{"id":230076,"date":"2020-12-21T11:43:44","date_gmt":"2020-12-21T14:43:44","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=230076"},"modified":"2020-12-21T11:45:07","modified_gmt":"2020-12-21T14:45:07","slug":"curia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/curia.html","title":{"rendered":"Papa \u00e0 C\u00faria: o conflito divide a Igreja, a crise a purifica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_230077\" style=\"width: 1290px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-230077\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-230077 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/curia.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/curia.jpg 1280w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/curia-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/curia-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/curia-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/curia-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><p id=\"caption-attachment-230077\" class=\"wp-caption-text\"><em>Imagem: Vatican Media<\/em><\/p><\/div>\n<p>Colabora\u00e7\u00e3o generosa e apaixonada: o Papa Francisco pediu um presente de Natal aos membros da C\u00faria Romana, ao receb\u00ea-los em audi\u00eancia esta segunda-feira para as tradicionais felicita\u00e7\u00f5es natalinas.<\/p>\n<p>O discurso do Pont\u00edfice foi dedicado a analisar a crise provocada pela pandemia e suas repercuss\u00f5es na sociedade, mas, sobretudo, na Igreja.<\/p>\n<p>Francisco recordou o mem\u00f3ravel 27 de mar\u00e7o passado, quando a Pra\u00e7a estava aparentemente vazia, mas, na realidade, \u201cestava cheia gra\u00e7as \u00e0 perten\u00e7a fraterna que nos acomuna nos v\u00e1rios cantos da terra\u201d. Esta mesma fraternidade o levou a escrever a enc\u00edclica \u201cFratelli tutti\u201d, para que este princ\u00edpio se torne um anseio mundial.<\/p>\n<p>A crise que estamos vivendo \u00e9 um tempo de gra\u00e7a, afirma o Papa citando alguns epis\u00f3dios narrados na B\u00edblia: desde crise de Abra\u00e3o at\u00e9 a \u201cmais eloquente\u201d, que \u00e9 a de Jesus, e a \u201ccrise extrema na cruz\u201d, que abre o caminho da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ler a crise \u00e0 luz do Evangelho<\/strong><br \/>\nFrancisco reconhece as muitas pessoas na C\u00faria que d\u00e3o testemunho com o seu trabalho humilde, discreto, silencioso, leal, profissional, honesto.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 tamb\u00e9m problemas, com a \u00fanica diferen\u00e7a de que estes \u201cv\u00e3o parar imediatamente aos jornais, enquanto os sinais de esperan\u00e7a fazem not\u00edcia s\u00f3 depois de muito tempo e\u2026 nem sempre\u201d.<\/p>\n<p>Esta reflex\u00e3o sobre a crise, prossegue, alerta para n\u00e3o julgarmos precipitadamente a Igreja com base nos esc\u00e2ndalos de ontem e de hoje. Quem n\u00e3o olha a crise \u00e0 luz do Evangelho, afirma o Papa, limita-se a fazer a aut\u00f3psia de um cad\u00e1ver.<\/p>\n<p>\u201cEstamos assustados com a crise n\u00e3o s\u00f3 porque nos esquecemos de a avaliar como o Evangelho nos convida a faz\u00ea-lo, mas tamb\u00e9m porque olvidamos que o Evangelho \u00e9 o primeiro a colocar-nos em crise.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 preciso reencontrar a coragem e a humildade de dizer em voz alta que o tempo da crise \u00e9 um tempo do Esp\u00edrito. E junto do Menino deitado numa manjedoura, bem como na presen\u00e7a do homem crucificado, \u201cs\u00f3 encontramos o lugar certo se nos apresentarmos desarmados, humildes, essenciais\u201d.<\/p>\n<p><strong>A crise \u00e9 positiva, o conflito corr\u00f3i<\/strong><br \/>\nFrancisco faz tamb\u00e9m uma distin\u00e7\u00e3o entre crise e conflito.<\/p>\n<p>\u201cA crise geralmente tem um desfecho positivo, enquanto o conflito cria sempre um contraste, uma competi\u00e7\u00e3o, um antagonismo aparentemente sem solu\u00e7\u00e3o, entre sujeitos que se dividem em amigos a amar e inimigos a combater, com a consequente vit\u00f3ria de uma das partes.\u201d<\/p>\n<p>A l\u00f3gica do conflito sempre busca os \u201cculpados\u201d a estigmatizar e desprezar e os \u201cjustos\u201d a justificar. Isso favorece o crescimento ou a afirma\u00e7\u00e3o de certas atitudes elitistas e de \u201cgrupos fechados\u201d que promovem l\u00f3gicas restritivas e parciais.<\/p>\n<p>\u201cLida com as categorias de conflito \u2013 direita e esquerda, progressista e tradicionalista \u2013, a Igreja divide-se, polariza-se, perverte-se e atrai\u00e7oa a sua verdadeira natureza: \u00e9 um Corpo perenemente em crise.\u201d<\/p>\n<p>Um Corpo em conflito produz vencedores e vencidos, temor, rigidez, falta de sinodalidade. J\u00e1 a novidade introduzida pela crise desejada pelo Esp\u00edrito nunca \u00e9 uma novidade em contraposi\u00e7\u00e3o ao antigo, mas uma novidade que germina do antigo e o torna sempre fecundo.