{"id":144312,"date":"2017-10-17T12:45:52","date_gmt":"2017-10-17T14:45:52","guid":{"rendered":"http:\/\/franciscanos.org.br\/?p=144312"},"modified":"2019-04-26T10:43:07","modified_gmt":"2019-04-26T13:43:07","slug":"a-licao-que-fica-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html","title":{"rendered":"Experi\u00eancia mission\u00e1ria: A li\u00e7\u00e3o que fica da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_1.jpg\" alt=\"missao_171017_1\" width=\"830\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p>Assim como a tinta de jenipapo, que ficou impregnada por mais de duas semanas em nossos corpos, sinto que os efeitos da Miss\u00e3o na Amaz\u00f4nia ainda continuam reverberando e dando frutos, pois tudo aquilo que vivenciamos enquanto fraternidade deixou marcas profundas na alma e no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Promovida pela Confer\u00eancia dos Frades Menores do Brasil, a experi\u00eancia mission\u00e1ria na Amaz\u00f4nia aconteceu, de 12 a 26 de setembro, na Cust\u00f3dia S\u00e3o Benedito, junto aos \u00edndios Mundurukus, do Rio Cururu, no estado do Par\u00e1. Destinada aos frades de at\u00e9 dez anos de profiss\u00e3o solene, mais conhecida como <em>Under Ten<\/em>, a Miss\u00e3o contou com a participa\u00e7\u00e3o de oito frades, a saber: Freis Diego A. de Melo, Je\u00e2 Paulo Andrade, Jo\u00e3o Lopes da Silva, da Prov\u00edncia da Imaculada; Freis Irwin Couto e Jo\u00e3o Ricardo, da Prov\u00edncia da Santa Cruz: Frei Jorge Vasconcelos, da Cust\u00f3dia das Sete Alegrias; Frei Ricardo Gomes, da Prov\u00edncia de Santo Ant\u00f4nio; e Frei Crist\u00f3v\u00e3o Jackson, da Prov\u00edncia da Assun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao longo de duas semanas vivenciamos e partilhamos muitas coisas, ouvimos muitas hist\u00f3rias, experimentamos novos sabores, partilhamos novos costumes, express\u00f5es, l\u00edngua e cultura diferentes. Adaptar-se com a rede para dormir, acostumar-se a uma modesta alimenta\u00e7\u00e3o feita praticamente de peixe, suportar as 36 horas de viagem pelos rios Tapaj\u00f3s e Cururu, enfrentar os desafios e riscos de uma viagem pela Transamaz\u00f4nica e partilhar um pouco do cotidiano e do ritmo de vida dos \u00edndios foi, talvez, a grande riqueza dessa Miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, embora receoso de escrever qualquer coisa sobre os \u00edndios Mundurukus, tendo em vista o pouco tempo que ficamos entre eles, sinto-me no dever de partilhar parte \u00a0daquilo que vivenciamos, bem como algumas singelas impress\u00f5es, de modo que essa experi\u00eancia possa ser transformadora para os outros, assim como o foi para n\u00f3s. N\u00e3o se trata de uma an\u00e1lise de um antrop\u00f3logo, cientista social ou algum entendido da \u00e1rea. \u00c9, na verdade, apenas uma reflex\u00e3o baseada no desejo de descobrir as sementes do Verbo presentes em todos os lugares. Afinal, como franciscanos, sempre descobrimos a presen\u00e7a secreta e misteriosa de Deus nos mais diferentes lugares e culturas.<\/p>\n<p>Pois bem, a primeira conclus\u00e3o e aprendizado que tiro \u00e9 o conceito de civiliza\u00e7\u00e3o. Muitas vezes ouvimos express\u00f5es de que o \u00edndio n\u00e3o \u00e9 civilizado, de que, pelo fato de viverem no meio da mata e por muitas vezes n\u00e3o terem acesso ao computador, \u00e0 TV ou outras tecnologias, s\u00e3o menos civilizados do que aqueles que vivem nas cidades. Nosso etnocentrismo, branco e ocidental, julga-os como primitivos ou atrasados, colocando-os em um grau de inferioridade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_3.jpg\" alt=\"missao_171017_3\" width=\"830\" height=\"623\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-144318\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_6.jpg\" alt=\"missao_171017_6\" width=\"348\" height=\"500\" \/>Convivendo