{"id":215583,"date":"2020-01-09T08:30:22","date_gmt":"2020-01-09T11:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=215583"},"modified":"2020-06-06T08:31:08","modified_gmt":"2020-06-06T11:31:08","slug":"apelo-do-papa-aos-eua-e-ira-manter-dialogo-e-autocontrole-no-respeito-da-legalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/apelo-do-papa-aos-eua-e-ira-manter-dialogo-e-autocontrole-no-respeito-da-legalidade.html","title":{"rendered":"Apelo do Papa aos EUA e Ir\u00e3: manter di\u00e1logo e autocontrole no respeito da legalidade"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-215584\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<p><strong>Cidade do Vaticano<\/strong> &#8211; A crise entre Estados Unidos e Ir\u00e3, as queimadas na Austr\u00e1lia, o impasse na Venezuela, a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente: todos os temas candentes da atualidade estiveram presentes num dos discursos mais aguardados do ano do Papa Francisco, isto \u00e9, ao corpo diplom\u00e1tico.<\/p>\n<p>Na Sala Regia estavam presentes os embaixadores dos 183 pa\u00edses com os quais a Santa S\u00e9 mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, entre eles o Brasil. A longa e minuciosa an\u00e1lise do Pont\u00edfice partiu da palavra esperan\u00e7a: \u201cInfelizmente, o novo ano aparece-nos constelado n\u00e3o tanto de sinais encorajadores, como sobretudo de uma intensifica\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es e viol\u00eancias. \u00c9 precisamente \u00e0 luz destas circunst\u00e2ncias que n\u00e3o podemos cessar de esperar. E esperar exige coragem\u201d.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, o Papa lembrou cada uma de suas viagens apost\u00f3licas em 2019 para passar em resenha todos os continentes, come\u00e7ando pela Am\u00e9rica. No Panam\u00e1, em janeiro, ele visitou o pa\u00eds por ocasi\u00e3o da Jornada Mundial da Juventude.<\/p>\n<p>A primeira lembran\u00e7a de Francisco, por\u00e9m, foi a de jovens abusados por membros do clero. \u201cTrata-se de crimes que ofendem a Deus, causam danos f\u00edsicos, psicol\u00f3gicos e espirituais \u00e0s v\u00edtimas e lesam a vida de comunidades inteiras\u201d. O Papa reiterou o compromisso da Igreja em debelar esta chaga e os esfor\u00e7os que vem fazendo, como, por exemplo, o encontro realizado em fevereiro com os presidentes de todas as Confer\u00eancias Episcopais. E olhando para o futuro, citou o evento marcado para o pr\u00f3ximo m\u00eas de mar\u00e7o, para um novo pacto educativo global.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-215585\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_3.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_3.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_3-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_3-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_3-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<p>A esse ponto, o Papa recordou o S\u00ednodo Amaz\u00f4nico, realizado no Vaticano em outubro passado. \u201cO S\u00ednodo foi um evento essencialmente eclesial\u201d, afirmou, mas \u201cn\u00e3o podia eximir-se de abordar outras tem\u00e1ticas \u2013 a come\u00e7ar pela ecologia integral \u2013 que dizem respeito \u00e0 pr\u00f3pria vida daquela regi\u00e3o t\u00e3o vasta e importante para todo o mundo, uma vez que a floresta amaz\u00f4nica \u00e9 um &#8216;cora\u00e7\u00e3o biol\u00f3gico&#8217; para a terra cada vez mais amea\u00e7ada&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda no continente americano, Francisco mencionou explicitamente a Venezuela e criticou as polariza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, fazendo a seguinte an\u00e1lise: \u201cEm geral, os conflitos da regi\u00e3o americana, embora possuindo ra\u00edzes diferentes, s\u00e3o irmanados pelas profundas desigualdades, as injusti\u00e7as e uma end\u00eamica corrup\u00e7\u00e3o, bem como pelas v\u00e1rias formas de pobreza que ofendem a dignidade das pessoas. Por isso, os l\u00edderes pol\u00edticos esforcem-se por restabelecer, urgentemente, uma cultura do di\u00e1logo em prol do bem comum e por fortalecer as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e promover o respeito pelo estado de direito, a fim de prevenir deslizes antidemocr\u00e1ticos, populistas e extremistas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Oriente M\u00e9dio<\/strong><br \/>\nAo falar da viagem ao Marrocos e aos Emirados \u00c1rabes Unidos, ocasi\u00e3o em que assinou o Documento sobre a Fraternidade Humana com o Grande Im\u00e3 de Al-Azhar, Ahmad al-Tayyeb, o Pont\u00edfice enquadrou uma das situa\u00e7\u00f5es mais explosivas do planeta: o Oriente M\u00e9dio e a pen\u00ednsula ar\u00e1bica. S\u00edria, I\u00eamen, L\u00edbia, Israel e Palestina foram citados, mas a aten\u00e7\u00e3o de Francisco se concentrou sobre o que aconteceu recentemente no Iraque: \u201cParticularmente preocupantes s\u00e3o os sinais que chegam de toda a regi\u00e3o, ap\u00f3s a recrudesc\u00eancia da tens\u00e3o entre o Ir\u00e3 e os Estados Unidos que se arrisca, antes de tudo, a colocar a dura prova o lento processo de reconstru\u00e7\u00e3o do Iraque, bem como a criar as bases dum conflito de mais vasta escala que todos querer\u00edamos poder esconjurar. Por isso, renovo o meu apelo a todas as partes interessadas para que evitem um agravamento do conflito e mantenham \u00abacesa a chama do di\u00e1logo e do autocontrole\u00bb, no pleno respeito da legalidade internacional\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-215586\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_1.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_1.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_1-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_1-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_1-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<p><strong>Europa<\/strong><br \/>\nDepois, foi a vez da Europa e as viagens \u00e0 Bulg\u00e1ria, Maced\u00f4nia do Norte e Rom\u00eania. O Papa n\u00e3o esqueceu dos migrantes e refugiados, constatando que o Mediterr\u00e2neo permanece um grande cemit\u00e9rio. Falou das tens\u00f5es no C\u00e1ucaso, nos B\u00e1lc\u00e3s e na Ucr\u00e2nia e citou uma s\u00e9rie de datas comemorativas: os 45 anos da Organiza\u00e7\u00e3o para a Seguran\u00e7a e a Coopera\u00e7\u00e3o na Europa (OSCE), os 70 anos do Conselho Europeu, os 30 anos da queda do Muro de Berlim:<\/p>\n<p>\u201cO Muro de Berlim permanece emblem\u00e1tico de uma cultura da divis\u00e3o que afasta as pessoas umas das outras e abre caminho ao extremismo e \u00e0 viol\u00eancia. Vemo-lo sempre mais na linguagem de \u00f3dio amplamente usada na internet e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. \u00c0s barreiras do \u00f3dio, preferimos as pontes da reconcilia\u00e7\u00e3o e da solidariedade.