{"id":8725,"date":"2011-04-20T10:50:31","date_gmt":"2011-04-20T13:50:31","guid":{"rendered":"http:\/\/new.franciscanos.org.br\/?p=8725"},"modified":"2019-08-06T15:32:13","modified_gmt":"2019-08-06T18:32:13","slug":"clara-hoje-uma-voz-que-nao-se-cala-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/carisma\/clara-hoje-uma-voz-que-nao-se-cala-2.html","title":{"rendered":"Clara hoje: uma voz que n\u00e3o se cala"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\"><em><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-176287\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/carisma\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/clara_afasta.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"523\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/carisma\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/clara_afasta.jpg 500w, https:\/\/franciscanos.org.br\/carisma\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/clara_afasta-430x450.jpg 430w, https:\/\/franciscanos.org.br\/carisma\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/clara_afasta-150x157.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/>Preste aten\u00e7\u00e3o no princ\u00edpio do espelho: a pobreza daquele que, envolto em panos foi posto no pres\u00e9pio! Admir\u00e1vel humildade, estupenda pobreza! O Rei dos anjos repousa numa manjedoura. No meio do espelho considere a humildade, ou pelo menos a bem-aventurada pobreza, as fadigas sem conta e as penas que suportou pela reden\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano. E, no fim desse mesmo espelho, contemple a caridade inef\u00e1vel com que quis padecer no lenho da cruz e nela morrer a morte mais vergonhosa <\/em><strong>(4\u00aa. Carta a In\u00eas de Praga).<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><em>Cada gera\u00e7\u00e3o \u00e9 salva pelo santo que a contradiz <\/em><strong>(Chesterton).<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><em>Dou gra\u00e7as ao Senhor por todas as vezes que, exatamente junto a um mosteiro, desde frade jovem pude fazer a experi\u00eancia de \u201ccura\u201d recolocando em ordem harmoniosa os valores evang\u00e9licos de minha voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 ajuda das irm\u00e3s clarissas. Muitas vezes pedi hospitalidade em seus mosteiros para dar novo tom espiritual \u00e0 minha vida. Obrigado a todas v\u00f3s, irm\u00e3s clarissas, por esta fun\u00e7\u00e3o \u201cterap\u00eautica\u201d t\u00e3o importante para a caminhada vocacional de uma pessoa consagrada<\/em><strong> (Fr. Giacomo Bini, OFM, Ex- Ministro Geral).<\/strong><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/v3\/almir\/artigos\/clara\/imagens\/clara_g150611.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"427\" align=\"right\" hspace=\"5\" vspace=\"9\" \/>1.<\/strong> Estamos nos preparando para celebrar em 2012 os oitocentos anos da exist\u00eancia da Ordem das Clarissas. Clara entrou na hist\u00f3ria ao nascer em 1193 e continua presente no at\u00e9 nossos dias depois de sua morte ocorrida em 1253. Celebrar o centen\u00e1rio das Irm\u00e3s Pobres de S\u00e3o Dami\u00e3o \u00e9 ocasi\u00e3o de revis\u00e3o da vida das irm\u00e3s hoje e tentativa de ver como o carisma de Clara e de suas primeiras companheiras pode enriquecer a vida dos frades, dos franciscanos seculares e do mundo. Constitu\u00edmos uma fam\u00edlia, uma bem-aventurada fam\u00edlia, uma fam\u00edlia franciscano-clariana. La\u00e7os espirituais nos unem e, na reciprocidade de nossos contatos, tornamo-nos espiritualmente mais robustos. O que Clara tem a dizer aos nossos tempos? Como as Irm\u00e3s Pobres poder\u00e3o ser um grupo significativo nesses nossos tempos? Como os franciscanos seculares poder\u00e3o beber da fonte que brotou ( e continua jorrando) desse aben\u00e7oado espa\u00e7o que se chama S\u00e3o Dami\u00e3o, por onde circulavam Clara de Assis e suas irm\u00e3s? O que tem Clara a dizer aos nossos tempos?