esses poucos dias com eles, fico me perguntando se n\u00e3o seria muito mais civilizado aquele que \u00e9 capaz de conviver harmonicamente com a natureza, respeitando seus ciclos e tempos, do que nossa sociedade capitalista neoliberal que s\u00f3 vive a partir da l\u00f3gica do consumo e da destrui\u00e7\u00e3o. Para o \u00edndio, n\u00e3o existe essa l\u00f3gica do ac\u00famulo, da gan\u00e2ncia e do lucro. A cada dia, eles saem para pescar e cultivar a sua pequena ro\u00e7a, pois a natureza lhes garante o necess\u00e1rio para viver. Quando um grande peixe \u00e9 pescado ou a ca\u00e7a de um grande animal \u00e9 feita, o alimento \u00e9 automaticamente partilhado com toda a aldeia. Al\u00e9m disso, seu esp\u00edrito de comunh\u00e3o os faz partilhar todas as manh\u00e3s o caf\u00e9 da manh\u00e3, quando tamb\u00e9m aproveitam a reuni\u00e3o para conversar, dialogar e tentar resolver coletivamente alguma dificuldade. Diante disso tudo, s\u00f3 posso concluir que selvagem n\u00e3o \u00e9 o \u00edndio que vive na floresta e no meio da mata, mas somos n\u00f3s, que muitas vezes vivendo em grandes cidades em um ritmo alucinante e degradante, estamos adoecendo coletivamente e destruindo nossa pr\u00f3pria casa, a m\u00e3e terra.<\/p>\n<p>Outro ponto que gostaria de destacar \u00e9 sobre a nossa consci\u00eancia moral e os nossos padr\u00f5es de comportamento ligados ao corpo, realidade essa que acredito que os \u00edndios estejam muito mais evolu\u00eddos do que n\u00f3s.<\/p>\n<p>Nossa falsa moralidade erotiza demasiadamente o corpo humano, explora e lucra com a pornografia e, ao mesmo tempo, condena o nu e suas express\u00f5es. Ser\u00e1 que n\u00f3s, brancos e &#8216;n\u00e3o ind\u00edgenas&#8217;, temos realmente uma equilibrada consci\u00eancia moral, quando um seio exposto \u00e9 sinal de vulgaridade, quando um corpo um pouco mais descoberto \u00e9 um convite ao sexo e uma justificativa para o estupro, quando \u00e9 preciso criar uma lei para que uma m\u00e3e possa amamentar seu filho publicamente? Nesses dias de miss\u00e3o, vimos muitas \u00edndias com os seios de fora, meninos e meninas nuas brincando e tomando banho no rio sem nenhum problema e com a maior naturalidade. Crian\u00e7as e jovens participando das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas com suas roupas t\u00edpicas, deixando seus corpos naturalmente expostos. Diante disso tudo, concluo que a sua maneira de ser e se relacionar ainda est\u00e1 muito mais pr\u00f3ximas da l\u00f3gica paradis\u00edaca em que o homem e a mulher, criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, andavam livremente e sem nenhuma maldade do que n\u00f3s, \u2018civilizados\u2019. Mais uma vez, nossa pretensa moralidade ainda tem muito que aprender com aqueles que julgamos &#8216;atrasados&#8217;.<\/p>\n<p>Outro aspecto que muito me marcou foi o profundo esp\u00edrito religioso dos \u00edndios Mundurukus. A sua cosmovis\u00e3o e a maneira como veem relacionadas todas as coisas criadas s\u00e3o uma verdadeira catequese para n\u00f3s. N\u00e3o obstante os equ\u00edvocos que os mission\u00e1rios possam ter cometido ao longo dos s\u00e9culos de Evangeliza\u00e7\u00e3o, que algumas vezes pode ter sido reduzida \u00e0 simples doutrina\u00e7\u00e3o, percebi que h\u00e1 uma boa integra\u00e7\u00e3o entre as suas cren\u00e7as e tradi\u00e7\u00f5es com o nosso catolicismo tradicional.