{"id":177564,"date":"2015-10-06T08:27:09","date_gmt":"2015-10-06T11:27:09","guid":{"rendered":"http:\/\/franciscanos.org.br\/?p=96089"},"modified":"2020-02-14T12:11:58","modified_gmt":"2020-02-14T15:11:58","slug":"franciscano-nao-pertence-mais-aos-franciscanos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/franciscano-nao-pertence-mais-aos-franciscanos-2.html","title":{"rendered":"&#8220;Francisco n\u00e3o pertence mais aos franciscanos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-179109\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/2018\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/boff_2.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"520\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/boff_2.jpg 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/boff_2-450x279.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/boff_2-768x475.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/boff_2-150x93.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><\/p>\n<p><em>\u201cSer radicalmente pobre para poder ser plenamente irm\u00e3o: este \u00e9 o sentido da pobreza franciscana\u201d, explica Leonardo Boff \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>, na entrevista a seguir, concedida por e-mail.<\/em><\/p>\n<p><em>Neste domingo, 04-10-2015, a Igreja celebra o dia de S\u00e3o Francisco de Assis, que, segundo o te\u00f3logo, \u201cinaugurou uma Igreja na base, junto com os pobres, pregando pelas estradas ou nas pra\u00e7as, rezando as horas can\u00f4nicas debaixo de \u00e1rvores e teatralizando passagens b\u00edblicas como fez com a celebra\u00e7\u00e3o do Natal, inventando o pres\u00e9pio\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte de inspira\u00e7\u00e3o nos dias de hoje, a figura de Francisco de Assis \u00e9 reavivada na Igreja e inspira inclusive Bergoglio, que \u201ctomou o nome de Francisco pelo fasc\u00ednio que sempre exerceu sobre ele a figura deste santo especial e por causa do amor aos pobres e \u00e0 natureza\u201d, diz o te\u00f3logo. Parafraseando a Carta Enc\u00edclica Laudato Si\u2019, do Papa Francisco, sobre o cuidado da casa comum, Boff lembra que \u201c\u2018Francisco \u00e9 o exemplo por excel\u00eancia do cuidado pelo que \u00e9 fr\u00e1gil e por uma ecologia integral\u2026 o seu cora\u00e7\u00e3o era universal\u2019 (n.10). Todo o texto da enc\u00edclica vem imbu\u00eddo de cora\u00e7\u00e3o, pois l\u00ea os dados da situa\u00e7\u00e3o da Terra afetivamente e n\u00e3o apenas intelectualmente. Isso \u00e9 o modo de S\u00e3o Francisco ler o mundo a partir de um sentimento profundo de uni\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Autor de S\u00e3o Francisco de Assis: Ternura e Vigor, Boff enfatiza que Francisco se \u201ctransformou num arqu\u00e9tipo\u201d, numa refer\u00eancia de ideal humano, porque \u201cde tudo o que lhe acontecia, a dimens\u00e3o de sombra e a dimens\u00e3o de luz, suas decep\u00e7\u00f5es e alegrias, seu sofrimento e morte, fazia caminhos de crescimento e de total integra\u00e7\u00e3o. Desse processo que combina ternura e vigor, c\u00e9u e terra, vida e morte, irrompe sua irradia\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que realizou sua humanidade de modo exemplar. Criou um humanismo terno e fraterno que vai al\u00e9m do mundo humano e que abarca toda a natureza e o pr\u00f3prio universo. (\u2026) Francisco bem o sabia, por isso, embora para n\u00f3s seja um santo exemplar, se considerava o maior pecador do mundo, \u2018pequenino, p\u00fatrido e f\u00e9tido, mesquinho, miser\u00e1vel e vil\u2019, como diz numa de suas cartas. Ele podia dizer isso, pois n\u00e3o havia negado, mas integrado tais realidades sombrias, pr\u00f3prias de nossa condi\u00e7\u00e3o humana, numa s\u00edntese superior, repleta de luz, de enternecimento e de amortiza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Leonardo Boff \u00e9 te\u00f3logo, fil\u00f3sofo e autor de uma imensa obra sobre temas ambientais. Desta obra, citamos &#8220;Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres&#8221;, recentemente reeditada.