{"id":232342,"date":"2021-06-09T07:52:22","date_gmt":"2021-06-09T10:52:22","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=232342"},"modified":"2021-06-09T07:52:22","modified_gmt":"2021-06-09T10:52:22","slug":"frei-toni-onde-estariamos-sem-um-papa-francisco-a-nos-recordar-o-caminho-do-evangelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/frei-toni-onde-estariamos-sem-um-papa-francisco-a-nos-recordar-o-caminho-do-evangelho.html","title":{"rendered":"Frei Toni: \u201cOnde estar\u00edamos sem um Papa Francisco a nos recordar o caminho do Evangelho?\u201d"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-232358 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/toni_09.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/toni_09.jpg 1280w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/toni_09-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/toni_09-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/toni_09-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/toni_09-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p><em>O coordenador da Frente das Par\u00f3quias, Santu\u00e1rios e Centros de Acolhimento da Prov\u00edncia Franciscana da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, Frei Ant\u00f4nio Michels, chamado simplesmente de Frei Toni, \u00e9 o entrevistado desta s\u00e9rie \u201cNossos Frades\u201d e fala sobre temas da vida religiosa, do carisma franciscano, da Igreja, da pandemia e especialmente da Frente que coordena. <\/em><\/p>\n<p><em>\u201cO que n\u00e3o deveria faltar na par\u00f3quia ou santu\u00e1rio entregue ao nosso cuidado pastoral \u00e9 que n\u00f3s, frades, sejamos frades com os tra\u00e7os pr\u00f3prios da espiritualidade franciscana. Quando \u00e9 assim, a par\u00f3quia ou santu\u00e1rio, com todas as suas for\u00e7as vivas, ganha tra\u00e7os franciscanos que enriquecem a Igreja local\u201d, avalia o frade, que ingressou na Ordem dos Frades Menores no dia 20 de janeiro de 1977, professou solenemente em 1\u00ba de agosto de 1981 e foi ordenado presb\u00edtero em 6 de agosto de 1983. Acompanhe!<\/em><\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> &#8211; <em>Fale um pouco de sua vida e sua fam\u00edlia?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Sou catarinense, descendente de alem\u00e3es, nascido em Forquilhinha, o segundo mais velho de 7 irm\u00e3os: 4 homens e 3 mulheres. Quando eu ainda era beb\u00ea, meus pais mudaram para a localidade de Rio Cedro M\u00e9dio, no munic\u00edpio de Nova Veneza. \u00c9ramos pequenos agricultores. A terra era pouca e o meu pai bastante doente. Ou seja, uma fam\u00edlia marcada pela pobreza. Quando descobri que existia, j\u00e1 estava trabalhando. N\u00e3o havia vacinas na \u00e9poca e passamos por tudo que \u00e9 peste. No domingo \u00edamos no ter\u00e7o na Vila e, quando havia oportunidade, n\u00e3o perd\u00edamos a missa. Em casa tamb\u00e9m se rezava. Especialmente marcante era a forma de se celebrar o Natal com pres\u00e9pio, \u00e1rvore de natal e presentes, tudo obra do \u201cMenino Jesus\u201d. E muitos cantos natalinos. Em 1964 mudamos de novo para Forquilhinha. Hoje, a fam\u00edlia de meus pais, acrescida de genros, noras, netos e bisnetos, \u00e9 bem grande e muito unida. O encontro \u00e9 aquela festa!<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Como se deu seu discernimento vocacional? Por que a escolha pela Ordem Ser\u00e1fica?