{"id":210611,"date":"2019-09-11T09:46:20","date_gmt":"2019-09-11T12:46:20","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?p=210611"},"modified":"2020-06-05T15:50:06","modified_gmt":"2020-06-05T18:50:06","slug":"papa-francisco-aos-jornalistas-a-xenofobia-e-uma-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/papa-francisco-aos-jornalistas-a-xenofobia-e-uma-doenca.html","title":{"rendered":"Papa Francisco aos jornalistas: a xenofobia \u00e9 &#8220;uma doen\u00e7a&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-210612\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/papa_100919_g.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/papa_100919_g.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/papa_100919_g-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/papa_100919_g-768x431.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/papa_100919_g-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<p><strong>Do voo Antananarivo-Roma &#8211;\u00a0<\/strong>O Papa Francisco, duas horas e meia depois da decolagem do voo Air Madagascar de Antananarivo a Roma, encontrou-se com os jornalistas a bordo do voo papal e falou com eles durante cerca de uma hora e meia respondendo \u00e0s suas perguntas.<\/p>\n<p><strong>Julio Mateus Manjate (Not\u00edcias, Mo\u00e7ambique)<\/strong><\/p>\n<p><em>Durante a sua visita a Mo\u00e7ambique o senhor se encontrou com o Presidente da Rep\u00fablica e com os dois presidentes dos dois partidos presentes no Parlamento. Gostaria de saber quais s\u00e3o as suas expectativas para o processo de paz e que mensagem gostaria de deixar a Mo\u00e7ambique. E dois breves coment\u00e1rios sobre dois fen\u00f4menos: a xenofobia que existe em \u00c1frica e o impacto das redes sociais na educa\u00e7\u00e3o dos jovens.<\/em><\/p>\n<p>&#8220;O primeiro ponto sobre o processo de paz. Hoje, se identifica Mo\u00e7ambique com um longo processo de paz que teve os seus altos e baixos, mas no final conseguiram conclu\u00ed-lo com um abra\u00e7o hist\u00f3rico. Espero que isto continue e rezo por isso. Convido todos para que fa\u00e7am um esfor\u00e7o para assegurar que este processo de paz prossiga. Porque tudo se perde com a guerra, tudo se ganha com a paz, disse um Papa antes de mim (Pio XII, ndr). Isto \u00e9 claro, n\u00e3o devemos esquec\u00ea-lo. \u00c9 um longo processo de paz porque teve uma primeira etapa, depois parou, depois outra&#8230; E o esfor\u00e7o dos l\u00edderes das partes contr\u00e1rias para n\u00e3o dizer inimigos \u00e9 o de ir ao encontro um do outro. \u00c9 tamb\u00e9m um esfor\u00e7o perigoso, algumas pessoas arriscavam as suas vidas, mas no final chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o. Gostaria de agradecer neste processo de paz todas as pessoas, todas as pessoas que deram uma contribui\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ando pelo primeiro encontro, que come\u00e7ou com um caf\u00e9&#8230; Havia gente ali, havia um sacerdote da Comunidade de Sant&#8217;Egidio, que ser\u00e1 criado cardeal no pr\u00f3ximo dia 5 de outubro (Dom Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha ndr). E ent\u00e3o, com a ajuda de tantas pessoas, tamb\u00e9m da Comunidade de Sant&#8217;Egidio, chegou-se a este resultado. N\u00f3s n\u00e3o devemos ser triunfalistas nestas coisas. O triunfo \u00e9 a paz. N\u00e3o temos o direito de ser triunfalistas, porque a paz ainda \u00e9 fr\u00e1gil no seu pa\u00eds, tal como \u00e9 fr\u00e1gil no mundo. A paz deve ser tratada da mesma forma como se tratam as coisas rec\u00e9m-nascidas, como as crian\u00e7as, com muita, muita ternura, com muita delicadeza, com muito perd\u00e3o, com muita paci\u00eancia, para faz\u00ea-la crescer e ser robusta. \u00c9 o triunfo do pa\u00eds: a paz \u00e9 a vit\u00f3ria do pa\u00eds, \u00e9 preciso entender isso&#8230;.. E isso vale para todos os pa\u00edses, que se destroem com a guerra. As guerras destroem, fazem perder tudo. Vou me delongar um pouco sobre este tema da paz, porque est\u00e1 no meu no cora\u00e7\u00e3o. Quando, h\u00e1 alguns meses, houve a celebra\u00e7\u00e3o do desembarque na Normandia, \u00e9 verdade que havia chefes de governos a recordar o que foi o in\u00edcio do fim de uma guerra cruel, tamb\u00e9m de uma ditadura anti-humana e cruel como o nazismo e o fascismo&#8230; mas naquela praia morreram 46 mil soldados, \u00e9 o pre\u00e7o da guerra. Confesso que quando fui a Redipuglia para a comemora\u00e7\u00e3o da Primeira Guerra Mundial, eu chorei: &#8220;Por favor, nunca mais a guerra! Quando fui a Anzio para celebrar o dia de finados, no meu cora\u00e7\u00e3o sentia que devemos criar esta consci\u00eancia: as guerras n\u00e3o resolvem nada, pelo contr\u00e1rio, fazem ganhar as pessoas que n\u00e3o querem (a paz) da humanidade. Desculpem-me por este ap\u00eandice, mas tinha que dizer diante de um processo de paz, pelo qual rezo e farei tudo o que \u00e9 poss\u00edvel para que avance e espero que cres\u00e7a com for\u00e7a.