{"id":104935,"date":"2016-02-23T09:35:33","date_gmt":"2016-02-23T12:35:33","guid":{"rendered":"http:\/\/franciscanos.org.br\/?p=104935"},"modified":"2019-10-31T10:40:55","modified_gmt":"2019-10-31T13:40:55","slug":"experiencia-na-amazonia-encanta-missionarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/experiencia-na-amazonia-encanta-missionarios.html","title":{"rendered":"Experi\u00eancia na Amaz\u00f4nia encanta mission\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/a-820.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/a-820.jpg\" alt=\"a-820\" width=\"820\" height=\"439\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Frei At\u00edlio Battistuz, OFM<\/strong><\/p>\n<p>Provenientes da Argentina, Brasil, Paraguai, M\u00e9xico, Portugal e Peru, de 04 a 28 de janeiro de 2016, 25 mission\u00e1rios e mission\u00e1rias participaram de uma experi\u00eancia mission\u00e1ria na Amaz\u00f4nia. A miss\u00e3o foi realizada em <strong>Caballo Cocha<\/strong>, uma cidade de 22 mil habitantes situada \u00e0s margens de um lago marginal do baixo Amazonas peruano, regi\u00e3o de fronteira com Col\u00f4mbia e Brasil. Entre os mission\u00e1rios estavam frades, religiosas, leigos e leigas, um grupo muito diverso, n\u00e3o apenas pela proced\u00eancia e pelo estado de vida, mas tamb\u00e9m pela idade, costumes, cultura, forma\u00e7\u00e3o e trabalho profissional, bem na caminhada de f\u00e9.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 4\u00aa experi\u00eancia mission\u00e1ria promovida pelo Projeto Amaz\u00f4nia da Ordem dos Frades Menores. O primeiro objetivo desta miss\u00e3o foi oferecer a possibilidade de uma <strong>experi\u00eancia mission\u00e1ria na Amaz\u00f4nia<\/strong>, principalmente para quem n\u00e3o vive e, ou n\u00e3o conhece a Amaz\u00f4nia. \u00c9 a possibilidade de um discernimento mission\u00e1rio para quem est\u00e1 no seu tempo de forma\u00e7\u00e3o inicial e de estudos, e para quem pensa em ser mission\u00e1rio para al\u00e9m das suas fronteiras (geogr\u00e1ficas, culturais, econ\u00f4micas, sociais). N\u00e3o deixa de ser tamb\u00e9m a possibilidade de conhecer outras realidades existenciais e de f\u00e9, e de criar v\u00ednculos e la\u00e7os de comunh\u00e3o, de solidariedade e de afetividade. \u00c9 a possibilidade de conhecer a Amaz\u00f4nia, para amar e cuidar da Amaz\u00f4nia. Outro objetivo \u00e9 de <strong>fortalecer o trabalho mission\u00e1rio e pastoral<\/strong> que j\u00e1 se faz, em uma realidade bem concreta, com suas limita\u00e7\u00f5es, dificuldades e necessidades bem concretas: anunciar o Reino de Deus, levar esperan\u00e7a, animar a vida crist\u00e3 e comunit\u00e1ria, despertar novas lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o foi simples, a mesma de outras experi\u00eancias: a) um tempo de prepara\u00e7\u00e3o, com estudo, conviv\u00eancia e ora\u00e7\u00e3o; b) uma semana de miss\u00e3o urbana; c) uma semana de miss\u00e3o nos casarios ribeirinhos; d) um tempo de partilha e avalia\u00e7\u00e3o final. A miss\u00e3o propriamente dita foi de duas semanas, de 10 a 24 de janeiro, sendo uma urbana, de 10 a 17 de janeiro (domingo a domingo), e uma semana ribeirinha, de 17 a 23 de janeiro (domingo a s\u00e1bado), e a celebra\u00e7\u00e3o de encerramento no domingo, 24 de janeiro. A programa\u00e7\u00e3o foi pensada dessa maneira para todos os missioneiros terem a oportunidade de fazer as duas experi\u00eancias, uma urbana e outra ribeirinha, que s\u00e3o realidades diferentes. E tamb\u00e9m pela necessidade pastoral da par\u00f3quia, de formar Comunidades Eclesiais de Base nos bairros, bem como de animar a vida crist\u00e3 nos casarios ribeirinhos. Quando falamos de realidade urbana, estamos falando da amaz\u00f4nica, e n\u00e3o de um centro metropolitano. Com 22 mil habitantes Caballo Cocha \u00e9 o maior centro populacional do Vicariato de S\u00e3o Jos\u00e9 do Amazonas, que tem uns 150 mil quil\u00f4metros quadrados (uma vez e meia o Estado de Santa Catarina, ou o tamanho do Cear\u00e1), uma \u00e1rea extensa que faz fronteira com Equador, Col\u00f4mbia e Brasil, sem uma rodovia sequer, com mais de 3.000 km de rio e uns 600 \u201cpueblos\u201d (vilas ou casarios). As rodovias da Amaz\u00f4nia s\u00e3o os rios.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/aa-820.