O drama dos venezuelanos

Roraima é a principal porta de entrada dos imigrantes que fogem da crise de abastecimento de alimentos, do colapso dos serviços públicos e de uma inflação de 700% no país vizinho. A prefeitura de Boa Vista estima que cerca de 40.000 venezuelanos já tenham entrado na cidade, o que representa mais de 10% dos cerca de 330.000 habitantes da capital. O número de imigrantes equivale aproximadamente a população de uma cidade como Boituva, em São Paulo. Guardadas as devidas proporções, Roraima vive sua crise particular de refugidos. Os abrigos estão lotados e milhares de imigrantes vivem em situação de rua. A maioria chega pelo pequeno município de Pacaraima, com 16.000 habitantes e depois segue para Boa Vista. Apesar de o fluxo de venezuelanos ter aumentado desde o fim de 2016, uma nova leva chegou após a Colômbia colocar mais travas para a entrada de refugiados no país.

“Os dramas dos refugiados que marcam o início do século XXI são uma realidade também na América do Sul. As notícias que chegam das regiões fronteiriças com a Colômbia e o Brasil são alarmantes. Em Roraima, segundo informações oficiais, 42 mil venezuelanos chegaram ao Estado no ano passado, o que corresponde a 10% da população local. Grupos de venezuelanos foram atacados na cidade de Boa Vista e as ações dos governantes têm sido pouco acolhedoras diante de um quadro de crise humanitária. A solidariedade aos refugiados que migram para a Europa, oriundos de países em guerra como a Síria ou de regiões como o norte da África, é sempre mais simples de ser verbalizada do que aquela que ocorre diante de nós. Os países que deveriam estar mais atentos ou que possuem maior proximidade com a Venezuela tratam o tema com uma perspectiva que contempla mais as demandas de seus quadros políticos internos do que o dever de solidariedade às pessoas e grupos envolvidos na crescente tensão. Brasil, Colômbia e Espanha perguntam-se mais sobre o desfecho político que lhe são convenientes do que pelas soluções possíveis a partir dos venezuelanos”, diz José Alves de Freitas Neto, Professor livre-docente do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.

Número recordes de pedidos de refúgio
De acordo com Polícia Federal, em 2017 foram registrados 22.247 pedidos de refúgio por venezuelanos. Um recorde de solicitações nos últimos anos. Nem todos os venezuelanos são considerados refugiados porque o refúgio é concedido àqueles que sofrem perseguições políticas, étnicas e religiosas. Mas muitos já pedem esse visto porque ao conseguir apenas o documento de solicitação já podem emitir documentos e trabalhar legalmente no Brasil.

Além do refúgio, os estrangeiros agora também pedem a chamada residência temporária que foi permitida no ano passado e passou a ser gratuita a partir de agosto. No ano passado, foram registrados mais de 8.000 pedidos dessa nova modalidade.

VEJA DEPOIMENTO DE DOM MÁRIO

O Bispo de Roraima Dom Mário Antonio da Silva, afirma que apesar de ser difícil toda a situação é preciso acolher por se tratar de uma crise humanitária. A Igreja tem se mobilizado com as comunidades. Ele conversou com o Portal A12.com. Assista!