<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong> O carisma franciscano se completa admiravelmente no bin\u00f4mio Francisco-Clara. Em Carta dirigida \u00e0s Clarissas por ocasi\u00e3o de outro jubileu da santa, o Ministro Geral dos Menores assim se exprimia: \u201cIrm\u00e3s, minha profunda convic\u00e7\u00e3o \u00e9 esta: necessitamo-nos reciprocamente. Mutilar\u00edamos o carisma se caminh\u00e1ssemos separadamente. N\u00e3o desejamos e n\u00e3o podemos percorrer estradas paralelas. Caminhando unidos, respeitando nossas diferen\u00e7as, jogamos tudo: a fidelidade a Francisco e a Clara; a efic\u00e1cia evang\u00e9lica de nossa miss\u00e3o na Igreja e no mundo; a credibilidade diante daqueles que, hoje como ontem, est\u00e3o convencidos de que Francisco e Clara s\u00e3o duas almas g\u00eameas insepar\u00e1veis\u201d. Admir\u00e1vel e delicadamente feminino e masculino se encontram na busca ardorosa do seguimento do Cristo todo despojado.<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong> Os Ministros Gerais da Primeira Ordem e da TOR publicaram Carta por ocasi\u00e3o do jubileu de 2012. As clarissas s\u00e3o as guardi\u00e3s do carisma clariano: \u201cChamadas pelo Esp\u00edrito a seguir o Cristo pobre, crucificado e ressuscitado, vivendo o santo Evangelho em obedi\u00eancia, sem nada de pr\u00f3prio e em castidade, v\u00f3s sois as guardi\u00e3s do carisma clariano, mulheres consagradas que interagem com o mundo, contemplando os sinais que o Esp\u00edrito semeia e difunde na hist\u00f3ria. Na escuta de Deus, v\u00f3s falais hoje ao cora\u00e7\u00e3o dos homens e das mulheres do nosso tempo com a linguagem do amor, cujas palavras se fundam na raiz da exist\u00eancia habitada por Deus\u201d (&#8230;). As irm\u00e3s saber\u00e3o conjugar as ra\u00edzes do passado com a profecia do futuro: \u201cAos consagrados e consagradas se pede manifestar o absoluto de Deus. V\u00f3s, de um modo particular, sois chamadas a viver uma vida fundada sobre os sinais e s\u00edmbolos que n\u00e3o remetem ao vazio de um est\u00e9ril doutrinamento, ritualismo ou ativismo, mas que saibam conjugar hoje as ra\u00edzes do passado e a profecia do futuro: estruturas, sinais e s\u00edmbolos que simplesmente fazem ver a Deus\u201d. H\u00e1, pois, um apelo a que, tamb\u00e9m, as clarissas sejam fi\u00e9is criativamente. O carisma de Clara n\u00e3o pode ser blindado a uma \u00e9poca. O Espirito n\u00e3o se deixa amarrar. Coloca-se sempre essa quest\u00e3o: Como as clarissas, nesse mundo que \u00e9 o nosso, saber\u00e3o unir o passado e o presente?<\/p>\n<p><em><strong>4.<\/strong> Houve naquela noite do domingo de ramos a fuga noturna de Clara.<\/em> Ela ouve a voz do Amado que a chama ao deserto. Ela se d\u00e1 conta que um caminho se abre diante dela. A decis\u00e3o podia ser tomada, mesmo que comportasse desafios. Estava na hora de sair e procurar uma terra distante como havia feito Abra\u00e3o, caminhar sem mapa na m\u00e3o para uma terra que Deus haveria de mostrar. Claire-Pascale Janet, numa biografia original, coloca as seguintes palavras na boca de Clara: \u201cEst\u00e1 decidido. Como esperar mais ainda aquele que se entregou totalmente? Nesse tempo da Quaresma ou\u00e7o o convite que ele me faz: &#8216;Vem, eu vou te levar ao deserto para falar ao teu cora\u00e7\u00e3o, e tu me responder\u00e1s com todo o teu ser, com todo o teu cora\u00e7\u00e3o e com todas as tuas for\u00e7as. Sinto como que uma queimadura o amor que levou Francisco de ruptura em ruptura. Eis o que eu procuro: a pobreza de Cristo. Um caminho novo diante de meus passos\u201d.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>5.<\/strong><em> Na hist\u00f3ria de nosso seguimento de Cristo \u00e0 maneira de Francisco tamb\u00e9m deixamos para tr\u00e1s tudo e lan\u00e7amo-nos na aventura franciscana.