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/aa-820.jpg\" alt=\"aa-820\" width=\"820\" height=\"418\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os mission\u00e1rios foram divididos em grupos, ou fraternidades de 3 em 3, para fazer um trabalho comunit\u00e1rio, em equipe, mas tamb\u00e9m para fazer uma experi\u00eancia de vida fraterna, lembrando que o carisma franciscano \u00e9 evangelizar em fraternidade. As fraternidades foram bem plurais, internacionais, interculturais e mistas (frades e leigos, homens e mulheres \u2013 exatamente uma em cada fraternidade). Uma riqueza de experi\u00eancia, para conviv\u00eancia, ora\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os, trabalho mission\u00e1rio e apoiarem-se mutuamente nas necessidades, dificuldades, medos e inseguran\u00e7as. Foram formadas oito fraternidades, correspondendo ao n\u00famero de mission\u00e1ri@s. Na primeira semana cada fraternidade ficou respons\u00e1vel por um bairro, inclu\u00eddo o centro. A necessidade era maior, alguns bairros ficaram sem receber mission\u00e1rios, mas o trabalho foi organizado conforme o n\u00famero de mission\u00e1rios. Os mission\u00e1rios visitaram fam\u00edlias, fizeram encontros de estudo da b\u00edblia e \u00a0catequese, encontros com crian\u00e7as (que s\u00e3o muitas em todos os lugares), celebra\u00e7\u00f5es da Palavra, celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas (onde tinha um sacerdote e condi\u00e7\u00f5es celebrar, porque na maioria dos lugares faz anos que n\u00e3o tem missa e j\u00e1 n\u00e3o sabem o que \u00e9) e celebra\u00e7\u00f5es de batismo (onde j\u00e1 estava programado). Os encontros e celebra\u00e7\u00f5es foram em escolas, quadras de esporte, casas de fam\u00edlia, ou mesmo na rua. \u00c9 vis\u00edvel a aus\u00eancia dos jovens, pois quando terminam o ensino m\u00e9dio, com poucas exce\u00e7\u00f5es, v\u00e3o pra cidade (Iquitos ou Lima), para continuar os estudos e procurar trabalho. Aproveitando a visita \u00e0s fam\u00edlias tamb\u00e9m fizeram uma pesquisa, com um question\u00e1rio, para um diagn\u00f3stico da realidade social, econ\u00f4mica, religiosa, problemas e necessidades do bairro, bem como para identificar l\u00edderes. Alguns tamb\u00e9m tiveram a oportunidade de fazer programas de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado \u00e0 tarde foram realizados tr\u00eas encontros paroquias: um de crian\u00e7as, um de jovens e outro de adultos. Todos acontecem no mesmo hor\u00e1rio, animados pelos mission\u00e1rios conforme a prefer\u00eancia e o carisma de cada um. O encerramento da semana urbana foi com uma celebra\u00e7\u00e3o dominical em cada um cada bairro. Esta programa\u00e7\u00e3o seguiu uma metodologia e uma estrat\u00e9gia. Primeiro vem a catequese, entendida como \u00a0forma\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulos, despois a celebra\u00e7\u00e3o; e, de propor ou incentivar a realiza\u00e7\u00e3o de celebra\u00e7\u00f5es dominicais nos bairros, e mais do que isso, formar comunidades eclesiais nos bairros. \u00c9 claro que isso n\u00e3o acontece por decis\u00e3o dos mission\u00e1rios, nem por decreto, \u00e9 fruto de uma caminhada, exige forma\u00e7\u00e3o e acompanhamento, e respeitando o ritmo amaz\u00f4nico. Os mission\u00e1rios vieram para dar essa for\u00e7a. A programa\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica dos estudos b\u00edblicos e catequ\u00e9ticos foi pensada nesta perspectiva. Mas mais importante do que os temas \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o das pessoas, \u00e9 a experi\u00eancia encontros de irm\u00e3os, de reunir-se com os vizinhos, de ler e partilhar a b\u00edblia comunitariamente e fortalecer a f\u00e9. Essa foi uma das riquezas da desta semana.<\/p>\n<p>No domingo dia 17, pela manh\u00e3, enquanto cada um celebrava nos seus bairros, come\u00e7aram as chegar os animadores dos casarios, com seus botes, para buscar os mission\u00e1rios e leva-los \u00e0s suas comunidades ribeirinhas. \u00a0Alguns vieram em comitiva, para recepcionar e acompanhar os mission\u00e1rios. Onde ainda n\u00e3o tem um animador crist\u00e3o (ministro da comunidade), vieram as autoridades locais (cada casario tem sempre duas autoridades, um agente municipal, que \u00e9 o v\u00ednculo com a prefeitura, e um tenente governador, que \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o com o governo Regional; s\u00e3o eleitos pela comunidade e nomeados pela respectiva autoridade). Participaram do almo\u00e7o com os mission\u00e1rios e depois foram conduzindo os mission\u00e1rios para a nova etapa da miss\u00e3o.