<\/p>\n<p>Segundo ponto, o problema da juventude. A \u00c1frica \u00e9 um continente jovem, tem uma vida jovem, se a compararmos com a Europa, e vou repetir o que disse em Estrasburgo: a m\u00e3e Europa quase se tornou &#8220;av\u00f3 Europa&#8221;. Envelheceu, estamos vivendo um inverno demogr\u00e1fico muito grave na Europa. Li &#8211; n\u00e3o me recordo de que pa\u00eds, mas trata-se de uma estat\u00edstica oficial do governo &#8211; que em 2050 naquele pa\u00eds haver\u00e1 mais aposentados do que pessoas que trabalham, e isso \u00e9 tr\u00e1gico. Qual \u00e9 a origem deste envelhecimento da Europa? Eu, \u00e9 uma opini\u00e3o pessoal, penso que o bem-estar est\u00e1 na raiz. Agarrar-se ao bem-estar &#8211; &#8220;Mas, n\u00f3s estamos bem, eu n\u00e3o tenho filhos porque tenho de comprar uma casa, tenho que fazer turismo, estou bem assim, um filho \u00e9 um risco, nunca se sabe&#8230;&#8221;. Bem-estar e tranquilidade, mas \u00e9 um estar bem que o leva a envelhecer. Em vez disso, a \u00c1frica est\u00e1 cheia de vida. Encontrei na \u00c1frica um gesto que tinha encontrado nas Filipinas e em Cartagena, Col\u00f4mbia. As pessoas que levantavam as crian\u00e7as como se dissessem &#8220;este \u00e9 o meu tesouro, esta \u00e9 a minha vit\u00f3ria, o meu orgulho&#8221;. \u00c9 o tesouro dos pobres, a crian\u00e7a. Mas \u00e9 tamb\u00e9m o tesouro de uma p\u00e1tria, de um pa\u00eds. Eu vi o mesmo gesto na Europa Oriental, em Iasci, especialmente aquela av\u00f3 que mostrava a crian\u00e7a: este \u00e9 o meu triunfo&#8230; Voc\u00eas t\u00eam o desafio de educar esses jovens e fazer leis para esses jovens, a educa\u00e7\u00e3o neste momento \u00e9 uma prioridade no seu pa\u00eds. \u00c9 uma prioridade que se cres\u00e7a tendo leis sobre a educa\u00e7\u00e3o. O primeiro-ministro de Maur\u00edcio falou comigo a este respeito. Ele disse que tinha em mente o desafio de fazer crescer o sistema de educa\u00e7\u00e3o gratuito para todos. A gratuidade do sistema educativo: \u00e9 importante porque existem centros educativos de alto n\u00edvel, mas a pagamento. Existem centros educativos em todos os pa\u00edses, mas \u00e9 preciso multiplic\u00e1-los para que a educa\u00e7\u00e3o chegue a todos. As leis sobre a instru\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade neste momento s\u00e3o a prioridade ali.<\/p>\n<p>Terceiro ponto: a xenofobia. Li nos jornais sobre esta xenofobia, mas n\u00e3o \u00e9 apenas um problema da \u00c1frica. \u00c9 uma doen\u00e7a humana, como o sarampo&#8230; \u00c9 uma doen\u00e7a que entra num pa\u00eds, entra num continente, e colocamos muros. Mas os muros deixam sozinhos aqueles que os constroem. Sim, deixam de fora muitas pessoas, mas aqueles que permanecerem dentro dos muros ficar\u00e3o sozinhos e no final da hist\u00f3ria derrotados por causa de grandes invas\u00f5es. A xenofobia \u00e9 uma doen\u00e7a. Uma doen\u00e7a &#8220;justific\u00e1vel&#8221;, por exemplo, para manter a pureza da ra\u00e7a, apenas para falar de uma xenofobia do s\u00e9culo passado. E muitas vezes as xenofobias cavalgam a onda dos populismos pol\u00edticos. Disse na semana passada, ou na semana retrasada, que \u00e0s vezes ou\u00e7o, em alguns locais, discursos que se assemelham aos de Hitler de 1934. \u00c9 como se na Europa houvesse um pensamento de retorno.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m voc\u00eas na \u00c1frica t\u00eam um problema cultural que tem de ser resolvido. Recordo-me de ter falado disso no Qu\u00eania, o tribalismo. Ali \u00e9 necess\u00e1rio um trabalho de educa\u00e7\u00e3o, de aproxima\u00e7\u00e3o entre as diferentes tribos para criar uma na\u00e7\u00e3o. Comemoramos h\u00e1 pouco o 25\u00ba anivers\u00e1rio da trag\u00e9dia de Ruanda: \u00e9 um efeito do tribalismo. Lembro-me no Qu\u00eania, no est\u00e1dio, quando pedi a todos que se levantassem e apertassem as m\u00e3os e dissessem &#8220;n\u00e3o ao tribalismo, n\u00e3o ao tribalismo&#8230;&#8221;. Devemos dizer n\u00e3o. Trata-se de um fechamento. E h\u00e1 tamb\u00e9m a xenofobia dom\u00e9stica, mas em todo caso uma xenofobia. Temos de lutar contra isso: seja a xenofobia de um pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o a outro, seja a xenofobia interna, que, no caso de alguns lugares na \u00c1frica e com o tribalismo, conduz a uma trag\u00e9dia como a de Ruanda&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Marie Fredeline Ratovoarivelo (R\u00e1dio Dom Bosco, Madagascar)<\/strong><\/p>\n<p><em>O senhor falou sobre o futuro dos jovens durante sua visita apost\u00f3lica, penso que a funda\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia \u00e9 muito importante para o futuro. Os jovens de Madagascar vivem em situa\u00e7\u00f5es familiares muito complexas por causa da pobreza. Como pode a Igreja acompanhar os jovens diante do fato que os seus ensinamentos s\u00e3o considerados ultrapassados e diante da revolu\u00e7\u00e3o sexual de hoje?