<\/p>\n<p>O Papa exemplifica este conceito com uma frase de Jesus: &#8220;Se o gr\u00e3o de trigo, lan\u00e7ado \u00e0 terra, n\u00e3o morrer, fica ele s\u00f3; mas, se morrer, d\u00e1 muito fruto&#8221;. &#8220;S\u00f3 morrendo para uma certa mentalidade \u00e9 que conseguiremos tamb\u00e9m abrir espa\u00e7o \u00e0 novidade que o Esp\u00edrito suscita constantemente no cora\u00e7\u00e3o da Igreja.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Crise exige atualiza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nFrancisco recorda que a &#8220;Igreja \u00e9 sempre um vaso de barro, precioso pelo que cont\u00e9m e n\u00e3o pelo que \u00e0s vezes mostra de si mesma&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Temos de esfor\u00e7ar-nos por que a nossa fragilidade n\u00e3o se torne obst\u00e1culo ao an\u00fancio do Evangelho, mas lugar onde se manifeste o grande amor de Deus.&#8221;<\/p>\n<p>A Tradi\u00e7\u00e3o custodia a verdade e a gra\u00e7a, mas a Igreja tem que lidar com os v\u00e1rios aspectos da verdade que pouco a pouco vamos compreendendo.<\/p>\n<p>\u201cNenhuma modalidade hist\u00f3rica de viver o Evangelho esgota a sua compreens\u00e3o. Se nos deixarmos guiar pelo Esp\u00edrito Santo, iremos dia ap\u00f3s dia aproximando-nos cada vez mais da &#8216;Verdade completa&#8217;.\u201d<\/p>\n<p><strong>Deixar o conflito de lado, abra\u00e7ar a crise e colocar-se a caminho<\/strong><br \/>\nComo comportar-nos na crise? Questiona-se por fim o Papa. Antes de mais nada, aceit\u00e1-la como um tempo de gra\u00e7a que nos foi dado para compreender a vontade de Deus sobre cada um de n\u00f3s e a Igreja inteira. \u00c9 preciso entrar na l\u00f3gica, aparentemente contradit\u00f3ria, de que, &#8220;quando sou fraco, ent\u00e3o \u00e9 que sou forte&#8221;.<\/p>\n<p>Ponto fundamental \u00e9 n\u00e3o interromper o di\u00e1logo com Deus, nunca se cansar de rezar. &#8220;N\u00e3o conhecemos outra solu\u00e7\u00e3o para os problemas que estamos a viver, sen\u00e3o a de rezar mais e, ao mesmo tempo, fazer tudo o que nos for poss\u00edvel com mais confian\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Eis ent\u00e3o a exorta\u00e7\u00e3o final do Papa: \u201cAmados irm\u00e3os e irm\u00e3s, conservemos uma grande paz e serenidade, plenamente conscientes de que todos n\u00f3s, a come\u00e7ar por mim, somos apenas \u00abservos in\u00fateis\u00bb, com quem usou de miseric\u00f3rdia o Senhor.\u201d<\/p>\n<p>A crise \u00e9 movimento, faz parte do caminho. Ao contr\u00e1rio, o conflito \u00e9 permanecer no labirinto, perdidos em murmura\u00e7\u00f5es e maledic\u00eancias. Francisco pede que cada um de n\u00f3s, independentemente do lugar que ocupa na Igreja, interrogue-se se quer seguir Jesus na crise ou defender-se Dele no conflito.<\/p>\n<p>O Papa conclui pedindo um presente de Natal: a colabora\u00e7\u00e3o generosa e apaixonada da C\u00faria no an\u00fancio da Boa Nova, sobretudo aos pobres. E citou Dom H\u00e9lder C\u00e2mara e sua famosa frase: &#8220;Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que eles s\u00e3o pobres, chamam-me de comunista\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Fonte: Vatican News (texto de Bianca Fraccalvieri)<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00cdNTEGRA DO DISCURSO DO PAPA FRANCISCO<\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #663300; font-size: large;\"><b><i>DISCURSO DO PAPA FRANCISCO<br \/>\n\u00c0 C\u00daRIA ROMANA PARA AS FELICITA\u00c7\u00d5ES DE NATAL<\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #663300;\"><i>Sala das B\u00ean\u00e7\u00e3os<br \/>\nSegunda-feira, 21 de dezembro de 2020<\/i><\/span><\/p>\n<p><i>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/i><\/p>\n<p>1. O Natal de Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 o mist\u00e9rio dum nascimento que nos recorda que \u00abos homens, embora tenham de morrer, n\u00e3o nasceram para morrer, mas para recome\u00e7ar\u00bb, como observa de maneira clarividente e incisiva Hanna Arendt, a fil\u00f3sofa judia que inverte o pensamento do seu mestre Heidegger, segundo o qual o homem nasce para ser lan\u00e7ado na morte. Sobre as ru\u00ednas dos totalitarismos do s\u00e9culo XX, Arendt reconhece esta verdade luminosa: \u00abO milagre que preserva o mundo, a esfera das vicissitudes humanas, da sua ru\u00edna normal, \u201cnatural\u201d, \u00e9 em \u00faltima inst\u00e2ncia o facto da natalidade. (\u2026) \u00c9 esta f\u00e9 e esperan\u00e7a no mundo que encontra a sua express\u00e3o talvez mais gloriosa e eficaz nas poucas palavras com que o Evangelho anunciou a \u201cfeliz not\u00edcia\u201d do advento: \u201cUm menino nasceu para n\u00f3s\u201d\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2020\/december\/documents\/papa-francesco_20201221_curia-romana.html#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>2. Perante o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, junto do Menino deitado numa manjedoura (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a02, 16), bem como diante do Mist\u00e9rio Pascal, na presen\u00e7a do homem crucificado, s\u00f3 encontramos o lugar certo se nos apresentarmos desarmados, humildes, essenciais; s\u00f3 depois de termos realizado no meio onde vivemos \u2013 incluindo a C\u00faria Romana \u2013 o programa de vida sugerido por S\u00e3o Paulo: \u00abToda a esp\u00e9cie de azedume, raiva, ira, gritaria e inj\u00faria desapare\u00e7a de v\u00f3s, juntamente com toda a maldade. Sede, antes, bondosos uns para com os outros, compassivos; perdoando-vos mutuamente como tamb\u00e9m Deus vos perdoou em Cristo\u00bb (<i>Ef<\/i>\u00a04, 31-32); s\u00f3 se estivermos \u00abrevestidos de humildade\u00bb (cf.