{"id":127927,"date":"2017-03-15T08:32:06","date_gmt":"2017-03-15T11:32:06","guid":{"rendered":"http:\/\/franciscanos.org.br\/?p=127927"},"modified":"2019-08-06T13:21:14","modified_gmt":"2019-08-06T16:21:14","slug":"tenho-esperanca-que-se-realize-a-unidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/tenho-esperanca-que-se-realize-a-unidade.html","title":{"rendered":"Frei Michael: \u201cTenho esperan\u00e7a que se realize a unidade\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/michel.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/michel.jpg\" alt=\"michel\" width=\"830\" height=\"444\" \/><\/a>2017 \u00e9 um ano especial para os Franciscanos. Era de fato 29 de maio de 1517 quando o Papa Le\u00e3o X, depois de s\u00e9culos de controv\u00e9rsias, produziu a bula &#8220;Ite et vos in vineam meam&#8221;, com a qual\u00a0 sancionou a divis\u00e3o entre os Conventuais n\u00e3o-reformados e os Observantes. Esses \u00faltimos se tornaram a Ordem dos Frades Menores e ao superior deles, o Ministro Geral, foi devolvido o antigo selo da Ordem e foi lhe dado o direito de preced\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao superior dos Conventuais.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0Ao longo da hist\u00f3ria,\u00a0<strong><em>os franciscanos se reagrupam em tr\u00eas fam\u00edlias: os Frades Menores, os Conventuais e os Capuchinhos, unidos pela mesma Regra de S\u00e3o Francisco, mas cada um com suas pr\u00f3prias Constitui\u00e7\u00f5es, tradi\u00e7\u00f5es e caracter\u00edsticas.<\/em><\/strong><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><em>Depois de quinhentos anos, no entanto, chegou talvez o momento de voltar \u00e0s origens. &#8220;Iniciamos um caminho comum para redescobrir a essencialidade da nossa vida, da nossa identidade e da nossa miss\u00e3o. Juntamente com a Terceira Ordem Franciscana Secular, estamos nos encontrando para nos conhecer melhor uns aos outros. O ano de 2016 marcou tamb\u00e9m os 800 anos do perd\u00e3o de Assis e nele se celebrou o Jubileu da Miseric\u00f3rdia. Foi uma ocasi\u00e3o \u00fanica de nos reconciliarmos internamente em cada Ordem e, depois, entre n\u00f3s, colocando-nos juntos para superar as diferen\u00e7as que levaram \u00e0 separa\u00e7\u00e3o&#8221;. (<a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/?p=42498\">veja tamb\u00e9m<\/a>)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><em>Frei Michael Anthony Perry, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, falou de uma mudan\u00e7a de \u00e9poca com a mesma simplicidade e clareza com que guia os outros 13 mil confrades presentes em mais de 113 pa\u00edses. Tem sessenta anos mas parece 10 anos mais jovem.\u00a0 Frei Michael \u00e9 americano de terceira gera\u00e7\u00e3o: dos av\u00f3s irlandeses herdou a sociabilidade; da cultura yankee, o pragmatismo para enfrentar os problemas, sejam as lutas cotidianas dos frades ou o legado de s\u00e9culos de divis\u00e3o.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Frei Marco Tasca, Frei Michael Perry e Frei Mauro J\u00f6hri<\/em><\/p>\n<p><strong>A fam\u00edlia franciscana novamente unificada?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael Perry<\/strong> &#8211; Durante 2017 temos inten\u00e7\u00e3o de fazer uma releitura da hist\u00f3ria para imaginar um futuro diferente. No ano seguinte, ent\u00e3o, queremos come\u00e7ar algum projeto de conviv\u00eancia e de miss\u00e3o partilhada com os frades das outras Ordens. Entre as v\u00e1rias coisas, estamos trabalhando para ter uma \u00fanica Universidade Franciscana em Roma em 2018. E ainda empreender outras formas de vida em comum.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"450\" cellspacing=\"3\" cellpadding=\"3\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#CCCCCC\">\n<h4 style=\"padding-left: 10px;\"><strong>Congresso franciscano em Madrid discutir\u00e1 unidade<\/strong><\/h4>\n<p style=\"padding-left: 10px;\">Nos dias 22, 23 e 24 de maio de 2017, os Ministros Gerais Frei Marco Tasca, da Ordem dos Frades Menores Conventuais; Frei Michael Perry, da Ordem dos Frades Menores; e Frei Mauro J\u00f6hri, da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos estar\u00e3o reunidos em Madrid, tendo como ponto principal da pauta a unidade da fam\u00edlia franciscana.