<\/em><\/p>\n<p>&#8220;A fam\u00edlia certamente tem a responsabilidade da educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Foi emocionante como os jovens de Madagascar se expressaram, vimos isso tamb\u00e9m em Maur\u00edcio e tamb\u00e9m com os jovens de Mo\u00e7ambique do encontro inter-religioso pela paz. Dar valores aos jovens, faz\u00ea-los crescer. Em Madagascar, o problema da fam\u00edlia est\u00e1 ligado ao problema da pobreza, \u00e0 falta de trabalho e muitas vezes tamb\u00e9m \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do trabalho. Por exemplo, na pedreira de granito os trabalhadores ganham um d\u00f3lar e meio por dia&#8230; S\u00e3o fundamentais as leis que protegem o trabalho e a fam\u00edlia. E tamb\u00e9m os valores familiares, que existem, mas s\u00e3o muitas vezes destru\u00eddos pela pobreza: n\u00e3o os valores, mas a capacidade de transmiti-los e de continuar a educa\u00e7\u00e3o dos jovens. Vimos em Madagascar a obra de Akamasoa, o trabalho que se faz com os pequenos para que possam crescer em uma fam\u00edlia que n\u00e3o \u00e9 a natural, sim, mas \u00e9 a \u00fanica possibilidade. Ontem em Maur\u00edcio, depois da Missa, encontrei monsenhor Rueda com um policial, alto, grande, segurando uma crian\u00e7a pela m\u00e3o, tinha mais ou menos dois anos. Ela se perdeu e chorava porque n\u00e3o se conseguia encontrar os pais. Tinham sido dado o an\u00fancio e enquanto isso o policial a acariciava e ali eu vi (entendi) o drama de tantas crian\u00e7as e jovens que por acaso perdem seus la\u00e7os familiares apesar de viverem em uma fam\u00edlia &#8211; neste caso foi apenas um acidente. \u00c9 tamb\u00e9m o papel do Estado proteg\u00ea-las e lev\u00e1-las adiante. O Estado deve cuidar da fam\u00edlia, dos jovens. E \u00e9 dever do Estado de lev\u00e1-los adiante. Ent\u00e3o, repito, para uma fam\u00edlia ter um filho \u00e9 um tesouro. E voc\u00eas t\u00eam essa consci\u00eancia, t\u00eam a consci\u00eancia do tesouro. Mas agora \u00e9 necess\u00e1rio que toda a sociedade tenha consci\u00eancia de fazer crescer este tesouro, de fazer crescer o pa\u00eds, de fazer crescer a p\u00e1tria, de fazer crescer os valores que dar\u00e3o soberania \u00e0 p\u00e1tria. Uma coisa sobre as crian\u00e7as que me impressionou nos tr\u00eas pa\u00edses \u00e9 que as pessoas me saudavam. Havia tamb\u00e9m crian\u00e7as pequenas que tamb\u00e9m saudavam, estavam muito alegres. Mas sobre a alegria eu gostaria de falar mais tarde&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Jean Luc Mootoosamy (Radio One, Mauritius)<\/strong><\/p>\n<p><em>O primeiro-ministro de Maur\u00edcio lhe agradeceu por sua preocupa\u00e7\u00e3o com o sofrimento dos nossos concidad\u00e3os que foram obrigados a abandonar o pr\u00f3prio arquip\u00e9lago do Reino Unido depois da il\u00edcita separa\u00e7\u00e3o desta parte do nosso territ\u00f3rio antes da independ\u00eancia. Hoje, na ilha de Diego Garcia, h\u00e1 uma base militar estadunidense.\u00a0 Santo Padre, os chagossianos em ex\u00edlio for\u00e7ado h\u00e1 50 anos querem regressar a suas terras e as respectivas administra\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos e do Reino Unido n\u00e3o permitem que isso aconte\u00e7a n\u00e3o obstante exista uma resolu\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas de maio passado. Como o senhor poder apoiar a vontade dos chagossianos e ajudar o povo de Chagos a voltar para casa?<\/em><\/p>\n<p>\u00abEu gostaria de repetir aquilo o que diz a Doutrina da Igreja a respeito. As organiza\u00e7\u00f5es internacionais, quando n\u00f3s as reconhecemos e atribu\u00edmos a elas a capacidade de julgar em escala mundial \u2013 pensemos no tribunal internacional de Haia ou nas Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 no momento em que fazem afirma\u00e7\u00f5es se somos uma humanidade (um consenso civil), temos o dever de obedecer. \u00c9 verdade que nem sempre as coisas que parecem justas para toda a humanidade o s\u00e3o para o bolso, mas se deve obedecer \u00e0s institui\u00e7\u00f5es internacionais, para isso foram criadas as Na\u00e7\u00f5es Unidas, foram criados os tribunais internacionais. Depois h\u00e1 outro fen\u00f4meno que, por\u00e9m, o digo claramente, n\u00e3o sei se tem pertin\u00eancia a este caso. Quando chega a liberta\u00e7\u00e3o de um povo (um povo obt\u00e9m a independ\u00eancia) e o Estado dominante deve ir embora\u2013 na \u00c1frica verificaram-se muitos processos de independ\u00eancia da Fran\u00e7a, da Gr\u00e3-Bretanha, da B\u00e9lgica, da It\u00e1lia, todos tiveram que deixar, alguns amadureceram bem \u2013 