{"id":226914,"date":"2020-06-30T10:43:51","date_gmt":"2020-06-30T13:43:51","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=226914"},"modified":"2021-04-19T22:37:48","modified_gmt":"2021-04-20T01:37:48","slug":"sou-um-velho-feliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/sou-um-velho-feliz.html","title":{"rendered":"\u201cSou um velho feliz!\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ariovaldo-840.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"630\" \/><\/p>\n<p><em>A alegria da gratid\u00e3o dissolveu poss\u00edveis lamentos ou murmura\u00e7\u00f5es por desconfortos passados. Sou um velho feliz! E serei ainda muito mais feliz, com certeza!\u201d. Essa sinceridade e espontaneidade \u00e9 de Frei Jos\u00e9 Ariovaldo, celebrando 50 anos de vida religiosa franciscana e 75 anos de uma hist\u00f3ria que come\u00e7ou em Canoinhas (SC), no dia 1\u00ba de janeiro de 1945. At\u00e9 se tornar um dos grandes liturgistas do Brasil, superou desafios dores e ang\u00fastias, como diz, mas tamb\u00e9m alegrias e sucessos vividos. <\/em><\/p>\n<p><em>Ordenado presb\u00edtero no dia 30 de dezembro de 1973, se doutorou em Liturgia pelo Pontificio Ateneo S. Anselmo (1981), em Roma. Professor no ITF desde 1981, quando retornou de Roma; foi tamb\u00e9m professor no Instituto Teol\u00f3gico de Juiz de Fora, na P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Faculdade de Teologia N. Sra. da Assun\u00e7\u00e3o, em SP, mais tarde membro do Centro de Liturgia \u201cDom Clemente Isnard\u201d, ligado ao Instituto Pio XI (UNISAL \u2013 S\u00e3o Paulo), deu aulas tamb\u00e9m na Pontif\u00edcia Universidade Antonianum de Roma. <\/em><\/p>\n<p><em>Foi membro fundador da Associa\u00e7\u00e3o dos Liturgistas do Brasil (ASLI), da qual foi o primeiro presidente. Enquanto conferencista, viajou o Brasil de Norte a Sul, do Leste ao Oeste, para levar o aprofundamento lit\u00fargico a fim de que houvesse uma renova\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica celebrativa das comunidades. Prestou in\u00fameras assessorias em dioceses, par\u00f3quias, congrega\u00e7\u00f5es e ordens religiosas. Contribuiu em diversos cursos, semin\u00e1rios, congressos, semanas de liturgia. Foi membro da Comiss\u00e3o Episcopal para a liturgia da CNBB, fazendo parte por muitos anos da equipe de reflex\u00e3o da linha 4 (dimens\u00e3o lit\u00fargica da CNBB) e membro da Comiss\u00e3o para Acabamento da Bas\u00edlica Nacional de Aparecida.<\/em><\/p>\n<p><em>Conhe\u00e7a um pouco mais Frei Jos\u00e9 nesta entrevista a <strong>Moacir Beggo<\/strong>.<\/em><\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> &#8211; <em>Em que momento de sua vida se sentiu atra\u00eddo pelo carisma franciscano?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; Tenho certa dificuldade em definir exatamente o \u201cmomento\u201d em que me senti atra\u00eddo pelo carisma franciscano. Diria que a atra\u00e7\u00e3o foi processual. Foi despertando aos poucos e evoluindo mais e mais com o \u201candar da carro\u00e7a\u201d do meu viver. Creio que come\u00e7ou, embora de forma t\u00eanue e superficial, l\u00e1 no tempo de minha inf\u00e2ncia pelo contato, embora distante, com os frades de nossa Prov\u00edncia em Canoinhas (SC), minha terra natal, bem como, mais diretamente, com as Irm\u00e3s Franciscanas de Maria Auxiliadora, em cujo col\u00e9gio fui alfabetizado e catequizado. O jeito carinhoso e am\u00e1vel de ser das Irm\u00e3s me marcou muito. Cultivava no meu corpo de crian\u00e7a certa admira\u00e7\u00e3o e encantamento tamb\u00e9m pela cor marrom do h\u00e1bito, tanto dos frades como das freiras. Lembro-me de quando, aos 14 anos (em 1959), manifestei o desejo e a decis\u00e3o de \u201cser padre\u201d (era assim que se pensava na \u00e9poca!). N\u00e3o faltou quem me propusesse a possibilidade de ser padre jesu\u00edta, redentorista ou diocesano, ao que pronta e firmemente reagi: \u201cN\u00e3o! Padre de batina preta n\u00e3o quero ser!\u201d<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-226918 alignright\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-01.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"551\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-01.jpg 400w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-01-327x450.jpg 327w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-01-150x207.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Ent\u00e3o foi essa a motiva\u00e7\u00e3o que o trouxe para a Ordem dos Frades Menores?