O CarismaNotícias › 28/07/2018

“Não se pode ser Igreja apenas dentro da igreja”

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Frei Augusto Luiz Gabriel

São Paulo (SP) – Neste sábado dia 28, a Paróquia e Santuário São Francisco de Assis, em parceria com o Serviço de Animação Vocacional (SAV), da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, realizaram um tarde de visitação às famílias da Ocupação 9 de Julho da região central de São Paulo (SP), como também diversos trabalhos voluntários junto à população em situação de rua, no Chá do Padre.

Pessoas de todas as idades fizeram-se presentes e foram acolhidas no interior do Salão Frei Galvão por Frei Marx Rodrigues dos Reis que motivou os participantes e conduziu a oração inicial. Pautado pela passagem do Evangelho de Lucas (24, 13-35), que narra o caminho dos discípulos de Emaús , Frei Marx destacou que naquele tempo os discípulos estavam tristes por conta da morte de Jesus. “Alguma coisa no caminho faz a gente abaixar a cabeça e andar triste. E é diante desta experiência de tristeza e desigualdade social que vocês se colocam aqui, assim como estavam os discípulos de Emaús. Nós acreditamos que Jesus não nos deixará de braços cruzados, Ele há de aparecer vivo entre nós”, motivou o frade. Ainda ressaltou que o Senhor ressuscita todos os dias e faz nova todas as coisas, e incentivou os participantes a se doarem totalmente em prol do próximo.

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O Pároco, Frei Alvaci Mendes da Luz, acolheu oficialmente todos os participantes em nome da Paróquia e Santuário São Francisco e falou da missionariedade da Igreja, lembrando que Cristo enviou os discípulos pelo caminho de dois a dois, nascendo assim a missão da eclesial. Francisco de Assis fez o mesmo. “Pode-se fazer missão no centro de São Paulo, na África, na Amazônia, em nossas casas, ou em qualquer lugar, o importante é que todos nós somos chamados a ser missionários e fazer a nossa parte como cristãos”, sublinhou Frei Alvaci.

Neste ano, devido a adesão de muitas pessoas, o grupo foi divido e saiu a campo. Frei Diego Atalino de Melo, animador do SAV provincial, orientou e conduziu os trabalhos no Chá do Padre do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), localizado na Rua Riachuelo. Frei Marx acompanhou o grupo que foi até a Ocupação 9 de julho, que fica próximo a Paróquia. Segundo Frei Diego, o termo VIP (Very Important Person) possui o significado de alguém que é muito importante. E embora esse seja um termo em inglês, as pessoas já se habituaram com tal expressão de modo que a empregam sempre que se trata de um tratamento diferenciado, mais sofisticado e de melhor qualidade.

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“Assim, com o objetivo de oferecer um tratamento VIP a todos os irmãos em situação de rua que são acolhidos diariamente no Chá do Padre, muitos voluntários dedicaram sua tarde de sábado para uma verdadeira experiência de encontro e solidariedade. Formando uma grande fraternidade com os irmãos acolhidos, puderam concretizar a sua missão através de corte de cabelo, barba, cuidado com os pés, manicure, disponibilidade para uma boa prosa, oficina de arte, karaokê, jogo de cartas e dominós. Só a oferta desses serviços já seria o suficiente, mas por se tratar de pessoas muito importantes, nossos voluntários também acolheram a todos os irmãos em situação de rua com muita alegria, simpatia, cordialidade, proximidade e simplicidade. Enfim, foi uma tarde para ficar na memória e no coração de quem foi tratado como VIP, bem como daqueles que descobriram tamanha nobreza dentro de si, a ponto de serem capazes de descobrir a real importância daquelas pessoas com as quais tiveram contato no dia hoje”, disse Frei Diego.

Já na ocupação, os trabalhos aconteceram junto com as crianças que residem no local. Jogos, pintura de rosto, música, dança e muitas brincadeiras animaram à tarde.

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A jovem Tais Araújo participou pela primeira vez e afirma que se emocionou com muitas histórias de vida. “Não ajudei da forma que eles precisam, mas ajudei com o pouco que Deus me permitiu. Adorei muito esta experiência e pretendo participar mais vezes”, frisou. O aspirante Eduardo Mendes França mencionou que foi uma ótima experiência para ele, pois vem de uma realidade totalmente diferente de Santa Catarina. “Logo no começo quando vi as crianças me veio uma fala de São Francisco na mente: ‘Pregue o Evangelho em todo tempo e, se necessário, use as palavras’. O simples fato de estarmos presentes na vida de cada um naquela ocupação já foi suficiente para elas se sentirem amadas por Deus”, salientou.

Regina Oyamaguchi mencionou que já participa da Igreja há muitos anos, mas que participar da missão foi uma grande novidade para ela, pois nunca havia feito antes. “Sempre fui muito de dentro da Igreja, mas eu sabia que precisava fazer esse caminho, embora sempre tivesse protelado. Hoje eu percebi nitidamente que Cristo estava fora de mim porque eu não tinha caminhado em missão assim como hoje. Aquelas pessoas me criaram um impacto e me assustaram no começo. É preciso ver, experimentar e vivenciar, não é possível ser Igreja apenas dentro da Igreja. Aprendemos ritos, cantos, mas não vivemos Cristo apenas dentro da Igreja. Só viveremos realmente o Cristo a partir da experiência. Eu sinto que hoje Cristo começou a entrar em mim e ano que vem estaremos aqui de novo”, revelou.

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“Quando se fala em missão volto ao ponto de partida pelo qual me senti tocada e chamada a viver a radicalidade do Batismo. Esta missão foi uma experiência única, onde pude vivenciar nas pequenas coisas a manifestação do amor misericordioso de Deus. O encontro com as famílias, sobretudo estar com as crianças, na simplicidade, na alegria e na pureza de coração me fez refletir a frase que recebi antes de sair em missão que dizia o seguinte: “não ardia o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho ?… ” Comigo aconteceu algo incrível, que nenhuma palavra poderia decifrar meus sentimentos, mas sei que meu coração pulsava mais forte ao ver o sorriso estampado no rosto de cada criança que tive a oportunidade de me aproximar. Em um determinado momento parei para observá-los e percebi o quanto é gratificante colocar os dons a serviço do Reino onde quer que estejamos”, acentuou Irmã Roseane de São Paulo.

No final da tarde os participantes reuniram-se novamente na Paróquia e partilharam suas experiências e aprendizados. E para encerrar o dia os missionários partilharam dos alimentos que cada um trouxe para confraternização final.

VEJA ALGUMAS IMAGENS DA MISSÃO NA OCUPAÇÃO 9 DE JULHO E DO CHÁ DO PADRE