mas em todos h\u00e1 a tenta\u00e7\u00e3o de ir embora com algo no bolso: sim eu dou a liberdade a este povo, mas algumas migalhas eu levo embora\u2026 Dou a liberdade ao pa\u00eds, mas do solo para cima, o subsolo permanece meu. \u00c9 um exemplo, n\u00e3o sei se \u00e9 verdade, mas para dizer: sempre h\u00e1 aquela tenta\u00e7\u00e3o \u2026 Eu creio que as organiza\u00e7\u00f5es internacionais t\u00eam que fazer um processo de acompanhamento, reconhecendo \u00e0s pot\u00eancias dominantes aquilo que fizeram \u00e0quele pa\u00eds e reconhecendo a boa vontade de ir embora e ajudando-os a deixar totalmente, com liberdade, em esp\u00edrito de fraternidade. \u00c9 um trabalho cultural lento da humanidade e, nisto, as institui\u00e7\u00f5es internacionais nos ajudam tanto, sempre, e devemos ir avante fortalecendo as institui\u00e7\u00f5es internacionais: as Na\u00e7\u00f5es Unidas que retomem bem o seu papel, que a Uni\u00e3o Europeia seja mais forte, n\u00e3o no sentido do dom\u00ednio, mas no sentido da justi\u00e7a, da fraternidade, da unidade para todos. Isto creio seja uma das coisas importantes. E h\u00e1 outra coisa que eu gostaria de aproveitar para dizer depois de sua interven\u00e7\u00e3o. Hoje n\u00e3o existem coloniza\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas \u2013 pelo menos n\u00e3o tantas\u2026 mas existem coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, que querem entrar na cultura dos povos e transformar aquela cultura e homogeneizar a humanidade. \u00c9 a imagem da globaliza\u00e7\u00e3o como uma esfera, todos os pontos equidistantes do centro.\u00a0 Ao inv\u00e9s, a verdadeira globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma esfera, \u00e9 um poliedro onde cada povo preserva a pr\u00f3pria identidade, mas se une a toda a humanidade. Ao inv\u00e9s, a coloniza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica busca cancelar a identidade dos outros para torn\u00e1-los iguais e chegam com propostas ideol\u00f3gicas que v\u00e3o contra a natureza daquele povo, a hist\u00f3ria daquele povo, contra os valores daquele povo. E devemos respeitar a identidade dos povos, esta \u00e9 uma premissa a ser defendida sempre. Deve ser respeitada a identidade dos povos e assim expulsamos todas as coloniza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Antes de dar a palavra para a EFE \u2013 que \u00e9 privilegiada, \u00e9 \u201cidosa\u201d, tem 80 anos \u2013 eu gostaria de dizer algo a mais sobre a viagem que me impressionou muito. Do seu pa\u00eds me impressionou muito a capacidade de unidade inter-religiosa, de di\u00e1logo inter-religioso. N\u00e3o se cancela a diferen\u00e7a das religi\u00f5es, mas se destaca que todos somos irm\u00e3os, que todos devemos falar. Este \u00e9 um sinal de maturidade do seu pa\u00eds. Falando com o primeiro-ministro ontem, fiquei surpreso de como eles, voc\u00eas, tenham elaborado esta realidade e a vivam como necessidade de conviv\u00eancia. H\u00e1 uma comiss\u00e3o intercultural que se re\u00fane\u2026 A primeira coisa que encontrei ontem entrando no episcopado \u2013 uma anedota \u2013 foi um ma\u00e7o de flores bel\u00edssimo. Quem o enviou? O grande Im\u00e3. Somos irm\u00e3os, a fraternidade humana que est\u00e1 na base e respeita todas as cren\u00e7as. O respeito religioso \u00e9 importante, por isso aos mission\u00e1rios digo que n\u00e3o fa\u00e7am proselitismo. O proselitismo que o fa\u00e7am no mundo da pol\u00edtica, do esporte \u2013 tor\u00e7a pelo meu time, pelo seu\u2026 &#8211; mas n\u00e3o na f\u00e9. Mas o que significa para o senhor, Santo Padre, evangelizar? H\u00e1 uma frase de S. Francisco que me iluminou muito. Francisco de Assis dizia aos seus frades: \u201cLevem o Evangelho, se for necess\u00e1rio, tamb\u00e9m com as palavras\u201d. Isto \u00e9, evangelizar \u00e9 aquilo que lemos no Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: testemunho. E aquele testemunho provoca a pergunta: \u201cMas voc\u00ea por que vive assim, por que faz isso?\u201d. E ali explico: \u201c\u00c9 pelo Evangelho\u201d. O an\u00fancio vem antes do testemunho. Antes viva como crist\u00e3o e se perguntarem, fale. O testemunho \u00e9 o primeiro passo e o protagonista da evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o mission\u00e1rio, mas o Esp\u00edrito Santo que leva os crist\u00e3os e os mission\u00e1rios a dar testemunho. Depois vir\u00e3o as perguntas ou n\u00e3o vir\u00e3o, mas conta o testemunho de vida. Este \u00e9 o primeiro passo. \u00c9 importante para evitar o proselitismo. Quando virem propostas religiosas que seguem o caminho do proselitismo, n\u00e3o s\u00e3o crist\u00e3s. Buscam pros\u00e9litos, n\u00e3o adoradores de Deus em verdade. Eu aproveito para destacar esta experi\u00eancia religiosa de voc\u00eas, que \u00e9 t\u00e3o bonita. Tamb\u00e9m o primeiro-ministro