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Quando crian\u00e7a, dizia que queria ser padre. N\u00e3o sei o porqu\u00ea. Certamente influ\u00eancia de algu\u00e9m. Pelos 13 anos, participando de uma novidade que tinha surgido, a novena de Natal, a ideia voltou. Certo dia, os padres Servos de Maria, que t\u00eam um semin\u00e1rio em Turvo, munic\u00edpio vizinho, passaram no col\u00e9gio onde estudava. Foram de sala em sala, perguntando o que cada um queria ser na vida. Escrevi na folha que deram: \u201cpadre\u201d. Eles, ent\u00e3o, entraram em contato, querendo me levar para o semin\u00e1rio. S\u00f3 n\u00e3o fui porque n\u00e3o tive como comprar o enxoval. Me lembro que na ocasi\u00e3o minha m\u00e3e comentou: \u201cSe voc\u00ea quer mesmo ser padre, devia ser um franciscano\u201d. Eu nem sabia o que era isso. Os frades da Par\u00f3quia de Forquilhinha foram alertados de que estavam \u201cpescando na lagoa deles\u201d e resolveram come\u00e7ar a reunir os vocacionados. O p\u00e1roco era Frei Cuniberto Hornig, auxiliado por Frei Adalberto Gatchak. O conterr\u00e2neo Frei Paulo Back, em f\u00e9rias do trabalho no semin\u00e1rio de Agudos, animou-me, orientou e ingressei naquele semin\u00e1rio em 1971. Frei Cuniberto ajudou com os custeios e praticamente me adotou, sabe-se l\u00e1 por que, como aquele que seria o seu \u201csubstituto\u201d. Me acompanhou de alguma forma at\u00e9 que veio a falecer. S\u00f3 no semin\u00e1rio \u00e9 que conheci S\u00e3o Francisco e por ele me apaixonei. Fato marcante para isso foi um retiro sobre a vida de S\u00e3o Francisco que Frei Agostinho Salvador Piccolo pregou. Falei isso para ele poucos anos antes dele falecer. Ficamos ambos emocionados. Ingressei no semin\u00e1rio nos tempos mais sombrios da ditadura militar. Um irm\u00e3o de minha m\u00e3e foi preso e torturado. Outro conterr\u00e2neo foi morto. Ent\u00e3o, eu tinha comigo que fazia parte da forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se preparar para suportar tortura.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Como Frei Toni se autodefine?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Roceiro, trabalhador manual, artes\u00e3o, ao mesmo tempo t\u00edmido e atrevido, sens\u00edvel, apreciador de arte, frade menor sonhador e comprometido com os pobres, presb\u00edtero inquieto com os retrocessos na Igreja e no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Poderia fazer um hist\u00f3rico de sua forma\u00e7\u00e3o e vida religiosa e dos lugares onde j\u00e1 trabalhou?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Tem que resumir bastante, s\u00e3o muitos anos. Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o m\u00ednima em filosofia e teologia, exigida pela Igreja para o minist\u00e9rio presbiteral, n\u00e3o passei por outro curso a n\u00e3o ser o Master em Evangeliza\u00e7\u00e3o que foi oferecido pelo ITF. Mas sempre gostei de ler e acompanhar as reflex\u00f5es teol\u00f3gico-pastorais, sobretudo em torno da pessoa de Jesus, do Esp\u00edrito Santo e da miss\u00e3o evangelizadora da Igreja.<\/p>\n<p>Da forma de vida de Francisco procurei encarnar especialmente a vida de pobreza e o \u201ctrabalhar com as m\u00e3os\u201d. Sempre meti as m\u00e3os na terra, recuperando-a e produzindo alimentos de modo org\u00e2nico. Desenvolvi alguma habilidade com madeira e, onde passei, sempre fui da filosofia do \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d. Como autodidata e inspirado no trabalho de Frei Jos\u00e9 Rochinski, fui tamb\u00e9m aprendendo alguma coisa em entalhe em madeira. Sempre pensando que o objetivo \u00e9 evangelizar.<\/p>\n<p>Quando estava para ser ordenado, n\u00e3o me identificando com as op\u00e7\u00f5es da Prov\u00edncia, me propus, junto com o colega de turma Fernando Cunha, ser mission\u00e1rio itinerante na Diocese de Bacabal. Mas o primeiro campo de miss\u00e3o para o qual fui enviado foi Dourados, MS. Em par\u00f3quia de centro, mas acabei me envolvendo com a Vila \u00cdndio, dos pobres e, em \u00e2mbito maior, com a juventude e com os sem-terra. Quis atender o pedido de acompanhar os acampados que, depois de luta aguerrida, seriam assentados l\u00e1 para a proximidade do Pantanal. Mas fui transferido para Itabora\u00ed, RJ, como capel\u00e3o da Col\u00f4nia de Hansenianos, onde j\u00e1 estivera nos est\u00e1gios de final