{"id":119410,"date":"2016-10-29T11:19:38","date_gmt":"2016-10-29T13:19:38","guid":{"rendered":"http:\/\/franciscanos.org.br\/?p=119410"},"modified":"2020-06-09T14:24:11","modified_gmt":"2020-06-09T17:24:11","slug":"jesus-e-aquele-que-me-olhou-com-misericordia-e-me-salvou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/jesus-e-aquele-que-me-olhou-com-misericordia-e-me-salvou.html","title":{"rendered":"&#8220;Nas Igrejas de alguns pa\u00edses se v\u00ea que falta o frescor&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-225569 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/papa_entrevista_09.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"541\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/papa_entrevista_09.jpg 960w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/papa_entrevista_09-450x254.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/papa_entrevista_09-768x433.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/papa_entrevista_09-150x85.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/p>\n<p><strong>Cidade do Vaticano<\/strong>\u00a0 &#8211; O Papa Francisco concedeu uma entrevista sobre sua viagem apost\u00f3lica \u00e0 Su\u00e9cia, que se realizar\u00e1 de 31 deste m\u00eas a 1\u00b0 de novembro, ao sacerdote jesu\u00edta Pe. Ulf Jonsson, diretor da revista jesu\u00edta sueca \u201cSignum\u201d, junto com o diretor da revista jesu\u00edta italiana \u201cLa Civilt\u00e0 Cattolica\u201d, Pe. Antonio Spadaro.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se pode ser cat\u00f3lico e sect\u00e1rios&#8221; disse o Pont\u00edfice na entrevista concedida na v\u00e9spera da visita \u00e0 Su\u00e9cia para a comemora\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica dos 500 anos da Reforma Luterana.<\/p>\n<p>\u201cNa entrevista, o Papa falou, entre v\u00e1rios assuntos, sobre sua amizade com os luteranos desde quando era garoto e depois nos tempos de seu minist\u00e9rio episcopal. Al\u00e9m de explicar as modalidades da visita e seu significado, Francisco falou sobre o desafio espiritual para as Igrejas \u201cenvelhecidas\u201d e sobre a import\u00e2ncia da inquietude na sociedade marcada pelo bem-estar. A prop\u00f3sito do di\u00e1logo ecum\u00eanico sublinhou a import\u00e2ncia de \u201ccaminhar juntos\u201d para n\u00e3o permanecer fechados em perspectivas r\u00edgidas, porque nelas n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de reforma.<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o do Pe. Jonsson<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDurante um encontro dos diretores das revistas culturais europeias da Companhia de Jesus, na metade de junho, manifestei ao Pe. Antonio Spadaro, diretor de <em>La Civilt\u00e0 Cattolica<\/em>, um desejo que eu tinha no cora\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito tempo: entrevistar o Papa Francisco na v\u00e9spera de sua viagem apost\u00f3lica \u00e0 Su\u00e9cia, 31 de outubro de 2016, para participar da comemora\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica dos 500 anos da Reforma Luterana. Pensei que uma entrevista fosse a melhor maneira de preparar o pa\u00eds para a mensagem que o Pont\u00edfice teria endere\u00e7ado \u00e0s pessoas durante sua visita. Como diretor da revista cultural dos jesu\u00edtas suecos &#8220;Signum&#8221;, pensei que este objetivo entrasse plenamente em nossa miss\u00e3o.<\/p>\n<p>O ecumenismo, assim como o di\u00e1logo entre as religi\u00f5es e tamb\u00e9m com os n\u00e3o fi\u00e9is, est\u00e1 muito no cora\u00e7\u00e3o do Papa. Ele fez entender isso de muitas maneiras. Ele \u00e9 um homem de reconcilia\u00e7\u00e3o. Francisco est\u00e1 profundamente convencido de que os homens devem superar barreiras e cercas de qualquer tipo. Acredita no que define \u201ccultura do encontro\u201d. Isso para que todos possam colaborar para o bem comum da humanidade. Queria que esta vis\u00e3o de Francisco pudesse tocar a mente e o cora\u00e7\u00e3o de muitos antes de sua chegada \u00e0 Su\u00e9cia: a entrevista teria sido o meio melhor para alcan\u00e7ar tal objetivo. Disse isso ao Pe. Spadaro com o qual prossegui a reflex\u00e3o at\u00e9 agosto, quando juntos chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que era realmente oportuno apresentar ao Pont\u00edfice este pedido a fim de que pudesse decidir se realiz\u00e1-la ou n\u00e3o. O Papa tomou tempo para refletir sua oportunidade. No final, a resposta foi positiva e nos deu um encontro na Santa Marta na tarde do s\u00e1bado, 24 de setembro passado.