Os jovens e o chamado à santidade

Cardeal José Horacio Gomez*

Preparo-me para o Sínodo dos Bispos, cujo tema será “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

O assunto dos jovens e a vocação em suas vidas é algo importantíssimo.

A maioria de nossos jovens foram batizados quando eram bebês. Mas, a medida em que nossa sociedade está tornando-se mais profundamente comercial e secularizada, onde as instituições tradicionais de educação e formação, especialmente a família, vão se degradando, não podemos ter certeza de que os jovens encontrarão o caminho que Deus quer para suas vidas.

A missão da Igreja é a evangelização. Estamos aqui para proclamar Jesus Cristo, para proclamar quem Ele é; o que obteve para nós com sua vida, morte e ressurreição e o que Ele promete aos que O amam e O seguem no caminho que Ele traçou para suas vidas. Precisamos encontrar novas maneiras de proclamar Cristo a nossos jovens, disso trata o Sínodo.

O mundo de hoje oferece aos jovens uma visão da vida e uma ampla variedade de possíveis “estilos de vida”, que estão alicerçados na busca de comodidade material, de entretenimentos e prazeres efêmeros. Jesus veio nos mostrar que fomos criados para muito mais, que nascemos para coisas maiores.

Deus tem um bonito plano de amor para nossas vidas e para nosso mundo. Fomos criados para a santidade, para sermos santos. Fomos feitos para um amor que é verdadeiro;  para a beleza, amizade e alegria, que começam já nesta vida e se estendem até a eternidade. Esta é a boa nova que a Igreja precisa proclamar para nossos jovens.

Há muito o que falar até darmos início ao Sínodo. O documento de trabalho para o Sínodo expõe muitos assuntos que nossa juventude enfrenta. Claro, existe uma preocupação particular com os temas relacionados à sexualidade humana. Mas tudo deve ser levado de volta aos pés de Jesus. Ele é o caminho e não existe outro.

Este é um desafio para a Igreja. Não podemos permitir que uma sociedade secular e comercial defina quem somos, ou que reduza o que significa ser cristão a uma série de mensagens moralistas ou em regras de comportamento. O que acreditamos e ensinamos sobre a sexualidade e as relações humanas só adquirem sentido quando estamos vivemos em Jesus Cristo e quando caminhamos à luz do que Ele revelou sobre o significado e o destino da vida humana.

O desafio para o Sínodo, especialmente durante este momento que a Igreja atravessa, é seguir propondo o caminho mais elevado a que Jesus nos chama.

Eu já disse algumas vezes: a crise de cada época é uma crise de santos.

Jesus chama todos à santidade, não somente alguns. Todos nós somos chamados a sermos santos porque Deus é santo.

Sessenta anos depois do Concílio Vaticano II, estamos ainda tratando de compreender os ensinamentos do Concílio sobre o “chamado universal à santidade”. O que significa isso? Como viver nossa vocação à santidade em nossa vida cotidiana? Esta é a tarefa dos jovens, e também a tarefa para todos nós.

Não existe atalho para a santidade. É preciso voltar-se para Jesus. N’Ele vemos quem seremos e como vamos viver. Para sermos santos, temos que conhecer Jesus.

O padre Romano Guardini, grande teólogo e escritor espiritual, disse que uma das coisas que nos impede de conhecer verdadeiramente Jesus é “o que acreditamos que sabemos sobre Ele”.

Creio que todos podem entender o que ele quer dizer com isso. Na Liturgia, acostumamo-nos a escutar uma e outra vez as mesmas palavras de Jesus. Escutamos as mesmas histórias sobre sua vida, ano após ano. Podemos cometer o erro de pensar que sabemos tudo o que há para saber d’Ele, porque já escutamos antes.

Este é um verdadeiro problema ao evangelizar na Era da Wikipedia e da Internet. Os jovens, especialmente, cresceram pensando que tudo o que precisamos saber, inclusive as verdades de fé, podem ser buscadas em um dispositivo que podemos levar em nossas mãos.

Um desafio chave para o Sínodo é buscar novas maneiras de voltar a apresentar Jesus aos jovens e leva-los a uma relação viva com Ele.

Que Maria, Mãe Santíssima, nos ajude e nos guie no processo de conduzir nossos jovens a um novo encontro com Jesus Cristo.

* Arcebispo de Los Angeles (Estados Unidos)

Artigo em ACI Prensa | Tradução: Franciscanos.org.br