<\/em> Uma quase menina ousa deixar a fam\u00edlia, vender os bens, seguir um caminho que lhe \u00e9 sugerido pelo Alt\u00edssimo sem maiores indica\u00e7\u00f5es. Acredita, tem f\u00e9 no Senhor. Vislumbra em Francisco e seus irm\u00e3os a porta por onde deve passar. Cada franciscano e cada crist\u00e3o \u00e0 luz dessa fuga da nobre Clara iluminar\u00e1 sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode apenas dizer-se franciscano mas ir em frente, esperar que o Senhor nos mostre seus des\u00edgnios, estar atento \u00e0 loucura e insensatez do cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 terr\u00edvel tenta\u00e7\u00e3o do desencorajamento e do desencanto. A fuga de Clara leva-nos a rever o modo como estamos vivendo a nossa aventura espiritual. Clara saindo de casa, foi \u00e0 Porci\u00fancula, depois esteve em S\u00e3o Paulo das Abadias e Santo \u00c2ngelo de Panzo&#8230; e S\u00e3o Dami\u00e3o. E ali, no ex\u00edguos espa\u00e7os de uma clausura teve um cora\u00e7\u00e3o de forasteira e peregrina repetindo a ladainha do \u201cqueres de mim Senhor?\u201d<\/p>\n<p><strong>6.<\/strong> Hoje vivemos o tempo da p\u00f3s-modernidade. Nessa era da liberdade contra as imposi\u00e7\u00f5es, do respeito pela pessoa, do di\u00e1logo, da toler\u00e2ncia assiste-se tamb\u00e9m \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o dos valores absolutos surgindo a era do vazio e o crep\u00fasculo do dever, como dizem os especialistas. A sociedade dita do vazio \u00e9 fraca, fragmentada, descontroladamente pluralista, que aplaude os valores como o hedonismo, o uso imediato das coisas e das pessoas, essa era do relativismo. Os que contemplam Clara ficam admirados de ver o modo como ela concebeu a vida, a leitura que faz dos acontecimentos e de am\u00e1-los em Cristo. Clara fascina pela nitidez no seguimento de Cristo e, sobretudo, na busca desse valor absoluto que \u00e9 o Senhor na incans\u00e1vel busca de seus des\u00edgnios.<\/p>\n<p><em><strong>7.<\/strong> Pobreza e alegria<\/em> \u2013 Quando Clara escolhe seguir radicalmente o Cristo abandona realmente a tudo: seguran\u00e7a da fam\u00edlia, as riquezas e os privil\u00e9gios de linhagem nobre, o casamento, a possibilidade de ajudar melhor os pobres. Liberta-se de tudo e ganha um cora\u00e7\u00e3o alegre e livre, aberto e transparente. Nenhum tipo de posse pode cobrir de nuvens sua alegria. A pobreza de Clara e de Francisco \u00e9 seguimento radical do Cristo. O caminho de Cristo em sua humilha\u00e7\u00e3o \u00e9 o que revela a Clara a grandeza da alt\u00edssima pobreza. Identificar-se com Cristo pobre d\u00e1 acesso \u00e0 alegria do Reino e a seus tesouros. \u201cEsta \u00e9 a sublimidade da alt\u00edssima pobreza que vos fez, minhas irm\u00e3s car\u00edssimas, herdeiras e rainhas do reino dos c\u00e9us, pobres em coisas, mas sublimadas em virtudes. Seja esta a vossa por\u00e7\u00e3o que vos conduz \u00e0 terra dos vivos\u201d (Regra 8). Clara n\u00e3o canoniza a mis\u00e9ria e a pobreza, mas abra\u00e7a a pobreza de Cristo. Num mundo que n\u00e3o conhece a verdadeira alegria, mas o ru\u00eddo e agita\u00e7\u00e3o, num mundo marcado por um consumismo devorador, num mundo insatisfa\u00e7\u00e3o e de vazio, mundo em que o fundo dos olhos dos homens revelam desencanto Clara brilha como mulher alegre em seu despojamento. A grande maioria dos mosteiros de clarissas tem espa\u00e7os de beleza na singeleza da pobreza. Eis a\u00ed uma grande li\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p><strong>8.