Cultura franciscanaNotícias › 22/06/2018

Frei Clarêncio escreve sobre o seu amigo Marques de Melo

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Morreu no dia 20 de junho à tarde o professor José Marques de Melo, aos 75 anos, depois de suportar por mais de dez anos o Mal de Parkinson. Conheci Marques de Melo em 1966, quando recebi do Ministro Provincial a incumbência de reformar a filosofia de Revista de Cultura Vozes, adaptá-la às ideias do Concílio, e ajudar a Frei Ludovico Gomes de Castro a alinhar a Editora Vozes entre as produtoras de livros universitários.

Marques de Melo chegara do Nordeste e conseguira lecionar na USP. Mais tarde criou e foi diretor da Escola de Comunicação da USP e fundou a mesma cadeira na Metodista de Santo André.

Juntos montamos os títulos de uma série de livros de Comunicação com um propósito claro. Queríamos livros cheios de respeito para com o receptor, livros de visão humanista e, se possível, de autores brasileiros.

Juntos fundamos a União Cristã Brasileira de Comunicação Social. Dela, ele foi o segundo presidente e eu o terceiro. Como UCBC enfrentamos o controle estúpido da Ditadura Militar. Juntos organizamos congressos regionais e nacionais. Marques me deu o maior apoio na reestruturação da União Católica Latino-Americana de Imprensa (UCLAP). Viajamos juntos por vários países da América Latina. Juntos organizamos cursos nas ainda poucas Faculdades de Comunicação, ele como conferencista muito ouvido e aplaudido e eu à cata de um novo público para a Vozes. Quando a Editora fez 70 anos, organizamos lançamentos nas grandes cidades. Marques estava sempre entre os autores ou entre os conferencistas.

Devo a Marques de Melo boa parte da minha segurança na condução da Revista Vozes. A revista foi supressa em 2004 pelo diretor da Editora, menos de três anos antes de ela alcançar cem anos de circulação. Senti muito este gesto prepotente. Marques de Melo me consolou, preparando em São Paulo uma sessão solene em julho de 2007, para celebrar o centenário da revista, ainda que ela já não existisse mais. Foi boa ocasião de reencontrar muitos autores e comunicadores. Nossa sessão solene repercutiu em todo os jornais. Foi nesse dia que Marques me disse que começaria tratamento do Parkinson.

Esteja na paz de nosso Senhor!

Frei Clarêncio Neotti