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; Remotamente, muito remotamente, creio que sim. Foi o chute inicial. Mas, como eu disse, com o \u201candar da carro\u00e7a\u201d, depois, ela foi se ressignificando mais e mais por outras mais consistentes. O que me motivou mesmo, depois de longo processo de amadurecimento, passando pela experi\u00eancia de sete anos de semin\u00e1rio, bem como de noviciado e primeira profiss\u00e3o no dia 03.02.1969, e de todo tempo de estudos filos\u00f3fico-teol\u00f3gicos, foi a conclusiva descoberta \u2013 desafiante descoberta! \u2013 do ser franciscano como constante e teimosa busca do \u201cn\u00e3o ser dono de nada, nem da vida\u201d e, consequentemente, viver uma vida fraterna e pac\u00edfica com tudo e com todos. Deus \u00e9 o Senhor e Pai, e n\u00f3s, com todas as criaturas, somos todos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Foi o exerc\u00edcio de convers\u00e3o permanente que Francisco fez, a seu modo, \u00e0 luz da provoca\u00e7\u00e3o do Evangelho de Jesus Cristo. E pensa que foi f\u00e1cil? N\u00e3o foi n\u00e3o! Ele mesmo se via o pior pecador, um m\u00edsero vermezinho. Foi-lhe imposs\u00edvel? Tamb\u00e9m n\u00e3o, pois sentia e cultivava uma misteriosa Presen\u00e7a: A viva presen\u00e7a do Senhor em sua pr\u00f3pria carne e na carne dos irm\u00e3os, sobretudo os mais pobres, os leprosos, bem como em toda a Natureza, a dar-lhe alegria e suporte na teimosa tentativa de amansar seu lobo interior. Essa foi a descoberta que fiz e que me motivou a viver na Ordem. Lembro-me da minha profiss\u00e3o solene, no dia 04.08.1972. Prostrado ao ch\u00e3o, no momento da Ladainha de Todos os Santos, sussurrei no meu \u00edntimo: \u201cDe nada sou dono. Entrego-me totalmente a ti, Senhor, para viver em Fraternidade. E \u00e9 com este prop\u00f3sito franciscano que vou continuar a me trabalhar\u201d. \u00c9 uma motiva\u00e7\u00e3o que me fez sofrer, pois sempre de novo me percebi pecador, isto \u00e9, muito senhor e pouco servo. No fundo, tamb\u00e9m me cobrava muito por isso! Tive que trabalhar em mim tamb\u00e9m esta quest\u00e3o, o que, enfim, gra\u00e7as a Deus, me fez perceber e sentir em mim, mais e mais, uma misteriosa, amorosa, compreensiva e confortadora for\u00e7a, que me levava a jamais desistir da luta na busca de autossupera\u00e7\u00e3o. \u00c9 a tal presen\u00e7a do Senhor em minha carne, do Senhor que fez de nossos corpos o seu espa\u00e7o sagrado. Lembro-me ainda da experi\u00eancia que vivi no meu ano jubilar, ano passado, 2019. Vi que dentro de mim aninhou-se, de repente, um intenso e profundo sentimento de gratid\u00e3o, muita gratid\u00e3o! Fazendo um balan\u00e7o dos meus 50 anos de vida religiosa franciscana, lembrando os desafios enfrentados, dores e ang\u00fastias que passei e, por outro lado, revendo tantas alegrias e sucessos vividos na conviv\u00eancia com os confrades e com o povo de Deus em geral, nos estudos, nos trabalhos pastorais e acad\u00eamicos, nos contatos com tantas pessoas em cursos e assessorias, nas produ\u00e7\u00f5es escritas, vejo nitidamente como Deus \u201ccuidou\u201d de mim! Resultado: Aqui dentro de mim, Ariovaldo, agora \u00e9 quase s\u00f3 gratid\u00e3o, e t\u00e3o intensa que, inclusive, hoje n\u00e3o tenho praticamente nada do que lamentar de eventuais desventuras passadas. A alegria da gratid\u00e3o dissolveu poss\u00edveis lamentos ou murmura\u00e7\u00f5es por desconfortos passados. Sou um velho feliz! E serei ainda muito mais feliz, com certeza!<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Fale um pouco de sua fam\u00edlia, de sua vida.<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; Pois \u00e9! Tanta coisa pra contar! De alguma coisa j\u00e1 falei h\u00e1 pouco. Vou trazer alguns detalhes a mais, dos in\u00edcios. Nasci no dia 1o de janeiro de 1945, num lugarejo do interior do munic\u00edpio de Canoinhas (SC), chamado Sereia. Portanto, estou agora com 75 anos. Vivi minha inf\u00e2ncia no interior. Meus pais eram agricultores. Sou o mais velho de uma fam\u00edlia numerosa de 12 filhos. Depois de certo tempo, moramos a uma dist\u00e2ncia de uns 8 quil\u00f4metros da cidade. Fam\u00edlia muito religiosa, todos costum\u00e1vamos ir \u00e0 missa aos domingos, \u00e0s vezes a p\u00e9, \u00e0s vezes de carro\u00e7a. A reza do ter\u00e7o, todas as noites ap\u00f3s a janta, era sagrada, mesmo cansados da labuta da ro\u00e7a. Papai era muito devoto de Nossa Senhora Aparecida. E a\u00ed me lembro de um fato interessante, quando meu pai comprou um r\u00e1dio. Era um SEMP a pilha. Isso l\u00e1 por 1953\/54. Certa feita, papai e eu ouv\u00edamos um programa da R\u00e1dio Aparecida, em que um mission\u00e1rio redentorista conclamava os jovens para serem mission\u00e1rios. Eu devia ter uns 8 ou 9 anos de idade. Terminado o programa, papai olhou para mim, deu um leve sorriso e, como que a brincar, me provocou: \u201cE da\u00ed, n\u00e3o quer ir, ser mission\u00e1rio?\u201d. Fiquei quieto, um jeito surpreso. N\u00e3o respondi nada. Mas aquilo calou fundo. Pensativo, fui \u201ccozinhando\u201d, da\u00ed em diante, dentro em mim, a possibilidade de um dia ser \u201cpadre mission\u00e1rio\u201d. E sem dizer nada a ningu\u00e9m! Aquilo sempre me inquietava. E tinha que decidir. Enfim, l\u00e1 pelo m\u00eas de agosto\/setembro de 1959, num belo dia, \u00e0 noite, j\u00e1 com 14 anos, sentado e pensativo \u00e0 beira do fog\u00e3o, antes da janta, tomei a decis\u00e3o. Falei pra mim: \u201c\u00c9 hoje! Hoje vou revelar meu segredo. Vou falar do que estou querendo mesmo da vida!\u201d. Dito e feito! \u00c0 mesa, fam\u00edlia toda jantando, diante do papai falei: \u201cPai, tenho uma coisa pra dizer. Quero ir para o semin\u00e1rio. Quero ser padre. Ser\u00e1 que posso?