<\/strong> Dirigindo-se \u00e0s clarissas, os Ministros Gerais escrevem: \u201cCada fraternidade se torna sinal alternativo nos lugares de opul\u00eancia e sinal de esperan\u00e7a entre aqueles que vivem na precariedade, atrav\u00e9s do testemunho e da pr\u00f3pria entrega e da confian\u00e7a no Pai revelado por Jesus Cristo. N\u00e3o uma pobreza ideol\u00f3gica ou intelectual, mas um estilo de vida que testemunha a confian\u00e7a total no Pai, que toma forma no cotidiano da exist\u00eancia. N\u00e3o faltam de fato no mundo algumas experi\u00eancias de fraternidades que escolhem testemunhar uma vida extremamente s\u00f3bria, para serem solid\u00e1rias com os pobres e confiarem somente na Provid\u00eancia, viver cada dia da Provid\u00eancia, na confian\u00e7a de colocar-se nas m\u00e3os de Deus\u201d (&#8230;). \u201cV\u00f3s nos ajudais a degustar a alegria da liberdade porque, contemplando, vedes a Deus em cada aspecto da vida. Demonstrais que n\u00e3o seguis as modas de hoje, que n\u00e3o estais em concorr\u00eancia com o mundanismo, onde as apar\u00eancias, a exagera\u00e7\u00e3o exposi\u00e7\u00e3o do ego, o individualismo, a auto-refer\u00eancia colocam na sombra a obra de Deus. V\u00f3s nos contais a vossa hist\u00f3ria com Deus que se nutre do sil\u00eancio, da escuta e da profundidade espiritual\u201d. A pobreza de Clara e de Francisco atribuem a Deus toda for\u00e7a e todo louvor. S\u00f3 ele \u00e9 o bom, o sumo bem&#8230; S\u00f3 ele \u00e9 o Senhor.<\/p>\n<p><em><strong>9.<\/strong> O amor em fraternidade &#8211;<\/em> A fraternidade \u00e9 outra das marcas do carisma clariano. A pobreza brota do Amor. Amor que vem de Deus que une as irm\u00e3s, promove a estima pelos de fora, pela cria\u00e7\u00e3o. Amar aos homens e ao mundo porque Deus os ama. Para Clara, o sopro do Esp\u00edrito do Deus-Amor \u00e9 quem re\u00fane as irm\u00e3s em fraternidade para a partilha da vida evang\u00e9lica sugerida por Francisco. Cada irm\u00e3 \u00e9 um presente do amor do Pai e todas constituem a fraternidade para construir a unidade no m\u00fatuo amor. O amor verdadeiro \u00e9 o oposto do individualismo e o egocentrismo. \u00c9 amor para dar amor. Clara sabe viver o m\u00fatuo amor feito de presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o e da reciproca obedi\u00eancia. Ela e suas irm\u00e3s tinham a consci\u00eancia de terem sido chamadas a construir uma Igreja viva, constru\u00edda do amor fraterno, voca\u00e7\u00e3o de ser fraternidade, porque o projeto de Deus Pai \u00e9 criar uma fam\u00edlia de filhos e irm\u00e3os. Por isso, a fraternidade para Clara ser\u00e1 tecida de relacionamentos de amor que unem as irm\u00e3s de um modo familiar, fraterno, materno com uma t\u00e3o grande profundidade que s\u00f3 pode brotar do Evangelho. \u201cSe uma m\u00e3e ama e alimenta a sua filha segundo a carne com quanto mais solicitude n\u00e3o dever\u00e1 amar e nutrir sua irm\u00e3 espiritual\u201d (Regra 8).<\/p>\n<p><strong>10.<\/strong> A Fraternidade \u00e9 o \u00e2mbito privilegiado em que se d\u00e1 testemunho de um Deus que \u00e9 comunh\u00e3o na diversidade e diversidade na comunh\u00e3o. Por isso, a fraternidade ser\u00e1 sempre um elemento irrenunci\u00e1vel do projeto franciscano-clariano. A fraternidade se manifesta em gestos marcados pelo afeto que mostram uma rela\u00e7\u00e3o transparente, sem duplicidade, baseada na simplicidade, na familiaridade e no reconhecimento dos dons que Deus deu a cada um. Cora\u00e7\u00f5es puros como os de Francisco e de Clara s\u00e3o capazes de descobrir com admira\u00e7\u00e3o e respeito a obra do Esp\u00edrito nos outros. \u201cSe a Fraternidade \u00e9 dom que se acolhe com f\u00e9 e gratid\u00e3o \u00e9, ao mesmo tempo, uma tarefa e, como tal deve ser constru\u00edda e guardada. Por uma lado, edificamo-la em base a rela\u00e7\u00f5es humanas profundas, atrav\u00e9s do cultivo das qualidades requeridas em todas as rela\u00e7\u00f5es humanas. Por outro lado, por ser a Fraternidade um tesouro que trazemos em vasos de barro \u00e9 necess\u00e1ria guard\u00e1-la atentamente. Nesse contexto, n\u00e3o nos admiramos que Clara fa\u00e7a suas as exorta\u00e7\u00f5es de Francisco. Quer que as irm\u00e3s se guardem de toda soberba, vangl\u00f3ria, inveja, avareza, cuidado e solicitude deste mundo, da detra\u00e7\u00e3o e da murmura\u00e7\u00e3o, da dissen\u00e7\u00e3o e da divis\u00e3o\u201d (Regra 10). Ser\u00e1 preciso uma colabora\u00e7\u00e3o entre o dom de Deus e o esfor\u00e7o pessoal.