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 10px;\">Neste ano, comemora-se o anivers\u00e1rio da Bula &#8220;Ite Vos&#8221; (1517), com a qual sancionou a divis\u00e3o entre os Conventuais n\u00e3o-reformados e os Observantes. Jes\u00fas Torrecilla, que coordena a Comunidade acad\u00eamica da Escola Superior de Estudos Franciscanos (ESEF) de Madrid, explica que o encontro surgiu a partir de uma conversa com o Papa Francisco, que questionou os Ministros Gerais, em 4 de outubro de 2013, em Assis: &#8220;Por que voc\u00eas ainda n\u00e3o est\u00e3o unidos?&#8221;. Os organizadores salientam que o clima atual favorece o di\u00e1logo interfranciscano e que o esp\u00edrito de fam\u00edlia franciscana cria, cada vez mais, iniciativas nesse sentido do di\u00e1logo.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 10px;\">O congresso visa promover uma reflex\u00e3o espiritual da realidade de grupos franciscanos que aspiram e querem construir uma hist\u00f3ria comum, da fam\u00edlia e da humanidade. Os Ministros Gerais afirmam: \u201cQueremos ser, de modo especial, os ministros irm\u00e3os que se ajudam. Isso nos torna realmente irm\u00e3os&#8221;.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 10px;\">\u201cN\u00e3o sabemos o que se passou ao longo dos s\u00e9culos, por\u00e9m acreditamos que este evento trar\u00e1 \u00e0 tona o que temos em comum, e ser\u00e1 importante para criarmos uma perspectiva de uma caminhada comum\u201d, aposta Torrecilla.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 10px;\">Um marco nesse caminho ser\u00e1 dado no in\u00edcio de 2018, quando ter\u00e1 in\u00edcio a nova Pontif\u00edcia Universidade Franciscana, que surge a partir da uni\u00e3o dos atuais centros acad\u00eamicos franciscanos, em particular o Antonianum e o Seraphicum, com o objetivo de criar um verdadeiro polo universit\u00e1rio de alta qualidade, capaz de atrair estudantes e pesquisadores. Para os Gerais, \u201cnestes tempos de divis\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o somos chamados a fazer emergir a nossa identidade unit\u00e1ria devida ao nosso ser filhos de S\u00e3o Francisco, herdeiros de sua experi\u00eancia e intui\u00e7\u00e3o de vida evang\u00e9lica\u201d.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>O caminho para a reunifica\u00e7\u00e3o, portanto, foi iniciado&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael \u2013<\/strong> N\u00e3o chegamos ainda ao fim, mas o percurso come\u00e7ou. \u00c9 importante testemunhar o carisma franciscano na sua integridade. Naturalmente, nem todos partilham esta imposta\u00e7\u00e3o, mas os Ministros Gerais decidiram seguir o caminho do conhecimento e da reconcilia\u00e7\u00e3o no sinal da miseric\u00f3rdia. E quem sabe, no futuro, n\u00e3o se chegue a um n\u00edvel decisivo.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 esperan\u00e7oso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Tenho a mesma esperan\u00e7a que nutre a Igreja, que se realize a unidade.<\/p>\n<p><strong>Quando teve consci\u00eancia que se tornaria frade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Quando jovem tive uma vida turbulenta. Era empreendedor desde quando tinha 10 anos, com duas pessoas que trabalhavam para mim. Aos quinze anos comprei o primeiro carro. Tinha tudo aquilo que desejava, e os meus pais me sustentavam sob todos os pontos de vista, mas economicamente n\u00e3o queria nada deles porque devia fazer por mim mesmo. Depois, durante a escola secund\u00e1ria, participei de um retiro com os jovens. E assim iniciei um caminho interior que, por\u00e9m, n\u00e3o era constante. Jogava futebol e trabalhava. Quando chegou o momento de ir \u00e0 universidade para me tornar advogado, retardei os estudos para trabalhar como oper\u00e1rio em uma f\u00e1brica que constru\u00eda casas.