{"id":215202,"date":"2019-12-21T11:00:44","date_gmt":"2019-12-21T14:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=215202"},"modified":"2020-06-06T08:17:34","modified_gmt":"2020-06-06T11:17:34","slug":"papa-curia-muda-para-servir-melhor-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/papa-curia-muda-para-servir-melhor-a-humanidade.html","title":{"rendered":"Papa: C\u00faria muda para servir melhor a humanidade"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-215203 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<p><strong>Cidade do Vaticano<\/strong> &#8211; No mundo que muda, a C\u00faria Romana n\u00e3o muda simplesmente para \u201cseguir modas\u201d. A Igreja vive o desenvolvimento e o crescimento a partir da perspectiva de Deus e a hist\u00f3ria da B\u00edblia \u00e9 toda \u201cum caminho marcado por come\u00e7os e recome\u00e7os\u201d. Por isso que um dos novos Santos, o cardeal Newman, quando falava de \u201cmudan\u00e7a\u201d na realidade queria dizer \u201cconvers\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O Papa recebeu na Sala Clementina para as felicita\u00e7\u00f5es de Natal, os seus colaboradores mais pr\u00f3ximos da C\u00faria Romana. Antes de levar o discurso ao ponto que lhe est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o, Francisco convidou os presentes a sintonizarem-se em uma convic\u00e7\u00e3o que subentende e acompanha desde o in\u00edcio do seu magist\u00e9rio, ou seja: a \u00e9poca atual \u201cn\u00e3o \u00e9 simplesmente uma \u00e9poca de mudan\u00e7as, mas \u00e9 uma mudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d. Acrescentando tamb\u00e9m que \u201co comportamento saud\u00e1vel\u201d \u00e9 o de \u201cse deixar interrogar pelos desafios do tempo presente\u201d, com discernimento e coragem, e n\u00e3o se deixar seduzir pela c\u00f4moda in\u00e9rcia de deixar tudo como \u00e9:<\/p>\n<p>Muitas vezes vive-se uma mudan\u00e7a limitando-se a vestir uma roupa nova, mas na realidade permanece-se como era antes. Recordo a express\u00e3o enigm\u00e1tica que se l\u00ea em um famoso romance italiano: \u201cPara que as coisas permane\u00e7am iguais, \u00e9 preciso que tudo mude\u201d (<em>O Leopardo de Giuseppe Tomasi di Lampedusa<\/em>)<\/p>\n<p><strong>Entre novidade e mem\u00f3ria<\/strong><br \/>\nA articulada premissa chega ao tema da reforma da C\u00faria Romana que, sustenta o Papa, \u201cnunca teve a presun\u00e7\u00e3o de fazer como se antes nada tivesse existido\u201d, mas apostou no contr\u00e1rio \u201cem valorizar tudo o que foi feito de bom na complexa hist\u00f3ria da C\u00faria\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-215204\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_1.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_1.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_1-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_1-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_1-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 obrigat\u00f3rio valorizar a sua hist\u00f3ria para construir um futuro que tenha bases s\u00f3lidas, que tenha ra\u00edzes e possa nos levar a um futuro fecundo. Apelar-se \u00e0 mem\u00f3ria n\u00e3o quer dizer ancorar-se na autoconserva\u00e7\u00e3o, mas reconvocar a vida e a vitalidade de um percurso em cont\u00ednuo desenvolvimento. A mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica, \u00e9 din\u00e2mica. Por sua natureza implica o movimento.<\/p>\n<p><strong>Mudar para anunciar<\/strong><br \/>\nNeste ponto do discurso Francisco passa em resenha \u201calgumas novidades da organiza\u00e7\u00e3o curial, como a cria\u00e7\u00e3o no final de 2017 da Terceira Se\u00e7\u00e3o da Secretaria de Estado (Se\u00e7\u00e3o para os funcion\u00e1rios diplomatas da Santa S\u00e9, ndr), junto com outras mudan\u00e7as ocorridas, recorda, nas \u201crela\u00e7\u00f5es entre C\u00faria Romana e Igrejas particulares\u201d e na \u201cestrutura de alguns Dicast\u00e9rios, em particular o das Igrejas Orientais e outros para o di\u00e1logo ecum\u00eanico e inter-religioso, em particular com o Juda\u00edsmo\u201d. Mas foi principalmente a constata\u00e7\u00e3o \u2013 j\u00e1 evidente no tempo de Jo\u00e3o Paulo II e de Bento XVI \u2013 de um mundo que n\u00e3o \u00e9 mais consciente do Evangelho como no passado, a requerer, explica Francisco, profundas reestrutura\u00e7\u00f5es de dicast\u00e9rios hist\u00f3ricos ou a sugerir o nascimento de novos.<\/p>\n<p>Ao se referir \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 e \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o para a Evangeliza\u00e7\u00e3o dos Povos, o Papa observa que quando \u201cforam institu\u00eddas, era uma \u00e9poca na qual era mais simples distinguir entre dois divisores definidos: de um lado o mundo crist\u00e3o e de outro um mundo ainda a ser evangelizado\u201d.<\/p>\n<p>Hoje n\u00e3o existe mais esta situa\u00e7\u00e3o. As popula\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o receberam o an\u00fancio do Evangelho n\u00e3o vivem apenas nos continente n\u00e3o ocidentais, mas est\u00e3o em todos os lugares, especialmente nas grandes concentra\u00e7\u00f5es urbanas as quais requerem uma pastoral espec\u00edfica. Nas grandes cidades precisamos de outros \u201cmapas\u201d, de outros paradigmas, que nos ajudem a reposicionar o nosso modo de pensar e as nossas atitudes: n\u00e3o estamos mais na cristandade, n\u00e3o estamos mais!