<\/p>\n<p>As fraternidades mission\u00e1rias foram as mesmas da primeira semana. Cada uma visitou tr\u00eas casarios, ficando dois dias em cada um: de domingo a ter\u00e7a-feira no primeiro, de ter\u00e7a a quinta no segundo e de quinta-feira a s\u00e1bado no terceiro. A primeira comunidade veio apanhar os mission\u00e1rios em Caballo Cocha, e depois cada uma os levou para a Comunidade seguinte. A \u00faltima os trouxe de volta a Caballo Cocha. O combinado foi tamb\u00e9m que cada comunidade deveria \u201cconvidar\u201d os mission\u00e1rios para a comida. Os mission\u00e1rios n\u00e3o levaram comida. A maioria ficou hospedada em escolas, que est\u00e3o livres nessa \u00e9poca do ano, por ser tempo f\u00e9rias, e tamb\u00e9m porque tem melhores estruturas, com banheiro, e algumas recolhem \u00e1gua de chuva. Em outros lugares os animadores hospedaram em suas casas. Com a experi\u00eancia da primeira semana, cada fraternidade se programou em acordo com os animadores. Todos fizeram visitas \u00e0s fam\u00edlias e a maioria realizou tr\u00eas encontros: um de apresenta\u00e7\u00e3o e programa\u00e7\u00e3o, outro de estudo b\u00edblico catequ\u00e9tico, e uma celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/b-820.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/b-820.jpg\" alt=\"b-820\" width=\"820\" height=\"400\" \/><\/a><\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Com a palavra, os mission\u00e1rios:<\/strong><\/h3>\n<p>Para sentir melhor o foi que a miss\u00e3o, ou como cada um viveu a experi\u00eancia, passo a palavra aos mission\u00e1rios. As impress\u00f5es subjetivas e as vivencias pessoais dizem mais do que os relatos descritivos. Transcrevo algumas coisas consegui anotar, muitas outras mais foram partilhadas. \u201c<em>Foi uma experi\u00eancia nova, estou feliz por estar aqui, muito contente, sinto uma satisfa\u00e7\u00e3o muito grande pelo que passei<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>N\u00f3s perguntamos aos mission\u00e1rios o que v\u00e3o levar da Amaz\u00f4nia. V\u00e3o levar riquezas incr\u00edveis.\u00a0 \u201c<em>Levo coisas muito lindas dentro de mim: a simplicidade, o calor das pessoas, a experi\u00eancia muito forte de experimentar a diversidade\u201d.<\/em> \u201c<em>Levo uma recorda\u00e7\u00e3o muito boa das crian\u00e7as: as crian\u00e7as vivem juntas, entram em todas as casas como se fosse a sua\u201d<\/em>. \u201c<em>Levo as pessoas; nos casarios n\u00e3o nos davam nada, mas se davam a si pr\u00f3prias, levo esse grupo, as alegrias, os sorrisos\u201d.<\/em> \u201c<em>Levo duas coisas: a perfeita alegria, em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o adversas a gente conseguia cultivar a paz, a amizade, a simplicidade; e a f\u00e9 desse povo, como esse povo tem f\u00e9, s\u00f3 se preocupa com o hoje, n\u00e3o pensa em acumular<\/em>\u201d. \u201c<em>Levo coisas boas: agradecimento, alegria, contempla\u00e7\u00e3o, entusiasmo, emo\u00e7\u00e3o, empatia, partilha, escuta<\/em>\u201d. \u201c<em>Levo uma experi\u00eancia muito forte, vivida na diversidade<\/em>\u201d. \u201c<em>Levo muitas experi\u00eancias para partilhar\u201d<\/em>. \u201c<em>Eu vou mais pobre, por\u00e9m, mais rico de Deus\u201d<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/d-820.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/d-820.jpg\" alt=\"d-820\" width=\"820\" height=\"345\" \/><\/a><\/p>\n<p>Para alguns, especialmente os frades, foi uma \u00f3tima oportunidade de discernimento vocacional: \u201c<em>S\u00e3o experi\u00eancias vitais pra minha voca\u00e7\u00e3o, me ajudam a discernir minha vida futura. \u00c9 dif\u00edcil pensar de outro modo, que n\u00e3o seja a miss\u00e3o\u201d<\/em>. \u201c<em>Aprendi muito, pra minha voca\u00e7\u00e3o foi fascinante\u201d<\/em>. \u201c<em>N\u00e3o vim para uma para uma vida social, mas para perguntar-me sobre minha voca\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>. Nunca \u00e9 tarde para descobrir a sua voca\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Realizei