\u201d<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; E como a fam\u00edlia recebeu a not\u00edcia?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; Todos foram tomados de surpresa. Profundo sil\u00eancio moment\u00e2neo tomou conta do entorno \u00e0 mesa. \u201cSer padre, o Jos\u00e9?!&#8230;\u201d, era com certeza o silencioso refr\u00e3o de susto e surpresa. Mas ningu\u00e9m se op\u00f4s. Mam\u00e3e exultou com uma breve exclama\u00e7\u00e3o de alegria: \u201cMeu filho!\u201d Papai deve ter tido arrepios na alma e no corpo. Mas aquele natural sentimento humano de \u201cperda\u201d do filho mais velho, na hora, com certeza, fora sublimado por outro maior, ou seja, pelo religioso sentimento de \u201centrega\u201d. \u201cSem problema, meu filho. Vai ser dif\u00edcil para n\u00f3s. Mas se \u00e9 essa a tua voca\u00e7\u00e3o, seja como Deus quer. Pode ir, sim. De nossa parte, damos todo apoio poss\u00edvel. Vamos dar um jeito\u201d, comentou papai. O medo imagin\u00e1rio de papai era, com certeza, como custear os estudos, pois \u00e9ramos uma fam\u00edlia pobre. Logo na semana seguinte, papai me levou para uma conversa com os freis na par\u00f3quia. Encontramos o p\u00e1roco, Frei Crist\u00f3v\u00e3o Horn, que, devido ao meu longo tempo sem estudar mais \u2013 tinha completado o prim\u00e1rio havia j\u00e1 tr\u00eas anos \u2013, questionou sobre minha aptid\u00e3o intelectual para o semin\u00e1rio. No entanto, a decis\u00e3o sobre mim n\u00e3o cabia a ele, mas ao Frei Samuel Both que, no momento se encontrava em visita \u00e0s comunidades do interior. Passou-se um m\u00eas, e l\u00e1 fui eu conversar pessoalmente com Frei Samuel, aquele frade alto, grand\u00e3o, enorme. Uma bondade de pessoa! Pela simplicidade, bem afinada a quem do interior, da ro\u00e7a, me deixou muito \u00e0 vontade para falar de minha decis\u00e3o tomada. Mais outro m\u00eas passou e, ent\u00e3o, ele me fez um teste oral de conhecimentos de f\u00e9 e religi\u00e3o. Terceiro m\u00eas passado, Frei Samuel me comunicou a aprova\u00e7\u00e3o para o ingresso no semin\u00e1rio, entregando-me ao mesmo tempo a listagem do enxoval a ser providenciado. O susto de papai foi grande. N\u00e3o o demonstrou abertamente. Mas pela express\u00e3o facial dava para notar sua preocupa\u00e7\u00e3o. Imagino o esfor\u00e7o dele para ter que comprar tudo aquilo: roupa de cama, toalha de banho e de rosto, sapato, chinelo, meias, camisas, palet\u00f3, cal\u00e7as, cuecas, pijamas, sabonete, pasta e escova de dente etc. Alta despesa para um pequeno agricultor com fam\u00edlia numerosa. Mas, com muito sacrif\u00edcio, conseguiu.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1960, despedi-me de meus pais e irm\u00e3os para uma viagem que, hoje, j\u00e1 dura 60 anos. Foi um momento de muitas l\u00e1grimas por parte de mam\u00e3e e papai, num misto de alegria pela miss\u00e3o que eu haveria de assumir, e de tristeza pela saudade que j\u00e1 estavam a sentir. Quanto a mim, sa\u00ed de cabe\u00e7a erguida, disposto ao que der e vier. Acompanhado de Frei Samuel, com outros garotos viajei para o Semin\u00e1rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, em Luzerna (SC). Primeira vez que viajava de \u00f4nibus (Canoinhas e Porto Uni\u00e3o) e primeira vez de trem (de Porto Uni\u00e3o a Luzerna). Em Luzerna permaneci s\u00f3 um ano, preparando-me para o Gin\u00e1sio no Semin\u00e1rio S\u00e3o Lu\u00eds de Tolosa, em Rio Negro (PR), onde estudei dois anos (1961-1962). De Rio Negro, fui encaminhado depois para o Semin\u00e1rio Santo Ant\u00f4nio de Agudos (SP), onde, ap\u00f3s o t\u00e9rmino do Gin\u00e1sio em 1964, cursei os tr\u00eas anos de Cient\u00edfico (1965-1967). Mantive permanente contato com a fam\u00edlia, mediante cartas que troc\u00e1vamos e, sobretudo, pelo tempo de f\u00e9rias de final de ano com ela, sobretudo ajudando nos trabalhos de agricultura. L\u00e1 por 1964, papai passava por dificuldades econ\u00f4micas. Frei On\u00e9simo Dreyer, reitor do Semin\u00e1rio de Agudos, entendendo a situa\u00e7\u00e3o, generoso e compassivo, conseguiu-me da Alemanha um padrinho na pessoa do Sr. Heinrich Lang e fam\u00edlia, que assumiu os custos das mensalidades do Semin\u00e1rio. Ficamos imensamente gratos a Deus pela fam\u00edlia Lang e o querido Frei On\u00e9simo, por quem oramos sempre.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Voc\u00ea \u00e9 feliz como frade menor?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; O tempo de Semin\u00e1rio foi maravilho. Foi um tempo rico que, pela forma\u00e7\u00e3o humana, espiritual e intelectual dada, contribuiu intensamente para minha posterior vida de frade feliz. Tantos detalhes de experi\u00eancias lindas vividas e de desafios enfrentados! Daria um livro!