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-215205\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_3.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_3.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_3-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_3-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_3-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<p><strong>Evangelho e cultura digital<\/strong><br \/>\nPor isso, o que remodelou as institui\u00e7\u00f5es vaticanas foi o impulso a um renovado an\u00fancio do Evangelho. Conforme o Papa j\u00e1 tinha esclarecido na Evangelii gaudium: costumes, estilos, hor\u00e1rios e linguagem, tudo deve ser \u201cum canal adequado \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo atual, mais do que para a autopreserva\u00e7\u00e3o\u201d. E para esta necessidade corresponde o nascimento do Dicast\u00e9rio para a Comunica\u00e7\u00e3o, entidade que une nove setores da m\u00eddia vaticana que antes eram separados entre eles. N\u00e3o um simples \u201cagrupamento coordenativo\u201d, esclarece, mas um modo de \u201charmonizar\u201d para \u201cproduzir uma melhor oferta de servi\u00e7os\u201d em uma cultura amplamente digitalizada\u201d.<\/p>\n<p>A nova cultura, marcada por fatores de converg\u00eancia e multimidialidade, precisa de uma resposta adequada por parte da S\u00e9 Apost\u00f3lica no \u00e2mbito da comunica\u00e7\u00e3o. Hoje, com rela\u00e7\u00e3o aos servi\u00e7os diversificados, prevalece a forma multim\u00eddial, e isso marca tamb\u00e9m o modo de cri\u00e1-los, pens\u00e1-los e atu\u00e1-los. Tudo isso implica, junto com a mudan\u00e7a cultural, em uma convers\u00e3o institucional e pessoal para passar de um trabalho completamente isolado \u2013 que nos casos melhores tinha alguma coordena\u00e7\u00e3o \u2013 a um trabalho conectado, em sinergia.<\/p>\n<p><strong>Uma estrutura, muitos servi\u00e7os<\/strong><br \/>\nO mesmo destino coube ao Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral criado para tornar mais coerente e unit\u00e1rio o trabalho que estava dividido entre os Pontif\u00edcios Conselho Justi\u00e7a e Paz, Cor Unum, Pastoral dos Migrantes e Pastoral no Campo da Sa\u00fade.<br \/>\nPortanto a Igreja \u00e9 chamada a recordar a todos que n\u00e3o se trata apenas de quest\u00f5es sociais ou migrat\u00f3rias, mas de pessoas humanas, de irm\u00e3os e irm\u00e3s que hoje s\u00e3o o s\u00edmbolo de todos os descartados da sociedade globalizada. \u00c9 chamada a testemunhar que para Deus ningu\u00e9m \u00e9 \u201cestrangeiro\u201d ou \u201cexclu\u00eddo\u201d. \u00c9 chamada a despertar as consci\u00eancias adormecidas na indiferen\u00e7a diante da realidade do Mar Mediterr\u00e2neo que se tornou para muitos, demasiados, um cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-215206\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_2.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_2.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_2-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_2-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_2-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<p><strong>O amor vence o cansa\u00e7o<\/strong><br \/>\nPortanto entre os \u201cgrandes desafios\u201d e \u201cnecess\u00e1rios equil\u00edbrios\u201d, o que conta \u00e9 que a Igreja, a C\u00faria Romana por primeiro, olhe \u00e0 humanidade na qual todos s\u00e3o \u201cfilhos de um \u00fanico Pai\u201d. Francisco n\u00e3o esconde a dificuldade de mudan\u00e7as t\u00e3o grandes, a necessidade de gradualismo, \u201co erro humano\u201d, com os quais, diz, \u201cn\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, nem justo n\u00e3o considerar\u201d. \u201cA este dif\u00edcil processo hist\u00f3rico est\u00e1 sempre ligada a tenta\u00e7\u00e3o de se fechar no passado (mesmo usando novas formula\u00e7\u00f5es), porque \u00e9 considerado mais garantido, conhecido e, certamente, menos conflitual\u201d.<\/p>\n<p>Neste ponto \u00e9 preciso colocar em alerta a tenta\u00e7\u00e3o de assumir um comportamento r\u00edgido. A rigidez nasce do medo da mudan\u00e7a e termina por disseminar limites e obst\u00e1culos no terreno do bem comum, fazendo com que se torne um campo minado de incomunicabilidade e de \u00f3dio. Recordemos sempre que por tr\u00e1s de toda a rigidez jaz algum desequil\u00edbrio. A rigidez e o desequil\u00edbrio se alimentam mutuamente em um c\u00edrculo vicioso.<\/p>\n<p>Na conclus\u00e3o, o Papa cita as palavras do cardeal Carlo Maria Martini que, pouco antes da sua morte afirmou: \u201cA Igreja ficou para tr\u00e1s 200 anos. Por que n\u00e3o se mexe? Temos medo? Medo ao inv\u00e9s de coragem? De qualquer modo a f\u00e9 \u00e9 o fundamento da Igreja. A f\u00e9, a confian\u00e7a, a coragem. [\u2026] S\u00f3 o amor vence o cansa\u00e7o\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-215207\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_4.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_4.