\u201d<br \/>\nOutro fato que mereceu uma men\u00e7\u00e3o por parte de Francisco foi o inc\u00eandio que destruiu a Catedral de Notre Dame, em Paris, que \u201cmostrou como \u00e9 fr\u00e1gil e f\u00e1cil destruir at\u00e9 o que parece s\u00f3lido\u201d e trouxe \u00e0 tona o tema dos valores hist\u00f3ricos e culturais da Europa. \u201cNum contexto onde faltam valores de refer\u00eancia, torna-se mais f\u00e1cil encontrar elementos de divis\u00e3o que de coes\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00c1frica<\/strong><br \/>\nA \u00c1frica ganhou destaque ao fazer mem\u00f3ria de suas viagens a Mo\u00e7ambique, Madagascar e Maur\u00edcio, ressaltando os sinais de paz e de reconcilia\u00e7\u00e3o. Todavia, o Papa manifestou o seu pesar pela viol\u00eancia e atos de terrorismo em Burkina Faso, Camar\u00f5es, Mali, N\u00edger, Nig\u00e9ria, Rep\u00fablica Centro-Africana e Sud\u00e3o, inclusive com crist\u00e3os pagando com a vida a sua fidelidade ao Evangelho. E mais uma vez manifestou publicamente seu desejo de visitar o Sud\u00e3o do Sul este ano.<\/p>\n<p>Por fim, a viagem \u00e0 Tail\u00e2ndia e Jap\u00e3o. A aten\u00e7\u00e3o se concentrou sobre o testemunho dos hibakusha, isto \u00e9, os sobreviventes aos bombardeios at\u00f4micos em Hiroshima e Nagasaki. Francisco voltou a repetir que o uso das armas at\u00f4micas \u00e9 imoral e que \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio livrar-se desses armamentos.<\/p>\n<p><strong>Austr\u00e1lia<\/strong><br \/>\nA \u00faltima na\u00e7\u00e3o citada pelo Pont\u00edfice foi a Austr\u00e1lia, que vem sofrendo com os inc\u00eandios nos \u00faltimos meses. \u201cAo povo australiano, especialmente \u00e0s v\u00edtimas e a quantos vivem nas regi\u00f5es atingidas pelos fogos, desejo certific\u00e1-los da minha proximidade e ora\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m de se debru\u00e7ar sobre situa\u00e7\u00f5es inerentes aos pa\u00edses, o Papa recordou ainda os 75 anos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, cujo servi\u00e7o at\u00e9 aqui foi um \u201csucesso\u201d, especialmente para evitar outra guerra mundial, mas que hoje necessita de uma reforma geral para torn\u00e1-la ainda mais eficaz.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-215587\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_2.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_2.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_2-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_2-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_2-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<p><strong>Mulheres<\/strong><br \/>\nOutra data que inspirou o Pont\u00edfice foram os 500 anos da morte do artista italiano Rafael Sanzio, que tinha como um de seus temas preferidos retratar Nossa Senhora. E lembrou que a Igreja celebra em 2020 os 70 anos da proclama\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica da Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Maria ao C\u00e9u.<\/p>\n<p>\u201cCom o olhar posto em Maria, desejo dirigir uma sauda\u00e7\u00e3o particular a todas as mulheres, 25 anos depois da IV Confer\u00eancia Mundial das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mulher, realizada em Pequim no ano de 1995, com votos de que em todo o mundo se reconhe\u00e7a cada vez mais o precioso papel das mulheres na sociedade e cessem todas as formas de injusti\u00e7a, desigualdade e viol\u00eancia contra elas.\u201d<\/p>\n<p>Francisco recordou que \u201ctoda a viol\u00eancia infligida \u00e0 mulher \u00e9 profana\u00e7\u00e3o de Deus\u201d, \u201cum crime que destr\u00f3i a harmonia, a poesia e a beleza que Deus quis dar ao mundo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Diplomacia<\/strong><br \/>\nA justi\u00e7a e a paz, finalizou o Pont\u00edfice, ser\u00e3o totalmente restabelecidas no final do caminhar terreno. At\u00e9 l\u00e1, a diplomacia \u00e9 a tentativa humana \u2013 \u201cimperfeita, mas sempre preciosa\u201d \u2013 para se alcan\u00e7ar esses frutos.<\/p>\n<p>\u201cCom este compromisso, renovo a todos voc\u00eas, queridos Embaixadores e ilustres convidados aqui reunidos, e aos seus pa\u00edses, os meus votos cordiais de um novo ano cheio de esperan\u00e7a e repleto de b\u00ean\u00e7\u00e3os.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-215588\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_5.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_5.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_5-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_5-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/papa_090120_5-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<p>\u00cdNTEGRA DO\u00a0<i>DISCURSO DO\u00a0<b>SANTO PADRE\u00a0<\/b><\/i>AO CORPO DIPLOM\u00c1TICO<\/p>\n<p>(Vaticano, 9 de janeiro de 2020)<\/p>\n<p>Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores!<\/p>\n<p>Um novo ano se abre diante de n\u00f3s e, como o vagido dum beb\u00e9 rec\u00e9m-nascido, convida-nos \u00e0 alegria e a assumir uma atitude de esperan\u00e7a. Gostaria que esta palavra (esperan\u00e7a) \u2013 para os crist\u00e3os, \u00e9 uma virtude fundamental \u2013 animasse o olhar com que sondamos o tempo que est\u00e1 diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Obviamente, esperar exige realismo. Exige que se tenha consci\u00eancia das numerosas quest\u00f5es que afligem os nossos dias e dos desafios \u00e0 nossa frente. Exige que se chamem os problemas pelo nome e se tenha a coragem de enfrent\u00e1-los. Exige n\u00e3o esquecer que a comunidade humana traz consigo os sinais e feridas das guerras que t\u00eam vindo a suceder-se com crescente capacidade destruidora ao longo do tempo e n\u00e3o cessam de atingir especialmente os mais pobres e os mais fr\u00e1geis.[1] Infelizmente, o novo ano aparece-nos constelado n\u00e3o tanto de sinais encorajadores, como sobretudo duma intensifica\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es e viol\u00eancias.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente \u00e0 luz destas circunst\u00e2ncias que n\u00e3o podemos cessar de esperar. E esperar exige coragem. Exige que se tenha consci\u00eancia de que o mal, o sofrimento e a morte n\u00e3o prevalecer\u00e3o e que mesmo as quest\u00f5es mais complexas podem e devem ser enfrentadas e resolvidas. A esperan\u00e7a \u00ab\u00e9 a virtude que nos coloca a caminho, d\u00e1 asas para continuar, mesmo quando os obst\u00e1culos parecem intranspon\u00edveis\u00bb.[2]<\/p>\n<p>Com este esp\u00edrito, vos recebo hoje, queridos Embaixadores, para vos formular os meus votos para o novo ano. Agrade\u00e7o de modo especial ao Decano do Corpo Diplom\u00e1tico, o senhor George Poulides, Embaixador de Chipre, as express\u00f5es cordiais que me dirigiu em vosso nome; e sinto-me grato a todos v\u00f3s pela presen\u00e7a, t\u00e3o numerosa e significativa, e pelo empenho com que vos dedicais diariamente \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es que ligam a Santa S\u00e9 aos vossos pa\u00edses e organiza\u00e7\u00f5es internacionais a bem duma pac\u00edfica conviv\u00eancia entre os povos.