Os pequenos segredos da “ação da Graça”

Frei Gustavo Medella

Um prato de sopa, um minuto de atenção, um telefonema breve, uma mensagem de WhatsApp, um “Bom dia”, um sorriso, um aceno, um lugar cedido na fila, um bom conselho… Muito maior poderia ser a lista de pequenas ações, mas que trazem em si as sementes do Reino, tal qual o grão de mostarda descrito por Jesus no Evangelho deste 11º Domingo do Tempo Comum. Gestos discretos, mas que podem marcar decisivamente a vida de quem estava no limite da fome, da solidão, da dúvida, da tristeza ou do desespero. Custa pouco para quem oferece e pode ser essencial para aquele que recebe.

Ao discorrer sobre a santidade, em sua última Exortação Apostólica, Gaudete et Exsultate, o Papa Francisco também destaca a importância dos pequenos gestos:

“Esta santidade, a que o Senhor te chama, irá crescendo com pequenos gestos. Por exemplo, uma senhora vai ao mercado fazer as compras, encontra uma vizinha, começam a falar e… surgem as críticas. Mas esta mulher diz para consigo: “Não! Não falarei mal de ninguém». Isto é um passo rumo à santidade. Depois, em casa, o seu filho reclama a atenção dela para falar das suas fantasias e ela, embora cansada, senta-se ao seu lado e escuta com paciência e carinho. Trata-se doutra oferta que santifica. Ou então atravessa um momento de angústia, mas lembra-se do amor da Virgem Maria, pega no terço e reza com fé. Este é outro caminho de santidade. Noutra ocasião, segue pela estrada fora, encontra um pobre e detém-se a conversar carinhosamente com ele. É mais um passo” (EG 16).

Buscar com empenho e carinho crescer nestas manifestações amorosas vai conferido qualidade e consistência ao testemunho do discípulo. Agindo desta forma, o seguidor de Cristo escancara as portas do próprio coração para que ali seja lugar por excelência da “ação da Graça”, a mesma que faz a semente brotar, florescer e frutificar, bastando ao agricultor o cuidado e a vigilância.

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