<\/p>\n<p>Depois veio o tempo de Noviciado (1968), conduzido pelo querido Frei Bas\u00edlio Prim, um santo frade que primava pela retid\u00e3o de vida. Tempo inesquec\u00edvel, pelas primeiras experi\u00eancias de vida fraterna, de ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria intensa e, por que n\u00e3o, pelos momentos de crise e decis\u00f5es a serem tomadas. Por exemplo, foi a\u00ed que tive que dar uma ressignificada \u00e0 minha decis\u00e3o vocacional, ou seja, antes de ser padre tinha que trabalhar para ser frade menor. Uma experi\u00eancia que me marcou tamb\u00e9m: Vivi uma crise de f\u00e9 no tocante \u00e0 exist\u00eancia de Deus. Incomodava-me e me angustiava a aus\u00eancia de uma compreens\u00e3o pessoal de Deus que me preenchesse. At\u00e9 que, num belo dia, ao ler a Primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o, deparei-me com uma defini\u00e7\u00e3o de Deus que me marcou para o resto da vida, ou seja, que \u201cDeus \u00e9 amor\u201d (1Jo 4,8). Virou, mais tarde, at\u00e9 lema do meu minist\u00e9rio ordenado!<\/p>\n<p>O tempo de estudos filos\u00f3fico-teol\u00f3gicos, em Petr\u00f3polis (1969-1974), foi tamb\u00e9m riqu\u00edssimo, trazendo-me enorme crescimento humano, espiritual, intelectual, em que, inclusive o tema \u201cDeus \u00e9 amor\u201d foi sendo ressignificado e aprofundado. O intenso exerc\u00edcio do pensar filos\u00f3fico atrav\u00e9s das aulas, semin\u00e1rios de Filosofia e leituras, as aulas de Psicologia, o apurado contato com a Sagrada Escritura pelo estudo da exegese b\u00edblica, o intenso contato com o pensamento teol\u00f3gico para os tempos atuais, o contado com a Hist\u00f3ria da Igreja, o mergulho nos Escritos de S\u00e3o Francisco, o exemplo de vida dos confrades mais velhos, os contatos com as comunidades eclesiais nas pastorais de final de semana, e tudo isso em meio a naturais crises, conflitos e dificuldades a serem superados, veio me contribuir para o ser frade menor feliz.<\/p>\n<p>Depois veio o tempo de estudos em Roma (1974-1981), especializando-me naquela que, junto \u00e0 compreens\u00e3o de Deus como Amor, virou minha paix\u00e3o, a divina Liturgia. Descobrir o maravilhoso sentido da divina Liturgia, bem como partilh\u00e1-lo depois como professor, assessor, escritor, contribuiu em muito para a minha felicidade como frade menor.<\/p>\n<p>Enfim, respondendo \u00e0 pergunta se sou feliz como frade menor, posso dizer que sim, e muito! Como j\u00e1 aludi antes, sou feliz, sobretudo, pela experi\u00eancia de imensa gratid\u00e3o que senti no ano passado, por ocasi\u00e3o do meu jubileu de ouro na Ordem. Gratid\u00e3o pelo quanto Deus cuidou de mim, me amou, nestes anos todos, feitos de alegria e tristeza, sa\u00fade e doen\u00e7a, dando-me a gra\u00e7a da teimosia na caminhada sempre em busca de convers\u00e3o. Gratid\u00e3o inclusive terap\u00eautica que, com o passar dos anos recentes, gra\u00e7as a Deus, veio me purificando de eventuais m\u00e1goas e amarguras por sofrimentos passados. At\u00e9 poesias passei a compor, de 2013 para c\u00e1. Numa delas, com o t\u00edtulo \u201cDeo gratias\u201d, de 14.04.2018, concluo assim: \u201cN\u00e3o mais me sinto nem senhor do dono que me vejo ser, sou um vazio bem cheio s\u00f3 de pura gratid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-226922 alignright\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-02-1.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"551\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-02-1.jpg 400w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-02-1-327x450.jpg 327w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-02-1-150x207.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Como ser um bom frade? Quais os desafios da vida em fraternidade?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; S\u00e3o Francisco continua sendo o nosso melhor facilitador para ser um bom frade. Claro, antes dele, temos nosso Mestre Jesus Cristo. Ele, no momento dram\u00e1tico do Gets\u00eamani (cf. Mt 26,36-46), alerta os seus disc\u00edpulos para algo que, a meu ver, \u00e9 de suma import\u00e2ncia na vida: A vigil\u00e2ncia. \u201cVigiai e orai para n\u00e3o cairdes em tenta\u00e7\u00e3o\u201d, nos alerta (Mt 26,41). Mas, aten\u00e7\u00e3o: Vigiar, no meu entender, n\u00e3o significa \u201cse policiar\u201d, neuroticamente ficar \u201cse cobrando\u201d. Vigiar tem a ver com p\u00f4r-se em sereno e permanente estado de aten\u00e7\u00e3o, de observa\u00e7\u00e3o plena sobre o que a gente est\u00e1 a sentir e pensar. Se voc\u00ea se habitua a estar neste estado, mais facilmente voc\u00ea percebe quando \u00e9 o seu ego que est\u00e1 querendo p\u00f4r-se no comando, pronto a derrubar voc\u00ea num clima de medo, ansiedade, culpa, controle, \u00f3dio, agressividade etc&#8230; A ora\u00e7\u00e3o de Jesus no Gets\u00eamani, \u201cPai, se for poss\u00edvel, afasta de mim este c\u00e1lice, contudo n\u00e3o se fa\u00e7a como eu quero, mas como tu queres\u201d (v. 39), expressa bem o seu estado de vigil\u00e2ncia que o leva a flagrar o \u201ceu\u201d querendo estar no comando para mergulh\u00e1-lo no desespero total. Ele mesmo, naquele cr\u00edtico momento, faz o exerc\u00edcio desta vigil\u00e2ncia e, assim, superando a tenta\u00e7\u00e3o do \u201ceu\u201d, atira-se confiante \u00e0 vontade do Pai.