{"id":10528,"date":"2012-02-17T10:09:28","date_gmt":"2012-02-17T12:09:28","guid":{"rendered":"http:\/\/new.franciscanos.org.br\/?p=10528"},"modified":"2019-08-06T15:26:06","modified_gmt":"2019-08-06T18:26:06","slug":"o-canto-de-uma-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/carisma\/o-canto-de-uma-vida.html","title":{"rendered":"O canto de uma vida"},"content":{"rendered":"<h4><strong>Os \u00faltimos momentos da vida de Clara de Assis<\/strong><\/h4>\n<blockquote><p><a href=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/clara_g1203.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-12886\" title=\"Santa Clara de Assis\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/clara_g1203.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"508\" \/><\/a>\u00a0<em>Irm\u00e3 Catherine Savey, clarissa, publicou\u00a0 na revista <\/em>\u00c8vangile\u00a0 Aujourd\u2019hui\u00a0<em> (n.194. 2002, p.6-11)\u00a0 um texto\u00a0 descrevendo os\u00a0 \u00faltimos\u00a0 momentos \u00a0de Clara e tecendo considera\u00e7\u00f5es a respeito da cultura da morte da Idade M\u00e9dia. \u00a0Querendo continuar nossa prepara\u00e7\u00e3o para o oitavo centen\u00e1rio da forma de vida de Clara acreditamos ser proveitosa para todos \u00a0a leitura deste texto.\u00a0 Substancialmente \u00e9 o texto de\u00a0 Irm\u00e3 Catherine, com algumas modifica\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><em>\u00a0<\/em>Para melhor captar o alcance\u00a0 da frase de Clara: <em>\u00a0\u201cObrigado, Senhor, por me teres criado\u201d,<\/em>\u00a0necess\u00e1rio se faz coloc\u00e1-la no seu contexto hist\u00f3rico.\u00a0 Ela \u00a0\u00e9 a conclus\u00e3o\u00a0 das palavras de encorajamento que Clara dirige a si mesma antes de morrer.\u00a0 A morte na Idade M\u00e9dia tinha um alcance sociol\u00f3gico consider\u00e1vel, tanto por ser frequente, como tamb\u00e9m devido ao n\u00famero de\u00a0 pessoas que cercam\u00a0 o\u00a0 moribundo e todo o quadro ritual que acompanha o final da vida. Os \u00faltimos dias de Clara\u00a0 e o relato que deles fazem as testemunhas est\u00e3o impregnados desta cultura.\u00a0 As \u00faltimas palavras de Clara constituem o fecho\u00a0 desta liturgia num canto de louvor\u00a0 que resume e d\u00e1 sentido a toda sua vida.<\/p>\n<p>\u201cObrigado, Senhor, por me teres criado\u201d. Muitos citam esta frase de Clara e,\u00a0 as mais das vezes, \u00e9 a \u00fanica palavra da <em>Plantinha<\/em> que conhecem. Um pouco como aquilo que acontece\u00a0 com a imagem de Francisco com os passarinhos. De acordo que tudo isso\u00a0 respire a alegria, o frescor, o louvor do Criador. Tudo pode ser correto, mas o contexto d\u00e1 um peso diferente aos prop\u00f3sitos de Clara.\u00a0 Estamos praticamente com suas \u00faltimas palavras.\u00a0 Necess\u00e1rio situ\u00e1-las em seu contexto.<\/p>\n<p>Na verdade, a frase \u00e9 conclus\u00e3o\u00a0 da ora\u00e7\u00e3o pronunciada por Clara no fim de sua vida.\u00a0 A passagem se situa em cap\u00edtulos que relatam os \u00faltimos dias de Clara e comporta dez par\u00e1grafos do total dos vinte e nove de sua biografia, o que denota a import\u00e2ncia desses\u00a0 \u00faltimos instantes para seu bi\u00f3grafo Tom\u00e1s de Celano.