Vida CristãFrei AlmirArtigos › 03/09/2018

A cigarra

cigarra_030918Havia na Porciúncula, ao lado da cela de Santo, uma figueira onde uma cigarra cantava incessantemente a sua cegarrega.  Um dia, o bem-aventurado Pai chamou-a com muita amabilidade, estendendo a mão.  “Vem cá, irmã cigarra!”. Ela, como se tivesse tino, imediatamente lhe voou para a mão. “Canta, minha irmã cigarra, disse-lhe ele – canta e louva jubilosa o Senhor, teu Criador”. Dócil, imediatamente se pôs a cantar e não parou enquanto o varão de Deus, unindo seu louvor ao canto dela, lhe não ordenou que voltasse para o sítio onde costumava estar.  Ali se manteve, como que amarrada, oito dias consecutivos.  O Santo, ao baixar da cela, acariciava-a e mandava-a cantar. E sempre ela se mostrava  disposta a obedecer-lhe. Até que, um dia, o Santo disse aos companheiros: “Vamos despedir a nossa irmã cigarra, já que ela nos alegrou bastante com o seu louvor, pois convém que a nossa carne não tire nenhum pretexto para se vangloriar”.  E, imediatamente, com licença do Santo, ela afastou-se e não voltou a aparecer naquele sitio. Os irmãos, testemunhas do fato, ficaram sobremodo admirados.

Tomás de Celano

Vida Segunda, n. 171