\u00a0<i>1 Ped<\/i>\u00a05, 5), imitando Jesus \u00abmanso e humilde de cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a011, 29); s\u00f3 depois de nos termos colocado \u00abno \u00faltimo lugar\u00bb (<i>Lc<\/i>\u00a014, 10) e feito \u00abservo de todos\u00bb (cf.\u00a0<i>Mc<\/i>\u00a010, 44). E a este respeito, nos seus\u00a0<i>Exerc\u00edcios<\/i>, Santo In\u00e1cio chega ao ponto de pedir que nos imaginemos no cen\u00e1rio do pres\u00e9pio, \u00abfazendo-me eu \u2013 escreve \u2013 pobre e indigno servo que olha para eles, contempla-os e serve-os nas suas necessidades\u00bb (114, 2).<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o ao Cardeal Decano as suas palavras de sauda\u00e7\u00e3o neste Natal, nelas expressando os sentimentos de todos. Cardeal Re, obrigado!<\/p>\n<p>3. Este Natal fica marcado pela pandemia, pela crise sanit\u00e1ria, pela crise econ\u00f3mica, social e at\u00e9 eclesial que atingiu, sem distin\u00e7\u00f5es, o mundo inteiro. A crise deixou de ser um lugar-comum dos discursos e da elite intelectual para se tornar uma realidade partilhada por todos.<\/p>\n<p>Este flagelo foi um teste consider\u00e1vel e, ao mesmo tempo, uma grande ocasi\u00e3o para nos convertermos e recuperarmos a autenticidade.<\/p>\n<p>Em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2020\/documents\/papa-francesco_20200327_omelia-epidemia.html\">27 de mar\u00e7o passado, no Adro de S\u00e3o Pedro<\/a>\u00a0com a Pra\u00e7a aparentemente vazia mas na realidade estava cheia gra\u00e7as \u00e0 perten\u00e7a fraterna que nos acomuna nos v\u00e1rios cantos da terra, quando l\u00e1 quis rezar por todos e com todos, tive ocasi\u00e3o de referir em voz alta o poss\u00edvel significado da \u00abtempestade\u00bb (cf.\u00a0<i>Mc<\/i>\u00a04, 35-41) que se abatera sobre o mundo: \u00abA tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e sup\u00e9rfluas seguran\u00e7as com que constru\u00edmos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos h\u00e1bitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e d\u00e1 for\u00e7a \u00e0 nossa vida e \u00e0 nossa comunidade. A tempestade p\u00f5e a descoberto todos os prop\u00f3sitos de \u201cempacotar\u201d e esquecer o que alimentou a alma dos nossos povos; todas as tentativas de anestesiar com h\u00e1bitos aparentemente \u201csalvadores\u201d, incapazes de fazer apelo \u00e0s nossas ra\u00edzes e evocar a mem\u00f3ria dos nossos idosos, privando-nos assim da imunidade necess\u00e1ria para enfrentar as adversidades. Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estere\u00f3tipos com que mascaramos o nosso \u201ceu\u201d sempre preocupado com a pr\u00f3pria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (aben\u00e7oada) perten\u00e7a comum a que n\u00e3o nos podemos subtrair: a perten\u00e7a como irm\u00e3os\u00bb.<\/p>\n<p>4. Precisamente neste tempo dif\u00edcil, quis a Provid\u00eancia dar-me a possibilidade de escrever a enc\u00edclica<i>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\">Fratelli tutti<\/a><\/i>, dedicada ao tema da fraternidade e da amizade social. E dos \u00abevangelhos da inf\u00e2ncia\u00bb, onde se narra o nascimento de Jesus, vem-nos uma li\u00e7\u00e3o, ou seja, a de uma nova cumplicidade \u2013 uma nova cumplicidade! \u2013 e uni\u00e3o que se cria entre quantos s\u00e3o os seus protagonistas: Maria, Jos\u00e9, os pastores, os magos e todos aqueles que, duma forma ou doutra, ofereceram a sua fraternidade, a sua amizade, para poder ser acolhido na escurid\u00e3o da hist\u00f3ria o Verbo que Se fez carne (cf.\u00a0<i>Jo<\/i>\u00a01, 14).<\/p>\n<p>Assim deixei escrito na referida enc\u00edclica: \u00abDesejo ardentemente que, neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade. Entre todos: Aqui est\u00e1 um \u00f3timo segredo para sonhar e tornar a nossa vida uma bela aventura. Ningu\u00e9m pode enfrentar a vida isoladamente (&#8230;); precisamos duma comunidade que nos apoie, que nos auxilie e dentro da qual nos ajudemos mutuamente a olhar em frente. Como \u00e9 importante sonhar juntos! (&#8230;) Sozinho, corres o risco de ter miragens, vendo aquilo que n\u00e3o existe; \u00e9 juntos que se constroem os sonhos. Sonhemos como uma \u00fanica humanidade, como caminhantes da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que nos alberga a todos, cada qual com a riqueza da sua f\u00e9 ou das suas convic\u00e7\u00f5es, cada qual com a pr\u00f3pria voz, mas todos irm\u00e3os\u00bb (<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html#8\">Fratelli tutti<\/a><\/i>, 8).