me disse que quando algu\u00e9m pede uma ajuda, damos a mesma ajuda a todos, e ningu\u00e9m se ofende, porque se sentem irm\u00e3os. E isso faz a unidade do pa\u00eds. \u00c9 muito, muito importante. Tamb\u00e9m nos encontros n\u00e3o havia somente cat\u00f3licos, havia crist\u00e3os de outras confiss\u00f5es, e havia mu\u00e7ulmanos, hindu\u00edstas e todos eram irm\u00e3os. Isso vi tamb\u00e9m em Madagascar e ainda no Encontro inter-religioso pela paz dos jovens, com os jovens de diferentes religi\u00f5es que quiseram expressar como vivem seu desejo pela paz. Paz, fraternidade, conviv\u00eancia inter-religiosa, nada de proselitismo, s\u00e3o coisas que devemos aprender pela paz. Esta \u00e9 uma coisa que devo dizer. Depois outra coisa que me impressionou \u2013 e a vi em tr\u00eas pa\u00edses, mas me refiro a Madagascar, partimos dali \u2013 o povo; pelas ruas havia o povo, autoconvocado. Na missa no est\u00e1dio debaixo de chuva estava o povo, que dan\u00e7ava debaixo da chuva, feliz\u2026 E tamb\u00e9m na vig\u00edlia noturna, a missa \u2013 que dizem que tinha mais de um milh\u00e3o, eu n\u00e3o sei, \u00e9 o que dizem as estat\u00edsticas oficiais, eu vou um pouco abaixo, digamos 800 mil. Mas o n\u00famero n\u00e3o interessa, interessa o povo, as pessoas que foram a p\u00e9 na tarde precedente, ficaram na vig\u00edlia, dormiram ali \u2013 eu pensei no Rio de Janeiro em 2013 (a Jornada Mundial da Juventude, ndr), que dormiam na praia \u2013 era o povo que queria estar com o Papa. Eu me senti humilde, pequen\u00edssimo diante da grandeza da soberania popular. E qual \u00e9 o sinal de que um grupo de pessoas \u00e9 povo? A alegria. Havia pobres, tinha gente que n\u00e3o tinha comido naquela tarde para estar ali, estavam alegres. Ao inv\u00e9s, quando as pessoas ou os grupos se separam daquele sentido popular da alegria, a perdem. \u00c9 um dos primeiros sinais, a tristeza dos solit\u00e1rios, a tristeza daqueles que esqueceram as suas ra\u00edzes culturais. Ter consci\u00eancia de ser um povo \u00e9 ter consci\u00eancia de ter uma identidade, de ter uma consci\u00eancia, de ter modo de entender a realidade e isso congrega as pessoas. Mas o sinal de que voc\u00ea est\u00e1 no povo e n\u00e3o numa elite, \u00e9 a alegria, a alegria comum. Isso quis destacar. E por isso as crian\u00e7as saudavam assim, porque os pais as contagiavam com a alegria\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Cristina Cabrejas (da ag\u00eancia espanhola EFE que celebra os 80 anos de funda\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p><em>Antes de tudo, vamos dar como consolidado que um de seus futuros planos \u00e9 ir \u00e0 Espanha, e esperemos que seja poss\u00edvel. A primeira pergunta que quero fazer-lhe: nesses oitenta anos da EFE, perguntamos a diversas pessoas, a l\u00edderes mundiais: como acredita que ser\u00e1 a informa\u00e7\u00e3o do futuro?<\/em><\/p>\n<p>\u00abPrecisaria de uma bola de cristal&#8230; Irei \u00e0 Espanha, se viverei, mas a prioridade das viagens na Europa \u00e9 para os pa\u00edses pequenos, depois os maiores. N\u00e3o sei como ser\u00e1 a comunica\u00e7\u00e3o do futuro. Penso como era, por exemplo, a comunica\u00e7\u00e3o quando eu era jovem, ainda sem tv, com o r\u00e1dio ou o jornal, inclusive com o jornal clandestino que era perseguido pelo governo de turno, era vendido \u00e0 noite pelos volunt\u00e1rios\u2026 e tamb\u00e9m oral. Se fizermos uma compara\u00e7\u00e3o com esta, era uma informa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e esta de hoje ser\u00e1 talvez prec\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quela do futuro. Aquilo que permanece como constante da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 a capacidade de transmitir um fato, e de distingui-lo da narrativa, do que \u00e9 transmitido. Uma das coisas que prejudica a comunica\u00e7\u00e3o, do passado, do presente e do futuro, \u00e9 aquilo que \u00e9 transmitido. H\u00e1 um estudo muito belo, que saiu tr\u00eas anos atr\u00e1s, de Simone Paganeni, uma estudiosa de lingu\u00edstica da Universidade de Aachen,\u00a0 e fala do movimento da comunica\u00e7\u00e3o entre o escritor, o escrito e o leitor. A comunica\u00e7\u00e3o sempre corre o risco de passar do fato \u00e0quilo que \u00e9 transmitido e isso arru\u00edna a comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante que seja o fato e sempre aproximar-se do fato. Vejo isso tamb\u00e9m na C\u00faria: h\u00e1 um fato e depois cada um o decora acrescentando sua vis\u00e3o, sem m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o, esta \u00e9 a din\u00e2mica. Portanto, a ascese do comunicador \u00e9 sempre regressar ao fato, referir o fato, e depois dizer a minha interpreta\u00e7\u00e3o, disseram-me isso, distinguindo o fato daquilo que \u00e9 referido. Tempos atr\u00e1s me