<\/p>\n<p>S\u00e3o Francisco tamb\u00e9m, com certeza, procurava viver este estado de permanente vigil\u00e2ncia e, nesta vigil\u00e2ncia, ia se superando, entregando-se \u00e0 vontade do Pai. Provavelmente, o fazia com muita dificuldade e dor, pois sempre de novo percebia o quanto seu \u201ceu\u201d o perturbava no projeto de seguimento do Mestre Jesus. Isso se percebe pelo quanto ele se via seguidamente um vermezinho pecador e, ao mesmo tempo, sumamente amado por Deus.<\/p>\n<p>No meu entender, pela minha experi\u00eancia pessoal atual, a estas alturas da vida, um excelente caminho para ser um bom frade \u00e9 este do exerc\u00edcio permanente de estar alerta em rela\u00e7\u00e3o aos sentimentos e pensamentos que v\u00e3o aparecendo, ao que os nossos irm\u00e3os budistas chamam tamb\u00e9m de permanente estado de presen\u00e7a ou de medita\u00e7\u00e3o em qualquer tipo de a\u00e7\u00e3o, inclusive na a\u00e7\u00e3o de ficar com o corpo im\u00f3vel e a mente meditando.<\/p>\n<p>Este \u201ctrabalho\u201d com a gente mesmo, no meu entender, tem repercuss\u00e3o positiva para a vida em fraternidade. Pois, por ele, chega-se a um ponto em que a gente j\u00e1 n\u00e3o julga mais os outros, mas apenas convive com todos de maneira humilde, simples, gratuita, alegre, compassiva e compreensiva. Cria-se um feliz clima de harmonia entre os irm\u00e3os. \u00c9 o desafio que temos pela frente, sobretudo neste tempo em que, pelo consumismo da \u00e9poca, somos facilmente \u201cdistra\u00eddos\u201d, alienados de n\u00f3s mesmos, desconectados de nossa alma.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; O senhor acha que os frades est\u00e3o aproveitando bem a evid\u00eancia do carisma franciscano que o Papa Francisco sempre faz quest\u00e3o de colocar em pauta?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; Papa Francisco \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para n\u00f3s, frades, nestes desafiantes tempos em que vivemos. Ele, resgatando o esp\u00edrito do Vaticano II de volta \u00e0 Fonte origin\u00e1ria crist\u00e3, na pessoa de Jesus Cristo \u2013 o que nosso Pai S\u00e3o Francisco buscou tamb\u00e9m fazer no seu tempo \u2013, constitui para n\u00f3s um enorme est\u00edmulo para a viv\u00eancia do Evangelho hoje. Tenho impress\u00e3o que os frades est\u00e3o se dedicando a viver o carisma franciscano lembrado pelo Papa. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, devido a padr\u00f5es egoicos (do ego) que, como parasitas agarrados em nossos corpos, nos dificultam a dar o salto para \u201cviver o Esp\u00edrito do Senhor e seu santo modo de operar\u201d (RB X,9). Mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o e empenho de muitos frades no sentido de arriscar o salto&#8230;<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Como voc\u00ea apresentaria a Ordem dos Frades Menores a um jovem hoje?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; Antes de tudo, pediria para o jovem buscar conhecer S\u00e3o Francisco, atrav\u00e9s da leitura de biografias do Poverello e seus escritos. Ent\u00e3o sim, a partir da\u00ed, em conex\u00e3o o S\u00e3o Francisco aos poucos conhecido e descoberto, lhe mostraria como a Ordem \u00e9 organizada e como o carisma est\u00e1 sendo vivido hoje: Vida em Fraternidade, Vida de ora\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o, A\u00e7\u00e3o evangelizadora.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; O senhor disse que se especializou em Liturgia em Roma. O que \u00e9 Liturgia?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; Uma coisa \u00e9 a Liturgia como ci\u00eancia, a saber, a pesquisa e estudo sobre a Liturgia como tal. Mas, o que \u00e9 esta \u201cLiturgia como tal\u201d? Como j\u00e1 disse antes, a descoberta do seu sentido teol\u00f3gico \u00e9 que me fez dela um grande apaixonado. J\u00e1 digo por qu\u00ea.<\/p>\n<p>No meu inconsciente, ligado tamb\u00e9m de um inconsciente coletivo, sempre tinha eu, codificado, padronizado, um conceito de Liturgia tipo \u201ccomplexo de ritos eclesi\u00e1sticos, ritual\u201d, como se podia ver em antigos dicion\u00e1rios para escolas m\u00e9dias. Nosso ex\u00edmio professor e mestre em Liturgia no ITF, Frei Alberto Beckh\u00e4user, me abriu os horizontes de compreens\u00e3o da Liturgia como Mist\u00e9rio do culto da Igreja. Tinha a ver com o mist\u00e9rio de Deus a agir no culto da Igreja.<\/p>\n<p>Em Roma, as aulas de teologia da Liturgia ministradas pelo saudoso professor Salvatore Marsili me possibilitaram um insight que me marcou para sempre e, a partir da\u00ed, como costumo dizer, a Liturgia para mim \u201cvirou uma cacha\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Liturgia: trata-se de um voc\u00e1bulo grego. Seu sentido mais origin\u00e1rio grego tem a ver com \u201cpresta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o comunit\u00e1rio\u201d. Qualquer tipo de a\u00e7\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o, servi\u00e7o de algu\u00e9m, que venha beneficiar uma pessoa ou coletividade, os gregos chamavam de liturgia. Assim sendo, olhando para a Sant\u00edssima Trindade (Pai e Filho e Esp\u00edrito Santo), cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que esse Deus Trindade, o melhor servidor da humanidade, \u00e9 aquele que realiza a melhor liturgia. Assim sendo, Liturgia \u00e9 o pr\u00f3prio modo de Deus ser e agir qual servidor da humanidade. O mais perfeito. \u00c9 o mesmo que dizer: \u201cDeus \u00e9 amor\u201d (1Jo 4,8)! Por isso, quando eu disse que \u201cDeus cuidou de mim\u201d, eu posso chamar esse amoroso cuidado dele de divina Liturgia.