\u201d.<\/p>\n<p><strong>11.<\/strong> O Ministro Jos\u00e9 R. Carballo observa ainda: \u201cPara ser uma proposta de vida evang\u00e9lica, a Fraternidade deve ser aut\u00eantica, concreta, \u00edntima. Por esse motivo, ao mesmo tempo que pede \u00e0s irm\u00e3s que uma manifeste \u00e0 outra com confian\u00e7a suas necessidades <em>(Regra de Clara 8; cf. Regra Bulada 6)<\/em>, Clara as exorta a manifestar atrav\u00e9s de obras, o amor que professam: \u201cAmando-vos umas \u00e0s outras com a caridade de Cristo, demonstrai-vos por fora, por meio de boas obras, o amor que tende por dentro, para que provocadas por este exemplo, as Irm\u00e3s cres\u00e7am sempre no amor de Deus e na m\u00fatua caridade (<em>Testamento 59-60<\/em>). E se entre elas houve alguma desaven\u00e7a ou algum esc\u00e2ndalo, as Irm\u00e3s n\u00e3o devem deixar-se levar pela ira ou pela perturba\u00e7\u00e3o, mas devem manter a paz no cora\u00e7\u00e3o e apressar-se em perdoar para curar as feridas (cf. Regra 8; cf;. Regra Bulada 6), conscientes sempre do fato de que a unidade no amor m\u00fatuo \u00e9 o vinculo da perfei\u00e7\u00e3o\u201d <em>(Regra 10)<\/em> e que a fraternidade se constr\u00f3i a pre\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o e do perd\u00e3o\u201d (<em>Vida Fraterna em Comunidade<\/em>). (<em>Clara de Assis e de hoje. Um cora\u00e7\u00e3o conquistado e seduzido pelo Senhor. No 750\u00ba anivers\u00e1rio da morte de Santa Clara e da aprova\u00e7\u00e3o de sua Regra<\/em>).<\/p>\n<p><strong>12.<\/strong> Vivemos numa sociedade onde impera o ego\u00edsmo, temos que reconhecer os efeitos demolidores do individualismo que nos assedia de todos os lados. O amor fraterno de Clara em fraternidade \u00e9 t\u00e3o atual quanto necess\u00e1rio. Trata-se de um esp\u00edrito de fam\u00edlia. As irm\u00e3s possuem o esp\u00edrito de amoroso servi\u00e7o, tentativa de converter o af\u00e3 de domina\u00e7\u00e3o de uns sobre os outros pelo espirito de doa\u00e7\u00e3o. \u201cNeste mundo dessolidarizado da p\u00f3s-modernidade, em que cada um cuida de suas coisas, em que se reivindica a ambiguidade como estilo, em que o hedonismo \u00e9 tido como valor, onde o homem quer o m\u00ednimo de coa\u00e7\u00f5es e o m\u00e1ximo de escolhas particulares, o m\u00ednimo de austeridade e o m\u00e1ximo de desejo, Clara nos oferece a mensagem do amor em fraternidade, amor solid\u00e1rio com todos os homens, para realizar o projeto de Deus Pai: uma fam\u00edlia solid\u00e1ria que viva relacionamentos de amor, que viva o amor na fraternidade\u201d (<em> El legado carism\u00e1tico de Clara en um mundo postmoderno, Maria del Carmen Elcid , revista Vida Religiosa, n. 3, 1994, p. 228<\/em>).<\/p>\n<p><em><strong>13.<\/strong> O valor do Absoluto<\/em> &#8211; Clara \u00e9 essencialmente uma grande contemplativa, toda a sua vida consistiu em amar absolutamente, em viver face a face com o Absoluto para ir conformando-se com ele cada vez mais. Para ela, a ora\u00e7\u00e3o vivida como um relacionamento esponsal e pessoal \u00e9 como a respira\u00e7\u00e3o da alma, \u00e9 di\u00e1logo de amor, \u00e9 o querer e realizar as coisas de seu Amado Jesus. Unida intimamente a Jesus quer apresentar ao Pai toda honra e toda a sua gl\u00f3ria. A contempla\u00e7\u00e3o foi constante em sua vida. Embora ela n\u00e3o consistisse para ela em fen\u00f4menos extraordin\u00e1rios, Clara recebeu ilumina\u00e7\u00f5es excepcionais a respeito do mist\u00e9rio de Deus. Compreendeu existencialmente o que quer dizer abertura \u00e0 gra\u00e7a e docilidade ao Esp\u00edrito. Para poder adorar o Pai em esp\u00edrito e verdade ser\u00e1 preciso cuidar do centro vital do esp\u00edrito que conecta com o Absoluto: o cora\u00e7\u00e3o como lugar e di\u00e1logo amoroso da fr\u00e1gil criatura com o Deus Alt\u00edssimo.