<\/p>\n<p>Foi um dia realmente agrad\u00e1vel por causa da temperatura e luminosidade do c\u00e9u. Atravessando o tr\u00e2nsito de Roma de carro com Pe. Spadaro, estava ansioso, mas feliz. Chegamos a Santa Marta 15 minutos antes do previsto. Pensei que dev\u00edamos esperar e ao inv\u00e9s fomos logo convidados a subir ao andar onde o Papa tem o seus aposentos. Quando o elevador se abriu, vi um guarda-su\u00ed\u00e7o que nos saudou com cortesia. Ouvi a voz do Papa falar cordialmente com outras pessoas em espanhol, mas n\u00e3o o vi. A um certo ponto ele apareceu com duas pessoas, conversando amigavelmente. Nos saudou com um sorriso indicando-nos de entrar em seus aposentos: ele voltaria logo.<\/p>\n<p>Fiquei surpreso com esta simples e calorosa familiaridade e acolhimento. Foi-nos dito na portaria que o Papa teve um dia intenso, e eu pensei que estivesse cansado no final do dia. Ao inv\u00e9s disso, fiquei surpreso em v\u00ea-lo t\u00e3o cheio de energia e relaxado.<\/p>\n<p>O Papa entrou na sala e nos convidou a sentar onde prefer\u00edamos. Sentei-me numa poltrona e Pe. Spadaro diante de mim. O Papa se sentou no sof\u00e1 no meio das duas poltronas. Apresentei-me no meu italiano pobre, mas suficiente para entender e dialogar com simplicidade. Depois de algumas brincadeiras do Papa acendemos os gravadores e iniciamos a conversa.<\/p>\n<p>Pe. Spadaro traduziu do ingl\u00eas algumas perguntas que eu queria fazer ao Papa e que eu tinha preparado, mas depois da conversa entre n\u00f3s tr\u00eas fluiu naturalmente, numa atmosfera amig\u00e1vel e sem dist\u00e2ncias artificiais. Sobretudo porque foi claro e direto, sem rodeios e sem que a atmosfera t\u00edpica dos encontros com os grandes l\u00edderes ou pessoas a respeito. N\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida de que o Papa Francisco ama conversar, comunicar com os outros. \u00c0s vezes toma tempo para refletir antes de responder, e suas respostas sempre transmitem uma sensa\u00e7\u00e3o de envolvimento s\u00e9rio, mas n\u00e3o pesada ou triste. Na verdade, durante a nossa visita, ele deu v\u00e1rias vezes sinais de seu humorismo.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Entrevista<\/strong><\/p>\n<p><strong>Santo Padre, em 31 de outubro o senhor visitar\u00e1 Lund e Malm\u00f6 para participar da Comemora\u00e7\u00e3o Ecum\u00eanica dos 500 anos da Reforma, organizada pela Federa\u00e7\u00e3o Luterana Mundial e pelo Pontif\u00edcio Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os. Quais s\u00e3o as suas esperan\u00e7as e suas expectativas para este evento hist\u00f3rico?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDigo somente uma palavra: aproximar-se. A minha esperan\u00e7a e expectativa s\u00e3o as de me aproximar mais de meus irm\u00e3os e irm\u00e3s. A proximidade faz bem a todos. \u00a0A dist\u00e2ncia, ao inv\u00e9s, nos faz adoecer. Quando nos distanciamos, nos fechamos dentro de n\u00f3s mesmos e nos tornamos n\u00f4mades, incapazes de nos encontrar. Nos deixamos levar pelo medo. \u00c9 preciso aprender a se transcender para encontrar os outros. Se n\u00e3o o fazemos n\u00f3s crist\u00e3os nos adoecemos de divis\u00e3o. A minha expectativa \u00e9 a de conseguir fazer um passo de proximidade, de estar pr\u00f3ximo aos meus irm\u00e3os e irm\u00e3s que vivem na Su\u00e9cia.\u201d<\/p>\n<p><strong>Na Argentina, os luteranos formam uma comunidade restrita. O senhor teve modo de se encontrar com eles no passado?