<\/p>\n<p>Pois bem, toda essa divina Liturgia se torna c\u00e9lebre \u2013 \u00e9 celebrada! \u2013, atualizada, de muitos modos: Pela Natureza que nos cerca, pelas pr\u00e1ticas de servi\u00e7os fraternos, pela vida vivida segundo o Evangelho e, por fim, por nossas a\u00e7\u00f5es rituais memoriais da divina Liturgia, a fim de viv\u00ea-la melhor no dia a dia. Portanto, n\u00e3o se trata apenas de executar ritos religiosos. Trata-se de uma viv\u00eancia da divina Liturgia presente em todas as nossas a\u00e7\u00f5es, sejam elas rituais, sejam elas relacionadas a pr\u00e1ticas concretas, a servi\u00e7os fraternos. Ver a Liturgia nessa perspectiva faz a diferen\u00e7a no pr\u00f3prio modo de celebr\u00e1-la, que se torna eminentemente evangelizador.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Como o senhor v\u00ea hoje o crescimento a posturas r\u00edgidas e ultraconservadoras contra o Conc\u00edlio Vaticano II, que faz de jovens desinformados da hist\u00f3ria, da teologia da Igreja e da sua Liturgia, uma presa f\u00e1cil?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; O problema \u00e9 que, coletivamente, sobretudo no Ocidente, estamos inconscientemente ainda muito padronizados, codificados, segundo um conceito de Liturgia como mera execu\u00e7\u00e3o de rituais religiosos&#8230; Isso vem de longa data e se cristalizou de tal maneira no corpo coletivo, na cultura cat\u00f3lica, que se chama isso de verdadeira \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d da Igreja. Nascemos e crescemos dentro desta cultura, e nossos corpos \u2013 sem percebermos \u2013 acabam sendo programados com este modo de pensar, dito crist\u00e3o. Creio que vai levar um bocado de tempo para se rever e desconstruir essa secular \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d conceitual da mente humana para, aos poucos, os crist\u00e3os se re-conectarem com a Fonte que \u00e9 o liturgo Jesus Cristo. Haja paci\u00eancia!&#8230;<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Os sonhos acalentados por muitas d\u00e9cadas de uma liturgia acolhedora e participativa, tendo como sujeito a assembleia do povo santo, consolidada pela reforma e renova\u00e7\u00e3o conciliar e enunciada na Sacrosanctum Concilium, correm perigo depois de 50 anos em terras brasileiras?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; N\u00e3o diria que correm perigo, mas constituem um permanente apelo evangelizador no sentido de superar a compreens\u00e3o da Liturgia celebrada como mera execu\u00e7\u00e3o de ritos religiosos, como j\u00e1 disse antes. A Liturgia celebrada \u00e9 um momento de experi\u00eancia pessoal e comunit\u00e1ria de f\u00e9 crist\u00e3 pela escuta da Palavra e participa\u00e7\u00e3o no sacramento, que necessariamente se desdobra depois, no dia a dia, como viv\u00eancia pr\u00e1tica do amor, da justi\u00e7a, da paz, do respeito \u00e0 vida, em todos os \u00e2mbitos das rela\u00e7\u00f5es humanas e com a Natureza. N\u00e3o foi o que aconteceu em s\u00e9culos passados, por exemplo, no Brasil col\u00f4nia e toda a Am\u00e9rica Latina. Muitos cat\u00f3licos \u201cfervorosos\u201d participavam dos rituais religiosos, mas na pr\u00e1tica matavam os \u00edndios, invadiam suas terras, roubavam o ouro, escravizavam e torturavam os negros, depredavam as florestas, e assim por diante. Alguma coisa estava errada nestes rituais, pois n\u00e3o humanizavam seus participantes!<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Comente, por favor, a frase da poetisa e pensadora Ad\u00e9lia Prado: \u201cMissa \u00e9 como um poema, n\u00e3o suporta enfeite nenhum\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; Tenho imensa admira\u00e7\u00e3o por esta nossa irm\u00e3 poetisa, da Ordem Franciscana Secular, Ad\u00e9lia Prado. Compus at\u00e9 uma poesia em sua homenagem. Chama-se \u201cPreito \u00e0 poetisa\u201d. A frase, dita por ela em Aparecida, no dia 29.11.2007 \u2013 se n\u00e3o me engano \u2013, numa palestra sobre \u201ca linguagem po\u00e9tica e linguagem religiosa\u201d, para os participantes de um festival musical e cultural chamado \u201cVozes da Igreja\u201d, fala muito e \u00e9 provocadora. Na ocasi\u00e3o, com um tom de humor e lamento, referindo-se a certas missas por a\u00ed, ela disse: \u201cOlha, gente, tem algumas celebra\u00e7\u00f5es que a gente sai da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar\u201d. O problema \u00e9 que, por n\u00e3o se entender que a missa \u00e9 express\u00e3o enxuta e simples daquilo que \u00e9 essencial da vida da Igreja \u2013 poesia pura, portanto \u2013, sempre houve e h\u00e1 ainda uma tend\u00eancia muito acentuada de inventar coisa nova e entulh\u00e1-la de \u201cenfeites\u201d, movimenta\u00e7\u00f5es aleg\u00f3ricas, ru\u00eddos de muitas palavras e sons, m\u00fasicas e cantos barulhentos sem gosto art\u00edstico, com letras que n\u00e3o t\u00eam