de semana nos tempos de frade estudante. Foram tr\u00eas anos sozinho e depois mais tr\u00eas anos com Frei Alexandre Magno. Foi um tempo bom em que vivemos uma pobreza radical, a conviv\u00eancia solid\u00e1ria, servi\u00e7o aos \u00faltimos e a funda\u00e7\u00e3o e acompanhamento de uma pequena rede de comunidades que extrapolava os limites geogr\u00e1ficos da Col\u00f4nia. Em visita a n\u00f3s, o ent\u00e3o ministro provincial Frei Est\u00eav\u00e3o Ottenbreit manifestou a esperan\u00e7a de que nossa forma de vida pudesse ser o embri\u00e3o de \u201cum novo modo de ser frade\u201d, embora n\u00e3o concordasse que viv\u00eassemos t\u00e3o sem garantias materiais. Foi ent\u00e3o que surgiu a ideia de se fundar uma \u201cfraternidade inserida nos meios populares\u201d, composta tamb\u00e9m de frades estudantes, o que veio a se concretizar em 1992, em Imbari\u00ea.<\/p>\n<p>\u00c9ramos tr\u00eas professos solenes e tr\u00eas frades estudantes de Teologia. Prest\u00e1vamos servi\u00e7o gratuito \u00e0 Diocese, sobretudo \u00e0s par\u00f3quias da regi\u00e3o: forma\u00e7\u00e3o, miss\u00f5es, celebra\u00e7\u00f5es. A op\u00e7\u00e3o era viver do trabalho manual. O que pintasse. Todos os servi\u00e7os dom\u00e9sticos tamb\u00e9m eram feitos por n\u00f3s. Nossos ve\u00edculos eram bicicletas. Imbari\u00ea era \u00e1rea pastoral de Parada Ang\u00e9lica, mas pouco depois foi elevada a Par\u00f3quia. O p\u00e1roco n\u00e3o ficou nem um ano. O vig\u00e1rio geral da Diocese pediu ent\u00e3o que assum\u00edssemos provisoriamente o servi\u00e7o pastoral da par\u00f3quia. O provis\u00f3rio durou seis anos. Atend\u00edamos a par\u00f3quia sem deixar a forma de vida que lev\u00e1vamos, e a par\u00f3quia carecia de quase tudo no que se refere \u00e0s estruturas materiais. Era uma vida dura. Mas nunca experimentei uma proximidade fraterna com o povo e com as irm\u00e3s catequistas franciscanas &#8211; que l\u00e1 estavam j\u00e1 antes de n\u00f3s &#8211; como l\u00e1 em Imbari\u00ea. Neste \u00ednterim, o Congresso Capitular me consultou para ir a Angola. Topei na hora. Mas quando disseram que a Fraternidade de Imbari\u00ea seria fechada, n\u00e3o pude concordar.<\/p>\n<p>No ano 2000, embora eu n\u00e3o me julgasse a pessoa indicada, fui transferido para Petr\u00f3polis como Mestre do tempo da Teologia. Era para concretizar a op\u00e7\u00e3o feita em Cap\u00edtulo de que todos os frades estudantes no tempo da Teologia vivessem em pequenas fraternidades. Havia opini\u00f5es e mesmo a\u00e7\u00f5es contra o projeto. Fiz o que pude. Quatro anos depois estava novamente consultado para ir para a \u00c1frica, mas acabei transferido, pela segunda vez, para Imbari\u00ea, agora j\u00e1 par\u00f3quia assumida pela Prov\u00edncia, numa situa\u00e7\u00e3o conflituosa que l\u00e1 se tinha criado.<\/p>\n<p>Uma meia d\u00fazia de anos depois fui eleito Definidor e transferido para o Convento das Gra\u00e7as, em Guaratinguet\u00e1, acumulando tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o de Secret\u00e1rio de Evangeliza\u00e7\u00e3o da Prov\u00edncia. Dentro ainda daquele tri\u00eanio fui enviado para compor de novo a fraternidade no lepros\u00e1rio de Venda das Pedras. Por pouco tempo, pois nossa presen\u00e7a l\u00e1 foi encerrada. Fui ent\u00e3o parar na grande par\u00f3quia de Campos El\u00edseos, por 5 anos. L\u00e1, como em todos os lugares por onde passei, me dediquei muito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos leigos. Fosse juntar tudo que j\u00e1 escrevi de subs\u00eddio de forma\u00e7\u00e3o daria livros bem grossos. Sempre primei tamb\u00e9m em minha atividade apost\u00f3lica pelo canto. Muito da espiritualidade, da compreens\u00e3o de Igreja e da miss\u00e3o passam pelo canto. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 coisa que se deva deixar solta.