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_4.jpg\" alt=\"missao_171017_4\" width=\"830\" height=\"623\" \/><\/p>\n<p>Nossos freis est\u00e3o nessa miss\u00e3o h\u00e1 106 anos. Doaram e continuam doando suas vidas pelos \u00edndios Mundurukus, que encontram na figura dos <em>Pains <\/em>(freis) um sinal da presen\u00e7a de Deus, respeito, prote\u00e7\u00e3o e defesa dos seus direitos e da sua cultura. A alegria com que nos recebiam nas aldeias \u00e9 imposs\u00edvel de ser expressa em palavras. S\u00f3 quem viu a emo\u00e7\u00e3o dos caciques, crian\u00e7as e adultos com a presen\u00e7a mission\u00e1ria pode entender essas palavras. Como nos disse um dos caciques: &#8220;A vinda de voc\u00eas \u00e0 nossa aldeia \u00e9 sinal de que Deus n\u00e3o se esqueceu de n\u00f3s\u201d. Express\u00f5es como essa serviam como for\u00e7a para continuar enfrentando as longas horas de viagem na desconfort\u00e1vel voadeira.<\/p>\n<p>Seu respeito pelas coisas sagradas \u00e9 exemplar e inspirador, pois assim como eles adentram em uma igreja com toda a rever\u00eancia, beijam a m\u00e3o do <em>Paim <\/em>pedindo a b\u00ean\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m pedem licen\u00e7a ao rio para pescarem o seu alimento e \u00e0 floresta antes de iniciar uma ca\u00e7a. Assim como fazem da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica um momento de encontro com Deus e da partilha do corpo de Cristo, tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de partilhar o alimento material que a m\u00e3e natureza lhes proporciona. Interessante tamb\u00e9m \u00e9 a sua concep\u00e7\u00e3o de pecado e as suas consequ\u00eancias. Dentro da sua cultura e tradi\u00e7\u00e3o religiosa, os grandes pecados s\u00e3o a maldade, a falta de partilha, o desrespeito pela natureza e para com a pessoa, de modo que quem morre em pecado torna-se um animal selvagem. Assim, ser pecador \u00e9 deixar de ser humano e tornar-se um animal irracional. Ser santo significa dominar a sua selvageria e tornar-se cada vez mais humano.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia deixar de mencionar que os \u00edndios, como qualquer outro grupo humano, tamb\u00e9m precisam aprimorar outros aspectos de sua cultura. Reconhecer suas grandezas n\u00e3o significa idealiz\u00e1-los cegamente como se fossem perfeitos ou imunes ao erro, mas \u00e9 sin\u00f4nimo de que podemos e devemos aprender uns com os outros e que \u00e9 preciso quebrar nossos preconceitos e barreiras.<\/p>\n<p>Diante de todo esse aprendizado e partilha, somente podemos agradecer a Deus por essa experi\u00eancia Mission\u00e1ria t\u00e3o singular e marcante em nossas vidas. De ora em diante, a Amaz\u00f4nia n\u00e3o ser\u00e1 uma realidade somente feita de \u00e1rvores e rios, pois ser\u00e1 sin\u00f4nimo de muitas vidas, hist\u00f3rias, sonhos e lutas daqueles povos ind\u00edgenas que, n\u00e3o obstante os mais de cinco s\u00e9culos de domina\u00e7\u00e3o, invas\u00e3o e deprecia\u00e7\u00e3o da sua vida e costumes, continuam resistindo com determina\u00e7\u00e3o e sagrada teimosia.<\/p>\n<p>Paz e bem.<\/p>\n<hr \/>\n<h1>\u00a0DEPOIMENTOS<\/h1>\n<p>\u201cEsses dias de Miss\u00e3o me ensinaram que devo ser mais simples. Que \u00e9 poss\u00edvel ser feliz vivendo com pouco.\u201d <strong>(Frei Ricardo Gomes)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOs \u00edndios e os Frades foram um verdadeiro exemplo de humaniza\u00e7\u00e3o.\u201d <strong>(Frei Jo\u00e3o Ricardo)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cLevo dessa experi\u00eancia o desejo de entregar-me mais. Doar-me mais pela fraternidade, pelo povo e pela miss\u00e3o.\u201d \u00a0<strong>(Frei Jorge Vasconcelos)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cConsegui reavivar a alegria gratuita pelas coisas simples e o meu esp\u00edrito l\u00fadico. Foi uma rica experi\u00eancia. Volto mais feliz.\u201d <strong>(Frei Jo\u00e3o Lopes da Silva)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA realidade ind\u00edgena tem muito a nos ensinar e esses dias foram uma oportunidade divina de alimentar o esp\u00edrito mission\u00e1rio.