nada a ver etc. Ad\u00e9lia Prado ent\u00e3o enfatiza: \u201cA missa \u00e9 a coisa mais absurdamente po\u00e9tica que existe. \u00c9 o absolutamente novo sempre. \u00c9 Cristo se encarnando, tendo a sua Paix\u00e3o, morrendo e ressuscitando. N\u00f3s n\u00e3o temos de botar mais nada em cima disso, \u00e9 s\u00f3 isso\u201d. J\u00e1 notou que, nas missas, muitas vezes, quase s\u00f3 \u201cn\u00f3s\u201d ou \u201ceu\u201d que falamos do come\u00e7o ao fim? Pouco espa\u00e7o sobra para Deus falar. S\u00f3 n\u00f3s, n\u00f3s, n\u00f3s&#8230; eu, eu, eu&#8230; Da\u00ed a import\u00e2ncia do sil\u00eancio, ou seja, do calar-se, como linguagem eminentemente po\u00e9tica. H\u00e1 uma forma silenciosa de proclamar a Palavra, cantar canto lit\u00fargico, tocar um instrumento, pronunciar uma ora\u00e7\u00e3o, fazer uma homilia etc. Trata-se de fazer tudo isso, mas na permanente audi\u00e7\u00e3o de Deus. Como diz a poetisa: \u201cA palavra foi inventada para ser calada. \u00c9 s\u00f3 depois que se cala que a gente ouve. A beleza de uma celebra\u00e7\u00e3o e de qualquer coisa, a beleza da arte, \u00e9 puro sil\u00eancio e pura audi\u00e7\u00e3o\u201d. E continua: \u201cParece que h\u00e1 um horror ao vazio. N\u00e3o se pode parar um minuto&#8230; N\u00e3o h\u00e1 sil\u00eancio. N\u00e3o havendo sil\u00eancio, n\u00e3o h\u00e1 audi\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o ou\u00e7o a palavra, porque eu n\u00e3o ou\u00e7o o mist\u00e9rio, e eu estou celebrando o mist\u00e9rio\u201d.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-226923 alignright\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-03-1.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"551\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-03-1.jpg 400w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-03-1-327x450.jpg 327w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ari-03-1-150x207.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; \u00c9 recomend\u00e1vel que se prepare a equipe da Liturgia da Palavra com anteced\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; Com certeza, porque a Palavra na celebra\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o palavras apenas, mas o Cristo vivo, Palavra do Pai, se comunicando com os membros do seu Corpo mediante o livro, os c\u00f3digos verbais (palavras), o espa\u00e7o da sua proclama\u00e7\u00e3o (o amb\u00e3o) e, sobretudo, pelo leitor(a) que a proclama. Ent\u00e3o, qual a miss\u00e3o da equipe celebra\u00e7\u00e3o da divina Liturgia? \u00c9 a de possibilitar que a assembleia lit\u00fargica, toda ela, se transforme num espa\u00e7o aberto, bem aberto, de audi\u00e7\u00e3o da Presen\u00e7a do Cristo-Palavra&#8230; Depende de como (com que esp\u00edrito) os agentes (o livro, as palavras, o amb\u00e3o, os leitores e outros ministros e ministras) se apresentam e s\u00e3o apresentados. Ora, para que tal experi\u00eancia do mist\u00e9rio aconte\u00e7a na celebra\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental que a equipe de Liturgia se prepare, n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista t\u00e9cnico, mas, sobretudo, do ponto de vista espiritual.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Muitas vezes, tem-se a impress\u00e3o que um presidente da Celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, e mesmo equipes de Liturgia, est\u00e1 na frente dando seu showzinho particular e roubando ao povo o direito \u00e0 Palavra e ao canto. O que o senhor opina sobre isso?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; Ligando com o que h\u00e1 pouco ouv\u00edamos da poetisa Ad\u00e9lia Prado, h\u00e1 que se educar para uma forma silenciosa de agir na Celebra\u00e7\u00e3o. Atuar em qualquer minist\u00e9rio numa assembleia lit\u00fargica exige vigil\u00e2ncia e muita ascese. Pessoalmente me esfor\u00e7o por fazer sempre comigo o exerc\u00edcio de vigil\u00e2ncia sobre o meu ego. Pois, se cochilo, vacilo e meu \u201ceu\u201d toma o comando e \u2013 pronto! \u2013 corro o risco de fazer muito barulho, de tornar-me um showman, e a voz do mist\u00e9rio fica abafada.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; O que o senhor traria como preocupa\u00e7\u00e3o hoje, ap\u00f3s 37 anos de publica\u00e7\u00e3o de sua tese de doutorado, \u201cO Movimento Lit\u00fargico no Brasil \u2013 Estudo Hist\u00f3rico\u201d?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; A partir do s\u00e9culo 19 desenvolveram-se na Europa grandes centros de pesquisa e descoberta no \u00e2mbito da Sagrada Escritura, Patr\u00edstica, Arqueologia crist\u00e3 e, sobretudo, das fontes lit\u00fargicas antigas (Sacrament\u00e1rios, Missais, Pontificais, Rituais etc.). Com tais pesquisas foi se tomando consci\u00eancia cada vez mais agu\u00e7ada sobre o quanto a compreens\u00e3o de Liturgia e suas pr\u00e1ticas celebrativas se distanciaram das Fontes mais origin\u00e1rias de viv\u00eancia crist\u00e3. Da\u00ed surgiu na Europa \u2013 a partir de 1909 \u2013 um influente movimento de reforma da Liturgia dentro da Igreja. O movimento desembocou no Conc\u00edlio Vaticano II com a