{"id":177001,"date":"2017-03-08T13:55:55","date_gmt":"2017-03-08T16:55:55","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/carisma\/?p=177001"},"modified":"2020-06-25T13:57:50","modified_gmt":"2020-06-25T16:57:50","slug":"ofs-revisitar-o-seu-interior-em-vista-da-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/carisma\/ofs-revisitar-o-seu-interior-em-vista-da-missao.html","title":{"rendered":"OFS: revisitar o seu interior em vista da miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/francisco_080317.jpg\" alt=\"francisco_080317\" width=\"830\" height=\"472\" \/><\/p>\n<blockquote><p><strong>ORDEM FRANCISCANA SECULAR DO BRASIL<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo Ordin\u00e1rio Avaliativo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Campo Largo,\u00a0 PR<\/strong><\/p>\n<p><strong>17 a 19 de mar\u00e7o\u00a0 de 2017<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<h3><strong>Tema:\u00a0 Franciscano secular: revisitar o seu interior em vista da miss\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Lema: Uma forma\u00e7\u00e3o que motive e acenda a chama<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/h3>\n<hr \/>\n<p><em>Neste m\u00eas de mar\u00e7o, os franciscanos seculares do Brasil estar\u00e3o reunidos em Cap\u00edtulo Avaliativo, no munic\u00edpio de Campo Largo (PR). Apresentamos aos leitores deste site algumas ideias centrais a respeito do tema\u00a0 escolhido: revisitar o interior em vista da miss\u00e3o. Redescobrir o \u201clugar do cora\u00e7\u00e3o\u201d para que a nossa miss\u00e3o seja\u00a0 significativa e n\u00e3o apenas \u201cnuvens sem \u00e1gua\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em>Frei Almir Ribeiro Guimar\u00e3es, OFM,\u00a0Assistente Nacional pelos Menores<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8211; Revisitar, redescobrir o interior de cada um, eis uma tarefa \u00e1rdua de se realizar. Trata-se de descobrir a pr\u00f3pria interioridade, de ir ao fundo de sua identidade. Somos bem mais que esta capa que nos reveste. Somos pernas, bra\u00e7os, pulm\u00f5es, puls\u00f5es, mas tamb\u00e9m seres desejosos de um amanh\u00e3 que estamos a perseguir. Carregamos sonhos e apelos. Somos uma contradi\u00e7\u00e3o ambulante. Queremos o bem e \u00e9 o mal que fazemos. Viemos do passado, caminhamos para o amanh\u00e3. Somos um ser de desejos com outros seres de desejos e vamos assim rasgando a nossa hist\u00f3ria no tempo que passa, nesse mundo que \u00e9 nosso e no cora\u00e7\u00e3o da Igreja, esposa de Cristo, sinal de sua Presen\u00e7a no mundo. Precisamos ser pessoas conscientes de n\u00f3s mesmos e do verdadeiro sentido da vida. Haveremos de viver com alma. N\u00e3o podemos deixar nosso interior criar teias de aranha. Precisa ser arejado. O homem, o crist\u00e3o, o franciscano e o mission\u00e1rio que somos, o somos a partir do \u201clugar do cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; \u201cA pessoa necessita de um solo vital sobre o qual possa construir com coer\u00eancia seu pr\u00f3prio relato, assentar suas fidelidades e compromissos pessoais. Sem isso a sua biografia se resume a um somat\u00f3rio de acontecimentos pessoais, desconexos e soltos. Fundar a pessoa, ajud\u00e1-la a conseguir esse solo pessoal, deve ser o grande objetivo dos processos educativos\u201d <em>(Patxi \u00c1lvares de los Mozos, SJ).