<\/em><\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quem foi Francisco de Assis? Como entend\u00ea-lo na sua complexidade que vai da ternura ao vigor?<\/strong><br \/>\n<strong>Leonardo Boff<\/strong> \u2013 Embora tenha vivido h\u00e1 mais de 800 anos, novo \u00e9 ele; n\u00f3s somos velhos. Pois ele conseguiu o que n\u00f3s dificilmente al\u00e7amos: nos relacionar com todas as coisas, mesmo as mais adversas como a morte, chamando-as com o doce nome de irm\u00e3os e irm\u00e3s. Assim conseguiu uma reconcilia\u00e7\u00e3o, como se fosse um habitante do para\u00edso terrenal. Com raz\u00e3o o grande historiador Arnold Toynbee disse em sua \u00faltima entrevista: \u201cFrancisco, o maior dos homens que viveram no Ocidente, deve ser imitado por todos n\u00f3s, pois sua atitude \u00e9 a \u00fanica que pode salvar a Terra e n\u00e3o aquela de seu pai, o mercador Bernardone\u201d.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo Max Scheler em conhecido livro &#8220;Ess\u00eancia e Formas da Simpatia&#8221; afirmava: \u201cS\u00e3o Francisco \u00e9 o prot\u00f3tipo ocidental da raz\u00e3o cordial e emocional, coisa que posteriormente foi relegada \u00e0 margem\u201d. \u00c9 ela que nos faz sens\u00edveis \u00e0 paix\u00e3o dos sofredores e aos gritos da Terra devastada pela voracidade industrialista atual.<\/p>\n<p><strong>O senhor diz que o contato com Francisco de Assis provoca uma crise profunda. Que tipo de crise \u00e9 essa?<\/strong><\/p>\n<p>Leonardo Boff \u2013 S\u00e3o Francisco nos faz descobrir nosso distanciamento da natureza, como se n\u00e3o f\u00f4ssemos parte dela, mas sim seus senhores e donos. Essa atitude est\u00e1 na raiz da crise ecol\u00f3gica atual, pois ela se funda na falta de pertencimento, da aus\u00eancia de cuidado e de amor para com todas as coisas, pois elas t\u00eam um valor intr\u00ednseco em si mesmas. Comparar o que somos e fazemos com o que fazia e era S\u00e3o Francisco nos cria m\u00e1 consci\u00eancia e nos introduz numa crise purificadora, pois nos convida a mudar nosso estilo de vida.<\/p>\n<div id=\"attachment_96091\" style=\"width: 275px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-96091\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-96091 size-full\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/piero_casentini.jpg\" alt=\"piero_casentini\" width=\"265\" height=\"500\" \/><p id=\"caption-attachment-96091\" class=\"wp-caption-text\">Imagem de Piero Casentini<\/p><\/div>\n<p><strong>Como entender a m\u00edstica de Francisco de Assis e a sua rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente?<\/strong><br \/>\n<strong>Leonardo Boff<\/strong> \u2013 S\u00e3o Francisco conferiu centralidade ao cora\u00e7\u00e3o. Em seus escritos a palavra \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d ocorre 42 vezes sobre uma de \u201cintelig\u00eancia\u201d; \u201camor\u201d, 23 vezes sobre 12 de \u201cverdade\u201d. Sabemos hoje que \u00e9 na raz\u00e3o cordial e sens\u00edvel que se encontram a sensibilidade profunda para com os outros, os valores \u00e9ticos e a espiritualidade. \u00c9 o cora\u00e7\u00e3o que o fez sentir o Sol, a Lua, a \u00e1gua e o lobo e at\u00e9 a morte como irm\u00e3os e irm\u00e3s. Essa atitude nos \u00e9 exigida hoje pela crise ecol\u00f3gica. A raz\u00e3o sozinha n\u00e3o d\u00e1 conta de nossos problemas fundamentais, porque ela apenas v\u00ea, analisa e calcula. Ser\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o que nos mover\u00e1 para o cuidado, o respeito e o amor \u00e0 M\u00e3e Terra.