Vida CristãNotícias › 06/07/2018

Parolin: unir as forças para salvar a Terra antes que seja tarde

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Cidade do Vaticano - É hora de responder concretamente ao apelo do Papa Francisco pela defesa de nossa casa comum, antes que seja tarde demais. Foi o que sublinhou o cardeal Pietro Parolin no Simpósio Internacional para a defesa da Terra, nossa casa comum, aberto na manhã desta sexta-feira, 6, na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano, promovido pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, por ocasião do terceiro aniversário de Laudato Si’.

O secretário de Estado do Vaticano sublinhou como, desde a sua publicação, a Encíclica tenha recebido grande apoio tanto dos crentes – não apenas dos cristãos – como da comunidade científica. E enfatizou o tema da ecologia integral e da interdependência, que estão no centro do documento papal.

Cuidado ambiental e justiça para os pobres caminham juntos

Em seu discurso, o cardeal Parolin destacou três pontos em particular. Antes de tudo, observou que a Laudato Si‘ sublinha de forma inequívoca como “a situação do nosso planeta hoje é precária”. O perigo é, de fato, o “colapso” de nossa casa comum, que garante a nossa e todas as outras formas de vida.

O segundo ponto da Encíclica retomado pelo cardeal Parolin é precisamente a ecologia integral. Para Francisco, “a ecologia humana e a natural são inseparáveis”.

Eis porque, advertiu ele, “cuidar do meio ambiente, justiça para os pobres, compromisso com a sociedade e a paz interior” também devem ser inseparáveis. Tudo para o Papa – reiterou ele – está “interligado” e, portanto, “o grito da terra está intimamente ligado ao grito dos pobres”.

Todos somos portanto chamados a “unir-nos no esforço para salvar nossa casa comum”, exclamou o secretário de Estado do Vaticano.

Mudar a direção do progresso econômico para evitar uma catástrofe

parolin_060718O terceiro ponto sobre o qual o cardeal referiu-se é a dimensão espiritual oferecida pela Laudato Si’ sobre a questão ecológica. Uma dimensão condensada no “evangelho” da criação ao qual é dedicado o segundo capítulo da Encíclica.

Para Francisco, recordou o cardeal, deve haver uma relação harmoniosa do homem com Deus, com o próximo e com a mãe Terra. Os males que vemos também em detrimento do meio ambiente são o resultado da “violência presente em nossos corações”. E alertou para a exploração do meio ambiente e da “cultura do descarte”, que estão levando a criação “à beira da catástrofe”. Por isso, é urgente “mudar a direção do progresso, a maneira de administrar nossa economia e nosso modo de vida”.

Laudato torna-se a bússola do caminho em defesa da Terra

A doutrina católica sobre a criação, acrescentou, “não considera o mundo como um incidente causal”, mas como um “ato intencional de Deus que o ofereceu aos seres humanos como um presente”. Um presente a ser preservado, “não para ser dominado e devastado”.

É sob esta luz, disse o cardeal Parolin, que é facilmente entendido porque o Papa Francisco está tão preocupado ao mesmo tempo “pelos pobres e pela natureza”. Estamos todos conscientes, concluiu ele, de quão difícil é o caminho a ser percorrido”, mas temos uma boa bússola que nos guia: a Encíclica Laudato Si’“.

Nossa geração tem imensa responsabilidade pelo futuro da humanidade

O cardeal Peter Turkson também falou sobre o drama da situação. “A nossa comum casa planetária – advertiu – está caindo em ruínas” e o tempo para agir “está expirando”.

O prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral advertiu então que, se não mudarmos nosso sistema econômico hoje, “condenaremos as futuras gerações” e, em última instância, o futuro da própria Terra.

É por isso que, disse o cardeal ganense, a geração atual tem uma “imensa responsabilidade para salvar nossa casa comum” e é por essa razão, acrescentou, que a Santa Sé, com este encontro, desejava envolver a todos: desde líderes religiosos e cientistas, de expoentes políticos a representantes da sociedade civil.

O compromisso, disse o cardeal Turkson, é criar uma “rede mundial de pessoas” que levem com paixão o compromisso de proteger o meio ambiente. “Se esta geração não agir – disse o teólogo irlandês Sean McDonagh – nenhuma geração futura será capaz de reparar os danos que esta geração causou ao planeta”.