Jesus e a tristeza do jovem rico – Liturgia dominical

Frei Gustavo Medella

O jovem buscava algo que lhe completasse, que desse à sua existência um sabor de eternidade. Procurava seguir de modo sincero os 10 mandamentos da Lei de Deus e desejou também aproximar-se de Jesus. O Senhor, percebendo a transparência de seu coração, olha para o jovem com amor e lhe dá a “cartada final”: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” Era pegar ou largar. A maior riqueza de sua vida estava ali, diante dele, à sua disposição. No entanto, faltou-lhe a ousadia deste último passo. Preferiu retroceder, apegar-se às seguranças dos bens que já possuía. Entristeceu. Foi embora.

Tenho medo de ser este jovem rico. Tenho medo de que a minha Igreja se comporte como ele, renunciando à Profecia do Reino para garantir a sobrevivência institucional. Dói-me demais perceber que dentro da minha família de fé, a Igreja Católica, existam irmãos e irmãs que estejam se rendendo a um projeto de país bancado pela bala (indústria bélica), pela bomba (de veneno, do agronegócio), pelo capital financeiro e pelo que há de mais alienado e explorador no mundo das seitas neopentecostais. Difícil de entender como esta aliança seja abraçada com tanta energia por quem se diz seguidor de um pobre que morreu pela proposta da construção de um Reino de Justiça e de Paz. Será que não lhes falta a ousadia que Jesus propõe ao jovem rico? Quando a Igreja cede a esta lógica do medo e se apega às forças mundanas, pode até se investir de maior poder e segurança, mas, a exemplo do jovem rico, falta-lhe a alegria da Missão.

Tenho plena convicção em dizer que cada voto depositado neste projeto de morte e exclusão é mais uma martelada nos pregos da cruz de Cristo. É a reprodução sangrenta da covardia que os poderosos do tempo de Jesus fizeram em relação ao Filho de Deus por se sentirem incomodados quando chamados à partilha e a promoção e o respeito pela vida. Não tenho a pretensão de influir na escolha de ninguém. Faço apenas um convite para que cada cristão reflita no mais profundo da própria consciência o que de fato está fazendo com a sua liberdade de escolher. Peçamos a Deus, conforme nos descreve a primeira leitura, o Dom da Sabedoria (Sb 7,7-11).

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