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_4-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_4-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/curia_2112_4-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<h3>\u00cdntegra do discurso do Papa Francisco \u00e0 C\u00faria<\/h3>\n<p><strong>(21 de dezembro de 2019)<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00abE o Verbo fez-Se homem e veio habitar connosco\u00bb (Jo 1, 14).<\/em><\/p>\n<p><strong>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s<\/strong>!<\/p>\n<p>Para todos v\u00f3s, as minhas cordiais boas-vindas. Agrade\u00e7o ao Cardeal \u00c2ngelo Sodano as palavras que me dirigiu e sobretudo quero, em nome pessoal e tamb\u00e9m dos membros do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio, manifestar-lhe viva gratid\u00e3o pelo servi\u00e7o precioso e diligente que desempenhou durante muitos anos como Decano com disponibilidade, dedica\u00e7\u00e3o, efici\u00eancia e grande capacidade organizativa e coordenadora. Com o modo de agir &#8220;rassa nostrana&#8221;, como diria Nino Costa [escritor piemont\u00eas]. De cora\u00e7\u00e3o obrigado, Emin\u00eancia! Agora cabe aos Cardeais Bispos eleger um novo decano; espero que eles escolham algu\u00e9m que se dedique em tempo integral a este papel t\u00e3o importante. Obrigado.<\/p>\n<p>A v\u00f3s que aqui estais, aos vossos colaboradores, a todas as pessoas que prestam servi\u00e7o na C\u00faria, bem como aos Representantes Pontif\u00edcios e a quantos os apoiam, desejo um santo e feliz Natal. E aos votos natal\u00edcios junto o reconhecimento pela dedica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria colocada ao servi\u00e7o da Igreja. Muito obrigado!<\/p>\n<p>O Senhor oferece-nos a oportunidade de nos encontrarmos, tamb\u00e9m este ano, para este momento de comunh\u00e3o que refor\u00e7a a nossa fraternidade e est\u00e1 enraizado na contempla\u00e7\u00e3o do amor de Deus que Se nos revela no Natal. De facto, \u00abo nascimento de Cristo \u2013 escreveu um m\u00edstico do nosso tempo \u2013 \u00e9 o testemunho mais forte e eloquente de quanto Deus amou o homem. Amou-o com um amor pessoal. \u00c9 por isso que tomou um corpo humano, ao qual Se uniu e assumiu para sempre. O nascimento de Cristo \u00e9, em si mesmo, uma \u201calian\u00e7a de amor\u201d estipulada para sempre entre Deus e o homem\u00bb.[1] E S\u00e3o Clemente de Alexandria escreve: \u00abPara isto Ele [Cristo] desceu; para isto Se revestiu de humanidade; para isto sofreu voluntariamente o que padecem os homens, para que, depois de Se ter confrontado com a nossa fraqueza que amou, pudesse em troca confrontar-nos com a sua for\u00e7a\u00bb.[2]<\/p>\n<p>\u00c0 vista de tanta benevol\u00eancia e tanto amor, a troca das \u00abBoas-Festas\u00bb natal\u00edcias \u00e9 igualmente ocasi\u00e3o para acolhermos de modo novo o seu mandamento: \u00abQue vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto \u00e9 que todos conhecer\u00e3o que sois meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros\u00bb (Jo 13, 34-35). Aqui, Jesus n\u00e3o nos pede para O amarmos a Ele em resposta ao seu amor por n\u00f3s; mas, sim, para nos amarmos uns aos outros com o seu pr\u00f3prio amor. Por outras palavras, pede-nos para sermos semelhantes a Ele, porque Ele Se fez semelhante a n\u00f3s. Oxal\u00e1 o Natal \u00abnos encontre \u2013 exorta o Santo cardeal Newman \u2013 cada vez mais semelhantes \u00c0quele que, neste tempo, Se tornou menino por nosso amor; que em cada novo Natal nos encontre mais simples, mais humildes, mais santos, mais caridosos, mais resignados, mais alegres, mais repletos de Deus\u00bb.[3] E acrescenta: \u00abEste \u00e9 o tempo da inoc\u00eancia, da pureza, da mansid\u00e3o, da alegria, da paz\u00bb.[4]<\/p>\n<p>Pensando em Newman, vem-nos \u00e0 mente outra afirma\u00e7\u00e3o dele bem conhecida \u2013 quase um aforismo \u2013, presente na sua obra O desenvolvimento da doutrina crist\u00e3, que hist\u00f3rica e espiritualmente se situa na encruzilhada da sua entrada na Igreja Cat\u00f3lica. Ei-la: \u00abAqui, na terra, viver \u00e9 mudar; e a perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 o resultado de muitas transforma\u00e7\u00f5es\u00bb.[5] Obviamente, n\u00e3o se trata de procurar a mudan\u00e7a por si mesma nem de seguir as modas, mas de ter a convic\u00e7\u00e3o de que o desenvolvimento e o crescimento s\u00e3o a carater\u00edstica da vida terrena e humana, enquanto no centro de tudo, segundo a perspetiva do crente, est\u00e1 a estabilidade de Deus.[6]<\/p>\n<p>Para Newman, a mudan\u00e7a era convers\u00e3o, isto \u00e9, uma transforma\u00e7\u00e3o interior.[7] Na realidade, a vida crist\u00e3 \u00e9 um caminho, uma peregrina\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria b\u00edblica \u00e9, toda ela, um caminho, marcado por come\u00e7os e recome\u00e7os; como sucedeu com Abra\u00e3o; como sucedeu com quantos na Galileia, dois mil anos atr\u00e1s, se puseram a caminho para seguir Jesus: \u00abE, depois de terem reconduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram Jesus\u00bb (Lc 5, 11). Desde ent\u00e3o, a hist\u00f3ria do povo de Deus \u2013 a hist\u00f3ria da Igreja \u2013 est\u00e1 sempre marcada por partidas, desloca\u00e7\u00f5es, mudan\u00e7as. Obviamente trata-se, n\u00e3o tanto de um caminho puramente geogr\u00e1fico, como sobretudo simb\u00f3lico: \u00e9 um convite a descobrir o movimento do cora\u00e7\u00e3o que, paradoxalmente, tem necessidade de partir para poder permanecer, de mudar para poder ser fiel.