<\/p>\n<p>5. A crise da pandemia \u00e9 ocasi\u00e3o prop\u00edcia para uma breve reflex\u00e3o sobre o\u00a0<i>significado da crise<\/i>\u00a0em si mesma, que nos possa ajudar a cada um.<\/p>\n<p>A crise \u00e9 um fen\u00f3meno que afeta tudo e todos. Presente por todo o lado e em cada per\u00edodo da hist\u00f3ria, envolve as ideologias, a pol\u00edtica, a economia, a t\u00e9cnica, a ecologia, a religi\u00e3o. Trata-se duma etapa obrigat\u00f3ria da hist\u00f3ria pessoal e da hist\u00f3ria social. Manifesta-se como um facto extraordin\u00e1rio, que provoca sempre um sentimento de trepida\u00e7\u00e3o, ang\u00fastia, desequil\u00edbrio e incerteza nas op\u00e7\u00f5es a tomar. Como lembra a raiz etimol\u00f3gica do verbo\u00a0<i>krino<\/i>, a crise \u00e9 aquele crivo que limpa o gr\u00e3o de trigo depois da ceifa.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria B\u00edblia est\u00e1 povoada por pessoas que foram \u00abpassadas pelo crivo\u00bb, por \u00abpersonagens em crise\u00bb, mas que, precisamente atrav\u00e9s dela, realizam a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A crise de\u00a0<i>Abra\u00e3o<\/i>, que deixa a sua terra (<i>Gn<\/i>\u00a012, 1-2) e vive a grande prova de dever sacrificar a Deus o seu \u00fanico filho (<i>Gn<\/i>\u00a022, 1-19), \u00e9 resolvida, do ponto de vista teologal, com o nascimento dum novo povo. Mas este nascimento n\u00e3o poupa Abra\u00e3o de viver um drama onde a confus\u00e3o e o desorientamento s\u00f3 n\u00e3o prevaleceram gra\u00e7as \u00e0 fortaleza da sua f\u00e9.<\/p>\n<p>A crise de\u00a0<i>Mois\u00e9s<\/i>\u00a0manifesta-se na falta de confian\u00e7a em si mesmo: \u00abQuem sou eu para ir ter com o fara\u00f3 e fazer sair os filhos de Israel do Egito?\u00bb (<i>Ex<\/i>\u00a03, 11); \u00abeu n\u00e3o sou um homem dotado para falar (\u2026), tenho a boca e a l\u00edngua pesadas\u00bb (<i>Ex<\/i>\u00a04, 10); \u00absou incircunciso de l\u00e1bios\u00bb (<i>Ex<\/i>\u00a06, 12.30). Por isso, tenta evitar a miss\u00e3o que Deus lhe confia: \u00abSenhor, envia a mensagem pela m\u00e3o de outro\u00bb (<i>Ex<\/i>\u00a04, 13). Mas, por meio desta crise, Deus fez de Mois\u00e9s o seu servo, que guiou o povo para fora do Egito.<\/p>\n<p><i>Elias<\/i>, o profeta t\u00e3o forte que foi comparado ao fogo (cf.\u00a0<i>Sir<\/i>\u00a048, 1), num momento de grande crise at\u00e9 desejou a morte, mas depois experimentou a presen\u00e7a de Deus, n\u00e3o no vento impetuoso, nem no tremor de terra, nem no fogo, mas no \u00abmurm\u00fario duma brisa suave\u00bb (cf.\u00a0<i>1 Rs<\/i>\u00a019, 11-12). A voz de Deus nunca \u00e9 a voz\u00a0<i>rumorosa<\/i>\u00a0da crise, mas \u00e9 o\u00a0<i>murm\u00fario<\/i>\u00a0que nos fala\u00a0<i>dentro<\/i>\u00a0da pr\u00f3pria crise.<\/p>\n<p><i>Jo\u00e3o Baptista<\/i>\u00a0sente-se acabrunhado pela d\u00favida sobre a identidade messi\u00e2nica de Jesus (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a011, 2-6), porque n\u00e3o Se apresenta como o justiceiro que ele talvez esperasse (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a03, 11-12); mas \u00e9 precisamente depois do facto da pris\u00e3o de Jo\u00e3o que Jesus come\u00e7a a pregar o Evangelho de Deus (cf.\u00a0<i>Mc<\/i>\u00a01, 14).<\/p>\n<p>E ainda a crise teol\u00f3gica de\u00a0<i>Paulo de Tarso<\/i>: abalado pelo deslumbrante encontro com Cristo no caminho de Damasco (cf.\u00a0<i>At<\/i>\u00a09, 1-19;\u00a0<i>Gal<\/i>\u00a01, 15-16), \u00e9 impelido a deixar as suas seguran\u00e7as para seguir Jesus (cf.\u00a0<i>Flp<\/i>\u00a03, 4-10). S\u00e3o Paulo foi verdadeiramente um homem que se deixou transformar pela crise e, por isso, foi o art\u00edfice daquela crise que impeliu a Igreja a sair do recinto de Israel para chegar aos confins da terra.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos prolongar a lista de personagens b\u00edblicos \u2013 h\u00e1 tantos \u2013 e cada um de n\u00f3s poderia encontrar nela o seu lugar.<\/p>\n<p>Mas a crise mais eloquente \u00e9 a de\u00a0<i>Jesus<\/i>: os evangelhos sin\u00f3pticos destacam que inaugura a sua vida p\u00fablica com a experi\u00eancia da crise vivida nas tenta\u00e7\u00f5es. Embora o protagonista desta situa\u00e7\u00e3o possa parecer o diabo com as suas falsas propostas, todavia o verdadeiro protagonista \u00e9 o Esp\u00edrito Santo; \u00e9 Ele, de facto, quem conduz Jesus neste momento decisivo da sua vida: \u00abO Esp\u00edrito conduziu Jesus ao deserto, a fim de ser tentado pelo diabo\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a04, 1).<\/p>\n<p>Os evangelistas evidenciam que os quarenta dias vividos por Jesus no deserto est\u00e3o marcados pela experi\u00eancia da fome e da fragilidade (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a04, 2;\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a04, 2). E \u00e9 precisamente no mais fundo desta fome e desta fragilidade que o maligno tenta jogar o seu trunfo, aproveitando-se da humanidade cansada de Jesus. Mas, naquele homem provado pelo jejum, o Tentador experimenta a presen\u00e7a do Filho de Deus que sabe vencer a tenta\u00e7\u00e3o por meio da Palavra de Deus, n\u00e3o com a palavra pr\u00f3pria. Jesus nunca dialoga com o diabo, nunca! E isto \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o para n\u00f3s: com o diabo nunca se dialoga. Jesus expulsa-o ou obriga-o a manifestar o seu nome; mas com o diabo, nunca se dialoga.