um sonho de 40 anos\u201d<\/em>. \u201c<em>Tenho mais entusiasmo do que condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, vou voltar outro janeiro, pode ser que um dia fique\u201d. <\/em>Um outro rematou: \u201c<em>o frade \u00e9 mission\u00e1rio ou n\u00e3o \u00e9 frade\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Miss\u00e3o \u00e9 sa\u00edda. \u201c<em>\u00c9 bom sair de nosso lugar. N\u00e3o vim para trazer nada, levo a experi\u00eancia de sair\u201d<\/em>. \u201c<em>Pessoalmente foi muito importante ter sa\u00eddo do meu pa\u00eds\u201d<\/em>. \u201c<em>Para mim a miss\u00e3o foi um presente, eu n\u00e3o esperava. Sair a outros lugares \u00e9 um presente, \u00e9 um dom\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Dois sentimentos foram de consenso e repetidos por in\u00fameros mission\u00e1rios, de gratid\u00e3o, e da riqueza da conviv\u00eancia fraterna, com os momentos de ora\u00e7\u00e3o. \u201c<em>Minha primeira palavra \u00e9 de agradecimento\u201d <\/em>e a \u00faltima tamb\u00e9m, porque at\u00e9 a despedida ningu\u00e9m parou de agradecer. \u201c<em>Encantou-me a fraternidade que vivemos, foi um pouco do Reino de Deus\u201d<\/em>. \u201c<em>Constru\u00edmos uma fraternidade, a fraternidade e a ora\u00e7\u00e3o em fraternidade foram os pontos altos\u201d<\/em>. \u201c<em>Sou ruim pra guardar nomes, costume guardar os nomes quando algu\u00e9m me marca, e aqui guardei o nome de todos\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Numa experi\u00eancia vivida com intensidade, muitos s\u00e3o os aprendizados: \u201c<em>A Amaz\u00f4nia come\u00e7ou a me ensinar a viver o momento presente, costumo sempre me antecipar nas coisas que tenho que fazer; descobri que vale a pena esperar\u201d. \u201cAprendi muito, a conhecer um pouco da Amaz\u00f4nia. Conhecer para amar. Foi uma grande felicidade\u201d. \u201cAprendi a ser mais contemplativa, a cada dia me surpreendia algo diferente\u201d<\/em>. \u201c<em>Marcaram-me a contempla\u00e7\u00e3o da natureza, e perceber como somos acomodados em nossa situa\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d. \u201c<em>Aprendi que \u00e9 poss\u00edvel viver com pouco e ser feliz\u201d.<\/em> \u201c<em>As minhas expectativas se concretizaram, espero que esta experi\u00eancia d\u00ea muito fruto em mim\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Nem tudo \u00e9 maravilhoso, o novo e o diferente sempre trazem inseguran\u00e7a e medo. \u201c<em>Logo no primeiro dia de viagem eu senti vontade de pedir resgate\u201d,<\/em> testemunhou uma jovem. \u201c<em>Na primeira vez que vim senti medo, mas na segunda vez j\u00e1 n\u00e3o era desconhecido; ao saber que os mission\u00e1rios s\u00e3o franciscanos, me deu mais seguran\u00e7a\u201d<\/em>. \u201c<em>Eu queria partilhar o que o povo faz, e para mim, um dos desafios foi a \u00e1gua, tomar banho no rio como o povo faz\u201d. <\/em>Tomar banho no rio, pra uns \u00e9 lazer, uma festa, mas n\u00e3o faltou quem ficou seis dias sem tomar banho. \u201c<em>Viajar naquele botezinho t\u00e3o pequeno e com tantas pessoas, parecia que ia afundar, e anoitecendo, \u00a0eu ficava bem quietinho\u201d. <\/em>Mas acima de tudo, a m\u00edstica mission\u00e1ria \u00e9 mais forte: \u201c<em>Estar no (rio) Amazonas foi um sonho que se concretizou, descobri que posso sobreviver, mas n\u00e3o foi uma aventura, vivi com muito respeito um encontro com Deus\u201d<\/em>. Ningu\u00e9m enfrentou serpentes nem jacar\u00e9s, nem situa\u00e7\u00f5es limites.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/e-820.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/e-820.jpg\" alt=\"e-820\" width=\"820\" height=\"433\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia oferece experi\u00eancias maravilhosas, a exuber\u00e2ncia e a impon\u00eancia das matas e dos rios, mas com certeza, a maior riqueza \u00e9 o seu povo. Para alguns o grande encanto foi conhecer a sua gente: \u201c<em>O povo vive como o rio, passa calmamente, \u00e9 um jeito de viver diferente do nosso\u201d<\/em>. \u201c<em>A alegria nasce do cora\u00e7\u00e3o das pessoas. Senti a capacidade de partilhar das pessoas, disfrutam do que t\u00eam, as pessoas s\u00e3o livres, e nesta liberdade s\u00e3o felizes\u201d<\/em>. \u201c<em>Vim ver como o povo encontra Deus.