<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Interior, interioridade. Quando abordamos o tema n\u00e3o estamos querendo defender uma esp\u00e9cie de fuga da realidade, de desprezo pelas coisas do mundo e mergulho no mundo de um subjetivismo oco e alienante. Somos cidad\u00e3os do grande mundo e sentimos que nosso lugar \u00e9 nele para humaniz\u00e1-lo transform\u00e1-lo \u00e0 luz do Evangelho e de nossa voca\u00e7\u00e3o franciscana. Claro. Revisitar o interior, no entanto, \u00e9 tarefa inadi\u00e1vel. Isso precisa ficar claro. Mesmo como franciscanos corremos o risco de sermos vazios, superficiais, sem consist\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8211; A profundidade e a velocidade de transforma\u00e7\u00f5es de nossa sociedade, o abandono de cren\u00e7as (da f\u00e9), a superestimula\u00e7\u00e3o a que somos submetidos, o ru\u00eddo externo e interno, as tecnologias, a competitividade, a falta de pontos de refer\u00eancia est\u00e3o fazendo com as pessoas tenha perdido suas ra\u00edzes. Conhecemos a express\u00e3o consagrada de \u201csociedade l\u00edquida\u201d. O conhecido soci\u00f3logo Z. Baumann, recentemente falecido, falava dos \u201cn\u00e1ufragos existenciais\u201d. Pessoas que necessitam de casa, paz e solo. Nesse contexto \u00e9 que se deve situar a busca da interioridade.<\/p>\n<p>&#8211; Vivemos o tempo do consumo e da gastan\u00e7a. Os aparelhos mais sofisticados tornam-se obsoletos da noite para o dia. Tudo \u00e9 r\u00e1pido. H\u00e1 um convite para comprar o novo, adquirir o que d\u00e1 status. Uns t\u00eam vergonha de ir a um casamento com a mesma roupa que usaram numa festa do ano que passou. As pessoas gastam comendo, comprando aquilo que n\u00e3o \u00e9 importante, acumulando, juntando. Consumimos bens e consumimos pessoas. Uns se enamoram um tempo e depois se largam, se descartam. Houve decis\u00e3o, houve escolha, houve alguma coisa que tenha partido do mais \u00edntimo da pessoa? Por que tantas desist\u00eancias de frades e tantos pedidos de afastamento em nossas fraternidades seculares. As pessoas mudam de op\u00e7\u00f5es, de parceiros com se muda de camisa. Decis\u00f5es na vida tomadas por pessoas sem consist\u00eancia, decis\u00f5es reform\u00e1veis demais.<\/p>\n<p>&#8211; \u201cUm dos paradoxos do individualismo contempor\u00e2neo \u00e9 de ignorar a singularidade insubstitu\u00edvel da pessoa e fabricar indiv\u00edduos sem consist\u00eancia, indiv\u00edduos sem ancoradouro e model\u00e1veis segundo os seus desejos, \u201cidentidades se pessoa\u201d (<em>Nathalie Sarthou-Lajus, revista \u00c9tudes 4122, fev. 2010, p 152<\/em>).<\/p>\n<p>&#8211; Dentro de cada pessoa h\u00e1 um mundo quase inexplorado. Muitos nem suspeitam do que dorme em seu interior. Vivem s\u00f3 a partir de fora. Com esta afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o pensamos aqui no mundo dos sentimentos e dos afetos. Nem se trata de psicologia ou psiquiatria. \u00c9 um pa\u00eds mais profundo e misterioso. Chama-se, de fato, interioridade. Desse mundo nasce a pergunta mais simples e mais elementar do ser humano. Quem sou eu? Antes mesmo que possamos responder a outras indaga\u00e7\u00f5es que v\u00e3o brotando: De onde venho? Por que estou na vida? Para qu\u00ea? Como terminar\u00e1 tudo isso? Os irm\u00e3os que chegam trazem suas riquezas pessoais. Ser\u00e1 que elas veem \u00e0 tona? Ser\u00e1 que os formadores s\u00e3o suficientemente habilidosos para acolher o presente do outro, da profundidade do outro?