<\/p>\n<p>Depois Jesus enfrentou uma crise indescrit\u00edvel no Gets\u00e9mani: solid\u00e3o, medo, ang\u00fastia, a trai\u00e7\u00e3o de Judas e o abandono dos Ap\u00f3stolos (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a026, 36-50). Por fim, vem a crise extrema na cruz: a solidariedade com os pecadores at\u00e9 ao ponto de Se sentir abandonado pelo Pai (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a027, 46). Apesar disso, \u00e9 com plena confian\u00e7a que entregou o seu esp\u00edrito nas m\u00e3os do Pai (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a023, 46). E este seu abandono total e confiante abriu o caminho da ressurrei\u00e7\u00e3o (cf.\u00a0<i>Heb<\/i>\u00a05, 7).<\/p>\n<p>6. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, esta reflex\u00e3o sobre a crise alerta para n\u00e3o julgarmos precipitadamente a Igreja com base nas crises causadas pelos esc\u00e2ndalos de ontem e de hoje, como fez o profeta Elias que, desabafando com o Senhor, Lhe apresentou uma descri\u00e7\u00e3o da realidade sem esperan\u00e7a: \u00abArdo em zelo pelo Senhor, Deus do universo, porque os filhos de Israel abandonaram a tua alian\u00e7a, derrubaram os teus altares e mataram os teus profetas. S\u00f3 eu escapei; mas agora tamb\u00e9m me querem matar a mim\u00bb (<i>1 Rs<\/i>\u00a019, 14). E quantas vezes tamb\u00e9m as nossas an\u00e1lises eclesiais parecem descri\u00e7\u00f5es sem esperan\u00e7a. Uma leitura da realidade sem esperan\u00e7a n\u00e3o se pode chamar realista. A esperan\u00e7a d\u00e1 \u00e0s nossas an\u00e1lises aquilo que muitas vezes o nosso olhar m\u00edope \u00e9 incapaz de captar. Deus responde a Elias que a realidade n\u00e3o \u00e9 assim como ele a percebeu: \u00abVai e volta pelo caminho do deserto em dire\u00e7\u00e3o a Damasco (\u2026), deixarei com vida em Israel sete mil homens que n\u00e3o ajoelharam perante Baal e cujos l\u00e1bios o n\u00e3o beijaram\u00bb (<i>1 Rs<\/i>\u00a019, 15.18). N\u00e3o \u00e9 verdade que o profeta\u00a0<s>est\u00e1<\/s>\u00a0esteja sozinho: est\u00e1 em crise.<\/p>\n<p>Deus continua a fazer germinar as sementes do seu Reino no meio de n\u00f3s. Aqui, na C\u00faria, muitos s\u00e3o os que d\u00e3o testemunho com o trabalho humilde, discreto, sem murmura\u00e7\u00f5es, silencioso, leal, profissional, honesto. S\u00e3o muitos, no vosso meio&#8230; Obrigado! O nosso tempo tamb\u00e9m tem os seus problemas, mas possui igualmente o testemunho vivo de que o Senhor n\u00e3o abandonou o seu povo, com a \u00fanica diferen\u00e7a de que os problemas v\u00e3o parar imediatamente aos jornais \u2013sucede isto todos os dias \u2013, enquanto os sinais de esperan\u00e7a fazem not\u00edcia s\u00f3 depois de muito tempo e\u2026 nem sempre.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o olha a crise \u00e0 luz do Evangelho limita-se a fazer a aut\u00f3psia dum cad\u00e1ver: olha a crise, mas sem a esperan\u00e7a do Evangelho, sem a luz do Evangelho. Estamos assustados com a crise n\u00e3o s\u00f3 porque nos esquecemos de a avaliar como o Evangelho nos convida a faz\u00ea-lo, mas tamb\u00e9m porque olvidamos que o Evangelho \u00e9 o primeiro a colocar-nos em crise.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2020\/december\/documents\/papa-francesco_20201221_curia-romana.html#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0\u00c9 o Evangelho que nos coloca em crise. Mas, se reencontrarmos a coragem e a humildade de dizer em voz alta que o tempo da crise \u00e9 um tempo do Esp\u00edrito, ent\u00e3o, mesmo no meio da experi\u00eancia da escurid\u00e3o, da fraqueza, da fragilidade, das contradi\u00e7\u00f5es, da confus\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o nos sentiremos esmagados, mas conservaremos sempre a confian\u00e7a \u00edntima de que as coisas est\u00e3o prestes a assumir uma forma nova, nascida exclusivamente da experi\u00eancia duma gra\u00e7a escondida na escurid\u00e3o. \u00abPorque no fogo se prova o ouro; e os eleitos de Deus, no cadinho da humilha\u00e7\u00e3o\u00bb (<i>Sir<\/i>\u00a02, 5).<\/p>\n<p>7. Por fim, gostaria de vos exortar a n\u00e3o confundir a crise com o\u00a0<i>conflito<\/i>. S\u00e3o duas coisas distintas\u2026 A crise geralmente tem um desfecho positivo, enquanto o conflito cria sempre um contraste, uma competi\u00e7\u00e3o, um antagonismo aparentemente sem solu\u00e7\u00e3o, entre sujeitos que se dividem em amigos a amar e inimigos a combater, com a consequente vit\u00f3ria de uma das partes.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica do conflito sempre busca os \u00abculpados\u00bb a estigmatizar e desprezar e os \u00abjustos\u00bb a justificar, a fim de introduzir a no\u00e7\u00e3o \u2013 muitas vezes m\u00e1gica \u2013 de que esta ou aquela situa\u00e7\u00e3o nada tem a ver connosco. Esta perda do sentido duma perten\u00e7a comum favorece o crescimento ou a afirma\u00e7\u00e3o de certas atitudes elitistas e de \u00abgrupos fechados\u00bb que promovem l\u00f3gicas restritivas e parciais, que empobrecem a universalidade da nossa miss\u00e3o. \u00abQuando paramos na conjuntura conflitual, perdemos o sentido da unidade profunda da realidade\u00bb (Francisco, Exort. ap.