contaram a hist\u00f3ria de Chapeuzinho Vermelho, mas com base naquilo que era referido, e terminava com Chapeuzinho Vermelho e a av\u00f3 que colocavam o lobo na panela e comiam o lobo. A narra\u00e7\u00e3o mudava as coisas. Qualquer que seja o meio de comunica\u00e7\u00e3o, a garantia \u00e9 a fidelidade: \u201cdizer que\u201d se pode usar? Sim, pode-se usar na comunica\u00e7\u00e3o, mas estando sempre alerta para constatar a objetividade do \u201cse diz que\u2026\u201d. \u00c9 um dos valores que \u00e9 preciso perseguir na comunica\u00e7\u00e3o. Em segundo lugar, a comunica\u00e7\u00e3o deve ser humana, e no dizer humana entendo construtiva, isto \u00e9, deve fazer crescer o outro. Uma comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser usada como um instrumento de guerra, porque \u00e9 anti-humano, destr\u00f3i. Pouco tempo atr\u00e1s passei um artigo para o padre Rueda que encontrei numa revista, que se intitulava: as gotas de ars\u00eanico da l\u00edngua. A comunica\u00e7\u00e3o deve estar a servi\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o, n\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o. Quando a comunica\u00e7\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o da destrui\u00e7\u00e3o? Quando defende projetos n\u00e3o humanos. Pensemos na propaganda das ditaduras do s\u00e9culo passado, eram ditaduras que sabiam comunicar bem, mas fomentavam a guerra, as divis\u00f5es e a destrui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sei o que dizer tecnicamente porque n\u00e3o sou formado na mat\u00e9ria. Quis destacar valores aos quais a comunica\u00e7\u00e3o, de qualquer meio, sempre deve buscar manter-se coerente\u00bb.<\/p>\n<p><em>Passemos \u00e0 viagem. Um dos temas desta viagem foi a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente, das \u00e1rvores, amea\u00e7adas pelo desflorestamento e pelos inc\u00eandios. Neste momento, est\u00e3o acontecendo na Amaz\u00f4nia. O senhor acredita que os governos dessas \u00e1reas est\u00e3o fazendo todo o poss\u00edvel para proteger este pulm\u00e3o do mundo?<\/em><\/p>\n<p>\u00abVolto \u00e0 \u00c1frica. Eu j\u00e1 disse em outra viagem, h\u00e1 no inconsciente coletivo um lema: a \u00c1frica deve ser explorada. N\u00f3s jamais pensamos: a Europa deve ser explorada. Devemos libertar a humanidade deste inconsciente coletivo. O ponto mais forte da explora\u00e7\u00e3o est\u00e1 no meio ambiente, com o desflorestamento, a destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Dois meses atr\u00e1s, recebi os capel\u00e3es mar\u00edtimos e, na audi\u00eancia, havia sete jovens pescadores que pescavam com uma embarca\u00e7\u00e3o que n\u00e3o era mais longa do que este avi\u00e3o. Pescavam com meios mec\u00e2nicos como se faz agora, um pouco aventureiros. Eles me disseram: em alguns meses, pegamos seis toneladas deste pl\u00e1stico\u2026 No Vaticano, proibimos o pl\u00e1stico, estamos neste trabalho. Esta \u00e9 uma realidade somente dos mares. A inten\u00e7\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o deste m\u00eas \u00e9 justamente a prote\u00e7\u00e3o dos oceanos, que nos d\u00e3o tamb\u00e9m o oxig\u00eanio que respiramos. Depois, h\u00e1 os grandes pulm\u00f5es, na Rep\u00fablica Centro-Africana, em toda a regi\u00e3o Pan-amaz\u00f4nica, e depois outros menores. \u00c9 preciso defender a ecologia, a biodiversidade, que \u00e9 a nossa vida, defender o oxig\u00eanio, que \u00e9 a nossa vida. O que me conforta \u00e9 que s\u00e3o os jovens que levam avante esta luta, que t\u00eam uma grande consci\u00eancia e dizem: o futuro \u00e9 nosso, com o seu fa\u00e7a o que quiser, mas n\u00e3o com o nosso! Creio que ter se chegado ao acordo de Paris foi um bom passo avante, e depois tamb\u00e9m os outros\u2026 S\u00e3o encontros que ajudam a se conscientizar. Mas no ver\u00e3o do ano passado, quando vi a foto do navio que navegava no Polo Norte como se nada fosse, me senti angustiado, e pouco tempo atr\u00e1s todos vimos a fotografia do ato f\u00fanebre simb\u00f3lico por aquela geleira que desapareceu na Groenl\u00e2ndia. \u2026 Tudo isso acontece rapidamente, devemos nos conscientizar come\u00e7ando pelas pequenas coisas. Os governantes est\u00e3o fazendo tudo? Alguns mais, outros menos. \u00c9 verdade que h\u00e1 uma palavra que devo dizer e que est\u00e1 na base da explora\u00e7\u00e3o ambiental. Eu fiquei comovido com o artigo no Messaggero de Franca (Giansoldati, ndr), que n\u00e3o poupou palavras e falou de manobras destrutivas e isso n\u00e3o somente na \u00c1frica, mas tamb\u00e9m nas nossas cidades, nas nossas civiliza\u00e7\u00f5es. E a palavra feia, feia \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o: eu preciso fazer isso e para faz\u00ea-lo devo desmatar e preciso da permiss\u00e3o do governo ou do governo provincial.