[8]<\/p>\n<p>Tudo isto se reveste duma val\u00eancia particular no nosso tempo, porque estamos a viver, n\u00e3o simplesmente uma \u00e9poca de mudan\u00e7as, mas uma mudan\u00e7a de \u00e9poca. Encontramo-nos, portanto, num daqueles momentos em que as mudan\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o lineares, mas epocais; constituem op\u00e7\u00f5es que transformam rapidamente o modo de viver, de se relacionar, de comunicar e elaborar o pensamento, de comunicar entre as gera\u00e7\u00f5es humanas e de compreender e viver a f\u00e9 e a ci\u00eancia. Muitas vezes acontece viver a mudan\u00e7a limitando-se a envergar um vestido novo e, depois, permanecer como se era antes. Lembro-me da express\u00e3o enigm\u00e1tica que se l\u00ea num famoso romance italiano: \u00abSe queremos que tudo fique como est\u00e1, \u00e9 preciso que tudo mude\u00bb <em>(Il Gattopardo, de Giuseppe Tomasi de Lampedusa<\/em>).<\/p>\n<p>A atitude sadia \u00e9, antes, deixar-se questionar pelos desafios do tempo presente, individuando-os com as virtudes do discernimento, da <em>parresia<\/em> e da <em>hypomon\u00e9<\/em>. Ent\u00e3o a mudan\u00e7a assumiria um aspeto completamente diferente: de elemento complementar, de contexto ou de pretexto, de paisagem exterior, tornar-se-ia cada vez mais humana e tamb\u00e9m mais crist\u00e3. Continuaria a ser uma mudan\u00e7a externa, mas realizada a partir do pr\u00f3prio centro do homem, isto \u00e9, uma convers\u00e3o antropol\u00f3gica.[9]<\/p>\n<p>Devemos iniciar processos e n\u00e3o ocupar espa\u00e7os: \u00abDeus manifesta-Se numa revela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, no tempo. O tempo come\u00e7a os processos, o espa\u00e7o cristaliza-os. Deus encontra-Se no tempo, nos processos em curso. N\u00e3o se deve privilegiar os espa\u00e7os de poder relativamente aos tempos, mesmo longos, dos processos. Devemos preocupar-nos mais com iniciar processos do que com ocupar espa\u00e7os. Deus manifesta-Se no tempo e est\u00e1 presente nos processos da hist\u00f3ria. Isto leva a privilegiar as a\u00e7\u00f5es que geram novas din\u00e2micas. E requer paci\u00eancia, saber esperar\u00bb.[10] A partir disto, somos solicitados a ler os sinais dos tempos com os olhos da f\u00e9, para que a orienta\u00e7\u00e3o desta mudan\u00e7a \u00abdesperte novas e velhas quest\u00f5es com que \u00e9 justo e necess\u00e1rio confrontar-se\u00bb.[11]<\/p>\n<p>Hoje, abordando o tema da mudan\u00e7a que se baseia principalmente na fidelidade ao <em>depositum fidei<\/em> e \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o, desejo voltar \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o da reforma da C\u00faria Romana, reiterando que esta reforma nunca teve a presun\u00e7\u00e3o de proceder como se nada tivesse existido antes; pelo contr\u00e1rio, procurou-se valorizar quanto de bom se fez na complexa hist\u00f3ria da C\u00faria. \u00c9 uma obriga\u00e7\u00e3o valorizar a sua hist\u00f3ria para construir um futuro que tenha bases s\u00f3lidas, que tenha ra\u00edzes e por isso possa ser fecundo. Fazer apelo \u00e0 mem\u00f3ria n\u00e3o significa ancorar-se na autoconserva\u00e7\u00e3o, mas recordar a vida e a vitalidade dum percurso em desenvolvimento cont\u00ednuo. A mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica, mas din\u00e2mica. Por sua natureza, implica movimento. E a tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica, \u00e9 din\u00e2mica, como dizia aquele grande homem [<em>G. Mahler<\/em>]: a tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 a garantia do futuro e n\u00e3o a cust\u00f3dia das cinzas.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Nos anteriores encontros de Natal, falei-vos dos crit\u00e9rios que inspiraram este trabalho de reforma. Dei tamb\u00e9m a raz\u00e3o de ser de algumas implementa\u00e7\u00f5es j\u00e1 realizadas, quer definitivamente quer ad experimentum.[12] Em 2017, destaquei algumas novidades da organiza\u00e7\u00e3o da C\u00faria, como, por exemplo, a Terceira Sec\u00e7\u00e3o da Secretaria de Estado, que est\u00e1 indo muito bem; ou as rela\u00e7\u00f5es entre a C\u00faria Romana e as Igrejas particulares, lembrando tamb\u00e9m a pr\u00e1tica antiga das Visitas ad limina Apostolorum; ou a estrutura de alguns Dicast\u00e9rios, nomeadamente o das Igrejas Orientais e os Dicast\u00e9rios para o di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso e, de modo especial, com o Juda\u00edsmo.<\/p>\n<p>No encontro de hoje, quero deter-me sobre outros Dicast\u00e9rios vistos a partir do cora\u00e7\u00e3o da reforma, ou seja, da primeira e mais importante tarefa da Igreja: a evangeliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo VI afirmou: \u00abEvangelizar constitui, de facto, a gra\u00e7a e a voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar\u00bb.