O CarismaNotícias › 11/08/2018

Emoção na criação da Fraternidade Santa Clara de Assis

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Moacir Beggo

Rio de Janeiro (RJ) - Sob a inspiração de Santa Clara de Assis, neste dia 11 de agosto, nasceu uma nova Fraternidade da Ordem Franciscana Secular. Esta Fraternidade, certamente, seria muito especial para São Francisco de Assis e Santa Clara porque foi criada no interior da antiga colônia para hansenianos Tavares de Macedo, que hoje tornou-se um bairro onde vivem 9 mil pessoas em 950 mil metros quadrados, sendo 160 ex-internos, em casas de vilas, pavilhões e alguns na enfermaria – caso dos que sofreram amputações por tratamentos equivocados do passado. E não poderia deixar de ser especial para as Fraternidades do Regional Sudeste II (RJ/ES) da Ordem Franciscana Secular, para religiosos (as) e fiéis que marcaram presença na emocionante Celebração Eucarística presidida pelo Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel.

Mais emocionante ainda foi o momento de entrega dos primeiros professos solenes desta Fraternidade: Cristiane Rodrigues dos Santos, Elizate Geralda do Nascimento Bazílio, Jane Daisy Silva, Maria do Socorro Chagas da Silva, Marismar Alves Amorim Silva, Martinho José da Silva Neto e Renato Ribeiro de Almeida disseram sim, alguns muito emocionados, diante do Ministro Regional, Marco Antônio Rodriguez, da Fraternidade São Francisco de Assis de Rio Comprido. Como símbolos deste momento, receberam o Tau e o Crucifixo de São Damião.

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A Celebração, que teve início às 10h15 na Igreja Nossa Senhora Aparecida, situada na Avenida 22 de maio, s/n, só terminou depois do meio-dia. Na criação da nova Fraternidade, o Ministro Provincial decretou: “Usando as atribuições a mim conferidas pela Santa Sé, pelas Constituições Gerais da nossa Ordem, erijo canonicamente a Fraternidade da Ordem Franciscana Secular, nesta cidade de Itaboraí, RJ, no bairro Venda das Pedras, na Paróquia São Pedro Apóstolo, na Igreja Nossa Senhora Aparecida, sob a invocação e patrocínio de Santa Clara de Assis”.

O celebrante destacou a beleza desta Celebração no dia de Santa Clara de Assis, que dá nome à nova Fraternidade. “Santa Clara é para todos nós espelho e exemplo, como diz a Bula de Canonização de Santa Clara. Exemplo e espelho a partir dos quais nós também queremos confrontar a nossa vida, sobretudo a nossa vida franciscana, a nossa mística franciscana, a nossa espiritualidade”, animou.

Na mesma Bula, lembrou Frei Fidêncio, o Papa diz que Clara também é uma luz que se irradia. “Mesmo se ela viveu a vida inteira recolhida no mosteiro de São Damião, a claridade de sua luz não apenas brilhou por dentro do mosteiro, mas brilhou para o mundo da Igreja da época e brilha para nós. Ilumina nossa vida cristã, a nossa vocação cristã no mundo”, acrescentou.

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Ainda nesta Bula, o Papa continua suas analogias e Clara é também uma planta, a Plantinha de São Francisco. “Clara é como uma planta que cresceu e estendeu a sua ramagem pelo mundo inteiro. E nós, hoje, de certa forma, somos, por meio da espiritualidade, um raminho, um broto dessa planta maravilhosa. Cada um na sua peculiaridade, cada um na sua missão. Nós fazemos parte dessa planta maravilhosa que Deus plantou na cidade de Assis e que teve seus ramos estendidos até aqui em Venda das Pedras, onde nasce uma Fraternidade Franciscana que quer se inspirar, sobretudo, na mística de São Francisco e na mística de Clara de Assis”, enfatizou o Ministro Provincial.

Clara também é um candelabro. “Um candelabro de santidade. Uma lâmpada maior e, a partir dela, todos nós queremos nos deixar iluminar. Foi tão bonito hoje, na procissão de entrada, quando os professandos entraram com uma vela na mão, tendo na mesma a estampa de Santa Clara. É tão bonito porque vocês também querem acender não apenas esta vela, mas a lâmpada interior, a lâmpada do coração”, indicou.

Clara deixou tudo para seguir a Cristo. Mas, segundo o Ministro Provincial, para Clara esse Cristo deve ser buscado em todos os dias, em todos os momentos de sua vida. “Por isso, lá no final, quase perto da morte, Clara escreve no seu Testamento: ‘O Filho de Deus se fez para nós caminho. O nosso bem-aventurado Pai Francisco nos ensinou e nos mostrou por palavras e exemplos'”.

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VIDA DE SANTIDADE

“E Clara de Assis toma consciência de que a vocação dela, de clarissa e de contemplativa, é a vocação comum nossa no seguimento do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Cada franciscana, cada franciscano, seja da Primeira, da Segunda ou da Terceira Ordem Secular ou Regular, todos nós professamos a mesma vida. O nosso projeto evangélico, a nossa vocação cristã, consiste exatamente no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ser cristão, ser cristã, ser franciscano, ser franciscana, é se colocar amorosamente, generosamente neste caminho de Nosso Senhor Jesus Cristo”, enfatizou o celebrante.

