Vida CristãFrei AlmirArtigos › 03/10/2018

A vida evangélica segundo francisco

francisco_260318_p“Ainda não fizemos nada. Vamos começar!”, palavras de Francisco.  Não se tratava de nenhum exagero piedoso. Francisco acabava de descobrir a sua verdadeira missão. A provação ajudou-o a amadurecer e abrir-se às extremas profundezas da experiência evangélica.  Havia superado a sutil e perigosa tentação que ronda todo homem apaixonado por um ideal: a tentação cátara ou maniqueísta. A tentação da pureza a qualquer preço, como a do fermento que para conservar-se puro, recusa misturar-se à massa, ou a do campo de trigo que gostaria de se ver livre de todo joio.  É a tentação de separar-se e retirar-se para a solidão, no intuito de formar com um pequeno resto, uma fraternidade de puros.  Não, nada disso. Não se trata de sonhar com uma fraternidade ou uma Igreja de pessoas puras, mas aceitar viver com os irmãos, com todos os irmãos. Não só com os justos, mas também com os medíocres e pecadores. Não só com os sadios, mas também com os doentes e os estropiados… E, no meio de todos, trata-se de testemunhar a infinita paciência de Deus, seu inesgotável perdão e sua graça sempre renovada. Pois este é o verdadeiro coração de Deus. Quando se dá este testemunho, então começa aqui e agora o Reino de Deus: a luz do Evangelho brilha na obscuridade do mundo.

Eloi Leclerc

O sol nasce em Assis, Vozes, p. 70-71.