Não tenham medo do ‘Livro da Cruz’ do Senhor!

Frei Roger Strapazzon e Moacir Beggo

 Petrópolis (RJ) – Mais uma vez, a centenária Igreja do Sagrado Coração de Jesus de Petrópolis (RJ) testemunhou a entrega total de jovens frades no seguimento de Jesus Cristo ao modo de São Francisco de Assis. Neste sábado, 15 de setembro, os angolanos, Frei Alfredo Epalanga Prego e Frei Mário Sampaio Pelu, e os brasileiros Frei Alan Leal de Mattos, Frei Jefferson Max Nunes Maciel, Frei Jhones Lucas Martins, Frei Josemberg Cardozo Aranha e Frei Junior Mendes ingressaram definitivamente na Ordem dos Frades Menores.

Foram encorajados e animados pelo Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, para confiarem e se entregarem ao Senhor. Lembrou, contudo, que essa doação sincera passa pelo Livro da Cruz (Evangelho). “Queridos confrades, muito obrigado pelo ‘sim’ de vocês. Não só da Província, da Fundação, dos frades, o nosso obrigado é porque esse ‘sim’ de vocês é dado a Deus. Confiem Nele! E não tenham medo do Livro da Cruz do Senhor”, reforçou.

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A profissão solene, ou a consagração definitiva dos frades, onde estes se unem, de fato, a Deus e à Ordem dos Frades Menores, foi feita nas mãos do Ministro Provincial, durante Celebração Eucarística, às 16h15. A Igreja do Sagrado lotou para ver os neoprofessos da Província Franciscana da Imaculada Conceição e da Fundação Imaculada Mãe de Deus de Angola. Ao lado de Frei Fidêncio no altar, estava Frei Jorge Schiavini, guardião da Fraternidade do Sagrado, e o diácono Frei Roberto Aparecido Pereira. Entre os confrades que lotaram o presbitério estavam também o Visitador Geral, Frei Miguel Kleinhans, e o Definidor Frei João Francisco da Silva, secretário da Formação e Estudos da Província. Fiéis da Paróquia, das comunidades petropolitanas, das Paróquias da Baixada Fluminense, onde os neoprofessos fazem a pastoral nos finais de semana, vieram em peso para a Celebração, que ganhou em beleza e solenidade com o Coral das Meninas do Instituto dos Canarinhos.

O rito da profissão solene começou depois da leitura do Evangelho e foi explicado passo a passo pelo comentarista Frei Edrian Josué Pasini. O mestre para o tempo de Teologia, Frei Marcos Andrade, chamou cada um dos professandos pelo nome. Em pé, diante do Ministro Provincial, eles responderam: “Aqui estou!”. O mestre, então, fez um resumo biográfico de cada professando. Depois, juntos, eles fizeram o pedido para serem admitidos definitivamente na Ordem dos Frades Menores.

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Na sua homilia, Frei Fidêncio partiu do lema escolhidos pelos professandos: “…começando pela cruz, seguindo a regra da cruz e finalmente terminando na cruz”, do Tratado dos Milagres de São Boaventura. Antes, Frei Fidêncio, lembrou que a Cruz está no centro da liturgia desses dias: como a Exaltação da Santa Cruz ontem (14/9), Nossa Senhora das Dores, hoje; e a Festa das Chagas ou Estigmatização de São Francisco na segunda-feira, 17 de setembro. “Na festa de hoje, Nossa Senhora das Dores, a Igreja contempla o Cristo sofredor no Coração da Mãe de Deus. Esta fidelidade de Maria, o ‘sim’ que ela disse ao anjo, ela renovou sobretudo no mistério da cruz. Vocês professam também no dia que Maria deu, talvez, o seu ‘sim’ mais difícil. Ela, como mãe, acolhe a missão que o Crucificado lhe deu: ‘Mulher, eis os teus filhos!'”, destacou o celebrante.

Frei Fidêncio lembrou que no Monte Alverne, quando fazia a sua quaresma, Francisco abriu a página do Evangelho para se conformar cada vez mais com o mistério a cruz, com o mistério da Paixão. “Ele pede a Jesus duas graças: a graça do amor que Cristo teve no momento em que doou a sua vida para nós e para sentir no seu corpo e na sua alma o mistério da dor que Jesus sofreu ao se entregar por nós na cruz”, recordou.

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Segundo o Ministro Provincial, nesse dia tão bonito, dia de festa para a Província da Imaculada, dia de festa para a Fundação Imaculada Mãe de Deus, o mistério da cruz está tão evidente para todos nós: “A própria Palavra de Deus deste 24º domingo do Tempo Comum mostra, com muita clareza, Jesus Cristo nos convocando a segui-Lo e assumir com Ele o Mistério da Cruz do Senhor”, disse.

