Vida CristãNotícias › 12/08/2018

“Não basta não fazer o mal para ser um bom cristão”

angelus_120818
Cidade do Vaticano – Após a Missa presidida pelo presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), cardeal Gualtiero Bassetti e concelebrada por 120 bispos que acompanham a peregrinação dos jovens italianos de 180 dioceses, o Papa Francisco rezou o Angelus na Praça São Pedro. Eia a íntegra de sua alocução:

“Caros irmãos e irmãs e queridos jovens italianos, bom dia!

Na segunda leitura de hoje, São Paulo nos dirige um premente convite: “Não entristeçais o Espírito Santo que que Deus marcou vocês para o dia da redenção”.

Mas eu me pergunto: como se entristece o Espírito Santo? Todos nós o recebemos no Batismo e na Crisma, portanto, para não entristecer o Espírito Santo, é necessário viver de uma maneira coerente com as promessas do Batismo, renovadas na Crisma. De maneira coerente, não com hipocrisia: não esqueçam disso. O cristão não pode ser hipócrita: ele deve viver de maneira coerente. As promessas do Batismo têm dois aspectos: renúncia do mal e adesão ao bem.

Renunciar ao mal significa dizer “não” às tentações, ao pecado, a satanás. Mais concretamente, significa dizer “não” a uma cultura da morte, que se manifesta na fuga do real para uma falsa felicidade que se expressa nas mentiras, na fraude, na injustiça, no desprezo do outro. Para tudo isso, “não”.

O que você diz para tudo isso? (resposta: não) Eu não ouço … (grito: não) Ah, obrigado! A vida nova que nos é dada no Batismo, e que tem como fonte o Espírito, rejeita um comportamento dominado por sentimentos de divisão e discórdia. Por isso que o apóstolo Paulo exorta a remover do seu coração “toda aspereza, desdém, ira, gritaria e insultos com todo tipo de maldade”. Isto é o que Paulo diz. Esses seis elementos ou vícios – desdém, ira, gritaria, maledicência e todo tipo de maldade – que perturbam a alegria do Espírito, envenenam o coração e levam a praguejar contra Deus e o próximo.

VEJA COMO FOI O ENCONTRO COM 70 MIL JOVENS NO SÁBADO

Mas não basta não fazer o mal para ser um bom cristão; é necessário aderir ao bem e fazer o bem. Eis então que São Paulo continua: “Sejam pelo contrário benévolos uns com os outros, misericordiosos, perdoando uns aos outros como Deus os perdoou em Cristo”.

ANGELUS_120818_1

Muitas vezes acontece de ouvir alguns que dizem: “Eu não faço mal a ninguém”. E acredita-se ser um santo. Não. Ok, mas você faz o bem? Quantas pessoas não fazem o mal, mas nem mesmo o bem, e sua vida acaba na indiferença, a apatia, na tibiez. Essa atitude é contrária ao Evangelho, e também é contrária ao caráter de vocês jovens, que por natureza são dinâmicos, apaixonados e corajosos.

Lembrem-se disso – se vocês se lembrarem, podemos repeti-lo juntos: “É bom não fazer o mal, mas é mal não fazer o bem”. Entenderam? Vamos dizer juntos: é bom não fazer o mal, mas é mal não fazer o bem. Outra vez: é bom não fazer o mal, mas é mal não fazer o bem. Era o que dizia St. Alberto Hurtado.

Hoje exorto vocês a serem protagonistas no bem! Protagonistas no bem. Não se sintam bem quando vocês não fazem o mal, não: não é suficiente; cada um é culpado pelo bem que poderia ter feito e não fez. Não basta não odiar, é preciso perdoar; não basta não ter rancor, devemos orar pelos inimigos; não basta não ser causa de divisão, é preciso levar a paz onde ela não existe; não basta não falar mal dos outros, é preciso interromper quando ouvimos falando mal de alguém. Parar as fofocas: isso é fazer o bem. Se não nos opomos ao mal, nós o alimentamos calando. É necessário intervir onde o mal se espalha; porque o mal se espalha onde não há cristãos ousados ​​que se opõem com o bem, “caminhando na caridade”, segundo a advertência de São Paulo.

Queridos jovens, vocês andaram muito nestes dias! Por isto estão em boa forma e eu posso dizer a vocês: caminhem na caridade, caminhem no amor! E caminhemos juntos rumo ao próximo Sínodo dos Bispos, Que a Virgem Maria nos sustente com sua intercessão materna, para que cada um de nós, a cada dia, com os fatos, possa dizer “não” ao mal e “sim” ao bem.

Queridos jovens, vocês andaram muito nestes dias! Por isto estão em boa forma e eu posso dizer a vocês: caminhem na caridade, caminhem no amor! E caminhemos juntos rumo ao próximo Sínodo dos Bispos, Que a Virgem Maria nos sustente com sua intercessão materna, para que cada um de nós, a cada dia, com os fatos, possa dizer “não” ao mal e “sim” ao bem”.

Presentes na Praça São Pedro os jovens da XXXVIII Marcha Franciscana (Loreto-Assis-Roma), que na sexta-feira se encontraram com o Papa. Depois de terem percorrido 117 km a pé, eles receberam três palavras-chave: caminho, alegria, vocação.

Neste domingo, no altar, o Crucifixo de São Damião, que acompanhou os jovens.