\u201d <strong>(Frei Irwin Couto)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, que estamos dando os primeiros passos na vida Franciscana, vivenciar tudo isso \u00e9 muito motivador.\u201d <strong>(Frei Crist\u00f3v\u00e3o Jackson)<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_5.jpg\" alt=\"missao_171017_5\" width=\"830\" height=\"623\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<h1>Cheiro de peixe<\/h1>\n<p><em>Era dia 17 de setembro de 2017, festa das Chagas de nosso Pai S\u00e3o Francisco de Assis. Est\u00e1vamos viajando de voadeira (uma esp\u00e9cie de barco a motor) h\u00e1 mais de seis horas, quando t\u00ednhamos partido da aldeia Restinga, onde hav\u00edamos celebrado batizados e primeira comunh\u00e3o de alguns jovens.<\/em><\/p>\n<p><em>Nossa previs\u00e3o de chegada \u00e0 pr\u00f3xima comunidade era para as 13hs, onde estavam todos nos aguardando para o almo\u00e7o. No entanto, tendo em vista que o Rio estava muito baixo, nosso barco teve que ir mais devagar e chegamos somente depois das 16hs.<\/em><\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-144317\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_2.jpg\" alt=\"missao_171017_2\" width=\"409\" height=\"877\" \/>No meio da grande floresta e da imensid\u00e3o de \u00e1gua, nossa fraternidade itinerante seguia sua viagem. A fome, o cansa\u00e7o, o sono, o sol e calor escaldantes me faziam refletir sobre muitas coisas. Algumas partilhadas com os confrades, outras silenciadas no cora\u00e7\u00e3o e na ora\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas o que me levou a escrever esse texto foi sobre uma brincadeira feita no barco e que talvez esteja t\u00e3o carregada de verdade e ensinamento.<\/em><\/p>\n<p><em>Pois bem, em uma das paradas ganhamos algumas bananas e um peixe assado. Partilhamos imediatamente o alimento, pois a fome j\u00e1 apertava. Embora em n\u00famero diferente, tamb\u00e9m aconteceu o mesmo milagre da partilha promovido pelos dois p\u00e3es e cinco peixes do Evangelho.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Depois de ter comido o peixe, Frei Crist\u00f3v\u00e3o comentou que mesmo tendo lavado suas m\u00e3os, elas continuavam com o cheiro forte desse alimento t\u00e3o essencial para esse povo.<\/em><\/p>\n<p><em>Diante da sua constata\u00e7\u00e3o, Frei Erlison replicou, dizendo: &#8216;Frei, lembre-se que o Papa Francisco disse que devemos ter o cheiro das ovelhas. Esse \u00e9 o cheiro das suas ovelhas daqui da Amaz\u00f4nia.&#8217;<\/em><\/p>\n<p><em>Diante disso, imediatamente cheirei meus dedos e percebi que aquele era o mesmo cheiro que havia sentido no meu primeiro dia de miss\u00e3o ao abra\u00e7ar e beijar as primeiras crian\u00e7as das aldeias.\u00a0 Confesso que ao beij\u00e1-las, aquele cheiro me pareceu estranho e, de certa forma, desagrad\u00e1vel.<\/em><\/p>\n<p><em>Naquele momento, ao cheirar meus dedos que tinham acabado de pegar o peixe, percebi que o cheiro das crian\u00e7as e dos \u00edndios era exatamente o mesmo cheiro que estavam em minhas m\u00e3os e meus dedos.<\/em><\/p>\n<p><em>Disso tudo, concluo que se n\u00e3o tivesse partilhado do alimento deles, jamais entenderia o seu cheiro, ou seja, para realmente entender as pessoas que est\u00e3o \u00e0 nossa volta \u00e9 preciso tempo, partilha, proximidade e abertura.<\/em><\/p>\n<p><em>Assim, fiquei pensando que o pedido do Papa para termos o cheiro das ovelhas \u00e9 muito mais exigente do que imaginamos. Acredito que muitas vezes n\u00e3o entendemos nossas ovelhas nem tampouco as acolhemos pelo fato de n\u00e3o estarmos pr\u00f3ximos a elas. N\u00e3o partilhamos do quotidiano de suas vidas, suas lutas e suas alegrias. Como pastores, muitas vezes estamos distantes do povo que nos \u00e9 confiado. Fechados em nossas secretarias paroquiais, nossos conventos, nossas leis, nossos programas, nossas estruturas e nossas seguran\u00e7as, vamos esquecendo o modo de vida das pessoas.