<\/em> <em>O povo que mora aqui tem muito a nos ensinar\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>O encontro com o povo \u00e9 tamb\u00e9m um encontro com Deus. \u201c<em>Contemplei muito, observei a beleza do Amazonas, este povo n\u00e3o est\u00e1 abandonado, Deus est\u00e1 com eles, senti sua providencia\u201d<\/em> \u201c<em>\u00c9 bom ver como as pessoas vivem a sua f\u00e9 em Deus: muitos perdem a sua casa a cada crescente, e seguem construindo a sua casa\u201d. \u201cA riqueza da simplicidade, no outro, no diferente, est\u00e1 a presen\u00e7a de Deus\u201d.<\/em> \u201c<em>O encontro com Deus n\u00e3o tem hor\u00e1rio\u201d<\/em>. \u201c<em>Uma contradi\u00e7\u00e3o: na pobreza est\u00e1 a riqueza. Eu vou e eles continuam comendo a mesma coisa. Em seu alimento a\u00ed est\u00e1 Deus\u201d<\/em>. \u201c<em>Creio que nunca tinha rezado tanto como aqui, de dia, de madrugada, mas n\u00e3o com o brevi\u00e1rio. Regresso muito feliz\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Por bem da verdade, muitas experi\u00eancias s\u00e3o dif\u00edceis de manifestar em palavras: \u201c<em>As palavras me faltam, a experi\u00eancia a gente leva no cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d. E nem todos tem facilidade para se expressarem: \u201c<em>\u00c9 dif\u00edcil falar, a simplicidade e a contempla\u00e7\u00e3o mexeram comigo\u201d.<\/em><\/p>\n<h3><strong>Impress\u00f5es pessoais:<\/strong><\/h3>\n<p>Eu tamb\u00e9m quero expressar minhas impress\u00f5es pessoais. Algumas coisas me surpreenderam, outras me marcaram fortemente.<\/p>\n<p>&#8211; A capacidade dos mission\u00e1rios de acomodarem-se \u00e0 realidade e a cada situa\u00e7\u00e3o, muitas vezes desconfort\u00e1vel. Eu estava preocupado com as condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e sem conforto de hospedagem e com o impacto que poderia provocar no \u00e2nimo dos mission\u00e1rios. As casas s\u00e3o de adobe, j\u00e1 centen\u00e1rias e condenadas \u00e0 demoli\u00e7\u00e3o. Elas \u201ctem passado, mas j\u00e1 n\u00e3o tem futuro\u201d, sintetizou um. Por melhor que quis\u00e9ssemos oferecer, \u00e9 o que a par\u00f3quia tem para oferecer. Nem a casa, nem a cama, nem o calor, nem os mosquitos, nada disso diminuiu o entusiasmo, a alegria, nem o esp\u00edrito comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8211; Respeito diante da realidade. Para a grande maioria dos mission\u00e1rios a Amaz\u00f4nia \u00e9 novidade, \u00e9 diferente, \u00e9 ex\u00f3tica. \u00c9 sempre grande a tenta\u00e7\u00e3o da arrog\u00e2ncia de ser dono da verdade, de criticar, de condenar, julgar tudo a partir da nossa cosmovis\u00e3o e dos nossos referenciais e nos considerarmos melhores, mais desenvolvidos. N\u00e3o percebi nada disso, pelo contr\u00e1rio, foi impressionante a atitude de respeito, de sacralidade e de rever\u00eancia. At\u00e9 mesmo na hora de avaliar, de fazer cr\u00edticas, de dar sugest\u00f5es, principalmente no que se referre \u00e0 Igreja, a atitude foi sempre de simpatia, de servi\u00e7o, de colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para ter essa atitude a motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Com que motiva\u00e7\u00e3o vieram os mission\u00e1rios? Eis algumas das motiva\u00e7\u00f5es: <em>conhecer a Amaz\u00f4nia; tocar a grandiosidade da Amaz\u00f4nia; sair e descobrir em outros lugares a presen\u00e7a de Deus; partilhar o tempo com outras culturas; fazer a experi\u00eancia de viver com, de olhar al\u00e9m, ser presen\u00e7a e n\u00e3o quere converter ningu\u00e9m; ter encontro com Cristo a partir de outra realidade; encontrar irm\u00e3os.<\/em> Essas atitudes s\u00e3o fundamentais para permitir a a\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito santo. N\u00e3o senti nos mission\u00e1rios \u201cesp\u00edrito de turista\u201d, nem de aventura, ningu\u00e9m veio para passear, ou simplesmente para conhecer, mas para fazer miss\u00e3o, dispostos a encarnar-se na realidade local, vivenciar uma experi\u00eancia s\u00e9ria e em profundidade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/f-820.