\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/i>, 226).<\/p>\n<p>Lida com as categorias de conflito \u2013 direita e esquerda, progressista e tradicionalista \u2013, a Igreja divide-se, polariza-se, perverte-se e atrai\u00e7oa a sua verdadeira natureza: \u00e9 um Corpo perenemente em crise, precisamente porque est\u00e1 vivo, mas n\u00e3o deve tornar-se jamais um Corpo em conflito com vencedores e vencidos, pois deste modo semear\u00e1 temor, tornar-se-\u00e1 mais r\u00edgida, menos sinodal, e impor\u00e1 uma l\u00f3gica uniforme e uniformizadora, muito distante da riqueza e pluralidade que o Esp\u00edrito deu \u00e0 sua Igreja.<\/p>\n<p>A novidade introduzida pela crise querida pelo Esp\u00edrito nunca \u00e9 uma novidade em contraposi\u00e7\u00e3o ao antigo, mas uma novidade que germina do antigo e o torna sempre fecundo. Jesus usa uma frase que expressa esta passagem de forma simples e clara: \u00abSe o gr\u00e3o de trigo, lan\u00e7ado \u00e0 terra, n\u00e3o morrer, fica ele s\u00f3; mas, se morrer, d\u00e1 muito fruto\u00bb (<i>Jo<\/i>\u00a012, 24). O ato de morrer da semente \u00e9 ambivalente, porque assinala simultaneamente o fim dalguma coisa e o in\u00edcio doutra. Ao mesmo momento chamamos morte-apodrecer e nascimento-germinar, porque s\u00e3o a mesma coisa: diante dos nossos olhos, vemos um fim e, ao mesmo tempo, naquele fim manifesta-se um novo in\u00edcio.<\/p>\n<p>Neste sentido, todas as resist\u00eancias que fazemos ao entrar em crise, deixando-nos conduzir pelo Esp\u00edrito no tempo da prova, condenam-nos a ficar s\u00f3s e est\u00e9reis, no m\u00e1ximo em conflito. Defendendo-nos da crise, obstaculizamos a obra da gra\u00e7a de Deus, que quer manifestar-se em n\u00f3s e por meio de n\u00f3s. Por isso, se um certo realismo nos mostra a nossa hist\u00f3ria recente apenas como a soma de tentativas, nem sempre bem-sucedidas, de esc\u00e2ndalos, quedas, pecados, de contradi\u00e7\u00f5es, de curtos-circuitos no testemunho, n\u00e3o devemos assustar-nos, nem negar a evid\u00eancia de tudo aquilo que em n\u00f3s e nas nossas comunidades \u00e9 afetado pela morte e precisa de convers\u00e3o. Tudo aquilo que de mau, contradit\u00f3rio, fraco e fr\u00e1gil se manifesta abertamente, lembra-nos ainda mais intensamente a necessidade de morrer para um modo de ser, raciocinar e agir que n\u00e3o reflete o Evangelho. S\u00f3 morrendo para uma certa mentalidade \u00e9 que conseguiremos tamb\u00e9m abrir espa\u00e7o \u00e0 novidade que o Esp\u00edrito suscita constantemente no cora\u00e7\u00e3o da Igreja. Bem cientes disto estavam os Padres da Igreja, apelando continuamente \u00e0\u00a0<i>metanoia<\/i>.<\/p>\n<p>8. Subjacente a cada crise, h\u00e1 sempre uma justa exig\u00eancia de atualiza\u00e7\u00e3o: \u00e9 um passo em frente. Mas se quisermos de verdade uma atualiza\u00e7\u00e3o, devemos ter a coragem duma disponibilidade sem limites; h\u00e1 que deixar de pensar na reforma da Igreja como remendo dum vestido velho ou mera reda\u00e7\u00e3o duma nova constitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. A reforma da Igreja \u00e9 outra coisa.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de \u00abremendar uma pe\u00e7a de vestu\u00e1rio\u00bb, porque a Igreja n\u00e3o \u00e9 simples \u00abvestido\u00bb de Cristo, mas o seu Corpo que abra\u00e7a a hist\u00f3ria inteira (cf.\u00a0<i>1 Cor<\/i>\u00a012, 27). Somos chamados, n\u00e3o a mudar ou reformar o Corpo de Cristo \u2013 \u00abJesus Cristo \u00e9 o mesmo ontem, hoje e pelos s\u00e9culos\u00bb (<i>Heb<\/i>\u00a013, 8) \u2013, mas a revestir com um vestido novo aquele mesmo Corpo, a fim de que resulte claramente que a gra\u00e7a possu\u00edda n\u00e3o vem de n\u00f3s, mas de Deus: de facto, \u00abtrazemos este tesouro em vasos de barro, para que se veja que este extraordin\u00e1rio poder \u00e9 de Deus e n\u00e3o \u00e9 nosso\u00bb (<i>2 Cor<\/i>\u00a04, 7). A Igreja \u00e9 sempre um vaso de barro, precioso pelo que cont\u00e9m e n\u00e3o pelo que \u00e0s vezes mostra de si mesma. No fim, terei o prazer de vos dar um livro, um presente de Padre Ardura, onde se mostra a vida dum vaso de barro, que fez brilhar a grandeza de Deus e as reformas da Igreja. Este \u00e9 um tempo em que parece evidente que o barro de que fomos feitos est\u00e1 lascado, rachado, partido. Temos de esfor\u00e7ar-nos por que a nossa fragilidade n\u00e3o se torne obst\u00e1culo ao an\u00fancio do Evangelho, mas lugar onde se manifeste o grande amor com que Deus, rico em miseric\u00f3rdia, nos amou e continua a amar (cf.\u00a0<i>Ef<\/i>\u00a02, 4). Se risc\u00e1ssemos Deus, rico em miseric\u00f3rdia, da nossa vida, esta seria uma farsa, uma mentira.