<\/em><\/p>\n<p><em>No entanto, acredito que esse pedido do Papa n\u00e3o serve somente para n\u00f3s, frades ou padres, mas \u00e9 poss\u00edvel estender essa reflex\u00e3o tamb\u00e9m \u00e0queles que s\u00e3o cuidadores ou pastores de outros. Penso nos pais que no frenesi da vida se distanciaram de seus filhos. Nos professores que n\u00e3o s\u00e3o capazes de entender a realidade de onde seus alunos proveem. Nos casais que mesmo partilhando do mesmo teto e da mesma cama, vivem separados em seus cora\u00e7\u00f5es e sentimentos.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Dessa dist\u00e2ncia nasce o estranhamento, a incompreens\u00e3o, o julgamento, as exig\u00eancias inadequadas e, por fim, a falsa ideia de que nosso povo, ou seja, o outro tem um &#8216;cheiro ruim e desagrad\u00e1vel&#8217;, quando, na verdade, somos n\u00f3s que desconhecemos o verdadeiro cheiro das pessoas que nos s\u00e3o confiadas ou est\u00e3o \u00e0 nossa volta.<\/em><\/p>\n<p><em>Assim, diante desses e de tantos outros exemplos, s\u00f3 posso concluir o quanto \u00e9 necess\u00e1rio ouvirmos o apelo do Papa para termos o cheiro das ovelhas, ou seja, criarmos mais proximidade entre n\u00f3s. \u00c9 preciso diminuir as dist\u00e2ncias, aprofundar a comunica\u00e7\u00e3o, dedicar tempo e interessar-se mais pela realidade do outro. Ter cheiro das ovelhas significa construir verdadeiras rela\u00e7\u00f5es capazes de entender as inquieta\u00e7\u00f5es, ang\u00fastias, sonhos e alegrias daqueles que est\u00e3o ao nosso lado.<\/em><\/p>\n<p><em>Por fim, voltando \u00e0 grande experi\u00eancia da miss\u00e3o, espero n\u00e3o mais estranhar o cheiro das minhas m\u00e3os, pois agora entendi que era o cheiro sagrado daqueles que n\u00e3o s\u00f3 pescam o peixe, mas sabem dividi-lo com todos os que est\u00e3o \u00e0 sua volta, at\u00e9 mesmo com os &#8216;Pains&#8217; (freis), homens brancos, que n\u00e3o sabem sua l\u00edngua, n\u00e3o s\u00e3o da sua aldeia, mas que mesmo assim s\u00e3o acolhidos como sendo da sua pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><strong>Frei Diego Atalino de Melo, OFM<\/strong><\/p>\n<p><strong>frei.diego@hotmail.com<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CFMB<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":203531,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[1197],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Experi\u00eancia mission\u00e1ria: A li\u00e7\u00e3o que fica da Amaz\u00f4nia - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Experi\u00eancia mission\u00e1ria: A li\u00e7\u00e3o que fica da Amaz\u00f4nia - Not\u00edcias - Franciscanos\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"CFMB\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Not\u00edcias - Franciscanos\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-10-17T14:45:52+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2019-04-26T13:43:07+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_1.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"273\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"181\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"admin\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"admin\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"12 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/#website\",\"url\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/\",\"name\":\"Not\u00edcias - Franciscanos\",\"description\":\"Prov\u00edncia Franciscana da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o do Brasil - Ordem dos Frades Menores - OFM\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_1.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_1.jpg\",\"width\":273,\"height\":181},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html#webpage\",\"url\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html\",\"name\":\"Experi\u00eancia mission\u00e1ria: A li\u00e7\u00e3o que fica da Amaz\u00f4nia - Not\u00edcias - Franciscanos\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html#primaryimage\"},\"datePublished\":\"2017-10-17T14:45:52+00:00\",\"dateModified\":\"2019-04-26T13:43:07+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/#\/schema\/person\/b38fbf43118f02820bd932f2e4b14ad3\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Experi\u00eancia mission\u00e1ria: A li\u00e7\u00e3o que fica da Amaz\u00f4nia\"}]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/#\/schema\/person\/b38fbf43118f02820bd932f2e4b14ad3\",\"name\":\"admin\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8495742d34d0ba6448ea1c628263b3e?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8495742d34d0ba6448ea1c628263b3e?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"admin\"},\"url\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/author\/admin\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Experi\u00eancia mission\u00e1ria: A li\u00e7\u00e3o que fica da Amaz\u00f4nia - Not\u00edcias - Franciscanos","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Experi\u00eancia mission\u00e1ria: A li\u00e7\u00e3o que fica da Amaz\u00f4nia - Not\u00edcias - Franciscanos","og_description":"CFMB","og_url":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html","og_site_name":"Not\u00edcias - Franciscanos","article_published_time":"2017-10-17T14:45:52+00:00","article_modified_time":"2019-04-26T13:43:07+00:00","og_image":[{"width":273,"height":181,"url":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_1.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"admin","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"admin","Est. tempo de leitura":"12 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/#website","url":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/","name":"Not\u00edcias - Franciscanos","description":"Prov\u00edncia Franciscana da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o do Brasil - Ordem dos Frades Menores - OFM","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html#primaryimage","url":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_1.jpg","contentUrl":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/missao_171017_1.jpg","width":273,"height":181},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html#webpage","url":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html","name":"Experi\u00eancia mission\u00e1ria: A li\u00e7\u00e3o que fica da Amaz\u00f4nia - Not\u00edcias - Franciscanos","isPartOf":{"@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html#primaryimage"},"datePublished":"2017-10-17T14:45:52+00:00","dateModified":"2019-04-26T13:43:07+00:00","author":{"@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/#\/schema\/person\/b38fbf43118f02820bd932f2e4b14ad3"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/a-licao-que-fica-da-amazonia.html#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Experi\u00eancia mission\u00e1ria: A li\u00e7\u00e3o que fica da Amaz\u00f4nia"}]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/#\/schema\/person\/b38fbf43118f02820bd932f2e4b14ad3","name":"admin","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8495742d34d0ba6448ea1c628263b3e?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8495742d34d0ba6448ea1c628263b3e?s=96&d=mm&r=g","caption":"admin"},"url":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/author\/admin"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144312"}],"collection":[{"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144312\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/203531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}