<\/p>\n<p><strong>14.<\/strong> A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio de amor. Que as irm\u00e3s trabalhem e trabalhem diligentemente. Assim evitar\u00e3o o \u00f3cio que \u00e9 inimigo da alma. Mas que n\u00e3o percam o esp\u00edrito da santa ora\u00e7\u00e3o (cf. Regra 7). Antes de tudo a ora\u00e7\u00e3o. Vivendo intensamente esse relacionamento \u00edntimo, Clara n\u00e3o deixou nenhum tratado sobre a ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sistematizou seu relacionamento pessoal com o Cristo Pobre. Atrav\u00e9s de seus escritos, no entanto, descobrimos a contemplativa, a orante por excel\u00eancia que convida ao sil\u00eancio interior e exterior como espa\u00e7o privilegiado para perceber e acolher o Absoluto.<\/p>\n<p><strong>15.<\/strong> O cora\u00e7\u00e3o de Clara nunca se saciava. Tanto na sa\u00fade quanto na doen\u00e7a, entregava-se \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. A Bula de Canoniza\u00e7\u00e3o diz que ela consagrava \u00e0 ora\u00e7\u00e3o a maior parte do dia e da noite. Clara se serve do vocabul\u00e1rio b\u00edblico para descrever a uni\u00e3o com Cristo, seu amor esponsal: \u201cArrasta-me atr\u00e1s de ti! Corramos no odor dos teus b\u00e1lsamos, \u00f3 esposo celeste! Vou correr sem desfalecer, at\u00e9 me introduzires na tua adega, at\u00e9 que a tua direita me abrace toda feliz, e me d\u00eas o beijo mais feliz de tua boca\u201d (<em>4\u00aa. Carta a In\u00eas<\/em>).<\/p>\n<p><strong>16.<\/strong> O que \u00e9 a contempla\u00e7\u00e3o? Frei Jos\u00e9 Rodriguez Carballo assim fala sobre o assunto: \u201cPartamos de um texto da virgem Clara. A Santa escreve para In\u00eas com o intuito de ensinar-lhe a contemplar. N\u00e3o lhe pede que fale, cante ou reflita, mas somente que ponha a sua mente, sua alma e seu cora\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo: \u201cPonha a mente no espelho da eternidade, coloque a alma no esplendor da gloria. Ponha o cora\u00e7\u00e3o na subst\u00e2ncia da figura divina e transforme-se inteira pela contempla\u00e7\u00e3o, na imagem da divindade\u201d (<em>3\u00aa. Carta a In\u00eas 12-13)<\/em>. Nisso consiste a contempla\u00e7\u00e3o: p\u00f4r, colocar, ordenar a mente, a alma e o cora\u00e7\u00e3o que estejam constantemente \u201cvoltados para o Senhor\u201d, como diz S\u00e3o Francisco. Ele, e s\u00f3 Ele, deve ser o centro da capacidade de compreens\u00e3o (a mente), o centro da capacidade de amar ( o cora\u00e7\u00e3o) e o centro da capacidade de viver no mundo de Deus ( a alma). Desse modo, a contempla\u00e7\u00e3o abarca toda a pessoa\u201d (<em>Carta \u00e0s Clarissas do ano de 2006<\/em>).<\/p>\n<p><strong>17.<\/strong> Pela contempla\u00e7\u00e3o de Cristo, Clara se tornou imagem da divindade e com todas as veias de seu cora\u00e7\u00e3o escrevia a In\u00eas de Praga: \u201cTomara que voc\u00ea se inflame cada vez mais no ardor dessa caridade, \u00f3 rainha do Rei Celeste! Al\u00e9m disso, contemplando suas indiz\u00edveis del\u00edcias, riquezas e honras perp\u00e9tuas proclame, suspirando com tamanho desejo do cora\u00e7\u00e3o e tanto amor: Arrasta-me atr\u00e1s de ti. Corramos no odor dos teus b\u00e1lsamos, \u00f3 esposo celeste! Vou correr sem desfalecer, at\u00e9 me introduzires na tua adega, at\u00e9 que a tua esquerda esteja sobre a minha cabe\u00e7a, sua direita me abrace toda feliz e me d\u00eas o beijo mais feliz de tua boca\u201d (<em>4\u00aa. Carta a In\u00eas, 27-32<\/em>). Em seus escritos e suas cartas, Clara levanta o v\u00e9u de sua contempla\u00e7\u00e3o marcada pelo ardor do desejo e o experimentar a do\u00e7ura escondida que Deus revela aos que o amam.