<\/p>\n<p><strong>Mas ainda n\u00e3o tinha entendido a sua verdadeira voca\u00e7\u00e3o&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Um dia fui convidado pelos jovens metodistas a servir os pobres e os anci\u00e3os em Appalachia, na Virginia do Oeste. Ali encontrei os franciscanos que estavam a servi\u00e7o dos pobres. Durante meses que passei na sua companhia, constru\u00ed as casas para os mais necessitados. Mas \u00e0 noite lia a vida de S\u00e3o Francisco de Assis.<\/p>\n<p><strong>E assim come\u00e7ou tudo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Quando voltei para casa, dois casais identificaram em mim uma voca\u00e7\u00e3o. E me desafiaram a fazer a experi\u00eancia. Meu pai, embora estivesse convencido que sa\u00ed cedo, sempre me apoiou como toda a fam\u00edlia. Seis meses depois estava no Semin\u00e1rio da Universidade dos Franciscanos. No final de cada semestre, dizia ao diretor que ainda procuraria permanecer por mais seis meses. E hoje ainda estou aqui!.<\/p>\n<p><strong>Mas por que os Frades Menores e n\u00e3o os Metodistas, que voc\u00ea \u00a0encontrou por primeiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Metodistas, Franciscanos, pobres e leigos s\u00e3o\u00a0 os quatro elementos que me apoiaram na voca\u00e7\u00e3o. Os metodistas estavam interessados e atra\u00eddos pelo sacramento da Eucaristia. E isso foi um ponto de converg\u00eancia: Eucaristia e os pobres. Para eles, era claro o significado da pobreza, Cristo que se tornou alimento para a vida e para ajudar os pobres a descobrirem a beleza da sua dignidade. Mas quando conheci a hist\u00f3ria de S\u00e3o Francisco, me senti atra\u00eddo. E depois, em contato com os Frades Menores, descobri a sua sensibilidade para o di\u00e1logo ecum\u00eanico: n\u00e3o era alguma coisa de acad\u00eamico mas uma experi\u00eancia de cotidianidade e partilha.<\/p>\n<p><strong>Por dez anos, voc\u00ea foi mission\u00e1rio na \u00c1frica&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> A experi\u00eancia mission\u00e1ria transformou completamente a minha vida e a perspectiva sobre o mundo, a tal ponto que quando fa\u00e7o uma refei\u00e7\u00e3o, penso em quantos n\u00e3o t\u00eam o que comer. E procuro estar atento. Inicialmente estive em miss\u00e3o em Kassanji, em Angola,\u00a0 vivendo em meio a tr\u00eas tribos que falavam l\u00ednguas diferentes. Cada dia ia pelos vilarejos encontrando pessoas e participando tamb\u00e9m dos ritos de inicia\u00e7\u00e3o para compreender como as pessoas concebiam a vida e a religi\u00e3o. A miss\u00e3o era enorme, compreendia cerca de 13 mil quil\u00f4metros quadrados de terra. E isso complicava as coisas, al\u00e9m da linguagens faladas e e culturas diferentes. Dentro da miss\u00e3o estavam presentes tamb\u00e9m tr\u00eas campos militares e tr\u00eas campos de refugiados da guerra em Angola que, naqueles tempos, eram ainda terr\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>O sr. viveu situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> As pessoas que chegavam de Angola apresentavam todo tipo de trauma, das feridas do corpo aos problemas psicol\u00f3gicos. N\u00f3s, frades, particip\u00e1vamos tamb\u00e9m das atividades de um pequeno dispens\u00e1rio sob a responsabilidade de um grupo de cinco irm\u00e3s da B\u00e9lgica. Abrimos a miss\u00e3o, partilhamos o dep\u00f3sito de alimentos, colocamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o as nossas estruturas para os projetos do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os refugiados.<\/p>\n<p><strong>Aquele per\u00edodo tamb\u00e9m mudou seus h\u00e1bitos na rela\u00e7\u00e3o com a cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> A \u00faltima enc\u00edclica do Papa Francisco <em>Laudato Si&#8217;<\/em> coloca em evid\u00eancia estes temas, mas j\u00e1 faz tempo que me esfor\u00e7o diariamente para n\u00e3o desperdi\u00e7ar os recursos naturais. Quando me encontro em Roma, por exemplo, utilizo os meios p\u00fablicos e evito o autom\u00f3vel o quanto poss\u00edvel. \u00c9 uma responsabilidade que temos como disc\u00edpulos e Frades Menores.