<\/p>\n<p>O \u00faltimo Congresso Capitular me enviou para Mangueirinha, PR, pela primeira vez no sul da Prov\u00edncia. Por um ano apenas pois aquela par\u00f3quia foi entregue, embora o Cap\u00edtulo tivesse se pronunciado de forma diferente. Dos sonhos interrompidos, o que mais senti foi abandonar o in\u00edcio de um trabalho com os \u00edndios kaingan. Vim parar, ent\u00e3o, na Rocinha. Foi chegar e come\u00e7ar a pandemia. Feliz por estar aqui.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Comente esta quest\u00e3o que foi colocada em um dos encontros da Frente das Par\u00f3quias e Santu\u00e1rios: \u201cO que sobretudo n\u00e3o pode faltar numa par\u00f3quia ou santu\u00e1rio franciscano\u201d?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; As par\u00f3quias e santu\u00e1rios aos quais servimos s\u00e3o muito diversos. N\u00e3o s\u00e3o nossos, s\u00e3o das Igrejas locais, cada qual com suas virtudes e car\u00eancias. O que n\u00e3o deveria faltar na par\u00f3quia ou santu\u00e1rio entregue ao nosso cuidado pastoral \u00e9 que n\u00f3s, frades, sejamos frades com os tra\u00e7os pr\u00f3prios da espiritualidade franciscana. Quando \u00e9 assim, a par\u00f3quia ou santu\u00e1rio, com todas as suas for\u00e7as vivas, ganha tra\u00e7os franciscanos que enriquecem a Igreja local. Creio que nas diretrizes da Prov\u00edncia para a presen\u00e7a nas par\u00f3quias, santu\u00e1rios e centros de acolhimento, no item \u201ccomo queremos estar\u201d ali, se diz bem o que deveria caracterizar nossa presen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Quais seriam as \u2018outras formas de apostolado mais pr\u00f3prias da nossa Ordem\u2019? Essa pergunta que fa\u00e7o a voc\u00ea foi feita por Frei Est\u00eav\u00e3o Ottembreit durante uma palestra no ano passado, quando disse que a presen\u00e7a franciscana nas par\u00f3quias, tamb\u00e9m nos territ\u00f3rios de miss\u00e3o, \u00e9 campe\u00e3.<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Me parece claro que os Frades Menores, diferentemente de algumas outras ordens, n\u00e3o temos um tipo de apostolado espec\u00edfico. Somos pau para toda obra. O frade menor pode ser um trabalhador manual ou um cientista, um leigo ou algu\u00e9m que assume minist\u00e9rio ordenado na Igreja. O que \u00e9 mais pr\u00f3prio dos Frades Menores \u00e9 onde deveriam estar com os p\u00e9s, isto \u00e9, no mundo dos pobres, e o modo de ali estar: em fraternidade, como menores, em esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o etc. Os impasses em que a Ordem se encontra, a meu ver, decorrem muito mais da car\u00eancia de identidade carism\u00e1tica do que de forma de apostolado. Ou seja, \u00e9 quest\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o inicial e permanente. A forma\u00e7\u00e3o falha no forjar o frade prof\u00e9tico para o hoje. Parece-me que a pr\u00f3pria hermen\u00eautica que se faz de Francisco deixa a desejar no traduzir para hoje o que seja viver o esp\u00edrito que animava o \u201cpobrezinho\u201d. Parafraseando Paulo VI na Evangelii Nuntiandi, diria que aplicamos um verniz de franciscanismo que n\u00e3o chega \u201ca atingir e como que a modificar pela for\u00e7a do Evangelho os crit\u00e9rios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida\u201d. Por isso parece que podemos viver as op\u00e7\u00f5es de Francisco continuando na casa de Pedro Bernardoni.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; A seu ver, a Prov\u00edncia d\u00e1 passos no sentido de encontrar novas formas de presen\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Responder sobre isto me faz lembrar alguns epis\u00f3dios. Sou um dos mais de 30 frades da Prov\u00edncia da Imaculada que propuseram ao Cap\u00edtulo de 1988 uma mudan\u00e7a de rumo da Fraternidade Provincial, na dire\u00e7\u00e3o do que a vida religiosa na Am\u00e9rica Latina na \u00e9poca chamava de inser\u00e7\u00e3o nos meios populares. Havia propostas bem concretas, tamb\u00e9m para a forma\u00e7\u00e3o inicial. Nossa derrota foi acachapante. Nossa Prov\u00edncia se caracterizou por um v\u00edrus de grandeza e a op\u00e7\u00e3o que historicamente venceu foi pelas coisas grandes. Umas entraram em crise, outras ainda v\u00e3o entrar.