Iluminação do Coração

Como agradar a Deus?

Refletindo sobre os primeiros passos de Clara na busca de seu ideal evangélico de vida.

       Segundo o testemunho de sua amiga Bona, dado durante o Processo de Canonização, Clara sempre tinha sido “trabalhada” por uma pergunta: “Como podia agradar a Deus?” Como ao jovem rico do Evangelho, o Senhor lhe dirá: “Só te falta uma coisa, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus e depois vem e segue-me  (Mt 19,21). Tudo mostra semelhança com o chamado feito a Francisco.  Queria saber como agradar a Deus.

Um dia, no horizonte de sua vida ganhou relevo uma figura que nunca antes lhe havia chamado atenção: o irmão Francisco. Onde muitos viam “loucuras”, Clara verá  a “sabedoria do  Evangelho”.

Vejamos como seu coração começou a ser iluminado. Na verdade, o  Espírito começava a iluminar sua alma. Clara, de acordo com a espiritualidade de seu tempo, expressa-se em termos de iluminação  significando com isto o conhecimento, a contemplação nua que vai diretamente ao mistério.

Movida por sua inquietude, Clara buscou meios e modos de falar secretamente com Francisco. Precisava fazer com ele conhecesse a pergunta de sua alma:  “O que tenho que fazer para a agradar a Deus?”  Disse Bona que ela a acompanhou muitas vezes quando ia secretamente conversar com Francisco para que sua família não ficasse sabendo. Quando perguntaram a Bona de que falavam, que lhe dizia Frei Francisco disse “que sempre a exortava que se convertesse a Jesus  Cristo e Frei Felipe fazia o mesmo. Ela o ouvia com gosto e dava seu assentimento a todo bem que lhe diziam” (Proc.  XVII, 3).

Qual seria o núcleo da promoção vocacional de São Francisco? O biógrafo recorda como lhe falava de desposar-se com Jesus Cristo em virgindade.  João Ventura, também no Processo, afirma: “Quando Clara ouviu que Francisco havia escolhido o caminho da pobreza, decidiu em seu coração fazer o mesmo” (Proc. XX, 6).

Clara de Favarone não pretendia inventar nada, nem nada contestar nem dar lições a quem quer que seja.  Sua nobreza de alma levava-a a buscar a autenticidade da verdade e do amor. Buscava viver o Evangelho para agradar a Deus. Buscava a verdade de Deus, ver, ouvir, tocar, dar testemunho do verbo da vida  porque somente que vê, ouve e toca pode dar um verdadeiro testemunho.

 Maria  Victoria Triviño, La vía de la beleza, Temas espirituales de Clara de Asís,  BAC n. 46, p. 74-75

Frei Almir Guimarães