<\/p>\n<p><strong>A prop\u00f3sito de Roma. Desde que se tornou Ministro Geral, transferiu-se para a It\u00e1lia mas frequentemente viaja pelo mundo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Tenho a vantagem de viver com os frades em contextos bastante diferentes. N\u00f3s temos mais ou menos 13 mil frades em 113 pa\u00edses, sendo que o \u00faltimo em ordem cronol\u00f3gica \u00e9 o Senegal. O que vejo \u00e9 um grande empenho em cada latitude e longitude. No cora\u00e7\u00e3o dos frades noto o desejo de um encontro profundo e di\u00e1rio com Cristo. A fraternidade que vivemos representa um modelo de exist\u00eancia que se contrap\u00f5e \u00e0quele individualista e que gera divis\u00e3o. Esfor\u00e7amo-nos em mostrar a beleza da solidariedade, anunciando que Cristo est\u00e1 presente sempre e em todo lugar, n\u00e3o obstante as situa\u00e7\u00f5es de sofrimento e de guerra. Penso nos frades no Sud\u00e3o, que estabeleceram uma presen\u00e7a fraterna entre os habitantes de Giuba, uma cidade mais ou menos com a metade cat\u00f3lica. Os nossos frades s\u00e3o vizinhos aos refugiados e aos que tiveram de deixar suas casas para procurar um lugar onde possam viver.<\/p>\n<p><strong>Viajando tanto assim, encontra tempo para cultivar as amizades?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Os amigos s\u00e3o uma maravilha na minha vida. Tenho alguns aqui em Roma, na It\u00e1lia, com os quais partilho a beleza mas tamb\u00e9m o sofrimento do minist\u00e9rio. Sobretudo tenho amigos dentro da Ordem, e isso \u00e9 fundamental para mim. Penso no meu vig\u00e1rio, com o qual partilho as decis\u00f5es, mas tamb\u00e9m nos outros frades da C\u00faria com os quais me sinto \u00e0 vontade para falar.<\/p>\n<p><strong>Encontra-se tamb\u00e9m com pessoas de outras confiss\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Tenho boas rela\u00e7\u00f5es com alguns membros das outras Igrejas crist\u00e3s. E tamb\u00e9m com um querido amigo budista e dois mu\u00e7ulmanos. Gra\u00e7as ao fato de conhecer pessoas de pa\u00edses distantes, tenho a possibilidade de conhecer melhor o sofrimento destes povos. Nesse sentido, a amizade me favorece \u00a0fazer a experi\u00eancia do amor e da miseric\u00f3rdia de Deus. \u00c9 uma consci\u00eancia que me ajuda tamb\u00e9m na vida consagrada.<\/p>\n<p><strong>Na \u00c1frica ainda tem contato com algu\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Com algumas pessoas falo ao menos uma vez por semana. \u00c9 um\u00a0 v\u00ednculo profundo e sincero que nunca se quebra. E depois temos amigos na Inglaterra, onde completei os estudos para o doutorado. Sem esquecer os americanos cat\u00f3licos negros e a centena de fam\u00edlias que conheci durante os anos nos quais fui p\u00e1roco.<\/p>\n<p><strong>Frequentemente anda de bicicleta em Roma&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> \u00c9 uma paix\u00e3o. Quando n\u00e3o posso sair, treino com a bicicleta ergom\u00e9trica. Mas andar pelas ruas de Roma \u00e9 fant\u00e1stico, ainda que talvez eu seja mais perigoso aos motoristas do que eles a mim.<\/p>\n<p><strong>O sr. Gosta de m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Amo o jazz. Gosto da possibilidade de criar sempre alguma coisa de novo. Isto junta o jazz \u00e0 vida consagrada.<\/p>\n<p><strong>Por que o adjetivo &#8220;menores&#8221; no nome da Ordem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> A nossa refer\u00eancia \u00e9 Francisco de Assis, o exemplo de Cristo pobre. \u00c9 uma orienta\u00e7\u00e3o clara para a nossa identidade de frades, que deve ser enraizada em Cristo. Trata-se de uma li\u00e7\u00e3o que se \u00a0deve redescobrir continuamente. O Papa Francisco nos pede que reencontremos o significado da presen\u00e7a entre os pobres, de sermos pobres com os pobres. \u00c9 um dos desafios maiores para n\u00f3s, frades e menores. O fato que os meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o invasivos, nos coloca no risco de nos tornarmos escravos de um mundo que n\u00e3o existe, distanciados da realidade. Ouvimos as hist\u00f3rias de guerras, conhecemos o sofrimento da humanidade, vemos as faces dos povos que fogem de seus pa\u00edses. Mas tudo isso n\u00e3o basta, devemos estar em meio \u00a0a estas pessoas e viver na nossa pr\u00f3pria pele o drama que experimentam quotidianamente. Caso contr\u00e1rio, nos limitaremos a dizer belas palavras, a sermos disc\u00edpulos de Cristo e consagrados sem ader\u00eancia \u00e0 realidade.