Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Jovens falam da experiência missionária no Rio de Janeiro

20/07/2019

Notícias

Rio de Janeiro (RJ) – Terminou neste sábado à noite a experiência missionária que levou, durante dois dias, os 600 jovens franciscanos para as oito Paróquias da Província da Imaculada Conceição e uma Paróquia diocesana. Foram dias intensos, onde os jovens puderam conhecer outra realidade daquela onde vivem. Aprenderam o real significado de palavras como fraternidade, partilha, respeito e diálogo. Viveram cinco dias de emoções e reflexões.

Antes de saírem da Catedral, Frei Diego Melo, coordenador das Missões, já alertava que o desafio nesses dias seria bem maior. Uma coisa era transitar no  grupo de 600 jovens e outra era fazer parte de um grupo pequeno, onde o protagonismo seria dos jovens. Mas pelos depoimentos abaixo, eles se lançaram com o coração e fé nesta experiência para marcar suas vidas. Veja também como foi o dia a dia na Linha do tempo deste site.

Neste domingo, 21 de julho, todos voltam a se encontrar na praia São Conrado para a Missa de Ação de Graças. Depois saem em passeata até a Rocinha, pedindo paz, respeito e diálogo para este país.


DEPOIMENTOS

DANIELY NIERO – PASCOM – VILA VELHA – ES

Tenho 35 anos e sou fotógrafa voluntária da Pascom na minha Paróquia.

Esta é minha primeira missão. Conheci Frei Vítor na Festa da Penha e por isso estou aqui. Moro no bairro da Glória e minha Paróquia não é franciscana. Eu fiquei dos 15 aos 30 anos afastada da Igreja. Voltei a frequentar aos poucos e foram surgindo oportunidades de servir. Hoje, eu canto, fotógrafo e cuido das redes sociais da Paróquia Nossa Senhora da Glória.

A MFJ foi a experiência mais extraordinária que já vivi na vida! Pude conhecer uma parte do Rio de Janeiro bem diferente daquela que vemos nas novelas. A vida real é mais bonita, cheia de alegria e solidariedade, apesar de tantos problemas e dificuldades. São pessoas que não têm muito, mas ajudam aos demais. Ao adentrar à casa delas para levar a palavra de Deus e o alento às pessoas doentes, saímos tomados pelo Espírito Santo e de todo o amor que poderíamos receber. Ao chegar na casa da minha família na missão, fui tão bem recebida que me senti na minha própria casa. O amor deles nada difere ao dos meus pais. Ao povo de Imbariê e região, a todos os paroquianos da Paróquia Santa Clara, deixo aqui o meu muito obrigada e a minha eterna gratidão por todos esses dias de aprendizado e do maior amor que senti. Que Deus os abençoe!.


TÚLIO JOSÉ DA SILVA TAVARES – PASTORAL DA DIVERSIDADE – RIO DE JANEIRO

Ao encontrar a espiritualidade – amor, justiça, paz – da vida habitada em mim, procuro sempre a espiritualidade materializada e comunitária que ecoe na religiosidade – catolicismo – promovendo a troca, o diálogo, o crescimento e a vivência da diversidade – pluralidade.

Ter acesso à informação e vivência da espiritualidade franciscana me comoveu pelo interesse já existente e durante a missão a não separação das relações subjetivas das objetivas, isto é, a causa social e interior. Senti falta em alguns momentos – não todos – do que chamarei de “vivência mística”, ou seja, a não separação do mundo de Deus do mundo em que habitamos, como na música, a partir de cantos que ultrapassam uma crença particular.

A missão, por fim, tornou-me mais humano, sensível e realista diante do mundo e suas feridas. Permitir a nós, missionários, sermos protagonistas e não enfatizar a missão somente no fim dos dias, ou seja, não termos apenas vivências e formação, como também a oportunidade do experimento, é único e inspirador.

Não deixei de ser o Túlio Tavares, do Rio de Janeiro, identificado e sobrevivente da comunidade LGBTQI+, mas passei a ser um novo Túlio com maior fome e sede da luta contra as desigualdades sociais e a busca infinita da liberdade e amor constante do Criador.


