A InstituiçãoNotícias › 05/10/2018

Largo São Francisco celebra com festa o Padroeiro

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Érika Augusto

São Paulo (SP) – Desde as primeiras horas da manhã, o movimento era intenso no Largo São Francisco, região central de São Paulo. Tudo ao redor recorda o santo. Rua São Francisco, Largo São Francisco, Universidade São Francisco. Como lembrou o reitor e pároco, Frei Alvaci Mendes da Luz, esta foi a primeira igreja na cidade dedicada ao santo. É provável que há 371 anos esta festa aconteça, de forma diferente, mas seguramente os olhos dos paulistanos se voltavam para este espaço a cada dia 4 de outubro.

Com missas a cada hora e meia, os devotos lotaram a igreja em todas as celebrações, muitos acompanhados de seus animais, fotos ou objetos de devoção. Ao final de cada missa, os presentes eram convidados a passar em frente ao andor com a imagem do santo, decorado com flores coloridas e passarinhos. Já no começo da noite, a jovem Tamiris foi acompanhada de Max para agradecer São Francisco por uma graça alcançada. Em maio, o cachorro da raça labrador foi atropelado e passou por um longo processo de recuperação. Ela trouxe o animal como forma de agradecimento por sua plena recuperação.

Ser os pequenos de Deus, pede Dom Eduardo

largo_041018_meioÀs 15h, a celebração foi presidida por Dom Eduardo Vieira dos Santos, bispo auxiliar da Região Sé. Com sua habitual simpatia, o bispo conquistou os presentes em sua homilia. Ele afirmou que São Francisco deve ser para todos um testemunho de alguém que teve muita fé em Deus. Em sua vida, Francisco viveu e pregou a paz. Uma paz que não é apenas a ausência de conflitos, mas a paz que Jesus desejou aos seus apóstolos e que deseja a cada um de nós. “A paz de Deus enche o nosso interior, porque quando o nosso interior está vazio de Deus, começamos a colocar coisas de fora: riqueza, prazer, poder, dinheiro. Mas quando estamos em paz com Deus, como fez São Francisco e outros santos e santas de Deus, Ele nos basta”, assegurou.

Dom Eduardo disse que o compromisso dos cristãos batizados é testemunhar o amor de Deus na realidade onde está. “Aonde quer que estejamos, somos chamados a viver este amor. Quantos desafios temos nesta cidade? O mundo precisa de conversão, nós precisamos de conversão. O mundo precisa de oração, nós precisamos de oração”, clamou.

Ele concluiu sua homilia entoando uma canção conhecida dos brasileiros: “Amar como Jesus amou”, de Padre Zezinho.

 

Abrir espaço em nossa vidas para a ação de Deus, pede Frei Mário

“O Evangelho é revelação para quem abre espaço para Deus em sua vida. Quando nos fechamos no egoísmo, em nossa própria vontade, em nosso orgulho, em nossa mania de querer saber tudo, de passar por cima dos outros, não há lugar para Deus, para o amor. Quando nos fazemos pequenos, irmão e irmã um do outro, aí há espaço para o amor. E se há amor, há Deus no coração”, foi a afirmação de Frei Mário Tagliari, guardião do Convento São Francisco, durante a missa das 18h, que encerrou as festividades.

Ele pediu que os presentes não olhassem para São Francisco já chagado, feito santo, mas para olharem toda a trajetória de vida, sua conversão e seu modo de viver o Evangelho, que fez com que ele, no final de sua vida, fosse o ‘Alter Christus’, o outro Cristo. “Este Francisco, identificado com as chagas de Cristo, foi o ponto final de sua vida. Mas como diz Santa Clara, não perca de vista seu ponto de partida. O ponto de partida é o dia a dia, é a nossa fé, o Evangelho vivo que podemos assumir”, declarou o pregador.

Sobre o atual momento político, o frade pediu que os presentes pedissem a intercessão do Espírito Santo em sua escolha nas eleições do próximo domingo. “Que saibamos escolher de fato as pessoas que tem propostas muito concretas para cuidar dos pobres. Os bancos já cuidam dos ricos. Só no centro de São Paulo temos 8 mil moradores de rua. Vivemos uma sociedade que descarta as pessoas. Nosso modo de vida produz pessoas à margem da sociedade”, denunciou o frade, recordando o trabalho realizado no Convento com os moradores de rua, promovido pelo Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras).

Ao final da celebração, Frei Alvaci fez os agradecimentos a todos que ajudaram na organização e realização da festa deste ano.

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