[13] <em>Evangelii nuntiandi<\/em>, que tamb\u00e9m hoje continua a ser o documento pastoral mais importante do p\u00f3s-Conc\u00edlio, e atual. Na realidade, o objetivo da reforma atual \u00e9 que \u00abos costumes, os estilos, os hor\u00e1rios, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo atual que \u00e0 autoconserva\u00e7\u00e3o. A reforma das estruturas, que a convers\u00e3o pastoral exige, s\u00f3 se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais mission\u00e1rias\u00bb (<em>Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 27<\/em>). E assim, inspirando-se precisamente neste magist\u00e9rio dos Sucessores de Pedro desde o Conc\u00edlio Vaticano II at\u00e9 hoje, pensou-se em dar o t\u00edtulo de <em>Praedicate evangelium<\/em> \u00e0 nova Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, em fase de elabora\u00e7\u00e3o, sobre a reforma da C\u00faria Romana. Isto \u00e9 o comportamento mission\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nesta linha, pensei deter-me hoje nalguns Dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana cuja pr\u00f3pria denomina\u00e7\u00e3o j\u00e1 sugere uma expl\u00edcita refer\u00eancia a tudo isso, ou seja, a Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, a Congrega\u00e7\u00e3o para a Evangeliza\u00e7\u00e3o dos Povos; mas penso tamb\u00e9m no Dicast\u00e9rio para a Comunica\u00e7\u00e3o e no Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca em que foram institu\u00eddas as primeiras duas Congrega\u00e7\u00f5es citadas, era mais simples distinguir entre duas vertentes bastante claras: duma parte, um mundo crist\u00e3o e, da outra, um mundo carecido ainda de ser evangelizado. Agora, esta situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o existe. Efetivamente as popula\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o receberam o an\u00fancio do Evangelho n\u00e3o vivem apenas nos Continentes n\u00e3o ocidentais, mas habitam em toda parte, especialmente nas enormes concentra\u00e7\u00f5es urbanas, requerendo tamb\u00e9m elas uma pastoral espec\u00edfica. Nas grandes cidades, precisamos de outros \u00abmapas\u00bb, outros paradigmas, que nos ajudem a situar novamente os nossos modos de pensar e as nossas atitudes. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, j\u00e1 n\u00e3o estamos na cristandade! Hoje, j\u00e1 n\u00e3o somos os \u00fanicos que produzem cultura, nem os primeiros nem os mais ouvidos.[14] Por isso precisamos duma mudan\u00e7a de mentalidade pastoral, o que n\u00e3o significa passar para uma pastoral relativista. J\u00e1 n\u00e3o estamos num regime de cristandade, porque a f\u00e9 \u2013 especialmente na Europa, mas tamb\u00e9m em grande parte do Ocidente \u2013 j\u00e1 n\u00e3o constitui um pressuposto \u00f3bvio da vida habitual; na verdade, muitas vezes \u00e9 negada, depreciada, marginalizada e ridicularizada. Destacou-o Bento XVI quando, ao proclamar o Ano da F\u00e9 (2012), escreveu: \u00abEnquanto, no passado, era poss\u00edvel reconhecer um tecido cultural unit\u00e1rio, amplamente compartilhado no seu apelo aos conte\u00fados da f\u00e9 e aos valores por ela inspirados, hoje parece que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de f\u00e9 que atingiu muitas pessoas\u00bb.[15] E, em 2010, institu\u00edra o Pontif\u00edcio Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, a fim de \u00abpromover uma renovada evangeliza\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses onde j\u00e1 ressoou o primeiro an\u00fancio da f\u00e9 e est\u00e3o presentes Igrejas de antiga funda\u00e7\u00e3o, mas que est\u00e3o a passar por uma progressiva seculariza\u00e7\u00e3o da sociedade e a viver uma esp\u00e9cie de \u201ceclipse do sentido de Deus\u201d, que constituem um desafio a encontrar meios adequados para voltar a propor a verdade perene do Evangelho de Cristo\u00bb.[16] \u00c0s vezes, conversei sobre isso com alguns de voc\u00eas &#8230; Penso nos cinco pa\u00edses que encheram o mundo de mission\u00e1rios \u2013 falei a voc\u00eas quais s\u00e3o &#8211; e hoje eles n\u00e3o t\u00eam recursos vocacionais para ir em frente. E este \u00e9 o mundo atual.<\/p>\n<p>A bem da verdade, n\u00e3o foi de forma improvisa que se chegou a esta percep\u00e7\u00e3o de que a mudan\u00e7a de \u00e9poca coloca s\u00e9rios interrogativos quanto \u00e0 identidade da nossa f\u00e9.[17] Neste contexto, h\u00e1 que inserir tamb\u00e9m a express\u00e3o \u00abnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb adotada por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II na Enc\u00edclica <em>Redemptoris missio<\/em>: \u00abA Igreja deve, hoje, enfrentar outros desafios, lan\u00e7ando-se para novas fronteiras, quer na primeira miss\u00e3o ad gentes, quer na nova evangeliza\u00e7\u00e3o dos povos que j\u00e1 receberam o an\u00fancio de Cristo\u00bb (n. 30). H\u00e1 necessidade duma nova evangeliza\u00e7\u00e3o, ou reevangeliza\u00e7\u00e3o (cf. n. 33).<\/p>\n<p>Tudo isso sup\u00f5e, necessariamente, mudan\u00e7as e novas focaliza\u00e7\u00f5es de aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nos Dicast\u00e9rios acima mencionados, bem como em toda a C\u00faria.