No seguimento de Cristo, todo mundo pode ser anjo

Frei Gustavo Medella

Anjos são seres que estão a serviço tanto de Deus quanto da humanidade. Sua ação é sempre a de promover a comunicação e o intercâmbio entre humano e divino. Transmitem mensagens, apontam caminhos, colocam-se como protetores, fazem alertas e advertências, animam os que estão abatidos e dispõem a fazer o que precisa. São uma espécie de factótum da Providência Divina, escoteiros “sempre alerta” das necessidades humanas, um tipo de super -herói dos sonhos infantis.

Na primeira leitura deste 19º do Tempo Comum, o anjo entra em ação para dissuadir o Profeta Elias do desejo de morrer. Elias triste, desanimado e enfraquecido, deita-se debaixo de uma árvore e pede a própria morte. Mal adormece e vem o anjo para cutucá-lo, para incentivá-lo a comer e apresentá-lo o lanche que tinha à disposição. Elias consumiu o alimento, mas quis voltar a dormir. Novamente o anjo – que sujeito persistente! – cutuca Elias, e o anima a seguir em frente para cumprir a sua missão.

Este episódio ilustra algumas atitudes básicas de quem deseja colocar em prática os ensinamentos de Cristo. Nota-se bem que, antes de dirigir a palavra a Elias, o anjo toca no profeta. O toque é símbolo de aproximação de quem de fato deseja se comprometer com a questão do outro. É um recurso para chamar a atenção daquele que padece de alguma dor e de comunicar a ele, através do gesto: “Pode contar comigo, eu estou aqui!” O movimento seguinte, a palavra, ajuda Elias a se dar conta de que Deus não o abandonara. Muitos são os que se sentem abandonados e uma palavra bem dita é meio eficaz para que voltem a compreender que não estão sozinhos. Do gesto à palavra, da palavra à revelação: o anjo acorda Elias para que ele possa encontrar o alimento de que precisa. O texto bíblico não diz como o pão e água foram parar ali, mas a atitude do anjo mostra o compromisso que o mensageiro de Deus havia assumido em salvar a vida do profeta.

Jesus, o Pão da Vida que mais uma vez se apresenta no Evangelho deste domingo, quer contar com seus seguidores para levar este Pão – que é vida – a todos. No cumprimento desta tarefa, a lição do anjo diante de Elias é preciosa: levar Jesus é um compromisso sério, que exige envolvimento (toque), relação (palavra) e ação (levar o faminto ao pão do qual necessita). No seguimento de Cristo, todo mundo pode ser anjo. Exige esforço, mas vale a pena.


Na foto, os Doutores da Alegria, uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que há mais de duas décadas utiliza a arte lúdica junto a crianças, adolescentes e outros públicos em situação de vulnerabilidade e risco social em hospitais públicos e ambientes adversos.

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