{"id":187894,"date":"2021-09-24T09:46:24","date_gmt":"2021-09-24T12:46:24","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/conventosantoantonio\/?page_id=187894"},"modified":"2021-09-27T11:22:17","modified_gmt":"2021-09-27T14:22:17","slug":"frei-fabiano-de-cristo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/conventosantoantonio\/frei-fabiano-de-cristo\/","title":{"rendered":"Frei Fabiano de Cristo"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text]<strong>(1676-1747)<\/strong><\/p>\n<p>Ao norte de Portugal, numa aldeia chamada Soengas, nasceu a 8 de fevereiro de 1676, Frei Fabiano de Cristo, que no s\u00e9culo se chamava Jo\u00e3o Barbosa. Filho de Gerv\u00e1sio Barbosa e da Senhorinha Gon\u00e7alves, formavam uma das muitas fam\u00edlias de vida simples que ali viviam, dedicadas sobretudo ao cultivo da uva.<\/p>\n<p>De suas cinco irm\u00e3s, quatro se fizeram religiosas, o mesmo acontecendo com o \u00fanico filho da fam\u00edlia. Pouco se sabe sobre os anos de inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia de Jo\u00e3o. Sabe-se apenas que pela vida simples e pobre que levavam, pouca oportunidade teve de travar contato com os livros.<\/p>\n<p>\u00c0 procura de algo mais \u2013 Jo\u00e3o Barbosa sabia que o ambiente que o cercava n\u00e3o era resposta aos seus ideais. Sabia que sua fam\u00edlia fora, outrora, abastada e que em suas veias corria a nobreza antiga, agora oculta na pobreza. Por ser ambicioso, sentiu logo o desejo de restabelecer a antiga nobreza. Mas n\u00e3o seria em Soengas que isso poderia acontecer. No primeiro instante pareceu-lhe que o melhor caminho seria o com\u00e9rcio. Dirigiu-se ent\u00e3o \u00e0 cidade do Porto, onde as possibilidades se mostravam mais abundantes e ricas. A\u00ed ouvia hist\u00f3rias fant\u00e1sticas de terras distantes e muita riqueza, deixando o jovem Jo\u00e3o muito entusiasmado. No final do s\u00e9culo XVII, a novidade mais ambiciosa que os marinheiros traziam a Portugal era a descoberta abundante do ouro em Minas Gerais. Assim como muitos, tamb\u00e9m Jo\u00e3o viu l\u00e1 longe, no Brasil, despontar a solu\u00e7\u00e3o de seus problemas.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o despede-se de seus pais e irm\u00e3s e parte para o Brasil numa penosa viagem de meses de balan\u00e7o no mar e outra n\u00e3o menos penosa por terra, at\u00e9 chegar ao seu destino, na regi\u00e3o das promessas douradas: o Ribeir\u00e3o de Nossa Senhora do Carmo (hoje Mariana) e Ouro Preto. Muita riqueza foi vista, muitos homens arrancavam da terra quantidades enormes de ouro que os tornavam ricos da noite para o dia. Mas, paralelamente \u00e0 explora\u00e7\u00e3o das minas, surge outra fonte de renda: a vida do com\u00e9rcio ou \u201ccarreira das minas\u201d. Foi esta a profiss\u00e3o que Jo\u00e3o escolheu logo que chegou ao Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabemos exatamente qual a especialidade dos neg\u00f3cios de Jo\u00e3o. Sabemos apenas que em pouco tempo conseguiu uma respeit\u00e1vel fortuna. A partir de 1704, vamos encontrar Jo\u00e3o Barbosa com resid\u00eancia fixa na vila de Parati, tocando seus neg\u00f3cios que lhe rendiam bons lucros, mas nunca deixando de manter contato com as coisas de Deus. Assim ligou-se logo ao p\u00e1roco da vila, auxiliando-o em tudo. Todas as obras de caridade recebiam dele largas quantias em dinheiro, n\u00e3o deixando nunca de ajudar os pobres, que encontravam nele a m\u00e3o generosa sempre pronta a ajudar.<\/p>\n<p>Os planos de Jo\u00e3o eram de trabalhar mais alguns anos e regressar a Portugal com suficiente fortuna para alterar a situa\u00e7\u00e3o de sua fam\u00edlia. Mas a\u00ed Deus entrou em sua vida de forma diferente e alterou o plano do homem. O trabalho espiritual exercido em Parati foi mudando as concep\u00e7\u00f5es de Jo\u00e3o. Foi sentindo cada vez mais forte o convite \u00e0 vida religiosa. Hesita. Esperava maior clareza. Algum sinal, talvez. Mas um acontecimento tr\u00e1gico veio p\u00f4r fim \u00e0s suas hesita\u00e7\u00f5es. A morte por assassinato de um s\u00f3cio e companheiro seu, por motivos desconhecidos, fez com que Jo\u00e3o ficasse profundamente abalado e percebesse como os bens materiais n\u00e3o significam nada diante da grandeza de Deus.