Para o presidente da celebração, Clara de Assis, ao se colocar neste caminho, nos diz que devemos ser santos. “Clara de Assis quer nos ajudar, sobretudo esta Fraternidade aqui da Terceira Ordem Franciscana Secular, a buscarmos na vocação franciscana uma vida de santidade”, disse, citando a Carta Apostólica do Papa Francisco escrita recentemente. “Olha o que o Papa diz: ‘O Senhor não quer que nos resignemos com uma vida medíocre, superficial, indecisa’. Olha que palavras fortes! A mediocridade não faz parte da nossa vida cristã. Isso nós podemos ver em São Francisco, isso podemos ver em Santa Clara, o quanto eles batalharam, lutaram para aperfeiçoarem na vida e no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo”, observou, lembrando que a santidade não está só sobre naqueles e naquelas que estão sobre os altares, mas para o Papa, a santidade está ali na soleira da porta. “É a santidade de você pai, de você mãe, de você jovem, é a santidade de nossos religiosos, é a santidade de nossas religiosas, é a santidade de todos vocês. Este é o rosto bonito da Igreja”, enfatizou o Ministro Provincial.

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Questionando o que queriam fazer na Ordem Franciscana Secular, Frei Fidêncio lembrou que ela não era uma ONG e muito menos um clube. “A Ordem Franciscana Secular é uma Fraternidade que busca do seu jeito, inspirada na espiritualidade de São Francisco e Santa Clara, mostrar ao mundo de hoje este rosto de santidade. Então, Clara é para nós, sim, este modelo, este espelho de santidade”.

“Busque neste Espelho as virtudes do Crucificado: a virtude da pobreza, a virtude da humildade, a virtude da caridade”, ensinou, desejando que Santa Clara nos ajude a todos a sermos mais santos. “Não santos medíocres, mas santos que brilham, santos que sejam árvores, santos que sejam luzes, que sejam fontes, que tenham o brilho de Deus no mundo e na realidade tão sofrida de hoje”, completou.

O ESTÍMULO DE FREI COLOSSI

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Cristiane Rodrigues dos Santos falou pelos neoprofessos e revelou que  a nova Fraternidade nasceu do estímulo recebido de Frei Luiz Colossi, hoje residindo na Fraternidade de São João do Meriti, e dos irmãos franciscanos seculares que passaram a visitar a colônia no Dia da Escuta, sempre no último domingo do mês de agosto. “O Frei Colossi, com seu jeitinho, nos ensinou como sermos franciscanos. Fazendo tudo no seu ‘caladinho’, mas mostrando o exemplo de como ser franciscano”, contou Cristiane, não economizando nos agradecimentos a todos que tornaram realidade este momento, especialmente os formadores da Fraternidade de São Gonçalo. “Estreitamos os laços cada vez mais entre nós graças a esses formadores. Dizemos que esta Fraternidade é nossa Fraternidade-Mãe. Fazemos até o nosso retiro juntos”, elogiou Cristiane, eleita no primeiro capítulo da Fraternidade, realizado logo depois a Missa, a primeira ministra. Renato foi eleito vice-ministro e Elizate cuidará da formação. Já Marismar ficará como secretária e Martinho como tesoureiro.

Esta é a 36ª Fraternidade Regional Sudeste II da Ordem Franciscana Secular, sendo 32 do Rio de Janeiro e 4 do Espírito Santo. Segundo o Ministro Regional, Marco Antonio Rodriguez, um total de 1.100 irmãos fazem parte deste Regional. “Para mim, a criação desta Fraternidade tem um significado muito grande. E um baluarte da nossa espiritualidade é ser irmão, é viver em fraternidade. Ver isso é algo muito rico para a minha caminhada franciscana. Francisco viu a grandiosidade que era ser irmão e ser fraterno, não só das pessoas, mas de todas as criaturas, do cosmos, da natureza. Ele via a graça de Deus em todos”, festejou.

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Admara Titonelli, da Fraternidade Nossa Senhora das Graças, de São Gonçalo, emocionou-se bastante durante a celebração. Depois de receber alta hospitalar, conseguiu participar da Celebração, com muito simbolismo para ela, que acompanhou os professandos durante os seis anos de formação, como o falecido Osvaldo. “Ele podia não ter dedos, mas doação era o sobrenome daquele homem. Cego, eu nunca vi um irmão tão amoroso e carinhoso. Ele só tinha palavras boas”, homenageou.

Admara explicou que o desenho que retrata a Fraternidade tem as mãos simbolizando cada um dos seus membros. “A mão sem dedos é do falecido Osvaldo”, disse.

A imagem de Santa Clara que vai acompanhar a Fraternidade e foi trazida por Ir. Juliana foi doada pelas Irmãs Clarissas da Gávea e pelo Regional da OFS.

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PARA LEMBRAR

No Brasil, até a década de 1980, a Lei Federal nº 610, de 13 de janeiro de 1949, recomendava o isolamento compulsório dos pacientes com hanseníase em colônias, chamadas na época de leprosários. A violação de direitos e a segregação era de tal ordem que a mesma lei ordenava a entrega dos bebês de pais com hanseníase à adoção, o que levou à separação de milhares de famílias. A situação perdurou até 1986, quando os antigos hospitais-colônias foram transformados em hospitais gerais.

A hanseníase é considerada uma doença silenciosa, que, muitas vezes, se manifesta com sintomas pouco valorizados pelos pacientes e que pode causar incapacidades e deformidades se não for tratada precocemente. O Brasil é o único país da América Latina onde a doença não foi eliminada e o segundo país no mundo com maior predominância de novos casos.

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