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/f-820.jpg\" alt=\"f-820\" width=\"820\" height=\"345\" \/><\/a><\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o sou de emocionar-me facilmente, mas dois momentos em particular me emocionaram muito. O primeiro foi no encontro de adultos, com o objetivo de fazer um encontro paroquial das pessoas que participaram dos estudos b\u00edblicos ao longo da semana, e com elas refletir sobre o encontro com Jesus e o discipulado. Foi emocionante ver a presen\u00e7a de pessoas que n\u00e3o tem o h\u00e1bito de participar, dos bairros mais perif\u00e9ricos e pobres, e n\u00e3o s\u00f3 isso, pessoas que nem sequer tem b\u00edblia, partilhando a Palavra de Deus, e falando em p\u00fablico. O outro momento foi depois do encerramento, na avalia\u00e7\u00e3o e partilha entre os mission\u00e1rios. Em grupos os mission\u00e1rios avaliaram o trabalho, mas tamb\u00e9m partilharam as suas experi\u00eancias. Eu circulei pelos grupos para sentir o conjunto. Ouvi testemunhos impressionantes, que n\u00e3o apareceram no plen\u00e1rio, nem nos relat\u00f3rios, que me emocionaram muito (nesse momento eu n\u00e3o estava com o caderno para anotar), e que mostram a intensidade e o esp\u00edrito com que os mission\u00e1rios viveram a miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Tenho a impress\u00e3o que recuperamos alguns anos de aus\u00eancia da Igreja. Para entender isto, \u00e9 preciso fazer um resgate da hist\u00f3ria. Caballo Cocha teve a presen\u00e7a de um mission\u00e1rio canadense, Pe. Real, que esteve durante 38 anos na par\u00f3quia, at\u00e9 sua morte em 2003. Depois dele a presen\u00e7a de padres foi de maneira tempor\u00e1ria. O que ficou mais tempo ficou um ano e meio, alguns ficaram poucos meses. A maior parte do tempo ficou sem padre, recebendo visitas de padres ocasionalmente para celebrar sacramentos. Quem garantiu a \u201cpresen\u00e7a\u201d da Igreja nesses anos todos, foram as Irm\u00e3s Franciscanas de Jesus Crucificado, que dentro de suas limita\u00e7\u00f5es, fizeram o poss\u00edvel, atenderam o centro, e criaram centros de catequese nos bairros. N\u00f3s chegamos em junho de 2015, em dois frades, tempo ainda insuficiente para conhecer a realidade e ganhar a confian\u00e7a. Ainda n\u00e3o conseguimos chegar a todas as comunidades. Alguns nos veem como \u201c<em>prestaditos<\/em>\u201d (emprestados). Algumas comunidades ficaram anos sem receber visita de um mission\u00e1rio. Nos lugares onde os \u201canimadores\u201d perseveram, conseguiram manter fiel a comunidade cat\u00f3lica. Em outros lugares o pessoal migrou para igrejas evang\u00e9licas, para ao menos ter a oportunidade de ouvir a Palavra de Deus. Estamos tentando resgatar antigos animadores e descobrir novos. Em uma semana oito bairros viveram uma experi\u00eancia intensiva de proximidade com a Igreja. E na semana seguinte foram visitadas 24 comunidades ribeirinhas, com a presen\u00e7a de tr\u00eas mission\u00e1rios durante dois dias em cada uma. Os mission\u00e1rios nos deixaram uma lista com 25 nomes, homens e mulheres, alguns s\u00e3o casais, de poss\u00edveis animadores, dos casarios e dos bairros. Sem contar que muitos se animaram a reconstruir, ou a construir a sua capela. Uma grande b\u00ean\u00e7\u00e3o. Um pentecostes!<\/p>\n<p>&#8211; O esp\u00edrito de partilha da par\u00f3quia. Um projeto mission\u00e1rio como esses tem o seu custo. Cada mission\u00e1rio assumiu sua pr\u00f3pria viagem. N\u00f3s (Projeto Amaz\u00f4nia) assumimos as viagens e transporte local (as passagens de barco e a gasolina para os deslocamentos em bote), e solicitamos da par\u00f3quia, al\u00e9m da hospedagem, a alimenta\u00e7\u00e3o para os mission\u00e1rios. Foi uma multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es. Algu\u00e9m doou todo o arroz, uma padaria todo o p\u00e3o, outros uma cesta b\u00e1sica e ofertas diversas em v\u00edveres ou em esp\u00e9cie chegavam a cada dia. Alguns ofereceram uma refei\u00e7\u00e3o, uma comida t\u00edpica e vieram preparar. O que faltou foi completado pelas ofertas da coleta dominical. N\u00e3o faltou a contribui\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios mission\u00e1rios: uma vez os mexicanos fizeram uma comida t\u00edpica mexicana, outra vez os argentinos, e os brasileiros tamb\u00e9m se animaram. Uma mission\u00e1ria testemunhou: \u201c<em>vivi a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es a cada dia, a irm\u00e3 estava preocupada e as coisas chegavam<\/em>\u201d. A confian\u00e7a na provid\u00eancia e a partilha fazem parte do evangelho.