[18]<\/p>\n<p>Gostaria de tecer algumas considera\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m sobre o rec\u00e9m-criado Dicast\u00e9rio para a Comunica\u00e7\u00e3o. A perspetiva que se nos depara \u00e9 a da mudan\u00e7a de \u00e9poca, pois \u00ablargas faixas da humanidade vivem mergulhadas [no ambiente digital] de maneira ordin\u00e1ria e cont\u00ednua. J\u00e1 n\u00e3o se trata apenas de \u201cusar\u201d instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o, mas de viver numa cultura amplamente digitalizada que tem impactos muito profundos na no\u00e7\u00e3o de tempo e espa\u00e7o, na percep\u00e7\u00e3o de si mesmo, dos outros e do mundo, na maneira de comunicar, aprender, obter informa\u00e7\u00f5es, entrar em rela\u00e7\u00e3o com os outros. Uma abordagem da realidade, que tende a privilegiar a imagem relativamente \u00e0 escuta e \u00e0 leitura, influencia o modo de aprender e o desenvolvimento do sentido cr\u00edtico\u00bb (<em>Francisco, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Christus vivit, 86).<\/em><\/p>\n<p>Assim, foi confiada ao Dicast\u00e9rio para a Comunica\u00e7\u00e3o a tarefa de incorporar numa nova institui\u00e7\u00e3o os nove entes que, segundo v\u00e1rias modalidades e com diferentes tarefas, se ocupavam anteriormente de comunica\u00e7\u00e3o: o Conselho Pontif\u00edcio para as Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, a Sala de Imprensa da Santa S\u00e9, a Tipografia Vaticana, a Livraria Editora Vaticana, o jornal <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>, a R\u00e1dio Vaticana, o Centro Televisivo Vaticano, o Servi\u00e7o da Internet Vaticana, o Servi\u00e7o Fotogr\u00e1fico. Entretanto, na linha do que ficou dito, esta unifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se propunha simplesmente ser um agrupamento de \u00abcoordena\u00e7\u00e3o\u00bb, mas harmonizar os diferentes componentes para produzir uma melhor oferta de servi\u00e7os e tamb\u00e9m e ter uma linha editorial crescente.<\/p>\n<p>A nova cultura, marcada por fatores de converg\u00eancia e presen\u00e7a multim\u00e9dia, precisa duma resposta adequada da S\u00e9 Apost\u00f3lica no campo da comunica\u00e7\u00e3o. Hoje, em vez de servi\u00e7os diversificados, prevalece a forma multim\u00e9dia, e isto marca tamb\u00e9m o modo de os conceber, configurar e implementar. Tudo isto implica, juntamente com a mudan\u00e7a cultural, uma convers\u00e3o institucional e pessoal para passar dum trabalho em compartimentos estanques \u2013 no melhor dos casos, tinham alguma coordena\u00e7\u00e3o \u2013 a um trabalho intrinsecamente conexo, em sinergia.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Muitas das coisas ditas at\u00e9 agora valem tamb\u00e9m, em linha de princ\u00edpio, para o Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral. Tamb\u00e9m este foi criado recentemente para dar resposta \u00e0s mudan\u00e7as verificadas a n\u00edvel global, implementando a conflu\u00eancia de quatro Conselhos Pontif\u00edcios anteriores: Justi\u00e7a e Paz, <em>Cor Unum<\/em>, Pastoral dos Migrantes e Agentes Sanit\u00e1rios. A coer\u00eancia das tarefas confiadas a este Dicast\u00e9rio aparece sinteticamente lembrada pelo ex\u00f3rdio do <em>Motu proprio Humanam progressionem<\/em>, que o instituiu: \u00abEm todo o seu ser e obrar, a Igreja est\u00e1 chamada a promover o desenvolvimento integral do homem \u00e0 luz do Evangelho. Este desenvolvimento tem lugar mediante o cuidado dos bens incomensur\u00e1veis da justi\u00e7a, da paz e da prote\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o\u00bb. Concretiza-se no servi\u00e7o aos mais fr\u00e1geis e marginalizados, em particular aos migrantes for\u00e7ados, que representam neste momento um grito no deserto da nossa humanidade. Por isso, a Igreja est\u00e1 chamada a lembrar a todos que n\u00e3o se trata apenas de quest\u00f5es sociais ou migrat\u00f3rias, mas de pessoas humanas, de irm\u00e3os e irm\u00e3s que hoje s\u00e3o o s\u00edmbolo de todos os descartados da sociedade globalizada. Est\u00e1 chamada a testemunhar que, para Deus, ningu\u00e9m \u00e9 \u00abestrangeiro\u00bb nem \u00abexclu\u00eddo\u00bb. Est\u00e1 chamada a despertar consci\u00eancias adormecidas na indiferen\u00e7a perante a realidade do Mar Mediterr\u00e2neo que se tornou para muitos, demasiados, um cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p>Gostaria de chamar a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia do car\u00e1ter integral do desenvolvimento. S\u00e3o Paulo VI afirmou que \u00abo desenvolvimento n\u00e3o se reduz a um simples crescimento econ\u00f4mico. Para ser aut\u00eantico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo\u00bb (<em>Enc. Populorum progressio, 14<\/em>). Por outras palavras, a Igreja, enraizada na sua tradi\u00e7\u00e3o de f\u00e9 e apelando-se nas \u00faltimas d\u00e9cadas ao magist\u00e9rio do Conc\u00edlio Vaticano II, sempre afirmou a grandeza da voca\u00e7\u00e3o de todos os seres humanos, que Deus criou \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a a fim de formarem uma \u00fanica fam\u00edlia; e, ao mesmo tempo, procurou abra\u00e7ar o humano em todas as suas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente esta exig\u00eancia de integralidade que hoje nos reprop\u00f5e a humanidade que nos une como filhos de um \u00fanico Pai. \u00abEm todo o seu ser