Passando para o lema escolhido pelos professandos, Frei Fidêncio acentou que a cruz é um princípio, a cruz é um itinerário e a cruz é um ponto de chegada. “Eu diria, confrades, começar pela cruz foi todo o itinerário cristão de vocês,  sobretudo o itinerário formativo. Também Francisco começou pelo itinerário da cruz, que nos remete ao sonho de Espoleto e nos remete ao encontro de Francisco com a Cruz de São Damião. É o Francisco que se abre aos sonhos de Deus. Por isso, ao começar pela cruz, ele acolhe as exigências da cruz e faz dessas exigências da cruz o seu caminho e o caminho da fraternidade minorítica. Por isso, essa frase do Evangelho de hoje é importante para a história franciscana e está na origem da nossa forma de vida: ‘Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga’. Talvez negar a si mesmo para se fazer por inteiro de Jesus seja a nossa maior provocação. Renegue a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”, observou.

 

Segundo Frei Fidêncio, não foram poucas vezes que os professandos passaram por momentos de trevas, escuridão, medo e dúvidas. “E hoje vocês vieram de todo o coração para dizer como Francisco de Assis: ‘É isso que eu quero, é isso que procuro, é isso que eu desejo fazer de todo coração’. Pois bem. Nunca esqueçam esta frase que escolheram. Começar pela cruz…”, insistiu.

Mas lembrou o celebrante que São Boaventura também diz que se deve seguir a “regra da cruz”. “Francisco pede que os frades abram o Livro da Cruz: o Santo Evangelho. Ali está o mistério de Jesus. É esse livro que se tornou ponto referencial para a sua vida. E hoje vocês vão dizer: ‘Eu quero professar na minha vida franciscana este livro da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo’. Eu quero viver o Santo Evangelho em obediência, em disponibilidade aos sonhos e aos projetos de Deus; viver o Santo Evangelho na pobreza, que não é só ter o bolso vazio, mas significa comunhão, solidariedade; viver este Santo Evangelho em castidade, que não é somente abstinência sexual, mas viver o amor pleno a todas as pessoas. E isso é maravilhoso”, estimulou.

Segundo o Ministro Provincial, essa resposta de seguir a regra da cruz é também a resposta “que devo dar todo dia a Jesus quando ele me pergunta ou ele me questiona: Quem sou eu para você?”.  Para ele, essa regra da cruz vai ser a maior provocação que os professandos terão daqui para frente como frades menores.

“Oxalá, a gente tenha sempre esta fé de Pedro! ‘Senhor, Tu és o Filho de Deus’. Que nós possamos professar  isso. Seguir a regra da cruz é professar exatamente a nossa fé nesse Filho de Deus. E servir Jesus Cristo, como diz a segunda leitura, de uma maneira bonita, não é só fazer um discurso bonito, com palavras bonitas, belas teorias e conceitos, mas significa traduzir a nossa fé em gestos concretos”, ensinou.

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Por último, o frade falou da última frase: “terminar com a cruz”. “Eu creio que esse terminar com a cruz é o último ‘sim’ que nós vamos dizer a Deus no momento da nossa morte. Portanto, a terceira frase, terminar com a cruz é provocação, é caminho em aberto”, disse.

Depois da homilia, os professandos acenderam suas velas no Círio Pascal para recordar a vocação batismal que neles está se desabrochando como vocação religiosa franciscana. Depois, Frei Fidêncio perguntou aos professandos pelas motivações que eles trouxeram ao pedir a admissão definitiva na Ordem dos Frades Menores. Em seguida, ele pediu a intercessão de todos os Santos para os novos irmãos, que prostraram no chão.

Terminada a Ladainha de todos os Santos, os professandos se prostraram de joelhos diante do Ministro Provincial, colocaram as suas mãos nas mãos do Ministro, num gesto de entrega e obediência, e leram a fórmula de profissão definitiva na Ordem Franciscana. O rito terminou com o abraço caloroso dos confrades.

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A liturgia continuou solenemente até o final da comunhão. No momento dos agradecimentos, falou em nome do grupo Frei Alan, que em primeiro lugar agradeceu a Deus, o Ministro Provincial, a Província da Imaculada, os seus formadores, especialmente o mestre Frei Marcos Andrade,  os familiares, que deram a base da fé para viverem este momento, os amigos, de perto e de longe, e o Coral das Meninas dos Canarinhos e os dois maestros: Marcelo Vizani e Marco Aurélio Lischt.

O Ministro Provincial fez os agradecimentos também, especialmente ao Visitador Geral, Frei Miguel Kleinhans, que veio de São Paulo para participar deste momento e deu a bênção final.

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