando quase Jun\u00edpero estaria entrando no c\u00e9u, chega o porco para o acusar. Sabemos a est\u00f3ria que um confrade estava doente e Jun\u00edpero foi at\u00e9 o vizinho e \u201cpegou\u201d a pata de um porco para fazer uma sopa para o doente \u2013 apenas a pata do porco, deixou o resto l\u00e1. Agora, o porco sem a pata estava no seu julgamento. Quando o dono do porco veio reclamar com o guardi\u00e3o \u2013 vemos aqui a espontaneidade franciscana, em Jun\u00edpero, e j\u00e1 a institui\u00e7\u00e3o, no guardi\u00e3o \u2013 este gritou tanto com Jun\u00edpero que ficou sem voz. Jun\u00edpero, ent\u00e3o, aumentou o caldo da sopa e ofereceu ao guardi\u00e3o, para que recuperasse as for\u00e7as. Como esse gritasse ainda mais alto que n\u00e3o tomaria a sopa para n\u00e3o fazer parte do roubo, Jun\u00edpero pergunta ent\u00e3o se o guardi\u00e3o poderia segurar a vela, que ele mesmo tomaria a sopa. Isso est\u00e1 nos <em>Fioretti<\/em> de S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Em Jun\u00edpero a desapropria\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o presente, que ele perde a consci\u00eancia de propriedade \u2013 sua e dos outros. Fazer ju\u00edzo sobre a propriedade j\u00e1 \u00e9 propriedade. E por isso, no conto de E\u00e7a de Queir\u00f3s, Jun\u00edpero \u00e9 mandado para o \u00faltimo lugar do purgat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Quando Francisco faz o elogio das virtudes, reconhece que quem tem uma tem todas. E quando fala da obedi\u00eancia, explica que se trata de obedi\u00eancia a todos, n\u00e3o apenas ao superior, mas aos irm\u00e3os, e at\u00e9 \u00e0s criaturas irracionais e \u00e0s feras. Estar na obedi\u00eancia e submeter-se at\u00e9 quando ao Senhor aprouver. No epis\u00f3dio do Lobo de Gubbio, os moradores chamam Francisco porque n\u00e3o sabem o que fazer. Francisco consegue fazer um pacto entre o lobo (que n\u00e3o mais atacaria os rebanhos nem as pessoas) e a cidade (que o alimentaria e acolheria). Tanto que quando o lobo morre, a cidade chora. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque Francisco est\u00e1 na din\u00e2mica da desapropria\u00e7\u00e3o! S\u00f3 assim ele \u00e9 capaz de exercer o of\u00edcio de mediador, pois para isso <em>n\u00e3o pode haver interesses<\/em>! Francisco n\u00e3o tem conflito com ningu\u00e9m, quem tem conflito s\u00e3o o lobo e a cidade, e disso Francisco n\u00e3o toma partido, respeita os dois, n\u00e3o tem ju\u00edzo sobre eles, que j\u00e1 seria apropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Papa Francisco, na <em>Fratelli Tutti,<\/em> inspira a Religi\u00e3o a estar a servi\u00e7o da Fraternidade Universal. Mas s\u00f3 podemos pedir que o outro coloque sua religi\u00e3o a servi\u00e7o da Fraternidade quando n\u00f3s j\u00e1 estamos dispostos. Por isso, Hans K\u00fcng diz que s\u00f3 haver\u00e1 paz no mundo quando houver paz entre as religi\u00f5es. Isso porque a religi\u00e3o n\u00e3o gera necessariamente a viol\u00eancia, mas a viol\u00eancia quer ser sacralizada para continuar. Para matar, morrer, mandar matar, mandar morrer \u00e9 preciso criar uma justificativa. Isso era feito por doutores da Igreja e santos, nas prega\u00e7\u00f5es pelas cruzadas, onde se proclamava que quem matasse um mouro faria um favor a Cristo. Da mesma forma entre os ex\u00e9rcitos dos mu\u00e7ulmanos havia a promessa de recompensas no c\u00e9u para a morte dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>As religi\u00f5es costumam se organizar sob quatro fatores: rituais, mandamentos, doutrinas e hierarquia (n\u00e3o necessariamente vertical, mas modelos de organiza\u00e7\u00e3o). O fechamento nesses fatores gera os v\u00edcios: ritualismo, fundamentalismo etc. Religi\u00e3o precisa estar para al\u00e9m, para a Fraternidade Universal! Jesus transcende esse formalismo nas disputas com os mestres da lei e fariseus \u2013 na quest\u00e3o do s\u00e1bado quando ele realizava curas, na supera\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o preconceituosa de pureza etc.). Paulo tamb\u00e9m aponta isso quando denuncia que a letra mata e o esp\u00edrito vivifica. O pr\u00f3prio Papa Francisco insiste em transcendermos a pr\u00f3pria religi\u00e3o pela Fraternidade Universal. Estar disposto ao di\u00e1logo.<\/p>\n<p>E isso o franciscano devia fazer com facilidade. Os filhos de S\u00e3o Francisco aprendem a espontaneidade e a liberdade da <strong><em>sensibilidade<\/em><\/strong>. Talvez seja isso que caracterize a escola franciscana de pensamento. Os textos diferem, as abordagem s\u00e3o pr\u00f3prias, mas h\u00e1 um sensibilidade comum: confian\u00e7a no Esp\u00edrito; desapropria\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 chamada simplicidade franciscana&#8230; A miss\u00e3o da Fraternidade Universal \u00e9 ir al\u00e9m das paredes da religi\u00e3o institu\u00edda! Sermos cat\u00f3licos significa isso, a universalidade da Fraternidade. Nossa Religi\u00e3o nos abre aos outros, n\u00e3o nos separa! Isso \u00e9 n\u00e3o se apropriar da realidade e coloc\u00e1-la a servi\u00e7o de uma religi\u00e3o, mas sim\u00a0 colocar a Religi\u00e3o a servi\u00e7o!<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Equipe de Comunica\u00e7\u00e3o do Cap\u00edtulo<\/strong>:\u00a0<em>Frei Augusto Gabriel, Frei Clauzemir Makximovitz, Frei Gabriel Dellandrea, Frei Alan Leal de Mattos e Moacir Beggo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cap\u00edtulo Provincial 2021<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":235293,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[1943],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Frei Carlos Susin: a Fraternidade se constr\u00f3i - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/frei-carlos-susin-a-fraternidade-se-constroi.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Frei Carlos Susin: a Fraternidade se constr\u00f3i - 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