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSim, bastante. Lembro-me da primeira vez que fui a uma igreja luterana: foi precisamente em sua sede na Argentina, na Calle Esmeralda, Buenos Aires. Eu tinha 17 anos. Lembro-me bem daquele\u00a0 dia. Casou-se um amigo meu de trabalho, Axel Bachmann. Ele era o tio da te\u00f3loga luterana Mercedes Garcia Bachmann. E a m\u00e3e da Mercedes, Ingrid, trabalhava no laborat\u00f3rio onde eu trabalhava. Esta foi a primeira vez que participei de uma celebra\u00e7\u00e3o luterana. A segunda vez, foi uma experi\u00eancia mais forte. N\u00f3s jesu\u00edtas temos a Faculdade de Teologia em San Miguel, onde ensinei. Ali perto, a menos de 10 km de dist\u00e2ncia, havia a Faculdade de Teologia Luterana. O reitor era um h\u00fangaro, Lesk\u00f3 B\u00e9la, realmente um bom homem. Com ele tinha contatos muito cordiais. Eu era professor e tinha a c\u00e1tedra de Teologia espiritual. Convidei o professor de Teologia espiritual daquela Faculdade, um sueco, Anders Ruuth, para dar junto comigo aulas de espiritualidade. Lembro-me que aquele era um momento muito dif\u00edcil para a minha alma. Eu tinha muita confian\u00e7a nele e abri o meu cora\u00e7\u00e3o. Ele me ajudou muito naquele momento. Depois foi enviado ao Brasil, conhecia bem tamb\u00e9m o portugu\u00eas, e depois voltou para a Su\u00e9cia. Ali publicou as suas teses de habilita\u00e7\u00e3o sobre \u201cA Igreja universal do Reino de Deus\u201d, que surgiu no Brasil no final dos anos setenta. Era uma tese cr\u00edtica. Ele a escreveu em sueco, mas tinha um cap\u00edtulo em ingl\u00eas. Ele me enviou e eu li aquele cap\u00edtulo em ingl\u00eas: era uma p\u00e9rola. Depois, passou o tempo. Enquanto isso, me tornei bispo auxiliar de Buenos Aires. Um dia foi me visitar na casa episcopal o ent\u00e3o arcebispo primaz de Uppsala. O Cardeal Quarracino n\u00e3o estava. Ele me convidou para ir \u00e0 missa deles na Calle Azopardo, na Iglesia N\u00f3rdica de Buenos Aires, que antes era chamada de \u00abIgreja sueca\u00bb. A ele eu falei sobre Anders Ruuth, que depois voltou mais uma vez a Argentina para celebrar um matrim\u00f4nio. Naquela ocasi\u00e3o nos revimos, e foi a \u00faltima: um de seus dois filhos, o m\u00fasico, o outro era m\u00e9dico, um dia me telefonou para dizer que ele tinha morrido.<\/p>\n<p>Outro cap\u00edtulo da minha rela\u00e7\u00e3o com os luteranos diz respeito \u00e0 Igreja da Dinamarca. Tive um bom relacionamento com o pastor de ent\u00e3o, Albert Andersen, que agora se encontra nos Estados Unidos. Ele me convidou duas vezes para fazer uma prega\u00e7\u00e3o. A primeira era num contexto lit\u00fargico. Naquela ocasi\u00e3o foi muito delicado: para evitar recriar constrangimento acerca da participa\u00e7\u00e3o na comunh\u00e3o, naquele dia n\u00e3o celebrou a missa, mas um batizado. Sucessivamente, me convidou para fazer uma confer\u00eancia para os jovens. Lembro-me que com ele tive uma discuss\u00e3o muito forte \u00e0 dist\u00e2ncia, quando ele estava j\u00e1 nos Estados Unidos. O pastor me repreendeu muito por causa do que eu disse sobre uma lei relativa aos problemas religiosos na Argentina. Mas digo que me repreendeu com honestidade e sinceridade, como um amigo verdadeiro. Quando voltou a Buenos Aires, fui pedir-lhe desculpas porque de fato a maneira como eu me expressei naquele caso foi um pouco ofensiva. Depois, eu tive uma grande proximidade com o Pastor David Calvo, argentino, da Igreja Evang\u00e9lica Luterana Unida. Ele tamb\u00e9m era uma pessoa boa.<\/p>\n<p>Lembro-me tamb\u00e9m que para o \u201cDia da B\u00edblia\u201d que em Buenos Aires se celebrava no final de setembro, voltei \u00e0 primeira igreja em que fui quando jovem, na Calle Esmeralda. Ali eu encontrei Mercedes Garc\u00eda Bachmann. Tivemos uma conversa. Aquele foi o \u00faltimo encontro institucional que tive com os luteranos quando era arcebispo de Buenos Aires. Depois, eu continuei a me relacionar com amigos luteranos no \u00e2mbito pessoal. Mas o homem que fez muito bem \u00e0 minha vida foi Anders Ruuth: penso nele com muito afeto e reconhecimento. Quando veio me encontrar aqui a\u00a0 Arcebispa primaz da Igreja da Su\u00e9cia, falamos sobre aquela amizade entre n\u00f3s dois. Recordo-me bem quando a Arcebispa Antje Jackel\u00e9n veio aqui ao Vaticano, em maio de 2015, em visita oficial: fez um grande discurso. Eu a encontrei sucessivamente tamb\u00e9m por ocasi\u00e3o da canoniza\u00e7\u00e3o de Maria Elisabeth Hesselblad. Ent\u00e3o eu pude saudar tamb\u00e9m o marido: s\u00e3o pessoas realmente am\u00e1veis. Depois, como Papa fui pregar na Igreja Luterana de Roma. Fiquei muito impressionado com as perguntas que me foram feitas ent\u00e3o: a do menino e de uma senhora sobre a intercomunh\u00e3o. Perguntas bonitas e profundas. O pastor daquela igreja \u00e9 realmente bom!