<\/p>\n<p><strong>Qual era a concep\u00e7\u00e3o de Igreja de Francisco de Assis? Quais eram os pontos cruciais de diverg\u00eancia com o alto clero? Com qual modelo de igreja ele estava dialogando e, inclusive, se opondo?<\/strong><br \/>\n<strong>Leonardo Boff<\/strong> \u2013 O te\u00f3logo Joseph Ratzinger, num de seus escritos sobre o sentido da profecia na Igreja, escreveu que o \u201cn\u00e3o\u201d de S\u00e3o Francisco ao tipo de Igreja de seu tempo n\u00e3o poderia ser mais radical. Mas seu \u201cn\u00e3o\u201d nunca \u00e9 verbalizado, nunca faz uma cr\u00edtica aberta ao sistema curial, especialmente sob Inoc\u00eancio III, o Papa mais poderoso da hist\u00f3ria da Igreja. Ele n\u00e3o falou nem criticou como fizeram os Reformadores do s\u00e9culo XVI. Ele simplesmente deixou-se orientar pelo evangelho, lido em glossa, quer dizer, sem coment\u00e1rios que lhe tiram a for\u00e7a transformadora, mas em seu sentido original: viver seguindo o Cristo pobre, descoberto nos mais pobres dos pobres que s\u00e3o os hansenianos, ter extremo enternecimento e compaix\u00e3o para com todos os sofredores e jovialmente acolhendo as mais duras adversidades que a pobreza radical lhe comportava.<br \/>\nEle inaugurou uma Igreja na base, junto com os pobres, pregando pelas estradas ou nas pra\u00e7as, rezando as horas can\u00f4nicas debaixo de \u00e1rvores e teatralizando passagens b\u00edblicas como fez com a celebra\u00e7\u00e3o do Natal, inventando o pres\u00e9pio. Queria que seus seguidores fossem \u201cmenores\u201d, categoria social dos sem poder e que n\u00e3o aceitassem nenhum cargo eclesi\u00e1stico. Deviam \u201cin plano subsistere\u201d, quer dizer, \u201cmanter-se no n\u00edvel do ch\u00e3o\u201d onde todos os an\u00f4nimos e invis\u00edveis, o povo em geral, se encontram.<\/p>\n<p><strong>Quais os conceitos-chave, as ideias e concep\u00e7\u00f5es principais de Francisco de Assis? Como compreender esses conceitos nos dias de hoje?<\/strong><br \/>\n<strong>Leonardo Boff<\/strong> \u2013 S\u00e3o Francisco n\u00e3o era um te\u00f3logo. Nem era um cl\u00e9rigo. Esquecemos que era um leigo. S\u00f3 no final da vida deixou-se ordenar di\u00e1cono para poder continuar a pregar j\u00e1 que havia um decreto papal que os leigos n\u00e3o podiam mais pregar como se fazia antes. Mas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de que a este of\u00edcio n\u00e3o caberia nenhum benef\u00edcio. As virtudes principais que vivia com grande jovialidade era a extrema simplicidade, acolhendo a todos assim como eram; depois era a grande humildade tendo-se a si como o menor e servidor, irm\u00e3ozinho de todos, o fratello; principalmente vivia uma radical pobreza como poverello.<\/p>\n<p>Mas para ele, a pobreza n\u00e3o consistia em n\u00e3o ter, mas na capacidade de dar, e mais uma vez dar, at\u00e9 se espoliar de tudo. Tinha consci\u00eancia de que entre as pessoas se interp\u00f5em os bens e os interesses. Remover tais coisas permitia o encontro direto e imediato, olho a olho, corpo a corpo para colocar-se junto ao outro como irm\u00e3o. Ser radicalmente pobre para poder ser plenamente irm\u00e3o: este \u00e9 o sentido da pobreza franciscana. E por fim, era a permanente alegria, como quem se sente continuamente na palma da m\u00e3o de Deus. Atribui-se a ele este dito: \u201ceu possuo pouco e o pouco que possuo \u00e9 pouco\u201d. Este projeto de vida, se vivido hoje, criaria um mundo terno e fraterno, amigo da vida, com uma sobriedade compartida, numa aura de fraternidade universal, entre as pessoas e com todos os seres da natureza, abra\u00e7ados como irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p><strong>Como esses conceitos podem ser atualizados para nossos dias na busca por inspira\u00e7\u00e3o para sairmos do estado de crise?