\u00a0 Uma tal constata\u00e7\u00e3o pode talvez nos causar surpresa.\u00a0 Os hagi\u00f3grafos da Idade M\u00e9dia, no entanto,\u00a0 tinham consci\u00eancia de que a morte \u00e9 mais do que o fim da vida. \u00c9, na verdade, sua conclus\u00e3o, o instante que d\u00e1 sentido a toda uma exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Para melhor compreender as p\u00e1ginas que cercam a frase \u201c Obrigado, Senhor, por me teres criado\u201d e assim tentar compreender a plenitude de seu significado\u00a0 parece oportuno\u00a0 ver como se situava a morte na cultura da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p><strong>A morte na Idade M\u00e9dia<\/strong><\/p>\n<p>Na Idade M\u00e9dia, a morte n\u00e3o causava surpresa.\u00a0 Ele acontecia com\u00a0 muita frequ\u00eancia ques que se tornava alguma coisa familiar.\u00a0 Mesmo se o s\u00e9culo XIII\u00a0 tivesse sido uma \u00e9poca de prosperidade em que as epidemias perdiam \u00a0a amplitude que ganhariam no s\u00e9culo seguinte,\u00a0 podemos\u00a0 dizer que Clara e Francisco viveram um tempo em que a realidade da morte estava sempre presente.\u00a0 Muitas crian\u00e7as morriam muito cedo, n\u00e3o poucas mulheres\u00a0 morriam no parto. As doen\u00e7as tamb\u00e9m ceifavam\u00a0 adultos na plenitude de suas for\u00e7as e homens sucumbiam em plena juventude nos campos das guerras.\u00a0 Al\u00e9m disso, a morte\u00a0 n\u00e3o era um acontecimento\u00a0 pessoal e escondido como acontece em nossos dias. Tinha um cunho eminentemente social.\u00a0 O moribundo era cercado de\u00a0 orantes\u00a0 (carpideiras), os funerais se revestiam de solenidade, o falecido era confiado \u00e0 intercess\u00e3o dos monges.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca em que a f\u00e9 era inquestion\u00e1vel, o problema\u00a0 n\u00e3o consistia em saber se existia vida ap\u00f3s a morte, mas se a pessoa que morria estava em condi\u00e7\u00f5es de \u00a0entrar no para\u00edso.\u00a0 A representa\u00e7\u00f5es do ju\u00edzo que adornavam os portais das catedrais\u00a0 constru\u00eddas nesta \u00e9poca testemunham esta preocupa\u00e7\u00e3o pela salva\u00e7\u00e3o eterna.\u00a0 A ang\u00fastia\u00a0 que brota da morte corporal era potencializada com o medo do castigo eterno.<\/p>\n<p>Tendo em mente o que dissemos, \u00a0compreende-se\u00a0 a import\u00e2ncia dos \u00faltimos instantes, ocasi\u00e3o em que o moribundo pode se reconciliar com a miseric\u00f3rdia divina.\u00a0 Aconselhava-se que, ent\u00e3o, ele\u00a0 fizesse \u201cdonativos\u201d para a celebra\u00e7\u00e3o de missas e a recita\u00e7\u00e3o de ora\u00e7\u00f5es pelos religiosos, que ele\u00a0 fizesse\u00a0 confiss\u00e3o geral de sua vida, recebesse o vi\u00e1tico, \u201calimento para o caminho\u201d at\u00e9 o para\u00edso e penhor de vida eterna, de ser acompanhado ao longo da agonia da ora\u00e7\u00e3o ininterrupta da fam\u00edlia e de pessoas que acorriam para\u00a0 prestar assist\u00eancia ao que morria.<\/p>\n<p>Se todas as condi\u00e7\u00f5es mencionadas fossem cumpridas, poder-se-ia mesmo esperar que uma legi\u00e3o de santos e anjos\u00a0 viesse escoltar o defunto, ajudando-o em sua ascens\u00e3o ao c\u00e9u e assim atravessando ileso o ar enfestado de dem\u00f4nios.