<\/p>\n<p><strong>Nos di\u00e1logos ecum\u00eanicos as diferentes comunidades deveriam tentar se enriquecer reciprocamente com o melhor de suas tradi\u00e7\u00f5es. O que a Igreja Cat\u00f3lica poderia aprender da tradi\u00e7\u00e3o luterana?<\/strong><\/p>\n<p>Penso em duas palavras: \u00abreforma\u00bb e \u00abEscritura\u00bb. Vou me explicar. A primeira \u00e9 a palavra \u00abreforma\u00bb. No in\u00edcio, o de Lutero foi um gesto de reforma num momento dif\u00edcil para a Igreja. Lutero queria curar uma situa\u00e7\u00e3o complexa. Depois, este gesto, tamb\u00e9m por causa de situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, pensemos tamb\u00e9m na <em>cuius regio eius religio<\/em>, se tornou um \u201cestado\u201d de separa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o um processo de reforma de toda a Igreja, que era fundamental, porque a Igreja \u00e9 <em>semper reformanda<\/em>. A segunda palavra \u00e9 \u201cEscritura\u201d, a Palavra de Deus. Lutero fez um grande passo para colocar a Palavra de Deus nas m\u00e3os do povo. Reforma e Escritura s\u00e3o as duas coisas fundamentais que podemos aprofundar, olhando a tradi\u00e7\u00e3o luterana. Penso nas Congrega\u00e7\u00f5es Gerais antes do Conclave e quanto o pedido de uma reforma tenha sido vivo e presente em nossas discuss\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p><strong>Somente uma vez ante do senhor, um Papa visitou a Su\u00e9cia, Joao Paulo II, em 1989. Aquele era um tempo de entusiasmo ecum\u00eanico e desejo profundo de unidade entre cat\u00f3licos e luteranos. Desde ent\u00e3o, o movimento ecum\u00eanico parece ter perdido o vigor e novos obst\u00e1culos surgiram. Como deveria ser geridos estes obst\u00e1culos? Quais s\u00e3o, a seu ver, os meios melhores para promover a unidade dos crist\u00e3os?<\/strong><\/p>\n<p>Claramente cabe aos te\u00f3logos continuar a dialogar e estudar os problemas: sobre isso n\u00e3o tenho d\u00favidas. O di\u00e1logo teol\u00f3gico deve prosseguir, porque \u00e9 um caminho a ser percorrido. Penso nos resultados que nesta estrada foram alcan\u00e7ados com o grande documento ecum\u00eanico sobre a justifica\u00e7\u00e3o: foi um grande passo positivo. Certo, depois deste passo imagino que n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil ir adiante por causa das v\u00e1rias capacidades de compreender algumas quest\u00f5es teol\u00f3gicas. Perguntei ao Patriarca Bartolomeu se era verdade aquilo que se fala do Patriarca Aten\u00e1goras, ou seja, que teria dito a Paulo VI: \u201cN\u00f3s vamos em frente e coloquemos os te\u00f3logos numa ilha para discutirem entre eles\u201d. Me disse que \u00e9 uma piada verdadeira. Mas sim, o di\u00e1logo teol\u00f3gico deve continuar, mesmo se n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Pessoalmente, acredito que se deve mover o entusiasmo para a ora\u00e7\u00e3o comum e as obras de miseric\u00f3rdia, ou seja, o trabalho feito em conjunto no sentido de ajudar os doentes, os pobres, os encarcerados. Fazer algo juntos \u00e9 uma forma elevada e eficaz de di\u00e1logo. Penso tamb\u00e9m na educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante trabalhar juntos e n\u00e3o de maneira sect\u00e1ria. Devemos ter claro um crit\u00e9rio em qualquer caso: fazer proselitismo no campo eclesial \u00e9 pecado. Bento XVI nos disse que a Igreja n\u00e3o cresce por proselitismo, mas por atra\u00e7\u00e3o. O proselitismo \u00e9 um comportamento pecaminoso. Seria como transformar a Igreja numa organiza\u00e7\u00e3o. Falar, rezar e trabalhar juntos: este \u00e9 o caminho que devemos fazer. Veja, na unidade aquele que n\u00e3o erra nunca \u00e9 o inimigo, o dem\u00f4nio. Quando os crist\u00e3os s\u00e3o perseguidos e mortos, s\u00e3o por serem crist\u00e3os e n\u00e3o porque s\u00e3o luteranos, calvinistas, anglicanos, cat\u00f3licos ou ortodoxos. Existe um ecumenismo de sangue.