Vida CristãFrei AlmirArtigos › 09/03/2010

Minhas senhoras e meus senhores

No dia 8 de março comemorávamos o dia internacional da mulher. Bela data! As emissoras televisivas e radiofônicas procuraram valorizar essa figura ímpar na vida de todos nós. Voltando do trabalho, nos ônibus e no metrô, elas levavam rosas para casa. Foram condignamente festejadas…

Tantos aspectos, tanto jeito de ser mulher: menina-moça cheia de frescor, esposa querida e dedicada, poço de profundidade humana, mãe a partir do corpo ou do coração, religiosa que desliza por entre os mais carentes, esposa de Cristo e mãe de tantos, mulher corajosa que é juíza, prefeita ou secretaria de estado. Mulher merendeira, balconista, lavadeira. Sai cedo de casa, deixa os filhos dormindo e vai fazer faxina no banco, varrer o Pátio do Colégio ou os corredores do metrô. Algumas delas tiveram marido por um tempo e depois ficaram sem ninguém. São elas mãe e pai, provedoras de tudo. Heroínas essas tantas mulheres. Muitas delas hoje têm o celular e pedem que os filhos em casa se comportem bem Mulheres elegantes que saem dos escritórios dos grandes prédios em Curitiba, São Paulo ou Rio de Janeiro. Sentam-se à mesa com executivos americanos, alemães ou chineses e com seu jeito de mulher ajeitam as coisas na linha do comércio internacional. Mulheres que hoje são reconhecidas como seres não inferiores, mas iguais ao homem. Porque o Senhor Deus os criou homem e mulher com a mesma dignidade.

Uma palavra de apreço e de estímulo a todas essas mulheres que trabalham nas coisas da Igreja. Elas são fiéis. Penso de modo especial nas catequistas. Que imensa a responsabilidade delas! Durante um tempo acompanham crianças, adolescentes e jovens no encalço do Senhor e na tentativa de apresentá-los ao Cristo ressuscitado. Não são meras professoras de doutrina religiosa, mas mulheres revestidas de Deus que se dedicam aos outros, preenchem as lacunas na educação familiar, levam os catequizandos ao mistério de sua interioridade. Catequistas dedicadas, anos a fio, sempre se renovando, sempre dizendo a todos como Maria: “Façam tudo o que ele mandar!” Muitas delas foram as únicas testemunhas qualificadas da fé na vida de alguns

Não quero me demorar em alguns aspectos mais delicados: por vezes paira no ar ainda um feminismo exagerado; tem-se a impressão que algumas mulheres praticamente excluíram a maternidade de seus objetivos; num mundo de provisoriedade de tudo a mulher poderia chamar atenção para a beleza da palavra dada; diante de uma cultura que faz com que senhoras de certa idade se juntem a garotos de vinte anos seria importante que as mulheres não desfraldassem a bandeira do hedonismo que faz delas pessoas menos ricas interiormente.

As agências de notícias, no dia 8 de março, veicularam entre outras informações esta que nos deixa estarrecidos, apesar de todos os avanços. Cinco mil mulheres são mortas a cada ano, a “titulo de defesa da honra”. O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos divulgou a estimativa dizendo que boa parte desses crimes sequer é noticiada. Em alguns países, os assassinos são até vistos com admiração, afirmou a comissária, Navi Pillay. E calcula-se que um terço das mulheres sejam vítimas de alguma forma de violência familiar ao longo da vida.

Minhas senhoras e meus senhores, que sejam festejadas nesses dias essas criaturas chamadas mulheres!