<\/p>\n<p>Mais recentemente, em conson\u00e2ncia com o discurso do \u201credimensionamento\u201d, apresentei ao Regional Baixada e Serra e foi ao Cap\u00edtulo uma proposta que nasceu de um grande anseio que tenho de cuidar da M\u00e3e Terra. A proposta era uma fraternidade cuja miss\u00e3o fosse o cuidado da cria\u00e7\u00e3o. Havia at\u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o concreta: cuidar do Rio Para\u00edba, que corta boa parte do territ\u00f3rio onde nossa Prov\u00edncia se faz presente. A fraternidade percorreria o Rio, dialogando com a popula\u00e7\u00e3o, com as autoridades, com as comunidades eclesiais, conscientizando, motivando a\u00e7\u00f5es concretas. A proposta foi rejeitada antes mesmo que sua apresenta\u00e7\u00e3o fosse conclu\u00edda: \u201cN\u00e3o temos pernas pra isso!\u201d Mas o \u201cpara onde queremos ir\u201d \u00e9 que deveria ser a locomotiva a puxar o trem do redimensionamento, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Estamos a entregar par\u00f3quias. Porque o n\u00famero de frades est\u00e1 diminuindo, mas tamb\u00e9m porque o projeto \u00e9 refor\u00e7ar outras frentes j\u00e1 existentes. \u00c9 bom para a sa\u00fade carism\u00e1tica da Prov\u00edncia deixar par\u00f3quias? Depende para onde vamos. Vejo que a par\u00f3quia, com todos os \u201criscos e tenta\u00e7\u00f5es\u201d que corremos ao nelas estar, pela proximidade com as casas do povo e por suas demandas, ainda fazem bem \u00e0 vida espiritual dos frades. Neste sentido, dev\u00edamos dar gra\u00e7as a Deus por ainda estarmos em tantas par\u00f3quias. Nos isolarmos dentro de conventos ou virarmos administradores, executivos de empresas de educa\u00e7\u00e3o, de comunica\u00e7\u00e3o ou de ONGs nos faria mais frades, com atra\u00e7\u00e3o para genu\u00ednas voca\u00e7\u00f5es a frade menor? N\u00e3o vejo que a pr\u00e1tica demonstre isso.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Comente a frase do Definidor Geral, Frei Valmir Ramos, em artigo nestas Comunica\u00e7\u00f5es: \u201cA Igreja precisa continuar o seu processo de \u2018aggiornamento\u2019 (S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII) com confian\u00e7a e aud\u00e1cia, os religiosos e nossa Ordem serem reconhecidos pelo que somos e n\u00e3o pelo que fazemos\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Refere-se ao anseio da Ordem por deixar de ser considerada pelo direito can\u00f4nico como ordem clerical. Seria bom mudar? Sem d\u00favida. Mas n\u00e3o \u00e9 o que nos impede de nos formarmos para a dimens\u00e3o laical de nossa forma de vida.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; A institui\u00e7\u00e3o paroquial, com sua configura\u00e7\u00e3o e longa hist\u00f3ria, tem suportado o impacto de profundas mudan\u00e7as sociais e culturais que ocorreram nas \u00faltimas d\u00e9cadas?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Suportou, mas est\u00e1 na UTI. Diz o Papa Francisco na Evangelii Gaudium que \u201ca Par\u00f3quia n\u00e3o \u00e9 uma estrutura caduca\u201d porque ela tem uma plasticidade e pode adquirir formas diferentes, buscando a estrutura adequada para evangelizar a realidade espec\u00edfica em que est\u00e1 inserida. Mas h\u00e1, sim, muita caduquice nas par\u00f3quias e dioceses. E at\u00e9 deplor\u00e1veis voltas atr\u00e1s de passos importantes que tinham sido dados nos anos 70 e 80 na implanta\u00e7\u00e3o da eclesiologia do Vaticano II. Quando estudantes de Teologia ach\u00e1vamos que dev\u00edamos avan\u00e7ar para al\u00e9m do Conc\u00edlio, que n\u00e3o chegou a superar o clericalismo. Mas depois