<\/p>\n<p><strong>18.<\/strong> Essa centralidade do Absoluto em Clara est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com a \u00e9poca p\u00f3s-moderna em que busca coisas e satisfa\u00e7\u00f5es fragmentadas. N\u00e3o existe a hist\u00f3ria, mas acontecimentos isolados. N\u00e3o existe o absoluto, mas o relativo. Tudo \u00e9 provis\u00f3rio. Tudo \u00e9 parcial. A vida de ora\u00e7\u00e3o e, sobretudo de contempla\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o de Clara para os nossos tempos. Essa imers\u00e3o no Amado lan\u00e7a luz sobre nossa ora\u00e7\u00e3o t\u00e3o separada de nossa vida e de nosso projeto de vida, ora\u00e7\u00e3o t\u00e3o mec\u00e2nica e t\u00e3o pobre. Somos convidados a rever nossa vida de busca do Absoluto. Clara grita aos nossos ouvidos.<\/p>\n<p><strong>Concluindo<\/strong><\/p>\n<p><strong>A.<\/strong> Clara viveu a aventura de Deus. Entregou-se nas m\u00e3os do Senhor. Saiu de casa sem o mapa do caminho. Entregou-se sem reservas \u00e0 maneira de Abra\u00e3o. Ele quer que hoje questionemos o \u201cnosso ponto\u201d de partida, a viv\u00eancia de nossa voca\u00e7\u00e3o que haver\u00e1 de fazer numa entrega irrestrita ao Senhor dentro das condi\u00e7\u00f5es de seculares que s\u00e3o os terceiros franciscanos e de religiosos que s\u00e3o os frades. Por sua vida, Clara grita esse testemunho. N\u00e3o somos donos de n\u00f3s. Que o Senhor possa fazer uma obra de arte em cada um de n\u00f3s! As coisas n\u00e3o est\u00e3o acabadas.<\/p>\n<p><strong>B.<\/strong> Os franciscanos, sejam eles quais forem, s\u00e3o pessoas despojadas, sem trunfos, sem exig\u00eancias, sem reivindica\u00e7\u00f5es na linha do poder, do prest\u00edgio, do ter. Clara e as irm\u00e3s de S\u00e3o Dami\u00e3o viviam em total simplicidade e mod\u00e9stia, viviam de esmolas e, nos come\u00e7os, as pessoas n\u00e3o eram generosas nas esmolas. Casa modesta, cama modesta, comida modesta, muitas vezes vida de pen\u00faria. Clara ensina os franciscanos da Ordem 1\u00aa a levar a s\u00e9rio o compromisso de pobreza evang\u00e9lica. Sugere que as Fraternidades Seculares sejam constitu\u00eddas de pessoas simples, sem pose, sem pompas. Gente que n\u00e3o d\u00e1 import\u00e2ncia \u00e0s apar\u00eancias, aos aplausos e todo tipo de superioridade, gente com um estilo de vida pobre. Muitas irm\u00e3s clarissas, em nossos dias, vivem realmente a pobreza e espelham a alegria de terem pouca bagagem na caminhada da vida.<\/p>\n<p><strong>C.<\/strong> Ser franciscano \u00e9 ser cultivador da fraternidade. Desafio constante. Nunca matamos completamente o Caim que existe em n\u00f3s. Vemos Clara cuidando das irm\u00e3s, cobrindo-as no tempo do inverno, acolhendo com carinho as que sa\u00edam para esmolar, sendo m\u00e3e e irm\u00e3. Tudo se passa no ex\u00edguo espa\u00e7o dos lugares de S\u00e3o Dami\u00e3o. O nome verdadeiro das clarissas \u00e9 o de irm\u00e3s pobres. O exemplo de Clara e as observa\u00e7\u00f5es de sua Regra pedem que nos interessemos mais uns pelos outros, que preparemos cuidadosamente nossos encontros fraternos. Os franciscanos seculares, no momento atual, est\u00e3o empenhados e rever a qualidade de sua vida fraterna e, de modo particular, a maneira como realizam os encontros fraternos. Clara grita que precisamos viver o bem-querer concreto.<\/p>\n<p><strong>D.