Vida CristãLiturgia dominical

5º Domingo da Quaresma – Ano B

A missão do verdadeiro Messias 

5-quaresma-820

1ª Leitura: Jr 31,31-34
2ª Leitura: Hb 5, 7-9
Evangelho: Jo 12,20-33

- 20 Entre os que tinham ido à festa para adorar a Deus, havia alguns gregos. 21 Eles se aproximaram de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e disseram: «Senhor, queremos ver Jesus.» 22 Filipe falou com André; e os dois foram falar com Jesus.

23 Jesus respondeu para eles, dizendo: «Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. 24 Eu garanto a vocês: se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muito fruto. 25 Quem tem apego à sua vida, vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste mundo, vai conservá-la para a vida eterna. 26 Se alguém quer servir a mim, que me siga. E onde eu estiver, aí também estará o meu servo. Se alguém serve a mim, o Pai o honrará. 27 Agora estou muito perturbado. E o que vou dizer? Pai, livra-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. 28 Pai, manifesta a glória do teu nome!»

Então veio uma voz do céu: «Eu manifestei a glória do meu nome, e vou manifestá-la de novo.» 29 A multidão que aí estava ouviu a voz, e dizia que tinha sido um trovão. Outros diziam: «Foi um anjo que falou com ele.» 30 Jesus disse: «Essa voz não falou por causa de mim, mas por causa de vocês. 31 Agora é o julgamento deste mundo. Agora o príncipe deste mundo vai ser expulso 32 e, quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim.» 33 Jesus assim falava para indicar com que morte ia morrer.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

Aprendizagem divina: a hora de Jesus

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“Dias virão”: esta expressão, no A.T., muitas vezes soa como uma ameaça. Hoje, porém, anuncia uma promessa das mais carinhosas: uma nova Aliança (1ª leitura). A antiga tinha sido rompida demasiadas vezes. Deus recorre ao último recurso: uma nova… Será diferente da anterior. A Lei não mais estará escrita em tábuas ou em rolos, mas no coração de cada um. E não mais precisarão de mestre, pois todos conhecerão Deus. Deus os toma para si, esquecendo seus pecados.

O evangelho nos apresenta Jesus Cristo como cumprimento desta promessa. Veio a “hora”, hora de “glorificação”. Glorificação de Cristo pelo Pai, do Pai por Cristo (Jo 12, 23, 28; cf. 13, 31; 17). Pois a glória é o atributo mais próprio de Deus. Sem sua vontade, não há glória para o Cristo. Esta vontade manifesta-se, de modo dramático, numa antecipação da agonia de Jesus: “Salva-me desta hora, Pai!” A 2ª leitura, Hb 5, comenta esse momento, na conclusão de sua exposição referente a Jesus Cristo, Sumo Sacerdote e Mediador: aquele que participa em tudo de nossa condição humana, menos no pecado. Participa do abismo da agonia. Grita a Deus entre lágrimas, e é por ele ouvido, tirado, não da morte, mas da angústia da morte, porque se sabe na mão de Deus: eis o que ele “aprendeu”. Assim também em Jo: na hora da completa angústia, Jesus reconhece a vontade de Deus, não como algo terrível, mas como glória, ou seja, o íntimo de Deus revelando-se no amor de seu Filho para os seus: “Pai, glorifica teu nome” (12,28). Também nossa vocação, na Nova Aliança, é: conhecer Deus de perto (cf. 1ª leitura), do modo como o aprendeu Jesus (2ª  leitura e evangelho).

O tema da aprendizagem divina é comentado na aclamação ao evangelho, o Miserere (Sl 51 [50]), inspirado em Jr 31: pede um coração novo, um espírito puro. Exprime com acerto a aspiração que animou o “tempo de quarenta dias”, que vai para o fim. Só falta ainda a etapa final da aprendizagem (de Cristo e de nós): a morte na cruz.

Conhecer Deus, seu modo de ser e de agir: “Se o grão de trigo não morre na terra, fica só; mas se morre, produz muito fruto”. Os exemplos da “lei do grão de trigo” são muitos, em nossos dias, na América Latina. Pois não foi só para Jesus que ela valeu. “Quem quer servir-me, siga-me, e onde eu estiver, ele também estará, e meu Pai o honrará” (12,26) (aclamação ao evangelho).