<br \/>\n<strong>Como se pode realizar este encontro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Saindo de n\u00f3s mesmos e das nossas estruturas, que nos servem mas que n\u00e3o s\u00e3o o centro. J\u00e1 propus outras vezes que inici\u00e1ssemos uma reflex\u00e3o s\u00e9ria nesta dire\u00e7\u00e3o. Talvez dev\u00eassemos sair tamb\u00e9m da atual C\u00faria Geral, constru\u00edda quando os frades no mundo eram 26 mil. Hoje, que somos a metade, \u00e9 tempo de colocar em discuss\u00e3o todas as estruturas que temos, para dar-nos a possibilidade de entrar na vida concreta das pessoas. Sobretudo daquelas mais isoladas, em todos os sentidos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>O pr\u00f3prio Papa, na <em>Evangelii Gaudium<\/em>, diz preferir &#8220;uma Igreja acidentada, ferida e suja porque saiu \u00e0s ruas, do que uma Igreja doente por estar fechada, acomodada e agarrada \u00e0s pr\u00f3prias seguran\u00e7as\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Todos n\u00f3s sabemos quais s\u00e3o os lugares\u00a0 nos quais \u00e9 maior o sofrimento dos homens, mas \u00e0s vezes temos medo de ir l\u00e1. Tamb\u00e9m a n\u00f3s, Frades Menores, amedrontam certos ambientes. Mas, no batismo,\u00a0 renunciamos ao direito de ter medo: se Cristo \u00e9 de fato o centro, ent\u00e3o somos livres para ir. Se, ao contr\u00e1rio, temos medo, e, portanto, permanecemos paralisados, significa que n\u00e3o confiamos em Cristo. Isso n\u00e3o vale s\u00f3 para os religiosos, mas para todos os crist\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>Que diferen\u00e7a h\u00e1 entre um frade ordenado sacerdote e um religioso irm\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Historicamente vivemos per\u00edodos nos quais esta divis\u00e3o foi bastante acentuada. Tamb\u00e9m nos pap\u00e9is, a diferen\u00e7a era clara e dizia respeito \u00a0at\u00e9 a quest\u00f5es ligadas \u00e0 dignidade e voca\u00e7\u00e3o. Em diversas prov\u00edncias da Ordem, havia uma separa\u00e7\u00e3o\u00a0 f\u00edsica dentro do espa\u00e7o lit\u00fargico, nos refeit\u00f3rios e nos centros de estudo. At\u00e9 mesmo eram previstos dois noviciados distintos: um para os frades que tinham inten\u00e7\u00e3o de se tornarem religiosos irm\u00e3os, e outro para aqueles que tinham disposi\u00e7\u00e3o de seguir a estrada do minist\u00e9rio sacerdotal.<\/p>\n<p><strong>Foi assim nos tempos de S\u00e3o Francisco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> N\u00e3o, no in\u00edcio este problema n\u00e3o existia. Discute-se ainda se o pr\u00f3prio Francisco foi ou n\u00e3o um sacerdote, e h\u00e1 elementos convincentes seja num sentido ou seja no outro. A quest\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 essa.<\/p>\n<p><strong>E qual \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> No curso dos s\u00e9culos, a Ordem mudou respondendo ao chamado da Igreja universal e \u00e0 necessidade da Igreja local. Tornamo-nos uma Ordem clericalizada. Disto tamb\u00e9m j\u00e1 falou o Papa Francisco: \u201c\u00c9 um dos males da Igreja, mas \u00e9 um mal c\u00famplice, porque aos padres agrada a tenta\u00e7\u00e3o de clericalizar os leigos&#8221;. N\u00e3o se pode fomentar a ideia de uma identidade superior, como se o ser sacerdote conferisse uma dignidade de outra condi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da pessoa batizada. Naturalmente, n\u00e3o devemos fazer confus\u00e3o entre os minist\u00e9rios. Mas os Frades Menores sacerdotes n\u00e3o devem crer que s\u00e3o melhores que os religiosos irm\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 um tema de grande atualidade. Como pensa que se pode p\u00f4r fim a esta \u201cvexata quaestio\u201d?