Constitui\u00e7\u00e3o Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, que apresentou as bases teol\u00f3gicas e orienta\u00e7\u00f5es pastorais para uma reforma da Liturgia e consequente renova\u00e7\u00e3o da vida lit\u00fargica da Igreja. O movimento chegou aqui no Brasil e, a partir de 1933 criou corpo para valer por influ\u00eancia dos monges beneditinos, alguns bispos, v\u00e1rios padres e as lideran\u00e7as leigas da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. Pesquisei-o em sua evolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 o an\u00fancio do Conc\u00edlio pelo Papa Jo\u00e3o XXIII em janeiro de 1959. Uma das coisas que me chamaram aten\u00e7\u00e3o foi o feroz estranhamento que alguns segmentos conservadores da Igreja Cat\u00f3lica, mais ligados \u00e0s devo\u00e7\u00f5es marianas, manifestaram frente esta busca pela reforma da Liturgia. Houve muitos conflitos, pois era uma coisa nova que aparecia. Os promotores da reforma lit\u00fargica eram acusados de hereges, e at\u00e9 de comunistas pelo fato de, a partir da Liturgia, incentivar a experi\u00eancia de vida comunit\u00e1ria e participativa na Liturgia. \u00c9 que os conservadores traziam dentro deles padr\u00f5es religiosos devocionais acentuadamente individualistas, provindos da Idade M\u00e9dia, e que o resgate do sentido pr\u00f3prio de Liturgia, bebido das fontes patr\u00edsticas e das fontes lit\u00fargicas antigas, questionava. O que me incomoda \u00e9 que, n\u00e3o obstante o movimento lit\u00fargico e, depois, os 47 anos j\u00e1 passados de reforma lit\u00fargica p\u00f3s-conciliar, tais padr\u00f5es religiosos conservadores n\u00e3o foram equilibrados, muito menos sanados, no inconsciente coletivo de fortes segmentos da Igreja. Mas tenho a impress\u00e3o que a pr\u00f3pria sociedade, aos poucos, daqui para frente vai se encarregando de questionar e desconstruir tais padr\u00f5es e, ao mesmo tempo, ajudar a construir viv\u00eancias autenticamente crist\u00e3s da sagrada Liturgia.<\/p>\n<p><strong>Site Franciscanos<\/strong> <em>&#8211; Quais s\u00e3o os desafios para o estudo de liturgia hoje e o que pode contribuir para o homem p\u00f3s-moderno?<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Jos\u00e9 Ariovaldo<\/strong> &#8211; Eu ressaltaria tr\u00eas desafios. 1) Que o estudo da Liturgia seja feito a partir da Liturgia mesma, representada pelos textos dos livros lit\u00fargicos, cujo conte\u00fado esteja em conex\u00e3o, \u00e9 claro, com as realidades concretas atuais do mundo, da sociedade e da Igreja. \u201cPadre, deixe a Liturgia falar\u201d, advertia certa vez uma religiosa sens\u00edvel ao esp\u00edrito da Liturgia, ao padre que vinha fazer o show dele e inventar coisas novas, dando assim a entender que a Liturgia mesma, o mist\u00e9rio celebrado, ficava em segundo plano. 2) Penso que tal metodologia de estudo e viv\u00eancia da Liturgia deva tamb\u00e9m contribuir para amansar os ferozes lobos, egoicos, agarrados nos corpos dos conservadores, aguerridos no combate ao emergir do Novo, do diferente dos padr\u00f5es mentais meramente humanos de entender e viver a divina Liturgia. \u00c9 o que o Papa Francisco vem tentando fazer, mas com muita dificuldade, at\u00e9 mesmo recebendo amea\u00e7a. Eles, inclusive, s\u00e3o economicamente muito poderosos. De nossa parte, precisamos tamb\u00e9m estar conscientes de que assim \u00e9, a saber: Que existe um inconsciente coletivo ritual\u00edstico cat\u00f3lico t\u00e3o arraigado e r\u00edgido \u2013 como os \u201creligiosos\u201d no tempo de Jesus! \u2013 que, mesmo diante da evid\u00eancia do Novo, n\u00e3o arredam p\u00e9 e s\u00e3o agressivos. Importante perceber isso e, como Jesus, no fim dizer: \u201cPai, perdoai-lhes porque n\u00e3o sabem o que fazem\u201d (Lc 23,34). 3) No estudo da Liturgia, principalmente para quem assume algum minist\u00e9rio, temos o desafio de criar o h\u00e1bito da vigil\u00e2ncia sobre o que o corpo sente e o que a mente arquiteta. O ego pode ser esperto e sabotador e, se n\u00e3o nos habituarmos ao estado de presen\u00e7a, vacilamos, ca\u00edmos e nos transformamos em celebrantes, n\u00e3o do mist\u00e9rio, mas dele, do nosso \u201ceu\u201d, \u00e1vido de aplausos, confetes e\/ou de controle e domina\u00e7\u00e3o sobre os outros. E aqui, enfim, valeria a pena trazer a palavra da poetisa Ad\u00e9lia Prado: \u201cA liturgia celebra o qu\u00ea? O mist\u00e9rio. E que mist\u00e9rio \u00e9 esse? \u00c9 mist\u00e9rio de uma criatura que reverencia e se prostra diante do Criador. \u00c9 o humano diante do divino. N\u00e3o h\u00e1 como colocar esse procedimento num n\u00edvel de coisas banais ou comuns\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Frei Jos\u00e9 Ariovaldo da Silva<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":226916,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[758],"tags":[1360,190],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u201cSou um velho feliz!\u201d - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/sou-um-velho-feliz.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cSou um velho feliz!\u201d - 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