Santo Inácio de Loyola, o peregrino

“Até os vinte e seis anos de idade, Inácio tinha sido um homem entregue às vaidades do mundo. Tinha bastante prazer, sobretudo, no exercício de armas, com grande e vaidoso desejo de obter honra. Assim, estava ele na fortaleza de Pamplona atacada pelos franceses.” (Autobiografia, 1)

Lemos acima a descrição de um jovem comum, semelhante a muitos jovens nos dias de hoje. Sem desejos profundos, vivendo a rapidez do instante, a beleza da juventude, aspirando coisas banais: bens, prazeres, poder, fama. Se olharmos no Instagram, veremos muitos jovens parecidos com este descrito acima. Este jovem é Inácio de Loyola, santo cuja memória a Igreja celebra em 31 de julho.

Iñigo Lopez de Loyola, seu nome de batismo, nasceu em 1491. Era o filho de Marina e Beltão, o mais novo entre treze irmãos. Acredita-se que sua mãe morreu cedo, no seu nascimento ou quando ainda era muito jovem. Seu pai faleceu quando ele tinha 16 anos. Iñigo, que mais tarde se tornaria Inácio, não era bonito, nem tinha estatura. É provável que tivesse 1,58 de altura.

Viveu entre a realeza, pois era de família nobre. Entre os anos de 1506 e 1517, serviu no Palácio Real de Arévalo, onde vivia o Ministro do Tesouro Real, João Velásquez de Cuellar e Maria de Velasco, que eram parentes da família Loyola. Lá tornou-se mais culto, aprendeu as artes da cavalaria e das armas.

Em 1517, optou pela carreira militar. Foi prestar serviços a um outro parente, não menos importante, o duque de Najera e vice-rei de Navarra, o qual defendeu em várias batalhas, militares e diplomáticas.

Em 20 de maio de 1521, uma bala de canhão mudou sua vida. Foi ferido na tíbia da perna esquerda durante a batalha de Pamplona. Como os ossos foram mal colocados, recomendaram-lhe então para que ficasse com uma aparência melhor, quebrar novamente os ossos. Inácio, que era muito vaidoso, aprovou a “carnificina”, como escreve em sua autobiografia. Mesmo com a tentativa, Santo Inácio ficou a vida toda com uma perna menor que a outra.

Durante sua recuperação, ficou um longo tempo em convalescença na casa de seus familiares. Como não havia romances de cavalaria para ler, deram-lhe dois livros: A vida de Cristo e A vida dos santos. Conforme ia lendo, afeiçoava-se àqueles grandes feitos de São Francisco de Assis, São Domingos de Gusmão entre outros. Santo Inácio não pensava em fazer a mesma coisa que fizeram os grandes santos da Igreja: ele queria fazer melhor que eles!

Terminado seu período de convalescência, Inácio vai a Montserrat, despir-se literalmente do homem velho. Ali ele deixa as roupas nobres e faz uma vigília de armas, um gesto simbólico daquele que deixa a vida de cavaleiro e se reveste das armas de Cristo.

Assim começa a aventura humana e espiritual de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus.

Atualmente, um outro jesuíta desperta o interesse da Igreja e da sociedade: o Papa Francisco. Seu pontificado, iniciado em 13 de março de 2013, apresenta vários aspectos ligados à espiritualidade inaciana. Quando pode, o Papa se reúne com os jesuítas, sobretudo nas grandes festas litúrgicas da Companhia de Jesus. Um fato chama a atenção: quando se refere aos jesuítas, ele usa o “nós”. Um Papa que nunca deixará seus “amigos no Senhor”.

Acompanhe neste Especial alguns textos escolhidos sobre a vida de Santo Inácio, sobre os Exercícios Espirituais e o Papa Francisco.