fomos obrigados a voltar para as trincheiras do Vaticano II para defend\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Como o Papa Francisco tamb\u00e9m reconhece, a renova\u00e7\u00e3o das par\u00f3quias ainda n\u00e3o deu os frutos esperados. Diria eu que os vinhos novos da renova\u00e7\u00e3o s\u00e3o sistematicamente envelhecidos para n\u00e3o estourarem os odres velhos. A par\u00f3quia \u00e9 apenas um dos elementos da forma da Igreja se configurar para exercer a miss\u00e3o. E esta forma de a Igreja se configurar, que n\u00e3o muda desde a Idade M\u00e9dia, infantiliza os leigos e n\u00e3o favorece a sinodalidade e a colegialidade. N\u00f3s que temos a gra\u00e7a de saber que Deus \u00e9 comunh\u00e3o de pessoas, n\u00e3o pod\u00edamos nos caracterizar por um modo mon\u00e1rquico de coordena\u00e7\u00e3o. Como encontrar a vacina para o que o Papa Francisco tem chamado de \u201cdoen\u00e7a do clericalismo\u201d, que resiste e at\u00e9 se reinventa? Desde Aparecida fala-se de \u201cconvers\u00e3o pastoral\u201d, de \u201cn\u00e3o deixar as coisas como s\u00e3o\u201d, de um rosto de Igreja decididamente voltado para a miss\u00e3o. Com o Papa Francisco esta consci\u00eancia chegou no centro da institui\u00e7\u00e3o, mas boa parte da Igreja est\u00e1 noutra, num cisma silencioso ou at\u00e9 declarado. Como s\u00e3o dif\u00edceis as mudan\u00e7as na Igreja. N\u00e3o se muda continuando simplesmente a fazer o que sempre se fez. Por exemplo, continuando a formar os pastores nos caducos semin\u00e1rios, com teologias feitas para deixar tudo como est\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; O que acha da avalia\u00e7\u00e3o do Papa sobre clericalismo: \u201c\u00c9 um dos males da Igreja. Mas \u00e9 um mal \u2018c\u00famplice\u2019, porque aos sacerdotes agrada a tenta\u00e7\u00e3o de clericalizar os leigos, mas tantos leigos, de joelhos, pedem para ser clericalizados, pois \u00e9 mais c\u00f4modo! E isto \u00e9 um pecado num duplo sentido\u201d?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Papa acerta na mosca. \u00c9 isto mesmo o que acontece. Grande parte dos fi\u00e9is cat\u00f3licos prefere um presb\u00edtero que os infantilize. Afagam o padre e s\u00e3o por ele afagados, e parece que est\u00e1 tudo bem. Mas julgo importante dizer que uma cumplicidade boa pode tamb\u00e9m acontecer: leigos que tiveram a gra\u00e7a de conhecer a eclesiologia do Vaticano II, de Medell\u00edn e de Puebla e se tornaram adultos na f\u00e9, ajudam o presb\u00edtero a compreender o seu minist\u00e9rio numa Igreja toda ela ministerial; e o presb\u00edtero imbu\u00eddo desta eclesiologia baseada nos fundamentos da f\u00e9, e que n\u00e3o se deixa contaminar pelos encantos do clericalismo, colabora para que surja um laicato adulto e uma pastoral baseada em todo o Povo de Deus. Nesta necess\u00e1ria convers\u00e3o eclesiol\u00f3gica, penso que o presb\u00edtero tem um papel decisivo pois ele e os leigos sabem que o ordenado tem o poder. Cabe a ele, portanto, pela postura e modo de coordenar, convencer os leigos de que de fato s\u00e3o verdadeiros cidad\u00e3os da vida e miss\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Uma das caracter\u00edsticas do nosso tempo \u00e9 a presen\u00e7a avassaladora das novas m\u00eddias. Agora na pandemia houve um crescimento das transmiss\u00f5es digitais das celebra\u00e7\u00f5es. Como v\u00ea tudo isso?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Sou bem pouco capacitado para o uso das novas m\u00eddias. S\u00e3o, sem d\u00favida, instrumentos preciosos que podem ser usados para a evangeliza\u00e7\u00e3o. Mais que isso, s\u00e3o um mundo ao qual a Igreja precisa se adaptar e onde deve testemunhar o Evangelho. Como em tudo, sempre h\u00e1 que se fazer discernimento. Junto com o instrumento vem tamb\u00e9m uma ideologia. E de nada adianta o melhor dos instrumentos se n\u00e3o tivermos testemunho a dar.