Vida CristãSantos franciscanos › 06/03/2018

Bem-aventurado Jeremias de Valáquia

Religioso da Primeira Ordem (1556-1625). Beatificado por João Paulo II no dia 30 de outubro de 1983.

Beato Jeremias de Valáquia, batizado com o nome de Jon Stoika, nasceu a 29 de Junho de 1556, em Tzazo, na região de Valáquia, na Romênia, no seio de uma família que se distinguia pela sua fé católica numa região marcada pela heresia.

Após uma infância e juventude vividas cristãmente, quando tinha 18 anos, deixou a sua pátria e veio para Itália, segundo confidenciou à sua mãe, por ser uma terra de bons cristãos. A sua mãe, Margarida Barbato, católica fervorosa, tinha-lhe segredado diversas vezes: “Vês, Jon, aquelas avezinhas que rasgam os céus na direção do sul e dão a impressão de pequeninos monges a esvoaçar? Tu mesmo abrirás voo para a Itália, terra abençoada, onde os habitantes são bons cristãos e todos os religiosos são santos”.

Depois de ter atravessado os Caparzi, chegou a Alba Real, então capital da Transilvânia e ali ficou ao serviço do Príncipe Estevão Bathery. Após dois anos de espera, acompanhou um célebre médico italiano que se dirigia para Bari. Aqui, encontrou-se com um amargo desmentido de tudo aquilo que lhe dissera a mãe: não encontrou bons cristãos. Naquele movimentado porto de mar encontrou, pelo contrário, gente da pior espécie: blasfemos, borrachos, ladrões, comerciantes e policiais corruptos. Quando pensava empreender viagem de regresso à sua terra natal, foi aconselhado a ficar em Nápoles num momento em que o tempo era propício para a vida de piedade.

Decorria a Quaresma de 1578. Tempo de penitência: igrejas repletas de fiéis, procissões muito devotas, gente atenta a ouvir a Palavra de Deus. Conclui que aqui há bons cristãos. Haverá também, aqui, aqueles religiosos santos de que lhe falou a sua mãe? Tendo entrado na igreja dos Capuchinhos, assistiu com devoção às celebrações litúrgicas realizadas pelos irmãos capuchinhos. Ficou comovido e, ali mesmo, tomou a decisão : “Vou ser um deles”.

Apresentou-se ao Ministro Provincial, Fr. Urbano de Giffoni que, depois de ter experimentado a vocação do jovem, acolheu o seu pedido e mandou-o para Aurunna a fim de iniciar o noviciado. Mudou, então, o nome de Jon pelo de Frei Jeremias de Valáquia. Fez a primeira profissão religiosa a 8 de Maio de 1579, quando tinha 23 anos de idade. Depois de 4 anos de indescritíveis emigrações encontrou, finalmente, a sua casa na Ordem dos Capuchinhos.

A partir daquele momento empenhou-se vivamente em percorrer o caminho da santidade seguindo as pegadas de São Francisco. Depois de ter prestado serviço como cozinheiro, hortelão, sacristão e também de esmolar para os irmãos em vários conventos da Campania, no ano de 1585, acabou por ser mandado para Santo Euframo Novo, em Nápoles, como encarregado de assistir os doentes na grande enfermaria da Província. Seria aqui, neste ofício de bom samaritano, que iria revelar o seu carisma muito particular e onde se doaria totalmente por amor de Cristo. Reservava para si o cuidado dos mais necessitados, dos que tivessem maiores chagas ou feridas, dos mais difíceis e de pior trato e até dos mais desequilibrados. Mãe alguma teria cuidado o seu filho com tanta ternura como Frei Jeremias cuidava dos seus pobres irmãos.

A fama da sua santidade espalhou-se por toda a parte. As pessoas vinham de todas as partes ter com ele. Realizou milagres, distinguia-se pela sua caridade com os pobres, ensinava o catecismo aos pequeninos que se sentiam atraídos por ele. Foi profundamente devoto de Nossa Senhora.

Ali viveu a cuidar os seus doentes cerca de 40 anos, num serviço generoso, sempre de rosto alegre e sereno. Rezava, frequentemente, dizendo: “Senhor, eu te dou graças porque sempre estive a servir e nunca fui servido, sempre fui súbito e nunca mandei em ninguém”.

Manteve-se no seu posto de trabalho e de sacrifício até a morte que o visitou na noite de 5 de março de 1625 quando tinha 69 anos de idade. Morreu, precisamente, vítima do amor e da obediência, quando, em Torre de Grecco, tinha ido visitar um doente que ali se encontrava.

Amado por ortodoxos e por católicos, este humilde capuchinho constitui, hoje, a glória e a esperança da sua Pátria, a Romênia. A 30 de Outubro de 1983, o Papa João Paulo II, com motivo do Ano Santo da Redenção, inscreveu-o no Catálogo dos Beatos.

 Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.