<\/p>\n<p>&#8211; Viver, vida, vida interior, vida espiritual. H\u00e1 esse nascer, crescer, morrer, deitar, levantar, correr, vender, casar, ter nascido numa fam\u00edlia cat\u00f3lica, ter sido batizado, casado na Igreja. H\u00e1 esse casal aparentemente ajustado, parecendo respirar harmonia. Ser\u00e1 que os dois vivem um amor em plenitude? N\u00e3o constituem apenas a justaposi\u00e7\u00e3o de dois individualismos? H\u00e1 uma paix\u00e3o para ser pai e ser m\u00e3e? H\u00e1 a paix\u00e3o de viver de verdade e n\u00e3o simplesmente empurrar a vida para frente? H\u00e1 ainda esse mendigo deitado sob uma marquise, enrolado em trapos, fumando pontas de cigarro que recolhe do ch\u00e3o ainda fumegantes. Vidas, vidas em caminho da plenitude e vidas vazias. Sem eira, sem beira. N\u00e3o adianta apenas deitar, levantar, correr, trabalhar, ser m\u00e3e, ser pai, ser cat\u00f3lico, ser franciscano. \u00c9 preciso viver tudo isso a partir do mist\u00e9rio do interior. Necess\u00e1rio viver com alma. Quando se escuta dizer que muitas de nossas fraternidades franciscanas seculares est\u00e3o desmotivas n\u00e3o se deveria dizer que elas perdem o endere\u00e7o do \u201clugar\u201d do cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o se trata de se comprazer em cultivar uma interioridade desencarnada, alheia ao mundo, a tudo. Basta de religi\u00f5es e pr\u00e1ticas religiosas sentimentais, alienadas, afetuosas e quentes. Quando falamos em interioridade n\u00e3o pensamos nessas aberra\u00e7\u00f5es, nos psicologismos, e numa fren\u00e9tica busca religiosa alienante. O homem \u00e9 irm\u00e3o do homem, o crist\u00e3o \u00e9 sal da terra, luz do mundo e fermento na massa. N\u00e3o vive para contemplar as belezas e feiuras de seu interior. Vive-se para os outros. Isto, no entanto, n\u00e3o pode fazer com que as pessoas sejam derramados nos acontecimentos, no vazio e no superficial.<\/p>\n<p>&#8211; A sociedade contempor\u00e2nea vem focada sobre o indiv\u00edduo, fragmentado com uma identidade flu\u00edda. Temos diante de n\u00f3s uma mudan\u00e7a radical da vis\u00e3o do homem, determinada sobretudo pela tecnologia. Importante que o indiv\u00edduo permane\u00e7a sujeito desse desenvolvimento, sobretudo a partir da verdade sobre si mesmo. Acontece que ocorre termos medo de entrar em n\u00f3s mesmos, com a pobreza de sentimentos, de afetos, de capacidade de amar e ser amado. No espa\u00e7o da interioridade, o sil\u00eancio pede a escuta de n\u00f3s mesmos, dos outros da realidade. Na verdade, tornamo-nos estranhos a n\u00f3s mesmos. O caminho para dentro de n\u00f3s mesmos torna-se, para nossa interioridade e para o sil\u00eancio torna-se testemunho de uma vida alternativa. O caminho para a interioridade \u00e9 um itiner\u00e1rio de tratamento das feridas mais profundas. N\u00e3o se pode conceber convers\u00e3o evang\u00e9lica, o trilhar do caminho de penit\u00eancia, de transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o pela convers\u00e3o a n\u00e3o ser a partir do interior. Esse \u00e9 precisamente o programa da Quaresma: deserto, sil\u00eancio, ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Na vida que levamos, agitada, r\u00e1pida demais, tudo com pressa vamos sentindo que nossa vitalidade interior fica comprometida. Vamos nos tornando figuras sem transpar\u00eancia, sem clareza, sem nitidez, fantasmas sem cor, sem corpo, sem vida. Necess\u00e1rio se faz recuperar a vitalidade, refrescar nosso ser, retomar pr\u00e1ticas que nos permitam gostar da vida e de tudo a