<\/p>\n<p>Nesta altura da hist\u00f3ria, muitas Ordens Religiosas j\u00e1 estavam estabelecidas no Brasil. Examinando-as, pode sentir que nenhuma estava t\u00e3o de acordo com seus prop\u00f3sitos como a \u201cOrdem Ser\u00e1fica de S\u00e3o Francisco de Assis\u201d. Porque, como nascera na pobreza, passara depois \u00e0 riqueza pelo trabalho, queria \u00e0 luz da f\u00e9 voltar a ser pobre. E ningu\u00e9m melhor que Francisco de Assis para guia nesta troca de valores.<\/p>\n<p>O Franciscano \u2013 Tomada a decis\u00e3o, Jo\u00e3o apresentou-se ao Padre Provincial, no Convento Santo Ant\u00f4nio do Rio, que percebeu imediatamente suas qualidades e, sobretudo, um homem que sentia o chamado de Deus, logo sendo admitido \u00e0 vida franciscana. Primeiro passo de Jo\u00e3o: desfazer-se de todos os bens. Dividiu toda a sua fortuna em tr\u00eas partes: a primeira foi enviada a Portugal para a fam\u00edlia e para outros acertos; a segunda parte foi destinada \u00e0s obras de caridade; e a terceira foi distribu\u00edda entre os pobres. Assim, a 8 de novembro de 1704, apresentou-se no Convento S\u00e3o Bernardino em Angra dos Reis, e no dia 11 de novembro trocou suas vestes seculares pelo h\u00e1bito marrom de S\u00e3o Francisco, trocando tamb\u00e9m seu nome de Jo\u00e3o para \u201cFrei Fabiano de Cristo\u201d, nome pelo qual \u00e9 conhecido ainda em nossos dias, pois foi a partir desta troca que ele enveredou pelos caminhos da santidade.Frei Fabiano de Cristo, no tempo de forma\u00e7\u00e3o, optou por ser irm\u00e3o franciscano.[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text]No Convento Santo Ant\u00f4nio do Rio \u2013 No final do ano de 1705, Frei Fabiano de Cristo recebeu ordens de transferir-se para o Convento Santo Ant\u00f4nio do Rio de Janeiro, com o encargo de porteiro. Ali\u00e1s, na Ordem Franciscana dava-se particular import\u00e2ncia a esta fun\u00e7\u00e3o, pois prescrevia-se fosse ela entregue somente a religiosos de muita prud\u00eancia, confian\u00e7a e virtude, ap\u00f3s 15 anos de h\u00e1bito. A nomea\u00e7\u00e3o de Frei Fabiano de Cristo era um reconhecimento \u00e0 sua virtude e confian\u00e7a, pois estava apenas h\u00e1 dois anos na Ordem. Apesar do bom trabalho exercido por Frei Fabiano na portaria, os superiores pediram, no ano de 1707 ou 1708, que ele tomasse conta da enfermaria. Imediatamente obedeceu e, aqui como na portaria, deu bel\u00edssimo exemplo de caridade.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o tivesse prepara\u00e7\u00e3o especial para esta fun\u00e7\u00e3o, a caridade e o esfor\u00e7o pessoal substitu\u00edam as defici\u00eancias. Praticamente levava sua vida junto aos doentes, a tal ponto que nem sequer tinha um quarto pr\u00f3prio, por longo tempo, contentando-se em dormir em qualquer lugar da enfermaria, para que, dia e noite, pudesse estar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos doentes. S\u00f3 mais tarde aceitou um quarto, mas sempre junto \u00e0 enfermaria. Assim consumiu quase todo o resto de sua vida, cerca de trinta e oito anos, exercendo sua caridade para com os doentes e idosos.<\/p>\n<p>Enfermidade e morte \u2013 Com o passar do tempo, o corpo de Frei Fabiano foi sentindo o peso da idade e dos sacrif\u00edcios, na forma de sofrimento f\u00edsico que o crucificaram por quase 30 anos. A causa inicial destes sofrimentos foi uma erisipela cr\u00f4nica, localizada nas pernas, acentuadamente na esquerda, que mais tarde se transformou numa horr\u00edvel chaga. Para aumentar estes sofrimentos nas pernas, apareceu-lhe um quisto num dos joelhos, atribu\u00eddo por alguns ao tempo excessivo que o bom irm\u00e3o permanecia de joelhos nas suas longas horas de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jamais se ouviu dele a m\u00ednima queixa ou atitude de revolta diante de tanto sofrimento. A \u00fanica coisa que o atormentava era o fato de n\u00e3o poder mais exercer sua fun\u00e7\u00e3o de enfermeiro. Seu estado de sa\u00fade agravou-se muito, j\u00e1 estava ele na casa dos 70 anos. Pressentiu que ia chegando ao fim de seus dias e, conforme dizem, chegou a anunciar aos confrades o dia e a hora de sua morte.No dia 17 de outubro de 1747, pelas 14h00, Frei Fabiano de Cristo, rodeado pelos confrades, quase despercebidamente como vivera, parte ao encontro do Pai.