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo da crise, Jesus acautela-nos dalgumas tentativas de sair dela que, \u00e0 partida, est\u00e3o condenadas ao fracasso, como aquela que \u00abrecorta um bocado de roupa nova para o deitar em roupa velha\u00bb; o resultado \u00e9 previs\u00edvel: ficar\u00e1 rasgada a nova e, \u00ab\u00e0 roupa velha, n\u00e3o se ajustar\u00e1 bem o remendo que vem da nova\u00bb. Da mesma forma, \u00abningu\u00e9m deita vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho novo rompe os odres e derrama-se, e os odres ficar\u00e3o perdidos. Mas deve deitar-se o vinho novo em odres novos\u00bb (<i>Lc<\/i>\u00a05, 36-38).<\/p>\n<p>O comportamento correto \u00e9 o do \u00abdoutor da Lei instru\u00eddo acerca do Reino dos c\u00e9us [que] \u00e9 semelhante a um pai de fam\u00edlia, que tira coisas novas e antigas do seu tesouro\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a013, 52). O tesouro \u00e9 a Tradi\u00e7\u00e3o; esta, como recordava\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt.html\">Bento XVI<\/a>, \u00ab\u00e9 o rio vivo que nos liga \u00e0s origens, o rio vivo no qual as origens est\u00e3o sempre presentes. O grande rio que nos conduz ao porto da eternidade (<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/audiences\/2006\/documents\/hf_ben-xvi_aud_20060426.html\">Catequese<\/a><\/i>, 26\/IV\/2006). Isto traz-me ao pensamento a frase daquele grande musicista alem\u00e3o: \u00abA tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 a salvaguarda do futuro e n\u00e3o um museu, guardi\u00e3o das cinzas\u00bb. S\u00e3o \u00abcoisas antigas\u00bb a verdade e a gra\u00e7a que j\u00e1 possu\u00edmos. As \u00abcoisas novas\u00bb s\u00e3o os v\u00e1rios aspetos da verdade que pouco a pouco vamos compreendendo. Aquela frase do s\u00e9culo V \u00ab<i>ut annis scilicet consolidetur, dilatetur tempore, sublimetur aetate<\/i>\u00a0\u2013 fortalece-se com o decorrer dos anos, desenvolve-se com o andar dos tempos, cresce atrav\u00e9s das idades\u00bb define o que \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o; por isso cresce. Nenhuma modalidade hist\u00f3rica de viver o Evangelho esgota a sua compreens\u00e3o. Se nos deixarmos guiar pelo Esp\u00edrito Santo, iremos dia ap\u00f3s dia aproximando-nos cada vez mais da \u00abVerdade completa\u00bb (<i>Jo<\/i>\u00a016, 13). Ao contr\u00e1rio, sem a gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, pode-se at\u00e9 come\u00e7ar a conceber a Igreja de forma sinodal, mas, em vez de se referir \u00e0 comunh\u00e3o com a presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, chega a ser concebida como qualquer assembleia democr\u00e1tica composta por maiorias e minorias, por exemplo, como um Parlamento; e a sinodalidade n\u00e3o \u00e9 isto. S\u00f3 a presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo far\u00e1 a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>9. Como comportar-nos na crise? Antes de mais nada, aceit\u00e1-la como um tempo de gra\u00e7a que nos foi dado para compreender a vontade de Deus sobre cada um de n\u00f3s e a Igreja inteira. \u00c9 preciso entrar na l\u00f3gica, aparentemente contradit\u00f3ria, de que, \u00abquando sou fraco, ent\u00e3o \u00e9 que sou forte\u00bb (<i>2 Cor<\/i>\u00a012, 10). Tenha-se presente a garantia dada por S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios: \u00abDeus \u00e9 fiel e n\u00e3o permitir\u00e1 que sejais tentados acima das vossas for\u00e7as, mas, com a tenta\u00e7\u00e3o, vos dar\u00e1 os meios de sair dela e a for\u00e7a para a suportar\u00bb (<i>1 Cor<\/i>\u00a010, 13).<\/p>\n<p>Ponto fundamental \u00e9 n\u00e3o interromper o di\u00e1logo com Deus, mesmo que seja cansativo. Rezar n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. N\u00e3o devemos cansar-nos de rezar sempre (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a021, 36;\u00a0<i>1 Ts<\/i>\u00a05, 17). N\u00e3o conhecemos outra solu\u00e7\u00e3o para os problemas que estamos a viver, sen\u00e3o a de rezar mais e, ao mesmo tempo, fazer tudo o que nos for poss\u00edvel com mais confian\u00e7a. A ora\u00e7\u00e3o permitir-nos-\u00e1 ter \u00abesperan\u00e7a, para al\u00e9m do que se podia esperar\u00bb (<i>Rm<\/i>\u00a04, 18).<\/p>\n<p>10. Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, conservemos uma grande paz e serenidade, plenamente conscientes de que todos n\u00f3s, a come\u00e7ar por mim, somos apenas \u00abservos in\u00fateis\u00bb (<i>Lc<\/i>\u00a017, 10), com quem usou de miseric\u00f3rdia o Senhor. Por isso, seria bom se deix\u00e1ssemos de viver em conflito e volt\u00e1ssemos a sentir-nos a caminho, abertos \u00e0 crise. O caminho sempre tem a ver com os verbos de movimento. A crise \u00e9 movimento, faz parte do caminho. Ao contr\u00e1rio, o conflito \u00e9 um caminho fict\u00edcio, \u00e9 um girovagar sem motivo nem finalidade, \u00e9 permanecer no labirinto, \u00e9 s\u00f3 desperd\u00edcio de energias e ocasi\u00e3o de mal. E o primeiro mal a que nos leva o conflito e do qual devemos procurar fugir, \u00e9 a murmura\u00e7\u00e3o. Tenhamos cuidado com isto! Falar contra a murmura\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma mania minha; \u00e9 a den\u00fancia dum mal que entra na C\u00faria; aqui, no Pal\u00e1cio, h\u00e1 muitas portas e janelas que lhe d\u00e3o entrada e habituamo-nos a isto, \u00e0 maledic\u00eancia, que nos fecha na mais triste, desagrad\u00e1vel e sufocante autorreferencialidade e transforma toda a crise em conflito. Narra o Evangelho que os pastores acreditaram no an\u00fancio do Anjo e puseram-se a caminho para ir ver Jesus (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a02, 15-16). Ao contr\u00e1rio, Herodes fecha-se diante da narra\u00e7\u00e3o dos Magos e transformou este seu fechamento em mentira e viol\u00eancia (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a02, 1-16).