<\/p>\n<p>Com efeito, a paz e o desenvolvimento humano integral s\u00e3o o objetivo principal da Santa S\u00e9 no campo do seu empenho diplom\u00e1tico. Para tal objetivo tendem os esfor\u00e7os da Secretaria de Estado e dos dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana, bem como os esfor\u00e7os dos Representantes Pontif\u00edcios a quem agrade\u00e7o a dedica\u00e7\u00e3o com que cumprem a dupla miss\u00e3o que lhes foi confiada de representar o Papa, quer junto das Igrejas locais quer junto dos vossos governos.<\/p>\n<p>Nesta perspetiva, situam-se tamb\u00e9m os Acordos de car\u00e1ter geral, assinados ou ratificados durante o ano passado com a Rep\u00fablica do Congo, a Rep\u00fablica Centro-Africana, o Burkina Faso e Angola, bem como o Acordo entre a Santa S\u00e9 e a Rep\u00fablica Italiana para a aplica\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o de Lisboa sobre o reconhecimento dos t\u00edtulos de estudo relativos ao Ensino Superior na Europa.<\/p>\n<p>As pr\u00f3prias viagens apost\u00f3licas, al\u00e9m de ser uma via privilegiada pela qual o Sucessor do Ap\u00f3stolo Pedro confirma os irm\u00e3os na f\u00e9, tornam-se ocasi\u00e3o para favorecer o di\u00e1logo a n\u00edvel pol\u00edtico e religioso. Em 2019, tive oportunidade de visitar v\u00e1rias realidades significativas. Gostaria de as repassar convosco, aproveitando o ensejo para uma vis\u00e3o mais ampla dalgumas quest\u00f5es problem\u00e1ticas do nosso tempo.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano passado, por ocasi\u00e3o da XXXIV Jornada Mundial da Juventude, encontrei no Panam\u00e1 jovens provenientes dos cinco continentes, cheios de sonhos e esperan\u00e7as, l\u00e1 congregados para rezar e reavivar o desejo e o compromisso de criar um mundo mais humano.[3] Poder encontrar os jovens \u00e9 sempre uma alegria e uma grande oportunidade; s\u00e3o o futuro e a esperan\u00e7a das nossas sociedades.<\/p>\n<p>E todavia, como \u00e9 tristemente sabido, n\u00e3o poucos adultos, incluindo v\u00e1rios membros do clero, tornaram-se respons\u00e1veis de delitos grav\u00edssimos contra a dignidade dos jovens, crian\u00e7as e adolescentes, violando a sua inoc\u00eancia e intimidade. Trata-se de crimes que ofendem a Deus, causam danos f\u00edsicos, psicol\u00f3gicos e espirituais \u00e0s v\u00edtimas e lesam a vida de comunidades inteiras.[4] Na sequ\u00eancia do encontro com os Episcopados de todo o mundo, que convoquei no Vaticano em fevereiro passado, a Santa S\u00e9 renova o seu empenho para que se descubram os abusos cometidos e se garanta a prote\u00e7\u00e3o dos menores, atrav\u00e9s duma ampla gama de normas que permitam enfrentar tais casos no contexto do direito can\u00f4nico e atrav\u00e9s da colabora\u00e7\u00e3o com as autoridades civis, a n\u00edvel local e internacional.<\/p>\n<p>Perante feridas t\u00e3o graves, torna-se ainda mais urgente que os adultos n\u00e3o abdiquem da tarefa educativa que lhes cabe; antes pelo contr\u00e1rio, assumam tal compromisso com maior zelo para levar os jovens \u00e0 maturidade espiritual, humana e social.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, pretendo promover um evento mundial, no pr\u00f3ximo dia 14 de maio, que ter\u00e1 como tema\u00a0<i>Reconstruir o pacto educativo global<\/i>. Trata-se dum encontro que visa \u00abreavivar o compromisso em prol e com as gera\u00e7\u00f5es jovens, renovando a paix\u00e3o por uma educa\u00e7\u00e3o mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, di\u00e1logo construtivo e m\u00fatua compreens\u00e3o. Nunca, como agora, houve necessidade de unir esfor\u00e7os numa ampla alian\u00e7a educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmenta\u00e7\u00f5es e contrastes e reconstruir o tecido das rela\u00e7\u00f5es em ordem a uma humanidade mais fraterna\u00bb.[5]<\/p>\n<p>Qualquer mudan\u00e7a epocal, como a que estamos a atravessar, requer um caminho educativo, a constitui\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>uma aldeia da educa\u00e7\u00e3o<\/i>,[6] que gere uma rede de rela\u00e7\u00f5es humanas e abertas. Uma tal\u00a0<i>aldeia<\/i>\u00a0deve colocar no centro a pessoa, favorecer a criatividade e a responsabilidade por uma projeta\u00e7\u00e3o a longo prazo e formar pessoas dispon\u00edveis para servir a comunidade.<\/p>\n<p>Precisamos, pois, dum conceito de educa\u00e7\u00e3o que englobe a ampla gama de experi\u00eancias de vida e processos de aprendizagem e que permita aos jovens, individual e coletivamente, desenvolver a sua personalidade. A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se esgota nos tempos de li\u00e7\u00e3o das escolas ou das universidades, mas \u00e9 garantida principalmente respeitando e refor\u00e7ando o direito prim\u00e1rio da fam\u00edlia a educar e o direito das Igrejas e das agrega\u00e7\u00f5es sociais a apoiar e colaborar com as fam\u00edlias na educa\u00e7\u00e3o dos filhos.<\/p>\n<p>Educar exige entrar num di\u00e1logo leal com os jovens. S\u00e3o eles os primeiros a recordar-nos a urg\u00eancia daquela solidariedade intergeracional que, infelizmente, tem vindo a faltar nos \u00faltimos anos. De facto, em muitas partes do mundo, verifica-se uma tend\u00eancia a fechar-se em si mesmo, proteger os direitos e privil\u00e9gios adquiridos; conceber o mundo dentro dum horizonte limitado, que trata com indiferen\u00e7a os idosos e sobretudo j\u00e1 n\u00e3o oferece espa\u00e7o \u00e0 vida nascente. Uma representa\u00e7\u00e3o triste e emblem\u00e1tica disto mesmo \u00e9 o envelhecimento geral de parte da popula\u00e7\u00e3o mundial, especialmente no Ocidente.<\/p>\n<p>Se, por um lado, n\u00e3o devemos esquecer que os jovens esperam a palavra e o exemplo dos adultos, por outro, devemos ter em mente que aqueles t\u00eam muito para oferecer com o seu entusiasmo, o seu empenhamento e sede de verdade, pela qual nos recordam constantemente o facto de que a esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma utopia, e a paz \u00e9 um bem sempre poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Vimo-lo no modo como muitos jovens se est\u00e3o empenhando por sensibilizar os l\u00edderes pol\u00edticos para a quest\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. O cuidado da nossa casa comum deve ser uma preocupa\u00e7\u00e3o de todos, e n\u00e3o objeto de contraposi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica entre diferentes vis\u00f5es da realidade e, menos ainda, entre as gera\u00e7\u00f5es, pois \u00abno contato com a natureza \u2013 como recordava Bento XVI \u2013, a pessoa reencontra a sua justa dimens\u00e3o, redescobre-se criatura, pequena mas ao mesmo tempo \u00fanica, \u201ccapaz de Deus\u201d, porque interiormente aberta ao Infinito\u00bb.[7] Por isso, a salvaguarda do lugar que nos foi dado pelo Criador para viver n\u00e3o pode ser negligenciada nem reduzida a uma problem\u00e1tica de elite. Os jovens dizem-nos que n\u00e3o pode ser assim, porque existe um desafio urgente, a todos os n\u00edveis, de proteger a nossa casa comum e \u00abde unir toda a fam\u00edlia humana na busca de um desenvolvimento sustent\u00e1vel e integral\u00bb.