Modo de crescimento do Reino de Deus

Frei Clarêncio Neotti

Lemos hoje duas parábolas em torno do Reino dos Céus. A primeira é típica de Marcos, isto é, só ele a conta. A segunda é narrada também por Mateus e Lucas. As duas parábolas fazem parte de todo um conjunto de ensinamentos. Marcos reuniu-os no capítulo quarto. Todos eles
referem-se ao Reino de Deus, que está próximo, e ao núcleo central da mensagem de Jesus. Já lembramos, em outros momentos, que era costume de Jesus usar parábolas. O próprio Evangelista lembra isso hoje, no v. 34, informando também que, quando a sós, Jesus retomava as parábolas contadas para explicá-Ias melhor aos discípulos.

As duas parábolas partem de três momentos, que os ouvintes conheciam muito bem: a sementeira, o crescimento, a colheita. Como se trata de parábola (história inventada na
hora, para dela se tirar uma ou mais lições de moral), não convém discutir pormenores de tempo, lugar nem mesmo de lógica, mas devemos ir diretos à lição ou aos símbolos que expressam.

A semente da primeira parábola é a própria doutrina salvadora de Jesus. Ele a plantou. Ela há de frutificar. Essa é uma lição que Jesus procurou ensinar sempre de novo. Suas palavras são vivas, têm fecundidade, podem e devem frutificar; seus ensinamentos são revestidos de autoridade divina; seu plano salvador não falhará. Ainda que demore. Ainda que as aparências sugiram fracasso, como foi o caso da cruz. A primeira parábola, na verdade, é uma lição de confiança. Noutra parábola, a do semeador (Me 4,13-20), Jesus garantiu que sua doutrina (semente) só não frutifica, se a terra (pessoa) não for boa.

rodape-clarencio