<\/strong><br \/>\n<strong>Leonardo Boff<\/strong> \u2013 Entre muitas outras coisas, considero fundamental, para sairmos da atual crise, resgatarmos os direitos do cora\u00e7\u00e3o. Quer dizer, sermos n\u00e3o apenas portadores da intelig\u00eancia racional, mas junto com ela e de forma mais profunda, da intelig\u00eancia cordial ou sens\u00edvel. Sentir, como diz o Papa em sua enc\u00edclica sobre \u201co cuidado da Casa Comum\u201d, como pr\u00f3prias as dores da Terra e o padecimento dos outros irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p>Agirmos a partir do cora\u00e7\u00e3o que ama, que se identifica com o outro, que cultiva a compaix\u00e3o e cuidado para com todas as coisas, como cuidava S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Ele tirava da estrada as minhocas para n\u00e3o serem pisadas e pedia que at\u00e9 as ervas silvestres tivessem o seu canto reservado nas hortas, porque elas tamb\u00e9m merecem viver e louvam a Deus de seu modo. Se tiv\u00e9ssemos na humanidade tais sentimentos, n\u00e3o precisar\u00edamos falar em ecologia nem em direitos das pessoas e da natureza, pois tudo isso seria vivido com total espontaneidade.<\/p>\n<p><strong>Como Bergoglio e Ratzinger compreendem a figura de S\u00e3o Francisco de Assis?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Boff<\/strong> \u2013 Joseph Ratzinger, em sua tese sobre o conceito de hist\u00f3ria em S\u00e3o Boaventura, escreveu como introdu\u00e7\u00e3o ao tema uma das mais belas p\u00e1ginas que j\u00e1 se escreveram modernamente sobre a figura singular de S\u00e3o Francisco. Creio que os franciscanos ainda n\u00e3o souberam valorizar tais reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>Bergoglio tomou o nome de Francisco pelo fasc\u00ednio que sempre exerceu sobre ele a figura deste santo especial e por causa do amor aos pobres e \u00e0 natureza. Em sua enc\u00edclica, lhe dedica tr\u00eas grandes par\u00e1grafos (nn.10, 11 12) e explica: \u201cAcho que Francisco \u00e9 o exemplo por excel\u00eancia do cuidado pelo que \u00e9 fr\u00e1gil e por uma ecologia integral\u2026 o seu cora\u00e7\u00e3o era universal\u201d (n.10). Todo o texto da enc\u00edclica vem imbu\u00eddo de cora\u00e7\u00e3o, pois l\u00ea os dados da situa\u00e7\u00e3o da Terra afetivamente e n\u00e3o apenas intelectualmente. Isso \u00e9 o modo de S\u00e3o Francisco ler o mundo a partir de um sentimento profundo de uni\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como compreender a rela\u00e7\u00e3o entre Francisco e Clara de Assis? Qual o papel de Clara na hist\u00f3ria e na \u201cdoutrina\u201d de Francisco?<\/strong><br \/>\n<strong>Leonardo Boff<\/strong> \u2013 A rela\u00e7\u00e3o entre Clara e Francisco \u00e9 uma das mais belas e puras da hist\u00f3ria do cristianismo. Ele possu\u00eda tr\u00eas amores: amor ao Cristo crucificado, amor aos pobres e amor \u00e0 irm\u00e3 Clara. Era um verdadeiro amor entre um homem e uma mulher, mas transfigurado por um projeto comum: servir ao Crucificado e aos crucificados da hist\u00f3ria. O eros desabrochava no agape sem perder o seu fasc\u00ednio e beleza. Entre eles havia afeto e carinho que n\u00e3o escondeu durante toda a sua vida. Clara seguramente o ajudou a ser t\u00e3o terno e amoroso para com todas as criaturas.<\/p>\n<p><strong>Em que medida a vis\u00e3o de Francisco de Assis com rela\u00e7\u00e3o ao mundo, os seres humanos e a Igreja dialogam com o pontificado de Bergoglio?