[8] Recordam-nos a urg\u00eancia duma\u00a0<i>convers\u00e3o ecol\u00f3gica<\/i>, que \u00abdeve ser entendida de maneira integral, como uma transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es que mantemos com as nossas irm\u00e3s e irm\u00e3os, com os outros seres vivos, com a cria\u00e7\u00e3o na sua riqu\u00edssima variedade, com o Criador que \u00e9 origem de toda a vida\u00bb.[9]<\/p>\n<p>Infelizmente, a urg\u00eancia desta convers\u00e3o ecol\u00f3gica parece n\u00e3o ser sentida pela pol\u00edtica internacional, cuja resposta \u00e0s problem\u00e1ticas colocadas por quest\u00f5es globais como a das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u00e9 ainda muito fraca e fonte de grande preocupa\u00e7\u00e3o. A\u00a0<i>XXV Sess\u00e3o da Confer\u00eancia dos Estados Parceiros da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a do Clima<\/i> (COP25), que se realizou em Madrid no passado m\u00eas de dezembro, constitui um s\u00e9rio toque de alarme sobre a vontade que tem a Comunidade Internacional de enfrentar, com sabedoria e efic\u00e1cia, o fen\u00f4meno do aquecimento global, que requer uma resposta coletiva, capaz de fazer prevalecer o bem comum sobre os interesses particulares.<\/p>\n<p>Estas considera\u00e7\u00f5es movem a nossa aten\u00e7\u00e3o para a Am\u00e9rica Latina, em particular para a Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos para a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, realizada no Vaticano em outubro passado. O S\u00ednodo foi um evento essencialmente eclesial, motivado pela vontade de colocar-se \u00e0 escuta das esperan\u00e7as e desafios da Igreja na Amaz\u00f4nia e de abrir novos caminhos para o an\u00fancio do Evangelho ao Povo de Deus, especialmente \u00e0s popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Todavia a Assembleia Sinodal n\u00e3o podia eximir-se de abordar outras tem\u00e1ticas \u2013 a come\u00e7ar pela ecologia integral \u2013 que dizem respeito \u00e0 pr\u00f3pria vida daquela regi\u00e3o t\u00e3o vasta e importante para todo o mundo, uma vez que \u00aba floresta amaz\u00f4nica \u00e9 um \u201ccora\u00e7\u00e3o biol\u00f3gico\u201d para a terra cada vez mais amea\u00e7ada\u00bb.[10]<\/p>\n<p>Al\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, preocupa a multiplica\u00e7\u00e3o de crises pol\u00edticas num n\u00famero crescente de pa\u00edses do continente americano, com tens\u00f5es e ins\u00f3litas formas de viol\u00eancia que agravam os conflitos sociais e geram graves consequ\u00eancias socioecon\u00f4micas e humanit\u00e1rias. As polariza\u00e7\u00f5es cada vez mais fortes n\u00e3o ajudam a resolver os problemas reais e urgentes dos cidad\u00e3os, especialmente dos mais pobres e vulner\u00e1veis, e menos ainda o consegue a viol\u00eancia, que por nenhuma raz\u00e3o pode ser adotada como instrumento para enfrentar as quest\u00f5es pol\u00edticas e sociais. Gostaria aqui de lembrar especialmente a Venezuela, para que n\u00e3o esmore\u00e7a o empenho na busca de solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em geral, os conflitos da regi\u00e3o americana, embora possuindo ra\u00edzes diferentes, s\u00e3o irmanados pelas profundas desigualdades, as injusti\u00e7as e uma end\u00eamica corrup\u00e7\u00e3o, bem como pelas v\u00e1rias formas de pobreza que ofendem a dignidade das pessoas. Por isso, os l\u00edderes pol\u00edticos esforcem-se por restabelecer, urgentemente, uma cultura do di\u00e1logo em prol do bem comum e por fortalecer as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e promover o respeito pelo estado de direito, a fim de prevenir deslizes antidemocr\u00e1ticos, populistas e extremistas.<\/p>\n<p>Na segunda viagem de 2019, fui aos Emirados \u00c1rabes Unidos: era a primeira visita dum Sucessor de Pedro \u00e0 Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica. Em Abu Dhabi, assinei juntamente com o Grande Im\u00e3 de Al-Azhar, Ahmad al-Tayyeb, o\u00a0<i>Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da conviv\u00eancia comum<\/i>. Trata-se de um texto importante, que visa favorecer a m\u00fatua compreens\u00e3o entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos e a conviv\u00eancia em sociedades que se v\u00e3o tornando cada vez mais multi\u00e9tnicas e multiculturais, pois, ao condenar firmemente o uso do \u00abnome de Deus para justificar atos de homic\u00eddio, de ex\u00edlio, de terrorismo e de opress\u00e3o\u00bb,[11] recorda a import\u00e2ncia do\u00a0<i>conceito de cidadania<\/i>, que se \u00abbaseia na igualdade dos direitos e dos deveres, sob cuja sombra todos gozam da justi\u00e7a\u00bb.[12] Isto exige que seja respeitada a liberdade religiosa e se trabalhe para renunciar ao uso discriminat\u00f3rio do termo \u00abminorias\u00bb, que traz consigo as sementes da sensa\u00e7\u00e3o de isolamento e inferioridade e prepara o terreno para as hostilidades e a disc\u00f3rdia, discriminando os cidad\u00e3os com base na sua perten\u00e7a religiosa.[13] Para isso, \u00e9 particularmente importante formar as gera\u00e7\u00f5es futuras no di\u00e1logo inter-religioso, como via mestra para o conhecimento, a compreens\u00e3o e o apoio m\u00fatuo entre membros de diferentes religi\u00f5es.<\/p>\n<p>Paz e esperan\u00e7a estiveram tamb\u00e9m no centro da minha visita a Marrocos, onde, com Sua Majestade o Rei Mohammed VI, assinei um apelo conjunto sobre Jerusal\u00e9m, \u00abreconhecendo a singularidade e sacralidade de Jerusal\u00e9m \/\u00a0<i>Al Qods Acharif<\/i>\u00a0e tendo a peito o seu significado espiritual e a sua voca\u00e7\u00e3o peculiar de Cidade da Paz\u00bb.[14] E falando de Jerusal\u00e9m \u2013 cidade amada pelos fi\u00e9is das tr\u00eas religi\u00f5es monote\u00edstas, chamada a ser lugar-s\u00edmbolo de encontro e coexist\u00eancia pac\u00edfica onde se cultive o respeito m\u00fatuo e o di\u00e1logo[15] \u2013, naturalmente o meu pensamento alarga-se a toda a Terra Santa para lembrar \u00e0 Comunidade Internacional inteira a urg\u00eancia de confirmar, com coragem, sinceridade e no respeito pelo direito internacional, o seu compromisso e apoio ao processo de paz entre Israel e a Palestina.<\/p>\n<p>E h\u00e1 grande urg\u00eancia dum empenho mais ass\u00edduo e eficaz da Comunidade Internacional tamb\u00e9m noutros pontos da regi\u00e3o mediterr\u00e2nica e do M\u00e9dio Oriente. Refiro-me, antes de mais nada, \u00e0 cortina de sil\u00eancio que corre o risco de encobrir a guerra que devastou a S\u00edria durante a \u00faltima d\u00e9cada. \u00c9 particularmente urgente encontrar solu\u00e7\u00f5es adequadas e clarividentes que permitam ao querido povo s\u00edrio, exausto da guerra, encontrar a paz e come\u00e7ar a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. A Santa S\u00e9 olha, favoravelmente, toda a iniciativa destinada a lan\u00e7ar as bases para a resolu\u00e7\u00e3o do conflito e expressa mais uma vez a sua gratid\u00e3o \u00e0 Jord\u00e2nia e ao L\u00edbano por terem recebido milhares de refugiados s\u00edrios, ocupando-se deles com n\u00e3o poucos sacrif\u00edcios. Infelizmente, para al\u00e9m das canseiras provocadas pela recep\u00e7\u00e3o, h\u00e1 outros fatores de incerteza econ\u00f4mica e pol\u00edtica \u2013 no L\u00edbano e noutros Estados \u2013 que est\u00e3o a causar tens\u00f5es entre a popula\u00e7\u00e3o, colocando ainda mais em risco a fr\u00e1gil estabilidade do M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Particularmente preocupantes s\u00e3o os sinais que chegam de toda a regi\u00e3o, ap\u00f3s a recrudesc\u00eancia da tens\u00e3o entre o Ir\u00e3o e os Estados Unidos que se arrisca, antes de tudo, a colocar a dura prova o lento processo de reconstru\u00e7\u00e3o do Iraque, bem como a criar as bases dum conflito de mais vasta escala que todos querer\u00edamos poder esconjurar. Por isso, renovo o meu apelo a todas as partes interessadas para que evitem um agravamento do conflito e mantenham \u00abacesa a chama do di\u00e1logo e do autocontrole\u00bb,[16] no pleno respeito da legalidade internacional.