<\/p>\n<p>A transmiss\u00e3o digital de celebra\u00e7\u00f5es certamente deve ter o seu lugar, sobretudo para quem n\u00e3o pode estar presencialmente presente, ou em situa\u00e7\u00f5es como a da pandemia. Vejo pessoas acompanhando missa na TV n\u00e3o como um programa de televis\u00e3o, mas como verdadeiro acontecimento salv\u00edfico. Mas penso que quem usa desses meios deveria vencer a tenta\u00e7\u00e3o de ganhar um p\u00fablico para si e sempre remeter a participa\u00e7\u00e3o numa comunidade concreta. Sem falar do pastoreio paralelo que \u00e9 feito, \u00e0s vezes com uma vis\u00e3o alienante de cristianismo, causando um preju\u00edzo \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica experimento que, para quem transmite, fica o desafio de vivenciar o acontecimento salv\u00edfico e n\u00e3o fazer um espet\u00e1culo a ser transmitido. Se bem que desafio semelhante enfrentamos tamb\u00e9m nas liturgias presenciais.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Que li\u00e7\u00f5es, quando a pandemia terminar, ficam para a Igreja?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Muitas. Destaco apenas uma. Aconteceram manifesta\u00e7\u00f5es de padres e leigos contra as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s missas com presen\u00e7a de fi\u00e9is, argumentando que se trata de \u201catividade essencial\u201d, que a Igreja est\u00e1 aceitando passivamente que lhe impe\u00e7am de exercer sua miss\u00e3o. Penso que a pandemia escancarou como somos uma Igreja centrada no templo, na liturgia. Exagerando e generalizando um pouco, um clero sacerdotalizado n\u00e3o sabe o que fazer se n\u00e3o tem liturgia para presidir. E o povo cat\u00f3lico n\u00e3o sabe o que fazer se n\u00e3o tem preceito religioso para cumprir. \u00c9 como se Deus fosse servido apenas no templo e n\u00e3o no cotidiano da vida. A liturgia tem sim seu lugar imprescind\u00edvel na vida e miss\u00e3o da Igreja, e n\u00e3o posso ser acusado de n\u00e3o amar a liturgia. Mas o contexto da pandemia fez aparecer como carecemos de presen\u00e7a mais significativa no campo do minist\u00e9rio da Palavra e da a\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica. Isso a pandemia n\u00e3o impediu, ao contr\u00e1rio, at\u00e9 criou oportunidades. Se a Igreja n\u00e3o tiver uma presen\u00e7a significativa na sociedade, ser\u00e1 que amanh\u00e3 ainda teremos gente em nossas liturgias?<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Como voc\u00ea v\u00ea o crescimento de grupos tradicionalistas na Igreja e de movimentos ultradireitistas na sociedade?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Algu\u00e9m escreveu que o criminoso desastre pol\u00edtico no qual nos metemos no Brasil revelou \u201co Bolsonaro que h\u00e1 em n\u00f3s\u201d. Coisa semelhante se poderia dizer da resist\u00eancia de setores reacion\u00e1rios da Igreja ao minist\u00e9rio do Papa Francisco. Mas vou deixar a an\u00e1lise do fen\u00f4meno para pessoas mais gabaritadas. S\u00f3 digo algo da minha experi\u00eancia: h\u00e1 decis\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o que s\u00e3o anteriores a qualquer argumenta\u00e7\u00e3o ou mesmo aos dados crus da realidade, contra os quais, se diz, n\u00e3o deveria haver argumento. H\u00e1 decis\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o claramente anti-evang\u00e9licas e t\u00e3o obstinadas que constituem um \u201cpecado contra o Esp\u00edrito Santo\u201d. \u00c9 tempo perdido argumentar. A\u00ed s\u00f3 mesmo um ato de liberta\u00e7\u00e3o, um exorcismo.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Como a Igreja pode se organizar a partir das CEBs?