<\/strong><br \/>\n<strong>Leonardo Boff<\/strong> \u2013 O Papa Francisco colocou o evangelho no centro de sua prega\u00e7\u00e3o e de seus gestos exemplares. Foi exatamente isso que fez S\u00e3o Francisco: para ele o evangelho era tudo, n\u00e3o como mero texto, mas como fonte de inspira\u00e7\u00e3o, de humaniza\u00e7\u00e3o, de espiritualiza\u00e7\u00e3o e de identifica\u00e7\u00e3o com o Jesus hist\u00f3rico, a ponto de os textos origin\u00e1rios atestarem que chegou a receber as chagas de Cristo em seu pr\u00f3prio Cristo. N\u00e3o sem raz\u00e3o foi chamado \u201co primeiro depois do \u00danico (Jesus Cristo)\u201d ou at\u00e9 de \u201co \u00faltimo crist\u00e3o\u201d. A simplicidade, a bondade, a ternura e a proximidade que o Papa Francisco revela em sua vida, bem traduzem o esp\u00edrito de S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p><strong>Como compreender Laudato Si\u2019 desde a perspectiva de Francisco de Assis? De que forma a ideia de Ecologia Integral, conceito central da Enc\u00edclica, aparece no legado de Francisco de Assis?<\/strong><br \/>\n<strong>Leonardo Boff<\/strong> \u2013 O pr\u00f3prio Papa o esclarece em sua enc\u00edclica sobre \u201co cuidado da Casa Comum\u201d, ao dizer: \u201cA rea\u00e7\u00e3o de Francisco ultrapassava uma mera avalia\u00e7\u00e3o intelectual ou um c\u00e1lculo econ\u00f4mico, porque, para ele, qualquer criatura era uma irm\u00e3, unida a ele por la\u00e7os de carinho; por isso sentia-se chamado a cuidar de tudo o que existe\u201d (n.11). Como diz\u00edamos, Francisco punha cora\u00e7\u00e3o em todas as coisas, por isso as amava e sentia-se unido a elas como membros de uma grande fam\u00edlia terrenal e c\u00f3smica.<\/p>\n<p><strong>Em seu livro \u201cS\u00e3o Francisco de Assis \u2013 Ternura e Vigor\u201d, a hist\u00f3ria do santo \u00e9 revelada tendo cinco aspectos como pano de fundo. Quais s\u00e3o, como se relacionam? Como esses aspectos se atualizam nos dias de hoje?<\/strong><br \/>\n<strong>Leonardo Boff<\/strong> \u2013 Alguns dizem que de todos os meus livros (j\u00e1 s\u00e3o perto de cem) este \u00e9 o meu melhor. Que outros o digam, n\u00e3o eu. Mas tentei, por ocasi\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o de 800 anos de seu nascimento, destacar cinco pontos que mostrassem sua atualidade para o mundo de hoje.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 \u201ca irrup\u00e7\u00e3o da ternura e da convivialidade, como mensagem \u00e0 cultura atual\u201d. \u00c9 a tentativa de opor ao paradigma moderno, fundado no poder como domina\u00e7\u00e3o, que tantos males trouxe \u00e0s grandes maiorias, o paradigma do cuidado, da ternura, da convivialidade com todas as criaturas, n\u00e3o as dominando, mas estando ao p\u00e9 delas, como irm\u00e3o menor.<\/p>\n<p>\u201cFoi exatamente isso que fez S\u00e3o Francisco: para ele o evangelho era tudo, n\u00e3o como mero texto, mas como fonte de inspira\u00e7\u00e3o, de humaniza\u00e7\u00e3o, de espiritualiza\u00e7\u00e3o e de identifica\u00e7\u00e3o com o Jesus hist\u00f3rico\u201d<\/p>\n<p>O segundo ponto \u00e9 \u201ca op\u00e7\u00e3o pelos pobres como mensagem de S\u00e3o Francisco \u00e0 sociedade atual\u201d. Tentei assumir o prop\u00f3sito da Igreja latino-americana, expresso em Medell\u00edn e Dom Helder, que entendeu a pobreza n\u00e3o como algo natural e dado, mas como resultado de rela\u00e7\u00f5es injustas entre as pessoas e suas institui\u00e7\u00f5es. Fez-se a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, contra a pobreza e a favor da justi\u00e7a social. Desta op\u00e7\u00e3o nasceu a teologia da liberta\u00e7\u00e3o. Dom Helder sempre repetia que foi S\u00e3o Francisco o verdadeiro fundador desta teologia, porque ele n\u00e3o teve uma atitude assistencialista vivendo para os pobres. Ele mesmo se fez pobre, foi viver no meio deles como pobre e a partir deles lia toda a realidade, tamb\u00e9m a eclesial. Estimo que esta perspectiva \u00e9 extremamente atual.