<\/p>\n<p>Assim sendo feito, os funerais podiam se dar.\u00a0 Mesmo\u00a0 para\u00a0\u00a0 os pobres\u00a0 os funerais eram solenes.\u00a0 Havia festa para celebrar na alegria o come\u00e7o de uma nova vida.<\/p>\n<p>O que acabamos de dizer parece distante da a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as de Clara.\u00a0 Em tal contexto, no entanto, \u00e9 que devemos situar esse obrigado pela vida que sai dos l\u00e1bios da santa.<\/p>\n<p><strong>Os \u00faltimos dias de Clara<\/strong><\/p>\n<p>A \u201c<em>Vita\u201d<\/em>\u00a0 de Celano e os testemunhos do Processo de canoniza\u00e7\u00e3o de Clara est\u00e3o, com efeito, impregnados desta cultura.<\/p>\n<p>Certamente, a morte era familiar a Clara e seus contempor\u00e2neos:<\/p>\n<p>\u2022\u00a0As taxas\u00a0 de mortalidade n\u00e3o deveriam ser menores em S\u00e3o Dami\u00e3o\u00a0 do que em outros lugares. Clara assistiu algumas irm\u00e3s\u00a0 em seus \u00faltimos momentos. O\u00a0 <em>Processo<\/em>\u00a0 faz alus\u00e3o a v\u00e1rias dentre elas.<\/p>\n<p>\u2022\u00a0O Of\u00edcio dos Defuntos era recitado frequentemente em S\u00e3o Dami\u00e3o,\u00a0 talvez mesmo todos os dias como faziam os cistercienses, mas certamente durante v\u00e1rios dias ap\u00f3s a morte de uma irm\u00e3. Ele lembrava que a presente vida nada mais do que uma etapa para a eternidade.<\/p>\n<p>\u2022\u00a0As cartas de Clara dirigidas a In\u00eas de Praga\u00a0 falam de seu desejo ardente de ir ter com o Senhor no Reino.\u00a0 Tal pensamento era mais do que uma simples manifesta\u00e7\u00e3o de fervor. Era, de verdade, uma\u00a0 real probabilidade diante\u00a0 da prolongada doen\u00e7a de Clara.\u00a0 A morte poderia ser realidade\u00a0 a se concretizar num breve espa\u00e7o de tempo.\u00a0 Por duas vezes (em 1224 e 1251), \u00a0as irm\u00e3s temeram pelo pior.<\/p>\n<p>No dia 5 de novembro de 1251, \u00a0a corte pontif\u00edcia\u00a0 chegava a \u00d3stia.\u00a0 Depois se dirigiria\u00a0 a Perusa. O cardeal Rainaldo, bispo de \u00d3stia e cardeal protetor da Ordem, ficou sabendo do agravamento da enfermidade de Clara. Veio fazer-lhe uma visita, trazendo-lhe a comunh\u00e3o. Clara pede que ele consiga do Papa a aprova\u00e7\u00e3o da Regra.\u00a0 No ano seguinte, o Papa e os cardeais\u00a0 passam de Perusa a Assis.\u00a0 Clara est\u00e1 cada vez mais fraca. &#8220;Juntou-se nova fraqueza a seus membros sagrados gastos pela velha doen\u00e7a&#8230;&#8221; (Legenda, 41).\u00a0 Inoc\u00eancio IV \u00a0foi visitar\u00a0 a serva de Cristo\u00a0 e deu-lhe a absolvi\u00e7\u00e3o\u00a0 plena e a gra\u00e7a de uma ampla b\u00ean\u00e7\u00e3o.\u00a0 Depois, a Plantinha recebeu a comunh\u00e3o das m\u00e3os do ministro provincial.<\/p>\n<p>A morte n\u00e3o deveria tardar.\u00a0 Clara n\u00e3o se alimenta mais e sofre.\u00a0 As irm\u00e3s\u00a0 fazem vig\u00edlia noite e dia, sempre chorando.\u00a0\u00a0 Clara pede a presen\u00e7a de padres e de santos frades para que lhe leiam a Paix\u00e3o. Frei Rainaldo, sem d\u00favida seu confessor, e os primeiros companheiros de Francisco: Jun\u00edpero, Le\u00e3o, Angelo de Rieti acompanham os lamentos das irm\u00e3s e em suas preces.