\u00a0 Vou at\u00e9 o respons\u00e1vel \u2013 e aqui repito literalmente aquilo que me disse um empres\u00e1rio espanhol \u2013 e a pergunta que n\u00f3s ouvimos quando querem aprovar um projeto \u00e9 \u201cQuanto para mim?\u201d, descaradamente. Isso acontece na \u00c1frica, na Am\u00e9rica Latina e tamb\u00e9m na Europa. Em todos os lugares, quando se assume a responsabilidade sociopol\u00edtica como um ganho pessoal, ali exploramos valores, a natureza, as pessoas. A \u00c1frica deve ser explorada\u2026 Mas pensemos em tantos oper\u00e1rios que s\u00e3o explorados nas nossas sociedades; temos o caporalato na Europa, n\u00e3o inventaram os africanos. A empregada que recebe um ter\u00e7o daquilo que deveria n\u00e3o inventaram os africanos, as mulheres enganadas e exploradas pela prostitui\u00e7\u00e3o no centro das nossas cidades, n\u00e3o inventaram os africanos. Tamb\u00e9m aqui h\u00e1 esta explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somente ambiental, mas tamb\u00e9m humana. E isso \u00e9 devido \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. E quando a corrup\u00e7\u00e3o est\u00e1 dentro do cora\u00e7\u00e3o, devemos nos preparar, porque chega de tudo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-210613\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/papa_100919_3.jpg\" alt=\"\" width=\"890\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/papa_100919_3.jpg 890w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/papa_100919_3-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/papa_100919_3-768x431.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/papa_100919_3-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 890px) 100vw, 890px\" \/><\/p>\n<p><strong>Jason Drew Horowitz (The New York Times, Stati Uniti)<\/strong><\/p>\n<p><em>No voo para Maputo, o senhor reconheceu estar sob ataque de um setor da Igreja nos Estados Unidos, obviamente existem fortes cr\u00edticas de alguns bispos e cardeais, h\u00e1 TVs cat\u00f3licas e sites americanos muito cr\u00edticos, e at\u00e9 mesmo alguns de seus aliados mais pr\u00f3ximos falaram de um compl\u00f4 contra o senhor. H\u00e1 algo que esses cr\u00edticos n\u00e3o entendem sobre seu Pontificado? H\u00e1 algo que o senhor aprendeu com as cr\u00edticas? O senhor tem medo de um cisma na Igreja americana? E se sim, h\u00e1 algo que o senhor poderia fazer &#8211; um di\u00e1logo &#8211; para evit\u00e1-lo?<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Antes de tudo, as cr\u00edticas sempre ajudam, sempre. Quando algu\u00e9m recebe uma cr\u00edtica, imediatamente deve fazer uma autocr\u00edtica e dizer: isso \u00e9 verdade ou n\u00e3o? At\u00e9 que ponto? E eu sempre tiro benef\u00edcios das cr\u00edticas. \u00c0s vezes eles te deixam com raiva &#8230; Mas as vantagens existem. Na viagem para Maputo, um de voc\u00eas me deu esse livro em franc\u00eas sobre como os americanos querem mudar o Papa. Eu sabia sobre a exist\u00eancia desse livro, mas n\u00e3o o havia lido. As cr\u00edticas n\u00e3o s\u00e3o somente dos americanos, existem um pouco por toda parte, mesmo na C\u00faria. Pelo menos aqueles que as dizem t\u00eam a vantagem da honestidade em diz\u00ea-las. N\u00e3o gosto quando as cr\u00edticas est\u00e3o sob mesa: te d\u00e3o um sorrido mostrando os dentes e depois te apunhalam pelas costas. Isso n\u00e3o \u00e9 leal, n\u00e3o \u00e9 humano. A cr\u00edtica \u00e9 um elemento da constru\u00e7\u00e3o e, se a tua cr\u00edtica n\u00e3o estiver correta, tu est\u00e1s preparado para receber a resposta, dialogar e chegar ao ponto acertado. Essa \u00e9 a din\u00e2mica da verdadeira cr\u00edtica. Em vez disso, a cr\u00edtica das p\u00edlulas de ars\u00eanico, da qual fal\u00e1vamos a respeito deste artigo que dei ao padre Rueda, \u00e9 um pouco de jogar a pedra e esconder a m\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o serve, n\u00e3o ajuda. Ajuda os pequenos grupinhos fechados, que n\u00e3o querem ouvir a resposta \u00e0 cr\u00edtica. Em vez disso, uma cr\u00edtica leal \u2013 eu penso isso, isso e isso &#8211; est\u00e1 aberta \u00e0 resposta, isso constr\u00f3i, ajuda. Diante do caso do Papa: n\u00e3o gosto deste Papa, o cr\u00edtico, falo, escrevo um artigo e pe\u00e7o que ele responda, isso \u00e9 justo. Fazer uma cr\u00edtica sem querer ouvir a resposta e sem fazer o di\u00e1logo \u00e9 n\u00e3o amar a Igreja, \u00e9 seguir atr\u00e1s de uma ideia fixa, mudar o Papa ou criar um cisma. Isso \u00e9 claro: sempre uma cr\u00edtica justa \u00e9 bem recebida, ao menos para mim. Segundo, o problema do cisma: na Igreja houve tantos cismas. Ap\u00f3s o Vaticano I, por exemplo, a \u00faltima vota\u00e7\u00e3o, aquela da infalibilidade, um bom grupo saiu e fundou os Vetero-Cat\u00f3licos para serem realmente &#8220;honestos&#8221; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. Mais tarde eles encontraram