<\/p>\n<p>Penso ainda no I\u00e9men, que vive uma das mais graves crises humanit\u00e1rias da hist\u00f3ria recente, num clima de indiferen\u00e7a geral da Comunidade Internacional, e na L\u00edbia, que h\u00e1 muitos anos vive uma situa\u00e7\u00e3o conflituosa, agravada pelas incurs\u00f5es de grupos extremistas e por uma nova escalada de viol\u00eancia nos \u00faltimos dias. Este contexto \u00e9 terreno f\u00e9rtil para o flagelo da explora\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico de seres humanos, alimentado por pessoas sem escr\u00fapulos que exploram a pobreza e o sofrimento daqueles que fogem de situa\u00e7\u00f5es de conflito ou de pobreza extrema. Muitos deles acabam presa de verdadeiras e pr\u00f3prias m\u00e1fias que os det\u00eam em condi\u00e7\u00f5es desumanas e degradantes, sujeitando-os a torturas, viol\u00eancias sexuais, extors\u00f5es.<\/p>\n<p>Em geral, \u00e9 preciso salientar que no mundo existem v\u00e1rios milhares de pessoas, com necessidades humanit\u00e1rias e leg\u00edtimos pedidos de asilo e prote\u00e7\u00e3o verific\u00e1veis, que n\u00e3o s\u00e3o adequadamente identificadas. Muitos arriscam a vida em perigosas viagens por terra e sobretudo por mar. Com m\u00e1goa, continua-se a constatar como o Mar Mediterr\u00e2neo permanece um grande cemit\u00e9rio.[17] Por isso, \u00e9 cada vez mais urgente que todos os Estados se responsabilizem por encontrar solu\u00e7\u00f5es duradouras.<\/p>\n<p>Por seu lado, a Santa S\u00e9 olha com grande esperan\u00e7a para os esfor\u00e7os feitos por numerosos pa\u00edses para compartilhar o peso da reinstala\u00e7\u00e3o e proporcionar aos deslocados, especialmente por emerg\u00eancias humanit\u00e1rias, um lugar seguro onde viver, uma educa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a possibilidade de trabalhar e voltar para as suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Queridos Embaixadores!<\/p>\n<p>Nas viagens do ano passado, tive oportunidade de deslocar-me tamb\u00e9m a tr\u00eas pa\u00edses da Europa oriental, visitando primeiro a Bulg\u00e1ria e a Maced\u00f4nia do Norte e, depois, a Rom\u00eania. Trata-se de tr\u00eas pa\u00edses diferentes entre si, mas irmanados pelo facto de terem sido, ao longo dos s\u00e9culos, ponte entre o Oriente e o Ocidente e encruzilhada de diferentes culturas, etnias e civiliza\u00e7\u00f5es. Ao visit\u00e1-los, pude experimentar mais uma vez como s\u00e3o importantes o di\u00e1logo e a cultura do encontro para construir sociedades pac\u00edficas, onde cada um possa expressar livremente a pr\u00f3pria perten\u00e7a \u00e9tnica e religiosa.<\/p>\n<p>Permanecendo no contexto europeu, gostaria de recordar a import\u00e2ncia de sustentar o di\u00e1logo e o respeito da legalidade internacional para resolver os \u00abconflitos congelados\u00bb que persistem no continente, alguns deles h\u00e1 j\u00e1 dec\u00e9nios, e que exigem uma solu\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar pelas situa\u00e7\u00f5es relativas aos Balc\u00e3s ocidentais e ao C\u00e1ucaso meridional, nomeadamente a Ge\u00f3rgia. Al\u00e9m disso gostaria de expressar aqui o encorajamento da Santa S\u00e9 \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es para a reunifica\u00e7\u00e3o de Chipre, o que aumentaria a coopera\u00e7\u00e3o regional, favorecendo a estabilidade de toda a regi\u00e3o mediterr\u00e2nea, bem como manifestar apre\u00e7o pelas tentativas tendentes a resolver o conflito na parte oriental da Ucr\u00e2nia e p\u00f4r termo aos sofrimentos da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O di\u00e1logo \u2013 e n\u00e3o as armas \u2013 \u00e9 o instrumento essencial para resolver as disputas. A prop\u00f3sito, desejo mencionar aqui a contribui\u00e7\u00e3o oferecida, por exemplo na Ucr\u00e2nia, pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Seguran\u00e7a e a Coopera\u00e7\u00e3o na Europa (OSCE), especialmente neste ano em que ocorre o 45\u00ba anivers\u00e1rio da Ata Final de Hels\u00ednquia, que concluiu a Confer\u00eancia sobre a Seguran\u00e7a e a Coopera\u00e7\u00e3o na Europa (CSCE), iniciada em 1973 para favorecer a distens\u00e3o e a colabora\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses da Europa ocidental e os da Europa oriental, quando o continente ainda estava dividido pela cortina de ferro. Foi uma etapa importante dum processo iniciado sobre os escombros da II Guerra Mundial e que viu o consenso e o di\u00e1logo como um instrumento essencial para resolver as disputas.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1949 na Europa ocidental, com a cria\u00e7\u00e3o do Conselho da Europa e sucessiva ado\u00e7\u00e3o da\u00a0<i>Conven\u00e7\u00e3o Europeia dos Direitos do Homem<\/i>, lan\u00e7aram-se as bases do processo de integra\u00e7\u00e3o europeia, que encontraram um pilar fundamental na Declara\u00e7\u00e3o de 9 de maio de 1950 do Ministro franc\u00eas dos Neg\u00f3cios Estrangeiros de ent\u00e3o, Robert Schuman. Afirmava ele que \u00aba paz s\u00f3 pode ser salvaguardada atrav\u00e9s de esfor\u00e7os criativos, proporcionais aos perigos que a amea\u00e7am\u00bb. Nos Pais fundadores da Europa moderna, havia a consci\u00eancia de que o continente s\u00f3 poderia recuperar das lacera\u00e7\u00f5es da guerra e das novas divis\u00f5es que sobrevieram atrav\u00e9s dum processo gradual de partilha de ideais e recursos.<\/p>\n<p>Desde os primeiros anos, a Santa S\u00e9 olhou com interesse o projeto europeu, recorrendo este ano o cinquenten\u00e1rio da presen\u00e7a da Santa S\u00e9 como Observador no Conselho da Europa, bem como o estabelecimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com as Comunidades Europeias de ent\u00e3o. O referido interesse pretende sublinhar uma ideia de constru\u00e7\u00e3o inclusiva, animada por um esp\u00edrito participativo e solid\u00e1rio, capaz de fazer da Europa um exemplo de hospitalidade e equidade social sob o signo dos valores comuns que est\u00e3o na sua base. O projeto europeu continua a ser uma garantia fundamental de desenvolvimento para quem faz parte dele h\u00e1 algum tempo e uma oportunidade de paz, depois de turbulentos conflitos e lacera\u00e7\u00f5es, para os pa\u00edses que desejam participar.