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Parece que \u00e9 preciso dizer minimamente o que se entende por CEBs. \u00c9 o modelo de Igreja de Medell\u00edn e Puebla, a Igreja acontecendo na base, em pequenas comunidades, onde os leigos se tornam adultos na f\u00e9 e assumem diferentes minist\u00e9rios, uma Igreja que leva a s\u00e9rio a dimens\u00e3o s\u00f3cio-pol\u00edtica da f\u00e9, a op\u00e7\u00e3o pelos pobres, uma Igreja que produz lideran\u00e7as para a sociedade e \u00e9 fermento de transforma\u00e7\u00e3o social. Este modelo de Igreja foi perseguido pelos inimigos externos e internos. Tinha limita\u00e7\u00f5es? Sim, no meio do trigo sempre cresce tamb\u00e9m o joio. Mas lan\u00e7ou-se um clima de suspeita sobre as CEBs, a meu ver, sobretudo pelo que tinha de mais fiel a Jesus e que foi visto como um perigo pelos donos do mundo, pelas alian\u00e7as da Igreja com a classe dominante e pelo clericalismo. As CEBs ficaram estigmatizadas, assim como a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Tem muita gente hoje na Igreja, tamb\u00e9m muito religioso e padre novo, que n\u00e3o sabe direito o que s\u00e3o CEBs, mas que tem a convic\u00e7\u00e3o de tratar-se de coisa do diabo. Vivi esta hist\u00f3ria. Optou-se por um neoconservadorismo cat\u00f3lico: televis\u00e3o, movimentos espiritualistas, padres superstars. Neste modelo, os leigos s\u00e3o plateia, que gostam do leitinho que \u00e9 oferecido e querem mais, mas n\u00e3o se tornam mission\u00e1rios, testemunhas do Evangelho na sociedade. Foi um grande tiro no p\u00e9. O resultado est\u00e1 a\u00ed: uma Igreja que tem pouco a dizer e que se torna socialmente insignificante. E como faz falta no atual momento do Brasil um posicionamento prof\u00e9tico da Igreja.<\/p>\n<p>Nas atuais Diretrizes da CNBB, num mea culpa n\u00e3o sei se admitido, os bispos voltaram a apostar no que chamam de \u201cpequenas comunidades eclesiais mission\u00e1rias\u201d, coordenadas por leigos, \u201ccom proemin\u00eancia de mulheres\u201d. Mas parece que se perdeu o \u201ctiming\u201d e o clero que surgiu nesta volta ao clericalismo n\u00e3o \u00e9 talhado para estas coisas. \u00c9 preciso come\u00e7ar de novo a fazer trabalho de base, reunir as pessoas, especialmente os pobres, em torno da Palavra, ligar f\u00e9 e vida, engajar-se em a\u00e7\u00f5es de transforma\u00e7\u00e3o da realidade&#8230; Como organizar a Igreja em rede a partir das pequenas comunidades? At\u00e9 eu j\u00e1 escrevi um livrinho com propostas neste sentido. Penso que pode haver modelos diferentes, o que importa \u00e9 o esp\u00edrito, que s\u00f3 tem lugar numa verdadeira convers\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Como voc\u00ea avalia o Pontificado do Papa Francisco?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Toni<\/strong> &#8211; Um milagre do Esp\u00edrito. Volta ao essencial: o seguimento de Jesus. Retomada do Conc\u00edlio Vaticano II: a proje\u00e7\u00e3o de uma Igreja Povo de Deus, serva do mundo, que existe para evangelizar. Ele \u00e9 um profeta que, com gestos e palavras, levanta quest\u00f5es importantes n\u00e3o s\u00f3 para os cat\u00f3licos, mas para toda a humanidade. Tudo, ent\u00e3o, est\u00e1 se encaminhando bem na Igreja? Claro que n\u00e3o. Mas o que me pergunto \u00e9: Onde estar\u00edamos sem um Papa Francisco a nos recordar o caminho do Evangelho?<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Entrevista a Moacir Beggo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Frei Ant\u00f4nio Michels<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":232359,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Frei Toni: \u201cOnde estar\u00edamos sem um Papa Francisco a nos recordar o caminho do Evangelho?\u201d - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/frei-toni-onde-estariamos-sem-um-papa-francisco-a-nos-recordar-o-caminho-do-evangelho.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Frei Toni: \u201cOnde estar\u00edamos sem um Papa Francisco a nos recordar o caminho do Evangelho?\u201d - 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