partir de nosso interior. N\u00e3o se trata de buscar fora de n\u00f3s o que possa nos saciar. H\u00e1 uma sabedoria na interioridade que vamos encontrar no que chamamos de cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sabemos escutar as vozes interiores. Como esses mananciais que brotam do interior da terra ou da pedra com for\u00e7a \u00e0 maneira de jatos, necessitamos viver de uma \u00e1gua interior. Nesse cotidiano apressado pode ser que, aos poucos, dentro de n\u00f3s tenham sido depositadas aos poucos camadas de cinza e de areia. Decep\u00e7\u00f5es, rotina, superficialidade, futilidades, quem sabe, forma obstruindo nossas fontes interiores. E somos crist\u00e3os por costumes. Somos franciscanos sem alma.<\/p>\n<p>&#8211; Nossas ra\u00edzes encontram-se num lugar essencial chamado cora\u00e7\u00e3o. Necessitamos reencontrar o cora\u00e7\u00e3o como lugar primordial dos desejos, como o interior de onde brotam as fontes da vida. Somente assim poderemos nos apropriar das fontes da vida. Cultivar, alimentar o desejo, a busca da plenitude significa sair da vulgaridade, da superficialidade. E esse desejo anda adormecido, entorpecido, sedado com tantas comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; Abrir-se ao mundo interior &#8211; mundo do esp\u00edrito e da alma &#8211; quando isso de fato acontece &#8211; quer dizer expor-se \u00e0 Realidade transcendente, ao Mist\u00e9rio, \u00e0 Presen\u00e7a. Quando visitamos o interior, refletimos sobre os nossos mist\u00e9rios sentimo-nos transpassados por uma Presen\u00e7a luminosa. \u00c9 nesse interior mais \u00edntimo que encontramos o chamado para seguir Cristo, para iluminar nossa vida com o g\u00eanero franciscano de viver. Por toda a nossa vida seguimos a lei do Evangelho e do esp\u00edrito franciscano.<\/p>\n<p>&#8211; Transcend\u00eancia e subjetividade convergem numa dimens\u00e3o interior que longe de esgotar em si mesma projeta-se na dire\u00e7\u00e3o de um estar no mundo de um outro modo. \u00c9 um estar pessoal, existencialmente significativo, a partir da verdade e do amor. As pessoas que habitam seu interior olham o mundo de outro modo. N\u00e3o h\u00e1 apenas caras, mas semblantes que constituem chamada e epifania. N\u00e3o h\u00e1 trivialidade, mas transpar\u00eancia que evoca o Mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>&#8211; Quando se vive a partir do interior e n\u00e3o da superficialidade \u00e9 poss\u00edvel que se crie uma subjetividade consistente que, por sua vez permite uma aproxima\u00e7\u00e3o correta da realidade e n\u00e3o marcada por imaturidades e precisamente por inconsist\u00eancias de car\u00e1ter e de seguimento a Cristo Jesus. Assim entendida a interioridade faz com que aprendamos a n\u00e3o olhar instrumentalmente para as pessoas, para o mundo. Leva-nos a posturas de gratuidade e de assombro. Faz com que nos afastemos de emo\u00e7\u00f5es ef\u00eameras e da superficialidade.<\/p>\n<p>&#8211; Desnecess\u00e1rio evocar todos os escritos, epis\u00f3dios da vida da Francisco que falam desse busca do Senhor na interioridade: noites em sil\u00eancio, hesita\u00e7\u00e3o em assumir o apostolado ou a vida contemplativa, regra para os eremit\u00e9rios, insist\u00eancia em seus escritos de preparar morada digna para o Senhor e tanto mais. Basta ler o cap. 23 da Regra n\u00e3o Bulada. Na linha de se refazer o nosso solo \u00edntimo, nossa pessoa, alguns elementos:<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u2022 <\/strong>\u00a0Sem questionamentos vitais n\u00e3o pode haver crescimento. N\u00e3o se pode viver de rotina. Necess\u00e1rio buscar experi\u00eancias novas que coloquem a pessoa em movimento. Sempre de novo viver experi\u00eancias na linha da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o: ser homem, ser mulher, ser pai e ser m\u00e3e, ser crist\u00e3o e franciscano em tudo isso.