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Frei Michael \u2013<\/strong> Juntamente com os Capuchinhos e os Conventuais, pedimos \u00e0 Igreja que revisse a quest\u00e3o dos Institutos mistos que se encontra no ponto 61 (*) da Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal <em>Vita Consecrata<\/em>. At\u00e9 1239, tivemos o privil\u00e9gio de n\u00e3o sermos considerados uma Ordem clerical. Depois houve uma solicita\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica da parte dos frades j\u00e1 ordenados, no tempo do Ministro Geral Elias de Cortona, e a Igreja respondeu. Desde aquele momento nos tornamos uma Ordem clericalizada. Hoje, estamos trabalhando para mudar essa postura: n\u00f3s aceitamos o chamado de Cristo de nos tornamos Frades Menores, n\u00e3o para sermos ordenados, mas para seguirmos o exemplo de S\u00e3o Francisco de Assis.<\/p>\n<p><strong>Se falta esta consci\u00eancia,\u00a0 pode haver o risco de se deixar a Ordem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Quando o n\u00facleo da nossa identidade n\u00e3o existe, \u00e9 poss\u00edvel uma crise em n\u00edvel de fraternidade. Assim, os frades deixam a Ordem e entram nas dioceses como sacerdotes. H\u00e1 cinco anos iniciamos um estudo sobre os que deixam a Ordem. Veio \u00e0 tona um problema na forma\u00e7\u00e3o inicial e permanente, cultivada num contexto que favoreceu o clericalismo. Devemos lutar contra estes comportamentos que n\u00e3o s\u00e3o evang\u00e9licos. \u00c9 necess\u00e1rio distinguir entre a identidade do clero e o clericalismo.<\/p>\n<p><strong>Portanto, dentro do povo de Deus, n\u00e3o h\u00e1 dignidade diferente entre os fi\u00e9is?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Absolutamente n\u00e3o, mas devemos nos empenhar para convencer a Igreja. E n\u00e3o falo tanto do Vaticano ou dos bispos, mas de todos os batizados. Contudo, \u00e9 isso que nos pede a <em>Evangelii Gaudium<\/em>, mas j\u00e1 antes a <em>Lumen Gentium<\/em>, a <em>Gaudium et Spes<\/em>, o decreto <em>Ad Gentes<\/em> e outros documentos do Conc\u00edlio Vaticano II. O Papa Francisco est\u00e1 abordando com decis\u00e3o os temas da dignidade, do compromisso e da essencialidade de todos os batizados. Eu aguardo o momento em que a Igreja esteja pronta a repensar o papel dos leigos: se n\u00e3o lhes pode\u00a0 consentir fazer a prega\u00e7\u00e3o, ao menos se poderia envolv\u00ea-los de uma maneira diferente no \u00e2mbito lit\u00fargico, quando a Igreja se re\u00fane para celebrar junto a morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Espero com confian\u00e7a o dia em que se poder\u00e1 partilhar a f\u00e9 na liturgia.<\/p>\n<p><strong>Portanto, os leigos s\u00e3o importantes para os Frades Menores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Para n\u00f3s, Frades Menores, mas para toda a Igreja, \u00e9 fundamental repensar o papel dos leigos. Basta pensar na Ordem Franciscana Secular: os leigos n\u00e3o s\u00e3o pessoas de &#8220;segunda classe&#8221;, mas co-mission\u00e1rios, aos quais nos liga o mesmo carisma. Nas comunidades franciscanas dos santu\u00e1rios e das par\u00f3quias devemos preparar os leigos, cuja a import\u00e2ncia \u00e9 decisiva para a Igreja. S\u00e3o Francisco costumava levar com ele tamb\u00e9m\u00a0 os leigos &#8211; homens e mulheres -, que, com a permiss\u00e3o do bispo, faziam catequese e pregavam. N\u00e3o via obst\u00e1culos em permitir a prega\u00e7\u00e3o das mulheres, que t\u00eam\u00a0 sensibilidade e perspectiva diferentes.