LIZIAN JUSTINO BATISTA – CRICIÚMA -SC

Meu nome é Lizian; tenho 16 anos e vim de Criciúma, bairro Progresso, em Santa Catarina. Sou da Paróquia N.S. Fátima, tenho 6 irmãos e sou a mais nova. Quando tinha quatro meses de vida, perdi meu pai. Ele foi assassinado na porta na minha casa. Ele era presidente do bairro e estava andando na rua, quando viu um senhor sendo assaltado. Foi, então, que tentou ajudar e conseguiu. Quando chegou em casa, dois homens chamaram ele. Minha mãe que não sabia de nada, pediu que ele fosse atender. Foi atingido por dois disparos. Meu irmão, que viu tudo, chamou por socorro. Meu pai ainda foi levado ao hospital, mas os médicos avisaram que não passaria daquela noite. Ele morreu mesmo.

Meu irmão, que viu ele morrer, ficou traumatizado porque não pôde fazer nada. Ele caiu na vida errada, dormia na rua, fumava e se drogava. E a gente chorava em casa. Foi difícil tirar ele daquela vida, mas conseguimos. Ele é hoje um homem renovado. Meu outro irmão também foi pelo caminho errado: vendia drogas e hoje está preso, esperando julgamento. Mas tenho fé que ele vai sair de lá.

Meus outros irmãos também passaram por dificuldades, mas superaram tudo. Dos sete filhos, sou a única que estuda. Minha irmã casou cedo e com um homem que só machucava ela. Só quando ele foi preso deixou ela em paz. Minha outra irmã tem três filhos e mais trigêmeos. Minha mãe os pegou para cuidar e hoje mora com dois deles desde o dia que saíram do hospital. Pegaram o meu lugar de caçula da casa, mas são uns amores! Um dos trigêmeos ficou 30 dias na UTI entre a vida e a morte. Fez cirurgia e hoje está tudo bem com 5 anos de idade.

Minha mãe criou 7 filhos sozinha e agora cria 3 netos com muito amor. Ela é uma guerreira aos 45 anos. Cuidou de todos os filhos com muito amor. Eles escolheram o caminho errado porque quiseram. Ela sempre ensinou a coisa certa para todos nós.

Então, minha coordenadora me convidou para participar das Missões. Confesso que não queria, pois tinha medo. Mas  não desisti. Meu medo é porque sou tímida e não saberia como relacionar com a família que me acolheria. Mas peguei uma família maravilhosa e deixei a timidez de lado. Passei pouco tempo com ela mas já deu para conhecê-la e admirá-la. Nesta Missões, visitamos pessoas enfermas, quase não conseguindo se levantar da cama, mas muito felizes e com muita fé. Aprendi muita coisa. Conheci uma realidade diferente da minha comunidade. Na tarde do chá conversei com uma senhora e ouvi coisas que precisava ouvir. Estou feliz com a experiência que fiz.


LUANA KUSTNER – GASPAR – SC (17 anos)

JEAN MARCOS KRAUS, SÃO BONIFÁCIO – SC (20 anos)

No primeiro dia de missão na Comunidade Nossa Senhora Aparecida de Nilópolis, visitamos o Abrigo Cristo Vive, que é um asilo. Lá presenciamos relatos de superação dos moradores em situação de rua, traficantes, entre outros. Trocamos experiências de afeto e de amor com os abrigados. Entre todos, o que mais nos comoveu foi a história do Pastor Rodrigo Dantas, que lidera este projeto junto com outras duas instituições que fazem o mesmo trabalho.

Pastor Dantas era o homem que praticamente comandava o tráfico em uma grande região, mas tinha um único diferencial: ele não aceitava matar os outros. Ele passou por várias dificuldades em sua vida, apesar de ser o homem rico e com grande poder, acabou virando morador de rua, contraiu várias doenças, entre elas é soropositivo. Um dia viu uma família na praça e pediu a Deus que uma porta se abrisse para ele. Foi, então, que escutou uma voz. Até pensou fosse o gato embaixo do seu banco, mas era Deus falando com ele. Procurou ajuda e,  com o passar do tempo, firmou-se na igreja e formou o projeto. Após a visita ao abrigo, fomos visitar o Parque de Gericinó, onde aprendemos não cuidar apenas da natureza, mas também um dos outros.

No período da tarde, fomos levar amor e a Palavra de Deus a alguns enfermos. Foi uma experiência maravilhosa que encheu nossos corações de esperança. Vimos em seus olhos a alegria de nos receber em suas casas. Fomos em missão para ensinar algo a eles, entretanto quem voltou com mais aprendizado fomos nós. De noite, aproveitamos para conhecer um pouco de Nilópolis com nossas famílias.