<\/p>\n<p><strong>\u2022 <\/strong>\u00a0No tempo da forma\u00e7\u00e3o e ao longo da vida tr\u00eas grandes experi\u00eancias a serem vivenciadas e sempre revistas: profundo e pessoal conhecimento do Senhor, aproxima\u00e7\u00e3o do que \u00e9 sem valor, pobre, doente e certeza de um fraternismo universal que comporta tamb\u00e9m o cuidado pela cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u2022 <\/strong>\u00a0Levar as pessoas a frequentar o interior e adquirir o h\u00e1bito de examinar a vida, questionar posicionamentos, evitar agir com rotina, mas a partir da verdade mais \u00edntima de cada um. Por que? Para qu\u00ea? N\u00e3o adormecer nas escolhas feitas: casamento, maternidade, ser crist\u00e3o, ser franciscano. Nada de rotina, mas decis\u00f5es retomadas a partir do interior.<\/p>\n<p><strong>\u2022 <\/strong>\u00a0Adquirir o h\u00e1bito de viver momentos de sil\u00eancio para reorganizar a vida, arrumar o interior, examinar tudo (ver, julgar, agir).<\/p>\n<p><strong>\u2022 <\/strong>\u00a0Organizar um projeto de vida com marcas evang\u00e9licas e franciscanas: sair do consumismo, estilo de vida simples, ter gosto pelo que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o doce, ter o gosto de dar lugar aos outros. Deixar-se impregnar do esp\u00edrito da Regra que for\u00e7osamente forma nosso homem interior.<\/p>\n<p><strong>\u2022 <\/strong>\u00a0Solidificar sua personalidade: leitura espiritual, partilha de vida na fraternidade. A leitura meditada do evangelho, das Regras e das Admoesta\u00e7\u00f5es, ao longo do tempo, cria interioridade.<br \/>\n<strong>\u2022 <\/strong>\u00a0Rever seriamente o cap\u00edtulo da ora\u00e7\u00e3o. Pessoalmente cuidar de envolver-se de fato com o Senhor. Import\u00e2ncia da medita\u00e7\u00e3o frequente feita a portas fechadas. Os franciscanos e franciscanas sentem sempre saudade do eremo.<br \/>\n<strong>\u2022 <\/strong>\u00a0A reuni\u00e3o da fraternidade e pequenos grupos s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia para a reconstru\u00e7\u00e3o da pessoa. Temos insistido demais na qualidade das reuni\u00f5es gerais.<\/p><\/blockquote>\n<h3><strong>\u2022 Revisitar o interior em vista da miss\u00e3o:<\/strong><\/h3>\n<p>Esta a segunda parte da enuncia\u00e7\u00e3o do tema do Cap\u00edtulo Avaliativo. De um lado precisamos rever os expedientes que andamos empreendendo para alimentar o \u201clugar do cora\u00e7\u00e3o\u201d e, de outro, lado cuidar de nosso ir pelo mundo.<\/p>\n<p>Os franciscanos seculares fazem suas as palavras de Paulo: \u201cAi de mim sen\u00e3o evangelizar\u201d. Todo o empenho de revisitar o interior, o dar for\u00e7a ao nosso eu mais profundo banhado na gra\u00e7a de Cristo, leva o crist\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o. \u201cO lugar do cora\u00e7\u00e3o torna-se um espa\u00e7o de sensibilidade ao grito de dor das criaturas e dos pobres. A redescoberta da interioridade leva-nos ao outro, na verdade e no amor\u201d.