e obrar, a Igreja est\u00e1 chamada a promover o desenvolvimento integral do homem \u00e0 luz do Evangelho\u00bb (<em>Motu proprio Humanam progressionem (17\/VIII\/2016)<\/em>, ex\u00f3rdio). O Evangelho n\u00e3o cessa de trazer a Igreja \u00e0 l\u00f3gica da encarna\u00e7\u00e3o, a Cristo que assumiu a nossa hist\u00f3ria, a hist\u00f3ria de cada um de n\u00f3s. Isto lembra-nos o Natal. Em suma, a humanidade \u00e9 a chave com que ler a reforma. A humanidade chama, interpela e provoca, isto \u00e9, chama a sair para fora e n\u00e3o temer a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos que o Menino deitado no pres\u00e9pio tem o rosto dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s mais necessitados, dos pobres que \u00abs\u00e3o os privilegiados deste mist\u00e9rio e, muitas vezes, aqueles que melhor conseguem reconhecer a presen\u00e7a de Deus no meio de n\u00f3s\u00bb (<em>Francisco, Carta ap. Admirabile signum, 01\/XII\/2019, 6<\/em>).<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Trata-se de grandes desafios e de equil\u00edbrios necess\u00e1rios, muitas vezes n\u00e3o f\u00e1ceis de alcan\u00e7ar pelo simples facto de que, na tens\u00e3o entre um passado glorioso e um futuro criativo e em movimento, se encontra o presente no qual h\u00e1 pessoas que necessariamente precisam de tempo para amadurecer; h\u00e1 circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas a gerir na vida quotidiana, porque, durante a reforma, o mundo e os acontecimentos n\u00e3o param; h\u00e1 quest\u00f5es jur\u00eddicas e institucionais que se h\u00e3o de resolver gradualmente, sem recurso a f\u00f3rmulas m\u00e1gicas nem a atalhos.<\/p>\n<p>H\u00e1, finalmente, a dimens\u00e3o do tempo e existe o erro humano, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nem correto ignorar, porque fazem parte da hist\u00f3ria de cada um. Ignor\u00e1-los significa fazer as coisas, abstraindo da hist\u00f3ria dos homens. E ligada a este dif\u00edcil processo hist\u00f3rico, h\u00e1 sempre a tenta\u00e7\u00e3o de se retirar para o passado (mesmo usando novas formula\u00e7\u00f5es), porque mais tranquilizador, conhecido e seguramente menos conflituoso. Mas tamb\u00e9m isto faz parte do processo e do risco de iniciar mudan\u00e7as significativas.[19]<\/p>\n<p>Aqui \u00e9 necess\u00e1rio advertir contra a tenta\u00e7\u00e3o de assumir a atitude da rigidez. Esta nasce do medo da mudan\u00e7a e acaba por disseminar estacas e obst\u00e1culos pelo terreno do bem comum, tornando-o um campo minado de incomunicabilidade e \u00f3dio. Lembremo-nos sempre de que, por tr\u00e1s de qualquer rigidez, jaz um desequil\u00edbrio. A rigidez e o desequil\u00edbrio nutrem-se, mutuamente, num c\u00edrculo vicioso. E hoje esta tenta\u00e7\u00e3o da rigidez tornou-se t\u00e3o atual.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>A C\u00faria Romana n\u00e3o \u00e9 um corpo separado da realidade \u2013 embora o risco esteja sempre presente \u2013, mas deve ser concebida e vivida no hoje do caminho percorrido pelos homens e as mulheres, na l\u00f3gica da mudan\u00e7a de \u00e9poca. A C\u00faria Romana n\u00e3o \u00e9 um pal\u00e1cio ou um arm\u00e1rio cheio de roupas que se h\u00e3o de vestir para justificar uma mudan\u00e7a. A C\u00faria Romana \u00e9 um corpo vivo, e s\u00ea-lo-\u00e1 tanto mais quanto mais viver a integralidade do Evangelho.<\/p>\n<p>O cardeal Martini, na \u00faltima entrevista dada poucos dias antes da sua morte, disse palavras que nos devem interpelar: \u00abA Igreja ficou atrasada duzentos anos. Como \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o se alvorace? Temos medo? Medo, em vez de coragem? No entanto, a f\u00e9 \u00e9 o fundamento da Igreja. A f\u00e9, a confian\u00e7a, a coragem. (&#8230;) S\u00f3 o amor vence o cansa\u00e7o\u00bb.[20]<\/p>\n<p>O Natal \u00e9 a festa do amor de Deus por n\u00f3s. O amor divino que inspira, dirige e corrige a mudan\u00e7a e vence o medo humano de deixar o \u00abseguro\u00bb para se lan\u00e7ar no \u00abmist\u00e9rio\u00bb.<\/p>\n<h3>Feliz Natal para todos!<\/h3>\n<p>Na prepara\u00e7\u00e3o para o Natal, ouvimos as prega\u00e7\u00f5es sobre a Santa M\u00e3e de Deus. Dirijamo-nos a ela antes da b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>[Ave Maria e b\u00ean\u00e7\u00e3o]<\/p>\n<p>Agora, gostaria de dar a voc\u00eas uma recorda\u00e7\u00e3o, um presente: dois livros. O primeiro \u00e9 o &#8220;documento&#8221;, digamos assim, que eu quis preparar para o M\u00eas Mission\u00e1rio Extraordin\u00e1rio [outubro de 2019], e o fiz sob a forma de uma entrevista: \u201cSem ele nada podemos fazer\u201d. Fui inspirado por uma frase, n\u00e3o sei de quem, que dizia que quando o mission\u00e1rio chega a um lugar, l\u00e1 j\u00e1 o est\u00e1 esperando o Esp\u00edrito Santo. Essa \u00e9 a inspira\u00e7\u00e3o deste documento. E o segundo \u00e9 um retiro dado aos sacerdotes h\u00e1 pouco tempo por padre Luigi Maria Epicoco, um retiro aos sacerdotes, \u201cAlgu\u00e9m a quem olhar\u201d. Os dou de cora\u00e7\u00e3o a voc\u00eas, para que sirvam a toda a comunidade. Obrigado!<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"padding-left: 40px;\">[1] Matta El Meskin, L\u2019umanit\u00e0 di Dio (Qiqajon-Bose, Magnano 2015), 170-171.