<\/p>\n<p>Uma multid\u00e3o tomou conta do Convento Santo Ant\u00f4nio. Todos queriam se despedir de Frei Fabiano, pois ele era visto como um Santo, um Servo de Deus. Todos desejavam ver e tocar aqueles restos que representavam a santidade.O local onde estavam encerrados os ossos de Frei Fabiano come\u00e7ou a ser abandonado, terminando por cair em ru\u00ednas. Dos cento e tantos religiosos do tempo de Frei Fabiano o Convento n\u00e3o abrigava, em 1870, mais que seis e, aos poucos, o Convento foi se transformando numa esp\u00e9cie de hospedaria at\u00e9 que, em 1885, Dom Pedro II hospedou ali o s\u00e9timo Batalh\u00e3o de Infantaria do Ex\u00e9rcito. E vieram as depreda\u00e7\u00f5es e os estragos. A ru\u00edna come\u00e7ara um trabalho demolidor, levando consigo a placa de bronze que assinalava o local da urna com os ossos de Frei Fabiano. Assim, quando o batalh\u00e3o se retirou, ningu\u00e9m mais sabia o local que se encontrava a urna. Inclusive acreditava-se que a mesma havia sido violada.<\/p>\n<p>O reencontro \u2013 N\u00e3o queria Deus fosse este o fim dos ossos de Frei Fabiano, pois em fins de janeiro do ano de 1924, chuvas fortes e prolongadas, causaram grandes estragos no Rio e em v\u00e1rios Estados. \u00c0s tr\u00eas horas da madrugada do dia 2 de fevereiro, com um estrondo terr\u00edvel, ruiu grande parte do muro, atr\u00e1s do qual, antigamente, se achava a enfermaria. Em meados de abril, foram iniciadas as obras de reconstru\u00e7\u00e3o do dito muro, derrubando a 1\u00b0 de maio do ano de 1924, o resto do muro que ainda n\u00e3o ru\u00edra. Parte do muro j\u00e1 havia sido derrubado, quando do lado do Convento, de repente, apareceu uma urna de chumbo, cheia de ossos. Imediatamente entregue ao Guardi\u00e3o, este logo ficou convencido de tratar-se dos ossos de Frei Fabiano. Abrindo a urna, encontrou em cima, coberto de cal, um documento em p\u00e9ssimo estado, onde ainda se lia: \u201cFrei Fabiano\u2026\u2026.. enfermeiro deste convento\u2026\u2026.. Rio\u2026\u2026..\u201d.<\/p>\n<p>Resolveram ent\u00e3o encerr\u00e1-los em uma urna de m\u00e1rmore, com uma pequena abertura lateral, por onde se poderiam ver os ossos. A urna foi colocada numa capela, do lado esquerdo da Igreja do Convento Santo Ant\u00f4nio. E a venera\u00e7\u00e3o recome\u00e7ou. Em pouco tempo, os fi\u00e9is come\u00e7aram a procurar o santo irm\u00e3o, como nos primeiros dias ap\u00f3s sua morte. Ainda hoje, a prociss\u00e3o de devotos continua a desfilar diante do altar singelo que abriga os ossos de Frei Fabiano. De todos os cantos do Brasil chegam cartas comunicando gra\u00e7as e pedindo lembran\u00e7as do santo irm\u00e3o que, pequeno na terra, continua no c\u00e9u uma presen\u00e7a ben\u00e9fica, atestando como Deus \u00e9 magn\u00edfico em seus santos, pois neles manifesta sua imensa miseric\u00f3rdia e sua paterna solicitude de ajudar os homens pelos homens.<\/p>\n<p><em>Frei Hugo Baggio, \u201d Frei Fabiano de Cristo\u201d, 1974.<\/em>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text](1676-1747) Ao norte de Portugal, numa aldeia chamada Soengas, nasceu a 8 de fevereiro de 1676, Frei Fabiano de Cristo, que no s\u00e9culo se chamava Jo\u00e3o Barbosa. Filho de Gerv\u00e1sio Barbosa e da Senhorinha Gon\u00e7alves, formavam uma das muitas fam\u00edlias de vida simples que ali viviam, dedicadas sobretudo ao cultivo da uva. 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