<\/p>\n<p><strong>Quanto ao posto das mulheres na Igreja, a que ponto estamos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Tive a gra\u00e7a de trabalhar junto a tantas colaboradoras. Quando trabalhava para a Confer\u00eancia Episcopal dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, encontrei um grande n\u00famero de mulheres que n\u00e3o tinham somente uma f\u00e9 exemplar mas tamb\u00e9m compet\u00eancia especializada e um profundo senso de Igreja. As mulheres participam da miss\u00e3o evangelizadora e, para n\u00f3s, isso \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Passando para o tema das voca\u00e7\u00f5es: de quais pa\u00edses chegam mais pedidos de ingresso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> A \u00c1frica e, em particular, Madagascar. Tamb\u00e9m o Sud\u00e3o, Zimb\u00e1bue e a \u00c1frica do Sul, que \u00e9 uma grande surpresa nos \u00faltimos tempos. E agora Mo\u00e7ambique, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Rep\u00fablica do Congo, Togo e Costa do Marfim&#8230;<\/p>\n<p><strong>E a \u00c1sia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> H\u00e1 muito interesse. Na Indon\u00e9sia temos cerca de dez novi\u00e7os cada ano, na Birm\u00e2nia ao menos 15. Tamb\u00e9m em Singapura e na Mal\u00e1sia temos voca\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m no Timor Leste e na Papua-Nova Guin\u00e9. E, depois, penso na Am\u00e9rica Latina: do M\u00e9xico, em particular na regi\u00e3o Norte, chegam tantas voca\u00e7\u00f5es a cada ano. Os Ministros Provinciais confirmam o crescente envolvimento dos jovens mexicanos.<\/p>\n<p><strong>A It\u00e1lia contribui ainda para a difus\u00e3o da Ordem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> No Sul temos sempre muitas voca\u00e7\u00f5es. No Centro, \u00a0com alguma dificuldade, enquanto no Norte est\u00e3o em queda. Da Europa, contudo, chega uma contribui\u00e7\u00e3o consistente da Pol\u00f4nia. Tamb\u00e9m a Ucr\u00e2nia faz a sua parte, tanto na Igreja greco-cat\u00f3lica como na latina. Alguns sinais de esperan\u00e7a chegam da Irlanda e da Holanda.<\/p>\n<p><strong>Em uma carta endere\u00e7ada a todos os frades da Ordem, datada de 17 de dezembro de 2014, o sr. escrevia: &#8220;A C\u00faria Geral se encontra diante de graves &#8211; insisto, graves &#8211; dificuldades financeiras, com d\u00edvidas portentosas&#8221; e que &#8220;o sistema de vigil\u00e2ncia e controle financeiro da gest\u00e3o do patrim\u00f4nio da Ordem eram demasiadamente fracos quando n\u00e3o comprometidos, com a inevit\u00e1vel consequ\u00eancia da sua falta de efic\u00e1cia para a salvaguarda de uma gest\u00e3o respons\u00e1vel e transparente&#8221;. \u00c9 dif\u00edcil para um frade a gest\u00e3o do dinheiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> N\u00f3s, frades, crescemos em diversos ambientes culturais, no meio dos quais a concep\u00e7\u00e3o e o uso do dinheiro se diferenciam muito. E isso \u00e9 um problema s\u00e9rio, sendo uma Ordem internacional. H\u00e1, pois, o desafio de responder com a nossa vida ao ensinamento de S\u00e3o Francisco de Assis do Cristo pobre. \u00c9 a dimens\u00e3o do <em>sine proprio<\/em>, conduzir uma exist\u00eancia sem nada de pr\u00f3prio. O dinheiro n\u00e3o nos pertence mas isso \u00e9 dif\u00edcil de interiorizar, sobretudo diante do impacto da globaliza\u00e7\u00e3o e da cultura do desperd\u00edcio. Somos influenciados pela conflu\u00eancia das for\u00e7as que determinam a cultura dominante. Ent\u00e3o, devemos viver, repensar e redescobrir a beleza do <em>sine proprio<\/em>: as coisas n\u00e3o s\u00e3o de nossa propriedade e somos apenas gestores respons\u00e1veis. O nosso empenho \u00e9 entender como utilizar os recursos econ\u00f4micos para a miss\u00e3o da Igreja, para os pobres e os necessitados.<\/p>\n<p><strong>Viver em uma tranquilidade burguesa \u00e9, portanto, um perigo para a vida dos frades?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> \u00c9 um risco percebido pelos pr\u00f3prios frades, que coloca em crise a identidade de nossa\u00a0 voca\u00e7\u00e3o. Somos chamados a tornar concreta a miseric\u00f3rdia de Deus com atos de justi\u00e7a e caridade. Existem, pelo menos, dois rem\u00e9dios para curar esta doen\u00e7a. O primeiro \u00e9 estar com os pobres, viver entre os sofredores. Os pobres n\u00e3o s\u00e3o uma entidade abstrata mas t\u00eam um nome, proveem de uma fam\u00edlia, t\u00eam filhos, procuram a cada dia trabalhar para melhorar a qualidade de suas vidas. E n\u00f3s devemos estar ali. Se estivermos acompanhados pelos pobres, redescobriremos a beleza da voca\u00e7\u00e3o franciscana. Fraternidade para os pobres, fraternidade com os pobres, fraternidade entre os pobres.