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/c-820.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/c-820.jpg\" alt=\"c-820\" width=\"820\" height=\"436\" \/><\/a><\/p>\n<p>&#8211; A fidelidade e confian\u00e7a dos animadores. Muitas comunidades perseveram pela dedica\u00e7\u00e3o e fidelidade dos animadores, mesmo com pouco apoio, e apenas dois encontros de forma\u00e7\u00e3o por ano. As miss\u00f5es nos casarios foram organizadas e programadas com eles, e onde n\u00e3o tem animadores, com as autoridades locais. O combinado, como j\u00e1 disse, foi que eles iriam transportar os mission\u00e1rios com seus botes e motores, para todos os lugares, e iriam oferecer a comida. N\u00f3s entramos com o combust\u00edvel. Isso pode ser normal em outros lugares, mas aqui nesta regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia n\u00e3o. O conceito que se tem \u00e9 que os mission\u00e1rios tem tudo, tem comida, tem dinheiro, constroem igrejas e n\u00e3o precisam de nada. Estamos tentando mostrar j\u00e1 foi assim, mas hoje n\u00e3o \u00e9 mais. Os cat\u00f3licos mesmos \u00e9 que devem colaborar e manter a sua comunidade. Nesse sentido Caballo Cocha j\u00e1 tem uma caminhada, porque em 2010 em uma tempestade o vento arrancou o telhado, e depois a chuva acabou com o que restou (as paredes eram de adobe e foram se derretendo). As miss\u00f5es foram uma prova de fogo e, funcionou, tanto o transporte como a alimenta\u00e7\u00e3o. Obrigado aos mission\u00e1rios por terem se submetido a isso. \u00c9 preciso confiar, porque o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o deixa desprovida a sua Igreja!<\/p>\n<h3><strong>As boas not\u00edcias continuam<\/strong><\/h3>\n<p>&#8211; N\u00e3o podemos deixar de partilhar: no mesmo dia que viajaram os mission\u00e1rios, chegou a primeira parte do material para a constru\u00e7\u00e3o de uma casa nova para as irm\u00e3s. Alguns mission\u00e1rios, que viajaram um dia depois, ainda ajudaram descarregar. Poderia ter chegado alguns dias antes, mas a casa estava ocupada, e n\u00e3o teria onde guardar. A decis\u00e3o de construir primeiro a casa das \u201chermanas\u201d, depois a dos \u201chermanos\u201d foi tomada na visita pastoral do bispo. Para uma j\u00e1 tem grande parte dos recursos, para a outra ainda tem que esperar e procurar aliados e apoiadores. A not\u00edcia de que o Conselho Econ\u00f4mico tinha aprovado iniciar a constru\u00e7\u00e3o, mesmo sem ter todo o or\u00e7amento necess\u00e1rio, chegou com os mission\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8211; Por que n\u00e3o visitaram nosso \u201cpueblo\u201d? Quando se descarregava o material, um mission\u00e1rio me falou: \u201cest\u00e3o te procurando, \u00e9 algo voc\u00ea vai gostar!\u201d. Eram as autoridades de um casario. Apresentaram-se e foram explicando o motivo da visita: <em>\u201cSoubemos que na semana passada uns mission\u00e1rios estiveram visitando as comunidades, estiveram bem pertos, nas duas comunidades vizinhas, pra cima (rio acima) e pra baixo (rio abaixo), ficamos esperando e n\u00e3o nos visitaram<\/em>.<em> Por que n\u00e3o visitaram nosso \u2018pueblo\u2019\u201d<\/em>?\u00a0 Agradeci a visita, tive que explicar e desculpar-me. Esta comunidade n\u00e3o estava na minha lista, estamos conhecendo a par\u00f3quia e ainda n\u00e3o temos uma rela\u00e7\u00e3o total das Comunidades, nem dos animadores. Al\u00e9m disso, t\u00ednhamos tomado a decis\u00e3o, para evitar situa\u00e7\u00f5es constrangedoras, de n\u00e3o enviar mission\u00e1rio a nenhum lugar onde ainda n\u00e3o estivemos e n\u00e3o conhecemos. A tarefa de abrir caminhos \u00e9 nossa, e n\u00e3o dos que vem de fora para colaborar. Essa n\u00e3o seria uma situa\u00e7\u00e3o constrangedora, teria sido uma alegria: \u201c<em>Temos animador, nos reunimos aos domingos, e queremos construir uma capela\u201d. \u201cQueremos fazer isso antes de terminar nosso mandato\u201d<\/em>, completaram<em>.<\/em> De fato foi uma alegria! Cobran\u00e7as assim podem vir outras. Na rua tamb\u00e9m j\u00e1 fui cobrado, como quando algu\u00e9m me abordou, dizendo: <em>\u201cvoc\u00ea prometeu nos visitar e ainda n\u00e3o foi, estamos esperando\u201d<\/em>. A Igreja continua viva, a messe \u00e9 grande e os trabalhadores s\u00e3o poucos.