\u00a0 Cercada de t\u00e3o ilustres personalidades, irm\u00e3os sacerdotes, foi a Frei Jun\u00edpero,\u00a0 sabidamente homem de cora\u00e7\u00e3o extremamente singelo, que\u00a0 Clara pergunta \u201cse existe alguma coisa nova para aprender a respeito do Senhor\u201d.\u00a0 Essa insaci\u00e1vel Clara!\u00a0 \u201cEle abriu\u00a0 a\u00a0 boca e deixou sair centelhas ardentes da fornalha do fervoroso cora\u00e7\u00e3o.\u00a0 E a virgem de Deus\u00a0 ficou muito consolada com suas par\u00e1bolas\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o restava a Clara outra coisa sen\u00e3o, uma vez mais, recomendar\u00a0 \u00e0s suas irm\u00e3s o amor pela pobreza e lembrar-lhes os benef\u00edcios com os quais o Senhor as havia cumulado.<\/p>\n<p>Clara parece\u00a0 preparada para a grande partida. Tem consci\u00eancia de que em poucos minutos estar\u00e1 sozinha, face a face com seu Senhor.\u00a0 H\u00e1 muito tempo ela desejava\u00a0 que esta hora chegasse. Como muitos que est\u00e3o \u00e0s portas da morte, como o pr\u00f3prio\u00a0 Jesus, parece que ela se v\u00ea tomada de ang\u00fastia e ela mesmo se exortava\u00a0 \u00e0 confian\u00e7a.\u00a0 A virgem muito santa, voltando-se para si mesma, diz baixinho \u00e0 sua alma: \u201cV\u00e1 segura, que voc\u00ea tem uma boa escolta pelo caminho. V\u00e1, diz,\u00a0 porque aquele que a criou tamb\u00e9m a santificou e guardando-a sempre como uma m\u00e3e guarda o filho, amou-a com terno amor.\u00a0 E bendito sejais, V\u00f3s que me criaste\u201d<\/p>\n<p><strong>O canto de uma vida<\/strong><\/p>\n<p>Para ganhar confian\u00e7a, Clara\u00a0 repassa interiormente todo o desenrolar de sua vida, dando-se sempre conta da\u00a0 presen\u00e7a\u00a0 constante e amorosa do Senhor ao seu lado:<\/p>\n<p>Foi ele que a havia tecido no seio de sua m\u00e3e (Sl\u00a0 138,13), e que\u00a0 antes de seu nascimento\u00a0 garantiu a Ortolana angustiada com a proximidade do parto com todos os seus eventuais perigos\u00a0 que tudo sairia bem. Esse Deus havia garantido a sua m\u00e3e que a crian\u00e7a que ela carregava em seu seio irradiaria a luz de Deus\u00a0 (Legenda 2).<\/p>\n<p>\u2022\u00a0Foi o Senhor que a fizera nascer \u00a0para vida divina no dia de seu batismo quando recebeu o nome de Clara, lembrando a gra\u00e7a recebida por sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>\u2022\u00a0Ele \u00e9 que a ensinou\u00a0 a conhecer e a amar quando Ortolana falava dos relatos evang\u00e9licos, envolvidos nas lembran\u00e7as de sua peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Santa.<\/p>\n<p>\u2022\u00a0Foi o Senhor que havia colocado bem cedo no seu cora\u00e7\u00e3o o desejo de lhe pertencer de maneira total.<\/p>\n<p>Redigindo seu Testamento, alguns\u00a0 meses antes, Clara j\u00e1 havia\u00a0 evocado o encadeado da hist\u00f3ria maravilhosa de sua via com Deus\u00a0 com o intuito de fazer sua a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as:<\/p>\n<p>\u2022\u00a0Foi o Senhor que a chamara para esta voca\u00e7\u00e3o, da qual ela conhece a grandeza ( Test.\u00a0 2 e 19-21).<\/p>\n<p>\u2022\u00a0Foi ele, pelo Espirito Santo, que inspirara a Francisco quando o santo restaurava a igreja de S\u00e3o Dami\u00e3o, a predi\u00e7\u00e3o de que ali viveriam religiosas que\u00a0 glorificariam a Deus ( Test. 11-14 e 31).