<\/p>\n<p>Recordo-me de um epis\u00f3dio que vivi com o p\u00e1roco da par\u00f3quia de Sankt Joseph em Wandsbek, Hamburgo. Ele levava adiante a causa dos m\u00e1rtires guilhotinados por Hitler, porque ensinavam o catecismo. Foram guilhotinados um atr\u00e1s do outro. Depois dos dois primeiros, que eram cat\u00f3licos, foi morto um pastor luterano condenado pelo mesmo motivo. O sangue dos tr\u00eas se misturou. O p\u00e1roco me disse que para ele era imposs\u00edvel continuar a causa de beatifica\u00e7\u00e3o dos dois cat\u00f3licos sem inserir o luterano; o sangue deles foi misturado! Mas lembro-me tamb\u00e9m da homilia do Papa Paulo VI em Uganda, em 1964, que mencionava juntos, unidos, os m\u00e1rtires cat\u00f3licos e anglicanos.<\/p>\n<p>Tive este pensamento quando eu tamb\u00e9m visitei Uganda. Isto acontece tamb\u00e9m em nossos dias: os ortodoxos, os m\u00e1rtires coptas mortos na L\u00edbia. \u00c9 o ecumenismo de sangue. Portanto, rezar juntos, trabalhar juntos e compreender o ecumenismo de sangue.<\/p>\n<p><strong>Uma das causas maiores de inquietude de nosso tempo \u00e9 a difus\u00e3o do terrorismo revestido de termos religiosos. O encontro de Assis acentuou tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do di\u00e1logo inter-religioso. Como o senhor viveu isso?<\/strong><\/p>\n<p>Havia todas as religi\u00f5es que t\u00eam contato com Santo Eg\u00eddio. Encontrei aqueles que Santo Eg\u00eddio contatou: eu n\u00e3o escolhi quem encontrar. Mas eram muitos, e o encontro foi muito respeitoso e sem sincretismo. Todos juntos falamos de paz e pedimos a paz. Dissemos juntos palavras fortes para a paz que as religi\u00f5es realmente querem. N\u00e3o se pode fazer guerra em nome da religi\u00e3o, de Deus: \u00e9 uma blasf\u00eamia, \u00e9 sat\u00e2nico. Hoje, recebi cerca de 400 pessoas que estavam em Nice e saudei as v\u00edtimas, os feridos, pessoas que perderam esposas ou maridos ou filhos. Aquele louco que cometeu a trag\u00e9dia, a fez pensando de fazer em nome de Deus. Pobre homem! Era um desiquilibrado! Com caridade podemos dizer que era um desiquilibrado que procurou usar uma justifica\u00e7\u00e3o em nome de Deus. Por isso, o encontro em Assis \u00e9 muito importante\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0Mas o senhor recentemente falou tamb\u00e9m de outra forma de terrorismo, o das fofocas. Em que sentido e como ele pode ser vencido?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, existe o terrorismo interno e subterr\u00e2neo que \u00e9 um v\u00edcio dif\u00edcil de extirpar. Descrevo o v\u00edcio das murmura\u00e7\u00f5es e das fofocas como uma forma de terrorismo: \u00e9 uma forma de viol\u00eancia profunda que todos temos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o na alma e que requer uma convers\u00e3o profunda. O problema desse terrorismo \u00e9 que todos podemos coloc\u00e1-lo em pr\u00e1tica. Toda pessoa \u00e9 capaz de se tornar terrorista usando simplesmente a l\u00edngua. N\u00e3o falo de brigas que se fazem abertamente, como as guerras. Falo de um terrorismo furtivo, escondido, que se faz jogando as palavras como &#8220;bombas&#8221; e que faz muito mal. A raiz desse terrorismo est\u00e1 no pecado original, e \u00e9 uma forma de crime. \u00c9 uma forma de ganhar espa\u00e7o para si destruindo o outro. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, uma profunda convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o para vencer esta tenta\u00e7\u00e3o, e \u00e9 preciso se examinar muito neste ponto de vista. A espada mata muitas pessoas, por\u00e9m mata muito mais a l\u00edngua, diz o ap\u00f3stolo Tiago no terceiro cap\u00edtulo de sua carta. A l\u00edngua \u00e9 um pequeno membro, mas pode desenvolver um fogo do mal e incendiar toda a nossa vida. A l\u00edngua pode se encher de veneno mortal. Este terrorismo \u00e9 dif\u00edcil de domar.<\/p>\n<p><strong>A religi\u00e3o pode ser uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m uma maldi\u00e7\u00e3o. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o muitas vezes trazem not\u00edcias de conflitos entre grupos religiosos no mundo. Algumas afirmam que o mundo seria mais pac\u00edfico se n\u00e3o houvesse religi\u00e3o. O que responde a esta cr\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p>As idolatrias que est\u00e3o na base de uma religi\u00e3o, n\u00e3o a religi\u00e3o! Existem idolatrias ligadas \u00e0 religi\u00e3o: a idolatria do dinheiro, das inimizades, do espa\u00e7o superior ao tempo, da concupisc\u00eancia da territorialidade do espa\u00e7o. Existe uma idolatria da conquista do espa\u00e7o, do dom\u00ednio, que ataca as religi\u00f5es como um v\u00edrus maligno. A idolatria \u00e9 uma religi\u00e3o falsa, \u00e9 uma religiosidade errada. Eu a chamo \u201cuma transcend\u00eancia imanente\u201d, ou seja, uma contradi\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s, as religi\u00f5es verdadeiras s\u00e3o o desenvolvimento da capacidade que tem um homem de se transcender rumo ao absoluto. O fen\u00f4meno religioso \u00e9 transcendente e tem a ver com a verdade, a beleza, a bondade e a unidade. Se n\u00e3o h\u00e1 esta abertura, n\u00e3o h\u00e1 transcend\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 religi\u00e3o verdadeira, existe idolatria. A abertura \u00e0 transcend\u00eancia n\u00e3o pode absolutamente ser causa de terrorismo, porque esta abertura est\u00e1 sempre unida \u00e0 busca da verdade, da beleza, da bondade e da unidade.<\/p>\n<p><strong>O senhor muitas vezes falou em termos muito claros sobre situa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel dos crist\u00e3os em algumas \u00e1reas do Oriente M\u00e9dio. Existe ainda esperan\u00e7a por um desenvolvimento mais pac\u00edfico e humano para os crist\u00e3os naquela \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que o Senhor n\u00e3o deixar\u00e1 o seu povo a si mesmo, n\u00e3o o abandonar\u00e1. Quando lemos sobres as prova\u00e7\u00f5es duras do povo de Israel na B\u00edblia fazemos mem\u00f3ria as prova\u00e7\u00f5es dos m\u00e1rtires, constatamos como o Senhor sempre veio em aux\u00edlio ao seu povo. Recordamos no Antigo Testamento a morte dos sete filhos com a sua m\u00e3e no Livro dos Macabeus ou o mart\u00edrio de Eleazar. Certamente, o mart\u00edrio \u00e9 uma das formas da vida crist\u00e3. Recordamos S\u00e3o Policarpo e a carta \u00e0 Igreja de Esmirna que nos fala sobre as circunst\u00e2ncias de sua pris\u00e3o e sua morte. Sim, neste momento o Oriente M\u00e9dio \u00e9 a terra dos m\u00e1rtires. Podemos sem d\u00favida falar de uma S\u00edria m\u00e1rtir e martirizada. Quero citar uma recorda\u00e7\u00e3o pessoa que ficou no cora\u00e7\u00e3o: em Lesbos encontrei um pai com duas crian\u00e7as. Ele me disse que era muito apaixonado por sua esposa. Ele era mu\u00e7ulmano e ela crist\u00e3. Quando chegaram os terroristas, quiseram que ela tirasse a cruz, mas ela n\u00e3o quis e eles a degolaram diante de seu marido e seus filhos. Ele me continuou dizendo: \u201cEu a amo tanto, a amo tanto\u201d. Sim, ela \u00e9 uma m\u00e1rtir, mas o crist\u00e3o sabe que existe esperan\u00e7a. O sangue dos m\u00e1rtires \u00e9 a semente dos crist\u00e3os: sabemos desde sempre.<\/p>\n<p><strong>O senhor \u00e9 o primeiro Papa n\u00e3o europeu h\u00e1 mais de 1.200 anos, e muitas vezes salientou a vida da Igreja em regi\u00f5es consideradas \u201cperif\u00e9ricas\u201d do mundo. Onde, segundo o senhor, a Igreja cat\u00f3lica ter\u00e1 as suas comunidades mais vivas nos pr\u00f3ximos 20 anos? E de que modo as Igrejas na Europa poder\u00e3o contribuir para o catolicismo do futuro?<\/strong><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma pergunta ligada ao espa\u00e7o, \u00e0 geografia. Eu tenho alergia de falar de espa\u00e7os, mas digo sempre que das periferias se veem melhor as coisas do que do centro. A vivacidade das comunidades eclesiais n\u00e3o depende do espa\u00e7o, da geografia, mas do esp\u00edrito. \u00c9 verdade que as Igrejas jovens t\u00eam um esp\u00edrito mais fresco, e do outro lado, existem as Igrejas envelhecidas, Igrejas um pouco adormecidas, que parecem ser interessadas somente em conservar o seu espa\u00e7o. Nestes casos, n\u00e3o digo que falta o esp\u00edrito: existe sim, mas est\u00e1 fechado numa estrutura, numa maneira r\u00edgida, temorosa de perder o espa\u00e7o. Nas Igrejas de alguns pa\u00edses se v\u00ea pr\u00f3prio que falta o frescor. Neste sentido, o frescor das periferias d\u00e1 mais espa\u00e7o ao esp\u00edrito. \u00c9 preciso evitar