<\/p>\n<p><strong>Em que modo se pode estar junto aos pobres?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> A pobreza n\u00e3o \u00e9 algo a ser valorizado mas os pobres existem. No Evangelho de Marcos est\u00e1 escrito: &#8220;Quanto aos pobres, v\u00f3s sempre os tereis convosco&#8221;. Penso que se Jesus tivesse tido todo tempo para acrescentar alguma coisa, talvez\u00a0 teria dito: &#8220;Porque v\u00f3s n\u00e3o quereis mudar o vosso estilo de vida&#8221;. Para ser Frades Menores devemos modificar os nossos comportamentos. O Papa Francisco esta retomando as ideias do cristianismo das origens. A Igreja n\u00e3o deve ser uma presen\u00e7a forte mas, sim, humilde. E a sua conduta \u00e9 de ser exemplo para todos n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>A vida consagrada est\u00e1 em risco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> Quando se \u00e9 centrado e focado na pessoa de Cristo, ent\u00e3o o projeto de vida consagrada n\u00e3o pertence mais a n\u00f3s. Por isso, n\u00e3o se deve temer os n\u00fameros em baixa: na hist\u00f3ria do homem sempre existiram formas de vida que mostravam uma especial rela\u00e7\u00e3o com Deus dentro da sociedade. A vida consagrada n\u00e3o depende do homem, mas de Deus. Por isto, h\u00e1 esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, o sr. n\u00e3o se inquieta mesmo olhando o n\u00famero de voca\u00e7\u00f5es dos Frades Menores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei Michael &#8211;<\/strong> \u00c0s vezes me preocupo quando vejo uma fraqueza num\u00e9rica em um pa\u00eds ou em uma cidade onde estamos presentes por muito tempo e onde h\u00e1 ainda necessidade de anunciar o Evangelho. Trata-se, pois, de apreens\u00f5es circunscritas \u00e0 uma situa\u00e7\u00e3o concreta. Em oitocentos anos de vida franciscana, cometemos tantos erros: se estamos ainda aqui n\u00e3o devemos isso \u00e0s nossas decis\u00f5es, mas \u00e0 obra de Deus.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>Entrevista a Riccardo Benotti, \u201cViaggio nella vita religiosa. Interviste e incontri\u201d, Libreria Editrice Vaticana, Citt\u00e0 del Vaticano, pp. 59-71.\u00a0\u00a0 Reproduzida pela \u201cActa Ordinis\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Moacir Beggo<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">(*) <strong>61<\/strong>. Alguns Institutos religiosos, que, no projeto origin\u00e1rio do fundador, se apresentavam como fraternidades, onde todos os membros \u2014 sacerdotes e n\u00e3o sacerdotes \u2014 eram considerados iguais entre si, com o passar do tempo adquiriram uma fisionomia diversa. Importa que estes Institutos chamados \u00ab mistos \u00bb ponderem, na base de um aprofundamento do pr\u00f3prio carisma de funda\u00e7\u00e3o, se seria oportuno e poss\u00edvel voltar \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o original.<br \/>\nOs Padres sinodais formularam o voto de que, em tais Institutos, seja reconhecida a todos os religiosos igualdade de direitos e deveres, exceto os que derivam da Ordem sacra. Para examinar e resolver os problemas conexos com esta mat\u00e9ria, foi institu\u00edda uma espec\u00edfica comiss\u00e3o, cujas conclus\u00f5es conv\u00e9m esperar para se fazerem depois as op\u00e7\u00f5es convenientes segundo aquilo que for autenticamente estabelec<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OFM<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":208956,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[397],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Frei Michael: \u201cTenho esperan\u00e7a que se realize a unidade\u201d - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/tenho-esperanca-que-se-realize-a-unidade.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Frei Michael: \u201cTenho esperan\u00e7a que se realize a unidade\u201d - 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