<\/p>\n<p>\u2022\u00a0Foi o mesmo\u00a0 Senhor que iluminou seu cora\u00e7\u00e3o\u00a0 para que ela abra\u00e7asse essa forma de vida segundo o exemplo e as palavras de\u00a0 Francisco ( Test\u00a0 24 e 26).<\/p>\n<p>\u2022\u00a0Foi ele que a levou a S\u00e3o Dami\u00e3o ( Test\u00a0 30).<\/p>\n<p>\u2022\u00a0Foi ele que lhe deu irm\u00e3s\u00a0 e as multiplicou constituindo \u201ceste pequeno rebanho\u201d\u00a0 na Igreja (25, 31 e 46).<\/p>\n<p>\u2022\u00a0Esse mesmo Alt\u00edssimo sempre\u00a0 atendeu \u00e0s necessidades das irm\u00e3s\u00a0 encaminhando-lhes esmolas (Test\u00a0 64).<\/p>\n<p>\u2022Ele foi o seu consolador, seu apoio, atrav\u00e9s de Francisco\u00a0 que foi jardineiro e cuidador da pequena planta\u00e7\u00e3o (Test\u00a0 38 e 48).<\/p>\n<p>\u2022\u00a0Foi ele que, na pessoa de Francisco,\u00a0 foi o seu caminho e a ensinou as sendas da pobreza e da humildade ( Test \u00a057 e 74).<\/p>\n<p>\u2022\u00a0Ele, finalmente,\u00a0 resume Clara, que deu o come\u00e7o, o crescimento e a perseveran\u00e7a ( Test\u00a0 78).<\/p>\n<p>Quando lemos\u00a0 assim o<em> Testamento<\/em>\u00a0 ficamos impressionados em constatar a que ponto o olhar de f\u00e9 faz com que Clara descubra em tudo\u00a0 a presen\u00e7a amorosa de Deus\u00a0 que ela encontra\u00a0 nos pormenores da vida de todos os dias.<\/p>\n<p>Poucos dias antes ela havia recebido do Senhor um \u00faltimo presente: a t\u00e3o desejada aprova\u00e7\u00e3o de sua\u00a0 <em>Regra<\/em> pelo Papa Inocente. Durante toda a sua vida, Clara batalhara para conseguir o direito de seguir o Cristo na pobreza (toda a luta para conseguir o privil\u00e9gio de n\u00e3o ter privil\u00e9gios).\u00a0 Insatisfeita com as regras que sucessivos papas\u00a0 lhes atribu\u00edam sem o privil\u00e9gio da pobreza, ela pr\u00f3pria redigiu sua forma de vida.<\/p>\n<p>Irma Filipa diz no\u00a0 Processo:\u00a0 \u201cComo desejava ardentemente que a regra da Ordem fosse bulada, mesmo que tivesse que colocar esta bula um dia e morrer no dia seguinte, assim lhe aconteceu que veio um frade com a carta bulada, que ela tomou reverentemente e, embora estivesse \u00e0 morte,\u00a0 colocou ela mesmo aquela bula na boca para beij\u00e1-la.\u201d\u00a0 (Proc\u00a0 3,32). \u00a0A bula pontif\u00edcia data de 9 de agosto, antev\u00e9spera da morte de Clara.<\/p>\n<p>Na verdade, Clara podia partir com toda seguran\u00e7a\u00a0 porque aquele que a acompanhar\u00e1 para al\u00e9m das ang\u00fastias da morte e a proteger\u00e1 das \u00faltimas invectivas do dem\u00f4nio, seu guia para o caminho, foi Aquele que a criou, santificou, guardou, amou ao longo de sua exist\u00eancia com um terno amor, como uma m\u00e3e ama seu filho!<\/p>\n<p>Num \u00faltimo suspiro, Clara resume o canto de sua vida:\u00a0 Obrigado, Senhor, por me teres criado\u201d<\/p>\n<p><strong>Frei Almir Ribeiro Guimar\u00e3es<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santa Clara de Assis &#8211; Frei Almir Guimar\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":176269,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[65],"tags":[108],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.2 - 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