os efeitos de um mal envelhecimento das Igrejas. Faz bem reler o cap\u00edtulo terceiro do Profeta Joel, ali onde diz que os idosos ter\u00e3o sonhos e que os jovens ter\u00e3o vis\u00f5es. Nos sonhos dos idosos existe a possibilidade de que os nossos jovens tenham novas vis\u00f5es, tenham novamente um futuro. Ao inv\u00e9s, as Igrejas \u00e0s vezes s\u00e3o fechadas em programas, em programa\u00e7\u00f5es. Eu admito: sei que s\u00e3o necess\u00e1rios, mas eu fa\u00e7o muita fadiga a colocar muita esperan\u00e7a nos organogramas. O esp\u00edrito est\u00e1 pronto a impulsionar, a ir adiante. E o esp\u00edrito se encontra na capacidade de sonhar e na capacidade de profetizar. Isto para mim \u00e9 um desafio para toda a Igreja. E a uni\u00e3o entre idosos e jovens \u00e9 para mim o desafio do momento para a Igreja, o desafio para a sua capacidade de frescor. Por isso, em Crac\u00f3via durante a Jornada Mundial da Juventude, recomendei aos jovens de conversar com os av\u00f3s. A Igreja jovem rejuvenesce mais quando os jovens conversam com os idosos e quando os idosos sabem sonhar coisas grandes, porque isso faz com que os jovens profetizem. Se os jovens n\u00e3o profetizam falta respiro para a Igreja.<\/p>\n<p><strong>A sua visita \u00e0 Su\u00e9cia tocar\u00e1 um dos pa\u00edses mais secularizados no mundo. Boa parte de sua popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o acredita em Deus, e a religi\u00e3o tem um papel um pouco modesto na vida p\u00fablica e na sociedade. Segundo o Senhor, o que perde uma pessoa que n\u00e3o acredita em Deus?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata de perder alguma coisa. Trata-se de n\u00e3o desenvolver adequadamente uma capacidade de transcend\u00eancia. O caminho da transcend\u00eancia d\u00e1 lugar a Deus, e nisto s\u00e3o importantes tamb\u00e9m os pequenos passos, at\u00e9 mesmo o do ateu a ser agn\u00f3stico. O problema para mim \u00e9 quando se fecha e se considera a pr\u00f3pria vida perfeita em si mesma, portanto, fechada em si mesma, sem necessidade de uma transcend\u00eancia radical. Mas para abrir aos outros a transcend\u00eancia n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio fazer muitos discursos e palavras. Quem vive a transcend\u00eancia \u00e9 vis\u00edvel: \u00e9 um testemunho vivo. No almo\u00e7o que tive em Crac\u00f3via com alguns jovens, um deles me perguntou: \u201cO que deve dizer a um\u00a0 amigo meu que n\u00e3o acredita em Deus? Como fa\u00e7o para convert\u00ea-lo? Eu lhe respondi: \u201cA \u00faltima coisa que deve fazer \u00e9 dizer alguma coisa. Aja! Viva! Depois, vendo a sua vida, o seu testemunho, talvez o outro ir\u00e1 perguntar por que voc\u00ea vive assim. Estou convencido de que quem n\u00e3o crer ou n\u00e3o procurar Deus talvez n\u00e3o sentiu a inquietude de um testemunho. Isso est\u00e1 muito ligado ao bem-estar. A inquietude se encontra dificilmente no bem-estar. Por isso, acredito que contra o ate\u00edsmo, ou seja, contra o fechamento \u00e0 transcend\u00eancia, valem realmente, somente a ora\u00e7\u00e3o e o testemunho.\u201d<\/p>\n<p><strong>Os cat\u00f3licos na Su\u00e9cia s\u00e3o uma pequena minoria, e na maior parte composta por imigrantes de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es do mundo. O senhor se encontrar\u00e1 com alguns deles celebrando a Missa em Malm\u00f6 em 1\u00b0 de Novembro. Como v\u00ea o papel dos cat\u00f3licos numa cultura como a sueca?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cVejo uma conviv\u00eancia saud\u00e1vel, onde cada um pode viver sua f\u00e9 e expressar o seu testemunho, vivendo num esp\u00edrito aberto e ecum\u00eanico. N\u00e3o se pode ser cat\u00f3licos e sect\u00e1rios. Devemos nos esfor\u00e7ar para estar com os outros. &#8220;Cat\u00f3lico&#8221; e &#8220;sect\u00e1rio&#8221; s\u00e3o duas palavras que se contradizem. \u00c9 por isso que no in\u00edcio eu n\u00e3o previa celebrar uma missa para os cat\u00f3licos nesta viagem: Eu queria insistir num testemunho ecum\u00eanico. Depois eu refleti bem sobre o meu papel de pastor de um rebanho cat\u00f3lico que chegar\u00e1 tamb\u00e9m dos pa\u00edses vizinhos, como a Noruega e a Dinamarca. Ent\u00e3o, respondendo ao pedido fervoroso da comunidade cat\u00f3lica, decidi celebrar uma missa, aumentando a viagem de um dia. Na verdade eu queria que a missa n\u00e3o fosse celebrada no mesmo dia e n\u00e3o no mesmo lugar do encontro ecum\u00eanico para evitar confundir os planos. O encontro ecum\u00eanico deve ser preservado em seu profundo significado, segundo um esp\u00edrito de unidade, que \u00e9 o meu. Isto criou problemas de organiza\u00e7\u00e3o, eu sei, porque eu estarei na Su\u00e9cia tamb\u00e9m no Dia de Todos os Santos, que aqui em Roma \u00e9 importante. Mas, a fim de evitar mal-entendidos, eu quis que fosse assim.