uma evolu\u00e7\u00e3o diferente e agora ordenam mulheres. Mas naquele momento eram r\u00edgidos, iam atr\u00e1s de uma ortodoxia e pensavam que o Conc\u00edlio havia errado. Outro grupo saiu calado, calado, mas n\u00e3o quiseram votar &#8230;<\/p>\n<p>O Vaticano II, entre suas consequ\u00eancia, teve essas coisas. Talvez a separa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-conciliar mais conhecida seja o de Lefebvre. Sempre existe a op\u00e7\u00e3o cism\u00e1tica na Igreja, sempre. Mas \u00e9 uma das op\u00e7\u00f5es que o Senhor deixa \u00e0 liberdade humana. Eu n\u00e3o tenho medo de cismas, rezo para que n\u00e3o existam, porque est\u00e1 em jogo a sa\u00fade espiritual de tantas pessoas. Que exista o di\u00e1logo, que exista a corre\u00e7\u00e3o se houver algum erro, mas o caminho do cisma n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o. Pensemos no in\u00edcio da Igreja, como come\u00e7ou com tantos cismas, um ap\u00f3s o outro: arianos, gn\u00f3sticos, monofisitas &#8230; E me vem de contar uma hist\u00f3ria: foi o povo de Deus que salvou dos cismas. Os cism\u00e1ticos sempre t\u00eam uma coisa em comum: se separam do povo, da f\u00e9 do povo de Deus. E quando no Conc\u00edlio de \u00c9feso houve a discuss\u00e3o sobre a divina maternidade de Maria, o povo &#8211; isso \u00e9 hist\u00f3rico &#8211; estava na entrada de catedral quando os bispos entravam para o Conc\u00edlio. Estavam ali com paus. Eles os mostraram aos bispos e gritavam \u201cM\u00e3e de Deus! M\u00e3e de Deus! \u201d, como que por dizer: se voc\u00eas n\u00e3o fizerem isso, esperamos voc\u00eas aqui &#8230;<\/p>\n<p>O povo de Deus sempre conserta e ajuda. Um cisma \u00e9 sempre \u00e9 uma separa\u00e7\u00e3o elitista provocada por uma ideologia separada da doutrina. \u00c9 uma ideologia, talvez justa, mas que entre na doutrina e a separa. Por isso rezo para que n\u00e3o ocorram cismas, mas n\u00e3o tenho medo. Isso \u00e9 um resultado do Vaticano II, n\u00e3o deste ou daquele outro Papa. Por exemplo, as coisas sociais que digo, s\u00e3o as mesmas que disse Jo\u00e3o Paulo II, as mesmas! Eu o copio. Mas eles dizem: o Papa \u00e9 comunista&#8230; Entram as ideologias na doutrina e quando a doutrina escorrega nas ideologias, ali h\u00e1 a possibilidade de um cisma. H\u00e1 a ideologia da primazia de uma moral ass\u00e9ptica sobre a moral do povo de Deus. Os pastores devem conduzir o rebanho entre a gra\u00e7a e o pecado, porque a moral evang\u00e9lica \u00e9 essa. Em vez disso, a moral de uma ideologia assim pelagiana te leva \u00e0 rigidez, e hoje temos tantas escolas de rigidez dentro da Igreja, que n\u00e3o s\u00e3o cismas, mas caminhos crist\u00e3os pseudo-cism\u00e1ticas, que terminar\u00e3o mal. Quando voc\u00eas v\u00eam crist\u00e3os, bispos, sacerdotes r\u00edgidos, por tr\u00e1s h\u00e1 problemas, n\u00e3o h\u00e1 a santidade do Evangelho. Por isso devemos ser mansos com as pessoas que s\u00e3o tentadas por esses ataques, est\u00e3o passando por um problema, devemos acompanh\u00e1-las com mansid\u00e3o \u00bb.<\/p>\n<p><strong>Aura Vistas Miguel (R\u00e1dio Renascen\u00e7a, Portugal)<\/strong><\/p>\n<p><em>Sabemos que n\u00e3o lhe agrada visitar pa\u00edses durante a campanha eleitoral, mas o fez em Mo\u00e7ambique, um m\u00eas antes das elei\u00e7\u00f5es, sendo que o presidente que o convidou \u00e9 um dos candidatos. Por que?<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Sim. N\u00e3o foi um erro, foi uma op\u00e7\u00e3o decidida livremente, porque a campanha eleitoral come\u00e7a nestes dias e ficava em segundo plano em rela\u00e7\u00e3o ao processo de paz. O importante era ajudar a consolidar esse processo. E isso \u00e9 mais importante do que uma campanha que ainda n\u00e3o come\u00e7ou. Fazendo um balan\u00e7o entre as duas coisas, era preciso consolidar o processo de paz. E depois eu encontrei tamb\u00e9m os dois oponentes pol\u00edticos, para enfatizar que o importante era isso, e n\u00e3o torcer pelo presidente, mas enfatizar a unidade do pa\u00eds. O que a senhora disse, no entanto, \u00e9 verdade: devemos nos distanciar um pouco das campanhas eleitorais\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Fonte: Vatican News<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa Francisco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":210614,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1428],"tags":[55,1140],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Papa Francisco aos jornalistas: a xenofobia \u00e9 &quot;uma doen\u00e7a&quot; - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/papa-francisco-aos-jornalistas-a-xenofobia-e-uma-doenca.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Papa Francisco aos jornalistas: a xenofobia \u00e9 &quot;uma doen\u00e7a&quot; - 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