<\/p>\n<p>Por isso, a Europa n\u00e3o perca o sentido de solidariedade que, h\u00e1 s\u00e9culos, a carateriza, mesmo nos momentos mais dif\u00edceis da sua hist\u00f3ria. N\u00e3o perca aquele esp\u00edrito, cujas ra\u00edzes brotam, para al\u00e9m do mais, da\u00a0<i>pietas<\/i>\u00a0romana e da\u00a0<i>caritas<\/i>\u00a0crist\u00e3, que descrevem bem a alma dos povos europeus. O inc\u00eandio da Catedral de\u00a0<i>Notre Dame<\/i>\u00a0em Paris mostrou como \u00e9 fr\u00e1gil e f\u00e1cil de destruir at\u00e9 o que parece s\u00f3lido. Os danos sofridos por um edif\u00edcio, caro n\u00e3o apenas aos cat\u00f3licos mas significativo para toda a Fran\u00e7a e a humanidade inteira, trouxeram \u00e0 ribalta o tema dos valores hist\u00f3ricos e culturais da Europa e das ra\u00edzes nas quais a mesma se fundamenta. Num contexto onde faltam valores de refer\u00eancia, torna-se mais f\u00e1cil encontrar elementos de divis\u00e3o que de coes\u00e3o.<\/p>\n<p>O trig\u00e9simo anivers\u00e1rio da queda do Muro de Berlim colocou-nos diante dos olhos um dos s\u00edmbolos mais dilacerantes da hist\u00f3ria recente do continente, lembrando-nos como \u00e9 f\u00e1cil erguer barreiras. O Muro de Berlim permanece emblem\u00e1tico duma cultura da divis\u00e3o que afasta as pessoas umas das outras e abre caminho ao extremismo e \u00e0 viol\u00eancia. Vemo-lo sempre mais na linguagem de \u00f3dio amplamente usada na internet e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. \u00c0s barreiras do \u00f3dio, preferimos as pontes da reconcilia\u00e7\u00e3o e da solidariedade; \u00e0quilo que afasta, preferimos o que aproxima, cientes de que \u00abnenhuma paz \u2013 como escreveu h\u00e1 cem anos o meu predecessor Bento XV \u2013 se [pode] consolidar (&#8230;) se, ao mesmo tempo, n\u00e3o se aplacarem os \u00f3dios e os rancores por meio duma reconcilia\u00e7\u00e3o fundada na m\u00fatua caridade\u00bb.[18]<\/p>\n<p>Queridos Embaixadores!<\/p>\n<p>Sinais de paz e reconcilia\u00e7\u00e3o, pude ver durante a viagem \u00e0 \u00c1frica, onde \u00e9 evidente a alegria de quem juntamente se sente povo e enfrenta as canseiras di\u00e1rias com esp\u00edrito de partilha. Experimentei a concretiza\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a atrav\u00e9s de numerosos gestos encorajadores, a come\u00e7ar pelos renovados progressos realizados em Mo\u00e7ambique, com a assinatura do Acordo para a cessa\u00e7\u00e3o definitiva das hostilidades no dia 1 de agosto passado.<\/p>\n<p>Em Madag\u00e1scar, pude constatar que \u00e9 poss\u00edvel construir seguran\u00e7a onde havia precariedade, ver esperan\u00e7a onde se sentia apenas fatalidade, vislumbrar vida onde muitos anunciavam morte e destrui\u00e7\u00e3o.[19] Para isso, s\u00e3o essenciais a fam\u00edlia e o sentido da comunidade que permite estabelecer aquela confian\u00e7a fundamental que est\u00e1 na base de todo o relacionamento humano. Nas Ilhas Maur\u00edcio, observei como trabalham juntas \u00abas v\u00e1rias religi\u00f5es com as suas respetivas identidades, contribuindo para a paz social e recordando o valor transcendente da vida contra todo o tipo de reducionismo\u00bb.[20] Confio que o entusiasmo que pude experimentar durante a viagem continue a concretizar-se em gestos de hospitalidade e em projetos capazes de promover a justi\u00e7a social, evitando din\u00e2micas de fechamento.<\/p>\n<p>Estendendo o olhar para outras partes do continente, d\u00f3i constatar como continuam \u2013 particularmente no Burkina Faso, Mali, N\u00edger e Nig\u00e9ria \u2013 epis\u00f3dios de viol\u00eancia contra pessoas inocentes, entre as quais muitos crist\u00e3os perseguidos e mortos pela sua fidelidade ao Evangelho. Exorto a Comunidade Internacional a apoiar os esfor\u00e7os que estes pa\u00edses est\u00e3o a fazer na luta para derrotar o flagelo do terrorismo, que est\u00e1 a cobrir de sangue partes cada vez mais extensas da \u00c1frica, bem como outras regi\u00f5es do mundo. \u00c0 luz destes acontecimentos, \u00e9 necess\u00e1rio que se implementem estrat\u00e9gias que incluam interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 no campo da seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m na redu\u00e7\u00e3o da pobreza, na melhoria do sistema de sa\u00fade, no desenvolvimento e na assist\u00eancia humanit\u00e1ria, na promo\u00e7\u00e3o da boa governan\u00e7a e dos direitos civis. Tais s\u00e3o os pilares dum real desenvolvimento social.<\/p>\n<p>De igual modo, \u00e9 preciso encorajar as iniciativas que promovem a fraternidade entre todas as express\u00f5es culturais, \u00e9tnicas e religiosas do territ\u00f3rio, especialmente no Corno de \u00c1frica, nos Camar\u00f5es e na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, onde persistem viol\u00eancias sobretudo nas regi\u00f5es orientais do pa\u00eds. Os conflitos e as emerg\u00eancias humanit\u00e1rias, agravadas pelas convuls\u00f5es clim\u00e1ticas, aumentam o n\u00famero dos deslocados e repercutem-se sobre as pessoas que j\u00e1 vivem em grave estado de pobreza. Muitos dos pa\u00edses atingidos por estas situa\u00e7\u00f5es carecem de estruturas adequadas que permitam atender \u00e0s necessidades daqueles que foram deslocados.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, gostaria de salientar aqui que, infelizmente, ainda n\u00e3o existe uma resposta internacional coerente para enfrentar o fen\u00f4meno do deslocamento interno, porque, em grande parte, o mesmo n\u00e3o possui uma defini\u00e7\u00e3o internacional concorde, verificando-se dentro das fronteiras nacionais. O resultado \u00e9 que os deslocados internos nem sempre recebem a prote\u00e7\u00e3o que merecem e dependem da capacidade de resposta e das pol\u00edticas do Estado onde se encontram.<\/p>\n<p>Recentemente, iniciou-se o trabalho do\u00a0<i>Painel de Alto N\u00edvel das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Deslocamentos Internos<\/i>, que espero possa favorecer a aten\u00e7\u00e3o e o apoio global aos deslocados, desenvolvendo recomenda\u00e7\u00f5es concretas.<\/p>\n<p>Nesta perspetiva, olho tamb\u00e9m para o Sud\u00e3o, almejando que os seus cidad\u00e3os possam viver na paz e na prosperidade e colaborar no crescimento democr\u00e1tico e econ\u00f4mico do pa\u00eds; para a Rep\u00fablica Centro-Africana, onde, em fevereiro passado, foi assinado um Acordo global para p\u00f4r termo a mais de cinco anos de guerra civil; e para o Sud\u00e3o do Sul, que espero poder visitar no decurso deste ano e ao qual dediquei um dia de retiro no m\u00eas de abril passado com a presen\u00e7a dos l\u00edderes do pa\u00eds e a preciosa contribui\u00e7\u00e3o do Arcebispo de Cantu\u00e1ria, Sua Gra\u00e7a Justin Welby, e do ex-Moderador da Igreja Presbiteriana da Esc\u00f3cia, o Reverendo John Chalmers. Confio que aqueles que t\u00eam responsabilidades pol\u00edticas continuem o di\u00e1logo, com a ajuda da Comunidade Internacional, para implementar os acordos alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>A \u00faltima viagem do ano findo foi ao leste da \u00c1sia. Na Tail\u00e2ndia, pude constatar a harmonia gerada pelos numerosos grupos \u00e9tnicos que constituem o pa\u00eds, com a sua diversidade filos\u00f3fica, cultural e religiosa. Trata-se dum apelo importante no contexto atual da globaliza\u00e7\u00e3o, que tende a amolgar as diferen\u00e7as e consider\u00e1-las primariamente em termos econ\u00f4micos e financeiros, com o risco de apagar as notas essenciais que caraterizam os v\u00e1rios povos.<\/p>\n<p>Finalmente, no Jap\u00e3o, experimentei o sofrimento e o horror que n\u00f3s, seres humanos, somos capazes de nos infligir.[21] Ouvindo os testemunhos de alguns\u00a0<i>hibakusha<\/i> \u2013 os sobreviventes aos bombardeamentos at\u00f4micos de Hiroxima e Nagas\u00e1qui \u2013, pareceu-me evidente que n\u00e3o se pode construir uma verdadeira paz sobre a amea\u00e7a duma poss\u00edvel aniquila\u00e7\u00e3o total da humanidade provocada pelas armas nucleares. Os <i>hibakusha<\/i>\u00a0\u00abmant\u00eam viva a chama da consci\u00eancia coletiva, testemunhando \u00e0s sucessivas gera\u00e7\u00f5es o horror daquilo que aconteceu em agosto de 1945 e os sofrimentos indescrit\u00edveis que se seguiram at\u00e9 aos dias de hoje. Assim, o seu testemunho aviva e preserva a mem\u00f3ria das v\u00edtimas, para que a consci\u00eancia humana se torne cada vez mais forte contra toda a vontade de dom\u00ednio e destrui\u00e7\u00e3o\u00bb,[22] especialmente a provocada por armas de t\u00e3o grande for\u00e7a destruidora como as nucleares. Estas n\u00e3o s\u00f3 fomentam um clima de medo, desconfian\u00e7a e hostilidade, mas destroem tamb\u00e9m a esperan\u00e7a. O seu uso \u00e9 imoral, \u00abum crime n\u00e3o s\u00f3 contra o homem e a sua dignidade, mas tamb\u00e9m contra toda a possibilidade de futuro na nossa casa comum\u00bb.[23]<\/p>\n<p>Um mundo sem armas nucleares \u00ab\u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio\u00bb,[24] e \u00e9 tempo que se tornem cientes disto mesmo quantos t\u00eam responsabilidades pol\u00edticas, porque n\u00e3o \u00e9 a posse dissuasora de poderosos meios de destrui\u00e7\u00e3o de massa que torna o mundo mais seguro, mas o trabalho paciente de todas as pessoas de boa vontade que se dedicam concretamente, cada uma na sua pr\u00f3pria \u00e1rea, a construir um mundo de paz, solidariedade e respeito m\u00fatuo.<\/p>\n<p>O ano 2020 oferece uma oportunidade importante neste sentido, porque, de 27 de abril a 22 de maio, realizar-se-\u00e1 em Nova Iorque a\u00a0<i>X Confer\u00eancia de Revis\u00e3o do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares<\/i>. Almejo vivamente que a Comunidade Internacional consiga, em tal ocasi\u00e3o, encontrar um consenso final e proativo sobre as modalidades de implementa\u00e7\u00e3o deste instrumento jur\u00eddico internacional, que se revela ainda mais importante num momento como o atual.<\/p>\n<p>No termo da resenha dos lugares que pisei durante o ano findo, quero dirigir uma sauda\u00e7\u00e3o particular a um pa\u00eds que n\u00e3o visitei, ou seja, a Austr\u00e1lia, duramente flagelada nos \u00faltimos meses por persistentes inc\u00eandios, cujos efeitos se fizeram sentir tamb\u00e9m noutras regi\u00f5es da Oce\u00e2nia. Ao povo australiano, especialmente \u00e0s v\u00edtimas e a quantos vivem nas regi\u00f5es atingidas pelos fogos, desejo certific\u00e1-los da minha proximidade e ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores!<\/p>\n<p>Este ano, a Comunidade Internacional comemora o 75\u00ba anivers\u00e1rio de funda\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Na sequ\u00eancia das trag\u00e9dias experimentadas nas duas Guerras Mundiais, quarenta e seis pa\u00edses deram vida \u2013 com a\u00a0<i>Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/i>, assinada em 26 de junho de 1945 \u2013 a uma nova forma de colabora\u00e7\u00e3o multilateral. As quatro finalidades da Organiza\u00e7\u00e3o, delineadas no artigo 1 da\u00a0<i>Carta<\/i>, permanecem v\u00e1lidas ainda hoje e podemos dizer que o servi\u00e7o das Na\u00e7\u00f5es Unidas nestes 75 anos foi, em grande parte, um sucesso, especialmente para evitar outra guerra mundial. Os princ\u00edpios fundantes da Organiza\u00e7\u00e3o \u2013 o desejo de paz, a busca da justi\u00e7a, o respeito pela dignidade da pessoa, a coopera\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria e a assist\u00eancia \u2013 traduzem as justas aspira\u00e7\u00f5es do esp\u00edrito humano e constituem os ideais que deveriam guiar as rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Neste anivers\u00e1rio, queremos reafirmar o prop\u00f3sito de toda a fam\u00edlia humana trabalhar pelo bem comum, como crit\u00e9rio de orienta\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o moral e perspetiva que deve comprometer cada pa\u00eds a colaborar para garantir a exist\u00eancia e a seguran\u00e7a na paz de cada um dos outros Estados, num esp\u00edrito de igual dignidade e efetiva solidariedade, no contexto dum ordenamento jur\u00eddico baseado na justi\u00e7a e na busca de compromissos \u00e9quos.[25]<\/p>\n<p>Tal a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 tanto mais eficaz quanto mais procurarmos superar aquela surtida transversal, presente na linguagem e nos atos dos organismos internacionais, que visa ligar os direitos fundamentais a situa\u00e7\u00f5es contingentes, esquecendo que os mesmos est\u00e3o intrinsecamente fundados na pr\u00f3pria natureza do ser humano. Quando come\u00e7a a faltar, no l\u00e9xico das organiza\u00e7\u00f5es internacionais, uma ancoragem clara \u00e0 realidade objetiva, existe o risco de favorecer, n\u00e3o a aproxima\u00e7\u00e3o, mas o afastamento dos membros da Comunidade Internacional, com a consequente crise do sistema multilateral que est\u00e1, tristemente, \u00e0 vista de todos. Neste contexto, resulta urgente retomar o percurso para uma reforma geral do sistema multilateral, a partir do sistema onusiano, que o torne mais eficaz, tendo na devida considera\u00e7\u00e3o o contexto geopol\u00edtico atual.<\/p>\n<p>Queridos Embaixadores!<\/p>\n<p>Chegados \u00e0 conclus\u00e3o destas reflex\u00f5es, desejo mencionar ainda duas efem\u00e9rides \u2013 aparentemente alheias ao nosso encontro hodierno \u2013 que ter\u00e3o lugar este ano. A primeira s\u00e3o os 500 anos da morte de Rafael Sanzio, o grande artista de Urbino, que morreu em Roma no dia 6 de abril de 1520. Devemos a Rafael um enorme patrim\u00f4nio de beleza inestim\u00e1vel. Tal como o g\u00eanio do artista sabe compor de maneira harmoniosa materiais toscos, cores e sons diferentes, tornando-os parte duma \u00fanica obra de arte, assim tamb\u00e9m a diplomacia \u00e9 chamada a harmonizar as peculiaridades dos v\u00e1rios povos e Estados para construir um mundo de justi\u00e7a e paz, que \u00e9 o belo quadro que gostar\u00edamos de poder admirar.