<\/p>\n<h3><strong>Uma Igreja fr\u00e1gil, mas viva<\/strong><\/h3>\n<p>Em muitas ocasi\u00f5es tive a sensa\u00e7\u00e3o de estar em uma Igreja em ru\u00ednas, a mesma experi\u00eancia de S\u00e3o Francisco de Assis: onde tinha animador, j\u00e1 n\u00e3o tem; onde tinha catequistas, j\u00e1 n\u00e3o tem; onde tinha igreja (capela), j\u00e1 n\u00e3o tem, ou porque apodreceu, ou porque o rio levou; onde tinha celebra\u00e7\u00e3o dominical, j\u00e1 n\u00e3o tem; onde tinha mission\u00e1rios que visitavam, davam forma\u00e7\u00e3o e animavam as comunidades, j\u00e1 n\u00e3o tem. Falo isso n\u00e3o s\u00f3 da par\u00f3quia, pelos motivos que j\u00e1 expliquei, mas tamb\u00e9m de outros lugares da Amaz\u00f4nia que j\u00e1 visitei. Para ter uma ideia, as par\u00f3quias vizinhas, as duas descendo o rio, e as duas subindo, est\u00e3o sem padre. Isso por v\u00e1rios motivos, um deles \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o de mission\u00e1rios, pelo menos o modelo de mission\u00e1rios que se conheceu no passado. E outro motivo \u00e9 a pouca confian\u00e7a na gente do lugar, seja como padres ou como leigos. O Vicariato mesmo, com mais de 60 anos de presen\u00e7a mission\u00e1ria, s\u00f3 tem dois padres naturais da Amaz\u00f4nia. Alguma coisa est\u00e1 mudando, porque tem nove candidatos ao sacerd\u00f3cio (seminaristas).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/g-820.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/g-820.jpg\" alt=\"g-820\" width=\"820\" height=\"429\" \/><\/a><\/p>\n<p>Mas \u00e9 sobre isso que quero refletir, porque as percep\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes. Nesse contexto \u00e9 animador a an\u00e1lise e testemunho de um mission\u00e1rio (um frei): \u201c<em>senti-me missionando numa Igreja viva, fr\u00e1gil, mas viva, uma Igreja que est\u00e1 a caminho\u201d. <\/em>E continuou, \u201c<em>h\u00e1 uma sintonia entre os freis e as irm\u00e3s\u201d. <\/em>E acrescentou: \u201c<em>o que fizemos vai ficar como ajuda\u201d.<\/em> \u201c<em>Espero que n\u00e3o se apague a chama nesta cidade\u201d<\/em>, concluiu.\u00a0 Outro frei confirmou: \u201c<em>esse tipo de Igreja me encanta, fr\u00e1gil, mas viva\u201d<\/em>. Mesmo entre ruinas, por entre as cinzas, as brasas continuam vivas.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o geral, que tive nessa miss\u00e3o, foi de pequenez, a mesma que senti no dia da ordena\u00e7\u00e3o. As circunst\u00e2ncias da vida e a provid\u00eancia divina nos colocaram nesse lugar, um rinc\u00e3o da Amaz\u00f4nia, fronteira de tr\u00eas pa\u00edses, com uma presen\u00e7a tri centen\u00e1ria de mission\u00e1rios e da Igreja, mas uma hist\u00f3ria de muita dor e muito sofrimento, principalmente das popula\u00e7\u00f5es nativas, de muita morte e destrui\u00e7\u00e3o fruto da explora\u00e7\u00e3o e da injusti\u00e7a, uma experi\u00eancia de uma Igreja em ruinas para ser reconstru\u00edda. Uma tarefa muito grande, que \u00e9 imposs\u00edvel realizar sozinho, mesmo em fraternidade, s\u00f3 mesmo com muita confian\u00e7a, solidariedade, e a gra\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p>Quero terminar com as palavras da Irm\u00e3 Martha: \u201c<em>Este projeto \u00e9 obra de Deus, e se \u00e9 obra de Deus vai em frente. Deus est\u00e1 presente, a comida n\u00e3o acabou. Estou muito agradecida, Caballo Cocha e a par\u00f3quia foram muito aben\u00e7oadas por voc\u00eas, a miss\u00e3o transforma, e os que est\u00e3o procurando a sua voca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o demorem muito\u201d.<\/em><\/p>\n<p>fratilio@yahoo.com.br<\/p>\n<p><img class=\"ngg_displayed_gallery mceItem\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/index.php\/nextgen-attach_to_post\/preview\/id--104945\" alt=\"\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miss\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":213191,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Experi\u00eancia na Amaz\u00f4nia encanta mission\u00e1rios - Not\u00edcias - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/experiencia-na-amazonia-encanta-missionarios.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Experi\u00eancia na Amaz\u00f4nia encanta mission\u00e1rios - 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