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u2022 <\/strong>\u00a0Miss\u00e3o, pastoral, evangeliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o palavras muito s\u00e9rias. N\u00e3o se improvisa a miss\u00e3o. Os que agem na miss\u00e3o s\u00e3o precedidos pela gra\u00e7a do Senhor. Os \u201cservos mission\u00e1rios\u201d ou preparam os caminhos para o Senhor ou agem depois que o Senhor veio a tocar os cora\u00e7\u00f5es, ou seja, ajudam a f\u00e9 nascer e contribuem para que seja vigorosa. H\u00e1 uma m\u00edstica na miss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u2022 <\/strong>\u00a0A Ordem Franciscana Secular est\u00e1 sempre a servi\u00e7o da Igreja e da dilata\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. N\u00e3o somos pessoas dopadas por um ativismo. Nosso agir evangelizador parte de nosso n\u00f3 interior. Como leigos, os franciscanos seculares, embora se coloquem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de bispos e padres para o servi\u00e7o do altar e dos sacramentos, sabem que seu lugar de pastoral e de miss\u00e3o \u00e9 na massa, no mundo, na escola, no trabalho, na fam\u00edlia, no mais \u00edntimo do casal, na pol\u00edtica, no engajamento em a\u00e7\u00f5es que sejam significativas para humanizar o homem e que tenham sua fonte no carisma franciscano: estar ao lado dos mais abandonados, empreendimentos que visam a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p><strong>\u2022 <\/strong>\u00a0N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que cada fraternidade organize \u201csua\u201d pastoral. Importante evangelizar. H\u00e1 tr\u00eas modos de evangeliza\u00e7\u00e3o que j\u00e1 lembrava Paulo VI em Evangelica Testificatio: testemunho modesto, servi\u00e7o humilde e anuncio expl\u00edcito. Os franciscanos podem se inserir em pastorais e miss\u00f5es da Igreja.<\/p>\n<p><strong>\u2022 <\/strong>\u00a0Tomo a liberdade de evocar alguns tipos de miss\u00e3o que s\u00e3o urgentes e que podem ser assumidos pelos terceiros franciscanos: preparar jovens para o casamento e a vida familiar (com cores franciscanas), trabalho na pastoral carcer\u00e1ria, organizar tarde de estudo e de ora\u00e7\u00e3o para levar as pessoas para seu interior e l\u00e1 encontrar o Mist\u00e9rio.<\/p><\/blockquote>\n<h3>Textos para reflex\u00e3o<\/h3>\n<p><strong>1. Consolidar o sujeito<\/strong><\/p>\n<p>Consolidar sup\u00f5e dar condi\u00e7\u00f5es para que cres\u00e7a, que aprofunde e deite ra\u00edzes; que flores\u00e7a. Tal consolida\u00e7\u00e3o se opera no interior do sujeito, precisando, \u00e9 claro, tamb\u00e9m do entorno comunit\u00e1rio que venha a possibilit\u00e1-lo. Tal consolida\u00e7\u00e3o n\u00e3o se realiza sem algum tipo de la\u00e7o comunit\u00e1rio. Devido a isso a import\u00e2ncia de espa\u00e7os comunit\u00e1rios verdes e est\u00e1veis. H\u00e1 algumas expedientes que podem contribuir para esse crescimento.<\/p>\n<p>O acompanhamento \u00e9 uma dessas pr\u00e1ticas b\u00e1sicas. Consiste em permitir que outra pessoa que sintoniza com o pr\u00f3prio projeto vital tenha ocasi\u00e3o de fazer uma verifica\u00e7\u00e3o. Trata-se de colocarmo-nos nas m\u00e3os de outros para podermos ser fi\u00e9is \u00e0 nossa pr\u00f3pria intimidade. Se assim n\u00e3o for, os enganos haver\u00e3o de suceder-se.<br \/>\nPrecisamos renovar nossa pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio sentido da vida, refrescar nossa mem\u00f3ria, voltar aos primeiros tempos e ao primeiro amor. Atualiza-la em sua mais profunda radicalidade e em suas fontes.