<\/p>\n<p>Rafael foi um filho importante duma \u00e9poca \u2013 o Renascimento \u2013, que enriqueceu toda a humanidade; uma \u00e9poca, n\u00e3o isenta de dificuldades, mas animada pela confian\u00e7a e a esperan\u00e7a. Atrav\u00e9s deste artista insigne, desejo fazer chegar os mais calorosos votos ao povo italiano, a quem almejo descobrir aquele esp\u00edrito de abertura ao futuro que caraterizou o Renascimento e que tornou esta pen\u00ednsula t\u00e3o bela e rica de arte, hist\u00f3ria e cultura.<\/p>\n<p>Um dos temas preferidos da pintura de Rafael era Maria. A Ela, dedicou numerosas pinturas, que hoje se podem admirar em v\u00e1rios museus do mundo. Para a Igreja Cat\u00f3lica, este ano marca o septuag\u00e9simo anivers\u00e1rio da proclama\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica da Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Maria ao C\u00e9u. Com o olhar posto em Maria, desejo dirigir uma sauda\u00e7\u00e3o particular a todas as mulheres, 25 anos depois da IV Confer\u00eancia Mundial das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mulher, realizada em Pequim no ano de 1995, com votos de que em todo o mundo se reconhe\u00e7a cada vez mais o precioso papel das mulheres na sociedade e cessem todas as formas de injusti\u00e7a, desigualdade e viol\u00eancia contra elas. \u00abToda a viol\u00eancia infligida \u00e0 mulher \u00e9 profana\u00e7\u00e3o de Deus\u00bb.[26] A viol\u00eancia exercida contra uma mulher ou a sua explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um simples reato; \u00e9 um crime que destr\u00f3i a harmonia, a poesia e a beleza que Deus quis dar ao mundo.[27]<\/p>\n<p>A Assun\u00e7\u00e3o de Maria convida-nos a olhar ainda mais al\u00e9m, para a conclus\u00e3o do nosso caminho terreno, para o dia em que ser\u00e3o totalmente restabelecidas a justi\u00e7a e a paz. Deste modo sentimo-nos encorajados \u2013 atrav\u00e9s da diplomacia, que \u00e9 a nossa tentativa humana, imperfeita mas sempre preciosa \u2013 a trabalhar zelosamente para antecipar os frutos deste desejo de paz, sabendo que a meta \u00e9 poss\u00edvel. Com este compromisso, renovo a todos v\u00f3s, queridos Embaixadores e ilustres convidados aqui reunidos, e aos vossos pa\u00edses, os meus votos cordiais de um novo ano cheio de esperan\u00e7a e repleto de b\u00ean\u00e7\u00e3os.<\/p>\n<p>Obrigado!<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[1] Cf. Francisco,<i>\u00a0Mensagem para o LIII Dia Mundial da Paz<\/i>\u00a0(8\/XII\/2019), 1.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[2]\u00a0<i>Ibid.<\/i>, 1.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[3] Cf. Francisco,<i>\u00a0Encontro com as Autoridades, o Corpo Diplom\u00e1tico e representantes da sociedade civil<\/i>\u00a0(Panam\u00e1 24\/I\/2019).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[4] Cf. Francisco, Carta ap. Motu Proprio\u00a0<i>Vos estis lux mundi<\/i>\u00a0(7\/V\/2019).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[5] Francisco,<i>\u00a0Mensagem para o lan\u00e7amento do Pacto Educativo<\/i>\u00a0(12\/IX\/2019).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[6] Cf.\u00a0<i>ibidem<\/i>.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[7]\u00a0<i>Angelus<\/i>\u00a0(Les Combes 17\/VII\/2005).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[8] Francisco, Carta enc.\u00a0<i>Laudato si\u2019<\/i>\u00a0(24\/V\/2015), 13.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[9] Francisco,<i>\u00a0Mensagem para o LIII Dia Mundial da Paz<\/i>\u00a0(8\/XII\/2019), 4.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[10] S\u00ednodo dos Bispos \u2013 Assembleia Especial para a Regi\u00e3o Pan-Amaz\u00f3nica, Documento final\u00a0<i>\u00abAmaz\u00f3nia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral\u00bb<\/i>\u00a0(26\/X\/2019), 2.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[11]\u00a0<i>Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da conviv\u00eancia comum<\/i>\u00a0(Abu Dhabi 4\/II\/2019).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[12]\u00a0<i>Ibidem<\/i>.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[13] Cf.\u00a0<i>ibidem<\/i>.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[14]\u00a0<i>Apelo de Sua Majestade o Rei Mohammed VI e de Sua Santidade Papa Francisco sobre Jerusal\u00e9m \/<\/i>Al Qods<i>\u00a0Cidade Santa e Lugar de Encontro<\/i>\u00a0(Rabat 30\/III\/2019).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[15] Cf.\u00a0<i>ibidem<\/i>.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[16] Francisco,\u00a0<i>Angelus<\/i>\u00a0(5\/I\/2020).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[17] Cf. Francisco,<i>\u00a0Discurso no Parlamento Europeu<\/i>\u00a0(Estrasburgo 25\/XI\/2014).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[18] Carta enc.\u00a0<i>Pacem, Dei munus pulcherrimum<\/i>\u00a0(23\/V\/1920).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[19] Cf.\u00a0<i>Sauda\u00e7\u00e3o na Cidade da Amizade \u2013 Akamasoa<\/i>\u00a0(Antananarivo 8\/IX\/2019).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[20] Francisco,<i>\u00a0Discurso \u00e0s Autoridades, aos representantes da sociedade civil e ao Corpo Diplom\u00e1tico<\/i>\u00a0(Port Louis 9\/IX\/2019).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[21] Cf.\u00a0<i>Discurso sobre as Armas Nucleares<\/i>\u00a0(Nagas\u00e1qui 24\/XI\/2019).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[22] Francisco,<i>\u00a0Mensagem para o LIII Dia Mundial da Paz<\/i>\u00a0(8\/XII\/2019), 2.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[23] Idem,<i>\u00a0Discurso no Encontro em prol da Paz<\/i>\u00a0(Hiroxima 24\/XI\/2019).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[24] Idem,<i>\u00a0Discurso sobre as Armas Nucleares<\/i>\u00a0(Nagas\u00e1qui 24\/XI\/2019).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[25] Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta enc.\u00a0<i>Pacem in terris<\/i>\u00a0(11\/IV\/1963), 54 [118].<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[26] Francisco,\u00a0<i>Homilia na Solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus e no LIII Dia Mundial da Paz<\/i>\u00a0(1\/I\/2020).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">[27] Cf. Francisco,<i>\u00a0A mulher \u00e9 a harmonia do mundo<\/i>. Alocu\u00e7\u00e3o da Missa matutina na Capela da\u00a0<i>Domus Sanct\u00e6 Marth\u00e6<\/i>\u00a0(9\/II\/2017).<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Fonte: Vatican News<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso do Papa Francisco ao Corpo Diplom\u00e1tico<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":215589,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1428],"tags":[1576],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Apelo do Papa aos EUA e Ir\u00e3: manter di\u00e1logo e autocontrole no respeito da legalidade - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/apelo-do-papa-aos-eua-e-ira-manter-dialogo-e-autocontrole-no-respeito-da-legalidade.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Apelo do Papa aos EUA e Ir\u00e3: manter di\u00e1logo e autocontrole no respeito da legalidade - 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