\u201d<\/p>\n<p><strong>O senhor \u00e9 um jesu\u00edta. Desde 1879, os jesu\u00edtas desempenharam suas atividades na Su\u00e9cia nas par\u00f3quias, com exerc\u00edcios espirituais, com a revista \u00abSignum\u00bb, e nos \u00faltimos 15 anos, gra\u00e7as ao Instituto universit\u00e1rio \u00abNewman\u00bb. Quais compromissos e quais valores deveria caracterizar o apostolado dos jesu\u00edtas hoje neste pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que a primeira tarefa dos jesu\u00edtas na Su\u00e9cia seja a de favorecer de toda forma o di\u00e1logo com aqueles que vivem na sociedade secularizada e com os n\u00e3o crentes: falar, partilhar, compreender e estar pr\u00f3ximo. Depois, claramente \u00e9 preciso favorecer o di\u00e1logo ecum\u00eanico. O modelo para os jesu\u00edtas suecos deve ser S\u00e3o Pedro Favre, que estava sempre a caminho e que foi guiado por um esp\u00edrito bom, aberto. Os jesu\u00edtas n\u00e3o t\u00eam uma estrutura quieta. \u00c9 preciso ter o cora\u00e7\u00e3o inquieto e ter estruturas, sim, mas inquietas.<\/p>\n<p><strong>Quem \u00e9 Jesus para Jorge Mario Bergoglio?<\/strong><\/p>\n<p>Jesus para mim \u00e9 Aquele que me olhou com miseric\u00f3rdia e me salvou. A minha rela\u00e7\u00e3o com Ele tem sempre este princ\u00edpio e fundamento. Jesus deu sentido \u00e0 minha vida aqui na terra, e esperan\u00e7a por uma vida futura. Com a miseric\u00f3rdia me olhou, me pegou, me colocou no caminho&#8230; E me deu uma gra\u00e7a importante: a vergonha. A minha vida espiritual est\u00e1 toda contida no cap\u00edtulo 16 de Ezequiel. Especialmente nos vers\u00edculos finais, quando o Senhor revela que iria estabelecer a sua alian\u00e7a com Israel dizendo-lhe: \u201cSaber\u00e1s que eu sou o Senhor, a fim de que te lembres e te cubras de vergonha, e na tua humilha\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o tenhas disposi\u00e7\u00e3o de falar, quando eu tiver perdoado tudo quanto fizeste\u201d. A vergonha \u00e9 positiva: nos faz agir, mas nos faz entender qual \u00e9 o nosso lugar, quem somos, impedindo todo orgulho e vaidade.<\/p>\n<p><strong>Uma palavra final, Santo Padre, sobre esta viagem \u00e0 Su\u00e9cia<\/strong><\/p>\n<p>O que me vem naturalmente para acrescentar agora \u00e9 simples: ir, caminhar juntos! N\u00e3o permanecer fechados em perspectivas r\u00edgidas, porque nelas n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de reforma.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>O Papa, Pe. Spadaro e eu passamos juntos cerca de uma hora e meia. No final, Francisco nos acompanhou at\u00e9 o elevador. Ele nos recomendou de rezar por ele. As portas se fecharam enquanto ele nos saudava com a m\u00e3o e com um sorriso radiante que nunca me esquecerei.<\/p>\n<p>Do lado de fora j\u00e1 estava escuro. A c\u00fapula de S\u00e3o Pedro, iluminada, revelava o seu esplendor enquanto entr\u00e1vamos no carro para voltar em tempo para o jantar na comunidade de La Civilt\u00e0 Cattolica.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa Francisco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":225570,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1428],"tags":[17],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>&quot;Nas Igrejas de alguns pa\u00edses se v\u00ea que falta o frescor&quot; - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/jesus-e-aquele-que-me-olhou-com-misericordia-e-me-salvou.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"&quot;Nas Igrejas de alguns pa\u00edses se v\u00ea que falta o frescor&quot; - 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