<br \/>\n[2] Quis dives salvetur 37, 1-6.<br \/>\n[3] Serm\u00e3o \u00abA Encarna\u00e7\u00e3o, Mist\u00e9rio de Gra\u00e7a\u00bb, in Parochial and Plain Sermons, V, 7.<br \/>\n[4] Ibidem: o. c., V, 97-98.<br \/>\n[5] Meditazioni e preghiere, ed. G. Velocci, Mil\u00e3o 2002, p. 75.<br \/>\n[6] Numa das suas ora\u00e7\u00f5es, Newman afirmava: \u00abN\u00e3o h\u00e1 nada de est\u00e1vel fora de V\u00f3s, \u00f3 meu Deus. V\u00f3s sois o centro e a vida de todos aqueles que mudam, que confiam em V\u00f3s como seu Pai, que levantam os olhos para V\u00f3s e que s\u00e3o felizes por se colocarem nas vossas m\u00e3os. Eu sei, meu Deus, que devo mudar, se quiser ver o vosso rosto\u00bb (Ibid., p. 112).<br \/>\n[7] Assim a descreve Newman: \u00abNo momento da convers\u00e3o, n\u00e3o tive consci\u00eancia de qualquer mudan\u00e7a, intelectual ou moral, que pudesse ter ocorrido no meu esp\u00edrito (\u2026), parecia-me reentrar no porto, depois duma navega\u00e7\u00e3o tempestuosa; e a este respeito a minha felicidade continuou ininterruptamente at\u00e9 hoje\u00bb (Apologia pro vita sua, ed. A. Bosi, Turim 1988, 360; cf. J. Honor\u00e9, Gli aforismi di Newman, Livraria Editora Vaticana, Cidade do Vaticano 2010, 167).<br \/>\n[8] J. M. Bergoglio, Mensagem quaresmal aos sacerdotes e consagrados, 21\/II\/2007, in Nei tuoi occhi \u00e8 la mia parola (Mil\u00e3o 2016), p. 501.<br \/>\n[9] Veja-se Const. ap. Veritatis gaudium (27\/XII\/2017), 3: \u00abEm \u00faltima an\u00e1lise, trata-se de mudar o modelo de desenvolvimento global e de redefinir o progresso: o problema \u00e9 que n\u00e3o dispomos ainda da cultura necess\u00e1ria para enfrentar esta crise e h\u00e1 necessidade de construir lideran\u00e7as que tracem caminhos\u00bb.<br \/>\n[10] Entrevista concedida ao P. Ant\u00f3nio Spadaro: La Civilt\u00e0 Cattolica (19\/IX\/2013), p. 468.<br \/>\n[11] Carta ao Povo de Deus que est\u00e1 em caminho na Alemanha, 29\/VI\/2019.<br \/>\n[12] Cf. Discurso \u00e0 C\u00faria, 22\/XII\/2016.<br \/>\n[13] Exort. ap. Evangelii nuntiandi (8\/XII\/1975), 14. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, por sua vez, escreveu que a evangeliza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria \u00abconstitui o primeiro servi\u00e7o que a Igreja pode prestar ao homem e \u00e0 humanidade inteira, no mundo de hoje, que, apesar de conhecer realiza\u00e7\u00f5es maravilhosas, parece ter perdido o sentido \u00faltimo das coisas e da sua pr\u00f3pria exist\u00eancia\u00bb (Carta enc. Redemptoris missio (7\/XII\/1990), 2).<br \/>\n[14] Cf. Discurso aos participantes no Congresso Internacional da Pastoral das Grandes Cidades, 27\/XI\/2014.<br \/>\n[15] Carta ap. sob forma de Motu proprio Porta fidei (11\/X\/2011), 2.<br \/>\n[16] Bento XVI, Homilia (28\/VI\/2010); cf. Carta ap. sob forma de Motu proprio Ubicumque et semper (17\/X\/2010).<br \/>\n[17] A mudan\u00e7a de \u00e9poca foi sentida na Fran\u00e7a pelo cardeal Suhard (veja-se a sua carta pastoral Essor ou d\u00e9clin de l&#8217;\u00c9glise, 1947) e de igual modo por J.B. Montini, quando era Arcebispo de Mil\u00e3o: questionava-se, ele tamb\u00e9m, se a It\u00e1lia fosse ainda um pa\u00eds cat\u00f3lico (cf. Interven\u00e7\u00e3o na VIII Semana Nacional de Atualiza\u00e7\u00e3o Pastoral, 22\/IX\/1958, in Discorsi e Scritti milanesi 1954-1963, vol. II, Brescia-Roma 1997, 2328).<br \/>\n[18] H\u00e1 cerca de cinquenta anos, S\u00e3o Paulo VI, ao apresentar o novo Missal Romano aos fi\u00e9is, lembrou a equa\u00e7\u00e3o entre a lei da ora\u00e7\u00e3o (lex orandi) e a lei da f\u00e9 (lex credendi) e descreveu o Missal como \u00abdemonstra\u00e7\u00e3o de fidelidade e vitalidade\u00bb. Ao concluir a sua reflex\u00e3o, afirmou: \u00abPor isso n\u00e3o falamos de \u201cnova Missa\u00bb, mas de \u201cnova \u00e9poca\u201d da vida da Igreja\u00bb (Audi\u00eancia Geral, 19\/XI\/1969). E, de forma an\u00e1loga, se poderia dizer no nosso caso: n\u00e3o uma nova C\u00faria Romana, mas uma nova era.<br \/>\n[19] A Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Evangelii gaudium enuncia a regra de \u00abprivilegiar as a\u00e7\u00f5es que geram novos dinamismos na sociedade e comprometem outras pessoas e grupos que os desenvolver\u00e3o at\u00e9 frutificarem em acontecimentos hist\u00f3ricos importantes. Sem ansiedade, mas com convic\u00e7\u00f5es claras e tenazes\u00bb (n. 223).<br \/>\n[20] Entrevista dada a Jorge Sporschill SJ e Frederica Radice Fossati Confalonieri, in Corriere della Sera (01\/IX\/2012).<\/h6>\n<hr \/>\n<p><em>Fonte: Vatican News<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradicional encontro para as felicita\u00e7\u00f5es natalinas de 2019 \u00e0 C\u00faria Romana<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":215208,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1428],"tags":[55],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Papa: C\u00faria muda para servir melhor a humanidade - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/papa-curia-muda-para-servir-melhor-a-humanidade.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Papa: C\u00faria muda para servir melhor a humanidade - 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