<\/p>\n<p>O terceiro ponto trata \u201cda liberta\u00e7\u00e3o pela bondade: uma contribui\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Francisco para uma liberta\u00e7\u00e3o integral dos oprimidos\u201d. Tento mostrar a sua estrat\u00e9gia que era de ren\u00fancia total a qualquer tipo de viol\u00eancia. Procura conversar com todos, at\u00e9 com o feroz lobo e conquistar as pessoas pela bondade na convic\u00e7\u00e3o de que dentro de cada um arde a chama divina da benqueren\u00e7a entre todas as pessoas.<br \/>\nO quarto ponto aborda \u201ccomo S\u00e3o Francisco criou nas bases da Igreja daquele tempo uma igreja popular e pobre\u201d, na qual prevaleceu a fraternidade sobre o poder, a palavra do evangelho sobre as reflex\u00f5es teol\u00f3gicas, a celebra\u00e7\u00e3o da vida sobre a celebra\u00e7\u00e3o de simples ritos e a profunda piedade pelos atos e fatos do Jesus hist\u00f3rico, seu nascimento, sua cruz, sua presen\u00e7a eucar\u00edstica.<\/p>\n<p>Por fim, como \u00faltimo ponto abordo o tema \u201cdo processo de individua\u00e7\u00e3o realizado biograficamente por S\u00e3o Francisco\u201d. Quer dizer, como ele, de tudo o que lhe acontecia, a dimens\u00e3o de sombra e a dimens\u00e3o de luz, suas decep\u00e7\u00f5es e alegrias, seu sofrimento e morte, fazia caminhos de crescimento e de total integra\u00e7\u00e3o. Desse processo que combina ternura e vigor, c\u00e9u e terra, vida e morte irrompe sua irradia\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que realizou sua humanidade de modo exemplar. Criou um humanismo terno e fraterno que vai al\u00e9m do mundo humano e que abarca toda a natureza e o pr\u00f3prio universo. Penetrou no seu Profundo radical onde se aninha Deus com sua gra\u00e7a e seu amor.<\/p>\n<p>Poder ter chegado at\u00e9 aquele ponto \u00e9 mais que esfor\u00e7o pessoal, \u00e9 principalmente dom de Deus. Francisco bem o sabia, por isso, embora para n\u00f3s seja um santo exemplar, se considerava o maior pecador do mundo, \u201cpequenino, p\u00fatrido e f\u00e9tido, mesquinho, miser\u00e1vel e vil\u201d, como diz numa de suas cartas. Ele podia dizer isso, pois n\u00e3o havia negado, mas integrado tais realidades sombrias, pr\u00f3prias de nossa condi\u00e7\u00e3o humana, numa s\u00edntese superior, repleta de luz, de enternecimento e de amoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Que humanismo Francisco inaugura e como se alinha com os princ\u00edpios crist\u00e3os?<\/strong><br \/>\n<strong>Leonardo Boff<\/strong> \u2013 Francisco se transformou num arqu\u00e9tipo, isto \u00e9, numa refer\u00eancia de valor e de ideal humano. Como tal n\u00e3o pertence mais aos franciscanos nem sequer aos crist\u00e3os. Ele pertence \u00e0 humanidade. \u00c9 uma das figuras da qual nos podemos orgulhar e dizer: est\u00e1 dentro das possibilidades humanas desentranhar um S\u00e3o Francisco escondido dentro de cada um. Essa energia amorosa e terna, escondida em n\u00f3s, nos faz mais humanos, mais compassivos, mais solid\u00e1rios e mais capazes de um amor incondicional. N\u00e3o foi isso que queria Jesus de Nazar\u00e9? Seu prop\u00f3sito n\u00e3o era criar uma nova religi\u00e3o, mas suscitar o homem e a mulher novos, feitos de amor, de compaix\u00e3o, de entrega aos outros at\u00e9 o \u00faltimo sacrif\u00edcio, sempre com total desapego, com alegre jovialidade e com jovial alegria.<\/p>\n<p><strong>Por Jo\u00e3o Vitor Santos e Patricia Fachin, em http:\/\/www.ihu.unisinos.br<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista Boff<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":220617,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[758],"tags":[871,343,1249],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>&quot;Francisco n\u00e3o pertence mais aos franciscanos&quot; - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/franciscano-nao-pertence-mais-aos-franciscanos-2.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"&quot;Francisco n\u00e3o pertence mais aos franciscanos&quot; - 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