<\/strong> A grande atividade de Clara e de suas irm\u00e3s era a da ora\u00e7\u00e3o: of\u00edcio, missa, longas horas de medita\u00e7\u00e3o, contempla\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o de Jesus e do Crucifixo bizantino. Clara, como Francisco, pede que as irm\u00e3s, no meio de seus trabalhos, n\u00e3o venham a perder o esp\u00edrito da santa ora\u00e7\u00e3o. As cartas dirigidas a In\u00eas de Praga nos falam de uma ora\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o. Os franciscanos, tanto os seculares quanto os da Ordem 1\u00aa, gostam de passar um tempo junto ao mosteiro das clarissas. Clara est\u00e1 gritando que toda esse nossa correria, esses discursos e essa nossa fala pouco adiantam. Sentimos que precisamos rever a qualidade de nossa ora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver sem saudades do Senhor. Precisa haver lugar em nossas agendas a tentativa, nem sempre f\u00e1cil, de buscar o Esposo que n\u00e3o quer partes de n\u00f3s mas a inteireza de nosso ser.<\/p>\n<p><strong>E.<\/strong> Os Mosteiros de clarissas ser\u00e3o cada vez mais pr\u00f3ximos das pessoas, sem que percam o essencial o carisma. Suas liturgias ser\u00e3o eloquentes. Momentos de ora\u00e7\u00e3o e tarde de retiro podem ser feitos em nossos Mosteiros. Franciscano seculares poderiam melhor haurir as riquezas desses Mosteiros.<\/p>\n<p><strong>F.<\/strong> De toda nossa reflex\u00e3o ficou claro que os franciscanos e as clarissas precisar\u00e3o descobrir caminhos novos a serem trilhados. N\u00e3o cansamos de repetir que se torna urgente uma fidelidade criativa. Renovar ou morrer.<\/p>\n<p><strong>G. <\/strong>\u201cHoje somos v\u00edtimas de tens\u00f5es, do \u201cstress\u201d e da depress\u00e3o que amea\u00e7am nossa \u2018sa\u00fade\u2019 espiritual. Talvez uma das tarefas de Santa Clara poderia ser a de ajudar-nos a reencontrar a harmonia dos valores franciscano-clarianos, a gratuidade e a beleza de nossa vida, sem pretens\u00f5es de efici\u00eancia. \u00c9 f\u00e1cil sermos instrumentalizados pelas necessidades imediatas e perdermos a vis\u00e3o de conjunto, a capacidade de discernir aquilo que \u00e9 urgente, daquilo que \u00e9 necess\u00e1rio; preocupamo-nos com muitos projetos que programamos ou que nos s\u00e3o propostos pelo mundo consumista em que vivemos e corremos o risco de esquecer o compromisso prim\u00e1rio de ser \u201cprojeto de Deus\u201d. Creio que seja urgente, hoje, renovar e continuar a colabora\u00e7\u00e3o entre Clara e Francisco para evitar toda forma de \u201cins\u00e2nia\u201d, de \u201cesquizofrenia\u201d que destr\u00f3i a pr\u00f3pria vida consagrada\u201d <strong>(Frei Giacomo Bini, OFM).<\/strong><\/p>\n<div>\n<p><em>Clara n\u00e3o reivindicou para ela e suas irm\u00e3s o direito de pregar ou ensinar, mas desejava ardentemente continuar vivendo em simbiose com os irm\u00e3os menores e recusava a ideia de ver a sua comunidade transformar-se em um mosteiro de virgens reclusas e dotadas de rendas; se parece n\u00e3o ter tido dificuldade em aceitar a estabilidade e a clausura, \u00e0 semelhan\u00e7a das reclusas, que, aos mesmo tempo que se dedicavam \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, guardavam contato como mundo que as rodeava, Clara sempre recusou ceder no cap\u00edtulo da pobreza, porque o fato de viver numa precariedade permanente constitu\u00eda o ponto sobre o qual a sua funda\u00e7\u00e3o podia, diferenciando-se do monarquismo beneditino cl\u00e1ssico, permanecer fiel ao Esp\u00edrito do Poverello e, atrav\u00e9s dele, com as aspira\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas que haviam animado os movimentos leigos do s\u00e9culo XI e come\u00e7os do s\u00e9culo XIII.<\/em><\/p>\n<p><em>Andr\u00e9 Vauchez<\/em><br \/>\n<em> Santa Clara y los movimientos religiosos femininos de su tiempo<\/em><br \/>\n<em> Selleciones de Franciscanismo, 1977, vol 26, p. 452<\/em><\/p>\n<p><strong>Frei Almir Ribeiro Guimar\u00e3es, OFM<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santa Clara de Assis &#8211; Frei Almir Guimar\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":176288,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[65],"tags":[108],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - 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