<\/p>\n<p>S\u00e3o necess\u00e1rias celebra\u00e7\u00f5es do sentido da pr\u00f3pria vida. O que n\u00e3o \u00e9 mais celebrado perde a transcend\u00eancia de seu sentido e acaba por desaparecer.<\/p>\n<p>Fundar, reabilitar, provar, consolidar. Do sucesso desse empreendimento depende que possamos, no futuro, contar com pessoas e grupos humanos que creiam e se comprometam na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais conforme a vontade de Deus. Por isso, personalizar &#8211; permitir-se ao luxo de se viver com paix\u00e3o, de viver com alma \u2013 hoje \u00e9 o maior desafio societal que devemos afrontar.<br \/>\n<em>Vivir con alma.<\/em><br \/>\n<em>Necessitados de personalizacci\u00f3n <\/em><br \/>\n<em>Patxi \u00c1lvares de los Mozos, SJ<\/em><br \/>\n<em>Sal Terrae 91 (2003), p. 494<\/em><\/p>\n<h3>2. A cela interior e o cora\u00e7\u00e3o puro<\/h3>\n<p>S\u00e3o Francisco olha o crist\u00e3o como algu\u00e9m que foi transformado pelo Esp\u00edrito do Senhor em sua habita\u00e7\u00e3o permanente (1CtFi 48), algu\u00e9m que foi chamado a preparar dentro de si mesmo uma morada para Ele (RNB 22,24) e, ao mesmo tempo, morar na comunh\u00e3o trinit\u00e1ria (RNB 22,50). O cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o templo vivo, onde cresce o relacionamento entre Deus e a criatura humana.<\/p>\n<p>S\u00e3o Francisco convida-nos a \u201cconservar no cora\u00e7\u00e3o os segredos do Senhor\u201d (Adm 28,3) atrav\u00e9s da paz e da medita\u00e7\u00e3o, sem nervosismos nem dissipa\u00e7\u00e3o (Adm 27,4). S\u00e3o Francisco insiste sobre a cela interior a carregar sempre conosco. O sil\u00eancio a ser observado \u00e9 aquele do Evangelho, que evita a dissipar em palavras ociosas e in\u00fateis o fruto da ora\u00e7\u00e3o. Assim nos tornaremos sempre mais \u201cunificados\u201d no cora\u00e7\u00e3o a partir do cora\u00e7\u00e3o. A Virgem Maria \u00e9 o modelo daqueles que acolhem a Palavra, a guardam no cora\u00e7\u00e3o e a vivem todos os dias.<br \/>\nS\u00e3o Francisco admoesta-nos a \u201cadorar e ver o Senhor Deus, vivo e verdadeiro, com cora\u00e7\u00e3o e mente pura \u201c (Adm 16,2). O cora\u00e7\u00e3o puro sabe tamb\u00e9m escutar o sil\u00eancio de Deus diante das mis\u00e9rias humanas.<\/p>\n<p><em>O caminho que leva ao \u201clugar do cora\u00e7\u00e3o\u201d<\/em><br \/>\n<em>Achegas para descobrir interioridade e sil\u00eancio na vida franciscana<\/em><br \/>\n<em>Curia Geral OFM<\/em><br \/>\n<em>Roma 2003, 19-11<\/em><\/p>\n<h3>3. Personaliza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Podemos dizer que a personaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o maior desafio que precisaremos enfrentar nos pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. \u00c9 o maior por ser contracultural porque a atual sociedade reclama e fomenta indiv\u00edduos fragilizados, consumistas, d\u00e9beis, descompromissados. A personaliza\u00e7\u00e3o d\u00e1 lugar a pessoas \u201cinquietas\u201d, com certo grau de inadapta\u00e7\u00e3o. \u00c9 o maior por ser subversivo, porque n\u00e3o existe for\u00e7a mais revolucion\u00e1ria do que a vontade livre do sujeito quando se erige em sujeito. \u00c9 maior, al\u00e9m disso, por ser radical, pois sup\u00f5e o descer \u00e0s ra\u00edzes do ser humano, onde tudo acontece, ali onde somos interpelados em nossa consci\u00eancia pela Transcend\u00eancia. E maior, finalmente, por ser evangelizador, porque somente os que se adentram neste caminho encontrar\u00e3o o vigor da f\u00e9.