11º Domingo do Tempo Comum, ano B

Frei Ludovico Garmus, ofm

Oração: “Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apela, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos”.

1. Primeira leitura: Ez 17,22-24

Elevo a árvore baixa.

Em Ez 17 temos a alegoria do frondoso cedro (a monarquia de Judá). Uma águia, o rei de Babilônia, arrancou a copa do cedro e a levou para o exílio (o rei Joaquin ou Jeconias) e substituiu-o com um galho deste tronco, o rei Sedecias. Este, porém, tornou-se infiel ao rei da Babilônia e foi punido. Assim, a monarquia de Judá foi praticamente aniquilada. Mas o profeta anuncia que Deus vai intervir nos planos do poder babilônico: Tomará um galho da copa deste cedro e o plantará de novo na terra de Israel (retorno do exílio). Assim como arrancou a copa do vigoroso cedro (monarquia de Judá), agora vai abater o poderio da águia e exaltar o galho do cedro (árvore baixa), transformando-o num “majestoso cedro”. É como diz o provérbio popular: “Eu dirijo, Deus me guia”. Os reis tentam dirigir a história, mas é Deus quem guia a história dos homens. Ele é capaz de transformar um simples galho numa frondosa árvore. Na parábola do grão de mostarda o Evangelho retoma a imagem profética de Ezequiel, para falar do misterioso crescimento do Reino de Deus.

Salmo responsorial: Sl 91

Como é bom agradecermos ao Senhor

2. Segunda leitura: 2Cor 5,6-10

Quer estejamos no corpo, quer já tenhamos deixado esta morada,
nos empenhamos em ser agradáveis ao Senhor.

Paulo nos traz sua experiência da vida cristã, baseada no evangelho que prega. Paulo é ao mesmo tempo um grande semeador do Reino de Deus e o terreno onde esta boa semente do Evangelho foi lançada. Caminhando neste mundo “na fé e não na visão clara”, Paulo e todos nós que cremos somos animados pela confiança (v. 6 e 8). Esperamos comparecer diante do tribunal de Cristo, no juízo final, para receber o prêmio da vida eterna, isto é, participar da ressurreição do Senhor. O que importa, no momento presente, é praticar as boas obras para sermos agradáveis a Deus.

Aclamação ao Evangelho

É a menor de todas as sementes
e se torna maior do que todas as hortaliças.

3. Evangelho: Mc 4,26-34

É a menor de todas as sementes
e se torna maior do que todas as hortaliças.

Em Mc 4 são recolhidas três parábolas de Jesus: a parábola do semeador (4,3-20), a parábola da semente que cresce (4,26-29) e a parábola do grão de mostarda (4,33-34). O Evangelho de hoje nos convida a meditar sobre as duas últimas parábolas. Por trás das três parábolas está a experiência de Jesus, que anuncia o Reino de Deus, e da Igreja, que anuncia o Evangelho. O semeador semeia, esperando colher bons frutos, mas o resultado nem sempre é aquilo que esperava. Ele pode ter a alegria de fazer uma boa colheita, mas também a frustração pelos resultados negativos. Se não tivesse fé na qualidade da semente, confiança no terreno e esperança de uma boa colheita o semeador nem sairia para semear. As duas últimas parábolas se concentram, sobretudo, na fé e confiança, tanto na semente como no terreno. A semente que cresce sozinha quer mostrar o dinamismo da semente. Quando é lançada na terra, germina e cresce sem que o agricultor fique preocupado com isso. A parábola do grão de mostarda chama a atenção à força escondida na pequenina semente de mostarda que, uma vez lançada na terra, torna-se uma grande hortaliça, aonde até os passarinhos vêm fazer o seu ninho. As três parábolas da semente têm algo em comum:

1. Podemos confiar na semente, que é a Palavra de Deus, mas os resultados dependem também do tipo de terreno que a acolhe.
2. Uma vez lançada a semente na terra, desencadeia-se nela um dinamismo interno (um “programa”), que a faz funcionar por si só.
3. O Reino de Deus pode ter um início ínfimo, pequenino com a semente de mostarda, mas tende a crescer e expandir-se, tornando-se “a maior das hortaliças”.
4. O que pedem de nós estas duas parábolas?

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