<\/p>\n<p>Cada um de n\u00f3s, independentemente do lugar que ocupa na Igreja, interrogue-se se quer seguir Jesus com a docilidade dos pastores ou com a autoprote\u00e7\u00e3o de Herodes, segui-Lo na crise ou defender-se d\u2019Ele no conflito.<\/p>\n<p>Permiti que vos pe\u00e7a expressamente, a todos v\u00f3s que me acompanhais no servi\u00e7o do Evangelho, esta prenda de Natal: a vossa colabora\u00e7\u00e3o generosa e apaixonada no an\u00fancio da Boa Nova sobretudo aos pobres (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a011, 5). Lembremo-nos que s\u00f3 conhece verdadeiramente a Deus quem acolhe o pobre que vem de baixo com a sua mis\u00e9ria e que, precisamente nestas vestes, \u00e9 enviado do Alto; n\u00e3o podemos ver o rosto de Deus, mas podemos experiment\u00e1-lo ao olhar para n\u00f3s quando honramos o rosto do pr\u00f3ximo, do outro que nos ocupa com as suas necessidades.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2020\/december\/documents\/papa-francesco_20201221_curia-romana.html#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0O rosto dos pobres. Os pobres s\u00e3o o centro do Evangelho. E recordo o que dizia aquele santo bispo brasileiro: \u00abQuando me ocupo dos pobres, dizem de mim que sou um santo; mas, quando me pergunto e lhes pergunto: \u201cPorqu\u00ea tanta pobreza?\u201d, chamam-me \u201ccomunista\u201d\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o haja ningu\u00e9m que dificulte voluntariamente a obra que o Senhor est\u00e1 a realizar neste momento, e pe\u00e7amos o dom da humildade do servi\u00e7o a fim de que Ele cres\u00e7a e n\u00f3s diminuamos (cf.\u00a0<i>Jo<\/i>\u00a03, 30).<\/p>\n<p>Boas-festas a todos, a cada um de v\u00f3s, \u00e0s vossas fam\u00edlias e aos vossos amigos. E obrigado! Obrigado pelo vosso trabalho. Muito obrigado! E, por favor, rezai sempre por mim, para que tenha a coragem de permanecer em crise. Feliz Natal! Obrigado!<\/p>\n<p>[B\u00ean\u00e7\u00e3o]<\/p>\n<p>Esqueci-me de dizer que vos darei, de prenda, dois livros. Um \u00e9 a vida de Carlos de Foucauld, um Mestre da crise, que nos deixou um dom, um legado bel\u00edssimo. Trata-se duma oferta que me fez o Padre Ardura: obrigado! O outro intitula-se \u00abHolotropia: os verbos da familiaridade crist\u00e3\u00bb; servem para ajudar a viver a nossa vida. \u00c9 um livro publicado nestes dias, escrito por um biblista, disc\u00edpulo do Cardeal Martini; trabalhou em Mil\u00e3o, mas \u00e9 da diocese de Albenga-Imperia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2020\/december\/documents\/papa-francesco_20201221_curia-romana.html#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Hanna Arendt,<i>\u00a0The Human Condition<\/i>\u00a0(Universidade de Chicago 1958), traduzido em italiano:\u00a0<i>Vita activa. La condizione umana<\/i>\u00a0(Bompiani \u2013 Mil\u00e3o 1994), 182.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2020\/december\/documents\/papa-francesco_20201221_curia-romana.html#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0\u00abDepois de O ouvirem, muitos dos seus disc\u00edpulos disseram: \u201cQue palavras insuport\u00e1veis! Quem pode entender isto?\u201d Mas Jesus, sabendo no seu \u00edntimo que os seus disc\u00edpulos murmuravam a respeito disto, disse-lhes: \u201cIsto escandaliza-vos?\u201d\u00bb (<i>Jo<\/i>\u00a06, 60-61). Mas somente a partir desta crise \u00e9 que p\u00f4de nascer esta profiss\u00e3o de f\u00e9: \u00abA quem iremos n\u00f3s, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna\u00bb (<i>Jo<\/i>\u00a06, 68).<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2020\/december\/documents\/papa-francesco_20201221_curia-romana.html#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Cf. E. Levinas,\u00a0<i>Totalit\u00e9 et infini<\/i>\u00a0(Paris 2000), 76.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso do Papa Francisco \u00e0 C\u00faria Romana<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1428],"tags":[1393],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Papa \u00e0 C\u00faria: o conflito divide a Igreja, a crise a purifica - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/curia.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Papa \u00e0 C\u00faria: o conflito divide a Igreja, a crise a purifica - 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