<br \/>\nPatxi \u00c1lvarez de los Mozos, SJ<br \/>\nop. cit. supra, 491<\/p>\n<h3>4. Leigos franciscanos hoje<\/h3>\n<p>Leigo franciscano \u00e9 um crist\u00e3o que percebe um apelo de Deus a seguir o Cristo \u00e0 maneira de S\u00e3o Francisco de Assis porque descobre em si uma cumplicidade espiritual com as intui\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas de Francisco. \u00c9 um crist\u00e3o que percebe um apelo do Esp\u00edrito para viver hoje esse carisma franciscano necess\u00e1rio para a vida da Igreja e do mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 um crist\u00e3o que deseja marcar sua vida com tempos de ora\u00e7\u00e3o gratuitos para encontrar Deus e o Cristo e dar um sentido \u00e0 sua vida.<\/p>\n<p>\u00c9 um crist\u00e3o que deseja fazer o aprendizado da vida fraterna com irm\u00e3os e irm\u00e3s, sacerdotes, religiosos, leigos casados ou celibat\u00e1rios, em reciprocidade vital.<\/p>\n<p>\u00c9 um crist\u00e3o que tem necessidade de uma fraternidade de irm\u00e3os e de irm\u00e3s para enraizar e amadurecer em diversos engajamentos na luta contra toda forma de injusti\u00e7a, de viol\u00eancia, de racismo, de falta de respeito pela vida, por pessoas e para com a cria\u00e7\u00e3o e para concretizar sua paix\u00e3o pela paz.<\/p>\n<p>\u00c9 um crist\u00e3o cuja alegria manifesta que o Evangelho \u00e9 caminho de humaniza\u00e7\u00e3o, porque Francisco faz com que o Evangelho cante e mostra que seguir a Cristo \u00e9 caminho de felicidade. O carisma de Francisco, irm\u00e3ozinho universal, mais do que nunca tem muito a dizer nesse tempo de globaliza\u00e7\u00e3o para que esta grande utopia evang\u00e9lica seja atingida pelo Des\u00edgnio do amor de Deus.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s de S\u00e3o Francisco temos uma \u201cpartitura\u201d pr\u00f3pria a tocar no futuro que devemos construir com homens e mulheres de boa vontade privilegiando as pessoas no seio da Fraternidade universal; manifestando a novidade do Evangelho, fonte de felicidade; encarnando no cotidiano dos relacionamentos, o amor salvador de Cristo; esfor\u00e7ando-nos por sermos testemunhas da liberdade interior no Esp\u00edrito; recusando a ditadura do dinheiro e a pauperiza\u00e7\u00e3o de dois ter\u00e7os do planeta. Construir o futuro encantando-nos com a beleza da criatura e promovendo um desenvolvimento humano sustent\u00e1vel; apaixonados pela paz e pelo di\u00e1logo entre as religi\u00f5es; solid\u00e1rios com uma Igreja por vezes pecadora, por vezes luminosa.<\/p>\n<p><em>Um mundo novo est\u00e1 em parturi\u00e7\u00e3o. A fam\u00edlia franciscana dever\u00e1 nesta hora fazer ouvir sua m\u00fasica.<\/em><br \/>\n<em>Michel Hubaut<\/em><br \/>\n<em>Chemins d\u2019int\u00e9riorit\u00e9 avec Saint Fran\u00e7ois<\/em><br \/>\n<em>\u00c9ditions Franciscaines, 2012, p. 17-19<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Frei Almir Guimar\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":177002,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[14],"tags":[47],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>OFS: revisitar o seu interior em vista da miss\u00e3o - Carisma - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/carisma\/ofs-revisitar-o-seu-interior-em-vista-da-missao.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"OFS: revisitar o seu interior em vista da miss\u00e3o - 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