Evangelizar é nossa vocação

Frei Clarêncio Neotti

Os Apóstolos devem ter pregado o que Jesus pregava. Jesus definiu assim sua missão: “Fui enviado para anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus” (Lc 4,43). Ele percorreu estradas, vilas e cidades para cumprir essa missão. Entre todos dirigiu-se, sobretudo, aos pobres e marginalizados pela lei. Seus milagres, seus sermões, todos os seus passos estiveram em função dessa atividade. O Papa Paulo VI, no já clássico documento sobre a evangelização do mundo de hoje, chama Jesus de “primeiro e maior dos evangelizadores” (Evangelii Nuntiandi, 7).

Podemos dizer que os Apóstolos foram os segundos evangelizadores e, embora menores do que Jesus, receberam dele a mesma missão e poder. Podemos dizer que os doze com Jesus constituíram uma comunidade evangelizadora. Este título ‘comunidade evangelizadora’ se aplica perfeitamente à Igreja de todos os tempos, porque a missão essencial da Igreja é evangelizar. Escreve Paulo VI: “Evangelizar constitui a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade: ela existe para evangelizar” (Evangelii Nuntiandi, 14).

A Igreja somos nós, cada um com seu grau de responsabilidade. De cada um de nós – se nos declaramos discípulos do Senhor – há de se dizer que evangelizar constitui nossa vocação. Quase diria: com mais razão que a vocação dos Apóstolos do Evangelho de hoje, porque eles pregaram ao lado do Mestre visível e com ele. Nós assumimos também a parte de Jesus: somos seus pés e seus braços, sua voz, sua ternura e seu vigor. Sempre com ele, é verdade, mas ele de maneira invisível; uma presença bem diferente da que conheceram os Apóstolos nos anos de vida pública de Jesus.

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