O homem moderno talvez se revolte diante desta temática: tal Deus é um opressor! Seria, se não fosse ele mesmo o primeiro envolvido, pois se trata de seu Filho. O que o Filho aprende é o que Deus é. Deus o “atende”, comungando com ele, na mútua comunicação da glória (Jo 12,28), vitória sobre o príncipe deste mundo (Jo 12,31). Também isso acontecerá –  e já deveria estar acontecendo – conosco: comungar com o mais intimo de Deus na nossa total doação aos seus filhos, vencendo o mal que os oprime.

No 1° domingo da Quaresma esboçou-se a luta de Jesus contra o poder do mal. Hoje, ao aproximar-nos da Semana Santa, descobrimos a arma com a qual Jesus venceu seu adversário: a obediência no amor até o fim.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

A hora da nova aliança

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A 1ª leitura deste domingo contém uma das promessas mais carinhosas do Antigo Testamento: a promessa de uma “nova aliança”. A antiga tinha sido rompida demasiada vezes. Ficou gasta. Deus vai recorrer ao último recurso: uma nova aliança, diferente da anterior. A Lei não estará mais escrita em tábuas de pedra ou em rolos de papel, como os dos escribas. Estará inscrita no coração de cada um. Ninguém precisará ainda de mestre! Todos conhecerão Deus, e Deus os acolherá, esquecendo seus pecados.

O evangelho nos propõe Jesus Cristo como cumprimento dessa promessa. Chegou a “hora” – hora da glorificação de Cristo pelo Pai e do Pai por Cristo (Jo 12,23.28; cf. 13,31; 17,1…). A “glória” é o mais próprio ser de Deus.  Sem a vontade de Deus, não há glória para Jesus. E esta vontade manifesta-se, de modo dramático, numa antecipação da agonia de Jesus: “Salva-me desta hora”.

A 2ª leitura, da Epístola aos Hebreus, fala no mesmo sentido. Anteriormente, a carta expôs que Jesus substitui as grandes instituições de Israel: ele é o sumo sacerdote no lugar de Aarão, o mediador no lugar de Moisés. Para tanto, ele participa em tudo de nossa condição humana, exceto o pecado. Participa da agonia. Grita a Deus entre lágrimas, e é ouvido pelo Pai. Este o tira, não da morte, mas da angústia. Jesus sabe que Deus está com ele, ele o  “aprendeu” (Hb 5,8). Assim, no evangelho, na hora da angústia (12,27: “Pai, salva-me desta hora”), Jesus reconhece a vontade de Deus não como algo terrível, mas como glória, ou seja, como o íntimo de Deus, revelando-se no amor de seu Filho para todos: “Pai, glorifica teu nome” (12,28). Também nossa vocação na “nova Aliança” é: conhecer Deus de perto, do modo como Jesus o aprendeu.

”Se o grão de trigo não morrer na terra, fica só, mas se morre, produz muito fruto” (Jô 12,24). É a “lei do grão do trigo”, o modo de agir de Deus, a instrução da Aliança definitivamente renovada. Deus sabe que o endurecimento só é vencido pela vítima. Quando o adversário a quer abafar, a verdade do amor se afirma. É a força da flor sem defesa. A justiça se vê afirmada e vencedora na hora em que a violência a quer suprimir. Os exemplos da “lei do grão de trigo” são muitos em nosso mundo e na América Latina, terra de justos martirizados pelos que se dizem cristãos. Pois essa lei vale não só para Jesus, mas também para seus seguidores: “Quem quer servir-me, siga-me, e onde estiver eu, estará também aquele que me serve, e meu Pai o honrará”(12,16).

Eis a aprendizagem da nova Aliança, da “lei”, da instrução inscrita em nosso coração. Não é extrínseca, imposta de fora. Faz parte de nosso ser cristão, de nosso ser  participante da vida de Cristo. Essa instrução, como a ação escondida do grão na terra, frutificará em nossas atitudes políticas, culturais, humanitárias. Seremos capazes de “morrer” em relação aos nossos proveitos imediatos, a fim de que brote aquilo que, profundamente, sabemos ser  verdadeiro e justo?

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes